846: Há uma cidade subterrânea tão grande que demorará 50 anos a ser revelada

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Tiwanaku, na Bolívia

Uma equipa de arqueólogos bolivianos descobriu uma cidade subterrânea, do período pré-inca, que é tão grande que os especialistas acreditam que as escavações podem durar 50 anos.

Arqueólogos bolivianos descobriram uma cidade subterrânea, do período pré-inca, em Tiwanaku, na Bolívia. A cidade tem uma extensão tal que os especialistas acreditam que as escavações podem durar, pelo menos, 50 anos, anunciou o Ministério da Cultura boliviano.

“Com novos dados obtidos com a ajuda de tecnologia evoluída foi encontrada uma cidadela pré-hispânica fora do perímetro arqueológico, onde foi detectada uma praça subterrânea e duas plataformas daquilo que é considerado ser uma pirâmide“, revelou o ministério.

A descoberta foi feita durante os trabalhos de conservação e preservação de Tiwanaku, classificado como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, em 2000, adianta o Jornal de Notícias.

Julio Condori, responsável pelo Centro de Investigação Arqueológica, Antropológica e Administrativa de Tiwanaku, afirmou que as principais escavações “serão feitas no sudoeste e no norte, com o objectivo de confirmar os dados recolhidos”.

Em caso de confirmação, esta descoberta arqueológica irá obrigar a repensar a ideia de que Tiwanaku era apenas um centro cerimonial, de modo a considerá-lo também uma cidade pré-hispânica.

Localizado a 71 quilómetros de La Paz, o complexo de cerimónias de Tiwanaku conta com os templos construídos em honra de Kalasasaya e Puma Punku e acolhe ainda a Porta de Sol, a Pirâmide de Akapana e vários monólitos.

ZAP //

Por ZAP
5 Agosto, 2018

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671: Revelado o misterioso código 3D com que os Incas comunicavam

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Caminho Inca – Machu Picchu (Peru)

O Império Inca (1400-1532 dC) é uma das poucas civilizações antigas que falava em múltiplas dimensões. Em vez de palavras ou pictogramas, os Incas utilizavam dispositivos de corda com nós, o quipo, para comunicarem complexas informações matemáticas e narrativas.

No entanto, e depois de mais de um século de estudo, somos ainda incapazes de decifrar completamente o código de quipo. O desafio da compreensão não está na falta de artefactos – há mais de 1.000 quipo conhecidos-, mas na sua variedade e complexidade.

O mistério foi finalmente desvendado o ano passado por Manny Medrano, então aluno da Universidade de Harvard, nos EUA, e Gary Urton, antropólogo da mesma universidade, que decifraram o mistério do sistema de cordas que nunca tinha conseguido explicar. Em Abril, Urton publicou em livro a explicação detalhada das descobertas dos dois cientistas.

Os investigadores foram confrontados com dezenas de milhares de nós amarrados por pessoas diferentes, para propósitos diferentes e em diferentes regiões do império.

Através de materiais disponíveis no local, como lã de camelo e algodão, os khipukamayuqs – quéchuas para os fabricantes de nós – codificavam dados administrativos, como números de censos e a alocação de impostos em sequências distorcidas nessas folhas de cálculo.

Os burocratas Incas utilizavam esses dados para controlar o maior império das Américas pré-Colombianas. Sabe-se desde há um século que os quipo contáveis seguem um esquema base de 10 nós – uma espécie de ábaco feito de corda. No entanto, estes nós quantitativos representam apenas dois terços das amostras que restam nos dias de hoje.

O terço restante dos nós – conhecido por narrativa de quipo – parece incluir informações narrativas codificadas de origem não numéricas, incluindo nomes, histórias e até filosofias antigas. Para os amantes de quebra-cabeças, a narrativa de quipo é uma dádiva de Deus.

Por que são os quipos tão difíceis de descodificar?

Normalmente aprendemos a contar na escola através de objectos – blocos de madeira, Legos ou outros brinquedos. As operações de somar e subtrair envolvem empilhar esses objectos ou contá-los com os próprios dedos. Só depois é que as operações realizadas com os dedos se transformam em fórmulas bidimensionais.

No entanto, com este método de aprendizagem podemos perder a nossa capacidade de observar números representados de forma diferente a esses símbolos abstractos. Ou seja: há alguma coisa sobre o símbolo “7” relacionada com o significado do número 7?.

Em sentido oposto, o código quipo dos incas para o 7 tinha um tipo especial de nó, feito através do envolvimento da corda numa série de loops – sete voltas, especificamente.

Já na narrativa de quipo, os nós podem ter sido usados como identificadores qualitativos para pessoas ou ideias – podemos considerar a forma como cada um de nós é identificado através de um número de telefone, segurança social ou morada.

Assim, e tendo em conta que os mesmos números podem significar simultaneamente quantidades, identidades ou uma combinação de ambos, torna-se extremamente difícil saber qual a categoria do número que estamos a observar.  Ou seja, um nó que sinaliza o número 3 reflecte uma contagem de 3, identifica um morador local ou talvez um sistema de código-postal.

Alguns cientistas sugeriram que os nós poderiam codificar uma linguagem silábica.

Somos ensinados desde tenra idade que a matemática e a linguagem são dois mundos distintos. Os Incas, em sentido oposto, criaram uma construção tridimensional – uma conquista de uma civilização complexa na forma de narrativa de cordas.

A linguagem através de quipo pode parecer estranha mas, os Incas, que eram os herdeiros de uma longa tradição de tecelagem com fios de algodão e camelídeos, eram únicos e altamente criativos na sua abordagem para documentar a linguagem.

quipo constitui um dos mais antigos repositórios de dados tributários do mundo, associado a nomes, faixas de impostos e informações sobre famílias através de nós.No império Inca, e depois da conquista espanhola em 1532, a verificação de dados tributários era uma realidade muito presente.

Este é capaz de ser o sudoku do mundo antigo, um quebra-cabeça avançado cheio de números e palavras, que nos faz repensar sobre as civilizações antigas. Talvez estas civilizações não fossem tão assim “primitivas”, pois ainda hoje nos deixam confusos sobre a forma como comunicavam.

Segundo a Tech Times, em Janeiro de 2018, Gary Urton e Manuel Medrano, antropólogos da Universidade de Harvard, os EUA, descobriram alguns documentos em San Pedro de Corongo, no Peru.

Nestes papéis, era revelada a forma como os conquistadores espanhóis forçavam os khipukamayuqs a narrar o seu sistema de khipus, enquanto um escriba os anotava em papel. Um dos documentos era um registo em espanhol com uma lista de recenseamento de 132 contribuintes, todos identificados pelo nome.

Os investigadores compararam o documento encontrado com seis khipus recuperados de um outro documento que estava enterrado na mesma área e descobriram uma correspondência: os nós dos khipus correspondiam às figuras listadas no documento espanhol.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
20 Junho, 2018

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597: Cientistas a um passo de descobrir a misteriosa origem dos Incas

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Caminho Inca – Machu Picchu (Peru)

Um grupo de pesquisadores do Peru acredita ter conseguido traçar as origens dos Incas através do DNA dos descendentes modernos dos seus imperadores.

Há centenas de anos que a civilização Inca fascina historiadores por todo o mundo, mas ainda muito pouco se sabe sobre a origem da maior civilização Pré-Hispânica das Américas. Um grupo de pesquisadores do Peru acredita agora ter conseguido traçar as origens dos Incas através do DNA dos descendentes modernos dos seus imperadores.

Todos os humanos carregam parte da codificação genética dos seus ancestrais e, frequentemente, os cientistas usam técnicas de genotipagem de DNA semelhantes às usadas neste estudo para determinar quais os genes herdados dos progenitores.

No caso da civilização Inca, esta análise foi estendida durante vários séculos. “É como um teste de paternidade, não entre pai e filho, mas entre os povos”, disse um dos pesquisadores, Ricardo Fujita, da Universidade de San Martin de Porres, no Peru, à AFP.

Existem duas lendas tradicionais comummente aceites sobre a origem desta civilização. A primeira acredita que os Incas são originários perto do Lago Titicaca, Puno, no sudeste do Peru; já a segunda, defende que a civilização descende de irmãos da região de Cusco, no centro do Peru.

Estes dois lugares, onde se acredita que possam ter surgido os primeiros Incas, foram fundamentais para a pesquisa. Os investigadores recolheram amostras de DNA dos habitantes de ambos os locais e, posteriormente, compararam a sua codificação genética com cerca de 3000 amostras de famílias actuais conhecidas como descentes de Incas.

De acordo com os investigadores, estes descendentes utilizados como amostra, também conhecidos como famílias “Panakas”, são a melhor ligação com o DNA da antiga nobreza Inca, pois a maioria dos cemitérios incas históricos e restos mumificados foram destruídos pelos conquistadores espanhóis que chegaram no século XVI.

Os resultados revelaram semelhanças genéticas entre as famílias Panakas e as que vivem em Puno e Cusco, mostrando que há alguma verdade nas lendas tradicionais. Mais do que isso: ambas as histórias podem até estar interligadas.

“Após três anos de rastreamento das impressões digitais genéticas dos descendentes, confirmamos que as duas lendas que explicam a origem da civilização Inca podem estar relacionadas”, explicou Fujita à AFP.

“Provavelmente a primeira migração veio da região de Puno e foi estabelecida em Pacaritambo por algumas décadas antes de ir para Cusco e fundar Tahuantinsuyo”, adiantou.

Tahuantinsuyo é o vasto império que os Incas governaram, estendendo-se desde o oeste da actual Argentina até ao norte da actual Colômbia – uma região com enormes dimensões para um povo que começou com pouco.

Algumas das conclusões preliminares foram publicadas em Abril, na Molecular Genetics and Genomics, mas os investigadores anseiam em voltar atrás  no tempo. Mesmo que as antigas múmias Incas tenham desaparecido para sempre, pode haver cemitérios onde restem ainda vestígios de DNA.

As novas técnicas de ponta hoje aplicadas no estudo do DNA – que pode ter até milhares de anos – estão a trazer uma nova visão do passado, permitindo melhor compreender a maneira como as civilizações se espalharam e migraram ao longos dos séculos.

Quanto mais dados os cientistas conseguirem recolher, quer em tamanho da amostra, quer em períodos de tempo cobertos, mais clara se tornará a janela do passado. Podemos ainda aprender muito mais sobre origem do grande império inca.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
1 Junho, 2018

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321: Cientistas descobrem porque os incas tinham “crânios extraterrestres”

Cornell University
Matthew Velasco, investigador da Universidade Cornell, nos EUA

A aparência “extraterrestre” dos crânios dos incas, como no filme “Alien”, tem suscitado o interesse dos cientistas desde há muito tempo. Agora, investigadores norte-americanos parecem ter encontrado a resposta para este enigma.

Muitos povos antigos tinham tradições estranhas, que muitas vezes indiciavam a correlação entre o aspecto de uma pessoa e a sua posição e papel na sociedade. Por exemplo, a nobreza chinesa da Idade Média enfaixava os pés das meninas para que estes não crescessem, pois pés pequenos eram símbolo de origem nobre.

No Japão, mais ou menos no mesmo período, ganhou fama a tradição de pintar os dentes de negro. Os dentes negros eram símbolo de riqueza e fidelidade conjugal. Mais tarde, esta tradição espalhou-se por outros países asiáticos.

Do mesmo modo, segundo os cientistas, os incas alongavam os crânios dos filhos, que ficavam parecidos com “extraterrestres”, por razões sociais, mas os motivos exactos permaneciam um mistério, pois não restaram nenhumas descrições escritas da tradição.

O antropólogo Matthew Velasco, da Universidade Cornell, em Ithaca, nos Estados Unidos, e a sua equipa, descobriram uma das possíveis razões para a estranha tradição, após estudar vários crânios e corpos do povo antigo do vale do Colca, datados aproximadamente do início do século XIV.

Segundo crónicas dos conquistadores, no território do vale habitavam duas grandes tribos, os Collagua e os Cabanas, cada uma com as suas próprias tradições de “moldagem de crânios”. A primeira costumava estender e alongar os crânios, enquanto a segunda tinha crânios largos e “chatos”.

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Os incas alongavam os crânios dos seus filhos, que ficavam parecidos com “extraterrestres”, por razões sociais

Velasco e os colegas decidiram analisar a forma como estas tradições mudaram ao longo do tempo para entender que papel desempenharam na vida destas tribos.

Alguns arqueólogos acreditam que a tradição terá sido trazida à região pelos incas, que pretendiam incitar o confronto entre as duas tribos, fazendo com que estas se juntassem ao império.

Os especialistas norte-americanos compararam como a forma dos crânios da nobreza de ambas as tribos mudou durante alguns séculos, desde o século XIV até ao colapso do Império Inca.

A equipa descobriu que a tradição não foi imposta pelas incas, mas sim causada pela crescente desigualdade social e estratificação da sociedade. As tentativas dos Collagua e Cabanas de se unirem perante a ameaça comum proveniente do império vizinho também contribuiu para este fenómeno.

“As mulheres com crânios alongados parecem ter comido melhor e ter morrido menos de violência. Assim, podemos afirmar que a forma do crânio desempenhou um papel importante no surgimento da estratificação social no Peru antigo”, diz o estudo, publicado no início de Janeiro na revista Current Anthropology.

Com o tempo, o número de crânios “extraterrestres” foi aumentando, de 30% no início do século XIV para 74% na altura em que o vale se tornou parte do Império Inca – e em que desaparecem as diferenças nas “técnicas” das duas tribos.

“A forma do crânio era uma espécie de “bilhete de identidade”, indicando que uma dada pessoa pertencia a um certo grupo, o que podia ajudar a unir a nobreza, fazendo com que cooperasse na área política”, explica o cientista.

Ainda não se sabe por que os indígenas do vale de Colca escolheram a forma alongada, mas Velasco acredita que isso pode ter a ver com sua religião e mitos, segundo os quais eles eram “filhos de vulcões”.

E se essa teoria estiver certa, a exótica tradição era não apenas um instrumento social, mas também um fenómeno religioso.

ZAP // Sputnik News

Por SN
26 Fevereiro, 2018

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