1158: Descoberta uma criança “vampiro” num cemitério em Itália

CIÊNCIA

Photo courtesy of David Pickel/Stanford University
O “Vampiro de Lugano”, a criança de 10 anos encontrada num cemitério em Itália com uma pedra na boca.

Arqueólogos encontraram num cemitério em Itália, os restos mortais de uma criança de 10 anos com uma pedra na boca, um antigo ritual funerário de vampiros que era praticado durante a Idade Média europeia e que visava prevenir que o morto voltasse à vida.

O esqueleto desta criança de 10 anos data do Século XV, altura em que a Itália foi afectada por uma praga de malária. Os restos mortais indiciam que a criança, cujo sexo não foi possível ainda identificar, terá morrido devido à doença, como notam os investigadores da Universidade do Arizona, nos EUA, que estão envolvidos nas escavações arqueológicas.

Os ossos da criança foram encontrados num túmulo improvisado construído com telhas e há sinais de que a pedra foi colocada de forma intencional na sua boca, nomeadamente “as mandíbulas abertas” e “marcas de dentes na superfície da pedra”, como explica a Universidade do Arizona em comunicado.

A criança também apresenta um abcesso num dente, o que é considerado “um efeito secundário da malária”, frisam os investigadores.

O esqueleto foi encontrado num cemitério que terá sido usado para enterrar bebés e crianças, que eram especialmente vulneráveis à malária. As pessoas receavam que os corpos pudessem ressuscitar para espalhar de novo a doença, o que justifica a pedra na boca.

“É um tratamento mortuário muito incomum que se vê de várias formas em diferentes culturas, especialmente no mundo Romano, e que poderia indicar que havia um medo de que esta pessoa pudesse voltar dos mortos e tentasse espalhar a doença pelos vivos”, destaca a bio-arqueóloga Jordan Wilson, estudante de doutoramento da Universidade do Arizona.

Conhecida como o ‘Vampiro de Lugnano’, esta criança de 10 anos foi a mais velha encontrada até agora no cemitério.

Noutro local deste mesmo cemitério, foi encontrado o esqueleto de uma menina de 3 anos com pedras a segurarem-lhe as mãos e os pés.

Na chamada “Necropoli dei Bambini” ou “A Necrópole das Crianças”, foram encontrados vários esqueletos de crianças e bebés enterrados ao lado de garras de corvos, ossos de sapos e caldeirões de bronze cheios de restos de cachorros sacrificados, vestígios que apontam para práticas de bruxaria.

“Sabemos que os Romanos eram muito preocupados com isto, e iam até ao extremo de utilizar bruxaria para evitar que o diabo – o que quer que contaminasse o corpo – saísse dele”, explica o professor de Antropologia da Universidade do Arizona, David Soren.

“Nunca via nada assim. É extremamente misterioso e estranho“, assume Soren, que acompanha as escavações no local desde 1987, em declarações divulgadas pelo Independent.

As escavações no local vão continuar, até porque há secções do cemitério ainda por explorar e que poderão revelar novas surpresas.

SV, ZAP //

Por SV
17 Outubro, 2018