1617: A mais pequena lua de Neptuno pode ter nascido da sua segunda maior lua

NASA

A lua mais pequena de Neptuno, a Hipocampo, parece ser um fragmento da segunda maior lua do planeta, a Proteu, sugerem astrónomos num estudo esta quinta-feira divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrónomos chegaram a esta conclusão a partir de observações com o telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, e de dados mais antigos da sonda Voyager 2, que se aproximou de Neptuno em 1989.

Segundo o estudo, citado hoje em comunicado, a lua Hipocampo terá resultado da fragmentação da lua Proteu quando foi atingida por um cometa há mil milhões de anos, formando uma cratera na sua superfície.

“Em 1989, pensávamos que a cratera era o fim da história. Com o Hubble, sabemos agora que um pequeno pedaço de Proteu ficou para trás e que é Hipocampo”, afirmou, citado no comunicado da ESA/Hubble, o coordenador da equipa de astrónomos, Mark Showalter, do Instituto norte-americano SETI, que foi fundado pelo cosmólogo e divulgador de ciência Carl Sagan (1934-1996).

A lua Hipocampo, que terá cerca de 34 quilómetros de diâmetro, foi descoberta em 2013 e a sua órbita está muito próxima da de Proteu, lua que, de acordo com os astrónomos, teve origem num cataclismo envolvendo os satélites naturais de Neptuno, um dos ‘gigantes’ gasosos e o último planeta do Sistema Solar.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do [telescópio] Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflete”, descreveu ao jornal Público Mark Showalter. “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas”, avançou.

SETI Institute
Comparação de tamanho das sete luas internas de Neptuno

Há mil milhões de anos, Neptuno capturou um corpo enorme da cintura de Kuiper, que, defendem os especialistas, corresponde à maior lua do planeta, Tritão.

Os resultados foram esta quinta-feira publicados na revista especializada Nature.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1577: Telescópio Hubble revela furacão misterioso na atmosfera de Neptuno

NASA / ESA / A. Simon

O observatório orbital Hubble recebeu novas fotografias de Neptuno e Úrano, onde se podem observar novas manchas misteriosas na atmosfera do segundo maior gigante gasoso e um furacão enorme no pólo norte do sétimo planeta.

O “traço marcante” de Júpiter é uma grande mancha vermelha – um furacão com um diâmetro de várias centenas de quilómetros e cuja velocidade alcança os cerca de 430 quilómetros por hora. Durante muito tempo, este foi considerado um traço único do maior gigante gasoso do Sistema Solar.

No entanto, desde os anos 1980, os cientistas começaram a duvidar desse facto. Em 1994, as imagens do telescópio Hubble mostraram que furacões parecidos com o de Júpiter podem, afinal, surgir também em Neptuno.

Há dois anos, o Hubble captou fotografias ainda mais detalhadas de Neptuno que confirmaram a existência, na sua atmosfera, de turbilhões com uma duração relativamente curta, de apenas alguns meses, em comparação com as estruturas seculares de Júpiter.

As novas imagens do Hubble, obtidas em Setembro no âmbito do programa OPAL, indicaram o surgimento de mais uma grande mancha em Neptuno, localizada nas latitudes polares do hemisfério norte do planeta e cercada pelas características nuvens brancas, o que prova as mudanças bruscas de temperatura nos seus arredores e os fluxos rápidos de ar.

Segundo os astrónomos da NASA, a Terra poderia caber dentro dessa mancha, uma vez que o diâmetro do furacão se aproxima dos 11 mil quilómetros. No entanto, como surgem estas estruturas e como se extinguem permanece um autêntico mistério para os cientistas.

Além disso, foi detectado mais um furacão no pólo norte de Úrano, com um tamanho ainda maior. Os cientistas supõem que o furacão se formou porque o sétimo planeta do Sistema Solar gira “de lado”.

Esta característica faz com que os seus pólos ora estejam voltados directamente para o Sol, ora fiquem completamente escondidos, causando mudanças bruscas de temperatura, assim como tempestades e nuvens.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
10 Fevereiro, 2019

 

1558: Hubble descobre fortuitamente galáxia na nossa vizinhança cósmica

Esta composição mostra a posição da galáxia anã descoberta acidentalmente, Bedin 1, por trás do enxame globular NGC 6752. A imagem de baixo, que mostra a totalidade do enxame, é uma observação terrestre pelo DSS2. (Digitized Sky Survey 2). A imagem de cima, à direita, mostra o campo total do Telescópio Espacial Hubble. A imagem de topo, à esquerda, realça a secção que contém a galáxia Bedin 1.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, Bedin et al., DSS2

Astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para estudar algumas das mais antigas e ténues estrelas no enxame globular NGC 6752 e fizeram uma descoberta inesperada. Descobriram uma galáxia anã na nossa vizinhança cósmica, a apenas 30 milhões de anos-luz de distância. A descoberta foi divulgada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.

Uma equipa internacional de astrónomos usou recentemente o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para estudar anãs brancas dentro do enxame globular NGC 6752. O objectivo das suas observações era usar estas estrelas para medir a idade do aglomerado, mas no processo fizeram uma descoberta inesperada.

Nas margens exteriores da área observada com o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble era visível uma colecção compacta de estrelas. Após uma análise cuidadosa dos seus brilhos e das suas temperaturas, os astrónomos concluíram que estas estrelas não pertenciam ao enxame – que faz parte da Via Láctea – mas que estão milhões de anos-luz mais distantes.

O nosso recém-descoberto vizinho cósmico, que recebeu a alcunha Bedin 1 pelos astrónomos, é uma galáxia alongada de tamanho modesto. Mede apenas cerca de 3000 anos-luz – uma fracção do tamanho da Via Láctea. Não só é pequena, como também incrivelmente ténue. Estas propriedades levaram os astrónomos a classificá-la como uma galáxia anã esferoidal.

As galáxias anãs esferoidais são definidas pelo seu pequeno tamanho, baixa luminosidade, falta de poeira e populações estelares velhas. Sabe-se que existem 36 galáxias deste tipo no Grupo Local de Galáxias, 22 das quais são galáxias satélites da Via Láctea.

Embora as galáxias anãs esferoidais não sejam invulgares, Bedin 1 tem algumas características notáveis. Não só é uma das poucas anãs esferoidais com uma distância bem estabelecida, como está também extremamente isolada. Fica a cerca de 30 milhões de anos-luz da Via Láctea e a 2 milhões de anos-luz da mais próxima e grande galáxia hospedeira, NGC 6744. Isto torna-a, possivelmente, na mais isolada das galáxias anãs descobertas até à data.

A partir das propriedades das suas estrelas, os astrónomos foram capazes de inferir que a galáxia tem mais ou menos 13 mil milhões de anos – é quase tão antiga quanto o próprio Universo. Devido ao seu isolamento – que resultou em quase nenhuma interacção com outras galáxias – e à sua idade, Bedin 1 é o equivalente cósmico a um fóssil vivo do Universo inicial.

A descoberta de Bedin 1 foi um achado verdadeiramente fortuito. Poucas imagens do Hubble permitem com que objectos assim tão ténues possam ser vistos e cobrem apenas uma pequena área do céu. Os telescópios futuros com um grande campo de visão, como o telescópio WFIRST, terão câmaras que cobrem uma área muito maior do céu e poderão encontrar muitas mais destas vizinhas galácticas.

Astronomia On-line
5 de Fevereiro de 2019

 

1490: A primeira exolua alguma vez descoberta vai ficar escondida durante a próxima década

NASA

Uma boa exolua é difícil de encontrar e provar que a primeira lua em torno de um exoplaneta realmente existe pode levar até uma década.

“Estamos a enfrentar alguns problemas difíceis em termos da confirmação da presença dessa coisa”, disse o astrónomo Alex Teachey, da Universidade de Columbia, numa reunião da American Astronomical Society a 10 de Janeiro.

Do tamanho de Neptuno e a orbitar um planeta semelhante a Júpiter, os telescópios da NASA, Kepler e Hubble, encontraram evidências do primeiro satélite natural fora do Sistema Solar – a primeira exolua. Apesar de os dados recolhidos não serem definitivos em Outubro, os investigadores esperavam voltar a observar o corpo para verificar ou rejeitar a hipótese da existência da primeira exolua.

Publicado a 3 de Outubro na revista Science Advances, a investigação conta que durante uma pesquisa a 300 exoplanetas, surgiu um gigante gasoso – Kepler-1625d – que mostrou características peculiares que apontaram para a presença de um objeto a oito mil anos-luz de distância, que o orbitava.

Caso se confirme as observações, a descoberta poderia fornecer importantes pistas sobre o desenvolvimento de sistemas planetários e poderia fazer com que os especialistas revejam as teorias de formação de luas em torno de planetas. Para verificar a hipótese formulada, a equipa pretendia voltar a utilizar o telescópio Hubble em maio, altura da passagem da exolua.

Porém, a equipa não usará o Hubble para estudar a lua novamente, depois de o comité que aloca o tempo de observação do Hubble ter negado tempo de pesquisa adicional durante a próxima janela de oportunidade em maio.

Apesar de decepcionante, Teachey diz que a decisão faz sentido. Sem saber precisamente quando e onde a lua aparecerá, a probabilidade de o telescópio produzir evidências mais conclusivas da existência da lua não é alta o suficiente.

Os investigadores não podem descartar que a evidência da lua não possa ser evidência de um segundo planeta. “Estamos a tentar ter muito cuidado em não chamar isto de descoberta”, disse Teachey.

Identificados mais de 100 planetas que podem ter luas com vida

Astrónomos dos Estados Unidos e Austrália identificaram 121 planetas fora do Sistema Solar nos quais acreditam que podem existir luas…

Telescópios baseados em terra tentam confirmar se o objeto é uma lua ou um segundo planeta baseado nos rebocadores gravitacionais do objeto no planeta conhecido. Este é um processo muito mais lento do que procurar luz de exoplanetas e exoluas que passam na frente das suas estrelas, que é o que os dados do Hubble e do Kepler revelam, e podem levar de cinco a dez anos, diz Teachey.

“Tudo está a sugerir que precisaremos de ser pacientes”, disse. “Se realmente está lá, está realmente lá.” Entretanto, os investigadores ainda estão à procura de outras exoluas nos dados do Kepler.

ZAP // Science News

Por ZAP
18 Janeiro, 2019

 

1474: Hubble descobre o buraco negro mais brilhante dos primórdios do Universo

NASA / ESA

O telescópio espacial Hubble descobriu um buraco negro excepcionalmente amplo e brilhante no início do Universo, que atingiu uma massa incrivelmente alta apenas 850 milhões de anos depois do Big Bang.

“Temos procurado por tal objecto há muito tempo, estudando arredores mais distantes do espaço. Os nossos cálculos mostram que provavelmente não há quasares mais brilhantes no Universo primordial e até mesmo moderno”, declarou Xiaohui Fan da Universidade do Arizona, nos EUA.

Acredita-se que buracos negros super-maciços, cuja massa pode ser várias vezes maior do que a solar, habitam o centro da maioria das galáxias massivas.

Nos últimos anos, o Hubble e outros poderosos telescópios do mundo têm procurado os buracos negros antigos e os seus potenciais “embriões”, usando lentes gravitacionais. Em alguns casos, a curvatura do espaço ajuda os astrónomos a verem os objectos super-distantes do Universo.

Recentemente, Fan e a sua equipa tiveram sorte: conseguiram encontrar uma lente gravitacional, gerada por uma galáxia muito opaca, localizada a oito mil milhões de anos-luz da Terra. A sua atracção aumentou e distorceu a luz de uma galáxia ainda mais distante e antiga na constelação de Touro, que está a 12,8 mil milhões de anos-luz de distância, o que tornou o objecto visível para o Hubble.

Esta “megacidade estrelar”, chamada J0439+1634, é única e extremamente interessante. Há um buraco negro e brilhante no seu centro que produz cerca de 600 mil milhões de vezes mais luz e outras formas de radiação do que o Sol. A sua massa, de acordo com as estimativas mais conservadoras dos astrónomos, deve ser pelo menos 430 milhões de vezes maior que a da nossa estrela – mas pode ser muito maior.

Além disso, os cientistas conseguiram estudar não apenas o quasar em si, mas também as nuvens vizinhas de gás e mostraram que J0439+1634 está a experimentar um recorde de boom de nascimento”. Todos os anos, dezenas de milhares de novas estrelas são formadas neste quasar, o que é três vezes mais do que na Via Láctea e outras galáxias modernas.

Segundo Fan, este fenómeno pode explicar como um buraco negro no centro desta antiga galáxia atingiu este tamanho imenso em tão pouco tempo. Uma taxa tão alta de formação de novas estrelas somente é possível se grandes quantidades de gás “fresco” e frio atingir constantemente o centro da galáxia.

Os cientistas planeiam testar a teoria depois de lançar o telescópio James Webb, o sucessor do Hubble, que poderá observar como o gás flui nas proximidades do centro do J0439+1634. Estas observações mostrarão a quantidade do gás dentro do buraco negro e como a sua atracção afecta a velocidade da formação de estrelas.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
13 Janeiro, 2019

 

1372: Hubble encontra milhares de enxames globulares espalhados entre galáxias

Mosaico do gigantesco enxame de Coma, que tem mais de 1000 galáxias, localizado a 300 milhões de anos-luz da Terra. A incrível nitidez do Hubble foi usada para fazer um censo compreensivo dos mais pequenos membros do enxame: 22.426 enxames globulares.
Crédito: NASA, ESA, J. Mack (STScI) e J. Madrid (ATNF)

Olhando através de 300 milhões de anos-luz para uma cidade monstruosa de galáxias, os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para fazer um censo abrangente de alguns dos seus membros mais pequenos: 22.426 enxames globulares encontrados até à data.

O levantamento, publicado na edição de 9 de Novembro da revista The Astrophysical Journal, permitirá aos astrónomos usar o campo de enxames globulares para mapear a distribuição de matéria e matéria escura no enxame galáctico de Coma, que contém mais de 1000 galáxias.

Dado que os enxames globulares são muito mais pequenos que galáxias inteiras – e muito mais abundantes – são um muito melhor indício de como a estrutura do espaço é distorcida pela gravidade do enxame de Coma. De facto, o enxame de Coma é um dos primeiros lugares onde as anomalias gravitacionais observadas foram consideradas indicativas de uma grande quantidade de massa invisível no Universo – que depois seria chamada de “matéria escura”.

Entre os primeiros “lares” do Universo, os enxames globulares são “ilhas” em forma de globo de neve com várias centenas de milhares de estrelas antigas. São parte integrante do nascimento e crescimento de uma galáxia. Existem cerca de 150 na nossa Galáxia e, dado que contêm as estrelas mais antigas conhecidas do Universo, estavam presentes nos primeiros anos de formação da Via Láctea.

Alguns dos enxames globulares da Via Láctea são visíveis a olho nu como “estrelas” de aparência difusa. Mas, à distância do enxame de Coma, os seus enxames globulares aparecem como pontos de luz até mesmo para a visão super-nítida do Hubble. O levantamento encontrou os enxames globulares espalhados no espaço entre as galáxias. Ficaram órfãos das suas galáxias hospedeiras devido a colisões galácticas no interior deste denso aglomerado de galáxias. O Hubble revelou que alguns dos enxames globulares alinham-se como padrões semelhantes a pontes. Esta é uma evidência reveladora de interacções entre as galáxias, onde se puxam gravitacionalmente umas às outras.

O astrónomo Juan Madrid do ATNF (Australian Telescope National Facility) em Sydney, Austrália, pensou sobre a distribuição dos enxames globulares em Coma quando examinava imagens do Hubble que mostravam enxames globulares que se estendiam até à orla de qualquer fotografia de galáxias no aglomerado galáctico de Coma.

Ele estava ansioso por obter mais dados de um dos levantamentos do legado Hubble que foi projectado para recolher dados de todo o enxame de Coma, de nome “Coma Cluster Treasury Survey”. No entanto, a meio do programa, em 2006, o poderoso instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble teve uma falha electrónica (O ACS foi posteriormente reparado por astronautas durante uma missão de manutenção do Hubble em 2009).

Para preencher as lacunas do levantamento, Madrid e a sua equipa obtiveram arduamente várias imagens do enxame galáctico, pelo Hubble, a partir de diferentes programas de observação do telescópio espacial. Estas são armazenadas no Arquivo Mikulski do STScI (Space Telescope Science Institute) para Telescópios Espaciais em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. Ele compôs um mosaico da região central do enxame, trabalhando com alunos do programa estudantil do NSF (National Science Foundation). “Este programa dá uma oportunidade aos alunos universitários, com pouca ou nenhuma experiência em astronomia, de ganhar experiência no campo,” comenta Madrid.

A equipa desenvolveu algoritmos para filtrar as imagens do mosaico Coma que tivessem pelo menos 100.000 fontes potenciais. O programa usou a cor dos enxames globulares (dominados pelo brilho das estrelas vermelhas envelhecidas) e a forma esférica para eliminar objectos estranhos – principalmente galáxias de fundo não associadas com o enxame de Coma.

Embora o Hubble tenha excelentes detectores com sensibilidade e resolução inigualáveis, a sua principal desvantagem é que têm campos de visão minúsculos. “Um dos aspectos mais interessante da nossa investigação é que mostra a incrível ciência que será possível com o planeado WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope) da NASA, que terá um campo de visão muito maior que o Hubble,” comenta Madrid. “Seremos capazes de visualizar enxames galácticos inteiros de uma só vez.”

Astronomia On-line
4 de Dezembro de 2018

 

1275: NASA mostra duas galáxias a colidir (e o que pode acontecer à Via Láctea)

Debra Meloy Elmegreen et al / Hubble/AURA/STScI/NASA

Observando os espessos muros de gás e pó que cercam os núcleos de galáxias em fusão, os astrónomos estão a conseguir ver o que acontece quando dois buracos negros massivos de galáxias diferentes colidem um com o outro.

Num novo estudo, publicado a 7 de Novembro na revista Nature, cientistas da Eureka Scientific analisaram centenas de imagens de galáxias em colisão capturadas pelos telescópios Hubble da NASA e do Observatório W. M Keck.

“Ver os pares de núcleos de galáxias fundidos com buracos negros massivos tão próximos foi bastante surpreendente”, disse Michael Koss, líder da equipa.

As imagens fornecem uma visão aproximada de um fenómeno que deverá ter sido mais comum no início do Universo, quando as fusões de galáxias eram mais frequentes. Quando as galáxias colidem, os buracos negros podem libertar energia poderosa na forma de ondas gravitacionais, o tipo de ondulação no espaço-tempo que só recentemente foi detectada por experiências inovadoras.

O novo estudo também mostra o que poderá acontecer ao nosso próprio espaço cósmico, daqui a milhares de milhões de de anos, quando a Via Láctea colidir com a galáxia vizinha Andrómeda e os seus respectivos buracos negros centrais se misturarem.

“Simulações de computador de galáxias mostram que os buracos negros crescem mais rapidamente no final da fusão, perto do momento em que os buracos negros interagem”, disse Laura Blecha, da Universidade da Florida.

NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.)

Uma fusão de galáxias é um processo lento que dura mais de mil milhões de anos, quando duas galáxias, sob o impulso inexorável da gravidade, se aproximam até se finalmente unirem.

O gás e pó ejectados durante a colisão de galáxias forma, muitas vezes, uma cortina espessa em redor dos centros destas, protegendo-os da vista em luz visível. Parte do material também cai nos buracos negros dos núcleos das galáxias em fusão. Os buracos negros crescem rapidamente enquanto se alimentam dessa comida cósmica, fazendo o gás brilhar intensamente.

Este rápido crescimento ocorre durante os últimos 10 milhões a 20 milhões de anos da fusões. As imagens da NASA capturaram esse fenómeno já perto da fusão final, quando os buracos negros estão separados por apenas três mil anos-luz – quase um abraço em termos cósmicos.

Não é fácil encontrar núcleos de galáxias tão próximos. A maioria das observações de galáxias em colisão capturaram os buracos negros em estágios iniciais, quando estavam cerca de 10 vezes mais distantes. O estágio final do processo requer observações de alta resolução em luz infravermelha que podem ver através das nuvens de pó e identificar as localizações dos dois núcleos que se fundem.

“O gás que cai nos buracos negros emite raios-X e o brilho dos raios-X indica a rapidez com que o buraco negro está a crescer”, explicou Koss. “Eu não sabia se encontraríamos fusões ocultas, mas suspeitávamos, com base em simulações de computador, que estariam em galáxias densamente encobertas. Por isso, tentámos ver através da poeira, na esperança de encontrar fusões de buracos negros”.

NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.)

A equipa analisou galáxias com uma distância média de 330 milhões de anos-luz da Terra. Muitas das galáxias são semelhantes em tamanho à Via Láctea e à Andrómeda. A equipa analisou 96 galáxias do Observatório Keck e 385 galáxias do arquivo do Hubble encontrado em 38 programas de observação do último. A amostra representa o que os astrónomos encontrariam ao realizar uma investigação em todo o céu.

Para verificar os resultados, a equipa de Koss comparou as galáxias do estudo com outras 176 galáxias do arquivo do Hubble que não possuem buracos negros em crescimento. A comparação confirmou que núcleos luminosos são, de facto, uma assinatura de buracos negros em rápido crescimento e em direcção a uma colisão.

Futuros telescópios infravermelhos, como o planeado Telescópio Espacial James Webb da NASA, fornecerão uma sonda de colisões de galáxias empoeiradas, medindo as massas, a taxa de crescimento e a dinâmica de pares de buracos negros próximos.

ZAP // NASA

Por ZAP
12 Novembro, 2018

 

1236: Telescópio Hubble capturou a gigantesca “Sombra do Batman”

NASA
O fenómeno da “Sombra do Batman” está no canto superior esquerdo da imagem

A NASA entrou no clima de Halloween nesta quarta-feira ao publicar uma imagem capturada pelo telescópio espacial Hubble de um fenómeno apelidado de “Sombra do Batman” – a silhueta escura e em forma de cone de uma estrela muito semelhante ao Sol, localizada a mais de mil anos-luz da Terra. 

O telescópio Hubble capturou uma sombra enorme, provocada por um estrela massiva chamada de HBC 672. De acordo com astrónomos da NASA, esta estrela está cercada por um anel de detritos de poeira, rocha e gelo, que é tão pequeno e distante que nem mesmo o Hubble seria capaz de o ver. No entanto, a sua sombra projecta-se sobre a nuvem onde nasceu, tornando possível a sua identificação através do Hubble.

“As sombras na Terra podem ser misteriosas, mas quando ocorrem no espaço, estas podem fornecer informações que não encontraríamos de outra forma“, escreveu a NASA na sua conta do Twitter.

E continuou: “Nesta imagem, o fenómeno – apelidado de “Sombra do Batman” – abrange aproximadamente 200 vezes o comprimento do nosso Sistema Solar.

O fenómeno é, literalmente, de outro mundo, mais especificamente da Nebulosa Serpente, constelação localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra.

“Isso é um análogo de como era o Sistema Solar quanto tinha apenas 1 ou 2 milhões de anos”, explicou Klaus Pontoppidan do Instituto de Ciências Espaciais Telescópicas, acrescentando ainda que, de acordo com a informação que têm “o Sistema Solar criou, uma vez, uma sombra parecida”, rematou.

ZAP // SputnikNews

Por SN
3 Novembro, 2018

 

1196: Não, não bastou uma pancadinha e um reboot para reparar o Hubble

NASA
Telescópio espacial da NASA Hubble, lançado em 1990

Desde o início do mês que o telescópio espacial Hubble, lançado em 1990, não estava a funcionar. Mas não bastou desligar e voltar a ligar o equipamento.

Há 28 anos a vasculhar o espaço, a NASA já esperava que o telescópio Hubble reportasse algum tipo de avaria durante este ano, mas foi surpreendida com uma repentina avaria: o equipamento começou para direcções erradas comprometendo as observações do cosmos.

Kenneth Sembach, director do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, disse na altura que, apesar de estar programado para 2021 o lançamento do telescópio James Webb, o sucessor do Hubble, o plano era garantir que este se mantivesse operacional até pelo menos 2025.

E essa meta pode mesmo ser possível. Os engenheiros da NASA descobriram uma forma de reactivar o telescópio espacial, reparando um instrumento que não estava a funcionar correctamente, de acordo com o Extreme Tech.

A NASA decidiu colocar o Hubble em modo de hibernação depois de um dos seus giroscópios falhar. O Hubble precisa de três giroscópios activos para detectar o movimento e garantir que esteja apontado na direcção certa.

Segundo o The Washington Post, no dia 16 de Outubro, a agência espacial tentou pela primeira vez o método de desligar e ligar o equipamento. Mas isso não funcionou. “Assim, teria sido fácil”, disse Patrick Crouse, gestor de operações do Hubble.

Esta segunda-feira, a NASA explicou, numa nota publicada no seu site, a forma como fez a reparação. O equipamento foi testado a partir do dia 18, com manobras em direcções opostas, que serviram também para testar a sua velocidade. A partir do dia 19, as rotações do giroscópio foram normalizadas. Alguns testes ainda serão feitos antes que o Hubble possa voltar ao seu funcionamento regular.

“Sempre acreditámos que o giroscópio parecia ser útil e só tínhamos de conseguir recuperá-lo para o ser novamente”, disse Crouse.

A notícia também foi ao Twitter, onde a NASA diz que “depois de avaliar o desempenho do Hubble, espera-se que o telescópio volte à ciência como sempre“.

ZAP //
Por ZAP
25 Outubro, 2018

 

1121: Telescópio espacial Hubble avaria e aponta para direções erradas

O telescópio espacial Hubble sofreu uma avaria e começou a apontar para direcções erradas impossibilitando as observações aos cientistas

Telescópio Hubble
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A NASA já esperava que o telescópio Hubble, há 28 anos no espaço, tivesse alguma avaria este ano, mas foi surpreendida com uma falha súbita no aparelho de observação. O telescópio começou a apontar para direcções erradas e os cientistas ficaram impossibilitados de prosseguir com as observações do cosmos.

O Hubble já tinha tido problemas giratórios e em 2009, numa missão de manutenção, os astronautas da NASA substituíram três dos seus dispositivos. Kenneth Sembach, director do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, que opera o Hubble. citado pelo jornal britânico TheGuardian, admite: “O facto de termos alguns problemas de giroscópio, é uma longa tradição com o observatório”.

Giroscópios

Os giroscópios são necessários para manter o Hubble, que está a 540 quilómetros da Terra, a apontar na direcção certa durante as observações. Os astrónomos usam o telescópio para analisar profundamente o cosmos e descobrir sistemas solares distantes, bem como galáxias e buracos negros. Na semana passada foi, aliás, anunciada uma descoberta através do Hubble, a primeira lua fora do nosso sistema solar.

Desde o seu lançamento em 1990, o Hubble fez mais de 1,3 milhões de observações, Neste momento, dois dos seus giroscópios funcionam bem, segundo Kenneth Sembach, mas o terceiro é que falhou. O telescópio usa três giroscópios, mas pode ser adaptado para funcionar apenas com dois, mas nesta situação Há pouca margem para falhas. Mas o director do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial mostra-se confiante que o Hubble “tem muitos anos de boa ciência pela frente.”

Diário de Notícias
Paula Sá
09 Outubro 2018 — 08:37

 

1056: HUBBLE ENCONTRA CARACTERÍSTICAS NUNCA ANTES VISTAS EM REDOR DE ESTRELA DE NEUTRÕES

Uma invulgar emissão de radiação infravermelha, de uma estrela de neutrões próxima, detectada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, pode indicar novas características nunca antes vistas. Uma possibilidade é que existe um disco poeirento em redor da estrela de neutrões; outra, que existe um vento energético expelido do objecto que choca com gás no espaço interestelar através do qual a estrela de neutrões atravessa.

Embora as estrelas de neutrões sejam geralmente estudadas em emissões de rádio e de alta energia, como raios-X, este estudo demonstra que informações novas e interessantes sobre as estrelas de neutrões também podem ser obtidas através do seu estudo infravermelho.

A observação, por uma equipa de investigadores da Universidade Estatal da Pensilvânia, da Universidade Sabanci, Istambul, Turquia, e da Universidade do Arizona, pode ajudar os astrónomos a entender melhor a evolução das estrelas de neutrões – os remanescentes incrivelmente densos formados depois da explosão de uma estrela massiva como super-nova. As estrelas de neutrões também são chamadas pulsares porque a sua rotação muito rápida (normalmente fracções de segundo, neste caso 11 segundos) provoca emissão variável no tempo a partir das regiões emissores de luz.

O artigo que descreve a investigação e as duas possíveis explicações para o achado invulgar foi publicado na edição de 17 de Setembro de 2018 da revista The Astrophysical Journal.

“Esta estrela de neutrões em particular pertence a um grupo de sete pulsares de raios-X próximos – apelidados ‘Os Sete Magníficos’ – que são mais quentes do que deviam ser tendo em conta as suas idades e o reservatório de energia disponível fornecido pela perda de energia rotacional,” comenta Bettina Posselt, professora associada de astronomia e astrofísica na Universidade Estatal da Pensilvânia, autora principal do artigo. “Nós observámos uma extensa área de emissões infravermelhas em torno desta estrela de neutrões – de nome RX J0806.4-4123 – cujo tamanho total se traduz em aproximadamente 200 unidades astronómicas (1 unidade astronómica, ou UA, corresponde à distância média Terra-Sol, aproximadamente 150 milhões de quilómetros) à distância presumida do pulsar.”

Esta é a primeira estrela de neutrões em que um sinal estendido foi observado apenas no infravermelho. Os cientistas sugeriram duas possibilidades que podem explicar o sinal infravermelho prolongado visto pelo Hubble. A primeira é que existe um disco de material – possivelmente na sua maioria poeira – envolvendo o pulsar.

“Uma teoria é que poderá existir o que é conhecido como ‘disco de retorno’ de material que coalesceu em torno da estrela de neutrões após a super-nova,” explica Posselt. “Tal disco seria composto de matéria da estrela massiva progenitora. A sua interacção subsequente com a estrela de neutrões poderá ter aquecido o pulsar e diminuído a sua rotação. Se confirmado como um disco de retorno de super-nova, este resultado pode mudar a nossa compreensão geral da evolução das estrelas de neutrões.”

A segunda possível explicação para a emissão infravermelha estendida desta estrela de neutrões é uma “nebulosa de vento pulsar”.

“Uma nebulosa de vento pulsar exigiria que a estrela de neutrões exibisse um vento pulsar,” realça Posselt. “Um vento pulsar pode ser produzido quando as partículas são aceleradas no campo eléctrico produzido pela rápida rotação de uma estrela de neutrões com um forte campo magnético. À medida que a estrela de neutrões viaja pelo meio interestelar a velocidades maiores que a do som, forma-se um choque onde o meio interestelar e o vento pulsar interagem. As partículas chocadas emitiriam radiação de sincrotrão, provocando o sinal infravermelho estendido que vemos. Normalmente, as nebulosas de vento pulsar são observadas em raios-X e uma nebulosa de vento pulsar, somente infravermelha, seria muito invulgar e emocionante.”

Com o Telescópio Espacial James Webb da NASA, os astrónomos poderão explorar ainda mais esse espaço recém-aberto de descoberta no infravermelho, a fim de melhor compreender a evolução das estrelas de neutrões.

Astronomia On-line
21 de Setembro de 2018

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