962: UAI PASSA A USAR NOVO REFERENCIAL PARA DIRECÇÕES NO ESPAÇO

Radiotelescópio em Hobart, Austrália.
Crédito: Universidade de Tecnologia de Viena

No futuro, quando as naves espaciais forem enviadas para outros planetas ou quando for estudada a rotação do planeta Terra, será usado um novo referencial. No dia 30 de Agosto, na Assembleia Geral da União Astronómica Internacional (UAI) em Viena (Áustria), foi adoptado o novo referencial celeste internacional ICRF3 (International Celestial Reference Frame), que permite especificações direccionais mais precisas no espaço. Baseia-se na medição precisa de mais de 4000 fontes de rádio extra-galácticas.

Um sistema de coordenadas para o Universo

Da mesma forma que é necessário um sistema de referência para medir picos de montanhas (medindo a longitude e latitude da Terra e a altura acima do nível do mar, por exemplo), é essencial concordar num sistema de referência confiável para especificar direcções no espaço. “Não é boa ideia usar as estrelas fixas que vemos no céu nocturno,” explica o professor Johannes Böhm do Departamento de Geodesia e Geoinformação da Universidade de Tecnologia de Viena. “Com o tempo, mudam um pouco relativamente umas às outras. Isto significa que seria necessário definir um novo sistema de referência a cada poucos anos para manter o nível de precisão exigido.”

As fontes de rádio extra-galácticas, por outro lado, são outra questão. “Hoje em dia, conhecemos centenas de milhares de objectos no espaço que emitem radiação extremamente intensa e de ondas longas,” comenta Böhm. “Estes são buracos negros supermassivos no centro de galáxias longínquas, também conhecidos como quasares, por vezes localizados a milhares de milhões de anos-luz.” Estas fontes de radiação parecem-se praticamente com pontos a partir da Terra e a sua enorme distância torna-as ideais para estabelecer um sistema de referência mundial. As mudanças relativamente pequenas entre os quasares não desempenham aqui um papel.

Comparando diferentes radiotelescópios uns contra os outros

No entanto, para alcançar o mais alto nível de precisão necessitamos algum esforço: não basta simplesmente tirar uma foto com um radiotelescópio e ler a direcção da fonte de rádio a partir dela. Em vez disso, são comparados dados de diferentes radiotelescópios. “Cada fonte de rádio fornece um sinal com um certo ruído,” explica David Mayer, assistente da equipa de Johannes Böhm. “Quando medimos este ruído em dois radiotelescópios diferentes ao mesmo tempo – idealmente separados por milhares de quilómetros – podemos determinar com muita precisão a diferença de tempo entre a chegada do sinal no primeiro e no segundo radiotelescópio. A partir daqui, podemos calcular a direcção do sinal que recebemos com uma precisão extrema.” Estes cálculos requerem computadores muito poderosos, como o VSC-3 (Vienna Scientific Cluster). Além da Universidade de Tecnologia de Viena, grupos de investigação de todo o mundo forneceram soluções para o referencial ICRF3, bem como o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e o Observatório de Paris.

Com este método, podemos estabelecer a posição das fontes de rádio no céu estrelado com uma precisão de aproximadamente 30 micro-segundos de arco. Isto corresponde aproximadamente ao diâmetro de uma bola de ténis na Lua, vista da Terra.

Na Assembleia Geral da UAI, em Viena, foi tomada a decisão de usar este altamente preciso mapa de fontes de rádio como a referência internacional.

Será usado, por exemplo, para especificar a posição de objectos astronómicos ou naves espaciais. Além disso, o sistema de referência é essencial para monitorizar o nosso próprio planeta, como na precessão do eixo de rotação da Terra ou no movimento dos pólos.

Astronomia On-line
4 de Setembro de 2018

(Foram corrigidos 15 erros ortográficos ao texto original)

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