2830: Foguete impresso em 3D está quase pronto para a sua primeira missão no Espaço

CIÊNCIA

(dr) Relativity Space

A Relativity Space é uma empresa que pretende lançar em órbita o primeiro foguete imprimido a 3D. A startup diz que já recolheu o financiamento necessário para a sua primeira missão.

Com uma visão inovadora, a Relativity Space está a caminhar a passos largos para a ser a primeira empresa a conseguir colocar em órbita um foguete imprimido a 3D. A startup americana garante que já conseguiu reunir o financiamento necessário para a sua primeira missão oficial. É esperado que comece as suas operações comerciais em 2021.

Segundo o The Verge, a empresa conseguiu angariar 185 milhões de dólares que deverão ser suficientes para dar o primeiro empurrão. Composta por antigos engenheiros da Blue Origin e da SpaceX, a equipa da Relativity Space quer construir quase todo o equipamento dos seus veículos através de impressoras 3D.

O uso deste método permite reduzir significativamente os custos de produção, já que são precisas menos peças para construir o foguete. A empresa espera ainda replicar este ideal no espaço. Por exemplo, imprimir um foguete em Marte para que possa regressar à Terra.

A Relativity Space está agora a construir o seu primeiro foguete: o Terran 1. Com a actualização das impressoras, a empresa prevê que possa construir um foguete igual a este em menos de 60 dias.

O Terran 1 foi projectado para ter cerca de 90 metros de altura e transportar 1.250 quilogramas de carga útil. Contudo, isto é apenas 6% da capacidade total do Falcon 9 da Space X. Como resposta a este problema, a empresa explica que aumentou o espaço para a carga, permitindo agora transportar o dobro daquilo que foi inicialmente planeado.

O foguete já foi testado, mas ainda não foi oficialmente lançado. “Em breve, poderemos lançar aquele que é o primeiro foguete do mundo totalmente impresso em 3D”, disse o CEO da Relativity Space, Tim Ellis. “Não só será um grande marco para os clientes, mas também acho que é um enorme testemunho da tecnologia de impressão 3D e da fábrica Stargate que estamos a construir”.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2019

 

2820: Astronautas imprimiram carne no Espaço pela primeira vez

CIÊNCIA

3D Bioprinting Solutions

As novas tecnologias estão a revolucionar lentamente a forma como os astronautas comem no Espaço. Enquanto os primeiros astronautas espremiam as suas refeições com tubos parecidos a pastas de dentes, os astronautas de hoje comem gelado e fruta e temperam as refeições com sal e pimenta líquidos.

Mas ainda existem limites para os tipos de alimentos que podem suportar a micro-gravidade. Qualquer coisa que produza migalhas, por exemplo, é considerada perigosa, uma vez que as partículas de alimentos podem entupir os sistemas eléctricos ou os filtros de ar de uma nave espacial, de acordo com o Business Insider.

A comida precisa de durar um longo período de tempo, caso as missões de reabastecimento não tenham sucesso.Assim, as empresas de tecnologia estão a experimentar formas de cultivar alimentos a bordo de uma nave.

No final de Setembro, a startup israelita de tecnologia de alimentos Aleph Farms supervisionou o crescimento de carne no Espaço pela primeira vez, com a ajuda de uma impressora 3D. A experiência não é inteiramente novo. A Aleph Farms cozinha bifes cultivados em laboratório desde Dezembro de 2018, mas sugere que a carne pode ser cultivada em todos os tipos de ambientes adversos.

Para fazer a sua carne cultivada em laboratório, a Aleph Farms começa por extrair células de uma vaca através de uma pequena biopsia. As células são colocadas num “caldo” de nutrientes que simula o ambiente dentro do corpo de uma vaca. A partir daí, crescem num pedaço fino de bife. Aqueles que provaram o produto dizem que serve para imitar a textura e o sabor da carne tradicional.

“Somos a única empresa que tem capacidade para produzir carne totalmente texturizada, que inclui fibras musculares e vasos sanguíneos – todos os componentes que fornecem a estrutura e as conexões necessárias para o tecido”, disse o CEO e co-fundador da Aleph, Didier Toubia.

Mas, para cultivar a carne no espaço, a Aleph Farms teve que alterar um pouco o processo. Primeiro, colocaram as células da vaca e o caldo de nutrientes em frascos fechados. Em seguida, levaram os frascos na sonda Soyuz MS-15 no Cazaquistão. Em 25 de Setembro, a sonda descolou para o segmento russo da Estação Espacial Internacional, orbitando a cerca de 400 quilómetros da Terra.

Quando os frascos chegaram à estação, os astronautas russos – conhecidos como cosmonautas – inseriram-nos numa impressora magnética da empresa russa 3D Bioprinting Solutions. A impressora replicou as células para produzir tecido muscular (a “carne”). As amostras regressara à Terra a 3 de Outubro, sem serem consumidas pelos cosmonautas.

“Esta experiência foi estritamente prova de conceito”, disse Grigoriy Shalunov, gerente de projectos da 3D Bioprinting Solutions. No futuro, a empresa espera fornecer uma fonte de proteína para missões no espaço profundo e colónias iniciais na Lua e em Marte.

A experiência não é a primeira vez que alimentos crescem artificialmente no espaço. Em 2015, os astronautas cultivaram alface na Estação Espacial Internacional. A NASA está a desenvolver um “jardim espacial” que pode produzir alface, morangos, cenouras e batatas no Gateway, uma estação espacial proposta que pode orbitar a lua.

A capacidade de imprimir carne em micro-gravidade não é só uma boa notícia para os astronautas. Também sugere que as empresas possam imprimir carne em ambientes extremos da Terra – principalmente em locais onde a água ou a terra são escassas.

O cultivo de carne consome cerca de 10 vezes menos água e terra do que a pecuária tradicional. A carne cultivada em laboratório também é mais rápida de produzir – demora apenas alguns minutos a cozinhar.

A necessidade de produzir mais alimentos e conservar os recursos naturais é mais urgente do que nunca. Um relatório recente do Painel Inter-governamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas descobriu que a nossa indústria de alimentos produz 37% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Aleph Farms diz mesmo que a sua experiência espacial é uma resposta directa a esses desafios. “É hora de americanos e russos, árabes e israelitas se elevarem acima dos conflitos, se unirem e se unirem por trás da ciência para lidar com a crise climática e as necessidades de segurança alimentar”, afirmou a empresa. “Todos nós partilhamos o mesmo planeta”.

ZAP //

Por ZAP
12 Outubro, 2019