4818: A habitabilidade da Terra é fruto do mero acaso

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A Terra permaneceu continuamente habitável durante mais de três mil milhões de anos graças, pelo menos em parte, ao mero acaso, concluiu uma nova investigação da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

“Agora podemos entender que a Terra permaneceu com condições adequadas para a vida durante tanto tempo devido, pelo menos em parte, à sorte. Por exemplo, se um asteróide ligeiramente tivesse atingido a Terra, ou se o fizesse num momento diferente, a Terra poderia ter perdido a sua habitabilidade por completo”, disse Toby Tyrrell, especialista em Ciências do Sistema Terrestre da Universidade de Southampton, citado em comunicado.

Intrigado pelas diferenças climáticas entre a Terra e os seus vizinhos Vénus ou Marte, que acabam por ditar a sua habitabilidade, Tyrrell e a sua equipa levaram a cabo uma simulação sobre a evolução do clima em milhares de planetas.

Recorrendo ao super-computador Iridis da Universidade de Southampton, os especialistas executaram milhares de simulações, observando como é que 100.000 planetas diferentes respondiam aleatoriamente a eventos de alterações climáticas ao longo de três mil milhões de anos até chegarem a um ponto onde perdiam a sua habitabilidade.

Cada planeta foi simulado 100 vezes e o grande objectivo do procedimento visava responder à pergunta: o que fez com que a Terra sustentasse vida durante tanto tempo?

Ao que parece, a habitabilidade de um planeta é também fruto da sorte.

De acordo com os cientistas, os dados das simulações foram muito claros: a maioria dos planetas que continuaram a sustentar vida durante os 3 mil milhões de anos analisados tinha apenas uma probabilidade – e não uma certeza – de permanecer habitável.

Muitos dos planetas analisados falharam as simulações, permanecendo apenas com condições favoráveis à vida ocasionalmente.

De uma população de 100.000 planetas, 9% (8.700) teve sucesso pelo menos uma vez. Destes 8.700 mundos, quase todos (8.000) foram bem sucedidos em metade das simulações (50 em 100) e a maioria (4.500) teve sucesso menos de dez vezes em 100.

“Noutras palavras, se um observador inteligente estivesse presente na Terra primitiva quando a vida evoluiu pela primeira vez e fosse capaz de probabilidade as hipóteses de o planeta permanecer habitável nos próximos milhões de anos, o cálculo poderia ter revelado probabilidades muito pobres“, explicou ainda Tyrrell, que é também co-autor do novo estudo, cujos resultados foram publicados recentemente na revista científica Nature Communications Earth and Environment.

Na mesma nota, a equipa explica que a grande diferença desta simulações para as realizadas em estudos anteriores reside no facto de os cientistas se debruçarem no estudo computorizado de milhares de planetas e não apenas de um, a Terra.

O estudo teoriza que noutras partes do Universo podem ter existido planetas parecidos com a Terra com perspectivas iniciais de habitabilidade também semelhantes, mas que, devido a eventos casuais, acabaram por se tornar muito quentes ou frios, pondo assim fim às suas hipóteses de abrigar vida.

Os cientistas acreditam ainda que à medida que as técnicas de descoberta de novos exoplanetas melhoram e que mais “Terras-gémeas” são encontradas e analisadas, mais provável é que a maioria seja considerável inabitável.

Por Sara Silva Alves
16 Dezembro, 2020


2224: Aquecimento global vai tornar certas regiões do planeta habitáveis (e essa não é uma boa notícia)

radickraphicov / Pixabay

Algumas áreas desertas da Sibéria e partes da Rússia asiática estão a tornar-se habitáveis por causa das alterações climáticas, mostrou um novo estudo agora divulgado. Isso pode motivar uma migração em grande escala, já que outras regiões mais povoadas vão ficar demasiado quentes.

De acordo com a Science Alert, citada pelo Observador no domingo, até 2100, é possível que as temperaturas subam tanto que as zonas actualmente demasiado frias para a sobrevivência humana passem a ser mais amenas e suportáveis.

No artigo do Instituto Sukachev da Floresta, da Rússia, publicado na Environmental Research Letters, foram utilizados modelos que permitiram prever quais vão ser as condições de habitabilidade na Sibéria nas próximas décadas.

Descobriram que, já a partir de 2080, as temperaturas podem ter aumentado entre 3,4ºC e 9,1ºC durante o inverno e entre 1,9ºC e 5,7ºC durante o verão. E perceberam que a área coberta por pergelissolo – a terra permanentemente congelada das regiões próximas ao Árctico – diminuiria de 65% para os 40%.

Significa isto que, apesar de algumas regiões permaneceram inabitáveis com o aquecimento global, estes valores podem traduzir-se numa área habitável para longas estadias 15% maior do que na actualidade.

Mas isso não são boas notícias: é que, enquanto a Sibéria se torna mais acolhedora para os humanos, outras regiões do planeta vão tornar-se demasiado quentes ou ficar inundadas por causa do aumento do nível médio da água do mar. Além disso, isso obrigaria os humanos a invadir regiões dominadas por ursos polares e a enfrentar uma atmosfera poluída por produtos químicos tóxicos.

Este estudo chega numa altura em que se descobriu que a Gronelândia registou temperaturas 4,4ºC superiores ao normal ao longo desta semana. Os dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo indicam que nunca se registou uma extensão do gelo sobre o Oceano Árctico tão baixa em meados de Junho como em 2019.

TP, ZAP //

Por TP
24 Junho, 2019

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2064: Descobertos micro-organismos que ajudam a explicar habitabilidade da Terra

CIÊNCIA

(PD/CC0) Comfreak / pixabay

Pequenos micro-organismos foram descobertos num dos ambientes mais extremos do planeta, o vulcão Dallol, na Etiópia, sendo esta uma importante descoberta para entender os limites de habitabilidade da Terra e fora dela.

Esta descoberta, publicada esta segunda-feira na revista Nature Scientif Reports, foi liderada por cientistas espanhóis do Centro de Astrobiologia que agrega o Conselho Superior de Investigações Científicas e o Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial.

A região geotérmica de Dallol, situada na depressão de Dankil, encontra-se entre 124 e 155 metros abaixo do nível do mar e é considerada um dos ambientes mais extremos e mais quentes do planeta. Neste lugar, os investigadores encontraram estruturas muito pequenas enterradas dentro de depósitos minerais, que são a primeira prova da existência de vida nesta região.

“Descobrimos, pela primeira vez, a evidência morfológica e molecular de ‘nano-microorganismos termo-haloacidófilos’ (amantes de altas temperaturas, alta salinidade, da presença de sais e metais e de baixos valores de pH) neste novo ambiente múltiplo extremo”, afirmou o chefe da investigação, Felipe Gómez.

De acordo com o cientista, estes microrganismos são “pequenas bactérias” que pertencem à ordem ‘Nanohaloarchaea’, apesar de não se descartar a hipótese de serem novos microrganismos não descritos até ao momento.

Este ambiente extremo situa-se na depressão de Afar, um fundo marinho no córtex terrestre que se localiza na convergência de três placas tectónicas terrestres – a placa Núbia, a Somali e a Arábia. Estas placas têm, em alguns pontos, um córtex continental muito fino (menos de 15 km de espessura) e magma – lava retida no subsolo – entre três a cinco quilómetros de profundidade.

A interacção entre os depósitos de sal e o vulcanismo deu origem a águas termais, excepcionalmente ácidas e salgadas, cujas temperatura máximas são entre 90º e 109º Celsius.

Os resultados deste estudo têm importantes implicações na compreensão dos limites ambientais da vida, proporcionando informação útil para avaliar a habitabilidade da Terra e de outras partes do Sistema Solar, como Marte. Este estudo pode também ser um importante passo na selecção de sítios de aterragem para futuras missões que pretendam detectar vida.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Maio, 2019


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O exoplaneta mais próximo da Terra pode ser “altamente habitável”

Próxima Centauri b terá grandes massas de água na sua superfície e pode permitir a vida humana, diz um novo estudo

© NASA

Desde que o astrónomo espanhol Guillem Escude descobriu em 2016 o exoplaneta mais similar à Terra que os estudos se têm aperfeiçoado na descoberta da sua superfície e atmosfera. E o Próxima Centauri b pode mesmo ser habitável por humanos devido à grande quantidade de água que parece albergar, conclui um novo estudo, agora divulgado pela revista Astrobiology.

Com o recurso a modelos similares aos usados para estudar as alterações climáticas na Terra, uma equipa de investigadores liderada por Anthony del Genio, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, acaba de descobrir que Proxima b é perfeitamente capaz de manter grandes áreas de água líquida na sua superfície, o que aumenta enormemente as hipóteses de abrigar organismos vivos.

“A principal mensagem das nossas simulações é que há uma hipótese, mais do que decente, que o planeta seja habitável”, afirmou Del Genio à revista Live Science.

Este exoplaneta situa-se na órbita da Próxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol, mas muito menor e mais fria. Explicam os cientistas que a sua zona habitável é extremamente próxima da estrela e é muito provável que o Próxima b, bloqueado por marés gravitacionais, exiba sempre a mesma face para a estrela, semelhante à Lua para a Terra.

Estudos anteriores tinham apontado que o hemisfério sempre iluminado do planeta estará submetido a temperaturas muito altas, enquanto o hemisfério escuro será extremamente frio. Isto seriam más notícias para a existência de possíveis reservas de água, que evaporariam numa parte de Próxima b e congelariam na zona oposta. Nesse cenário, a água líquida só poderia manter-se numa área muito limitada do planeta.

Oceano dinâmico

Mas as novas pesquisas efectuadas por esta equipa foram muito mais exaustivas e incluem já um oceano dinâmico e circulante, capaz de transferir o calor de um hemisfério para o outro de forma muito eficaz. Os investigadores também descobriram que os movimentos do oceano e da atmosfera combinam de tal forma que “embora o lado da noite nunca veja a luz da estrela, há uma faixa de água líquida que permanece em redor da zona equatorial”.

Del Genio compara a circulação de calor no exoplaneta aos climas costeiros da Terra. A costa leste dos Estados Unidos da América, por exemplo, é mais quente do que deveria, porque a corrente do Golfo transporta água quente dos trópicos. Na Califórnia, ao invés, as correntes oceânicas trazem água fria do norte, de modo que a costa oeste é mais fria do que seria sem essa situação.

Para o Proxima b, explica o diário espanhol ABC, os investigadores executaram até 18 simulações diferentes, tendo em conta os efeitos de continentes gigantescos, diferentes composições atmosféricas e até mesmo mudanças na salinidade do oceano global. E em quase todos os modelos, o Próxima b acabou por ter grandes mares abertos e duráveis em pelo menos parte de sua superfície.

Diário de Notícias
David Mandim
13 Setembro 2018 — 18:51

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