2381: Amanhã é o dia em esgotamos os recursos anuais do planeta e passamos a viver a crédito

Se todos os país “gastassem” o planeta como Portugal, o limite teria sido atingido a dia 26 de maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado.

© EPA/LAUREN DAUPHIN/NASA EARTH OBSERVATOY

A humanidade vai atingir na segunda-feira o limite dos recursos naturais da Terra disponíveis para este ano, três dias mais cedo do que em 2018, alerta a associação ambientalista Zero. Ou seja, este é o dia em passamos a viver a crédito e a esgotar os recursos do planeta a um ritmo não sustentável.

“Este ano o limite será atingido a 29 de Julho, três dias mais cedo do que em 2018, em que a data foi 1 de Agosto, sendo que a tendência tem sido a de adicionar o cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo, não obstante todo o discurso político e público sobre economia circular e neutralidade carbónica”, refere a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Todos os anos é apresentada uma estimativa sobre o dia em que a humanidade atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para esse ano, ou seja, o orçamento natural, habitualmente designado como ‘Overshoot Day’ (Dia de Sobrecarga da Terra)” e esse dia é segunda-feira, 29 de Julho.

Esta é a data mais recuada desde que o planeta entrou em défice ecológico no início dos anos 70, assinalou a organização internacional Global Footprint Network, que todos os anos faz este cálculo. A mesma organização indica que, nos últimos 20 anos, a data que a humanidade terá esgotado os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar foi antecipada três meses.

“Estamos a esgotar o capital natural da Terra”

A Zero refere que Portugal “é um contribuinte activo para esta situação”, uma vez que, “se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que o nosso país, seriam necessários 2,5 planetas”.

Este ano Portugal gastou os seus recursos naturais disponíveis no dia 26 de maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado.

“Actualmente, considerando a média mundial, estamos a consumir cerca de 1,75 planetas com a nossa voracidade de produção e consumo. A sobrecarga só é possível porque estamos a esgotar o capital natural da Terra, o que põe em causa o futuro da humanidade”, alerta a Zero.

Para inverter esta tendência, a associação propõe a adopção de “novas práticas”, nomeadamente na alimentação e na mobilidade.

Na alimentação, a Zero defende a promoção de uma dieta alimentar “saudável e sustentável”, com a “redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo hortícolas, frutas e leguminosas secas.

A associação defende, igualmente, a aposta na mobilidade sustentável, melhorando o acesso e as condições de operação dos transportes públicos e estimulando as formas de mobilidade suave.

Diário de Notícias
DN/Lusa
28 Julho 2019 — 12:30

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2188: A Humanidade poderia mover a órbita da Terra para escapar à morte do Sol

CIÊNCIA

(CCO/PD) Buddy_Nath / Pixabay

O Sol vai morrer e sufocar a Terra com a sua própria agonia. O engenheiro espacial Matteo Ceriotti defende que, para conseguir escapar a este terror, a Humanidade poderia empurrar a órbita da terra para uma distância segura e, assim, sair ilesa deste evento catastrófico.

No filme de ficção científica The Wandering Earth (Terra à Deriva), disponível na Netflix, a Humanidade tenta mudar a órbita da Terra para escapar do Sol em expansão e, assim, evitar uma colisão com Júpiter. Este cenário pode, um dia, tornar-se realidade, pelo menos de acordo com Matteo Ceriotti, engenheiro espacial da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Daqui a cinco mil milhões de anos, o Sol começará a morrer, expandindo-se a uma velocidade extrema, atormentando a Terra. Se quiserem escapar a esta obliteração cósmica, os seres humanos precisam de pensar com antecedência no plano B.

A melhor aposta da Humanidade é migrar para outro planeta. No entanto, com planeamento suficiente, Ceriotti acredita que poderia ser possível empurrar a órbita da Terra em redor do Sol para uma distância segura onde a explosão não nos atingiria.

A tecnologia de viagens espaciais está em expansão e os cientistas esperam que melhore consideravelmente nos próximos anos. Ainda assim, o investigador analisou números com base no padrão actual e chegou à conclusão que para impulsionar o nosso planeta até à distância da órbita de Marte, a Humanidade precisaria de minerar 85% da massa do planeta para construir foguetes suficientes (300 mil milhões) para empurrar os 15% restantes para a órbita do Planeta Vermelho.

Na The Conversation, o cientista explicou que a Ciência tem explorado várias técnicas para mover pequenos corpos, como asteróides, da sua órbita para proteger o nosso planeta de eventuais impactos. Algumas dessas técnicas são baseadas numa acção impulsiva e, muitas vezes, destrutiva: uma explosão nuclear perto ou até mesmo na superfície do asteróide – uma solução que não funcionaria no caso da Terra.

Outras técnicas envolvem um impulso suave e contínuo durante um longo período de tempo, fornecido por uma espécie de rebocador ancorado na superfície do corpo celeste, ou por uma nave espacial a pairar perto dele. Segundo o Futurism, esta solução também não pode ser aplicada ao nosso planeta, uma vez que a sua massa é enorme, comparada com os maiores asteróides.

Na verdade, nós já estamos a mover a órbita da Terra: quando lançamos uma sonda em direcção a outro planeta, ela transmite um pequeno impulso que empurra o nosso planeta na direcção oposta. Felizmente (ou infelizmente) este efeito é muito pequeno.

Assim, Matteo Ceriotti argumenta que o Falcon Heavy, da SpaceX, é o veículo de lançamento mais capaz que temos actualmente à disposição para o efeito, mas não seria suficiente.

Ceriotti argumentou que os propulsores a laser seriam mais eficazes do que os propulsores da Falcon Heavy, mas eles nem sequer existem. Por isso, pelo menos para já, a solução mais realista é encontrar um novo planeta para viver.

ZAP //

Por ZAP
17 Junho, 2019

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2187: Os humanos podem ter sido destinados a reinar sobre a Terra (e já sabemos porquê)

CIÊNCIA

Viktor M. Vasnetsov / Wikimedia

Se voltássemos atrás no tempo, a aleatoriedade dos eventos mudaria completamente o nosso caminho evolucionário. No entanto, os cientistas descobriram que os inúmeros trilhos possíveis poderiam não evitar que fossem os humanos a espécie dominadora.

O que aconteceria se voltássemos a um ponto aleatória na nossa história evolutiva e recomeçássemos o relógio do tempo? O paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould propôs este pensamento no final dos anos 80 e, ainda hoje, cativa a imaginação dos biólogos evolucionistas.

Gould calculou que, se o tempo fosse rebobinado, a evolução levaria o rumo da vida por um caminho completamente diferente e os humanos nunca voltariam a evoluir da mesma forma. De facto, o cientista considerou que a evolução da humanidade era tão rara que poderíamos repetir a história um milhão de vezes e não veríamos nada parecido com o Homo Sapiens.

Os eventos do acaso desempenham um papel enorme na evolução. Isto inclui extinções em massa gigantescas, como impactos de asteróides cataclísmicos e erupções vulcânicas. Mas os eventos aleatórios também operam na escala molecular. A mutação genética, que forma a base da adaptação evolucionária, depende de eventos fortuitos.

Simplificando, a evolução é o produto da mutação aleatória. Algumas mutações raras podem melhorar a hipótese de sobrevivência de um organismo em determinados ambientes em detrimento de outros. Esta aleatoriedade inerente sugere que diferentes formas de vida se originariam caso rebobinássemos o rolo da vida.

Óbvio que na realidade, é impossível rebobinar o relógio desta maneira. No entanto, os biólogos evolucionistas experimentais têm os meios para testar algumas das teorias de Gould numa micro-escala com bactérias. Os resultados foram divulgados num estudo publicado no ano passado na revista Science.

Os microrganismos dividem-se e evoluem muito rapidamente. Podemos, portanto, congelar milhões de células idênticas no tempo e armazená-las indefinidamente. Isso permite obter um subconjunto dessas células, desafiá-las a crescer em novos ambientes e monitorizar as alterações adaptativas em tempo real. Podemos ir do “presente” para o “futuro” e vice-versa quantas vezes quisermos.

Evidências do destino evolutivo

Muitos estudos de evolução bacteriana descobriram que a evolução segue caminhos muito previsíveis a curto prazo, com os mesmos traços e soluções genéticas frequentemente realizadas. Todas as populações em evolução nesta experiência mostram maior aptidão, crescimento mais rápido e células maiores do que as ancestrais. Isto sugere que os organismos têm algumas restrições sobre como podem evoluir.

Existem forças que mantêm os organismos em evolução numa linha recta e estreita. A selecção natural é o guia da evolução, reinando no caos de mutações aleatórias e estimulando mutações benéficas. Isto significa que muitas mudanças genéticas irão desaparecer ao longo do tempo, com apenas as melhores a resistirem.

Encontramos evidências disso na história da evolução, onde espécies que não estão intimamente relacionadas, mas compartilham ambientes semelhantes, desenvolvem um traço semelhante.

Por exemplo, Pterossauros e pássaros extintos evoluíram tanto nas asas quanto num bico distinto, mas não de a mesma espécie ancestral. Essencialmente, asas e bicos evoluíram duas vezes, em paralelo, devido a pressões evolutivas.

Mas a arquitectura genética também é importante. Certas localizações no genoma contribuirão para a evolução com maior frequência, ou com um efeito maior, do que outras — influenciando os resultados evolutivos.

Leis da Física

Mas e as leis da Física subjacentes — favorecem a evolução previsível? Em escalas muito grandes, parece que sim. Sabemos de muitas leis do nosso universo são certas, como por exemplo a gravidade e as teorias de Isaac Newton. Estas descrevem o universo como perfeitamente previsível.

Se a visão de Newton permanecesse perfeitamente verdadeira, a evolução dos humanos seria inevitável. No entanto, essa previsibilidade reconfortante foi abalada pela descoberta do mundo contraditório, mas fantástico, da mecânica quântica no século XX. Em escalas menores de átomos e partículas, a verdadeira aleatoriedade está em jogo — o que significa que o nosso mundo é imprevisível no mais fundamental nível.

Isto significa que as “regras” para a evolução permaneceriam as mesmas, não importando quantas vezes nós rebobinássemos a cassete. Por exemplo, haveria sempre uma vantagem evolutiva para os organismos que absorvem a energia solar. Mas, em última análise, a aleatoriedade, que é incorporada em muitos processos evolutivos, retira a nossa capacidade de “prever o futuro” com total certeza.

Há um problema na astronomia que funciona como uma analogia apropriada. Em 1700, um instituto matemático ofereceu um prémio para resolver “o problema dos três corpos“, que consiste em descrever precisamente a relação gravitacional e órbitas resultantes do Sol, da Terra e da Lua.

O vencedor, Joseph-Louis Lagrange, essencialmente provou que o problema não poderia ser resolvido exactamente. Assim como o caos introduzido por mutações aleatórias, um pequeno erro inicial inevitavelmente surgiria, o que significa que não se poderia determinar com exactidão onde os três corpos acabariam no futuro. Mas como o parceiro dominante, o Sol dita as órbitas de todos os três — permitindo-nos reduzir as possíveis posições dos corpos dentro de um alcance.

Isso é muito semelhante à evolução. Podemos não estar totalmente certos de onde os humanos estariam se rebobinássemos o tempo, mas os caminhos disponíveis para os organismos em evolução estão longe de ser ilimitados.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
17 Junho, 2019

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A “grande probabilidade” da humanidade extinguir-se em 30 anos

CIÊNCIA

Deserto (Reuters) © TVI24 Deserto (Reuters)

Já lá vai o tempo em que os cientistas e a população consideravam que as alterações climáticas seriam um problema que só afectaria as gerações futuras. A comunidade científica está a apelar aos governos para tomarem atitudes drásticas para conter um aquecimento devastador, e até mesmo fatal, para o planeta e que pode acontecer mais depressa do que se pensava.

Um novo estudo, publicado na terça-feira, alerta para o risco de extinção da própria humanidade nas próximas décadas, caso não sejam tomadas medidas urgentes. A investigação do Breakthrough National Centre for Climate Restoration, na Austrália, aponta para “a grande probabilidade de a civilização humana chegar ao fim” em 30 anos se as tendências actuais permanecerem inalteradas.

Segundo as conclusões, grande parte da Terra vai apresentar condições climatéricas “para lá do limiar da sobrevivência humana”, em 2050. Este cenário apocalíptico teve em conta prospeções científicas recentes, caso os objectivos do Acordo de Paris falhem, algo que se avizinha provável, de acordo com vários estudos e com o próprio Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Com base nas previsões, este grupo de cientistas desenhou a seguinte timeline:

De acordo com o relatório, em 2050, 55% da população mundial estaria sujeita a mais de 20 dias anuais de calor superior ao aceitável pelo organismo humano. Em vários países africanos, estas ondas de temperaturas elevadas durariam mais de 100 dias por ano, afectando a agricultura e a possibilidade de produzir bens alimentares.

Aliado ao calor, a Terra seria atormentada por eventos meteorológicos extremos, como secas, incêndios florestais e cheias.

A falta de recursos e mantimentos poderia adensar as tensões sociais em muitos países, fazer proliferar doenças e pandemias e, até, levar a uma guerra à escala mundial, que culminaria, por fim, na extinção da humanidade.

Será que estamos a caminhar para este desastre apocalíptico?

O estudo aponta que estas são previsões “extremas”, que, no pior cenário possível, culminariam com “o fim da civilização humana”. Contudo, os cientistas afirmam que é possível limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius se os governos se aliarem e agirem imediatamente.

Um conselho que foi já dado, vezes sem conta, pelo Secretário-Geral da ONU. Há dois anos, enquanto discursava na Web Summit, António Guterres admitiu que “o Acordo de Paris não é suficiente e mesmo que os objectivos do comité sejam alcançados, as temperaturas vão subir mais de três graus [até ao final do século] e também é claro que nem todos os países estão a cumprir aquilo que foi estabelecido”.

Num discurso mais recente, em Setembro de 2018, numa conferência especial do clima, salientou que, se os governos de todo o mundo não tomarem medidas para deter o aquecimento global até 2020, corremos o risco de perder a batalha contra as alterações climáticas.

Em Novembro do mesmo ano, um relatório da ONU deu mais algumas más notícias sobre os progressos (ou a falta deles) no ambiente desde que o Acordo de Paris foi assinado. Segundo o “Emissions Gap Report 2018”, as nações de todo o mundo estão a falhar a tarefa de limitar o aquecimento global em 2 graus e precisam do triplo dos esforços para atingir os objectivos até 2030.

O relatório anual afirmava ainda que, em vez de diminuir, o nível global de emissões de CO2 aumentou em 2017 0,7 giga-toneladas, fixando-se agora em 53,5 giga-toneladas. Para limitar o aquecimento global em 1,5 graus, as emissões de gases com efeito de estufa devem ser reduzidas em 55% até 2030, e em 25% para travar um aquecimento de 2 graus.

Durante a abertura da cimeira COP24, a presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Espinosa, garantiu que, ao ritmo que estamos a testemunhar as mudanças hoje em dia,a humanidade está em “risco de desaparecer. Precisamos de tomar acções urgentes e com audácia. Sejam ambiciosos, mas também responsáveis pelas gerações futuras”.

O retrato negro desta “futurologia climática” não se fica por aqui. Segundo um estudo publicado pelo Met Office, do Reino Unido, a média de temperaturas globais na Terra pode ultrapassar os objectivos do Acordo de Paris em apenas cinco anos. Os cientistas desta instituição estão a prever um aumento provável da temperatura em mais de 1 grau, até 1,5 graus Celsius, em relação ao níveis pré-industriais antes de 2022.

As previsões vão também ao encontro das conclusões publicadas num relatório da Organização Meteorológica Mundial, divulgado em Novembro do ano passado. Os dados recolhidos pela instituição apontam para um provável aumento das temperaturas globais entre 3 e 5 graus Celsius até ao final do século.

Neste documento foram ainda publicados os seguintes indicadores preocupantes:

Os modelos climáticos para as mudanças possíveis provocadas pelas alterações climáticas já fizeram correr muita tinta nos últimos anos, mas um estudo destacou-se em relação aos restantes, pela firmeza com que sublinhou que os cenários mais pessimistas do clima “são os mais fiáveis“. Esta investigação, publicada no jornal “Nature”, indica que, se as emissões seguirem as tendências actuais, há 93% de hipóteses de o aquecimento global ultrapassar os 4 graus até ao final deste século.

A ciência mostra-nos também hoje que aqueles que nas últimas décadas se dedicaram ao estudo do aquecimento global falharam importantes previsões. Não souberem quantificar a dimensão e a gravidade que estão a assumir os fogos florestais, as secas, as chuvas e as tempestades; falharam na avaliação do degelo na Antárctida e na Gronelândia, bem como na sua implicação para a subida do nível do mar; e falharam na identificação de uma série de problemas de saúde pública, que matam já milhares de pessoas por ano.

Dados recentes deixam preocupações crescentes com o ambiente

A luz ao fundo do túnel

O ano de 2030 parece ser apontado como a meta para salvar ou condenar o planeta Terra. De acordo com a ONU, temos 11 anos para limitar o aquecimento global em 1,5 graus. As Nações Unidas garantem que, para isso, são necessárias “transições sem precedentes em todos os aspectos da sociedade“.

Para tal, a ONU aponta que é necessário limitar a produção de gases com efeito de estufa, que, apesar de terem crescido em 2017, viram uma estagnação nos dois anos precedentes.

Para além disto, os especialistas salientam que o cumprimento das metas do Acordo de Paris pode salvar mais de um milhão de vidas por ano. Para isto, os países que assinaram o tratado foram chamados a assinar um “manual de condutas” para assegurar que todos os objectivos são cumpridos, na cimeira do COP24, que se realizou em Dezembro de 2018.

Para além disto, estão a ser desenvolvidas tecnologias que visam combater as alterações climáticas. A força crescente das energias renováveis está já a impedir que milhões de toneladas de CO2 cheguem à atmosfera.

Esta diminuição pode ainda ser especialmente sentida em Portugal que, de acordo com dados da Eurostat, reduziu emissões de CO2 em 9%, mais do triplo da média europeia (2,6%).

Por fim, há ainda a esperança que os EUA voltem a integrar o Acordo de Paris e a juntar forças com os restantes países do mundo para tentar travar o aquecimento global.

msn notícias
tvi24
Susana Laires



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2095: Um “caixão” nuclear pode estar a verter partículas radioactivas no Oceano Pacífico

No início deste mês, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse estar preocupado que uma espécie de caixão com décadas de idade possa estar a verter partículas radioactivas no Oceano Pacífico.

Entre 1946 e 1958, o governo dos Estados Unidos testou 67 armas nucleares nas Ilhas Marshall, incluindo a bomba de hidrogénio Bravo de 1954, mil vezes maior que a bomba atómica de Hiroshima – a maior e mais poderosa arma nuclear já detonada pelos EUA.

Os testes ocorreram na superfície de lagoas de atol, muitas das ilhas e debaixo de água. Este sedimento contaminado de ilhas locais poderá ter eventualmente fluído para o Oceano Pacífico Norte.

No final dos anos 1970, o governo dos EUA recolheu solo radioactivo de ilhas vizinhas contaminadas e enterrou cerca de 84 mil metros cúbicos numa cratera criada por uma bomba no Atol de Enewetak. As autoridades cobriram a precipitação com uma cúpula de betão de 45 centímetros de espessura que se tornou conhecida como Cactus Dome, ou Runit Dome – mas era supostamente uma solução temporária.

O fundo do poço não foi revestido e, como a exposição causou a formação de rachaduras na cúpula, as autoridades estão preocupadas com a possibilidade de estarem a libertar material radioactivo no oceano, uma ameaça que só deve piorar com o aumento do nível do mar e aumento da frequência de tempestades intensificadas pela mudança climática.

“Está cheia de contaminantes radioactivos que incluem o plutónio-239, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas pelo homem”, disse o senador Jack Ading, da Marshall Islands, à Agência France-Presse. “O caixão está a verter veneno no meio ambiente.”

Depois de os militares dos EUA se retiraram da região em 1986, pagou-se um “acordo completo de todas as reivindicações, passadas, presentes e futuras” relacionadas com o programa de testes nucleares. No entanto, muitos argumentam que as retribuições não foram suficientes.

“Acabo de estar com o presidente das Ilhas Marshall, que está muito preocupado porque há um risco de derrame de materiais radioactivos que estão contidos numa espécie de caixão na área”, disse Guterres em Fiji.

Uma inspecção dos EUA em 2013 descobriu que a precipitação radioactiva nos sedimentos da lagoa já é tão alta que até mesmo uma “falha catastrófica” não resultaria num aumento na exposição à radiação para cerca de 800 residentes. As descobertas confirmaram uma “rápida resposta da maré” ao aumento da água subterrânea sob a estrutura.

Sob um cenário de libertação mais plausível, existe o potencial de contaminação das águas subterrâneas do domo para o ambiente marinho.

Um estudo de 2018 que calculou os fluxos de radioactividade nas águas da lagoa descobriu que os Atóis Bikini e Enewetak ainda são uma fonte de longo prazo de Plutónio e Césio para o Pacífico Norte. Além disso, níveis mais altos de precipitação radioactiva na água do mar e nos sedimentos são encontrados mais nesta região do que nos oceanos do resto do mundo. Em particular, o Runit contribui para cerca de metade do plutónio na coluna de água da lagoa Enewetak.

No entanto, os investigadores concluíram que as águas subterrâneas debaixo da cúpula não são uma fonte significativa. O governo acrescenta que a água subterrânea que flui para o recife oceânico será “muito rapidamente diluída” e resultaria em pouco ou nenhum aumento mensurável na radiação para populações marinhas ou humanas.

ZAP //

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2 Junho, 2019



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2079: Os extraterrestres poderão ajudar a salvar a Humanidade

KELLEPICS / pixabay

Avi Loeb, presidente do departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, alertou que a Humanidade por estar a traçar o mesmo caminho que ditou o fim de civilizações alienígenas avançadas. No entender do especialista, o passado destes seres extraterrestres pode ser útil para salvar o futuro da Humanidade.

As alterações climáticas que há décadas mudam o planeta e a fabricação de armas cada vez mais poderosas podem ser indícios de um caminho perigoso para o Homem.

Segundo Avi Loeb, um comportamento semelhante a este pode ter dizimado raças avançadas de seres alienígenas. “Uma possibilidade é que estas civilizações, baseadas na forma como nos comportamos actualmente, tenham uma vida vida curta“, disse Loeb na semana passada, durante uma palestra na The Humans to Mars Summit, que decorreu na cidade norte-americana de Washington.

“[Estes seres alienígenas] pensam a curto prazo e produzem ferimentos auto-infligidos que podem acabar por matá-los”, defendeu o especialista, citado pelo Live Science.

No entender de Loeb, a procura por vida extraterrestre deve ser ampla o suficiente para rastrear artefactos deixados por civilizações entretanto desaparecidas, tais como superfícies planetárias queimadas e produtos de guerra nuclear em mundos alienígenas.

Caso se encontrem outros tipos de vida diferentes dos que conhecemos, esta será a maior descoberta científica de sempre, defende Loeb, considerando ainda que estes seres podem trazer um benefício adicional ao Homem: servir-lhe de exemplo, colocando a Humanidade num caminho mais orientado e sustentável.

“A ideia é que possamos aprender algo no processo. Podemos aprender a comportar-nos melhor uns com os outros, a não iniciar uma guerra nuclear, a monitorizar o nosso planeta e garantir que este seja habitável enquanto pudermos mantê-lo habitável”.

Potencialidades tecnológicas

Loeb aponta ainda que há outras razões para a procura de seres extraterrestres, sobretudo no que respeita às potencialidades tecnológicas. “A nossa tecnologia tem apenas um século, mas se uma outra civilização tiver tido mil milhões de anos para desenvolver viagens espaciais, podem ensinar-nos a fazê-lo”, afirmou.

“A minha esperança passa por encontrar civilizações mortas que nos inspirem a ter um melhor comportamento e a actuar melhor em grupo (…) A outra esperança que temos é que, assim que deixemos o Sistema Solar, receberemos uma mensagem de volta: ‘Bem-vindos ao clube interestelar’. E aí vamos descobrir que há muito tráfego que não conhecíamos”, elencou o especialista.

Na verdade, defende Loeb, podemos ter tido já um vislumbre deste tráfego com o Oumuamua, o primeiro objecto interestelar já observado no Sistema Solar. O objecto, que foi também rotulado de Mensageiro das Estrelas, pode ser uma nave alienígena, como já insistiu o Professor de Harvard.

Apesar de todas as hipóteses sobre este corpo – que passam também pela possibilidade deste ser um asteróide – o especialista enfatiza que o importante é manter a mente aberta, não descartando nenhuma opção de forma precipitada. “Devemos manter a mente aberta e não presumir que sabemos a resposta antecipadamente (…) Não precisamos fingir que sabemos de alguma coisa”, rematou.

ZAP //

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31 Maio, 2019

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2050: Físico diz que Marte é o único planeta para onde humanos podem fugir

CIÊNCIA

Goddard Space Center / NASA

Segundo o físico Brian Cox, o Planeta Vermelho pode ser a única opção caso os humanos tenham de abandonar o planeta Terra. O cientista diz que “não podemos ficar aqui para sempre”.

O professor e apresentador Brian Cox prevê um futuro sombrio para os humanos que desejam viajar pelo Universo e pisar noutros planetas. O tablóide britânico Daily Star relata que o cientista teorizou, traçando a exploração da humanidade do nosso Sistema Solar, que o vizinho mais próximo do nosso planeta, Marte, incrustado por gelo, é “na verdade o único lugar” onde a humanidade pode ir além da Terra.

“Em qualquer cenário plausível, não há outro lugar para onde os humanos possam ir para começar a sair do planeta, a não ser Marte. Se pensarmos noutros planetas, não há nenhum que possamos ir”, afirmou Cox.

O físico não tem dúvidas de que os humanos um dia deixarão o planeta porque “não podermos ficar aqui para sempre”. “Pode ou não haver marcianos e precisamos de descobrir. Mas haverá marcianos se quisermos ter um futuro. Em algum momento seremos, nós mesmos, marcianos”, observou.

Não há muito tempo, Brian Cox destacou que o destino da humanidade poderia corresponder, não só a Marte, mas também a Vénus e Mercúrio, que poderiam ter tido oceanos e rios na superfície.

Cox e o co-autor da próxima edição do livro Planetas, Andrew Cohen, definiram Marte como o local mais provável para a evolução da vida. “Era uma vez um Planeta Vermelho que brilhava com uma luz azul. Os riachos corriam pelas encostas e os rios corriam pelos vales”, observaram.

Um dos mais persistentes entusiastas das viagens a Marte, fundador multimilionário da SpaceX e Tesla, Elon Musk, revelou anteriormente que a colonização do Planeta Vermelho poderia assegurar uma fuga para a raça humana em caso de um cenário apocalíptico iminente.

Numa sessão de perguntas e respostas no ano passado, Musk apontou “alguma probabilidade” de uma nova Era das Trevas, “especialmente se houver uma terceira guerra mundial”.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
26 Maio, 2019

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2045: Os futuros colonos de Marte poderão ter miopia, ossos mais densos e até outra cor de pele

CIÊNCIA

Caso os seres humanos consigam colonizar Marte, os novos colonos do Planeta Vermelho vão sofrer uma série de mutações que os distanciará dos humanos da Terra. Estas alterações serão tão drásticas que os habitantes de Marte não poderão ter filhos com os habitantes da Terra.

Esta é a conclusão de Scott Solomon, professor da Rice University, nos Estados Unidos. Num artigo na Inverse, o investigador explica que Marte tem difíceis condições de vida, o que levará a uma alta taxa de mortalidade entre os primeiros colonos.

Para inverter a mortalidade, e tendo em conta o elevado nível de radiação, os colonos vão sofrer uma série de mutações genéticas que os ajudará na adaptação ao planeta.

“Se uma mutação aparece em pessoas que vivem em Marte e lhes dá uma vantagem de sobrevivência de 50%, é uma grande vantagem, certo? E isso significa que os indivíduos vão transmitir estes genes a uma taxa muito mais rápida do que noutros casos”, sustenta.

Segundo o biólogo, o aumento da densidade óssea, o aparecimento da miopia como característica congénita, a mudança da cor de pele e a capacidade de usar oxigénio de uma forma mais eficiente são algumas das adaptações mais prováveis entre os colonos.

Contudo, explicou o biólogo, a maior e mais rápida mudança seria a perda do sistema imunológico, já que este será desnecessário no ambiente estéril da novas colónias. Neste ambiente, sem microrganismos, os residentes não necessitarão de ter um corpo capaz de combater germes ou bactérias. Solomon acredita que este ambiente poderia até fornecer uma oportunidade para erradicar doenças.

É também a ausência de sistema imunitário que impedirá que marcianos e terráqueos possam ter filhos. Poderia ser letal. No entender do biólogo, esta questão pode forçar humanos e futuros marcianos a separarem-se irreversivelmente.

As adaptações mais vantajosas poderiam ser aceleradas através da edição de genes, acredita o cientista. “Por que esperar que esta mutação ocorra se pudermos fazê-la acontecer por nos próprios?, questiona o cientista.

Contudo, importa frisar, a trajectória evolutiva da população marciana dependeria da diversidade genética. Ou seja, para obter o melhor resultado possível, a colónia deveria ter centenas de milhares de pessoas de todas as populações genéticas da Terra.

ZAP //

Por ZAP
25 Maio, 2019

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1926: A Humanidade pode ter chegado à Terra “à boleia” de um Oumuamua

ESA / M. Kornmesser / European Southern Observatory

Cientistas colocam a hipótese de a Humanidade ter chegado à Terra vinda de um outro sistema solar. Os humanos podem ter sido trazidos por um objecto semelhante ao Oumuamua.

O Oumuamua continua a ser um quebra-cabeças para os cientistas, que entre teorias de que a Terra pode guardar um no seu interior ou que se trata de uma nave alienígena, há uma nova que pode explicar o fenómeno de objectos como este.

Depois de cientistas sugerirem que o Oumuamua pode não ter sido o primeiro meteoro a passar pela Terra, abre-se agora a possibilidade de este fenómeno ter acontecido mais vezes do que pensávamos. A opinião é partilhada por Bill Bottke, que dirige o Departamento de Estudos Espaciais do Southwest Research Institute no Colorado.

O cientista acredita que objectos como o Oumuamua podem ser responsáveis pela transferência de vida de um mundo para outro – uma ideia conhecida como panspermia. O tamanho do Oumuamua é desconhecido, mas segundo a Sputnik News, os cientistas acreditam que tenha cerca de 800 metros comprimento.

O objecto causa intriga na comunidade científica, já que apresenta uma “aceleração não-gravitacional” ao se afastar do Sol. A teoria é que este seja um corpo gelado e os seus estranhos movimentos sejam causados por uma fuga de gás.

“Isso indica que o gelo pode sobreviver a estas distâncias interestelares”, afirmou a astro-bióloga Karen Meech, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havai. A especialista em astrobiologia acredita que um objecto como o Oumuamua pode ter viajado pelo espaço durante mais de 10 milhões de anos até chegar ao nosso sistema solar. Contudo, a sua origem continua a ser um mistério para os astrónomos.

Se o Oumuamua seria capaz de trazer a Humanidade com ele, é ainda difícil de provar. A Sputnik News explica que não é possível saber se quaisquer criaturas a bordo conseguiriam sobreviver ao impacto com a Terra, relembrando que o objecto passou a 215.000 quilómetros por hora.

Ao todo, quase 100 objectos semelhantes ao Oumuamua já atingiram o planeta Terra durante a sua existência. Até hoje, não se sabe se algum deles transportava vida em si.

ZAP // Sputnik News
Por ZAP
5 Maio, 2019

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1829: Os denisovanos podem ter sobrevivido até hoje (e podem estar escondidos numa ilha do Pacífico)

CIÊNCIA

Randii Oliver / NASA

Uma equipa internacional de investigadores, liderada por Murray Cox, da Massey University, apresentou uma série de dados que podem alterar o que se sabe sobre a evolução da nossa espécie.

Os resultados, apresentados a especialistas na Conferência da Associação Americana de Antropologia Física, serão publicados em breve numa revista científica.

Cox assegurou que os nossos antepassados directos podem ter-se misturado com os denisovanos até há “apenas” 15 mil anos, muito mais recentemente do que se pensava anteriormente. Para chegar a essa conclusão, Cox e sua equipa realizaram uma análise detalhada do ADN dos actuais habitantes da Indonésia e da Papua Nova Guiné.

Como os paleontólogos bem sabem, quando o Homo sapiens saiu pela primeira vez de África, a nossa espécie foi-se encontrando e misturando com outras classes de hominídeos, entre eles os Neandertais e os Denisovanos.

Esses encontros deixaram o seu testemunho nos nossos genes fazendo com que, hoje, todos os seres humanos de ascendência não-africana tenha no seu ADN cerca de 4% do ADN neandertal, enquanto algumas populações asiáticas retêm uma percentagem semelhante de ADN denisovano.

O problema é que sabemos muito sobre os neandertais, mas ainda muito pouco sobre os denisovanos. Os únicos restos descobertos até agora consistem em alguns dentes e alguns pequenos fragmentos de ossos descobertos numa caverna siberiana.

Testes genéticos sugerem que os denisovanos também tiveram de viver muito mais ao leste e ao sul da Sibéria. A nossa espécie cruzou-se com eles pelo menos duas vezes, na Ásia e na Australásia, como mostram os genomas de algumas populações de Papua Nova Guiné, que conservam até 5% de ADN de denisovano.

Até agora, no entanto, os estudos genéticos realizados concentraram-se numa pequena parte do ADN das pessoas analisadas. Por essa razão, e para ter uma imagem mais completa, Cox e a sua equipa decidiram realizar o que é o primeiro estudo em larga escala de genomas completos dos habitantes actuais da Indonésia e da Papua Nova Guiné.

Os investigadores, com efeito, sequenciaram o ADN completo de 161 pessoas diferentes para o seu trabalho. Os resultados foram surpreendentes.

De acordo com Cox, naquela parte do mundo, os nossos ancestrais directos cruzaram-se pelo menos com dois grupos diferentes de denisovanos: um há cerca de 50 mil anos; e outro muito mais recentemente, no máximo há 15 mil anos.

Cox chegou a esta última data depois de verificar que os genes da segunda “travessia” são muito mais comuns nas pessoas que vivem na ilha maior de Papua Nova Guiné, na qual vivem nas numerosas ilhas próximas. Isto indica que a mistura aconteceu depois de os ancestrais da ilha terem ido embora.

Evidências arqueológicas sugerem que a migração para as ilhas ocorreu há 30 mil anos. Mas ao comparar os genomas dos “continentais” e dos ilhéus, a equipa de Cox adia a data até 15 mil. A única explicação para os dados genéticos encontrados é ter havido cruzamentos adicionais entre “continentais” e denisovanos.

Seria possível que em algumas dessas ilhas remotas ainda houvesse uma população que descenda directamente dos denisovanos? O próprio Cox diz que não acredita nessa possibilidade, já que “até as ilhas mais isoladas têm demasiado contacto para que algo não seja notado”. Improvável sim, mas não impossível.

Os novos dados revelam considerável diversidade genética entre os próprios denisovanos. Por exemplo, o primeiro grupo que cruzou com os nossos ancestrais em Papua Nova Guiné é, geneticamente, tão diferente do osso da caverna da Sibéria como é em relação aos neandertais, que é um ramo completamente diferente da árvore genealógica à qual o Denisovanos pertencem.

Por isso, há muito tempo atrás, existia na Terra uma população que era tão rica e diversa como a dos humanos modernos.

ZAP //

Por ZAP
10 Abril, 2019

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1817: Clima, guerra, asteróides, 300 milhões de sociopatas e outras ameaças à Humanidade

Inteligência Artificial

psdholic / Deviant Art

Estarão os humanos destinados a ter o mesmo futuro que os dinossauros e os extintos dodós?

A Humanidade enfrenta actualmente inúmeros perigos potencialmente fatais, entre os quais as alterações climáticas, o risco de guerra nuclear, uma pandemia e mesmo a possibilidade de a Terra ser atingida por um asteróide gigante.

O filósofo e apresentador de rádio David Edmonds discute estes riscos com especialistas que dedicaram suas vidas profissionais a investigar como podemos mitigá-los, para tentar responder à grande questão: os seres humanos vão sobreviver até ao fim do século?

Até meados do século XX, pensávamos que vivíamos num lugar relativamente seguro, mas esse já não é agora o caso. Os riscos existenciais que ameaçam trazer destruição à humanidade são muitos, e variados.

“Um risco existencial é um tipo de ameaça à humanidade ou aos nossos descendentes que simplesmente nos aniquilaria”, explica Anders Sandberg, investigador do Instituto do Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford.

Asteróides gigantes

Até 1980, não sabíamos que a Terra estava sujeita a catástrofes a uma escala global resultantes da colisão de corpos rochosos vindos do espaço sideral.

Mas nessa ano, uma dupla de cientistas, Luis e Walter Alvarez, pai e filho, mudou tudo o que julgávamos saber sobre a ameaça de corpos celestes ao publicar a sua teoria de que os dinossauros tinham sido mortos por um asteróide que colidiu com a Terra (e não só).

A hipótese de Alvarez foi posteriormente secundada por um painel internacional de cientistas, após a descoberta da cratera de um asteróide gigante na península do Iucatão, no México – que, disse à BBC o biólogo Ben Garrod, não podia ter caído em pior sítio.

No entanto, os cientistas que estudam riscos existenciais consideram que a probabilidade de o mundo acabar com uma colisão com um asteróide é muito remota comparada com outros riscos – nomeadamente os que nós próprios estamos a criar.

Sobre-povoamento, esgotamento de recursos e clima

A investigadora Karin Kuhlemann, da University College London, estuda a relação entre a questão populacional e os riscos representados pelas mudanças climáticas – um assunto que raramente tem espaço nas manchetes dos jornais.

Tal como o esgotamento dos recursos naturais, o impacto do crescimento exponencial da população do planeta é um tema que nos faz sentir mal, pelo que preferimos não pensar muito nele, considera a cientista.

Apesar disso, os dois assuntos estão interligados, diz Karin, e a culpa é nossa. “As alterações climáticas são consequência do sob-repovoamento, tal como o esgotamento dos recursos naturais, e as duas coisas retro-alimentam-se”, sustenta a cientista.

“Os recursos naturais do planeta estão a esgotar-se, usamos mais petróleo para compensar essa escassez, o que agrava as alterações climáticas“, diz a investigadora britânica. “Se a população não parar de crescer, será praticamente impossível impedir o avanço das mudanças climáticas”.

Curiosamente, a diminuição drástica de uma população também pode ter um impacto imprevisível nas alterações climáticas. Segundo um estudo do University College London, a colonização do continente americano pelos portugueses e espanhóis no fim do Século XV, provocou tantas mortes que fez descer a temperatura da Terra.

A destruição da biodiversidade

A Humanidade tem estado a viver como se a eliminação da vida selvagem fosse apenas “um infortúnio”. Mas segundo sustentam alguns investigadores, até ao fim da primeira metade deste século não haverá peixes no mar em quantidade suficiente para sustentar a pesca comercial. Isso quer dizer que não haverá peixe à venda no mercado.

Outra grande preocupação da comunidade científica é com os insectos, que estão também a desaparecer, lentamente mas de forma inexorável, assim como algumas espécies de aves – nomeadamente, as que se alimentam de insectos.

Os cientistas não param também de alertar que as abelhas vão desaparecer em breve, e esse desaparecimento massivo, causado pelas alterações climáticas, poderia ser catastrófico também para os humanos, podendo levar à fome a nível mundial.

“Não sabemos exactamente qual é o impacto da erradicação da biodiversidade no nosso mundo”, diz Karin Kuhlemann, “mas uma coisa é certa: ela não nos beneficia.

Pandemias

A investigadora Lalitha Sundaram do Centro de Risco Existencial, em Inglaterra, tem uma missão: avaliar riscos biológicos que possam colocar em risco a população mundial. Sundaram recorda a Gripe Espanhola, de 1918, explicando que se estima que a doença tenha provocado a morte de 50 milhões a 100 milhões de pessoas.

A pandemia aconteceu após a grande onda migratória que se seguiu à Primeira Guerra (1914-1918). Enviadas de volta a casa após o conflito, milhões de pessoas forçadas a viver em espaços confinados criaram as condições propícias à propagação da mortífera doença.

Um caso paradigmático foi o do Brasil, invadido pela gripe espanhola transportada a bordo pelo Demerara, navio procedente da Europa. Em Setembro de 1918, sem saber que trazia a terrível mutação do vírus, o transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio.

No mês seguinte, o país todo estava submerso na que é até hoje é a mais devastadora epidemia da sua história, provocando a morte a 30 mil pessoas, entre as quais o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, eleito em Março de 1918 para um segundo mandato, que caiu à cama com a doença e nem chega a tomar posse.

Senado Notícias
Há 100 anos, a gripe espanhola devastou o Brasil e matou o presidente do país, Rodrigues Alves

“É por isso que, apesar de termos actualmente melhores vacinas e cuidados médicos mais avançados, a globalização traz alguns perigos“, considera Sundaram. Na altura da Gripe Espanhola, as pessoas viajavam de comboio ou barco, mas na era das viagens aéreas, as doenças podem espalhar-se mais depressa, com consequências graves.

Também o multimilionário Bill Gates está preocupado com o perigo de uma pandemia. O fundador da Microsoft diz que uma epidemia de gripe mortal é uma das maiores ameaças à Humanidade.

“Se alguma coisa pode matar dezenas de milhões de pessoas em pouco tempo é uma epidemia global. E a doença seria muito provavelmente uma forma de gripe, porque o vírus da gripe espalha-se facilmente pelo ar”, diz Gates. “Actualmente, uma gripe tão contagiosa e letal como a de 1918, mataria 33 milhões de pessoas em seis meses.”

Ameaças de indivíduos. São 300 milhões

A maior parte dos riscos existenciais criados pelos seres humanos não é intencional. Mas à medida que a ciência e a tecnologia avançam, é cada vez mais preocupante a possibilidade de ataques catastróficos propositados, como, por exemplo, a criação de um vírus de laboratório usando biotecnologia.

Se houvesse um botão do fim do mundo que pudesse destruir-nos a todos, há um número preocupante de pessoas que escolheria usá-lo, revela Phil Torres, investigador do Future of Life Institute.

Esses “apertadores de botões” podem ser extremistas religiosos que acreditam que foram enviados por Deus para destruir o mundo, normalmente como forma de o salvar, como é o caso da seita japonesa Aum Shinrikyo.

Também corremos riscos com o que Torres descreve como “actores idiossincráticos” – pessoas cuja motivação para provocar a extinção humana (em pequenos grupos ou em massa, consoante o seu potencial criativo) são meramente “motivos pessoais”.

Mas quantos “apertadores de botões” há afinal por aí à solta?  Os especialistas estimam que haja actualmente cerca de 300 milhões de sociopatas no mundo, muitos dos quais poderiam representar uma ameaça – e não apenas para o vizinho do lado.

Guerra nuclear

Uma guerra nuclear provavelmente não nos mataria a todos, mas os seus efeitos posteriores, talvez. A extinção humana que se sucederia a uma guerra nuclear seria uma combinação da devastação inicial, do caos económico e do impacto ambiental global.

Segundo explica Seth Baum, investigador do Global Catastrophic Risk Institute, os incêndios e a devastação resultantes de uma explosão nuclear poderia lançar poeira por cima das nuvens, para a estratosfera. Essa poeira poderia permanecer na estratosfera durante décadas, bloqueando a luz do sol, terminando lentamente a tarefa de extinção da Humanidade onde a deflagração das bombas não tivesse conseguido chegar.

Embora o risco de deflagração de um conflito nuclear global pareça uma história longínqua dos tempos da Guerra Fria, a verdade é que esse risco não é nulo – e na realidade, uma mera falha de sistema (ou simples erro humano) pode provocar a III Guerra Nuclear.

Mais do que isso, “o perigo de catástrofe nuclear está no seu nível mais elevado desde os tempos da Guerra Fria”, sustenta William Perry, antigo secretário da Defesa dos Estados Unidos. E o especialista em geo-estratégia Robert Farley, professor do Colégio Militar dos EUA, aponta mesmo os cinco locais em que pode começar em 2019.

Inteligência artificial

Apesar da ameaça de um conflito nuclear ser preocupante, há quem considere que os riscos associados à Inteligência Artificial são maiores. É o caso de Elon Musk, fundador da Tesla e SpaceX, para quem a IA é mais perigosa que ogivas nucleares. “Estou muito próximo da IA e devo dizer que me assusta muito”, diz Musk.

O empresário teme que o desenvolvimento da Inteligência Artificial dê origem ao poder ditatorial de um robô, ao qual ninguém pode escapar.

“Na era da inteligência artificial podemos vir a criar um ‘ditador imortal ao qual nunca escaparíamos’”, explica Elon Musk no documentário “Confias no teu computador?“, produzido pelo cineasta Chris Paine.

Musk diz ainda que a III Guerra Mundial será causada (e ganha) pela Inteligência Artificial, mas os riscos associados à inteligência artificial não surgem apenas em cenários dantescos semelhantes aos retratados pela saga de filmes “Terminator”, na qual as máquinas ganham consciência e lançam um ataque devastador para exterminar a Humanidade.

Muito antes de as máquinas poderem estar em condições de nos conquistar pelas armas, podem simplesmente causar o caos no planeta. Por exemplo, num mundo cada vez mais automatizado, um qualquer algoritmo autónomo distraído pode por acidente causar um colapso do mercado global de acções e provocar a implosão da economia.

Como reduzir os riscos existenciais?

Afinal, quão precária é a nossa civilização? Depende essencialmente do risco em causa. O mais importante é que o futuro não está determinado. A altura para agir é agora, e a comunidade científica em todo o mundo procura respostas.

Sandberg, por exemplo, estuda forma de manter as máquinas sob controlo humano. Inúmeros outros cientistas estudam formas de responder a catástrofes como uma pandemia, como impedir as alterações climáticas adicionando poeira à estratosfera, ou como sobreviver a um “inverno nuclear” com uma dieta de cogumelos.

Para Karin Kuhlemann, a batalha mais importante é reverter o crescimento populacional. “Precisamos de mudar as normas sociais sobre o tamanho das famílias, deixando de lado a postura de que todos podemos ter vários filhos e consumir quanto quisermos”, diz. Nesse sentido, todos podemos ajudar a prevenir uma catástrofe global.

AJB, ZAP // BBC

Por CC
8 Abril, 2019

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1731: Cientistas revelam o único método capaz de evitar uma catástrofe climática

(CC0/PD) Myriams-Fotos / Pixabay

Cientistas de três centros universitários adiantam que o único método eficaz para combater os efeitos das alterações climáticas sem prejudicar o meio ambiente é a geoengenharia e as emissões de aerossóis.

Um dos principais equívocos inerentes à geoengenharia solar (colocar aerossóis na atmosfera para reflectir a luz do Sol e reduzir o aquecimento global) é que poderia ser usada como uma solução viável para reverter as tendências do aquecimento global e trazer a temperatura de volta aos níveis pré-industrias.

Mas desengane-se: não é assim tão linear. A aplicação de enormes doses de geoengenharia solar para compensar todo o aquecimento do aumento dos níveis atmosféricos de C02 poderia piorar o problema climático – particularmente os padrões de precipitação – em certas regiões.

No entanto, doses menores de geoengenharia solar aliadas a cortes de emissões poderiam ser a arma fatal para erradicar os riscos das mudanças climáticas.

Uma nova investigação, levada a cabo pela Universidade de Harvard, em colaboração com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e com a Universidade de Princeton, descobriu que se a geoengenharia solar for usada para reduzir para metade os aumentos da temperatura global, pode haver benefícios à escala mundial.

Na prática, o que os cientistas defendem é que é possível determinar um nível seguro de emissões de aerossóis na atmosfera de maneira a que estes reflitam a luz solar e reduzam o aquecimento global. O artigo científico foi publicado recentemente na Nature Climate Change.

“Alguns dos problemas identificados em estudos anteriores são exemplos do velho ditado de que a dose é o veneno“, disse David Keith, professor de física aplicada da Universidade de Harvard e principal autor do estudo, citada pelo Phys.org.

Os cientistas desenvolveram assim um modelo climático de chuvas extremas e ciclones tropicais para determinar o efeito da geoengenharia em diferentes regiões da Terra. Foram determinados os índices extremos de temperatura e precipitação, a disponibilidade de água doce e a intensidade dos furacões.

As emissões de aerossóis na atmosfera reduzem o aumento da temperatura global para metade, têm um efeito favorável no abastecimento de água e na precipitação em várias regiões, compensando o aumento (em mais de 85%) dos desastres naturais.

Ao mesmo tempo, menos de 0,5% dos territórios seriam afectados negativamente pelos métodos da geoengenharia. Estas regiões afectadas são caracterizadas pela resiliência ao aquecimento global, afirmam os cientistas.

Estes resultados refutam a opinião de que os aerossóis podem agravar significativamente a situação climática da Terra. Para evitar um efeito negativo, é necessário calcular correctamente a quantidade admissível de aerossóis emitidos para a atmosfera, advertem os especialistas.

Segundo a investigação, este é o único método para combater eficazmente os efeitos das mudanças climáticas.Uma outra opção seria reduzir ,imediatamente as emissões de gases de efeito de estufa. No entanto, neste último caso, o aquecimento só poderia ser interrompido se todas as instalações eléctricas, fábricas e mesmo automóveis fossem rapidamente desactivados –  e isso parece (muito) improvável.

Muitos cientistas acreditam que a Humanidade já perdeu a oportunidade de evitar uma catástrofe climática causada pelo aumento da temperatura média da Terra em mais de 1,5 graus Celsius. A única esperança reside, assim, nos métodos de geoengenharia.

ZAP //

Por ZAP
17 Março, 2019

– Eles, os cientistas, chamam-lhe de geoengenharia solar. Eu, não cientista, chamo-lhe de CHEMTRAILS e as descargas químicas e emissões de aerossóis estão a ser efectuadas há anos e a instalar doenças nas pessoas…

1696: Doença transmitida por mosquitos pode ameaçar metade do planeta até 2050

Jim Gathany / Wikimedia

Até 2050, metade da população mundial pode estar em risco devido a doenças transmitidas por mosquitos como dengue ou o vírus do Zika.

Uma combinação de mudanças ambientais, urbanização e movimentos humanos em todo o mundo estão a ajudar os mosquitos a espalharem-se para novas áreas, de acordo com os resultados do estudo publicado na revista Nature Microbiology.

“Encontramos evidências de que, se nenhuma acção for tomada para reduzir a actual taxa de aquecimento, haverá habitats em muitas áreas urbanas com grandes quantidades de indivíduos susceptíveis a infecções”, disse Moritz Kraemer, do Hospital Infantil de Boston e a Universidade de Oxford.

A investigação concentra-se nas espécies de mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, ambas conhecidas pela sua capacidade de transportar e transmitir doenças.

O novo estudo analisou dados de rastreamento de mosquitos dos Estados Unidos e da Europa, incorporando uma variedade de factores num modelo para prever a disseminação da espécie nas próximas décadas.

Os investigadores conduziram as simulações em três diferentes cenários climáticos potenciais, assumindo níveis moderados, altos e severos de futuras mudanças climáticas.

Actualmente, os dados sugerem que o Aedes aegypti está a espalhar-se pelos Estados Unidos – a partir dos estados do sul – a uma taxa de cerca de 59 quilómetros por ano, embora se tenha espalhado em taxas mais rápidas no passado. Por outro lado, o Aedes albopictus parece estar a espalhar-se a taxas cada vez mais rápidas em toda a Europa, actualmente a uma taxa de cerca de 63 quilómetros por ano.

O estudo sugere que as duas espécies vão continuar a espalhar-se pelo mundo nas próximas décadas, embora os factores que as impulsionem possam mudar com o passar do tempo.

A curto prazo, o estudo constata que as mudanças ambientais provavelmente não farão muita diferença na taxa de disseminação, pois os mosquitos expandem-se naturalmente. Mesmo sob as condições climáticas actuais, espera-se que ambas as espécies continuem a mover-se para novas áreas.

No longo prazo, porém, espera-se que as mudanças climáticas e outros factores, como o aumento da densidade populacional e a urbanização, se tornem grandes influências no número de pessoas expostas a doenças transmitidas por mosquitos.

Entre 2030 e 2050, a mudança climática – que pode tornar as áreas anteriormente impróprias habitáveis ​​para os mosquitos através do aumento das temperaturas e condições mais húmidas – provavelmente tornar-se-á um factor primordial. Quanto mais severo for o cenário futuro das mudanças climáticas, maior a população em risco.

No geral, a investigação constata que pelo menos 49% da população mundial estará em risco de doenças transmitidas por mosquitos até 2050. Este percentual continuará a crescer, mesmo sob cenários climáticos moderados.

Como resultado, os cientistas observam que “reduzir as emissões de gases do efeito estufa seria desejável para limitar o aumento de habitats adequados“.

ZAP // Scientific American

Por ZAP
11 Março, 2019

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“Queremos deixar a Terra como um caixote do lixo?”

O ex-vice-Presidente dos Estados Unidos Al Gore defendeu hoje que combater as alterações climáticas é “escolher o que está certo”, desafiando todos a assumirem que o futuro da humanidade depende da “coragem” para preservar o clima “agora”.

© Reuters “Queremos deixar a Terra como um caixote do lixo?”

“O fim do ‘apartheid’, da discriminação, do racismo – todos estes grandes movimentos enfrentaram vários nãos até alguém dizer que se trata de uma escolha entre o certo e o errado. [Em relação ao clima] Temos de escolher o que está certo. Temos de reconhecer que a verdade do futuro que vai ser enfrentado pelos nossos filhos e netos depende do que tivermos agora a coragem de fazer. Queremos deixar a Terra como um caixote do lixo ou ouvir os cientistas e fazer algo?”, questionou, aos gritos, o também Prémio Nobel, no Porto, no encerramento da Climate Change Leadership.

Durante as cerca de duas horas de conferência, Al Gore admitiu estar “furioso” algumas vezes, alertando que as pessoas “precisam de ouvir a verdade” e “podem mudar”, perante “a resposta patética dos governos” ao problema e o facto de alguns subsidiarem a produção de energias fósseis.

Após mostrar vários “cenários apocalípticos” de cheias, chuvas intensas, secas extremas ou dias de calor fora do vulgar, Al Gore pediu para todos impedirem que tais imagens se transformem “no novo normal”.

O Prémio Nobel admitiu que estão a ser dados passos positivos em todo o mundo para combater as mudanças climáticas e proteger o planeta, mas alertou que “as grandes mudanças só vão acontecer” quando os governos deixarem de subsidiar a produção de energias fósseis

“Estas empresas de [energias] fósseis têm muito poder económico e político”, vincou.

Questionado pelo director da conferência, Pancho Campo, sobre como mudar este cenário, o ex-vice-Presidente norte-americano apelou para o activismo.

“Não podemos depender de mudanças individuais. As grandes mudanças só vão acontecer quando mudarmos as políticas. Estamos num momento invulgar de actividade política a uma escala revolucionária”, observou.

Para Al Gore, existe um “escalar do empenho” social e “este é o momento” de as pessoas se envolverem.

“Os activistas de base, por vezes, dão-nos a impressão de que são estranhos, mas são eles que motivam as mudanças. Está na altura de darmos alguns recursos a estes activistas de base. Está na altura de alguns de nós sairmos para a rua. Agora é o momento”, avisou.

De acordo com o Prémio Nobel, “as projecções de população até 2100 indicam que África terá mais pessoas do que a China ou a Índia em conjunto”.

“Se partes significativas do continente africano vão ser inabitáveis devido às mudanças climáticas, para onde vão estas pessoas?”, perguntou.

“Pode haver até mil milhões de migrantes do clima. Não podemos continuar. Não podemos deixar. Vocês precisam de ouvir a verdade. Ando há 40 anos nisto e vejo a resposta patética dos governos. Vocês podem mudar”, afirmou.

Referindo-se à crise de refugiados que a Europa “enfrentou”, com “um milhão provenientes da Síria”, Al Gore assegurou não ser a guerra civil o que está na origem da migração em massa.

“Antes da guerra civil, houve a maior e mais destrutiva seca em 900 anos. Esta seca destruiu 60% das quintas, matou 80% do gado e levou 1,5 milhões de refugiados das quintas para as cidades”, observou.

As “boas notícias”, disse Al Gore, residem na capacidade que vários pontos do planeta têm tido para produzir energia a partir de fontes renováveis, como é o caso das “centrais solares flutuantes em Portugal”.

“Subsidiar energia solar é mais barato do que fazê-lo com combustíveis fósseis. É a diferença entre gelo e água. Nos mercados de capitais, é a diferença entre capital congelado e fluxo de capitais que procuram oportunidade”, ilustrou.

msn notícias
Lusa
07/03/2019

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1627: Há três datas prováveis para o Apocalipse. Duas das quais ainda este século

(CC0/PD) photoshopper24 / pixabay

A humanidade corre o risco de ser extinta devido à colisão da Terra com um corpo celeste, a uma catástrofe natural ou até tecnológica. Este cenário não é uma fantasia saída dos filmes de Hollywood, mas antes fruto das previsões de vários cientistas.

Apesar de existirem várias e diferentes opiniões sobre a data do fim do mundo, não é ainda certo quando vai acontecer. Ainda assim, o cientistas estão certos de uma coisa: vai ocorrer ainda este século. Tendo em conta as várias correntes sobre o fenómeno, a Sputnik News compilou três previsões científicas próximas sobre o evento apocalíptico.

2036

Entre os possíveis eventos que poderiam levar ao fim do mundo um dos mais populares é a colisão da Terra com um asteróide. É a velha máxima: A questão não é se um asteróide vai colidir com a Terra, é quando.

De momento, o asteróide mais preocupante para os cientistas é o Apophis, que em 13 de Abril de 2029 se aproximará do nosso planeta a uma distância de 38 mil quilómetros (uma distância dez vezes menor do que a existente entre a Terra e a Lua).

Há uma pequena possibilidade de o asteróide entrar numa zona perigosa de 600 metros, onde o campo gravitacional da Terra mudará a sua trajectória de voo. Se isso acontecer, o Apophis colidirá com a Terra em 2036.

Segundo os cientistas da Universidade Técnica Estatal Bauman de Moscovo, na Rússia, na zona de risco, e caso se dê a colisão do Apophis com a Terra em 2036, encontra-se o Extremo Oriente russo, os países da América Central e África Ocidental.

2026

Há mais de 50 anos, o cientista americano Heinz von Foerster publicou com os seus colegas um artigo na revista científica Science, no qual revelou a data exacta do Dia do Juízo Final – 13 de Novembro de 2026. Nesse dia, a população da Terra deixará de crescer exponencialmente e tenderá ao infinito, escreveram os especialistas.

Para fazer os cálculos, Foerster usou dois parâmetros que determinam o destino de qualquer forma de vida: fertilidade e esperança de vida. Em 1975, o astrofísico alemão Sebastian von Hoerner teve em contra outros parâmetros ligados à actividade humana e estabeleceu que o Apocalipse chegará entre 2020 e 2050, quando a população da Terra aumentará a tal ponto que não será capaz de se alimentar.

Os cientistas americanos, por sua vez, usaram números actuais nas fórmulas produzidas de von Hoerner e revelaram que o fim do mundo não deverá acontecer antes de 2300 e 2400 devido ao aquecimento global provocado pelas actividades humanas.

Século XXI

Em 1972 o Clube de Roma, organização informal que reúne intelectuais, cientistas e futurólogos, apresentou um relatório sobre os limites de desenvolvimento da civilização. Os autores analisaram o crescimento da população, a indústria e o consumo dos recursos não renováveis, a deterioração do ambiente e revelaram que existe uma grande possibilidade de o colapso acontecer já no século XXI, se a humanidade não mudar seu comportamento, política e desenvolvimento tecnológico.

Nos anos 1980, diversos matemáticos estabeleceram que, conhecendo o início e duração da humanidade, é possível prever quando esta termina. Esta hipótese chama-se “argumento do Dia do Juízo Final”. Segundo os matemáticos, se quisermos analisar um qualquer processo, o mais possível é que o façamos em meados desse processo, mas não no seu início ou no fim, ou seja, a nossa civilização está a metade do caminho e ainda teremos pela frente alguns séculos ou milénios.

Entretanto, há quem que acredite que colapso da humanidade ocorrerá já em breve. Por exemplo, o futurologista Aleksei Turchin, no livro “Estrutura da Catástrofe Global”, analisa diferentes métodos de cálculo da data exacta do Apocalipse e a maioria aponta que o Dia do Juízo final chegará no século XXI.

Estas previsões vão ao encontro do Relógio do Apocalipse que, no passado mês de Janeiro, actualizou os seus ponteiros, dando conta que estamos a dois minutos do fim – no ano passado, os ponteiros marcavam já esta posição, assinalando, pela terceira vez desde que o relógio existe, a maior aproximação à meia noite.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

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1625: Alerta: o planeta está menos produtivo e os alimentos estão em risco

Nas últimas duas décadas, aproximadamente 20% da superfície da terra tornou-se menos produtiva. Estudo sobre plantas, animais e microrganismos, que fazem parte das ementas dos seres humanos, relata “ameaça severa”

A humanidade está a falhar na protecção da biodiversidade pondo em causa a capacidade do mundo em produzir alimentos, de acordo com o primeiro estudo da ONU sobre plantas, animais e microrganismos, que fazem parte das ementas dos seres humanos, citado pelo jornal britânico The Guardian.

O alerta foi emitido pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla original) depois de cientistas terem descoberto evidências de que os sistemas naturais de sustentação que alimentam a dieta humana estão a deteriorar-se por todo o mundo, enquanto fazendas, cidades e fábricas devoram a terra e bombeiam produtos químicos.

O abastecimento mundial de alimentos está sob “uma ameaça severa” com a perda de biodiversidade. Nas últimas duas décadas, aproximadamente 20% da superfície da terra tornou-se menos produtiva, relata o relatório, apresentado esta sexta-feira.

No documento regista-se uma perda “debilitante” da biodiversidade do solo, florestas, campos, recifes de corais, mangais, zonas de ervas marinhas e diversidade genética em espécies de culturas e gado. Nos oceanos, um terço das áreas de pesca estão a ser “super-exploradas”.

Muitas espécies que estão indirectamente envolvidas na produção de alimentos, como aves que comem pragas das culturas e árvores de mangue que ajudam a purificar a água, são menos abundantes do que no passado, observou o estudo, que reuniu dados globais, trabalhos académicos e relatórios dos governos de 91 países.

Constatou-se que 63% das plantas, 11% das aves e 5% dos peixes e fungos estão em declínio. Os polinizadores, que fornecem serviços essenciais para três quartos das plantações do mundo, estão também sob ameaça. Para além do bem documentado declínio de abelhas e outros insectos, o relatório observou que 17% dos polinizadores de vertebrados, como morcegos e aves, estão ameaçados de extinção.

Diário de Notícias
22 Fevereiro 2019 — 08:35

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1605: Há uma ameaça para a Humanidade “adormecida” no fundo do mar

Bob Embley / NOAA Office of Ocean Exploration

As alterações climáticas ameaçam causar uma enorme libertação de carbono que se encontra “adormecido” no fundo do mar, processo que já ocorreu no passado, tendo resultado num aumento da temperatura atmosférica de tal magnitude que acabou com a Era do Gelo, sugere um novo estudo.

O investigação, cujos resultados foram publicados em Janeiro passado na revista especializada Environmental Research Letters, aponta que no final do período Pleistoceno – há aproximadamente 17000 anos – uma grande quantidade de gases de efeito de estufa escapou do leito oceânico para a atmosfera devido à actividade hidrotermal.

Tal como explicam os cientistas, estes reservatórios subaquáticos de dióxido de carbono e metano são produzidos quando a actividade vulcânica liberta gás, que é então congelado até que seja encapsulado como uma massa de hidratos num estado líquido ou sólido.

Estes depósitos estão espalhados pelo leito marinho de todo o planeta e permanecem intactos, a menos que sejam perturbados por factores externos, como o aquecimento dos oceanos. Se o carbono geológico preso no interior destes reservatórios for libertado, o nível de gases de efeito estufa na atmosfera irá sofrer um enorme aumento, agravando, consequentemente, ainda mais as alterações climáticas.

Tendo isto em conta, os cientistas alertam que com a actual taxa de aquecimento global, em grande parte causada pela actividade humana, os oceanos atingirão a temperatura considerada mais crítica até o final deste século.

A título de exemplo, os especialistas mencionam um reservatório de carvão de importantes dimensões localizado na parte ocidental do Oceano Pacífico, ao largo da costa de Taiwan, que precisa apenas de um pequeno aumento, ou seja, alguns graus Celsius para perder sua estabilidade.

National Academy of Sciences
Reservatório em Taiwan

“A última vez que aconteceu, a mudança climática foi tão drástica que causou o fim da Idade do Gelo”, frisou Lowell Stott, investigador da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do trabalho. E concluiu: “Assim que o processo geológico começar, não podemos desactivá-lo”.

ZAP //

Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

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1387: Quando as alterações climáticas varreram 96% de toda a vida na Terra

Estudo lança nova luz sobre grande extinção em massa ocorrida há 252 milhões de anos, que varreu 96% de toda a vida do planeta. Um aumento de temperatura de 10 graus Celsius foi click que desencadeou tudo

© DR

Foi o maior episódio extinção alguma vez ocorrido no planeta. A grande extinção em massa do fim do Permiano, como é conhecida, e que ocorreu há 252 milhões de anos, varreu 96% das espécies da face da Terra, mas até hoje o que esteve na sua origem tem sido um mistério para a ciência.

Agora, um grupo de cientistas de duas universidades americanas avança uma nova explicação: o que aconteceu foi um aumento rápido da temperatura, de cerca de 10 graus Celsius, causado por uma sucessão de erupções vulcânicas, que fez cair drasticamente a quantidade de oxigénio nos oceanos.

A vida que ali fervilhava não conseguiu adaptar-se e desapareceu para sempre. De forma simples e directa, foi um episódio de alterações climáticas.

A tese é avançada hoje na revista Science por um grupo de investigadores das universidades americanas Washington e Stanford, que ao conhecimento dos dados fósseis da época juntaram um modelo computacional do clima da época e conseguiram assim simular com grande precisão o fenómeno então ocorrido.

“Foi a primeira vez que se fez uma simulação preditiva do que causou aquela extinção em massa, e os nossos resultados coincidem com o que sucedeu”, explica Justin Penn, o primeiro autor do artigo hoje publicado.

Este resultado, sublinha o mesmo investigador, “permite-nos agora fazer estimativas sobre possíveis extinções no futuro”. E aqui as conclusões tornam-se inquietantes: estas extinções massivas podem ocorrer de novo com o aumento da temperatura média da atmosfera do planeta – soa familiar?

Durante a grande extinção do Permiano, praticamente todas as espécies marinhas que então existiam desapareceram de vez. Depois de uma série erupções vulcânicas na Sibéria, houve uma acumulação de gases na atmosfera, a temperatura dos oceanos aumentou e as águas acidificaram-se. Isso fez cair para níveis mínimos a disponibilidade de oxigénio nos oceanos e a quase totalidade das espécies marinhas não conseguiram adaptar-se.

O modelo dos investigadores reproduz esse ambiente e também a extinção em massa ocorrida, que é por sua vez comprovada pelos registos fósseis.

O trabalho mostra, além disso, que a maior devastação na vida terrestre da altura ocorreu nas latitudes mais altas. Nos trópicos ela também aconteceu, mas nas latitudes altas, a vida pura e simplesmente desapareceu por falta de oxigénio. Este dado é confirmado pela distribuição geográfica dos registos fósseis.

“A assinatura daquele mecanismo feito de aquecimento global e diminuição de oxigénio está no próprio padrão geográfico que encontrámos e que ficou patente também no nosso modelo”, garante um dos coordenadores do estudo, Jonhatan Payne, da Universidade de Stanford.

De acordo com o estudo, metade das extinções então ocorridas na vida marinha são explicadas pelo aquecimento da temperatura e consequente quebra no oxigénio. A outra (quase) metade ficou a dever-se à acidificação das águas, que causou perdas drásticas na sua produtividade. E é este quadro, que começa a ter algo de familiar, que preocupa o autores do estudo.

“Se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem como até agora, no final do século as águas oceânicas superficiais terão atingido 20% da temperatura a que chegaram há 252 milhões, para atingir os 50% em 2300”, alerta Justin Penn. E sublinha: “Este estudo mostra o potencial de extinções em massa de um mecanismo idêntico ao aconteceu no Permiano, desta vez causado por uma mudança climática antropogénica“.

Diário de Notícias
Filomena Naves
07 Dezembro 2018 — 12:40

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1375: “O tempo está a esgotar-se”. David Attenborough prevê “colapso da civilização”

CIÊNCIA

Foreign and Commonwealth Office / Flickr

Se os governos nada fizerem, a civilização e o mundo natural estão em risco de colapsar. O alerta foi feito pelo naturalista britânico, David Attenborough, durante a Cimeira do Clima que decorreu na Polónia na segunda-feira.

“Neste momento, estamos a assistir a um desastre global, feito pelo homem, e que é a maior ameaça que enfrentámos em milhares de anos: as alterações climáticas”, disse o britânico de 92 anos. “Se não fizermos nada, o colapso da nossa civilização e de boa parte do mundo natural está no horizonte.”

David Attenborough, apresentador e narrador de programas sobre a vida selvagem da BBC, foi escolhido para representar a voz das pessoas do mundo na 24ª Cimeira da ONU para o Clima (COP24). Um dos principais objectivos da conferência é encontrar formas de aplicar o Acordo de Paris, celebrado em 2015.

A forma encontrada pelas Nações Unidas para dar voz aos anónimos foi, dias antes do arranque da conferência, pedir a pessoas de todo o mundo que enviassem as suas mensagens para que estas pudessem ser apresentadas aos cerca de 200 representantes de governo reunidos na Polónia.

Foi através de uma montagem, segundo o Observador, que a plateia assistiu às mensagens vindas de todos os cantos do planeta. “Não vêm o que se passa à vossa volta?”, pergunta uma jovem. “Já estamos a ver o impacto das alterações climáticas na China”, diz outra. “Isto costumava ser a minha casa”, diz outra, apontando para ruínas queimadas pelo fogo.

Nesta montagem são também apontados números: 95% dos inquiridos dizem já ter vivenciado de alguma forma as alterações climáticas, enquanto dois terços concluem que esta é a maior ameaça que o mundo enfrenta.

“As pessoas do mundo falaram: o tempo está a esgotar-se. Elas querem que vocês, os tomadores de decisão, ajam agora. Líderes do mundo, vocês têm de liderar. A continuação da civilização e do mundo natural, do qual nós dependemos, está nas vossas mãos”, concluiu Attenbrough na sua apresentação.

A COP24 decorre até dia 14 de Dezembro em Katovice. As novas tecnologias favoráveis ao clima, a população como líder da mudança e o papel da floresta são os temas centrais que a Polónia quer ver discutidos na reunião mundial do clima que começou no domingo.

ZAP // Live Science

Por ZAP
5 Dezembro, 2018

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1369: A Terra pode tornar-se num novo planeta Vénus (e a culpa é das alterações climáticas)

AOES Medialab / ESA
Conceito artístico da superfície de Vénus

Se as alterações climáticas causadas pela humanidade continuarem sem controlo, as consequências podem ser irreversíveis e podem transformar as condições no nosso planeta nas mesmas de Vénus.

No passado, o planeta Vénus já esteve coberto de água e terá sido habitável. Mas o planeta passou por uma mudança climática catastrófica: a atmosfera começou a reter demasiado calor e o surgimento de um grande número de buracos de ozono destruiu o segundo planeta do Sistema Solar, onde a temperatura actual atinge mais de 471ºC.

Estudos no planeta vizinho levaram os cientistas a procurar buracos de ozono no nosso planeta, segundo Ellen Stofan, directora do Museu do Ar e do Espaço do Instituto Smithsonian e ex-investigadora da NASA, que enfatiza que Vénus é um espelho que pode reflectir o futuro da Terra.

De acordo com o cientista planetário e astro-biólogo do Instituto de Ciência Planetária, David Grinspoon, apesar da sua aparência moderna horripilante, Vénus é muito semelhante à Terra – sendo até chamado a “gémea malvada” do Planeta Azul.

“Vénus é um laboratório para entender a física do clima e as mudanças climáticas de um planeta parecido com a Terra. É impossível aprender tudo o que se precisa saber sobre a mudança climática na Terra ao estudar apenas a Terra”, disse ao portal Space.

Daqui a algum tempo, à medida que o Sol começa a envelhecer, o nosso planeta percorrerá o mesmo caminho que Vénus, com a evaporação do oceanos num mundo descontrolado devido ao efeito estufa.

“Acho que Vénus é um aviso importante: o efeito estufa não é apenas uma teoria”, concluiu Stofan.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
4 Dezembro, 2018

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1332: Algumas regiões do planeta vão ter até seis desastres naturais simultâneos este século

CIÊNCIA

Hotli Simanjuntak / EPA

Os desastres naturais vão piorar no próximo século. Este é o alerta de um grupo de investigadores sobre alterações climáticas.

De acordo com um artigo, publicado a 19 de Novembro na revista Nature Climate Change, actualmente, a maioria dos lugares sofre apenas um desastre climático de cada vez. Mas até 2100, as regiões podem esperar lidar com vários desastres de uma só vez.

“Estamos a enfrentar uma ameaça enorme para a humanidade”, disse Camilo Mora, da Universidade do Havai. “Somos sensíveis aos perigos que já aconteceram e, infelizmente, estes riscos só vão piorar.”

Para entender melhor as ameaças que estão por vir, Mora e os seus colegas analisaram mais de três mil artigos científicos e descobriram 467 maneiras pelas quais as mudanças climáticas já afectaram a humanidade.

O relatório narra a forma como os riscos climáticos, como ondas de calor, incêndios florestais, inundações e aumento do nível do mar, afectaram doenças humanas, o suprimento de alimentos, economias, infra-estrutura, segurança, entre outros. “Eu não conseguia parar de estar assustado todos os dias para ser honesto”, disse Mora, principal autor do estudo.

A equipa de investigação criou um mapa mundial complementar e interactivo com base em projecções. A imagem demonstra a sobreposição de impactos da mudança climática nas populações humanas até 2100.

Na mudança do século, por exemplo, as pessoas em Nova York poderá enfrentar quatro riscos climáticos distintos, incluindo a seca, a elevação do nível do mar, as chuvas extremas e as temperaturas altas. Do outro lado do país, Los Angeles provavelmente enfrentará até três desastres. Regiões tropicais especialmente vulneráveis ​​do mundo poderão lidar com até seis ameaças de uma só vez.

O estudo prevê que as nações em desenvolvimento enfrentarão maiores perdas de vidas humanas, enquanto o mundo desenvolvido suportará uma grande carga económica associada a danos e adaptação.

Embora a mudança climática tenha sido estudada extensivamente, Mora disse que investigações anteriores isolam o impacto de um ou dois perigos em vez de fornecer uma visão geral das consequências do aquecimento global.

Os investigadores dão alguns exemplos: o aumento na temperatura atmosférica pode levar à evaporação da humidade do solo em locais secos, o que leva a secas, ondas de calor e incêndios florestais. Em locais húmidos, chuvas extremas e inundações podem acontecer. À medida que os oceanos aquecem, a água evapora rapidamente, causando furacões húmidos e com ventos fortes e tempestades devido ao aumento do nível do mar.

“É como ter um quebra-cabeça no qual todas as peças estão em todo o lado. Só se pode realmente ver a imagem quando todas as peças são colocadas juntas”, disse Mora.

Mora espera que a Ciência acabe por inspirar as pessoas a tornarem-se parte da solução. Mesmo os esforços de comunidades como o projecto Go Carbon Neutral do Havai, que visa compensar as emissões de carbono através da plantação de árvores, podem contribuir para mudar o curso da mudança climática. “Esta é uma luta que não podemos perder. Não temos nenhum outro planeta para onde ir”, rematou.

ZAP // Discover

Por ZAP
24 Novembro, 2018

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1264: Os caminhos da humanidade para lá das nuvens

Os humanos sempre sonharam para lá dos seus limites. A geografia foi feita para ser conquistada e por isso rios, montanhas, oceanos e continentes sempre foram entendidos como desafios a ser vencidos. O desafio no século XXI está para lá das nuvens

Foto Direitos reservados

A discussão sobre o futuro da exploração espacial está precisamente centrada em cima das nuvens e passa pela resposta a uma pergunta objectiva: o que fazer depois da Estação Espacial Internacional? A ISS (do acrónimo em inglês) é um extraordinário esforço conjunto da Europa, dos Estados Unidos, do Japão, da Rússia e do Canadá, que desde 1998 colaboraram para construir um lar no espaço para 60 equipas rotativas de astronautas.

Agora, é provável que a época de cooperação na exploração espacial termine. Com a entrada de um novo e poderoso concorrente – a China – e com a própria ideia de globalização em crise, os decisores políticos parecem não querem chegar a acordo sobre os próximos passos sem gravidade. E há vários caminhos possíveis a seguir.

Foto Direitos reservados

Os chineses estão a preparar a sua própria estação orbital, de forma a conduzir investigação com impacto na defesa e na geoestratégia. Os russos também gostariam de o fazer, mas as limitações financeiras impedem para já esse passo. Restam os grandes protagonistas – Europa e EUA – que parecem optar por caminhos demasiado diferentes.

Os Estados Unidos preferem ter o objectivo em Marte, admitindo uma escala intermédia na Lua. O papel da NASA foi posto em causa com esta administração, que tem no vice-presidente Mike Pence um grande apologista da opção marciana: o National Space Council determinou um regresso à Lua na próxima década para que na seguinte se atinja Marte.

O caso europeu é mais interessante de analisar. A Agência Espacial Europeia (ESA) é resultado da cooperação transnacional entre diversas nações que não correspondem exactamente à União Europeia e, embora existam relações próximas, os objectivos nem sempre são coincidentes – nomeadamente na prioridade a dar à indústria e à investigação fundamental centrada na Europa, um dos objectivos da actual comissão que não é necessariamente partilhada pela liderança da ESA. A União decidiu agora avançar com a sua própria agência espacial, que poderá ser apenas um organismo de ligação com a ESA ou uma entidade com fundos próprios e que a médio prazo esvazie a ESA de membros, competências e meios. Mas por enquanto o que vai vingando é a tese do todo-poderoso líder da agência, Johann Woerner, que insiste numa base lunar como modelo da vida fora da Terra.

Foto Direitos reservados

Em simultâneo, como os avanços da ciência decorrem da investigação fundamental, há experiências com tremendo impacto no futuro da exploração espacial. Algumas das missões planeadas (ver caixas) vão dar contributos importantíssimos para o futuro. A dimensão do desafio espacial é tão grande que ainda nem se sabe tudo o que não se sabe. Luís Braga Campos, professor do Instituto Superior Técnico e coordenador da licenciatura em Engenharia Aeroespacial, é um dos portugueses que melhor compreendem estes desafios futuros e por isso critica este afastamento entre os grandes poderes da exploração espacial: “É evidente que isto só se resolve com a cooperação de todos. A ciência é demasiado complexa e os investimentos demasiado elevados para ser possível evoluir sozinho, mas é no que estamos: a prioridade americana parece ser colocar um homem em Marte. A prioridade da ESA será uma estação lunar.”

A opção deveria ser outra, defende o professor: “Uma nova e moderna estação espacial, capaz de montar em órbita as próximas naves. Isso eliminaria a barreira gravitacional e permitiria a continuação da cooperação na investigação, aumentando a eficiência.” Até porque as opções políticas raramente terminam bem em termos técnicos. Mesmo no caso da ida à Lua, que foi um acontecimento extraordinário, foi uma decisão inconsequente: “Fomos lá e durante 60 anos nunca mais se fez nada. Não se sustentou o esforço, porque se quis ter resultados mais rápidos que limitaram as opções futuras.”

É por isso que Luís Braga Campos também é crítico de enviar uma missão humana a Marte, até pelos problemas que tem. “Desde logo a duração da viagem, sempre superior a dois anos, com implicações tremendas na saúde, como os problemas provocados pela radiação e a ausência de gravidade. Depois há outra questão: se algo correr mal é demasiado difícil chegar lá em tempo útil, se estivermos dependentes de uma nave a partir da Terra.”

Seja como for, a opção por desenvolver vida humana fora da Terra é inevitável. A exploração do espaço é o futuro da humanidade, porque “esgotámos a Terra, provavelmente para lá do que é sustentável. A longo prazo a única solução para a espécie será a expansão, um desafio que é tecnológico mas é também biológico e ético”. Depois é uma questão de discutir o destino, mas a verdade é que, como continua a explicar Braga Campos, estamos limitados às opções do sistema solar. “Marte não é muito agradável, Vénus também não, a partir daí é tudo inabitável. A questão não é tanto escolher o destino, mas sim como é que se vai sobreviver no espaço.”

Os desafios serão então três: construir naves suficientemente poderosas e capazes, adaptar o corpo humano ao espaço e criar um sistema ecológico sustentável de forma a que a vida possa processar-se de forma autónoma, seja na Lua, em Marte ou noutro qualquer destino. “Resolvendo estes problemas dificílimos, podemos estar em qualquer lado.” Mas isto implica rever a forma como olhamos para a humanidade e como preparamos o futuro. “Hoje já podemos pensar nestes desafios com a ajuda da robótica e da inteligência artificial, de forma a criar um sistema de cápsulas em que os humanos possam viver. Mas isso não resolve todas as questões científicas fundamentais.”

O professor Braga Campos é céptico em relação a abordagens simplistas, “recorrendo à analogia das grandes empresas tecnológicas que estão habituadas a resolver os problemas com software e acham que tudo é simples, mas o hardware não funciona assim”. E é essa a abordagem que quer passar aos alunos do curso mais exigente do país, estimulando a capacidade de resolução de problemas e a aproximação da engenharia a esses problemas.

E essa é a abordagem que se nota quando são os alunos a falar dos desafios que os motiva. Mariana Fernandes, no último ano do mestrado de Aeroespacial, está focada no desafio de “optimizar a performance dos astronautas no espaço”, resolvendo as questões de saúde física e comportamental que decorrem do ambiente espacial. Já Rita Costa, que está a especializar-se em aerodinâmica e propulsão, está focada nos “problemas de reentrada de veículos em diferentes ambientes e atmosferas”, que é também uma das questões práticas mais exigentes.

A Estação Espacial Internacional, essa, acabará por ter direito a uma morte assistida que consistirá na sua queda programada no meio do oceano Pacífico. Mas isso não será mais do que o fim de um capítulo na história que ainda agora começou, a dos humanos que vivem para lá das nuvens.

Etapas da exploração espacial

Parker Solo Probe

Lançada em Agosto, esta sonda que tem por destino o Sol começou a sua aproximação no início deste mês de Novembro. Foi também nesse dia que se tornou o veículo mais rápido alguma vez produzido pelo homem, deslocando-se a 250 mil quilómetros por hora numa viagem que aproveita Vénus como rampa de lançamento para órbitas cada vez mais próximas do Sol – mais perto do que qualquer outra nave alguma vez chegou. Vai passar sete anos nisto, recolhendo e enviando mais e melhores dados alguma vez recolhidos sobre a estrela que está no centro do nosso sistema solar.

Lisa

A experiência que se define pelo acrónimo de Laser Interferometer Space Antenna é bem mais apelativa do que parece. A Agência Espacial Europeia vai lançar um conjunto de três satélites que estarão distanciados por 2500 milhões de quilómetros, seguindo a Terra na sua órbita. Será o primeiro observatório gravitacional a funcionar no espaço, tendo por objectivo primordial entender as implicações da teoria da relatividade geral enunciada por Einstein, especificamente no que toca às ondas gravitacionais. As naves deverão ficar operacionais em 2034.

Starshot Breakthrough

A última desta lista está ainda no domínio da ficção científica e é um exemplo da forma como a ciência também funciona de forma aspiracional. Uma descoberta física recente permitiu conceber a hipótese de que uma minúscula nave poderia ser enviada para destinos distantes através de um laser que permitisse navegar a 10% ou 20% da velocidade da luz. Foi o suficiente para se criar uma iniciativa visando premiar desenvolvimentos científicos neste sentido, contando com o apoio de Stephen Hawking e Mark Zuckerberg. Será um trabalho de décadas, que em última instância permitirá enviar centenas de nano-naves até Alfa Centauri, o sistema solar mais próximo do nosso. A viagem poderá durar menos de 20 anos, graças à impulsão de um laser apontado a um alvo altamente reflexivo. É importante notar que neste tipo de esforços o que interessa mais é o desenvolvimento da ciência fundamental, que deverá permitir avanços em diversos campos e terá impacto em toda a astronomia.

Mars 2020

Para o início da próxima década está marcada mais uma viagem da NASA a Marte. Esta missão vai libertar um novo tipo de veículo (rover) no solo, com duas missões primordiais: identificar recursos que permitam a produção de oxigénio a partir da atmosfera de Marte e encontrar sinais de anterior vida de micróbios no planeta. Para isso irá recolher diversas amostras que serão depois dissecadas em Terra, onde a missão está a entrar nos testes finais.

Diário de Notícias
Diogo Queiroz de Andrade
09 Novembro 2018 — 10:20

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