2065: Descobertos micro-organismos que ajudam a explicar habitabilidade da Terra

CIÊNCIA

(PD/CC0) Comfreak / pixabay

Pequenos micro-organismos foram descobertos num dos ambientes mais extremos do planeta, o vulcão Dallol, na Etiópia, sendo esta uma importante descoberta para entender os limites de habitabilidade da Terra e fora dela.

Esta descoberta, publicada esta segunda-feira na revista Nature Scientif Reports, foi liderada por cientistas espanhóis do Centro de Astrobiologia que agrega o Conselho Superior de Investigações Científicas e o Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial.

A região geotérmica de Dallol, situada na depressão de Dankil, encontra-se entre 124 e 155 metros abaixo do nível do mar e é considerada um dos ambientes mais extremos e mais quentes do planeta. Neste lugar, os investigadores encontraram estruturas muito pequenas enterradas dentro de depósitos minerais, que são a primeira prova da existência de vida nesta região.

“Descobrimos, pela primeira vez, a evidência morfológica e molecular de ‘nano-microorganismos termo-haloacidófilos’ (amantes de altas temperaturas, alta salinidade, da presença de sais e metais e de baixos valores de pH) neste novo ambiente múltiplo extremo”, afirmou o chefe da investigação, Felipe Gómez.

De acordo com o cientista, estes microrganismos são “pequenas bactérias” que pertencem à ordem ‘Nanohaloarchaea’, apesar de não se descartar a hipótese de serem novos microrganismos não descritos até ao momento.

Este ambiente extremo situa-se na depressão de Afar, um fundo marinho no córtex terrestre que se localiza na convergência de três placas tectónicas terrestres – a placa Núbia, a Somali e a Arábia. Estas placas têm, em alguns pontos, um córtex continental muito fino (menos de 15 km de espessura) e magma – lava retida no subsolo – entre três a cinco quilómetros de profundidade.

A interacção entre os depósitos de sal e o vulcanismo deu origem a águas termais, excepcionalmente ácidas e salgadas, cujas temperatura máximas são entre 90º e 109º Celsius.

Os resultados deste estudo têm importantes implicações na compreensão dos limites ambientais da vida, proporcionando informação útil para avaliar a habitabilidade da Terra e de outras partes do Sistema Solar, como Marte. Este estudo pode também ser um importante passo na selecção de sítios de aterragem para futuras missões que pretendam detectar vida.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Maio, 2019


O exoplaneta mais próximo da Terra pode ser “altamente habitável”

Próxima Centauri b terá grandes massas de água na sua superfície e pode permitir a vida humana, diz um novo estudo

© NASA

Desde que o astrónomo espanhol Guillem Escude descobriu em 2016 o exoplaneta mais similar à Terra que os estudos se têm aperfeiçoado na descoberta da sua superfície e atmosfera. E o Próxima Centauri b pode mesmo ser habitável por humanos devido à grande quantidade de água que parece albergar, conclui um novo estudo, agora divulgado pela revista Astrobiology.

Com o recurso a modelos similares aos usados para estudar as alterações climáticas na Terra, uma equipa de investigadores liderada por Anthony del Genio, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, acaba de descobrir que Proxima b é perfeitamente capaz de manter grandes áreas de água líquida na sua superfície, o que aumenta enormemente as hipóteses de abrigar organismos vivos.

“A principal mensagem das nossas simulações é que há uma hipótese, mais do que decente, que o planeta seja habitável”, afirmou Del Genio à revista Live Science.

Este exoplaneta situa-se na órbita da Próxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, mas muito menor e mais fria. Explicam os cientistas que a sua zona habitável é extremamente próxima da estrela e é muito provável que o Próxima b, bloqueado por marés gravitacionais, exiba sempre a mesma face para a estrela, semelhante à Lua para a Terra.

Estudos anteriores tinham apontado que o hemisfério sempre iluminado do planeta estará submetido a temperaturas muito altas, enquanto o hemisfério escuro será extremamente frio. Isto seriam más notícias para a existência de possíveis reservas de água, que evaporariam numa parte de Próxima b e congelariam na zona oposta. Nesse cenário, a água líquida só poderia manter-se numa área muito limitada do planeta.

Oceano dinâmico

Mas as novas pesquisas efectuadas por esta equipa foram muito mais exaustivas e incluem já um oceano dinâmico e circulante, capaz de transferir o calor de um hemisfério para o outro de forma muito eficaz. Os investigadores também descobriram que os movimentos do oceano e da atmosfera combinam de tal forma que “embora o lado da noite nunca veja a luz da estrela, há uma faixa de água líquida que permanece em redor da zona equatorial”.

Del Genio compara a circulação de calor no exoplaneta aos climas costeiros da Terra. A costa leste dos Estados Unidos da América, por exemplo, é mais quente do que deveria, porque a corrente do Golfo transporta água quente dos trópicos. Na Califórnia, ao invés, as correntes oceânicas trazem água fria do norte, de modo que a costa oeste é mais fria do que seria sem essa situação.

Para o Proxima b, explica o diário espanhol ABC, os investigadores executaram até 18 simulações diferentes, tendo em conta os efeitos de continentes gigantescos, diferentes composições atmosféricas e até mesmo mudanças na salinidade do oceano global. E em quase todos os modelos, o Próxima b acabou por ter grandes mares abertos e duráveis em pelo menos parte de sua superfície.

Diário de Notícias
David Mandim
13 Setembro 2018 — 18:51

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