2127: Humanos pré-históricos enfrentaram mudanças climáticas (e este jogo mostra como)

CIÊNCIA

Viktor Vasnetsov (1848–1926)

Investigadores desenvolveram através da tecnologia de videojogos um cenário pré-histórico em que os participantes se viam obrigados a lidar com as mudanças climáticas, de forma a perceberem como pode ter afectado os humanos pré-históricos.

Como é que as mudanças climáticas irão reconstruir o mundo no século 21? Seremos capazes de nos adaptar e sobreviver? Tal como acontece com muitas coisas, o passado é um bom guia para o futuro. Os seres humanos vivenciaram mudanças climáticas no passado, que transformaram o ambiente — estudar a sua resposta pode responder ao nosso próprio destino.

Populações e culturas humanas morreram e foram substituídas em toda a Euroásia durante os últimos 500 mil anos. Como e por que uma população pré-histórica deslocou outra não é claro, mas esses humanos foram expostos a mudanças climáticas que mudaram o seu ambiente natural.

Os investigadores concentraram-se na região em torno de Lyon, em França, e imaginaram como os caçadores da Idade da Pedra, de há 30 mil e 50 mil anos atrás, se teriam safado à medida que o mundo ao seu redor mudava.

Aqui, como em outras partes da Euroásia, durante períodos mais frios, o ambiente teria mudado para a vegetação semelhante a uma tundra — vastos e abertos habitats que podem ter sido os mais adequados para caçar presas. Quando o clima aqueceu por alguns séculos, as árvores espalharam-se — criando bosques densos que favoreceram métodos de caça que envolvessem emboscadas.

Como estas mudanças afectaram o comportamento de caça de uma população poderá ter decidido se elas prosperaram, foram forçadas a migrar ou até mesmo morreram. A capacidade dos caçadores-colectores de detectar presas a diferentes distâncias e em ambientes diferentes teria decidido quem dominou e quem foi desalojado.

Além de construir uma máquina do tempo, descobrir como as pessoas pré-históricas responderam às mudanças climáticas só seria possível recriando os seus mundos como ambientes virtuais. Assim, os investigadores poderiam controlar a mistura e a densidade da vegetação e recrutar humanos modernos para explorá-los e ver como eles se sairiam ao encontrar as presas.

Sobreviver na Idade da Pedra virtual

Os investigadores criaram um ambiente de videojogo e pediram aos voluntários que encontrassem veados-vermelhos. O mundo que exploraram mudava para arbustos e pastagens enquanto o clima arrefecia e para uma floresta densa quando aquecia.

Os participantes conseguiram identificar o veado-vermelho a uma distância maior na pastagem do que na floresta, quando a densidade da vegetação era a mesma. À medida que a vegetação ficava mais espessa, eles esforçavam-se mais para detectar presas a distâncias maiores em ambos os ambientes.

(dr) Peter Allen e John Stewart

Os povos pré-históricos teriam enfrentado desafios semelhantes com o aquecimento do clima, mas há um padrão interessante que nos diz algo sobre as respostas humanas à mudança. Apenas quando a paisagem ficou com mais de 30% arborizada é que os participantes foram significativamente menos capazes de localizar veados a distâncias maiores.

Este foi provavelmente o momento crítico em que populações antigas foram forçadas a mudar hábitos de caça, a mudarem-se para áreas mais favoráveis às suas técnicas existentes, ou enfrentar a extinção local.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
6 Junho, 2019



2000: Encontradas pegadas perfeitamente preservadas com 14 mil anos numa caverna profunda

CIÊNCIA

(dr) Anton Chikishev / Hebrew University

Há cerca de 14 mil anos, cinco pessoas de pés descalços – dois adultos, um pré-adolescente e duas crianças – caminharam numa passagem escura de uma caverna.

Os tempos passaram, mas o grupo deixou para trás pegadas perfeitamente preservadas. Para iluminar o caminho que fizeram, de acordo com um novo estudo publicado na revista eLife, estas pessoas da Idade da Pedra terão queimado varas de pinheiro, que os arqueólogos também encontraram na caverna, conhecida como Grotta della Bàsura, no norte da Itália.

O tecto da gruta era tão baixo que, numa parte, os exploradores ancestrais foram forçados a gatinhar, deixando para trás “a primeira evidência de sempre de pegadas humanas deixadas a rastejar“, disse Marco Romano, investigador no Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.

Os investigadores já sabiam da presença de humanos antigos em Grotta della Bàsura desde os anos 1950. Mas esta nova análise é o primeiro olhar de alta tecnologia nestes rastos específicos, em que os arqueólogos usaram scanners a laser, análise de sedimentos, geoquímica, arqueobotânica e modelagem 3D para estudar as impressões.

Havia tantas impressões – 180 no total – que os investigadores conseguiram juntar tudo o que aconteceu naquele dia durante o Paleolítico Superior – também conhecido como a Idade da Pedra. De acordo com os diferentes tamanhos de pegadas, havia cinco pessoas: uma de 3 anos de idade, outra de 6 anos, uma pré-adolescente (8 a 11 anos) e dois adultos.

Este grupo estava descalço e não parecia estar a usar qualquer roupa – pelo menos não deixou impressões na caverna. Depois de caminhar cerca de 150 metros, chegaram ao Corridoio delle Impronte e, em seguida, caminharam em fila única, com a criança de 3 anos atrás.

“Caminharam muito perto da parede lateral da caverna, uma abordagem mais segura também usada por outros animais quando se deslocam num ambiente pouco iluminado e desconhecido”, disse Romano à Live Science.

Pouco depois, o tecto da caverna ficou mais baixo cerca de 80 centímetros, forçando os aventureiros a rastejar, “colocando as mãos e os joelhos sobre o substrato de argila”, explicou Romano. Os exploradores passaram por um gargalo de estalagmites, atravessaram um pequeno lago, deixando rastos profundos no solo encharcado, subiram uma pequena encosta além do Cimitero degli Orsi (cemitério dos ursos), e chegaram ao terminal Sala dei Misteri (sala dos mistérios), onde pararam.

(dr) Marco Avanzini
Os investigadores encontraram 180 impressões

Naquela sala, “o adolescente e as crianças começaram a recolher argila do chão e espalharam-na numa estalagmite, em diferentes níveis de acordo com a altura”, disse Romano. As tochas do grupo deixaram vários traços de carvão nas paredes. Depois, saíram da caverna.

O grupo mostra que “crianças muito jovens eram membros activos das populações paleolíticas superiores, mesmo em actividades aparentemente perigosas e sociais”, disse Romano. O novo estudo é “um belo trabalho apresentado”, disse Matthew Bennett, professor de ciências geográficas e ambientais na Universidade de Bournemouth, no Reino Unido. “É um exemplo da sofisticação com a qual podemos agora gravar impressões, sejam seres humanos ou animais.”

No entanto, dado que os investigadores já sabiam que humanos antigos viviam na área e usavam a caverna, a descoberta não contribui muito para a compreensão científica do povo da Idade da Pedra. “É um grupo de indivíduos a explorar uma caverna, o que é interessante, mas sabíamos disso de qualquer maneira”, disse.

Bennett acrescentou que não é incomum encontrar as pegadas de crianças misturadas com as dos adultos a partir desta época. Em parte, isso ocorre porque as crianças provavelmente superavam em número os adultos durante o Paleolítico Superior e porque as crianças dão mais passos do que os adultos, já que as suas pernas são mais curtas. Além disso, “fazem coisas tontas – dançam, correm, não andam numa direcção”, disse Bennett. “Faz sentido estatístico que deveríamos encontrar muitas pegadas de crianças.”

ZAP //

Por ZAP
17 Maio, 2019


 

1418: Caçador da Idade da Pedra não foi vítima de canibalismo. Foi queimado vivo

CIÊNCIA

Jacek Tomczyk / Universidade Cardeal Stefan Wyszyński

O crânio partido de um caçador que viveu há cerca de 8.000 anos não é evidência de canibalismo, como os investigadores pensavam anteriormente. Em vez disso, o caçador morreu num terrível assassinato, sugere um novo estudo.

Embora o crânio antigo, encontrado no que hoje é a Polónia, esteja severamente danificado, uma nova análise revelou que o crânio mostrava sinais de cura, o que significa que o homem provavelmente viveu pouco mais de uma semana após a lesão.

“Descobriu-se que o crânio danificado mostra traços de cura que não podem ser vistos a olho nu”, disse Jacek Tomczyk, antropólogo da Universidade Cardeal Stefan Wyszyński, em Varsóvia. “Isso significa que a pessoa não morreu no momento em que o impacto ocorreu, o que também destrói a crença dos arqueólogos de que estamos a lidar com uma vítima do canibalismo”.

Investigadores encontraram o crânio da Idade da Pedra há quase 50 anos, perto do Rio Narew, em Wieliszew. Além disso, os arqueólogos também encontraram um osso humano queimado, assim como ferramentas de pedra, sugerindo que o homem era um caçador.

Uma vez que o osso foi queimado e o crânio sofreu um forte golpe, os investigadores concluíram que o homem tinha sido vítima de canibalismo. Mas Tomczyk e os colegas decidiram voltar a analisar os restos mortais.

A análise mostrou uma longa incisão horizontal no centro da testa do homem, disse Tomczyk. “Apesar da fragmentação do crânio, as bordas das incisões são regulares”. Um olhar mais atento a estas bordas revelou uma “formação subtil que une vários fragmentos ósseos”, indicando que a ferida estava a começar a cicatrizar.

“Este é o primeiro caso da Polónia da Idade da Pedra em que vemos lesões nos ossos e cicatrização”, disse o antropólogo. De acordo com os investigadores, é possível que o corpo tenha sido queimado num ritual funerário, prática comum durante o período Mesolítico.

O antigo caçador tinha provavelmente 20 anos quando morreu. “Também fizemos testes de ADN, mas infelizmente os danos nos tecidos causados por altas temperaturas tornaram impossível obter resultados confiáveis”, referiu Tomczyk. A lesão no crânio, no entanto, era clara como a água: parece que o caçador “foi golpeado com uma ferramenta”.

O estudo foi submetido para ser revisto pelos pares, mas ainda não foi publicado.

ZAP // Live Science

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

 

692: Os arqueólogos continuam sem perceber mistério das bolas de pedra com 5 mil anos

(dr) National Museums Scotland
Os modelos 3D das misteriosas bolas de pedra do Neolítico

Alguns dos mais enigmáticos objectos feitos por humanos na Idade da Pedra continuam a intrigar arqueólogos, mais de 200 anos depois de terem sido descobertos no continente europeu.

De acordo com o Live Science, estes misteriosos objectos tratam-se, essencialmente, de bolas de pedra esculpidas com o tamanho de bolas de basebol. Recentemente, os arqueólogos encontraram mais 500 exemplares, a maioria no nordeste da Escócia, mas também nas ilhas Órcades, em Inglaterra, na Irlanda e na Noruega.

Os investigadores ainda não conseguiram entender o propósito ou significado destes objectos neolíticos, porém, decidiram agora criar modelos virtuais 3D que revelaram novos detalhes, incluindo padrões que antes se encontravam escondidos.

Hugo Anderson-Whymark, o curador do Museu Real da Escócia que criou estes modelos, explicou ao mesmo site que já foram propostas inúmeras teorias ao longo dos anos para tentar explicar a função destas pedras.

Entre essas hipóteses está a possibilidade de serem a parte superior de armas perigosas, pesos usados pelos comerciantes neolíticos ou rolos para o transporte das pedras gigantes utilizadas nos monumentos megalíticos.

Uma teoria é a de que os puxadores de muitas dessas bolas foram enrolados com cordel, o que permitiu que fossem atirados como bolas sul-americanas. Outras hipóteses descrevem-nas também como objectos de devoção religiosa ou símbolos de status social.

“Muitas das teorias têm de ser tidas em conta com precaução, enquanto que há outras que podem ser plausíveis”, explica Anderson-Whymark. “O que é interessante é que realmente captam a nossa imaginação – e ainda guardam muitos segredos”, acrescenta.

Modelos 3D

Os 60 modelos 3D agora desenvolvidos pelo museu foram divulgados online, com o objectivo de que todas as pessoas interessadas por estes artefactos, em qualquer parte do mundo, possam examinar todos os seus detalhes e a partir de qualquer ângulo.

A colecção online inclui o objecto mais famoso, conhecido por “bola Towie”, que foi encontrado perto da vila de Towie, no nordeste da Escócia, por volta de 1860. Esta bola foi esculpida com padrões espirais entrelaçados em três dos seus quatro lóbulos e é considerada um dos melhores exemplos da arte neolítica alguma vez já encontrada.

Segundo Anderson-Whymark, os arqueólogos mais antigos consideraram estranho que estes objectos tão detalhados tivessem sido feitos apenas com ferramentas de pedra e, por isso, atribuíram-nas erradamente aos Pictos, antigos habitantes da Escócia que viveram no final da Idade do Ferro e no início do período Medieval, entre 1800 e 1100 anos atrás.

Mais tarde, os arqueólogos foram capazes de perceber que estas pedras pertenciam ao período Neolítico, há cerca de cinco mil anos, quando realmente apenas eram utilizadas ferramentas de pedra, explica o investigador.

Muitos dos ornamentos encontrados nestas bolas de pedra também foram encontrados em esculturas de túmulos do Neolítico, que apresentam câmaras subterrâneas no final de longas passagens de pedra como, por exemplo, o túmulo de Newgrange, na Irlanda.

Estas semelhanças indicam que, já durante esta época, as populações de diferentes regiões da Europa partilhavam ideias comuns, o que mostra alguma forma de interacção entre as comunidades, afirma Anderson-Whymark.

ZAP //

Por ZAP
26 Junho, 2018

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