Novas “Terras” descobertas em torno de estrela muito pequena

Os dois planetas estão localizados na zona habitável da estrela de Teegarden.
Crédito: Universidade de Gotinga, Instituto para Astrofísica

Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Gotinga (Alemanha) com a participação de investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) descobriu, usando o espectrógrafo de alta resolução CARMENES no Observatório Calar Alto (Almería), dois novos planetas parecidos com a Terra em redor de uma das estrelas mais próximas da nossa vizinhança estelar.

A estrela de “Teegarden” está a apenas 12,5 anos-luz de distância. É uma das estrelas mais pequenas, uma anã vermelha, na direcção da constelação de Carneiro. A sua temperatura superficial é de 2700º C e tem uma massa equivalente a apenas 1/10 da do Sol. Mesmo estando tão perto, o seu ténue brilho impediu a sua descoberta até 2003.

“Nós temos vindo a observar esta estrela há três anos à procura de variações periódicas na sua velocidade,” explica Mathias Zechmeister, investigador da Universidade de Gotinga, autor principal do artigo. As observações mostraram que existem dois planetas em órbita, ambos semelhantes aos planetas do Sistema Solar interior. São apenas um pouco maiores do que a Terra e estão situados na “zona habitável” onde a água pode existir, à superfície, no estado líquido. “É possível que os dois planetas façam parte de um sistema maior,” diz Stefan Dreizler, outro investigador da Universidade de Gotinga e co-autor do artigo.

O IAC tem participado muito activamente nas campanhas fotométricas desta estrela. Têm sido realizadas com instrumentos como o Muscat2 do Telescópio Carlos Sánchez do Observatório Teide (Tenerife) e com a rede de telescópios do Observatório de Las Cumbres, entre outros. Estes estudos permitiram mostrar que os sinais dos dois planetas não podem ser devidos à actividade da estrela, embora não possamos detectar os trânsitos dos dois novos planetas,” comenta Victor Sánchez Béjar, investigador do IAC e outro autor do artigo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Para usar o método de trânsito, os planetas devem atravessar a face do disco estelar e bloquear um pouco da luz da estrela durante um curto período de tempo, o que significa que têm que estar em linha com a estrela e com os observadores. Este alinhamento fortuito ocorre apenas para uma pequena fracção dos sistemas planetários.

Curiosamente, o sistema da estrela de Teegarden está situado numa direcção especial do céu. A partir desta estrela é possível ver os planetas do nosso Sistema Solar a passar em frente do Sol e durante alguns anos a Terra será discernível como um planeta em trânsito para qualquer observador situado nos planetas de Teegarden que se preocupe em nos estudar.

A estrela de Teegarden pertence à classe mais pequena para a qual podemos medir as massas dos seus planetas com a tecnologia actual. “Esta descoberta é um grande sucesso para o projecto CARMENES, que foi projectado para procurar planetas em torno de estrelas de baixa massa,” comenta Ignasi Ribas, investigador do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e co-autor do artigo.

Desde 2006, cientistas alemães e espanhóis têm procurado planetas em volta de estrelas próximas usando o CARMENES, acoplado ao telescópio de 3,5 m do Observatório Calar Alto (Almería). Estes novos planetas são os 10.º e 11.º descobertos pelo projecto.

Astronomia On-line
21 de Junho de 2019

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2128: O mistério da galáxia sem matéria escura foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

NRAO/AUI/NSF; Dana Berry / SkyWorks; ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Uma equipa de cientistas Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC) esclareceu um dos mistérios da Astrofísica extra-galáctica de 2018: a alegada existência de uma galáxia sem matéria escura.

No modelo actual da formação de galáxias, é impossível encontrar estes aglomerados estelares sem matéria escura, já que esta estranha forma de matéria é fundamental para produzir o colapso do gás que forma as estrelas.

Em 2018, um estudo publicado na revista Nature anunciava a descoberta de uma galáxia sem matéria escura. A publicação teve um grande impacto entre a comunidade científica, fazendo mesmo a capa de várias revistas científicas.

Agora, e de acordo com uma nova investigação publicada na revista Monthly Notices da Royal Astronomical Society (MNRAS), uma equipa de investigadores do IAC diz ter resolvido o mistério da galáxia [KKS2000] 04 (NGC1052 -DF2) – também conhecida como “galáxia sem matéria escura” – através da sua observação minuciosa.

Neste trabalho, a equipa, que estava a estranhar o facto de todas as propriedades dependentes da distância da galáxia serem anómalas, voltaram a analisar os indicadores de distância disponíveis. Recorrendo a cinco métodos independentes para estimar a distância do objecto estelar, os especialistas descobriram que métodos coincidem num aspecto: a galáxia é muito mais próxima do que foi apontado na investigação original.

O artigo publicado na Nature afirmava que a galáxia estava a uma distância de cerca de 64 milhões de anos-luz da Terra. No entanto, a nova pesquisa revelou que a distância real é muito menor: cerca de 42 milhões de anos-luz.

Graças a estes novos dados, todas as propriedades da galáxia derivadas da sua distância voltaram a ser normais e encaixam-se dentro das tendências observadas e traçadas por galáxias com características semelhantes.

Em comunicado, a equipa explica que o facto mais importante que a nova investigação traz à luz é que o número de estrelas nesta galáxia é cerca de um quarto do que foi originalmente estimando. Quanto à sua massa, é cerca de metade do que foi inicialmente estimado. Esta diferença é interpretada pela presença de matéria escura, alterando assim as conclusões anteriores.

Os resultados da investigação mostram a importância de definir distâncias precisas para objectos extra galácticos. Por muito tempo, esta tem sido – e ainda é – uma das tarefas mais difíceis da Astrofísica: medir a distância de objectos que não conseguimos alcançar.

ZAP //

Por ZAP
7 Junho, 2019



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1827: Astrónomos encontraram algo inesperado numa estrela que não devia existir

Na astrofísica, qualquer elemento mais pesado que hidrogénio e hélio é denominado “metal” e o lítio está entre os mais leves desses metais.

Investigadores do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC) e da Universidade de Cambridge conseguiram detectar o lítio numa estrela “primitiva”. Esta é a estrela J0023+0307, descoberta há um ano pela mesma equipa com o Gran Telescopio Canarias (GTC) e o Herschel Telescope William (WHT) do Observatorio del Roque de los Muchachos.

Esta descoberta pode fornecer informações cruciais sobre a criação de núcleos atómicos – nucleosíntese – no Big Bang, de acordo com o comunicado publicado pelo IAC.

“Esta estrela primitiva surpreende-nos pelo seu alto teor de lítio e a sua possível relação com o lítio primordial formado no Big Bang”, observa David Aguado, um investigador associado com a Universidade de Cambridge, que é o autor principal do artigo publicado no início deste mês na revista The Astrophysical Journal Letters.

Esta estrela é semelhante ao nosso Sol, mas com um teor de metal muito mais pobre, menos de uma milésima parte da metalicidade solar. Esta composição implica que é uma estrela que se formou nos primeiros 300 milhões de anos do Universo, logo após as super-novas, marcando as fases finais das primeiras estrelas massivas na nossa galáxia.

“O teor de lítio da estrela primitiva é semelhante ao de outras estrelas pobres em metal no halo da nossa galáxia, e definem, aproximadamente, um valor constante, independente do valor do conteúdo metálico da estrela”, explica Jonay González Hernández, investigador e co-autor do artigo.

O lítio do Big Bang é um metal muito frágil que é facilmente destruído no interior das estrelas por reacções nucleares a uma temperatura de 2,5 milhões de graus ou mais. Como a base da atmosfera deste tipo de estrelas pobres em metal não atinge esta temperatura, o lítio permanece nelas durante praticamente toda a sua vida.

J0023 + 0307 ainda está na “Sequência Principal”, a fase em que as estrelas permanecem durante a maior parte das suas vidas e a sua idade é quase a mesma da idade do Universo. “A estrela J0023 + 0307 mantém este conteúdo constante de lítio numa estrela com uma baixíssima metalicidade e, assim, entendemos que o lítio deve ter-se formado numa fase ainda mais precoce na evolução do Universo”, acrescenta Carlos Allende, outro investigador do IAC.

A 7500 anos-luz da Terra, a estrela encontra-se no halo da Via Láctea e na direcção da constelação do Lince. A fonte de energia destas estrelas é a fusão do hidrogénio nos seus núcleos e as suas temperaturas superficiais e luminosidades são quase constantes com o passar do tempo. Outra das suas propriedades é a sua pequena massa, cerca de 0,7 vezes a massa do Sol, embora seja 400 graus mais quente.

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Por ZAP
10 Abril, 2019

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1473: Descoberta super-Terra potencialmente habitável a 224 anos-luz

Gabriel Pérez / IAC

Investigadores da Universidade de Oviedo descobriram e caracterizaram um planeta na zona de habitabilidade de uma estrela anã vermelha.

Uma equipe de investigadores da Universidade de Oviedo e do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) descobriram e caracterizaram uma super-Terra a orbitar dentro da borda da zona habitável de uma estrela anã vermelha de tipo M0 chamada K2-286. Para isso, usaram dados do Telescópio Espacial Kepler.

O satélite Kepler foi projectado para descobrir exoplanetas. O método de procura consiste em medir o brilho vindo de uma estrela e observar se o seu brilho diminui periodicamente, como num eclipse. Se esta mudança no brilho ocorre, há um planeta a passar em frente da estrela regularmente.

A estrela K2-286, localizada na constelação de Libra a uma distância de 244 anos-luz, tem um raio de 0,62 raios solares e uma temperatura efectiva de 3650°C. O planeta tem 2,1 vezes o raio terrestre, um período orbital de 27,36 dias e uma temperatura de equilíbrio que pode ser cerca de 60ºC.

O planeta, de acordo com o estudo publicado em Dezembro na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, está localizado no limite interno da zona de habitabilidade, de modo que, sob as condições certas, poderia manter a água líquida na sua superfície, um requisito indispensável para o desenvolvimento da vida como a conhecemos.

O planeta é de interesse especial não só para ser localizado na zona habitável da sua estrela, mas por estar entre os mais adequados para a caracterização atmosférica futuro do Telescópio Espacial James Webb, bem como para uma monitorização para estabelecer a sua massa com precisão.

“Temos verificado que a actividade da estrela é moderada em comparação com outras estrelas de características semelhantes, o que aumentem as possibilidade de o planeta ter sido habitável”, referiram Javier de Cos e Enrique Díez.

“Este exoplaneta pode ser um candidato adequado para um instrumento de nova geração como ESPRESSO recentemente instalado nos telescópios VLT do Observatório de Paranal (Chile)”, acrescenta Jonay González, investigador no IAC.

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Por ZAP
13 Janeiro, 2019

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1070: ANALISADA A ÚNICA ANÃ BRANCA ORBITADA POR FRAGMENTOS PLANETÁRIOS

Impressão de artista que mostra um disco de poeira e fragmentos planetários em torno de uma estrela.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

O estudo, liderado por Paula Izquierdo, aluna de doutoramento do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) e da Universidade de La Laguna (ULL), aprofundou a análise desta excepcional anã branca, que mostra trânsitos periódicos produzidos por fragmentos de um planetesimal dizimado. As observações usadas para esta investigação foram obtidas com o GTC (Gran Telescopio Canarias) e com o Telescópio Liverpool.

O artigo, publicado recentemente na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, confirma a evolução contínua dos trânsitos produzidos pelos remanescentes de um planetesimal em órbita da anã branca WD 1145+017. Estes “detritos” passam em frente da estrela a cada 4,5 horas, bloqueando uma fracção da luz da estrela. A interacção contínua e a fragmentação destes detritos provocam grandes mudanças na profundidade e na forma dos trânsitos observados.

WD 1145+017 é uma anã branca, o núcleo remanescente de uma estrela que esgotou o seu combustível nuclear. A maioria das anãs brancas têm massas menores que a do Sol e tamanhos semelhantes à Terra. Muitos estudos indicam que 95% de todas as estrelas no Universo terminarão as suas vidas como anãs brancas, entre elas o nosso próprio Sol.

“O estudo deste sistema dar-nos-á informações sobre o futuro do nosso Sistema Solar,” explica Paula Izquierdo, autora principal do artigo. Por esse motivo, WD 1145+017 é especial. É a primeira anã branca para a qual as mudanças no brilho devido a ocultações (parte da luz da estrela é bloqueada pelos fragmentos de um corpo rochoso numa órbita de 4,5 horas) foram detectadas, sofrendo colisões contínuas que vão resultar na sua desintegração.

Embora este sistema tenha sido apenas descoberto em 2015, já atraiu a atenção de um grande número de grupos de investigação. Este estudo mais recente apresenta os primeiros dados espectroscópicos simultâneos, obtidos com o GTC (10,4 metros) e dados fotométricos do Telescópio Liverpool (2 metros), ambos no Observatório Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma).

“Quando o sistema está fora de trânsito, assumimos que detectamos 100% do fluxo, porque nada atrapalha a luz emitida pela anã branca,” explica a investigadora do IAC/ULL. “Mas quando os detritos planetários em órbita da estrela cruzam a nossa linha de visão,” realça, “o que acontece durante um trânsito, a quantidade de luz que recebemos é reduzida. Essa redução é tão grande quanto 50% no trânsito mais profundo que observámos: grandes nuvens de poeira que sopram os fragmentos planetesimais são capazes de ocultar metade da luz da anã branca.”

O estudo também confirma que os trânsitos na faixa visível da luz são “cinza”. Ou seja, não há relação entre a profundidade dos trânsitos e as suas cores, o que faz com que os trânsitos sejam igualmente profundos nas cinco bandas de onda estudadas. Os autores discutem uma nova hipótese na qual a queda observada na quantidade de luz é devida a uma estrutura opticamente espessa, não a uma estrutura opticamente fina como proposto anteriormente.

“O trânsito mais profundo mostra uma estrutura complexa que pudemos modelar usando a super-posição de diferentes nuvens de poeira, como se fosse produzido por seis fragmentos igualmente espaçados vindos dos planetesimais,” explica Pablo Rodríguez-Gil, co-autor do artigo, investigador do IAC e professor associado da ULL.

Entre os diferentes achados, a equipa observou uma redução na quantidade de absorção produzida pelo ferro durante o trânsito mais profundo detectado: “Parte dessa absorção,” afirma o co-autor Boris Gänsicke, astrónomo da Universidade de Warwick (Reino Unido), “não tem origem na atmosfera da anã branca, mas num disco de gás que também orbita em seu redor, de modo que demonstrámos que o disco de fragmentos e de gás devem estar espacialmente relacionados.”

Finalmente, usaram a distância de WD 1145+017, obtida pela missão Gaia da ESA, para derivar a massa, raio, temperatura e idade do sistema.

Astronomia On-line
25 de Setembro de 2018

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836: A SUPER-NOVA DE KEPLER NÃO DEIXOU SOBREVIVENTES

O remanescente da Super-nova de Kepler.
Crédito: raios-X – NASA/CXC/NCSU/M. Burkey et al; ótico – DSS

Um novo estudo no qual participa o IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias) argumenta que a explosão que Johannes Kepler observou em 1604 foi provocada pela fusão de dois resíduos estelares.

A super-nova de Kepler, da qual actualmente só permanece o remanescente de super-nova, teve lugar na direcção da constelação de Ofiúco, no plano da Via Láctea, a 16.300 anos-luz do Sol. Uma equipa internacional, liderada pela investigadora Pilar Ruiz Lapuente (Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona), na qual participa o investigador do IAC Jonay González Hernández, tentou encontrar a possível estrela sobrevivente do sistema binário no qual a explosão teve lugar.

Nestes sistemas, quando pelo menos uma das estrelas (a que tem a massa mais elevada) chega ao fim da sua vida e se torna numa anã branca, a outra começa a transferir matéria até um certo limite de massa (equivalente a 1,44 massas solares, o chamado “limite de Chandrasekhar”). Este processo leva à ignição central do carbono na anã branca, produzindo uma explosão que pode multiplicar 100.000 vezes o seu brilho original. Este fenómeno, breve e violento, é conhecido como super-nova. Às vezes, como na super-nova de Kepler (SN 1604), observada e identificada pelo astrónomo alemão Johannes Kepler em 1604, podem ser observadas a olho nu da Terra.

A super-nova de Kepler surgiu da explosão de uma anã branca num sistema binário. Portanto, nesta investigação científica publicada na revista The Astrophysical Journal, os astrónomos procuravam a possível companheira sobrevivente da anã branca, que supostamente transferiu massa até ao nível da explosão da anã branca. O impacto desta explosão teria aumentado a luminosidade e velocidade da companheira desaparecida. Poderia até ter modificado a sua composição química. De modo que a equipa procurou estrelas com alguma anomalia que lhes permitisse identificar uma delas como a companheira da anã branca que explodiu há 414 anos.

“Estávamos à procura – explica Pilar Ruiz Lapuente, investigadora do Instituto de Física Fundamental do Conselho Superior de Investigações Científicas (Madrid) e do Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona – de uma estrela peculiar como possível companheira da progenitora da super-nova de Kepler e, para isso, caracterizámos todas as estrelas em redor do centro do remanescente de SN 1604. Mas não encontrámos nenhuma com as características esperadas, de modo que tudo indica que a explosão foi provocada pelo mecanismo de fusão da anã branca com outra ou com o núcleo da já evoluída companheira.”

Para realizar esta investigação, foram usadas imagens obtidas com o Telescópio Espacial Hubble. “O objectivo era determinar os movimentos próprios de um grupo de 32 estrelas em redor do centro do remanescente de super-nova que ainda existe hoje,” comenta Luigi Bedin, investigador do Observatório Astronómico de Pádua (Instituto Nacional para Astrofísica, Itália) e co-autor do artigo. Também usaram dados obtidos com o instrumento FLAMES, instalado no VLT (Very Large Telescope) de 8,2 metros. Os cientistas caracterizaram as estrelas, a fim de determinar a sua distância e a sua velocidade radial em relação ao Sol. “As estrelas do campo da super-nova de Kepler são estrelas muito fracas, apenas acessíveis a partir do hemisfério sul com um telescópio de grande abertura como os telescópios do VLT,” comenta John Pritchard, investigador do ESO e outro dos co-autores deste estudo.

“Existe um mecanismo alternativo para produzir a explosão. Consiste na fusão de duas anãs brancas, ou a anã branca com o núcleo de carbono e oxigénio da estrela companheira, num estágio final da sua evolução, ambos os casos dando origem a uma super-nova,” explica Jonay González Hernández, investigador do IAC e co-autor da publicação. “No campo da super-nova de Kepler não vemos qualquer estrela que mostre anomalias. No entanto, – acrescenta – encontrámos evidências de que a explosão foi provocada pela fusão de duas anãs brancas ou uma anã branca com o núcleo da estrela companheira, possivelmente excedendo o “limite de Chandrasekhar”.

A super-nova de Kepler é uma das cinco super-novas “históricas” do tipo termonuclear. As outras quatro são a super-nova de Tycho Brahe, documentada pelo astrónomo dinamarquês em 1572 e que também foi antes investigada por esta equipa; SN 1006, também estudada pela equipa em 2012, SN 185 (que poderá ser a origem do remanescente RCW86); e a recentemente descoberta SNIa G1.9+03, que ocorreu na nossa Galáxia por volta de 1900 e era apenas visível no hemisfério sul.

Astronomia On-line
3 de Agosto de 2018

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645: INVESTIGADORES DESCOBREM SISTEMA COM TRÊS PLANETAS DO TAMANHO DA TERRA

Impressão de artista de um sistema planetário com três exoplanetas rochosos do tamanho da Terra.
Crédito: Gabriel Pérez Díaz, SMM (Instituto de Astrofísica das Canárias)

O IAC (Instituto de Astrofísica das Canárias) e a Universidade de Oviedo divulgaram a semana passada a descoberta de dois novos sistemas planetários. Um deles hospeda três planetas com o mesmo tamanho que a Terra.

As informações sobre estes novos exoplanetas foram obtidas a partir dos dados recolhidos pela missão K2 do satélite Kepler da NASA, que teve início em Novembro de 2013. O trabalho, que será publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, revela a existência de dois novos sistemas planetários detectados a partir dos eclipses que produzem na luz estelar das suas respectivas estrelas. Na equipa de investigação liderada por Javier de Cos da Universidade de Oviedo e Rafael Rebolo do IAC, participam, juntamente com investigadores destes dois centros, outros da Universidade de Genebra e do GTC (Gran Telescopio Canarias).

O primeiro sistema exoplanetário está localizado em redor da estrela K2-239, caracterizada pelos cientistas como uma anã vermelha do tipo M3V a partir de observações feitas com o GTC, no Observatório Roque de los Muchachos (Garafía, La Palma). Está situada na direcção da constelação do Sextante a 50 parsecs (cerca de 160 anos-luz) do Sol. Tem um sistema compacto de pelo menos três planetas rochosos de tamanho semelhante à Terra (1,1, 1,0 e 1,1 raios terrestres) que orbitam a estrela a cada 5,2, 7,8 e 10,1 dias, respectivamente.

A outra estrela anã vermelha chamada K2-240 tem duas super-Terras com aproximadamente o dobro do tamanho do nosso planeta. A temperatura atmosférica das anãs vermelhas, em torno das quais estes planetas orbitam, é de 3450 e 3800 K, respectivamente, quase metade da temperatura do Sol. Os investigadores estimam que todos os planetas descobertos têm temperaturas superficiais dezenas de graus acima da temperatura da Terra devido à forte radiação que recebem nestas órbitas próximas em torno das suas estrelas.

As futuras campanhas de observação com o JWST (James Webb Space Telescope) vão caracterizar a composição das atmosferas dos planetas descobertos. As observações espectroscópicas com o instrumento ESPRESSO, instalado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, ou com espectrógrafos futuros no GTC ou em novas instalações astronómicas com o ELT (Extremely Large Telescope) ou o TMT (Thirty Meter Telescope), serão cruciais para determinar as massas, densidades e propriedades físicas destes planetas.

Astronomia On-line
12 de Junho de 2018

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369: Investigadores descobrem galáxia intacta desde o início do universo

Os investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) confirmaram hoje a primeira detecção da uma “galáxia relíquia”, que está intacta desde o início do universo, segundo imagens do telescópio espacial Hubble.

Os resultados da investigação foram publicados hoje na revista “Nature” e o IAC explicou que apenas uma de cada mil galáxias maciças é uma relíquia do universo primitivo e conserva intactas as propriedades que tinha quando se formou há milhões de anos.

Quando os investigadores do Instituto de Astrofísica das Canárias e da Universidade de Laguna localizaram esta galáxia, solicitaram a possibilidade de observação com o telescópio Hubble para analisarem os aglomerados globulares que a rodeiam e assim confirmarem os dados que já tinham.

Os aglomerados globulares são agrupamentos de estrelas que flutuam em redor das galáxias e se formaram junto destas durante o seu nascimento.

Há dois tipos de populações de aglomerados globulares: os vermelhos, que nascem com as galáxias maciças, se encontram perto de seu centro e têm alto conteúdo de elementos mais pesados que o hélio; e os azuis, com menor percentual metálico e que estão ao redor das galáxias maciças como consequência de terem absorvido outras galáxias menores.

Os resultados da investigação publicados mostram que a galáxia NGC 1277 só possui os aglomerados globulares vermelhos que se formaram com ela em seu nascimento e, desde então, se tem mantido inalterada.

A galáxia NGC 1277 fica na área central do Aglomerado de Perseu, a maior concentração de galáxias próximas da Via Láctea e arredores.

DN
12 DE MARÇO DE 2018 21:49
DN/Lusa

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342: Novo modelo teórico tridimensional para antecipar futuras observações de exoplanetas

Bolsa Marie Skłodowska-Curie

Gabriella Gilli
Fonte IA

Gabriella Gilli, investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, pretende usar um novo modelo teórico tridimensional, análogo ao que é usado para descrever a atmosfera de Vénus, para antecipar as futuras observações de exoplanetas quentes de tipo terrestre.

O projecto de Gabriella Gilli é financiado pela Bolsa Marie Skłodowska-Curie e terá a Faculdade de Ciências como instituição de acolhimento. Gabriella Gilli estuda os processos físicos responsáveis pelo modo como variam as atmosferas de Vénus e de Marte. Vénus, em particular, é um planeta semelhante à Terra na aparência mas extremamente inóspito.

“Pretendemos disponibilizar predições fidedignas sobre o clima de exoplanetas parecidos com a Terra, deste modo abrindo o caminho para observações mais desafiantes, que irão alimentar a nossa esperança de encontrar planetas potencialmente habitáveis num futuro próximo.”
Gabriella Gilli.

A par de Gabriella Gilli também Tiago Campante, investigador do IA, recebeu uma bolsa Marie Skłodowska-Curie, que irá financiar um projecto de detecção e caracterizarão de planetas gasosos que orbitam estrelas mais evoluídas que o Sol, as chamadas gigantes vermelhas. Este apoio da Comissão Europeia foi atribuído a 1348 projectos.

FCUL-Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
02-03-2018

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