5032: Arqueólogos revelam causas de morte comuns na Idade Média

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Nick Saffell / Universidade de Cambridge

Arqueólogos revelam causas de morte comuns na Idade Média, no Reino Unido. A equipa de investigadores analisou ossos de 314 pessoas.

Uma equipa de arqueólogos analisou ossos de 314 pessoas com pelo menos 12 anos de idade, entre os anos de 1100 e 1530. As ossadas foram retiradas de cemitérios de uma paróquia, de um convento e de um hospital, em Cambridge, no Reino Unido.

“A vida medieval era difícil para todos”, disse Jenna Dittmar, autora principal do estudo da Universidade de Cambridge, publicado na revista científica American Journal of Physical Anthropology.

Os investigadores descobriram uma alta percentagem de mortes após fracturas ósseas pelas mais variadas razões. Num dos casos, mencionado pelo jornal britânico The Guardian, um frade foi esmagado por uma carroça após ser atacado por bandidos.

Os autores descobriram que as fracturas ósseas eram mais comuns entre os enterrados no cemitério da paróquia, com 44% dos esqueletos analisados a apresentarem sinais de tais danos, em comparação com 32% daqueles enterrados no convento. Fracturas múltiplas também eram mais comuns entre os enterrados no cemitério paroquial.

“As pessoas que foram enterradas no cemitério paroquial de Todos os Santos teriam levado vidas realmente duras”, com trabalhos manuais, desde agricultura até à construção civil, explica a cientista.

Dittmar mostrou-se também surpreendida pelo facto de o hospital ter a menor taxa de mortos com ossos partidos, com apenas 27%.

“As pessoas presumiriam que um hospital é um lugar para onde iriam os indivíduos doentes, pobres ou enfermos, e seria de se esperar que tivessem mais fracturas – o que acabou por não ser o caso”, disse ainda Dittmar. Em contrapartida, o hospital estaria mais focado no cuidado pastoral.

Outra coisa que surpreendeu a autor do estudo foi não ter encontrado evidências de ferimentos causados por armas, apesar das inúmeras guerras travadas durante a Idade Média.

Ferimentos nos ossos eram mais comuns entre os homens (40%), mas não era propriamente alheio às mulheres (26%). Aliás, uma delas partiu o seu maxilar, que se curou, mas também teve outros ferimentos como costelas e um pé partido.

Por Daniel Costa
31 Janeiro, 2021


1157: Descoberta uma criança “vampiro” num cemitério em Itália

CIÊNCIA

Photo courtesy of David Pickel/Stanford University
O “Vampiro de Lugano”, a criança de 10 anos encontrada num cemitério em Itália com uma pedra na boca.

Arqueólogos encontraram num cemitério em Itália, os restos mortais de uma criança de 10 anos com uma pedra na boca, um antigo ritual funerário de vampiros que era praticado durante a Idade Média europeia e que visava prevenir que o morto voltasse à vida.

O esqueleto desta criança de 10 anos data do Século XV, altura em que a Itália foi afectada por uma praga de malária. Os restos mortais indiciam que a criança, cujo sexo não foi possível ainda identificar, terá morrido devido à doença, como notam os investigadores da Universidade do Arizona, nos EUA, que estão envolvidos nas escavações arqueológicas.

Os ossos da criança foram encontrados num túmulo improvisado construído com telhas e há sinais de que a pedra foi colocada de forma intencional na sua boca, nomeadamente “as mandíbulas abertas” e “marcas de dentes na superfície da pedra”, como explica a Universidade do Arizona em comunicado.

A criança também apresenta um abcesso num dente, o que é considerado “um efeito secundário da malária”, frisam os investigadores.

O esqueleto foi encontrado num cemitério que terá sido usado para enterrar bebés e crianças, que eram especialmente vulneráveis à malária. As pessoas receavam que os corpos pudessem ressuscitar para espalhar de novo a doença, o que justifica a pedra na boca.

“É um tratamento mortuário muito incomum que se vê de várias formas em diferentes culturas, especialmente no mundo Romano, e que poderia indicar que havia um medo de que esta pessoa pudesse voltar dos mortos e tentasse espalhar a doença pelos vivos”, destaca a bio-arqueóloga Jordan Wilson, estudante de doutoramento da Universidade do Arizona.

Conhecida como o ‘Vampiro de Lugnano’, esta criança de 10 anos foi a mais velha encontrada até agora no cemitério.

Noutro local deste mesmo cemitério, foi encontrado o esqueleto de uma menina de 3 anos com pedras a segurarem-lhe as mãos e os pés.

Na chamada “Necropoli dei Bambini” ou “A Necrópole das Crianças”, foram encontrados vários esqueletos de crianças e bebés enterrados ao lado de garras de corvos, ossos de sapos e caldeirões de bronze cheios de restos de cachorros sacrificados, vestígios que apontam para práticas de bruxaria.

“Sabemos que os Romanos eram muito preocupados com isto, e iam até ao extremo de utilizar bruxaria para evitar que o diabo – o que quer que contaminasse o corpo – saísse dele”, explica o professor de Antropologia da Universidade do Arizona, David Soren.

“Nunca via nada assim. É extremamente misterioso e estranho“, assume Soren, que acompanha as escavações no local desde 1987, em declarações divulgadas pelo Independent.

As escavações no local vão continuar, até porque há secções do cemitério ainda por explorar e que poderão revelar novas surpresas.

SV, ZAP //

Por SV
17 Outubro, 2018

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