3831: Impactos antigos de asteróides criaram os ingredientes da vida na Terra e em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) NASA / AMES / JPL–CALTECH

Um novo estudo mostra que os locais de impacto de asteróides no oceano podem possuir um elo crucial para explicar a formação de moléculas essenciais para a vida na Terra.

De acordo com a agência Europa Press, cientistas japoneses da Universidade de Tohoku, do Instituto Nacional da Ciência de Materiais (NIMS), do Centro de Investigação Avançada de Ciência e Tecnologia de Alta Pressão (HPSTAR) e da Universidade de Osaka simularam as reacções envolvidas quando um meteorito colide com o oceano.

Para isso, a equipa investigou as reacções entre o dióxido de carbono, o azoto, a água e o ferro. A simulação revelou a formação de aminoácidos como a glicina e a alanina, componentes directos das proteínas, que catalisam muitas reacções biológicas.

Segundo a agência espanhola, os investigadores utilizaram dióxido de carbono e azoto porque estes gases são considerados os dois principais componentes da atmosfera no Hadeano, há mais de quatro mil milhões de anos.

“Fazer com que as moléculas orgânicas formem compostos reduzidos como o metano e o amoníaco não é difícil, mas são considerados componentes menores na atmosfera daquela época”, explica Yoshihiro Furukawa, cientista da Universidade de Tohoku, citado pelo site Eureka Alert.

“A descoberta da formação de aminoácidos a partir do dióxido de carbono e do azoto molecular demonstra a importância de criar bloco de construção da vida a partir desses compostos omnipresentes”, acrescenta o investigador, um dos autores do estudo publicado, esta segunda-feira, na revista científica Scientific Reports.

A hipótese de já ter existido um oceano em Marte também cria caminhos interessantes para a exploração. É provável que o dióxido de carbono e o azoto tenham sido os principais gases constituintes da atmosfera marciana quando o oceano existia. Assim, a formação de aminoácidos induzida pelo impacto também fornece uma possível fonte de ingredientes da vida em Marte antigamente.

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12 Junho, 2020

 

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3823: Impactos de meteoritos podem ter ajudado a formar rochas antigas na Lua

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Stuart Rankin / Flickr

Uma investigação recente, realizada no Canadá, mostra que as rochas lunares se formaram a partir de impactos de grandes proporções de meteoritos.

A origem e evolução das rochas lunares são assuntos muito debatidos na comunidade científica. Agora, um novo estudo do Museu Real de Ontário descobriu a causa da formação da superfície do satélite: a formação de rochas antigas na Lua pode estar directamente ligada a impactos de meteoritos em larga escala.

A equipa analisou uma rocha adquirida pela NASA durante a missão Apollo 17, em 1972, e descobriu que a rocha contém fortes evidências de que se formou a partir de temperaturas superiores a 2300°C, que só podem ser alcançadas com o derretimento da camada externa de um planeta num evento de grande impacto.

Além disso, notaram também a presença de zircónia cúbica, a forma cristalina cúbica de dióxido de zircónio (ZrO2), um mineral que se forma apenas em rochas aquecidas acima dos 2300°C.

De acordo com os cientistas, citados pelo Tech Explorist, o material parece ter mais de 4,3 mil milhões de anos. Este novo estudo sugere que impactos significativos, ocorridos há mais de 4 mil milhões de anos, podem ter impulsionado a formação destas rochas na superfície da Lua.

No fundo, o estudo, publicado recentemente na Nature Astronomy, sugere que os impactos de meteoritos podem ter impulsionado a mistura das camadas externa e interna, produzindo a complexa gama de rochas vistas actualmente na superfície lunar.

“Ao estudar a Lua, podemos entender melhor a história mais antiga do nosso planeta. Se grandes impactos super-aquecidos estavam a criar rochas na Lua, o mesmo processo pode ter ocorrido cá na Terra”, explica Lee White, um dos autores do artigo, em comunicado.

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10 Junho, 2020

 

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2848: Enorme impacto cósmico pode ter assolado a Terra há 12.800 anos

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas descobriu excesso de platina em material sedimentar extraído de depósitos de turfa localizados em Wonderkrater, Limpopo, na África do Sul, revelou uma nova investigação.

De acordo com um novo estudo, cujos resultados foram no início do mês de Outubro publicados na revista científica especializada Palaeontologia Africana, a presença deste elemento prova que a Terra sofreu um “impacto cósmico” há 12.800 anos.

Esta descoberta está em linha com a teoria que sustenta que o cometa Clovis impactou a Terra há quase 13 milénios, tendo este acontecimento dado início a uma fase de arrefecimento no final do Pleistoceno, entre 12.800 a 11.500 anos atrás.

Este impacto cósmico – que pode também ter sido causado por um asteróide ou outro qualquer objecto celeste – terá, segundo os cientistas, causado a extinção de muitas espécies de animais. O novo artigo refere mesmo “consequências a nível global”, destruição em massa e mudanças climáticas.

A platina analisada está, por norma, presente nos meteoritos e corresponderia ao período de tempo acima apontado. Por isso, a equipa de cientistas liderada por Francis Thackeray afirma que o impacto de “um objecto desintegrado suficientemente grande” poderia espalhar este elemento químico por todo o mundo.

Restos semelhantes foram já encontrados na América, Europa e Médio Oriente, mas esta é a primeira vez que há evidências deste evento na África.

“A nossa descoberta, pelo menos em parte, apoia a altamente controversa Hipótese de Impacto de Dryas Mais Jovens (YDIH)”, explicou o professor Francis Thackeray, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, citado em comunicado.

“Precisamos explorar seriamente a visão de que um impacto de um asteróide em algum lugar da Terra pode ter causado mudanças climáticas à escala global e contribuído em certa medida para o processo de extinção de animais de grande porte no final do Pleistoceno, após a última era glacial”, defendeu.

Por sua vez, o geólogo norte-americano Allen West destaca a importância desta investigação, uma vez que esta aponta para “teve efeitos globais”. Outros cientistas há que discordam desta hipóteses, argumentando que há uma “discrepância” de dadas entre os diferentes locais já analisados.

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17 Outubro, 2019