2986: TESS apresenta panorama do céu do hemisfério sul

CIÊNCIA

Este mosaico do céu do hemisfério sul foi composto a partir de 208 imagens obtidas pelo TESS da NASA durante o seu primeiro ano de operações científicas. Entre os objectos mais famosos está a banda brilhante (esquerda) da Via Láctea, a nossa Galáxia vista de lado, a Nebulosa de Orionte (topo), um berçário estelar, e a Grande Nuvem de Magalhães (centro), uma galáxia vizinha localizada a aproximadamente 163.000 anos-luz de distância. As linhas escuras são lacunas entre os detectores do sistema de câmaras do TESS.
Crédito: NASA/MIT/TESS e Ethan Kruse (USRA)

O brilho da Via Láctea – a nossa Galáxia vista de lado – arqueia através de um mar de estrelas num novo mosaico do céu produzido a partir de um ano de observações do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. Construído a partir de 208 imagens obtidas pelo TESS durante o primeiro ano de operações científicas da missão, concluído no dia 18 de Julho, o panorama sul revela tanto a beleza da paisagem cósmica quanto o alcance das câmaras do TESS.

“A análise de dados do TESS concentra-se em estrelas e planetas individuais, uma de cada vez, mas eu queria dar um passo atrás e destacar tudo de uma vez só, enfatizando a vista espectacular que o TESS nos dá de todo o céu,” disse Ethan Kruse, do Programa de Pós-Doutoramento da NASA que compôs o mosaico no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Nesta cena cósmica, o TESS descobriu 29 exoplanetas, ou mundos para lá do nosso Sistema Solar, e mais de 1000 candidatos a planeta que os astrónomos estão a investigar.

O TESS dividiu o céu do sul em 13 sectores e fotografou cada um deles durante quase um mês usando quatro câmaras, que transportam um total de 16 CCDs. (charge-coupled devices). Notavelmente, as câmaras do TESS capturam um sector completo do céu a cada 30 minutos, como parte da sua busca por trânsitos exoplanetários. Os trânsitos ocorrem quando um planeta passa em frente da sua estrela hospedeira a partir da nossa perspectiva, diminuindo de forma breve e regular a sua luz. Durante o primeiro ano de operações do satélite, cada uma das suas CCDs capturou 15.347 exposições científicas com 30 minutos. Estas imagens são apenas uma parte de mais de 20 terabytes de dados do céu do hemisfério sul que o TESS transmitiu, comparável ao “streaming” de quase 6000 filmes em alta definição.

Além das suas descobertas planetárias, o TESS captou imagens de um cometa no nosso Sistema Solar, acompanhou o progresso de inúmeras explosões estelares chamadas super-novas e até capturou o brilho de uma estrela destruída por um buraco negro super-massivo. Depois de concluir a sua investigação a sul, o TESS virou-se a fim de dar início ao estudo de um ano do céu do hemisfério norte.

Astronomia On-line
8 de Novembro de 2019

 

1616: “Rio” com 4000 estrelas flui surpreendentemente perto do Sol

ESO/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin

Uma equipa de cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, acaba de descobriu um “rio de estrelas”, uma corrente estelar que cobre a maior parte do céu do hemisfério Sul.

A corrente é formada por pelo menos de 4000 estrelas que se estão a mover juntas no espaço desde que se formaram, há aproximadamente mil milhões de anos. “[A corrente] é enorme e está surpreendentemente perto do Sol“, disse João Alves, co-autor do estudo.

“A maior parte dos aglomerados de discos galácticos dispersam-se rapidamente após o nascimento, pois não possuem estrelas suficientes para criar um potencial gravitacional profundo, noutras outras palavras, não têm cola suficiente para mantê-los juntos”, explicou Stefan Meingast, o autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astronomy and Astrophysics.

Para a investigação, os cientistas recorreram a dados do satélite ESA Gaia. A partir destas informações, conseguiram estudar o movimento tridimensional das estrelas e imediatamente foram confrontados por um grupo até então desconhecido e não estudado que, surpreendentemente, se movia como uma corrente.

De acordo com os cientistas, foi este surpreendente grupo de estrelas que demonstrou com precisão as características esperadas de um grupo estelar que nasceu junto, sendo depois separado pelo campo gravitacional da Via Láctea.

“Assim que investigamos este grupo específico de estrelas com mais detalhes, soubemos que tínhamos encontrado o que procurávamos: uma estrutura ondulada e contemporânea que se estende por centenas de parsecs ao longo de um terço do céu”, afirmou Verena Fürnkranz, co-autora e aluna de mestrado da Universidade de Viena. “Foi muito emocionante fazer parte de una nova descoberta”, confessou.

Tendo em conta a sua relativa proximidade da Terra, o “rio” recém-descoberto pode ajudar os cientistas a estudar a força da gravidade da Via Láctea, medir a massa da galáxia e ainda ajudar na procura de novos exoplanetas.

ZAP //

Por ZAP
20 Fevereiro, 2019

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1217: ASTRÓNOMOS CONFIRMAM COLISÃO ENTRE DUAS GALÁXIAS SATÉLITES DA VIA LÁCTEA

Esta imagem mostra uma vista geral da Pequena Nuvem de Magalhães e foi composta a partir de duas exposições do DSS2 (Digitized Sky Survey 2), que digitalizou levantamentos fotográficos do céu nocturno.
Crédito: Davide De Martin (ESA/Hubble)

Se, numa noite limpa, se encontrar no hemisfério sul, poderá ver duas nuvens luminosas deslocadas da Via Láctea.

Estas nuvens de estrelas são galáxias satélites da Via Láctea, chamadas Pequena Nuvem de Magalhães e Grande Nuvem de Magalhães.

Usando dados recém-divulgados da um novo e poderoso telescópio espacial, astrónomos da Universidade do Michigan descobriram que a região sudeste, ou “Asa”, da Pequena Nuvem de Magalhães, está a afastar-se do corpo principal dessa galáxia anã, fornecendo a primeira evidência inequívoca de que a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães colidiram recentemente.

“Este é realmente um dos nossos resultados empolgantes,” comenta Sally Oey, professora de astronomia na Universidade de Michigan e autora principal do estudo. “Podemos realmente ver que a ‘Asa’ é a sua própria região separada que está a afastar-se do resto da Grande Nuvem de Magalhães.”

Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Research Letters.

Juntamente com uma equipa internacional, Oey e o investigador Johny Dorigo Jones estavam a examinar a Pequena Nuvem de Magalhães em busca de estrelas “fugitivas”, estrelas que foram expelidas de enxames no interior da galáxia anã. Para observar esta galáxia, usaram um recente lançamento de dados do Gaia, um telescópio espacial da Agência Espacial Europeia.

O Gaia está desenhado para fotografar as estrelas várias vezes ao longo de um período de vários anos a fim de traçar os seus movimentos em tempo real. Dessa forma, os cientistas podem medir como as estrelas se movem pelo céu.

“Temos observado estrelas muito massivas e quentes – as estrelas mais quentes e luminosas, que são bastante raras,” afirma Oey. “A beleza da Pequena Nuvem de Magalhães e da Grande Nuvem de Magalhães é que são as suas próprias galáxias, de modo que estamos a observar todas as estrelas massivas numa única galáxia.”

O estudo de estrelas numa única galáxia ajuda os astrónomos de duas maneiras: em primeiro lugar, fornece uma amostra estatisticamente completa das estrelas numa galáxia-mãe. Em segundo lugar, isto dá aos astrónomos uma distância uniforme de todas as estrelas, o que ajuda a medir as suas velocidades individuais.

“É realmente interessante que o Gaia tenha obtido os movimentos próprios destas estrelas. Estes movimentos contêm tudo o que estamos a ver,” afirma Dorigo Jones. “Por exemplo, se observarmos alguém a andar na cabine de um avião em voo, o movimento que vemos contém o do avião, bem como o movimento muito mais lento da pessoa a caminhar.

“Removemos o movimento em massa de toda a Pequena Nuvem de Magalhães para aprender mais sobre as velocidades de estrelas individuais. Estamos interessados na velocidade de estrelas individuais porque estamos a tentar entender os processos físicos que ocorrem na nuvem.”

Oey e Dorigo Jones estudam estrelas em fuga para determinar como foram expulsas desses aglomerados. Num mecanismo, chamado de cenário de super-nova binária, uma estrela num par ligado gravitacionalmente explode como uma super-nova, ejectando a outra estrela como uma fisga. Este mecanismo produz estrelas binárias emissoras de raios-X.

Outro mecanismo é que um enxame de estrelas gravitacionalmente instável eventualmente ejecta uma ou duas estrelas do grupo. Isto é chamado de ejecção dinâmica, que produz estrelas binárias normais. Os investigadores encontraram números significativos de estrelas fugitivas entre binários de raios-X e binários normais, indicando que ambos os mecanismos são importantes na expulsão de estrelas de enxames.

Ao observar estes dados, a equipa também observou que todas as estrelas da Asa – a parte sudeste da Pequena Nuvem de Magalhães – estão a mover-se numa direcção e velocidade semelhantes. Isto demonstra que a Pequena e a Grande Nuvens de Magalhães provavelmente tiveram uma colisão há algumas centenas de milhões de anos.

Gurtina Besla, colaboradora do estudo e astrónoma da Universidade do Arizona, modelou a colisão da Pequena com a Grande Nuvem de Magalhães. Ela e a sua equipa previram, há alguns anos, que uma colisão directa faria com que a região da Asa da Pequena Nuvem de Magalhães se movesse em direcção à Grande Nuvem de Magalhães, ao passo que se as duas galáxias simplesmente passassem perto uma da outra, as estrelas da Asa estariam movendo-se numa direcção perpendicular. Em vez disso, a Asa afasta-se da Pequena Nuvem de Magalhães, em direcção à Grande Nuvem de Magalhães, realça Oey, confirmando que ocorreu uma colisão directa.

“Nós queremos o máximo possível de informações sobre estas estrelas a fim de restringir melhor esses mecanismos de ejecção,” comenta Dorigo Jones. “Todos nós gostamos de ver imagens de galáxias e de nebulosas incrivelmente distantes. No entanto, a Pequena Nuvem de Magalhães está tão perto de nós que até podemos ver a sua beleza no céu nocturno à vista desarmada. Estes factos, juntamente com os dados do Gaia, permitem-nos analisar os movimentos complexos de estrelas dentro da Pequena Nuvem de Magalhães e até determinar factores da sua evolução.”

Astronomia On-line
30 de Outubro de 2018

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