1127: Desvendado mais um mistério da mítica Ilha de Páscoa

CIÊNCIA

Indabelle / Flickr

A mítica Ilha de Páscoa tem fascinado e intrigado cientistas ao longo dos anos, tendo surgido várias questões que vão desde de os famosos moais de pedra até à misteriosa extinção da civilização antiga. Uma equipa de arqueólogos acaba agora de desvendar um destes mistérios – o da extracção de água doce.

De acordo com um novo estudo, publicado recentemente na revista Hydrogeology Journal, os antigos habitantes de Rapa Nui mantiveram uma sociedade composta por milhares de pessoas recorrendo às descargas de água costeira como principal fonte de água doce.

Tendo em conta que a região onde os Rapa Nui habitavam era uma ilha, a questão da extracção e obtenção de água doce permanecia ainda por explicar. Além do território ser rodeado de água, os solos da região eram vulcânicos e porosos, absorvendo rapidamente as águas das chuvas, uma vez que praticamente não havia rios na ilha.

Ou seja, os pequenos lagos vulcânicos não eram suficientes fontes de água doce para um população tão numerosa.

De forma a responder a esta questão, uma equipa de arqueólogos da Universidade de Binghamton, na cidade norte-americana de Nova Iorque, levou a cabo uma investigação, na qual mediu a salinidade da água costeira à volta da Ilha de Páscoa, testando a hipótese de a água ter sido extraída do oceano.

Após as medições, os cientistas consideraram que a água oceânica era potável para consumo, podendo o oceano  ter sido um fonte de água doce para a civilização.

“Felizmente, a água subterrânea flui para baixo e finalmente deixa o solo no ponto exacto onde a rocha subterrânea porosa se encontra com o oceano. Quando as marés estão baixas, a água doce corre directamente para o mar. Os habitantes podem, desta forma, ter aproveitado estas fontes de água doce para recolher água nestes pontos”, explicou o co-autor do estudo, Carl Lipo.

Tal como explicou Lipo, a água doce misturava-se um pouco com a salgada, criando a chamada água salobra – uma água que contêm sal, mas não em níveis prejudiciais para o ser humano.

Contudo, esclarece o investigador, os habitantes de Rapa Nui raramente utilizavam sal na preparação da sua comida, uma vez que a água que consumiam contribuía drasticamente para a ingestão diária de sal.

A mítica Ilha de Páscoa

Localizada no Chile, a Ilha de Páscoa é um dos locais mais misteriosos do nosso planeta. Há dois mil anos, foi lar de uma civilização Polinésia que deixou na ilha um grande número de vestígios em forma de moais gigantes que, acreditam os cientistas, personalizam os antepassados dos antigos moradores da região.

A civilização praticamente desapareceu da ilha antes da chegada dos primeiros colonizadores. Desde então, o seu desaparecimento tem levando dúvidas mas, de acordo com as teorias mais aceites pela comunidade científica, a sua extinção pode estar relacionada com a falta de recursos ou então com guerras entre grupos.

Em Agosto, o governo chileno anunciou que deverá rebaptizar a Ilha de Páscoa, apelidando-a de Ilha Rapa Nui, que significa “Ilha Grande” e é o seu nome ancestral.

Ilha de Páscoa foi a denominação dada pelo explorador holandês Jakob Roggeveen (1659-1729) – oficialmente o primeiro europeu a pisar na ilha –, que, como chegou à região num domingo de Páscoa, resolveu dar-lhe esse nome.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

 

895: Novas evidências contrariam teoria do colapso da civilização da Ilha de Páscoa

MastaBaba / Flickr

A povoação indígena da Ilha de Páscoa, os Rapa Nui, colapsou no século XVII, quando o povo esgotou os recursos naturais da ilha – ou, pelo menos, é o que aponta a principal teoria. Uma análise das ferramentas utilizadas pelos Rapa Nui para construir os icónicos moais sugere uma conclusão muito diferente.

O novo estudo, publicado na semana passada no Journal of Pacific Archaeology aponta que os Rapa Nui eram uma sociedade altamente organizada e coesa, deitando por terra as teorias mais aceites que acreditam que a civilização acabou por colapsar por falta de recursos.

Segundo Laure Dussubieux, antropóloga e investigadora do Museu Field de História Natural de Chicago, nos EUA, e autora da pesquisa, a grande descoberta revela que a sociedade dos construtores dos míticos moais era bastante complexa, havendo muita interacção e troca de informação entre os seus habitantes.

No entanto, para compreender todo o cenário é necessário recuar um pouco no tempo. Os míticos moais – que são cerca de 900 – foram construídos na Ilha de Páscoa, um dos lugares habitados mais remotos do mundo, a 3.7 mil quilómetros da costa do Chile, no Oceano Pacífico, nota a BBC.

Foi por volta do ano 1100 que os marinheiros polinésios descobriram o local, tornando-se o povo Rapa Nui. As gigantescas esculturas foram erguidas entre 1250 e 1500.

Até então, acreditava-se que a povoação tivesse sido destruída logo após a construção dos moais, como consequência directa de guerras e fome causadas pela exploração excessiva dos recursos naturais.

Contudo, e de acordo com o novo estudo, a história pode não ter sido bem assim. Os cientistas analisaram quimicamente as ferramentas utilização durante a construção das esculturas e descobriram que as relações dos Rapa Nui eram complexas, uma vez que encontraram evidências de partilha de informação e colaboração entre os habitantes da ilha chilena.

“A ideia de competição e colapso na Ilha de Páscoa pode ser exagerada”, afirma o principal autor da pesquisa, o antropólogo e arqueólogo Dale Simpson Jr., da Universidade de Queenslan, na Austrália.

“Para mim, a organização industrial das esculturas em pedra é uma evidência sólida de que havia cooperação entre famílias e grupos de artesãos”, sustentou.

De acordo com o investigador, para a construção dos moais foram utilizados materiais que não eram originários de determinada região da ilha. A diversificação dos materiais indica que houve trocas entres os diferentes grupos que habitavam a ilha. Além disso, os padrões de distribuição de alguns elementos mostram que havia uma organização hierárquica claramente definida.

Mais de 30 anos de pesquisa

O grupo que conduziu a investigação está há 35 anos a conduzir pesquisas na Ilha de Páscoa – só Simpson, já participou em 17 anos.

O cientista recorda ainda que a análise do tamanho e da quantidade dos moais também mostra que era necessária uma sociedade complexa para levar a cabo a construção. A maior parte dos quase 900 moais mede entre 4 a 6 metros de altura, e o seu peso médio é de 14 toneladas. O mais alto dos moais tem quase 10 metros e há ainda uma estátua inacabada que, caso tivesse sido concluída, teria cerca de 21 metros.

“Os antigos Rapa Nui tinham chefes, sacerdotes e organizavam-se em associações de profissionais que pescavam, cultivavam os terrenos e esculpiam”, explicou.

“Era necessário um certo nível de organização político-social, ou então não seria possível esculpir quase mil estátuas.”

O trabalho de Simpson, Dussubieux e da restante da equipa, consistiu em analisar detalhadamente 21 das cerca de 1,6 mil ferramentas de pedra – feitas basicamente a partir de basalto – recolhidas durante escavações arqueológicas na ilha.

Na essência do trabalho, estava a ideia de que o estudo destas ferramentas poderia revelar a forma como eram usadas e, consequentemente, como era a interacção entre os escultores ancestrais. Além disso, as ferramentas traziam pistas de como funcionava a “indústria” Rapa Nui de produção de estátuas.

Dussubieux conta que foi possível descobrir a origem das matérias-primas utilizadas na fabricação dos artefactos. Com isso, foi possível compreender as relações entre as diferentes comunidades da ilha – as matérias-primas provinham de, pelo menos, três pedreiras de basalto distintas.

“Como todos usavam o mesmo tipo de pedra, fica claro que as comunidades tinham de colaborar. É por isso que foram bem-sucedidos: os Rapa Nui trabalhavam em juntos“, argumenta Simpson.

Segundo os cientistas, o estudo desmente a narrativa oficial que conta que os habitantes da Ilha de Páscoa acabaram por ficar sem recurso, acabando por entrar em colapso.

A civilização Rapa Nui já estava em decadência quando os europeus chegaram à ilha em 1722. Havia cerca de 2 mil a 3 mil pessoas a habitar a ilha. Quando a ilha foi anexada pelo Chile, em 1888, havia pouco mais de 100 descendentes de Rapa Nui a viver lá.

Outras teorias

Ao longo dos anos, as teorias sobre a mítica Ilha de Páscoa foram-se multiplicando. Não faltam teorias sobre o que seriam os moais, nem tão pouco para o que teria causado o desaparecimento dos Rapa Nui.

Quanto às estátuas, a explicação mais aceite é que as esculturas seriam monumentos em homenagem a líderes mortos. Porém, há quem veja nos moais uma espécie de reprodução da distribuição astronómica das estrelas ou até uma forma de pára-raios para as constantes tempestades que atingem a Ilha.

Em igual sentido, também já muito se falou e escreveu sobre o desaparecimento dos Rapa Nui. Em 2016, o biólogo espanhol Valentí Rull, autor do livro La Isla de Pascua: Una Visión Cientifica, publicou um estudo no qual propunha uma reavaliação holística sobre o que teria acontecido com esta sociedade.

O investigador espanhol levantou todas as hipóteses mais comummente aceites – desde do fim dos recursos da ilha, à dizimação por doenças europeias e tráfico de escravos até à devastação do ecossistema – e propôs que se desse uma resposta consistente como resultado da soma de todas estas teorias.

“As diferentes interpretações podem ser complementares, mas não excludentes. Na última década, houve um boom de novos estudos, que exigem que reconsideremos as questões climáticas, ecológicas e culturais que ali ocorreram”, defendeu o cientista.

Rapa Nui, a origem do nome

O governo chileno anunciou, no início deste mês, que deverá rebaptizar a Ilha de Páscoa em referência ao passado ancestral do local. Assim, e seguindo uma proposta apresentada por parlamentares chilenos em 2016, a ilha deve passar a chamar-se Ilha Rapa Nui.

A mudança de nome, justifica o executivo do Chile, deve ocorrer porque o nome actual recorda um “passado de invasão, roubos, escravidão e o fim da cultura da ilha”.

Rapa Nui, significa “Ilha Grande” e era o nome ancestral do local. Ilha de Páscoa foi a denominação dada pelo explorador holandês Jakob Roggeveen (1659-1729), oficialmente o primeiro europeu a pisar na ilha – como o descobridor chegou num domingo de Páscoa, resolveu dar-lhe esse nome.

ZAP // BBC / Gizmodo

Por ZAP
20 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 5 erros de ortografia do texto original)

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840: O Chile quis vender a ilha de Páscoa aos nazis, mas o negócio falhou

MastaBaba / Flickr

Um livro recente revela que o Governo chileno quis vender a ilha de Páscoa à Alemanha de Hitler, de modo a reforçar a sua frota naval. O Presidente Alessandri pedia 860 mil euros pelo mítico território insular.

Mario Amorós é o autor do livro “Rapa Nui. Una herida en el océano” no qual revela que, em 1937, decorreram negociações para vender a ilha de Páscoa, território isolado no Oceano Pacífico a 3700 quilómetros da costa chilena, à Alemanha nazi.

Até hoje, sabia-se apenas que o país, governado por Arturo Alessandri entre 1920 a 1925 e entre 1932 a 1938, tentou que os americanos, japoneses e britânicos se interessassem pela ilha, mostrando-se disponível a aliená-la a quem apresentasse a melhor oferta.

Ao El País, o historiador Amorós contou que Alessandri estava apostado em reforçar a sua frota naval porque a Argentina, país que formara com o Peru e a Bolívia uma aliança que ameaçava os interesses chilenos, encomendara oito vasos de guerra aos estaleiros britânicos.

Para o Chile, a ilha de Páscoa era, sobretudo, um lugar marcado pelo estigma da lepra. Para o poder político, era um território distante cedido à Marinha e arrendado a uma empresa privada, ou seja, “tinha muito pouco valor“, conta Mario Amorós.

Esta percepção do território, aliada às consequências da grave crise económica internacional desencadeada com o crash da bolsa americana de 1929, fez com que o Chile quisesse vender a ilha, pedindo cerca de um milhão de dólares pelo território (860 mil euros).

Amorós decidiu estudar os negócios secretos que envolveram a ilha de Páscoa e o Governo de Hitler, depois de ter tomado conhecimento da investigação levada a cabo por um especialista nas Forças Armadas chilenas, o historiador húngaro Ferenc Fischer.

Segundo o Público, Fischer tinha encontrado provas de que o Governo do Chile mantivera conversações com os nazis, entre elas um documento, datado de 1937, que resumia uma conversa entre o embaixador do führer em Santiago e o ministro dos Negócios Estrangeiros chileno, destinada a averiguar se a proposta de venda era séria.

Desta forma, o livro de Amorós é o resultado de um rigoroso trabalho de pesquisa, e nele o historiador explica que só os britânicos explicaram por que razão as negociações mantidas secretas durante décadas não chegaram a avançar.

“Descartaram a compra da ilha porque consideraram que, do ponto de vista militar, o seu valor era escasso”, afirma o historiador espanhol. Além disso, acrescenta, tanto Londres como Washington fizeram questão de frisar que não era conveniente que a ilha fosse parar às mãos de nenhuma das potências que viriam a encabeçar o Eixo, ou seja, Alemanha, Itália e Japão.

Com base em muita documentação, a obra de Amorós conta também a história de um povo e de um território desde os primeiros vestígios de ocupação humana ali encontrados.

Aliás, “Rapa Nui“, é o que os seus habitantes chamam à Ilha de Páscoa, designação que decorre do facto de a sua descoberta pelos europeus (atribuída ao explorador holandês Jacob Roggeveen) ter ocorrido precisamente no domingo de Páscoa de 1722.

O Governo do Chile está, actualmente, a trabalhar numa lei que vai permitir à ilha readquirir a título oficial o seu nome local. Além disso, esta quarta-feira, entrou em vigor uma norma, proposta pelo Governo de Sebastián Piñera, que limita o acesso de turistas à ilha como medida de protecção da sua fauna e flora.

“Esta ilha é mágica, todo o mundo a quer visitar, mas também é uma ilha delicada que temos de proteger. A nova lei tem como objectivo regular o turismo”, disse o Presidente.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2018

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808: A Ilha de Páscoa vai limitar permanência de turistas e residentes

MastaBaba / Flickr

A mítica Ilha de Páscoa, no Chile, vai impor um limite à permanência de turistas e residentes devido ao crescente número de estrangeiros que pretendem passar a moradores permanentes.

A restrição, aprovada no Congresso em Março, vai entrar em vigor na próxima quarta-feira em todo o território insular chileno localizado a 3.500 km de distância do continente, reduzindo de 90 para 30 dias o prazo máximo de permanência dos turistas, mas também para chilenos que não sejam Rapa Nui — termo pelo qual são conhecidos os polinésios indígenas locais que vivem na Ilha de Páscoa.

A norma aprova impõe também uma série de requisitos para quem quiser morar neste território — cujos primeiros habitantes eram na sua maioria Rapa Nui — que atrai mais de 100.000 turistas por ano, principalmente devido às suas enigmáticas estátuas de pedra, apelidadas de “Moais“.

O último censo, de 2017, determinou que a população da Ilha de Páscoa é de 7.750 pessoas, sensivelmente o dobro daquela que tinha há algumas décadas, muito por culpa do crescente auge do turismo e desenvolvimento imobiliário.

“Os estrangeiros estão a tomar conta da ilha”, disse à AFP o presidente da câmara da Ilha de Páscoa, Pedro Pablo Edmunds Paoa, acrescentando que os cerca de 3.000 estrangeiros a viver na ilha são gente a mais.

“Estão a prejudicar a idiossincrasia local, a cultura milenar está a mudar e isso não é positivo”, afirmou, apontando que os números de delinquência e violência aumentaram.

A pressão turística levou ao limite todos os serviços básicos da ilha, especialmente a administração do lixo, diz Ana María Gutiérrez, assessora ambiental do município.

A nova lei estabelece vários requisitos para residir de forma permanente na ilha, entre eles ser pai, mãe, cônjuge ou filho de uma pessoa que pertence ao povo Rapa Nui. Fora desta ascendência, poderão viver na ilha funcionários públicos, trabalhadores de organizações que prestem serviços ao Estado e pessoas que desenvolvam alguma actividade económica independente no território junto às suas famílias.

Paralelamente, quem entrar na ilha deve apresentar a reserva do hotel onde pretende ficar hospedado ou, então, precisa de uma carta (convite) de algum residente para o fazer.

A norma prevê estabelecer, ainda, uma capacidade máxima demográfica, que deverá ser estabelecida por um ministério que será criado especialmente para estes fins.

“Não estou de acordo com estas normas. Não são suficientes porque não abrangem todas as aspirações da ilha”, diz o autarca, acabando por admitir que, a sua vontade, assim como a de “muitos Rapa Nui”, era de “barrar totalmente” a chegada de novos residentes.

Um reportagem deste ano, realizada pelo New York Times revelava que a misteriosa Ilha de Páscoa estava lentamente a desaparecer. O aumento dos níveis do mar está a causar a erosão das costas da ilha e, consequentemente têm vindo a deteriorar as plataformas onde se encontram as famosas estátuas e os vestígios antigos da civilização Rapa Nui.

ZAP //

Por ZAP
29 Julho, 2018

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620: Finalmente revelado o segredo dos famosos moais da Ilha de Páscoa

(CC0/PD) JPataG / pixabay

Um grupo de cientistas conseguiu revelar como as estátuas gigantes da Ilha de Páscoa, no Chile, receberam os seus “chapéus” de pedra depois de quase 2.000 anos de incertezas.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Archaeological Science, os chapéus gigantes, pintados de vermelho e com cerca de 13 toneladas cada, surgiram nas cabeças dos moais graças a uma técnica semelhante à usada pelos europeus para levantar navios afundados.

A Ilha de Páscoa é um dos lugares mais misteriosos da Terra e é o antigo lar de uma civilização polinésia que habitou a região há cerca de 2.000 anos. A civilização deixou na ilha um vasto número de vestígios em forma de moais gigantes que, segundo acreditam os cientistas, personalizam os antepassados dos antigos moradores da ilha.

Esta civilização praticamente desapareceu da Ilha de Páscoa antes mesmo da chegada dos primeiros colonizadores. A causa da sua extinção pode estar relacionada com dois factores: falta de recursos para sobreviver e guerras entre diferentes tribos aborígenes.

Por esta razão, ainda hoje continua a ser muito difícil perceber como era a vida desta civilização extinta e adivinhar o enigma mais interessante da ilha – como é que os gigantescos “chapéus” de pedra, chamados de pukao e com um peso de 10 a 15 toneladas, apareceram na cabeça dos moais?

O facto de as estátuas e dos seus “chapéus” terem sido feitos a partir de várias rochas geológicas não contribui para encontrar a solução deste quebra-cabeças. De salientar que as rochas usadas para construir os “chapéus” podem ser encontradas em regiões distantes da ilha que ficam dezenas de quilómetros afastadas dos moais.

Ao analisar a superfície da ilha e todos as documentos disponíveis para investigação, os pesquisadores da Universidade de Binghamton, Nova Iorque, chefiados pelo antropólogo Carl Lipo, finalmente entenderam como estas estruturas poderiam ter sido construídas pela antiga civilização.

De acordo com os cientistas, os moais foram construídos de forma especial para que as rochas se endireitassem caso fossem levemente inclinadas, permitindo assim que os moradores da ilha os transportassem a distâncias significativas sem causar quaisquer danos.

Os traços existentes nos “chapéus” das estátuas indicam que estes foram levados para os locais das “montagens” quase prontos. Ou seja, foram levados desde a pedreira até ao local onde seriam depois colocados na cabeça dos moais, rolando sobre si mesmos.

Quando os pukao chegaram ao destino, os moradores deram início ao árduo trabalho de colocar estes “acessórios” nos moais, recorrendo à ajuda de aterros e cordas. Assim, pouco a pouco, conseguiram levantaram “chapéus” para a parte superior das estátuas.

Os investigadores apontam várias provas para fundamentar a sua teria, tais como: a existência de vestígios de aterros e de uma cavidade especial no “chapéu” que o impede de cair da cabeça.

Os cientistas notaram ainda que inicialmente os moais estavam um pouco inclinados, permitindo assim que os construtores antigos rolassem os “chapéus” para as cabeças das estátuas sem estragar nada. Depois, simplesmente aplanaram as estátuas.

Tendo em conta os resultados da investigação, os investigadores concluíram que não era necessário ter um exército de escravos ou muitos recursos para construir grandes monumentos. Os moradores da ilha de Páscoa conseguiram imortalizar o seu nome com a ajuda do intelecto, das leis da física e dos recursos escassos da ilha.

ZAP // Sputnik News

Por SN
6 Junho, 2018

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385: A Ilha de Páscoa está lentamente a desaparecer

MastaBaba / Flickr

A Ilha de Páscoa, no Chile, um dos lugares mais misteriosos da Terra e lar da famosa civilização Polinésia que construiu os moais, há cerca de dois mil anos, está lentamente a desaparecer.

De acordo com uma reportagem do New York Times, o aumento dos níveis do mar está a causar a erosão das costas da Ilha de Páscoa, no Chile, e consequentemente têm vindo a deteriorar as plataformas onde se encontram as famosas estátuas e os vestígios antigos da civilização Rapa Nui.

Perante este cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) já lançou um aviso para assegurar que a erosão da costa pode acabar por completo com estas peças arqueológicas. Os cientistas prevêem que as águas subam cerca de 1,5 metros até ao ano de 2100, mas temem que as tempestades e as ondas se tornem uma ameaça ainda maior”, destaca o jornal norte-americano.

“Sentimo-nos impotentes com tudo isto, quando não podemos proteger os ossos dos nossos próprios antepassados”, lamenta Camilu Rapu, líder dos Ma’u Henua, a organização indígena que controla o Parque Nacional Rapa Nui, que se estende por toda a ilha. “É uma dor enorme”, diz ainda.

No ano passado, as autoridades deram o alerta depois da queda de uma estrutura rochosa de três metros de altura, na costa sul da ilha, devido ao forte impacto das ondas. Os arqueólogos responsáveis procuraram diminuir as consequências do colapso com a construção de uma barreira marinha, graças ao financiamento de 400 mil dólares que chegou do Governo japonês. No entanto, já se começa a estudar a possibilidade de mover as estátuas e as plataformas cerimoniais (ahus) para outro lugar.

Segundo o jornal, outra área que está em perigo é a cratera vulcânica de Orongo, adornada de petroglifos, que retratam uma concorrência ancestral para obter ovos de aves, em que participavam os homens jovens da ilha antes da chegada dos europeus. Os desenhos simbólicos gravados na rocha são vulneráveis às tempestades e a erosão poderia destruí-los.

Embora seja possível fixar as gravuras noutras pedras mais estáveis ou colocá-los num museu, Rafael Rapu, chefe indígena e arqueólogo, acredita que, dessa forma, perderiam “o contexto e parte da sua história”.

Além destes problemas, o eventual desaparecimento destes sítios arqueológicos pode também representar um problema financeiro para a ilha com cerca de seis mil habitantes, pois o turismo é o eixo principal da sua economia. Só em 2017, este património mundial atraiu mais de 100 mil turistas e produziu cerca de 70 milhões de dólares de receitas para o comércio local.

ZAP // Sputnik News / The New York Times

Por SN
19 Março, 2018

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