2220: A lendária Cidade Perdida do Deus Macaco é um refúgio de espécies “extintas”

CIÊNCIA

David Yoder / National Geographic

A Cidade Branca, imponente sítio arqueológico detectado em 2012 nas selvas das Honduras, é também um “ecossistema prístino e próspero, cheio de espécies raras e únicas”.

A ONG americana Conservation International chegou a essa conclusão depois de concluir uma expedição em 2017 para fins de consultoria, cujos resultados foram divulgados em 20 de Junho.

Um grupo de cientistas liderados pelo biólogo Trond Larsen investigou a vida selvagem daquele refúgio de vida selvagem e encontrou entre as suas espécies algumas que se acreditava estarem extintas. Destas, 22 nunca tinham sido vistos em Honduras, dois foram identificados como desaparecidos do território nacional há décadas, e um deles, o do besouro-tigre, foi considerado completamente extinto, segundo um comunicado.

O antigo assentamento é um refúgio para grandes animais, como jaguares e pumas, mas também para morcegos, cobras, sapos e pássaros. Os investigadores identificaram, por exemplo, uma próspera população de queixadas, bem como uma variedade de porcos extremamente sensíveis à desflorestação, que precisa de vastas áreas de floresta intacta para sobreviver e é por isso que já não é encontrada na América Central.

A riqueza e diversidade do mundo dos insectos que vivem na Cidade Perdida reflecte-se no número total de espécies identificadas de borboletas e mariposas: 246. O número de espécies de plantas também se aproxima de 200, 14 das quais estão ameaçadas.

Larsen, chefe da expedição, disse que a sua equipa científica “ficou surpreendida com a descoberta de uma biodiversidade tremendamente rica, incluindo muitas espécies raras e ameaçadas”. A Cidade Branca “é uma das poucas áreas remanescentes na América Central onde os processos ecológicos e evolutivos permanecem intactos“.

À luz das descobertas, tanto arqueológicas como biológicas, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, pediu um estudo científico aprofundado, que já está em andamento, para determinar as medidas de protecção exigidas pela floresta tropical ao redor da Cidade Branca.

Tanto as florestas como os monumentos da era pré-colombiana, ainda não escavados, fazem parte do parque natural de La Mosquitia, que é a maior área natural protegida da nação centro-americana.

Esta Cidade Perdida data de 1400 e foi construída por uma misteriosa civilização para a qual os arqueólogos ainda não têm nome. Foi uma maravilha mítica durante anos até que uma expedição confirmou a sua existência em 2015.

ZAP //

Por ZAP
23 Junho, 2019

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1027: A mítica civilização maia já domesticava e vendia grandes felinos

CIÊNCIA

(dr) N. Sugiyama
Crânio de um puma que foi sepultado com uma jovem da civilização maia

Uma sepultura encontrada na antiga cidade maia de Copán, nas Honduras, tinha no seu interior os restos mortais de uma jovem com as pernas cruzadas. Curiosamente, a jovem não estava “sozinha” – ao seu lado foram encontrados ossos de dois veados e de um crocodilo.

No entanto, as surpresas não se ficam por aqui: de acordo com os investigadores, foi também encontrado um esqueleto completo de um puma na sepultura, aparentemente abatido como parte do ritual fúnebre.

Segundo a investigação, publicada esta quinta-feira na PLOS, os cientistas acreditam que o felino pode ter sido domesticado pela civilização antiga, explicando que o puma fazia parte de um vasto esquema de domesticação de grandes felinos.

O mesmo documento nota que todos os restos mortais encontrados estavam na sepultura desde de o ano 435 d.C – inicio da história maia.

“Os ossos de jaguares e pumas encontrados na zona maia de Cópan evidenciam a existência quer de cativeiro que de grandes redes de comércio” durante a civilização maia, disse em comunicado Nawa Sugiyama, arqueóloga da Universidade George Manson, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo.

As novas descobertas vão ao encontro de pesquisa anteriores, que já davam conta que as culturas Mesoamericanas mantinham animais selvagens em cativeiro para uso posterior em rituais. Além disso, ficou também confirmado que as redes de comércio de animais na Mesoamérica antiga eram bem mais extensas do que se pensava até então.

Sepultamentos com animais exóticos

Não é incomum para os arqueólogos encontrar restos de grandes felinos e outros animais em cidades mesoamericanas. Perto de um altar em Copán, onde se faziam os sacrifícios com animais, os cientistas encontraram vestígios de grandes felinos tão compactados que acabaram por os chamar de “cozido de onça”, revela o artigo.

No entanto, estes animais revelaram detalhes além dos próprios rituais. Apesar de já ser conhecido que as populações de Copán tinham conseguido domesticar cães e perus, as novas análises realizadas aos ossos dos felinos e outros animais, revelaram que estes animais eram mantidos e criados em cativeiro.

A investigação revelou que pelo menos alguns dos animais não viviam na natureza, ou seja, não foram caçados, mas antes mantidos e alimentados como animais domésticos – o que significa que os primeiros mesoamericanos tiveram e comercializaram grandes felinos e outros animais muito antes do que os arqueólogos imaginavam.

Além de pumas e jaguares, veados e pássaros eram também comercializados na época em Copán, evidenciando que houve grande comércio de animais na América do Sul há mais de mil anos. Milhares de anos depois, a mítica civilização maia continua a revelar (alguns) dos seus mistérios.

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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