3236: Revista Science elege primeira imagem real de um buraco negro como avanço científico do ano

CIÊNCIA

EHT Collaboration

A revista Science elegeu a primeira imagem real de um buraco negro, revelada a 10 de Abril, como o avanço científico de 2019.

A Science elegeu a primeira imagem real de um buraco negro como o avanço científico de 2019, no qual esteve envolvido o astrofísico português Hugo Messias.

Justificando a escolha, o editor de notícias da revista, Tim Appenzeller, disse, citado num comunicado divulgado esta quinta-feira, que se trata de “um feito surpreendente da tecnologia e de uma equipa” de cientistas. O feito foi distinguido em Novembro, nos Estados Unidos, com o Prémio Breakthrough, no valor de 2,7 milhões de euros.

A imagem da silhueta do buraco negro, situado no centro da galáxia Messier 87, na constelação Virgem, a 55 milhões de anos-luz da Terra, foi obtida graças a uma rede de oito radiotelescópios em várias partes do mundo. Hugo Messias, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, participou nas observações a partir do Chile, com o radiotelescópio ALMA.

Até à divulgação da imagem da sombra deste corpo denso, do qual nem a luz escapa, só havia imagens artísticas de buracos negros.

Na imagem, o buraco negro, que tem uma massa 6,5 milhões de vezes superior à do Sol, surge envolto por um anel de gás quente e luminoso – matéria incandescente no estado de plasma.

“O diâmetro do anel revela que no interior existe um corpo extremamente ‘massivo’. Não só isso, mas pela assimetria, por essa morfologia ter permanecido igual ao longo da campanha de observação e pela existência de um jacto a sair das suas redondezas”, explicou anteriormente à Lusa Hugo Messias, assinalando que o objecto “está a rodar no mesmo sentido que a matéria incandescente em volta”.

A sombra do buraco negro é o mais próximo do buraco negro em si que é possível captar em imagem, uma vez que este é um corpo denso e totalmente escuro e, portanto, não se vê.

O termo buraco é enganoso, pois não existe qualquer buraco. O que se passa é que “qualquer matéria que se aproxime para lá da última órbita de fotões [partículas de luz] não regressará, dando a impressão que caiu para um poço sem fundo”, esclareceu Hugo Messias.

Ao todo, mais de 300 cientistas de diversos países estiveram mobilizados nas observações e no tratamento de dados. A “fotografia” foi obtida a partir de dados recolhidos em 2017 das observações feitas no comprimento de onda rádio.

Além de inédita, a imagem permitiu comprovar mais uma vez a Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula que a presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos do Universo, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

O buraco negro foi baptizado de Powehi. A palavra – que tem raízes em “Kumulipo”, o poema épico da antiga religião havaiana – significa “a obscura fonte embelezada da criação infinita” e foi proposta pelo professor de línguas da Universidade do Havaí em Hilo, nos Estados Unidos, Larry Kimura.

Em comunicado, a instituição explica que o objecto espacial foi baptizado com um nome havaiano porque dois dos telescópios que foram utilizados para a descoberta localizam-se no território deste estado norte-americano.

A revelação da “foto” permitirá aprofundar a investigação sobre a natureza dos buracos negros, que “habitam” os centros das galáxias, e perceber melhor como as galáxias se formaram.

ZAP // Lusa

Por ZAP
20 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

280: Astrónomo amador encontrou satélite perdido há uma década pela NASA

(dr)
Ilustração do satélite Infante

Scott Tilley estava determinado a encontrar o Zuma, um satélite americano que, segundo o Pentágono, não terá conseguido entrar em órbita e desapareceu pouco depois do lançamento, em Janeiro.

A procura foi interrompida no dia 20 de Janeiro, quando Tilley se deparou com o Image, um satélite que a NASA lançou em 2000 como parte de uma missão para analisar o impacto dos ventos solares sobre a atmosfera terrestre e do qual não tinha mais registos desde 2005. Em 2007, a agência espacial norte-americana já tinha desistido de procurar.

Depois de ver e ouvir os primeiros sinais no centro de observação que mantém em sua casa, o astrónomo amador conseguiu confirmar que tinha encontrado o Image. “Contei à minha mulher durante o jantar, e perguntei-lhe o que deveria fazer”, contou Tilley à BBC.

O conselho dela foi entrar em contacto com os responsáveis por lançar o Image. “Se foi possível encontrar um satélite perdido no céu, de certeza que é possível encontrar quem o colocou lá”, disse a mulher, segundo o relato de Tilley.

E assim foi. Depois do contacto de Tilley, a NASA confirmou, a 30 de Janeiro, que se tratava do Image.

Cientistas do Centro Espacial Goddard, da NASA, em Maryland, afirmaram que o sistema de controlo principal do satélite ainda funciona, mas vai levar entre uma a duas semanas para terminarem de analisar o estado do satélite e adaptarem os programas e a base de dados a sistemas mais modernos.

O astrónomo amador

Tilley, de 47 anos, dedicou a maior parte da sua vida a observar o espaço. Em casa, criou o seu próprio centro de operações, que descreve como “bastante modesto”. O astrónomo calcula que, entre telescópios, computadores e rádios, o espaço, pensado especialmente para rastrear radiofrequências de satélites, não custou mais do que 5 mil dólares – pouco mais de 4 mil euros.

O objectivo principal de Tilley é encontrar satélites espiões. “O espaço é como um parque nacional, pertence a todos“, disse. “Nenhum país tem o direito de enviar coisas para o espaço sem divulgar o que são e onde estão. Ao fazer esta pesquisa, eu garanto que o que está lá em cima não vai causar danos a ninguém”.

Após a sua descoberta, a NASA entrou em contacto com o astrónomo amador para trocar informações. “Não me ofereceram nenhuma recompensa“, afirmou. “Mas também não estou à espera disso. Para mim, a maior satisfação é saber que estou a contribuir para algo importante”.

Depois desse “golpe de sorte”, Tilley pretende continuar com a missão que interrompeu por um tempo: encontrar o Zuma.

ZAP //

Por ZAP
6 Fevereiro, 2018

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