4525: Disparos de satélites e naves do Star Trek? Relatório revela como seria uma guerra no Espaço

CIÊNCIA/ESPAÇO/GUERRA

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A criação da Força Espacial dos Estados Unidos evocou todos os tipos de noções fantasiosas sobre o combate no Espaço. Assim, um novo relatório explica o que é física e praticamente possível quando se trata de uma eventual guerra espacial.

As ideias para uma possível guerra espacial são infinitas: os satélites militares vão girar e disparar uns contra os outros? Haverá naves maiores semelhantes à USS Enterprise?

Publicado na revista The Aerospace Corporation, o relatório apresenta vários conceitos básicos que provavelmente governarão qualquer combate espacial num futuro previsível. Todas as restrições físicas sugerem que as batalhas precisarão de ser planeadas com bastante antecedência.

De acordo com o Ars Technica, ao contrário de uma guerra na Terra, que normalmente envolve um esforço de forças opostas para dominar um local físico, os satélites em órbita não ocupam um único local.

Assim, segundo os autores do relatório Rebecca Reesman e James Wilson, controlar o espaço não significa necessariamente conquistar fisicamente sectores do espaço.

Em vez disso, o controlo envolve a redução ou eliminação das capacidades dos satélites adversários, ao mesmo tempo que se garante a retenção da capacidade de operar livremente as suas próprias capacidades espaciais para comunicações, navegação e observação.

Ao considerar como controlar o Espaço, os autores expõem as formas em que o combate espacial é contra-intuitivo para formuladores de políticas e estrategistas.

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Por um lado, os satélites movem-se rapidamente, mas de forma previsível: os satélites em órbitas circulares normalmente usadas movem-se a velocidades entre 3 e 8 quilómetros por segundo, dependendo da sua altitude. Em contraste, uma bala viaja apenas cerca de 0,75 quilómetros por segundo.

Por outro lado, o Espaço é grande: o volume de espaço Entre a órbita terrestre baixa e a órbita geo-estacionária é de cerca de 200 biliões de quilómetros cúbicos – 190 vezes maior do que o volume da Terra.

Além disso, dentro dos limites da atmosfera, aviões, tanques e navios podem mover-se nominalmente em qualquer direcção. Os satélites não têm essa liberdade. Devido à atracção gravitacional da Terra, os satélites estão sempre a mover-se num caminho circular ou elíptico, constantemente em queda livre ao redor da Terra. Colocar dois satélites no mesmo local não é intuitivo – requer um planeamento cuidadoso e um timing perfeito.

Por fim, os satélites manobram-se lentamente: enquanto os satélites se movem rapidamente, o Espaço é grande e isso faz com que as manobras propositadas pareçam relativamente lentas.

Perante todos estes factores, as acções terão que ser planeadas com bastante antecedência. “Qualquer conflito no Espaço será muito mais lento e deliberado do que uma cena de Star Wars”, disse Reesman. “Isso requer muito mais pensamento de longo prazo e posicionamento estratégico de activos.”

Desde meados da década de 1970 e o advento das armas anti-satélite na União Soviética e nos Estados Unidos, o Espaço tem sido tratado como um domínio contestado pelos Estados Unidos, a União Soviética e outras potências emergentes. Embora nenhuma guerra tenha ocorrido no Espaço, a capacidade de derrubar armas espaciais foi vista por novas potências como a China (em 2007) e a Índia (em 2019) como um meio de demonstrar as suas capacidades.

Além dos mísseis em terra, o relatório identifica várias formas pelas quais os satélites podem ser atacados. Os sinais de rádio podem ser usados para bloquear os satélites do oponente ou falsificá-los enviando comandos prejudiciais. Esta seria uma extensão da guerra electrónica já usada em batalhas navais e aéreas.

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Algumas nações – como França – chegaram a falar sobre o uso de armas no Espaço para proteger os seus próprios satélites. No entanto, os autores sugerem que satélites usando armas cinéticas para derrubar satélites opostos parecem improváveis por enquanto dada a energia necessária para manobrar uma arma orbital numa trajectória adequada.

As nações têm um forte incentivo para não destruir outros satélites devido ao potencial de criar detritos perigosos que afectariam potencialmente os activos de todas as nações no Espaço – e os detritos gerados no Espaço têm um efeito duradouro.

No entanto, numa guerra, uma nação pode decidir que vale a pena perder permanentemente o acesso a alguns satélites na órbita geo-estacionária devido a escombros a fim de ganhar uma guerra terrestre.

ZAP //

Por ZAP
20 Outubro, 2020

 

 

2316: Grandes potências preparam-se para a guerra no espaço

© iStock Os Estados Unidos anunciaram para 2020 a criação de uma Força Espacial, em 2015 a Rússia reactivou as suas forças espaciais, mas a China é o único país que tem uma força militar independente para missões no espaço.

Os Estados Unidos anunciaram para 2020 a criação de uma Força Espacial, em 2015 a Rússia reactivou as suas forças espaciais, mas a China é o único país que tem uma força militar independente para missões no espaço.

Quando se comemoram os 50 anos da chegada da humanidade à Lua e quando a agência espacial norte-americana NASA pretende voltar a colocar astronautas na superfície lunar, em 2024, especialistas consideram que o século XXI terá dois relevantes palcos de conflito militar, a ciber-guerra e a guerra espacial, e as grandes potências estão a levar muito a sério os avisos dos estrategos.

Em Junho de 2018, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao Pentágono para começar os planos de criação de uma Força Espacial — um novo ramo das Forças Armadas, que se autonomizaria da Força Aérea e que ficaria com o controlo do Comando Espacial norte-americano.

A China foi o primeiro país a criar, em 2016, um ramo militar autónomo — a Força de Apoio Estratégico do Exército Popular de Libertação — com competências na área da guerra electrónica e do espaço, no âmbito da reforma das Forças Armadas, realizada a partir de 2015.

Como geralmente acontece nestas situações, pouco se sabe sobre a Força de Apoio Estratégico chinesa, mas o ministro da Defesa chinês, Yang Yujun, descreveu-a como um corpo multidisciplinar.

Não se sabe sequer qual o orçamento destinado a este corpo especial e foi apenas revelado que a estrutura hierárquica é semelhante à da Força de Mísseis do Exército chinês, que controla o arsenal de mísseis balísticos.

A Força Espacial norte-americana tem já orçamento conhecido e destinado para os próximos cinco anos, a rondar os oito mil milhões de euros, tendo a primeira fatia ficado já alocada no orçamento para 2020, com apoio dos dois partidos no Congresso.

O vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, já avisou que quer essa força operacional no início de 2020, apesar das resistências das altas patentes da Força Aérea, que viram este sector estratégico fugir da sua área de influência.

A intenção do Pentágono é criar mecanismos que impeçam acções de sabotagem dos satélites de navegação e de comunicação, com ataques electrónicos.

Em Agosto de 2018, Pence reconheceu que a China, a Rússia, a Coreia do Norte e o Irão têm tecnologia com capacidade de interferência electrónica e de domínio do espaço que devem preocupar os norte-americanos.

Há cerca de 40 anos que as armas anti-satélite têm sido desenvolvidas por vários países, incluindo os EUA, a Rússia e a China, para fins estratégicos militares.

Em Janeiro de 2007, a China destruiu um antigo satélite meteorológico, para testar uma dessas armas, com um sucesso que causou alarme no Pentágono.

Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, o espaço sideral passou a ser uma nova prioridade científica e militar, com o Presidente a prometer um novo programa espacial, que incluiria uma forma “rápida e económica” de viajar até à lua e voltar.

Trump foi sensibilizado pelos assessores militares que, em 2017, o alertaram para os riscos de os Estados Unidos estarem a perder o controlo do espaço.

“Mas não se pense que haverá uma guerra apenas no espaço”, explicou na altura Brian Brown, comandante adjunto do Comando Espacial, que a partir do próximo ano ficará sob tutela da Força Espacial.

“No momento em que um conflito estalar no espaço ele afectará todos os domínios”, concluiu Brian Brown, numa perspectiva que parece estar em linha com a opção militar chinesa, polivalente, para a sua Força de Apoio Estratégico.

Tal como na China, os EUA querem, contudo, que a Força Espacial seja totalmente autónoma relativamente aos outros ramos das Forças Armadas, rejeitando um relatório de 2001, encomendado pela administração de Bill Clinton, que falava nos “insuportáveis custos financeiros” de uma reestruturação profunda do sistema militar norte-americano.

Ainda agora, o general David Goldfein, chefe de gabinete do comandante das Forças Aéreas norte-americanas, defende que deve ser o seu braço armado a ter a supervisão da componente espacial das Forças Armadas, alegando que até ao nível da formação é nesse sector que estão as competências mais adequadas.

Goldfein argumenta ainda que 90% das operações no espaço são supervisionadas pelas Forças Aéreas e recordou um episódio em que um caça norte-americano que sobrevoava o Iraque, em 2017, ter sido afectado por interferências no satélite de comunicações, cuja resolução foi rapidamente atingida pelos seus militares.

“Literalmente, num minuto eles detectaram e resolveram o problema”, concluiu Goldfein, falando das competências cibernéticas das Forças Aéreas.

Dentro do Pentágono, são várias as vozes que alinham por esta opção de colocar a Força Espacial dentro da Força Aérea, como acontece na Rússia, onde o Presidente Vladimir Putin concedeu às suas patentes não mexer na hierarquia herdada dos tempos soviéticos, onde a guerra espacial foi muito estudada.

Contudo, Donald Trump já disse que não recuará na sua intenção de autonomizar a Força Espacial e tem levado o tema para alguns dos seus comícios de reeleição, nas presidenciais de 2020, dando a entender que pode vir a ser um dos seus trunfos políticos.

msn notícias
Lusa
15/07/2019

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