1940: O ministro da Ciência do Paquistão diz que o Hubble foi lançado pelo seu país

NASA
Telescópio espacial da NASA Hubble, lançado em 1990

O ministro da Ciência e da Tecnologia do Paquistão, Fawad Chaudhry, afirmou no passado fim-de-semana que o lendário telescópio Hubble foi colocado em órbita pela agência espacial paquistanesa e não pela NASA. 

Em declarações a uma televisão local no passado sábado, o governante classificou o Hubble como “o maior telescópio do mundo”, sustentando que este “foi enviado [para o Espaço] pela SUPARCO“, a agência espacial do Paquistão. “Depois, há outros satélites e outras tecnologias”, acrescentou o ministro.

A declaração do governante do Paquistão desencadeou uma série de críticas nas redes sociais, algumas da quais carregadas de sátira. Vários utilizadores lamentaram a “ignorância” e o “fraco conhecimento” do ministro.

“Não há necessidade de ver desenhos animados” quando existem “ministros do Governo que apresentam este programa”, apontou um cibernauta no Twitter. “Graças a Deus [Chaudhry] não disse que a NASA é um projecto SUPARCO”, criticou outro utilizador.

O lendário Hubble foi lançado no dia 24 Abril de 1990 pela agência espacial norte-americana, a bordo do vaivém espacial Discovery. A partir do seu “poleiro” em órbita da Terra, longe dos efeitos distorcidos da atmosfera do nosso planeta, o Hubble observa o Universo no ultravioleta próximo, no visível e no infravermelho próximo.

Entre os feitos mais importantes do Hubble, recordava o mês passado o CVVAlg, estão as vistas mais profundas do Universo em evolução, a descoberta de discos de formação planetária em redor de estrelas próximas, o estudo da química das atmosferas de planetas em torno de outras estrelas, a identificação do primeiro buraco negro super-massivo no coração de uma galáxia vizinha e evidências de um universo em aceleração, impulsionado talvez por alguma fonte desconhecida de energia no tecido do espaço.

ZAP //

Por ZAP
7 Maio, 2019

 

1931: Legado do Hubble em 16 anos de dados: eis a imagem mais detalhada do Universo

NASA

A NASA acaba de divulgar a imagem mais detalhada do Universo até agora conseguida. São mais de 265.000 galáxias numa só fotografia, que resultam do trabalho do telescópio Hubble durante 16 anos. É o maior e mais completo “livro de História” das galáxias já criado.

A imagem, criada por cientistas da agência espacial norte-americana, representa um mosaico composto por mais de 7.500 imagens que foram captadas pelo Hubble durante a sua actividade. No fundo, este é o seu legado científico.

A fotografia mostra inclusive galáxias que nasceram 500 milhões de anos após o Big Bang.

A fotografia em causa é mais pesada do que um quarto de terabyte e, por isso, não é possível abri-la recorrendo a programas padronizados. No entanto, é possível estimar o seu tamanho real através de um vídeo publicado pela NASA na sua conta no Twitter.

As cores da fotografia abrangem limites que vão além da visão humana, de luz ultravioleta a quase infravermelha, e contêm galáxias 10 mil milhões de vezes mais imperceptíveis do que os nossos olhos podem detectar.

“Nenhuma imagem ultrapassará esta até que futuros telescópios espaciais como James Webb sejam lançados”, assegurou Garth Illingworth, astrónomo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, em comunicado.

“Agora que fomos mais longe do que as investigações anteriores, estamos a colher muito mais galáxias distantes no maior conjunto de dados já produzido”, acrescentou.

Anteriormente, a Agência Espacial Europeia (ESA) publicou uma imagem deslumbrante da galáxia NGC 2903, que está localizada a uns impressionantes 30 milhões de anos-luz de distância na constelação de Leão, captada também pelo poderoso telescópio Hubble.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
6 Maio, 2019

 

1866: Telescópio Hubble assinala o 29º aniversário com nova espectacular imagem

© NASA, ESA e STScI

A seis dias de completar 29 anos no espaço, o telescópio óptico Hubble revelou uma nova imagem da Nebulosa do Caranguejo Sul, uma estrutura de ‘bolhas’ de gás e poeira em forma de ampulheta.

A imagem inédita foi divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA), que opera o telescópio espacial em colaboração com a agência espacial norte-americana NASA.

Todos os anos, por altura do aniversário do Hubble, que foi lançado para o espaço em 24 de Abril de 1990, é publicada uma imagem de corpos celestes particularmente bonitos e relevantes que foram observados pelo telescópio.

Em 2019 calhou a vez da Nebulosa do Caranguejo Sul, que, apesar de ter sido descrita pela primeira vez em 1967, só em 1999 foi mostrada na sua plenitude graças às observações do telescópio espacial Hubble.

A Nebulosa do Caranguejo Sul, que resultou da interacção de um par de estrelas localizadas no centro, uma gigante vermelha e uma anã branca, é assim designada para se distinguir da Nebulosa do Caranguejo, uma remanescente de uma super-nova (explosão de uma estrela moribunda) na constelação do Touro, a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, que deve o nome ao Pulsar do Caranguejo, uma estrela de neutrões situada no centro de nuvens de gás e poeira.

Parte do material – gás e poeira – ejectado pela gigante vermelha é atraído pelo campo gravítico da anã branca, que também ejecta material, criando a estrutura em forma de ampulheta.

No final, segundo a ESA, a gigante vermelha deixará de ‘alimentar’ a anã branca, acabando os seus dias como uma anã branca, uma estrela que emite pouca luz.

O telescópio espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, é apontado como o sucessor do Hubble, que deve o seu nome ao astrónomo norte-americano Edwin Powell Hubble (1889-1953), que descobriu que as galáxias se afastam umas das outras a uma velocidade proporcional à distância que as separa.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Abril 2019 — 18:30

 

1856: Hubble espreita aglomerado cósmico azul

Imagem do enxame M3, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: ESA/Hubble & NASA, G. Piotto et al.

Os enxames globulares são objectos inerentemente belos, mas o alvo desta imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, Messier 3, é frequentemente reconhecido como um dos mais esplêndidos de todos.

Contendo, incrivelmente, meio milhão de estrelas, este aglomerado cósmico com 8 mil milhões de anos é um dos mais brilhantes e maiores enxames globulares já descobertos. No entanto, o que torna Messier 3 ainda mais especial é a sua população invulgarmente grande de estrelas variáveis – estrelas cujo brilho flutua ao longo do tempo. Continuam a ser descobertas, até hoje, novas estrelas variáveis neste ninho estelar, mas até agora conhecemos 274, o maior número encontrado, de longe, em qualquer enxame globular. Pelo menos 170 delas são de uma variedade especial chamada variáveis RR Lyrae, que pulsam com um período directamente relacionado com o seu brilho intrínseco. Se os astrónomos souberem quão brilhante uma estrela realmente é, com base na sua massa e classificação, e souberem quão brilhante parece ser do nosso ponto de vista da Terra, podem determinar a sua distância. Por esta razão, as estrelas RR Lyrae são conhecidas como “velas padrão” – objectos de luminosidade conhecida cuja distância e posição podem ser usadas para ajudar a entender mais sobre as vastas distâncias celestes e sobre a escala do cosmos.

Messier 3 também contém um número relativamente elevado das chamadas “blue stragglers”, estrelas retardatárias azuis, que podem ser claramente vistas nesta imagem do Hubble. Estas são estrelas azuis de sequência principal que parecem ser jovens porque são mais azuis e luminosas do que as outras estrelas do grupo. Dado que se pensa que todas as estrelas nos enxames globulares nasceram juntas e, portanto, têm aproximadamente a mesma idade, só uma diferença na massa pode dar a essas estrelas uma cor diferente. Uma estrela vermelha e antiga pode parecer mais azul quando adquire mais massa, por exemplo, removendo-a de uma estrela próxima. A massa extra transforma-a numa estrela mais azul, o que nos faz pensar que é mais nova do que realmente é.

Astronomia On-line
16 de Abril de 2019

 

1793: Telescópio espacial Hubble captou um asteróide bizarro a auto destruir-se

NASA / ESA / University of Hawaii / European Southern Observatory
Asteróide 6478 Gault com duas caudas de detritos semelhantes a cometas que sugerem que a rocha espacial é autodestrutiva

O Telescópio Hubble, da NASA, captou imagens de uma rocha espacial que está, literalmente, a desfazer-se no Espaço.

O icónico telescópio espacial, da agência norte-americana NASA, está no Espaço com o objectivo de obter fotografias de elementos da nossa galáxia para, posteriormente, transmitir dados para a Terra, de modo a oferecer aos cientistas imagens fidedignas que os possam ajudar a ter uma noção do que acontece no cosmos.

Recentemente, o asteróide 6478 Gault foi apanhado em flagrante num processo de desintegração, uma imagem rara e impressionante que apanhou os cientistas de surpresa.

Segundo o ScienceAlert, este asteróide foi descoberto em 1988 e, desde então, mantinha-se estável, medindo os seus quatro quilómetros de largura e sem apresentar qualquer ramificação que pudesse representar uma ameaça ao planetas Marte e Júpiter.

Em Novembro do ano passado, o asteróide iniciou um processo de expansão, e em Janeiro surgiu uma grande cauda de poeira, tradicionalmente observada em cometas. Além de surpreendidos, os cientistas ficaram cada vez mais atentos a esta evolução inesperada.

Na sequência desta observação, foram realizados vários estudos aprofundados com o intuito de explicar o fenómeno. Uma das explicações incluía a possibilidade de colisão com qualquer outro objeto espacial que tenha passado próximo do 6478 Gault.

Mas a possibilidade foi descartada depois de os cientistas terem percebido que os asteróide estava, afinal, a iniciar o seu processo de deterioração, uma situação que é bastante rara de acontecer.

“Asteróides activos e instáveis, como o Gault, só agora começam a ser detectados pelos novos telescópios, o que significa que asteróides como este, que se estão a portar mal, nunca mais conseguirão escapar da nossa detecção”, afirmou Olivier Hainaut, do European Southern Observatory (ESO). Hainaut e os seus colegas apresentaram recentemente um estudo sobre a descoberta na Astrophysical Journal Letters.

No cinturão de asteróides existem cerca de 800 mil objectos conhecidos, e os cientistas atribuem ao estado frágil do 6478 Gault o chamado Efeito Yarkovsky-O-Keefe-Radzievskii-Paddack (YORP), que dita que a radiação electromagnética do Sol interage com pequenos objectos no Sistema Solar – como este asteróide, por exemplo -, fazendo com que eles girem cada vez mais rapidamente, tornando-os instáveis.

“O asteróide poderia estar à beira da instabilidade há 10 milhões de anos. Uma pequena perturbação, como um leve impacto de uma pedra, pode ter desencadeado as recentes explosões”, explica Jan Klevna, principal autor do estudo.

Os cientistas adiantaram ainda que as caudas do Gault vão começar a desaparecer nos próximos meses, quando a poeira se dispersar pelo Espaço.

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Por ZAP
2 Abril, 2019

 

1764: Hubble rastreia o ciclo de vida das tempestades gigantes em Neptuno

Esta é uma composição que mostra imagens de tempestades em Neptuno pelo Telescópio Espacial Hubble (esquerda) e pela sonda Voyager 2 (direita). A imagem do Hubble, pela câmara WFC3 (Wide Field Camera 3), obtida em Setembro e Novembro de 2018, mostra uma nova tempestade escura (topo, centro). Na imagem da Voyager, uma tempestade conhecida como Grande Mancha Escura pode ser vista no centro. Tem mais ou menos 13000 por 6000 km em tamanho – tão grande, no seu eixo maior, quanto a Terra. As nuvens brancas vistas a pairar na vizinhança das tempestades estão a maiores altitudes do que o material escuro.
Crédito: NASA/ESA/GSFC/JPL

Em 1989, a sonda Voyager 2 da NASA passou por Neptuno – o seu alvo planetário final antes de chegar aos confins do Sistema Solar. Foi a primeira vez que uma nave visitou este mundo remoto. À medida que a sonda por lá passava, tirou fotos de duas tempestades gigantes no hemisfério sul de Neptuno. Os cientistas apelidaram as tempestades de “Grande Mancha Escura” e “Mancha Escura 2”.

Apenas cinco anos depois, em 1994, o Telescópio Espacial Hubble da NASA obteve imagens nítidas de Neptuno à distância da Terra de 4,3 mil milhões de quilómetros. Os cientistas estavam ansiosos por observar as tempestades novamente. Em vez disso, as fotografias do Hubble revelaram que tanto a Grande Mancha Escura, do tamanho da Terra, quanto a Mancha Escura 2, tinham desaparecido.

“Foi certamente uma surpresa,” recorda-se Amy Simon, cientista planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Estávamos habituados a olhar para a Grande Mancha Vermelha de Júpiter, que presumivelmente está por lá há quase dois séculos.” Os cientistas planetários imediatamente começaram a construir simulações de computador para entender o misterioso desaparecimento da Grande Mancha Escura.

Agora parte do projecto OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy), Simon e seus colegas estão a começar a responder a estas perguntas. Graças às imagens captadas pelo Hubble, a equipa não só testemunhou pela primeira vez a formação de uma tempestade, como desenvolveu restrições que determinam a frequência e duração dos sistemas de tempestades.

O nascimento de uma tempestade

Em 2015, a equipa OPAL começou uma missão anual para analisar imagens de Neptuno capturadas pelo Hubble e detectou uma pequena mancha escura no hemisfério sul. Todos os anos, desde então, Simon e colegas observaram o planeta e monitorizaram a tempestade enquanto se dissipava. Em 2018, surgiu uma nova mancha escura, pairando a 23 graus de latitude norte.

“Estávamos tão ocupados a rastrear esta tempestade pequena de 2015, que não estávamos necessariamente à espera de ver outra grande tão cedo,” comenta Simon acerca da tempestade, parecida em tamanho à Grande Mancha Escura. “Foi uma surpresa agradável. De cada vez que obtemos novas imagens do Hubble, algo é diferente do que esperávamos.”

Além disso, o nascimento da tempestade foi capturado “em directo”. Ao analisarem imagens de Neptuno, pelo Hubble, obtidas de 2015 a 2017, a os cientistas descobriram várias pequenas nuvens brancas formadas na região onde a mancha escura mais recente apareceria mais tarde. Publicaram os seus achados na edição de 25 de Março da revista Geophysical Research Letters.

As nuvens de alta altitude são feitas de cristais de metano gelado, que lhes conferem a sua característica aparência branca e brilhante. Pensa-se que estas nuvens companheiras pairem acima das tempestades, análogas ao modo como as nuvens lenticulares cobrem montanhas altas na Terra. A sua presença, anos antes de uma nova tempestade ser avistada, sugere que as manchas escuras podem ter uma origem muito mais profunda na atmosfera do que se pensava anteriormente.

“Da mesma forma que um satélite terrestre observaria a meteorologia da Terra, observamos a meteorologia em Neptuno,” comenta Glenn Orton, cientista planetário no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, também do projecto OPAL. Assim como os furacões são seguidos na Terra, as imagens do Hubble revelaram o caminho sinuoso da mancha escura. Ao longo de um período de quase 20 horas, a tempestade moveu-se para oeste, deslocando-se um pouco mais devagar do que os ventos de alta velocidade de Neptuno.

Mas estas tempestades neptunianas são diferentes dos ciclones que vemos na Terra ou em Júpiter. Assim como os padrões de vento que as impulsionam. Parecidas aos trilhos que impedem que as bolas de bowling entrem nas calhas, bandas finas de correntes ventosas em Júpiter mantêm a Grande Mancha Vermelha num caminho definido. Em Neptuno, as correntes de vento operam em bandas muito mais amplas em redor do planeta, permitindo que tempestades como a Grande Mancha Escura vagueiem lentamente pelas latitudes. As tempestades normalmente pairam entre os jactos de ventos equatoriais oeste e as correntes que sopram para leste nas latitudes mais altas antes que os fortes ventos as separem.

São necessárias ainda mais observações. “Queremos ser capazes de estudar como os ventos estão a mudar com o tempo,” diz Simon.

Tempo médio de vida?

Simon também faz parte de uma equipa de cientistas liderados pelo estudante Andrew Hsu, da Universidade da Califórnia em Berkeley, que identificou quanto tempo estas tempestades duram e com que frequência ocorrem.

Eles suspeitam que as novas tempestades surgem em Neptuno a cada quatro a seis anos. Cada tempestade pode durar até seis anos, embora a expectativa de vida de dois anos seja mais provável, de acordo com resultados publicados dia 25 de Março na revista The Astronomical Journal.

Foram descobertos um total de seis sistemas de tempestades desde que os cientistas se voltaram para Neptuno. A Voyager 2 identificou duas tempestades em 1989. Desde que o Hubble foi lançado em 1990, viu mais quatro destas tempestades.

Além de analisar os dados recolhidos pelo Hubble e pela Voyager 2, a equipa realizou simulações de computador que mapearam um total de 8000 manchas escuras girando pelo planeta gelado. Quando combinadas com 256 imagens de arquivo, estas simulações revelaram que o Hubble provavelmente teria detectado aproximadamente 70% das tempestades simuladas que ocorreram ao longo de um ano e cerca de 85% a 95% das tempestades com uma vida útil de dois anos.

Ainda pairam perguntas

As condições em Neptuno ainda são em grande parte um mistério. Os cientistas planetários esperam estudar em breve as mudanças na forma do vórtice e a velocidade do vento das tempestades. “Nós nunca medimos directamente os ventos dentro dos vórtices escuros de Neptuno, mas estimamos que as velocidades do vento estão próximas dos 100 metros por segundo, bastante parecidas às velocidades do vento dentro da Grande Mancha Vermelha de Júpiter,” diz Michael Wong, cientista planetário da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele realça que observações mais frequentes, usando o Telescópio Espacial Hubble, ajudarão a pintar uma imagem mais clara de como os sistemas de tempestades em Neptuno evoluem.

Simon diz que as descobertas em Neptuno terão implicações para aqueles que estudam exoplanetas, na nossa Galáxia, de tamanho idêntico aos gigantes de gelo. “Se estudarmos os exoplanetas e quisermos entender como funcionam, precisamos realmente de entender primeiro os nossos planetas,” acrescenta Simon. “Temos muito pouca informação sobre Úrano e Neptuno.”

Todos concordam que estes achados recentes estimulam o desejo de seguir com mais detalhe o nosso mais distante gigante planetário. “Quanto mais sabemos, mais nos apercebemos do que não sabemos,” conclui Orton.

Astronomia On-line
26 de Março de 2019

 

1701: Hubble e Gaia medem, com precisão, a massa da Via Láctea

Esta impressão de artista mostra um modelo gerado computacionalmente da Via Láctea e das posições dos enxames globulares que a rodeiam, usado no estudo.
Os cientistas usaram as velocidades medidas destes 44 enxames globulares para determinar a massa total da Via Láctea, o nosso lar cósmico.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, L. Calçada

A massa da Via Láctea é uma das medições mais fundamentais que os astrónomos podem fazer sobre o nosso lar galáctico. No entanto, apesar de décadas de esforço intenso, até mesmo as melhores estimativas disponíveis da massa da Via Láctea estão em profundo desacordo. Agora, combinando novos dados da missão Gaia com observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos descobriram que a Via Láctea tem mais ou menos 1,5 biliões de massas solares dentro de um raio de 129.000 anos-luz a contar do Centro Galáctico.

As estimativas anteriores da massa da Via Láctea variam entre 500 mil milhões a 3 biliões de vezes a massa do Sol. Esta enorme incerteza surgiu principalmente dos diferentes métodos usados para medir a distribuição da matéria escura – que representa cerca de 90% da massa da Galáxia.

“Não conseguimos, simplesmente, detectar a matéria escura directamente,” explica Laura Watkins (ESO, Alemanha), que liderou a equipa que realizou a análise. “Isto é o que leva à actual incerteza na massa da Via Láctea – não conseguimos medir com precisão aquilo que não podemos ver!”

Dada a natureza elusiva da matéria escura, a equipa teve que recorrer a um método inteligente para “pesar” a Via Láctea, que se baseou na medição das velocidades dos enxames globulares – aglomerados estelares densos que orbitam o disco espiral da Galáxia a grandes distâncias.

“Quanto mais massiva é uma galáxia, mais rapidamente os seus enxames se movem sob a força da sua gravidade,” explica N. Wyn Evans (Universidade de Cambridge, Reino Unido). “A maioria das medições anteriores determinou a velocidade com que um enxame se aproxima ou afasta da Terra, que é a velocidade ao longo da nossa linha de visão. No entanto, fomos capazes de medir também o movimento lateral dos aglomerados, a partir do qual a velocidade total e, consequentemente, a massa galáctica, pode ser calculada.”

O grupo usou a segunda versão do catálogo Gaia como base para o seu estudo. O Gaia foi projectado para criar um mapa tridimensional preciso de objectos astronómicos em toda a Via Láctea e para rastrear os seus movimentos. A sua segunda divulgação de dados inclui medições de enxames globulares até 65.000 anos-luz da Terra.

“Os enxames globulares estendem-se a uma grande distância, de modo que são considerados os melhores rastreadores que os astrónomos possuem para medir a massa da nossa Galáxia,” comentou Tony Sohn (STScI, EUA), que liderou as medições do Hubble.

A equipa combinou estes dados com a sensibilidade inigualável e legado observacional do Hubble. As observações do Hubble permitiram com que enxames globulares fracos e distantes, até 130.000 anos-luz da Terra, fossem adicionados ao estudo. Dado que o Hubble observa alguns destes objectos há uma década, foi possível também rastrear com precisão as velocidades destes enxames.

“Tivemos sorte em ter uma combinação tão boa de dados,” explicou Roeland P. van der Marel (STScI, EUA). “Combinando as medições de 34 enxames globulares pelo Gaia com medições de 12 enxames mais distantes com o Hubble, pudemos determinar a massa da Via Láctea de uma maneira que seria impossível sem estes dois telescópios espaciais.”

Até agora, a não-determinação da massa precisa da Via Láctea apresentava um problema nas tentativas de responder a muitas questões cosmológicas. O conteúdo de matéria escura de uma galáxia e a sua distribuição estão intrinsecamente ligados à formação e crescimento de estruturas no Universo. O cálculo, com precisão, da massa da Via Láctea dá-nos uma compreensão mais clara de onde a nossa Galáxia se situa num contexto cosmológico.

Astronomia On-line
12 de Março de 2019

 

1683: Cientistas calculam quanto pesa a Via Láctea

Chao Liu/National Astronomical Observatories, Chinese Academy of Sciences

Numa árdua tarefa conjunta, dados do telescópio espacial Hubble, da NASA, juntamente a medições da missão Gaia, da ESA, permitiram um novo cálculo para estimar com precisão a massa da nossa galáxia.

De acordo com o novo estudo, a Via Láctea tem o peso de 1,5 biliões de massas solares, abrigando cerca de 200 mil milhões de estrelas.

Anteriormente, estimativas previam que a Via Láctea pesava algo entre 500 mil milhões e 3 biliões de vezes a massa do Sol, com diferentes métodos usados para medir a distribuição da matéria escura, que representa cerca de 90% da massa de toda a galáxia.

Como não é possível detectar a matéria escura directamente, estes cálculos usando variados métodos acabavam a gerar dados incertos, ainda que possíveis.

Para fazer o novo cálculo, a equipa usou um método inteligente que conta com a medição das velocidades dos aglomerados globulares, que são bastante densos e orbitam o disco espiral da galáxia a grandes distâncias.

N. Wyn Evans, da Universidade de Cambridge, explica que “quanto mais massiva é uma galáxia, mais rapidamente os seus aglomerados se movem sob a força da sua gravidade”.

Ele também explica que “a maioria das medições anteriores encontrou a velocidade em que um aglomerado está a aproximar-se ou a recuar da Terra, que é a velocidade ao longo da nossa linha de visão. No entanto, também pudemos medir o movimento lateral dos aglomerados, dos quais a velocidade total, e consequentemente a massa galáctica, podem ser calculadas”.

Por isso, foi essencial usar dados da missão Gaia, em cuja última libertação de dados há medições de aglomerados globulares a 65 mil anos-luz da Terra. “Estes aglomerados estendem-se a uma grande distância, por isso são considerados os melhores rastreadores que os astrónomos têm para medir a massa de nossa galáxia”, diz Tony Sohn, que conduziu a recolha de dados do Hubble para este estudo.

As observações do Hubble permitiram a recolha de dados de aglomerados globulares fracos e ainda mais distantes, a até 130 mil anos-luz da Terra.

“Combinando as medidas da Gaia em 34 aglomerados globulares com as medições de 12 aglomerados mais distantes pelo Hubble, podemos fixar a massa da Via Láctea de uma maneira que seria impossível sem estes telescópios espaciais”, declarou Roeland P. van der Marel, do Space Telescope Science Institute.

Muitas questões cosmológicas importantes ainda não foram respondidas justamente porque não conhecíamos a massa, de maneira mais precisa, da Via Láctea. Determinar com precisão a massa da nossa galáxia é importante para que possamos compreender ainda melhor o universo ao nosso redor.

ZAP // Canal Tech

Por CT
8 Março, 2019

 

1639: A nova Lua de Neptuno, Hipocampo

Hoje em dia conhecemos 194 satélites naturais no sistema solar (158 confirmados e 36 ainda provisórios) em órbita à volta dos vários planetas do sistema solar, tanto dos principais como dos planetas anões.

Uma das recentes adições à nossa família do sistema solar foi a minúscula lua de Neptuno, chamada Hipocampo, que com apenas 34 Km de diâmetro foi identificada em 2013 na proximidade de Proteu (uma lua muito maior) em dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble da NASA.

Créditos: NASA e ESA

A presença de uma lua pequena junto a uma grande foi um mistério, pois a acção gravitacional de Proteu deveria ter ou absorvido ou empurrado Hipocampo para longe na época da sua formação.

A explicação avançada esta semana é de que Hipocampo é um pedaço de Proteu arrancado pelo impacto de um cometa. Esta explicação parece ser confirmada pelas antigas observações da sonda Voyager 2. Quando a sonda passou em Neptuno, no ano de 1989, descobriu seis luas internas orbitando o planeta. Uma delas, Proteu, tinha uma grande cratera de impacto e os astrónomos imediatamente colocaram a hipótese, de que um cometa teria no passado chocado com esta lua Proteu. No entanto Hipocampo não foi vislumbrado na altura e o mistério permaneceu até hoje.

O par Proteu-Hipocampo fornece uma ilustração dramática de que as luas são às vezes originadas pelos cometas.

Até agora descobriram-se 194 luas no sistema solar, 79 das quais em Júpiter, mas muito provavelmente ainda há muitas mais para descobrir, não só no nosso sistema solar mas também nos muitos outros sistemas que se têm descoberto.

Fonte: OAL / FCUL

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
25 Fev 2019

 

1617: A mais pequena lua de Neptuno pode ter nascido da sua segunda maior lua

NASA

A lua mais pequena de Neptuno, a Hipocampo, parece ser um fragmento da segunda maior lua do planeta, a Proteu, sugerem astrónomos num estudo esta quinta-feira divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrónomos chegaram a esta conclusão a partir de observações com o telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, e de dados mais antigos da sonda Voyager 2, que se aproximou de Neptuno em 1989.

Segundo o estudo, citado hoje em comunicado, a lua Hipocampo terá resultado da fragmentação da lua Proteu quando foi atingida por um cometa há mil milhões de anos, formando uma cratera na sua superfície.

“Em 1989, pensávamos que a cratera era o fim da história. Com o Hubble, sabemos agora que um pequeno pedaço de Proteu ficou para trás e que é Hipocampo”, afirmou, citado no comunicado da ESA/Hubble, o coordenador da equipa de astrónomos, Mark Showalter, do Instituto norte-americano SETI, que foi fundado pelo cosmólogo e divulgador de ciência Carl Sagan (1934-1996).

A lua Hipocampo, que terá cerca de 34 quilómetros de diâmetro, foi descoberta em 2013 e a sua órbita está muito próxima da de Proteu, lua que, de acordo com os astrónomos, teve origem num cataclismo envolvendo os satélites naturais de Neptuno, um dos ‘gigantes’ gasosos e o último planeta do Sistema Solar.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do [telescópio] Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflete”, descreveu ao jornal Público Mark Showalter. “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas”, avançou.

SETI Institute
Comparação de tamanho das sete luas internas de Neptuno

Há mil milhões de anos, Neptuno capturou um corpo enorme da cintura de Kuiper, que, defendem os especialistas, corresponde à maior lua do planeta, Tritão.

Os resultados foram esta quinta-feira publicados na revista especializada Nature.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1577: Telescópio Hubble revela furacão misterioso na atmosfera de Neptuno

NASA / ESA / A. Simon

O observatório orbital Hubble recebeu novas fotografias de Neptuno e Úrano, onde se podem observar novas manchas misteriosas na atmosfera do segundo maior gigante gasoso e um furacão enorme no pólo norte do sétimo planeta.

O “traço marcante” de Júpiter é uma grande mancha vermelha – um furacão com um diâmetro de várias centenas de quilómetros e cuja velocidade alcança os cerca de 430 quilómetros por hora. Durante muito tempo, este foi considerado um traço único do maior gigante gasoso do Sistema Solar.

No entanto, desde os anos 1980, os cientistas começaram a duvidar desse facto. Em 1994, as imagens do telescópio Hubble mostraram que furacões parecidos com o de Júpiter podem, afinal, surgir também em Neptuno.

Há dois anos, o Hubble captou fotografias ainda mais detalhadas de Neptuno que confirmaram a existência, na sua atmosfera, de turbilhões com uma duração relativamente curta, de apenas alguns meses, em comparação com as estruturas seculares de Júpiter.

As novas imagens do Hubble, obtidas em Setembro no âmbito do programa OPAL, indicaram o surgimento de mais uma grande mancha em Neptuno, localizada nas latitudes polares do hemisfério norte do planeta e cercada pelas características nuvens brancas, o que prova as mudanças bruscas de temperatura nos seus arredores e os fluxos rápidos de ar.

Segundo os astrónomos da NASA, a Terra poderia caber dentro dessa mancha, uma vez que o diâmetro do furacão se aproxima dos 11 mil quilómetros. No entanto, como surgem estas estruturas e como se extinguem permanece um autêntico mistério para os cientistas.

Além disso, foi detectado mais um furacão no pólo norte de Úrano, com um tamanho ainda maior. Os cientistas supõem que o furacão se formou porque o sétimo planeta do Sistema Solar gira “de lado”.

Esta característica faz com que os seus pólos ora estejam voltados directamente para o Sol, ora fiquem completamente escondidos, causando mudanças bruscas de temperatura, assim como tempestades e nuvens.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
10 Fevereiro, 2019