2197: ESO Astronomy

ESO #Flashback: Two of the sky’s more famous residents share the stage with a lesser-known neighbour in this enormous three gigapixel image from ESO’s VLT Survey Telescope (VST). On the right lies the faint, glowing cloud of gas called Sharpless 2-54, the iconic Eagle Nebula (Messier 16) is in the centre, and the Omega Nebula (Messier 17) to the left. Image credit: ESO Astronomy View larger image at: http://socsi.in/QIVrJ
ESO #Flashback: dois dos moradores mais famosos do céu compartilham o palco com um vizinho menor, nesta enorme imagem de três gigapixel do telescópio de pesquisa VLT de ESO (VST). À direita está a fraca e brilhante nuvem de gás chamada sharpless 2-54, a icónica nebulosa de águia (Messier 16) está no centro, e a nebulosa Ómega (Messier 17) para a esquerda. Crédito da imagem: Eso Astronomy vista a imagem maior em: http://socsi.in/QIVrJ
18/06/2019

2113: NASA mostra-lhe um pôr do sol inesquecível

© Twitter / @NASA A página de Twitter da agência espacial partilhou imagens captadas a partir da Estação Espacial Internacional.

Alguma vez pensou como seria assistir a um pôr do sol a partir da Estação Espacial Internacional? O vídeo partilhado pela NASA que pode ver abaixo é a sua melhor forma de saber e ter uma ideia do quão especial deve ser este acontecimento.

“A Estação Espacial é o sítio perfeito para ver um pôr do sol. Na verdade, a Estação orbita a Terra a cada 90 minutos, o que significa que este pôr do sol é na verdade um dos 16 que os residentes da Estação vêm num dia. Aproveitem a paisagem e vejam onde está a Estação”, pode ler-se na publicação de Twitter.

Mesmo com esta frequência, é difícil pensar que um pôr do sol como o que pode ver acima possa ser considerado um acontecimento aborrecido ou repetitivo.

msn notícias
Miguel Patinha Dias
04/06/2019



2112: O céu inteiro numa fotografia

NASA captou o céu nocturno em raios-X.

© NASA/NICER SIC Notícias

Estes feixes e arcos de luz que parecem as luzes de uma autoestrada ou de tráfego aéreo são raios-X captados a partir da Estação Espacial Internacional.

Durante dois anos, o Neutron star Interior Composition Explorer – NICER da NASA, um detector de fontes cósmicas, foi recolhendo imagens, conseguindo criar um mapa do céu nocturno.

Cada arco acompanha raios-X bem como ocasionais choques de partículas de energia, capturadas pelo NICER durante a noite.

© NASA/NICER SIC Notícias

msn notícias
SIC Notícias
04/06/2019



1931: Legado do Hubble em 16 anos de dados: eis a imagem mais detalhada do Universo

NASA

A NASA acaba de divulgar a imagem mais detalhada do Universo até agora conseguida. São mais de 265.000 galáxias numa só fotografia, que resultam do trabalho do telescópio Hubble durante 16 anos. É o maior e mais completo “livro de História” das galáxias já criado.

A imagem, criada por cientistas da agência espacial norte-americana, representa um mosaico composto por mais de 7.500 imagens que foram captadas pelo Hubble durante a sua actividade. No fundo, este é o seu legado científico.

A fotografia mostra inclusive galáxias que nasceram 500 milhões de anos após o Big Bang.

A fotografia em causa é mais pesada do que um quarto de terabyte e, por isso, não é possível abri-la recorrendo a programas padronizados. No entanto, é possível estimar o seu tamanho real através de um vídeo publicado pela NASA na sua conta no Twitter.

As cores da fotografia abrangem limites que vão além da visão humana, de luz ultravioleta a quase infravermelha, e contêm galáxias 10 mil milhões de vezes mais imperceptíveis do que os nossos olhos podem detectar.

“Nenhuma imagem ultrapassará esta até que futuros telescópios espaciais como James Webb sejam lançados”, assegurou Garth Illingworth, astrónomo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, em comunicado.

“Agora que fomos mais longe do que as investigações anteriores, estamos a colher muito mais galáxias distantes no maior conjunto de dados já produzido”, acrescentou.

Anteriormente, a Agência Espacial Europeia (ESA) publicou uma imagem deslumbrante da galáxia NGC 2903, que está localizada a uns impressionantes 30 milhões de anos-luz de distância na constelação de Leão, captada também pelo poderoso telescópio Hubble.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
6 Maio, 2019

 

1909: NASA encerra Abril com uma fotografia que vale a pena admirar

© Aman Chokshi A fotografia foi captada Aman Chokshi.

A fotografia eleita pela NASA como a melhora fotografia do dia de astronomia como parte da rubrica Astronomy Picture of the Day mostra um meteoro a passar por uma galáxia, dois elementos que se unem para formar uma imagem que vale a pena admirar.

A galáxia em questão é a M33 e situa-se a 3 milhões de anos-luz da Terra, com o meteoro a ter passado apenas a apenas 0.0003 segundos-luz. A fotografia foi captada Aman Chokshi, astro-fotógrafo que a NASA adianta que “teve muita sorte para captar numa mesma imagem o meteoro e a galáxia.

“No final, o meteoro foi embora no espaço de um segundo mas a galáxia durará milhares de milhões de anos”, pode ler-se na publicação da NASA.

msn notícias
Miguel Patinha Dias
30/04/2019

 

1866: Telescópio Hubble assinala o 29º aniversário com nova espectacular imagem

© NASA, ESA e STScI

A seis dias de completar 29 anos no espaço, o telescópio óptico Hubble revelou uma nova imagem da Nebulosa do Caranguejo Sul, uma estrutura de ‘bolhas’ de gás e poeira em forma de ampulheta.

A imagem inédita foi divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA), que opera o telescópio espacial em colaboração com a agência espacial norte-americana NASA.

Todos os anos, por altura do aniversário do Hubble, que foi lançado para o espaço em 24 de Abril de 1990, é publicada uma imagem de corpos celestes particularmente bonitos e relevantes que foram observados pelo telescópio.

Em 2019 calhou a vez da Nebulosa do Caranguejo Sul, que, apesar de ter sido descrita pela primeira vez em 1967, só em 1999 foi mostrada na sua plenitude graças às observações do telescópio espacial Hubble.

A Nebulosa do Caranguejo Sul, que resultou da interacção de um par de estrelas localizadas no centro, uma gigante vermelha e uma anã branca, é assim designada para se distinguir da Nebulosa do Caranguejo, uma remanescente de uma super-nova (explosão de uma estrela moribunda) na constelação do Touro, a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, que deve o nome ao Pulsar do Caranguejo, uma estrela de neutrões situada no centro de nuvens de gás e poeira.

Parte do material – gás e poeira – ejectado pela gigante vermelha é atraído pelo campo gravítico da anã branca, que também ejecta material, criando a estrutura em forma de ampulheta.

No final, segundo a ESA, a gigante vermelha deixará de ‘alimentar’ a anã branca, acabando os seus dias como uma anã branca, uma estrela que emite pouca luz.

O telescópio espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, é apontado como o sucessor do Hubble, que deve o seu nome ao astrónomo norte-americano Edwin Powell Hubble (1889-1953), que descobriu que as galáxias se afastam umas das outras a uma velocidade proporcional à distância que as separa.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Abril 2019 — 18:30

 

1864: O “polencalipse” chegou aos Estados Unidos

Jeremy Gilchrist / Facebook

No início da semana, o fotógrafo Jeremy Gilchrist capturou algumas imagens incríveis do fenómeno que baptizou de “Polenpocalypse” em Durham, Carolina do Norte.

A cidade de Durham, na Carolina do Norte, Estados Unidos, declarou no início desta semana que os níveis de pólen eram tão altos que sufocavam o solo, pintavam os carros de “pólvora amarela” e criavam um autêntico inferno amarelo no ar para qualquer pessoa que sofre de alergias.

O fotógrafo Jeremy Gilchrist usou um drone que lhe permitiu obter uma visão mais abrangente do cenário que se vive actualmente naquela cidade.

À CNN, o fotógrafo confessou que apenas editou levemente as imagens antes de as partilhar nas redes sociais, tendo ajustado o contraste para ficar muito mais parecido com o que seria visto a olho nu a partir do solo.

9 & 10 News

@9and10News

If you have allergies look away! You might just sneeze from watching this video.

Take a look at the pollen cloud this tree created in Hixson ,Tennessee.

Segundo o IFL Science, as condições secas e arejadas ajudaram o pólen a acumular-se no ambiente antes de ser arrastado pela chuvas fortes.

Vários estados do sul e do sudeste dos Estados Unidos estão actualmente a ser assolados por altos níveis de pólen, de acordo com o National Allergy Map. As cidades mais afectadas são Huntington, Louisville, Memphis, Lexington e Huntsville.

No entanto, este “inferno amarelo” tem sido impulsionado pelas alterações climáticas. Nos últimos anos, a maré de pólen que surge com o início da primavera tem aumentado. O mundo em aquecimento, devido às alterações climáticas induzidas pelo Homem, está a estender a “temporada do pólen”. Além disso, as plantas têm libertado mais pólen do que o normal.

Infelizmente, esta situação tem tendência a piorar. Tal como nos anos anteriores, 2019 tem o potencial de ser o pior ano de sempre, podendo causar um surto indesejável de pólen.

A névoa amarela nos céus norte-americanos é apenas mais um lembrete de que precisamos de nos manter fiéis ao Acordo de Paris e manter o aquecimento global nos mínimos possíveis.

ZAP //

Por ZAP
18 Abril, 2019

 

1855: NASA revela em detalhe superfície do “Asteróide do Apocalipse”

NASA / Goddard / Universidade do Arizona

A NASA divulgou novas imagens captadas pela sonda OSIRIS-REx a uma distância de apenas 4,8 quilómetros do “Asteróide do Apocalipse”.

A Sonda OSIRIS-REx, da agência espacial norte-americana, é responsável por estudar o asteróide Bennu, tendo sido lançada no final do ano passado com essa missão. O “asteróide do Apocalipse” tem um diâmetro de, aproximadamente, 493 metros e é considerado “potencialmente perigoso” para a Terra, de acordo com a NASA.

As fotografias capturadas pela câmara PolyCam, incorporada na sonda da NASA, mostram em detalhe a superfície do Bennu. Na primeira fotografia, é possível observar a maior rocha no hemisfério norte do asteróide, cujo ponto mais alto atinge os 23,5 metros.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

Here’s one of the largest boulders in Bennu’s northern hemisphere. It’s 77 feet tall – about a fourth of the length of a football field – and it looms over the other rocks in the region. 🦎

More details: https://bit.ly/2Idgzaq 

Numa outra imagem é possível observar uma área perto do equador do Bennu. Das duas grandes formações rochosas que se conseguem ver na fotografia, aquela que está na parte superior à direita tem 21 metros de comprimento, o equivalente a quatro lugares de estacionamento.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

So we’re clear, that rock was like that when I got here …

This image from DS:BBD Flyby 1 shows the rocky surface of Bennu just south of the equator. That cracked rock is 69 ft long, about the length of 4 parallel parking spots.

More detail: https://bit.ly/2IpIKSG

Um grande número de rochas de maiores dimensões foi também detectado numa região do hemisfério sul de Bennu. “Este é um bom exemplo de alguns dos ângulos de visão oblíquos em que estamos a trabalhar para obter fotografias do Bennu”, escreveu a equipa no Twitter.

“As sombras neste ângulo dão uma sensação da altitude da rocha, e podemos ver mais detalhes da superfície a partir deste ângulo“, sublinham ainda.

A sonda OSIRIS-REx entrou na órbita de Bennu em Dezembro de 2018. A sonda foi lançada em Setembro de 2016, com o objectivo de trazer à Terra uma amostra dos materiais da superfície do asteróide para obter informações adicionais sobre as origens do Universo.

Uma vez em cada seis anos, o “Asteróide do Apocalipse” aproxima-se da Terra. Devido a esta aproximação, há uma alta possibilidade de Bennu impactar com a Terra no final do século XXII. O seu tamanho, composição primitiva e órbita potencialmente perigosa tornam-no num dos asteróides mais fascinantes e acessíveis para estudar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
17 Abril, 2019

 

1836: Foto do buraco negro: é como ler em Paris um jornal exposto em Nova Iorque

Veja o vídeo que demonstra bem a dimensão do feito.

https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/observar-um-buraco-negro-e-como-ler-em-paris-um-jornal-exposto-em-nova-iorque-10782782.html?jwsource=cl

A capacidade de observação da rede de radiotelescópios com a qual foi obtida a primeira ‘fotografia’ de um buraco negro, hoje divulgada, equivale a ler um jornal exposto em Nova Iorque a partir de um café em Paris.

A analogia é feita em comunicado pelo Observatório Europeu do Sul (OES) e pelo Event Horizon Telescope (EHT), uma rede à escala planetária de oito radiotelescópios em solo que foi formada sob colaboração internacional para capturar as primeiras imagens de um buraco negro, objecto no universo completamente escuro do qual nada pode escapar, nem mesmo a luz.

Um dos radiotelescópios usados foi o ALMA, do OES, composto por 66 antenas e que está localizado no planalto de Chajnantor, nos Andes Chilenos, a 5.000 metros de altitude, no norte do Chile.

Da equipa de mais de 200 investigadores que participaram na observação do buraco negro super-maciço e da sua sombra, que se situa no centro da galáxia M87, faz parte o astrofísico português Hugo Messias, do observatório ALMA. O Observatório Europeu do Sul é uma organização astronómica da qual Portugal faz parte.

As observações do EHT foram feitas a partir de uma técnica conhecida como “interferometria de linha de base muito longa”, que sincroniza os diversos telescópios colocados em diferentes pontos do mundo e “explora a rotação” da Terra para formar “um enorme telescópio do tamanho da Terra”.

A técnica permitiu à rede de oito radiotelescópios ter “a maior resolução angular alguma vez atingida”, ou seja, “o suficiente para se ler um jornal colocado em Nova Iorque”, nos Estados Unidos, “a partir de um café em Paris”, em França.

A resolução angular, que determina o desempenho de instrumentos de observação como os telescópios, é a capacidade de se distinguir dois objectos cujas imagens estão muito próximas.

Ao contrário de um telescópio óptico, que produz imagens a partir da luz visível, um radiotelescópio, como os oito utilizados para registar o buraco negro da M87, capta as ondas de rádio emitidas por corpos celestes através de uma ou várias antenas de grandes dimensões.

As observações feitas a alta altitude pelos oito radiotelescópios – um deles localizado na Serra Nevada, em Espanha, e outro na Antárctida – decorreram numa campanha em 2017.

A foto histórica
© Event Horizon Telescope (EHT)/National Science Foundation/via REUTERS

Apesar de os instrumentos não estarem fisicamente ligados, os seus dados foram sincronizados através de relógios atómicos, que deram o tempo exacto das observações.

Cada telescópio gerou “enormes quantidades de dados”, cerca de 350 ‘terabytes’ por dia, que foram guardados em discos rígidos com hélio, que pesam menos e têm maior capacidade de armazenamento.

Os dados foram migrados para supercomputadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, e convertidos numa imagem através de “ferramentas computacionais inovadoras”.

“Calibrações múltiplas e métodos de obtenção de imagens” revelaram, no final, “uma estrutura semelhante a um disco com uma região central escura – a sombra do buraco negro – que se manteve em várias observações independentes do EHT”. A sombra de um buraco negro “é o mais próximo” da imagem do buraco negro propriamente dito, uma vez que este é totalmente escuro.

Dada a sua enorme massa (6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol) e a relativa proximidade (55 milhões de anos-luz da Terra), os cientistas vaticinaram que o buraco negro da galáxia M87 fosse um dos maiores que pudesse ser visto da Terra, “o que o tornou um excelente alvo” para o Event Horizon Telescope.

A presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos que foram previstos em 1915 pelo físico Albert Einstein na Teoria da Relatividade Geral, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

Até à ‘fotografia’ hoje divulgada, as imagens de um buraco negro eram meramente concepções artísticas.

Os resultados do trabalho do Event Horizon Telescope são descritos em seis artigos publicados hoje num número especial da revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.

A mesma rede de radiotelescópios também se propõe obter a primeira imagem do buraco negro super-maciço Sagitário A, localizado no centro da Via Láctea.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Abril 2019 — 18:19

 

1831: É assim um buraco negro. Eis a primeira imagem

Sete conferências de imprensa simultâneas em sete pontos diferentes do mundo anunciam a novidade científica.

© DR

São os primeiros resultados do projecto internacional do Telescópio Event Horizon (EHT, na sigla em inglês), e a grande novidade é esta: pela primeira vez na história conseguiu-se obter a imagem de um buraco negro. Uma espécie de donut luminoso, envolto em negrume. Assim, de repente, pode parecer pouco entusiasmante, mas para os cientistas trata-se de um marco, que abre portas a novas possibilidades de estudo destes misteriosos objectos cósmicos.

A colaboração internacional, que envolveu mais de 200 cientistas de 40 nacionalidades, e contou com financiamento do programa europeu Horizonte 2020, revela assim a primeira imagens de uma dos objectos mais estranhos do universo: extremamente denso, concentra uma quantidade matéria quase inimaginável num espaço proporcionalmente pequeno, afectando o espaço e o tempo na sua vizinhança.

A primeira imagem de sempre agora captada pela colaboração internacional é de um buraco negro que está no centro da galáxia Messier 87, na constelação de Virgem, a 55 milhões de anos-luz da Terra e com uma massa 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol.

Com este novo passo, os buracos negros negros deixam de ser entidades exclusivamente teóricas e abstractas, mostrando a sua face visível.

Para obter esta imagem, o Telescópio Event Horizon colocou em rede oito radiotelescópios de todo o mundo localizados em zonas de grandes altitudes – um deles aqui, na Península Ibérica, no alto da Serra Nevada, em Espanha.

Múltiplas calibrações e métodos de obtenção de imagens foram conjugados pelos cientistas e acabaram por revelar uma estrutura idêntica a um disco, com uma região central escura, que é a sombra do buraco negro.

“Se estiverem imersos numa região brilhante, como um disco de gás brilhante, pensamos que o buraco negro crie uma região escura semelhante a uma sombra, algo que foi previsto pela relatividade geral de Einstein, mas que nunca foi observado antes,” explica Heino Falcke, presidente do Conselho Científico do EHT e da Universidade Radboud, na Holanda.

“Quando tivemos a certeza de ter efectivamente capturado a sombra, pudemos comparar o nosso resultado com uma extensa biblioteca de modelos de computador, a qual inclui a física do espaço deformado, matéria super-aquecida e campos magnéticos muito fortes”, explica por seu turno, Paul T. P. Ho, membro do Conselho do EHT e Director do Observatório do Leste Asiático. E sublinha: “Muitas das estruturas da imagem observada ajustam-se surpreendentemente bem com os nossos modelos teóricos, o que nos dá confiança na interpretação das observações, incluindo a estimativa da massa do buraco negro”.

Para o comissário da Ciência, Investigação e Inovação, Carlos Moedas, esta é uma grande descoberta – “haverá um antes e um depois desta imagem”, disse na conferência de imprensa da comissão europeia, uma das sete -, e “uma lição da ciência para os políticos”, ao mostrar como “se cumpre o sonho, congregando cientistas de 40 nacionalidades diferentes”.

 

Pierre Bourguignon, presidente do Conselho Europeu de Investigação (ERC, na sigla em inglês), congratulou-se com a descoberta que, diz, “dilata as fronteiras do conhecimento”.

Os oito telescópios envolvidos na descobertas são: o ALMA (Atacama Large Millimeter), o APEX (Atacama Pathfinder Experiment, o telescópio IRAM de 30 metros, o James Clerk Maxwell Telescope, o Large Millimeter Telescope Alfonso Serrano, o Submillimeter Array, Submillimeter Telescope e o South Pole Telescope. Os dados obtidos pelos telescópios foram tratados por super-computadores no Instituto Max Planck de Rádio Astronomia, na Alemanha, e no MIT Haystack Observatory, nos Estados Unidos.

Apesar de os telescópios não estarem fisicamente ligados entre si, explica o European Southern Obsertory, cujos telescópios ALMA e APEX integraram o projecto, “foi possível sincronizar os dados colectados”, usando relógios atómicos, “que dão o tempo preciso das observações”. As observações foram obtidas durante uma campanha global realizada em 2017.

Em actualização

Diário de Notícias
Filomena Naves
10 Abril 2019 — 14:14

 

1823: Vamos ver um buraco negro. Cientistas mostram quarta-feira o retrato inédito

Em cinco línguas diferentes, em sete cidades de todo o mundo, sete conferências de imprensa simultâneas poderão mostrar pela primeira vez uma imagem de um buraco negro.

Uma das simulações apresentadas no site do EHT
© Hotaka Shiokawa

A revelação acontecerá às 14:00 desta quarta-feira, hora de Lisboa, em inglês – a partir de Bruxelas, na Bélgica, e Washington, EUA -, em dinamarquês desde Lyngby, em espanhol a partir de Santiago do Chile, em mandarim desde Xangai (China) e Taipei (Taiwan), e em japonês, a partir de Tóquio.

A essa hora, nestes sete pontos do mundo, cientistas divulgarão os primeiros resultados do projecto internacional do Telescópio Event Horizon (EHT, na sigla em inglês), onde todos esperam que se possa observar a primeira imagem de um buraco negro, um dos maiores mistérios do Universo.

A simultaneidade das sete conferências de imprensa, anunciadas pelo projecto Event Horizon, aumentou a expectativa junto das comunidades científicas e da comunicação social sobre o que será divulgado. Na informação divulgada apenas se fala num “resultado inovador do projecto do EHT”.

Desde há muito, apresenta-se o EHT, que “um objectivo na astrofísica é observar directamente o ambiente imediato de um buraco negro”, neste caso no centro da Via Láctea, aquela que é a nossa galáxia.

De acordo com a explicação do site oficial do EHT, o projecto – que envolve cerca de 200 pessoas – liga os telescópios existentes com novos sistemas. O EHT “cria um instrumento fundamentalmente novo, com poder de resolução angular que é o mais elevado possível da superfície da Terra”.

Imagem já divulgada a 22 de Outubro de 2001, pela Agência Espacial Europeia, onde se vê uma observação de satélite de um buraco negro super-maciço na galáxia de MCG 6-30-15.

O telescópio tem sido usado para medir o tamanho das regiões de emissão de dois buracos negros super-maciços: Sagitário A, no centro da Via Láctea, e M87 no centro da galáxia de Virgo A. A expectativa é que esta quarta-feira se possa ver uma primeira imagem eventualmente de um destes buracos negros.

Diário de Notícias
09 Abril 2019 — 18:40