3962: Reconstrução 3D mostra rosto de homem da Idade da Pedra

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

(dr) Oscar Nilsson

Oscar Nilsson, um artista forense sueco, reconstruiu virtualmente a aparência de um homem da Idade da Pedra, cujo crânio sem mandíbula foi encontrado em 2012.

Em 2012, arqueólogos suecos encontraram um cemitério de pessoas que terão vivido há cerca de 8 mil anos. Lá, descobriram 11 crânios submersos que, segundo a investigação, foram datados da época da Idade da Pedra. Apenas dois crânios tinham mandíbulas.

Oscar Nilsson, um artista forense sueco, decidiu fazer uma reconstrução em 3D de um homem da Idade da Pedra, utilizando a informação genética e anatómica disponível. O artista criou um busto de um homem com, aproximadamente, 50 anos, de olhos azuis, cabelo castanho e pele pálida, que seguramente pertencia a um grupo de caçadores-colectores.

Para recriar o rosto sem danificar o crânio, o especialista realizou uma tomografia computorizada e imprimiu uma réplica tridimensional em plástico.

Pelo facto de não possuir mandíbula, Nilsson baseou-se nas medições do crânio para o recriar proporcionalmente. Segundo o Live Science, o especialista também utilizou métodos forenses para determinar como seriam os músculos, a pele e outras características faciais.

Para escolher a indumentária e o penteado do homem, Nilsson inspirou-se nos restos de animais selvagens (ursos pardos, veados, javalis e alces) que foram encontrados no cemitério sueco.

“Acredito que os animais eram muito importantes para estas pessoas. Este homem está, de alguma forma, conectado com javalis: além de usar a pele dos animais, o seu penteado é inspirado neles”, explicou.

O homem da Idade da Pedra apresenta ainda uma ferida, de cerca de 2,5 centímetros, na cabeça. Por apresentar sinais de cicatrização, os investigadores concluíram que o ferimento não foi a causa da morte do indivíduo.

As pinturas de giz branco no peito é uma alusão a uma das práticas mais conhecidas entre estes povos da Idade da Pedra. “É um lembrete de que não podemos entender o gosto estético, apenas observá-lo. Não temos motivos para acreditar que estas pessoas estavam menos interessadas na sua aparência e em expressar a sua individualidade do que estamos hoje”, justificou Nilsson.

O artista salvaguarda que esta ideia é totalmente especulativa, mas sublinha que “uma descoberta tão específica como esta exige uma interpretação correspondente”.

Esta nova reconstrução facial fornece um raro vislumbre do passado. Apesar de não ser perfeita, nem totalmente precisa, é bem-sucedida.

ZAP //

Por ZAP
6 Julho, 2020

 

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3239: A esperança de vida natural do Homem é surpreendentemente baixa

CIÊNCIA

(CC0/PD) lisichik / pixabay

Os denisovanos e os neandertais, duas espécies já extintas muito próximas dos humanos modernos, tinham uma esperança natural de vida de 37,8 anos.

Esta é a conclusão de uma nova investigação que calculou a longevidade de diferentes espécies através da análise do seu ADN. Na prática, a esperança média de vida dos animais está escrita no seu próprio ADN.

Partindo dos valores obtidos para denisovanos e os neandertais, explicou Benjamin Mayne, um dos autores da investigação, em declarações ao portal The Conversation, a equipa conseguiu também estimar a esperança de vida natural do Homem. São 38 anos, valor próximo dos seus “primos” já extintos.

Actualmente, frisou o investigador, a esperança média de vida do Homem é bem mais elevada graças às melhorias no estilo de vida e ao avanços na medicina.

Para conseguir calcular as taxas, a equipa de cientistas australianos da Organização de Investigação Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO) recorreu à Inteligência Artificial (IA). Os cientistas desenvolveram um modelo que usa o “relógio genético” para estimar quanto tempo é que diferentes vertebrados tendem a viver, sejam as espécies em estudo vivas ou já extintas, conta o portal New Scientist.

Depois, os cientistas treinaram a IA com genomas (sequências completos de ADN) conhecidos de 252 espécies de cinco animais, incluindo mamíferos, répteis e peixes.

Depois, a Inteligência Artificial reduziu quase 30.000 regiões de ADN relacionadas com a esperança média de vida para 42 genes específicos.

A partir deste número mais reduzido de genes, os cientistas conseguiram estimar a esperança média de vida de vários animais através da metilação de ADN, um processo de alteração do material genético associado ao envelhecimento e à esperança média de vida de espécies, explicou Benjamin Mayne.

CSIRO

As taxas calculadas

Os cientistas concluíram que a esperança natural de vida dos denisovanos e dos neandertais era de cerca de 38 anos, enquanto o mamute-lanoso, que viveu há milhões de anos no norte do planeta, poderia viver durante cerca de 60 anos.

A IA apontou também que as tartarugas gigantes da Ilha de Pinta, no Oceano Pacífico, podem viver até aos 120 anos. George Solitário, o último exemplar conhecido da espécie Chelonidis abingdonii, viveu mais de 100 anos.

Os cientistas descobriram ainda que a baleia da Gronelândia, considerado o mamífero com maior esperança média de vida da Terra, pode viver até aos 268 anos. O espécime de baleia da Gronelândia com maior esperança de vida até agora conhecido durou 112 anos, longe da taxa agora apresentada. Contudo, importa frisar, o estudo não tem em conta factores externos, como é o caso da existência de predadores.

“É incrível pensar que existe um animal que vive quase três séculos e poderia estar vivo quando o capitão Cook chegou à Austrália”, disse Mayne, citado pelo jornal Daily Mail.

Conhecer a esperança de vida natural dos animais, especialmente aqueles que enfrentam risco de extinção, é essencial para conservar a vida selvagem, apontam os cientistas no estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na Scientific Reports.

ZAP //

Por ZAP
21 Dezembro, 2019

 

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