5361: Plantas fósseis (perfeitamente) preservadas indicam que a Gronelândia esteve sem gelo num período recente

CIÊNCIA/GEOLOGIA/GEOQUÍMICA

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Durante uma operação militar secreta, no decorrer da Guerra Fria, foi recolhida uma amostra de solo congelado que mais tarde acabou por revelar um segredo inesperado: plantas que podem ter um milhão de anos, mas que estão tão bem preservadas que “parecem que morreram ontem”. A descoberta pode fornecer novos detalhes sobre a Gronelândia.

Os cientistas do Exército dos EUA desenterraram o núcleo de gelo no noroeste da Gronelândia em 1966, no âmbito do do Projecto Iceworm, uma missão secreta que tinha como objectivo construir uma base subterrânea, onde os americanos conseguiriam estariam mais perto os movimentos estratégicos da União Soviética.

O Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA começou a construir Camp Century em 1959, e os cientistas supervisionaram a extracção de um núcleo de gelo que media cerca de 3,4 metros de uma profundidade.

No entanto, o projecto Iceworm acabou por fracassar, por isso a base foi abandonada e o núcleo de gelo ficou esquecido num refrigerador na Dinamarca até ser redescoberto em 2017.

Em 2019, os cientistas investigaram o núcleo e descobriram fragmentos de plantas fossilizadas que podem ter florescido no local há mais de um milhão de anos.

O que isso significa?

“Encontrar os fósseis foi totalmente inesperado “, disse Andrew Christ, autor do novo estudo. O cientista contou ao Live Science que quando a equipa analisou o solo congelado conseguiu observar “coisinhas pretas” a flutuar na água, sendo que quando as analisou com o microscópico percebeu que eram plantas que “pareciam ter morrido ontem”.

Dorothy Peteet, Columbia University / Andrew Christ / UVM
Plantas fósseis foram preservadas debaixo do gelo da Gronelândia

Segundo o investigador, as plantas apenas podem ter crescido na Gronelândia se a camada de gelo tivesse praticamente desaparecido.

Com base nas taxas de isótopos, os autores do estudo perceberam que o solo – e as plantas que nele cresceram – viram a luz solar pela última vez há cerca de um milhão de anos, o que os leva a acreditar que “tínhamos um noroeste da Gronelândia sem gelo naquele período”, referiu Christ.

Com base em registos geológicos e na geoquímica oceânica, os cientistas afirmam que a actual camada de gelo da Gronelândia persistiu com o mesmo tamanho durante 2,6 milhões de anos.

No entanto, as novas descobertas indicam que o gelo desapareceu quase inteiramente da Gronelândia durante pelo menos um período no congelamento profundo mais recente, apresentando um limite até então desconhecido para a estabilidade do manto de gelo.

Actualmente, acredita-se que a cobertura de gelo da Gronelândia tenha quase 3 milhões de anos, mas os pequenos fragmentos da planta indicam o contrário, mostrando que em algum momento, nos últimos milhões de anos, grande parte da Gronelândia esteve livre de gelo. Nos dias de hoje, grande parte da Gronelândia é coberta por uma manta de gelo que se estende por 1,7 milhão de quilómetros quadrados.

Se a nova pesquisa for confirmada, e a maior parte do gelo da Gronelândia realmente desapareceu há relativamente pouco tempo, esse não é um bom sinal para a estabilidade da sua camada de gelo actual em resposta às mudanças climáticas causadas pelo homem.

De recordar que caso o gelo da Gronelândia derreta, os níveis do mar podem subir cerca de 7 metros, alertou a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) em 2019.

Esta situação seria capaz de inundar cidades costeiras em todo o mundo, explicaram os investigadores no novo estudo, publicado a 15 Março na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Por Ana Isabel Moura
20 Março, 2021


5345: Descobertos vestígios de um antigo oceano de magma na Gronelândia

CIÊNCIA/GEOQUÍMICA

(dr) Hanika Rizo
Cinturão Isua Greenstone, na Gronelândia

Cientistas descobriram que rochas da Gronelândia podem conter vestígios de um antigo oceano de magma que borbulhou em grande parte da superfície da Terra, logo depois do nascimento do nosso planeta.

A equipa recolheu estas rochas do Cinturão Isua Greenstone, no sudoeste da Gronelândia, que tem entre 3,7 e 3,8 mil milhões de anos e contém algumas das rochas mais antigas já conhecidas da Terra, conta o site Live Science.

De acordo com o novo estudo, os traços químicos dos primeiros oceanos de magma são ainda mais antigos do que as próprias rochas, tendo cerca de 4,5 mil milhões de anos, altura em que um objecto do tamanho de Marte chocou com a Terra, tendo arrancado o grande pedaço de rocha que mais tarde se transformou na Lua.

Quando objectos celestes do tamanho da Terra e de Marte colidem, “o derretimento quase total do planeta é uma consequência inevitável”, explicou ao mesmo site Helen Williams, professora de Geoquímica da Universidade de Cambridge e autora principal do estudo publicado, a 12 de Março, na revista científica Science Advances.

À medida que essa rocha derretida arrefecia e se cristalizava, a Terra passou gradualmente a parecer-se com o mármore azul que conhecemos hoje, acrescentou. Porém, embora a maioria dos cientistas aceite esta teoria, “um dos grandes desafios continua a ser encontrar evidências geológicas de algo que aconteceu tão cedo na nossa história”, disse ainda.

O novo estudo mostra que as rochas deste cinturão na Gronelândia ainda apresentam “impressões digitais” químicas deixadas por este processo de arrefecimento primordial.

Para descobrir isso, os cientistas seleccionaram um subconjunto de rochas vulcânicas das amostras do Isua, tendo escolhido apenas as mais primitivas. De seguida, serraram as suas superfícies expostas, lixaram-nas e esmagaram-nas até se transformarem num pó fino, que dissolveram em ácidos fortes.

Este processo permitiu aos investigadores examinar os isótopos dentro das amostras. A equipa estava à procura, especificamente, de isótopos que se teriam formado à medida que os oceanos de magma se cristalizavam.

Modelos sugerem que alguns remanescentes destes cristais teriam ficado presos no manto inferior, perto do núcleo da Terra, e preservados por muitos milhões de anos. Com o tempo, acabariam por avançar através do manto inferior para o superior, carregando consigo as “impressões digitais de isótopos” do oceano de magma, explicou Williams.

Estas “impressões digitais” incluem os isótopos de háfnio e neodímio, que se formam quando os seus isótopos originais decaem. Esta ruptura ocorre num padrão específico, quando os primeiros isótopos são colocados sob pressões extremamente altas, como aquelas encontradas nas profundezas do manto inferior, disse ainda a investigadora.

A equipa encontrou também uma forma rara de tungsténio. Conhecido como “anomalia de tungsténio”, estes isótopos incomuns derivam de um antigo isótopo que existiu apenas nos primeiros 45 milhões de anos da história da Terra.

Segundo a investigadora, depois de terem descoberto os traços químicos dos oceanos de magma, a questão que agora se coloca é “se outras rochas antigas na Terra preservaram as mesmas assinaturas”.

Por isso, a equipa vai agora começar a procurar essas assinaturas em locais com rochas extremamente antigas e ainda com actividade vulcânica, como o Havai ou a Islândia.

ZAP ZAP //

Por ZAP
17 Março, 2021


5338: Já aconteceu na História. Se o gelo da Gronelândia derreter as cidades costeiras ficam submersas

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Amostras recolhidas durante a Guerra Fria provam que camada de gelo da Gronelândia nem sempre existiu. Se voltar a derreter, o nível do mar poderá subir mais de seis metros.

Gelo na Gronelândia
© Jonathan NACKSTRAND / AFP

A camada de gelo, com mais de um quilómetro de espessura, que cobre a Gronelândia terá derretido por completo e ciclicamente nos períodos quentes da história do planeta Terra. A descoberta recente foi feita por um grupo de cientistas das universidades de Vermont, Columbia e de Copenhaga e põe a nu um facto preocupante: a ser assim, e face ao actual período de temperaturas extremas provocado pela acção humana, praticamente todas as cidades costeiras do mundo estão condenadas.

Os cientistas creem que na camada de gelo da Gronelândia está contido um volume de água equivalente a uma subida do nível do mar de cerca de seis metros. O que faz do aquecimento global um problema a resolver ou mitigar ainda com maior urgência.

A descoberta, publicada da revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA (PNAS, na sigla inglesa), surgiu na sequência da análise de amostras de gelo recolhidas a grande profundidade na Gronelândia em 1966, que haviam ficado perdidas num congelador, de acordo com uma notícia publicada na página da Sky News.

Ao observá-las ao microscópio, o cientista Andrew Christ, da Universidade de Vermont, descobriu que os sedimentos não continham apenas areia e rocha, mas também galhos e folhas de vegetação.

Para Andrew Christ e os colegas da sua equipa internacional de cientistas – liderada por Paul Bierman, da Universidade de Vermont, Joerg Schaefer da Universidade de Columbia e Dorthe Dahl-Jensen da Universidade de Copenhaga – a descoberta sugere que a camada de gelo com mais de 1,5 quilómetros de espessura não existia num passado geológico recente.

Em vez disso, há apenas algumas centenas de milhares de anos haveria naquela região do planeta uma paisagem com vegetação que cobria uma extensão com a dimensão do estado do Alasca.

“Por norma, as camadas de gelo pulverizam e destroem tudo o que se atravessa no seu caminho”, explicou Andrew Christ. “Mas o que nós descobrimos foram plantas com estruturas delicadas, perfeitamente preservadas”, continuou o cientista.

“São fósseis, mas que parecem ter morrido ontem. É uma cápsula do tempo com aquilo que costumava viver na Gronelândia e que não poderíamos encontrar em mais lado nenhum”, concluiu Christ.

As amostras foram recolhidas em 1966 quando, em plena Guerra Fria, cientistas afectos ao exército norte-americano perfuraram a camada de gelo da Gronelândia e encheram um tubo de amostras com mais 4,5 km.

As perfurações procuravam pôr em prática um plano secreto designado por Project Iceworm (Projecto Minhoca do Gelo) que tinha por objectivo instalar 600 mísseis nucleares sob o gelo e bem perto da União Soviética. Não apenas o plano falhou como os cientistas nada puderam aproveitar das amostras recolhidas, porque perderam o tubo algures num congelador, que só agora foi acidentalmente encontrado.

Para os cientistas, compreender de que modo derreteu a camada de gelo da Gronelândia no passado vai ajudar a perceber como esta se comportará face ao aquecimento que virá no futuro.

“O novo estudo proporciona as mais fortes provas jamais obtidas de que a Gronelândia é mais frágil e sensível às alterações climáticas do que antes se entendia – e que corre um risco sério e grave de derreter irreversivelmente”, alertou Paul Bierman, geo-cientista e investigador principal do estudo.

Diário de Notícias
DN
16 Março 2021 — 23:13


5326: Cientistas encontram evidências do oceano de magma que foi a Terra

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Foram encontrados restos químicos do oceano de magma em rochas com 3,6 mil milhões de anos, no sudoeste da Gronelândia.

Cientistas encontraram provas químicas de que a Terra estava, no seu início, praticamente fundida num oceano de lava.
© Reuters

No seu início, a Terra esteve quase fundida num grande oceano de magma, do qual um grupo de cientistas encontrou evidências conservadas na química de antigas rochas na Gronelândia, segundo um estudo publicado na revista Science Advances.

A investigação revela informação sobre um período inicial da formação do planeta, quando um profundo mar de magma incandescente se estendia pela superfície e penetrava centenas de quilómetros no interior.

O arrefecimento e a cristalização progressiva deste “oceano de magma” determinaram a química do interior da Terra, uma etapa decisiva na formação da sua estrutura e da sua primeira atmosfera.

Os cientistas sabem que os impactos durante a formação da Terra e da Lua geraram energia suficiente para fundir o interior do planeta, mas não conhecem muito desse período, porque os processos tectónicos reciclaram quase todas as rochas com mais de quatro mil milhões de anos.

A nova investigação assinala que foram encontrados restos químicos do oceano de magma em rochas com 3,6 mil milhões de anos no sudoeste da Gronelândia.

À primeira vista, as rochas que compõem o conjunto rochoso de Isua parecem-se com qualquer basalto moderno que se pode encontrar no fundo do mar.

Mas este afloramento, descrito pela primeira vez na década de 1960, é a exposição de rochas mais antiga da Terra e sabe-se que contém as primeiras provas de vida micro biótica e de tectónica de placas.

Novas análises químicas das rochas confirmaram que procediam do interior da Terra e que foram formadas como consequência da cristalização do oceano magmático.

“Há poucas oportunidades de obter dados geológicos sobre os acontecimentos dos primeiros mil milhões de anos da história da Terra”, disse a autora principal do estudo, Helen Williams, da Universidade de Cambridge.

Por isso, considerou “assombroso” poder ter estas pedras e obter tantos detalhes sobre a história inicial do planeta.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Março 2021 — 11:28


5319: Um dos maiores enganos da geologia. Afinal, a cratera de impacto mais antiga do mundo não o é

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(dr) NASA
Cratera Archean Maniitsoq

Afinal, a cratera mais antiga do mundo feita por um meteorito não o é. Uma equipa de cientistas descobriu que resulta de processos geológicos normais. 

Uma equipa de cientistas da Universidade de Waterloo, no Canadá, deslocou-se até a Gronelândia com uma grande missão: esclarecer aquele que pode ter sido um dos maiores enganos da astronomia e da geologia dos últimos tempos.

Em 2012, uma equipa identificou Archean Maniitsoq como o remanescente de uma cratera de meteorito de três mil milhões de anos. Recentemente, durante o trabalho de campo na cratera, os investigadores da universidade canadiana descobriram que as características desta região são inconsistentes com uma cratera de impacto.

“Os cristais de zircão na rocha são como pequenas cápsulas do tempo”, disse Chris Yakymchuk, professor do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais e líder da equipa, citado pelo Phys. “Eles preservam os danos antigos causados ​​por ondas de choque obtidas com o impacto de um meteorito. Mas não encontramos esses danos nos cristais.”

Além disso, existem vários lugares onde as rochas derreteram e recristalizaram nas profundezas da Terra. Este processo – denominado metamorfismo – ocorreria quase instantaneamente se a cratera fosse o resultado de um impacto.

Mas o processo ocorreu, pelo menos, 40 milhões de anos depois da data proposta pelo grupo que encontrou a cratera em 2012.

Ao contrário do que se pensava, a cratera não foi formada pelo impacto de um meteorito, mas por processos geológicos naturais. Apesar de esclarecer um mal entendido com alguns anos, os investigadores ficaram desapontados com os resultados da expedição.

O artigo científico foi publicado recentemente na Earth and Planetary Science Letters.

Por Liliana Malainho
12 Março, 2021


Perda de gelo nas últimas décadas cumpre os “piores cenários” científicos

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

A Terra perdeu 28 triliões de toneladas de gelo nas últimas décadas, o equivalente a uma camada de 100 metros de espessura a cobrir o Reino Unido, cumprindo os “piores cenários” científicos, indica um estudo.

Uma equipa de cientistas liderada pela Universidade de Leeds, no Reino Unido, efectuou um levantamento da perda global de gelo utilizando dados de satélite e constatou que, nos últimos trinta anos, verificou-se uma redução significativa com potenciais reflexos no aumento do nível do mar, que terá “impactos muito sérios nas comunidades costeiras neste século”.

O estudo, que envolveu outras instituições de investigação e que foi publicado na revista científica The Cryosphere, concluiu que se registou um aumento de 65% na taxa de perda de gelo durante anos da pesquisa, verificando-se aumentos acentuados nas perdas dos mantos polares na Antárctica e na Gronelândia.

“Embora todas as regiões que estudamos tenham perdido gelo, as perdas nas camadas da Antárctica e da Gronelândia foram as que mais se aceleraram”, alertou Thomas Slater, investigador principal do estudo, ao assegurar que essa situação está a cumprir os “piores cenários de aquecimento climático” estabelecidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Segundo disse, nas últimas três décadas, tem havido um grande esforço internacional para entender a evolução do sistema de gelo da Terra, que tem sido impulsionado por satélites “que permitem monitorizar rotineiramente as vastas e inóspitas regiões onde o gelo pode ser encontrado”.

“Este estudo é o primeiro a combinar esses esforços, observando o gelo que está a ser perdido em todo o planeta”, assegurou Thomas Slater, ao explicar que o aumento da perda de gelo foi desencadeado pelo aquecimento da atmosfera e dos oceanos em 0,26 graus e 0,12 graus por cada década, desde 1980.

De acordo com o estudo, o aumento da temperatura atmosférica tem sido o principal factor para o declínio do gelo do Árctico e dos glaciares de montanhas em todo o mundo, enquanto o aumento da temperatura do oceano acelerou o derretimento da camada de gelo da Antárctica.

A pesquisa conclui ainda que cerca de metade da perda de gelo detectada verificou-se em terra — em glaciares de montanha, na Gronelândia e na Antárctica -, o que elevou o nível global do mar em 35 milímetros.

Estima-se que, para cada centímetro de elevação do nível do mar, cerca de um milhão de pessoas correm o risco de serem deslocadas das zonas mais baixas e costeiras.

Diário de Notícias
Lusa
25 Janeiro 2021 — 09:11


4999: Bactérias podem estar a provocar um aumento do degelo na Gronelândia

CIÊNCIA/GEOFÍSICA/AQUECIMENTO GLOBAL


Vídeo editado em modo captura de écran devido à não disponibilização do URL de origem

As bactérias podem estar a ter grande impacto no processo de derretimento de gelo na Gronelândia e, possivelmente, estão a contribuir para o aumento do nível do mar, revelam os investigadores.

Segundo os especialistas, esta situação ocorre porque os micróbios fazem com que os sedimentos que absorvem a luz do sol se acumulem nos fluxos de água derretida. Os cientistas afirmam que estas descobertas podem ser incorporadas a novos modelos climáticos, o que pode levar a previsões mais precisas sobre o derretimento.

“Esses lagos podem ser vistos em toda a Gronelândia e têm uma cor azul brilhante, o que leva a um derretimento ainda maior, pois absorvem mais luz do sol do que o gelo circundante”, explica Sasha Leidman, principal autora do estudo.

Leidman afirma que a situação piora “à medida que os sedimentos escuros se acumulam nesses locais, absorvendo ainda mais a luz solar, causando mais derretimento que pode, consequentemente, aumentar o nível do mar”.

Com as mudanças climáticas, o aumento do nível do mar e as tempestades ameaçam ilhas, países e cidades costeiras em todo o mundo, recorda o Futurity.

A maioria dos cientistas ignora os sedimentos em lagos glaciais que se formam no topo da camada de gelo da Gronelândia, mas, neste estudo, os investigadores tinham como objectivo descobrir por que razão esses sedimentos se acumularam.

Em 2017, os cientistas colocaram um drone num lago de aproximadamente 130 metros de profundidade no sudoeste da Gronelândia, onde fizeram medições e recolheram amostras de sedimentos.

A equipa descobriu que os sedimentos cobrem até um quarto do fundo do lago, muito mais do que os 1,2% estimados, que existiriam se a matéria orgânica e as bactérias não fizessem os com que os sedimentos se agruparem. Os investigadores perceberam também que os lagos têm mais sedimentos do que o previsto por modelos hidrológicos.

“Descobrimos que a única maneira de os sedimentos se acumularam nesses lagos era devido ao facto de haverem bactérias a crescer no sedimento”, disse Leidman.

A especialista revela que “se as bactérias não crescessem no sedimento, todo este seria limpo e esses fluxos iriam absorver menos luz solar. Este processo de agregação de sedimentos está a acontecer há mais tempo do que a história humana”.

O estudo indica que os fluxos de energia solar absorvidos provavelmente dependem da longevidade das bactérias, e o aquecimento na Gronelândia pode levar a maiores depósitos de sedimentos nos rios glaciares.

“A diminuição da cobertura de nuvens e o aumento da temperatura na Gronelândia podem estar a fazer com que essas bactérias cresçam mais intensivamente, causando mais derretimento por sedimentos”, alerta Leidman.

Os resultados do estudo foram publicados na Geophysical Research Letters.

Por Ana Moura
24 Janeiro, 2021


4675: Misterioso rio de 1.000 quilómetros pode fluir debaixo da Gronelândia

CIÊNCIA/GEOLOGIA

mariusz kluzniak / Flickr

Um rio subterrâneo gigante alimentado pelo derretimento do gelo pode fluir num estado de escuridão perpétua muito abaixo da superfície da Gronelândia.

Apelidado de “Rio Negro”, este hipotético curso de água pode estender-se por 1.000 quilómetros, fluindo do interior profundo da Gronelândia até ao Fiorde Petermann, no noroeste do país.

“Os resultados são consistentes com um longo rio sub-glacial, mas permanece uma incerteza considerável”, disse o modelador do manto de gelo Christopher Chambers, da Universidade de Hokkaido, no Japão, em comunicado.

Essa incerteza decorre em grande parte de lacunas significativas nos dados de radar de pesquisas aéreas acima da camada de gelo da Gronelândia, que, ao longo dos anos, detectou vislumbres fragmentados do que parece ser um sistema gigante de vale sub-glacial a estender-se abaixo de grandes partes da Gronelândia.

Numerosos estudos nas últimas duas décadas sugeriram que essas trincheiras ou vales poderiam estar ocultos no ambiente sub-glacial e que a água líquida poderia fluir na parte inferior dos recursos.

No entanto, devido a lacunas nos dados, não se sabe se todos os vales estão conectados num rio longo e sinuoso ou se são apenas segmentos de fenómenos desconectados.

“Não sabemos quanta água, se houver, está disponível para fluir ao longo do vale e se realmente sai no Fiorde Petermann, é recongelada ou escapa do vale ao longo do caminho”, disse Chambers.

Num novo estudo, Chambers e a sua equipa exploraram a possibilidade hipotética de que o vale não está dividido em pedaços separados, mas corre continuamente num longo rio.

A possibilidade é plausível se a segmentação vista na modelagem for uma ilusão – elevações fantasmas resultantes de modelagem enganosa em regiões de dados esparsos, ao invés de características territoriais.

“Os aumentos ocorrem onde os dados são interpolados para preencher as lacunas entre onde o radar obteve dados confiáveis”, escreveram os autores. “Isso sugere que as elevações do vale podem não ser reais.”

Na nova modelagem, os investigadores presumiram que o Rio Negro é um recurso contínuo. Com base nesse cenário, as simulações sugeriram que a hidrovia flui do centro da Gronelândia para o mar, com água líquida a percorrer o caminho ininterrupto.

“Ao longo da sua extensão, o caminho do vale progride gradualmente descendo uma encosta da superfície do gelo, causando uma redução na pressão da camada de gelo que pode permitir o fluxo de água ao longo do seu caminho”, escreveu a equipe.

Embora as descobertas sejam, para já, hipotéticas, os cientistas acreditam que investigações aéreas futuras podem vir a confirmar as simulações.

Este estudo foi publicado na semana passada na revista científica The Cryosphere.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2020


4648: Micro-fósseis com 570 milhões de anos podem ajudar a entender origem dos animais

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/MICROBIOLOGIA

Sebastian Willman
Um embrião animal encontrado na Gronelândia.

Uma equipa de investigadores encontrou, na Gronelândia, micro-fósseis semelhantes a embriões com até 570 milhões de anos. Esta descoberta revela que organismos deste tipo estavam dispersos pelo mundo inteiro.

“Acreditamos que esta nossa descoberta melhora o nosso alcance para compreender o período da história da Terra quando os animais apareceram pela primeira vez – e é provável que suscite muitas discussões interessantes”, disse Sebastian Willman, o autor principal do estudo publicado, na semana passada, na revista científica Communications Biology.

A existência de animais na Terra há 540 milhões de anos é bem fundamentada, já que foi a altura em se sucedeu um evento da evolução conhecido como explosão cambriana. No entanto, a comunidade científica parece não conseguir concordar sobre se os fósseis que datavam da era Pré-Cambriana são genuinamente classificáveis como animais.

De acordo com o Phys, os cientistas encontraram micro-fósseis que podem ser ovos e embriões de animais. Estes podem ajudar a conseguir uma melhor compreensão da origem dos animais. A imensa variabilidade dos micro-fósseis convenceu os investigadores de que a complexidade da vida naquele período deve ter sido maior do que a que se conhecia até agora.

Os cientistas podem ainda concluir que estes organismos estavam espalhados pelo mundo. Isto porque micro-fósseis bastante idênticos já tinham sido encontrados no sul da China, há mais de 30 anos. Quando eles eram vivos, a maioria dos continentes ficava ao sul do Equador. A Gronelândia fica onde a extensão do Oceano Antárctico, em torno da Antárctida, está agora. A China, por sua vez, ficava aproximadamente na mesma latitude daquilo que é agora a Florida, nos Estados Unidos.

“O vasto leito rochoso, essencialmente inexplorado até agora, do norte da Gronelândia oferece oportunidades para entender a evolução dos primeiros organismos multi-celulares, que se desenvolveram nos primeiros animais que, por sua vez, levaram até nós”, diz Sebastian Willman.

ZAP //

Por ZAP
13 Novembro, 2020


4357: Chama-se Elios, é um drone e vai explorar as profundezas das cavernas de gelo da Gronelândia

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/BIOLOGIA/GEOLOGIA

Elios é o drone que está a ajudar os investigadores a descobrirem mais sobre os mistérios da Gronelândia. Inserido numa estrutura própria, tem explorado as cavernas de gelo, facilitando assim o acesso a locais mais difíceis e perigosos.

O drone Elios da Flyability foi usado para explorar cavernas de gelo profundas na Gronelândia, e fica dentro de uma estrutura protectora própria. À medida que voa, essa estrutura de fibra de carbono sofre o impacto das colisões com objectos como paredes ou árvores, poupando o próprio drone de possíveis danos,  revela o New Atlas.

Anteriormente, o drone foi usado para explorar fendas glaciares nos Alpes suíços e nas cavernas da Sicília. Mais recentemente foi utilizado para alcançar o fundo de algumas das cavernas de gelo mais profundas da Gronelândia.

Embora anunciada este mês, a expedição aconteceu durante duas semanas em 2018. Liderada por Francesco Sauro, professor da Universidade de Bolonha, em Itália, uma equipa internacional de geólogos, glaciologistas, espeleólogos, geógrafos e biólogos viajou para uma área a aproximadamente 80 quilómetros da cidade de Kangerlussuaq.

Numa expedição anterior na mesma região, os cientistas estudaram os rios que ficam debaixo do gelo. Esses rios eram acessíveis através de poços de gelo verticais conhecidos como moulins. No entanto, os investigadores só foram capazes de descer a uma profundidade de 130 metros, mas os moulins podem atingir 300 metros de profundidade. A estrutura de gelo é muito perigosa nestes locais.

Na expedição de 2018, Sauro e sua equipa viveram um verdadeiro momento de aventura, fazendo rapel nas cavernas de gelo. Através da câmara HD e dos focos de LED, o drone transmitiu um vídeo do lago anteriormente desconhecido, em tempo real.

Adrien Briod, CTO da Flyability, explicou que a utilização deste drone tem como objectivo “criar soluções de inspecção interna para substituir a necessidade de as pessoas entrarem em espaços confinados e perigosos”, acrescentando que também “querem ajudar a expandir os limites do conhecimento humano, através do acesso a locais que não poderiam ser alcançados de outra forma”.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2020

 

 

3342: Vikings desapareceram da Gronelândia (e as morsas podem ajudar a explicar porquê)

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

nubui / Flickr

O colapso das colónias nórdicas da Gronelândia e o desaparecimento inexplicável dos Vikings que por lá viviam continua a ser um grande mistério. Mas, agora, investigadores sugerem que isso pode ter sido desencadeado, em parte, pela exploração excessiva do seu recurso mais valioso: as morsas.

Segundo a revista Newsweek, o marfim da morsa era comercializado na Europa, no início do período medieval, para ser usado em objectos como crucifixos e peças de jogos. As povoações nórdicas da Gronelândia mantinham uma espécie de monopólio sobre o produto, mas, apesar do sucesso, também pode ter sido esta grande procura que ditou a sua queda.

A análise de produtos de marfim desta época sugere que os comerciantes dependiam cada vez mais de animais menores, frequentemente fêmeas de regiões mais a norte. Por outras palavras, isto significava uma jornada mais longa e também mais perigosa que, muitas vezes, se traduzia depois numa recompensa menor.

A equipa de cientistas do Reino Unido e da Noruega analisou 67 peças de rostro — uma parte do crânio e focinho — que datam dos séculos XI e XV. Uma combinação do ADN e isótopos estáveis foi usada para determinar o sexo e a geografia do animal.

Os resultados dessa análise sugerem uma mudança para animais de um ramo evolutivo de morsa encontrado predominantemente na área ao redor da Baffin Bay, no noroeste do país. Essa teoria é apoiada pela presença de artefactos nórdicos entre os restos dos povoamentos dos Inuítes dos séculos XIII e XIV, dizem os investigadores.

Uma proporção mais alta de fêmeas sugere que houve uma pressão sobre os recursos, provavelmente causada pela exploração excessiva das populações de morsas — embora as mudanças climáticas (a chamada “Pequena Era do Gelo”) também possam ter contribuído.

À medida que a cadeia de suprimentos diminuía, parece ter havido uma preferência crescente na Europa continental pela presa de elefante, trazida pelas rotas comerciais da África Ocidental.

“Apesar de uma queda significativa, as evidências indicam que a exploração de morsas pode até ter aumentado durante os séculos XIII e XIV”, afirma James H. Barrett, investigador do departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge que liderou o estudo publicado na revista científica Quaternary Science Reviews.

“Enquanto os gronelandeses perseguiam as populações de morsas empobrecidas sempre para norte, para um retorno cada vez menor, deve ter chegado a um ponto em que era insustentável. Acreditamos que essa ‘maldição de recursos’ minou a resiliência das colónias da Gronelândia”.

O resultado foi uma “tempestade perfeita” entre menos recursos e menos procura, exacerbada ainda mais pelas alterações climáticas, que há muito se propõem como uma das razões do desaparecimento do povo nórdico na Gronelândia no século XV.

Os Vikings podem ter levado as morsas da Islândia à extinção

Uma investigação recente indica que a colonização da Islândia pelos Vikings pode ter levado a extinção da morda no país…

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

 

3243: Cientistas podem ter descoberto um “rio escuro” sob a Gronelândia

CIÊNCIA

maggiedavid / Flickr

O manto de gelo da Gronelândia pode esconder um rio com cerca de 1600 quilómetros de comprimento, sugeriram os cientistas.

De acordo com o Independent, cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão, e da Universidade de Oslo, na Noruega, podem ter encontrado um rio sob o gelo da Gronelândia, que transporta água desde o coração desta ilha e para o Oceano Atlântico através do Petermann Fjord.

Os investigadores analisaram a altura das superfícies rochosas debaixo do gelo para criar uma simulação de como será a superfície da terra. E tudo leva a crer que existe um rio de 1600 quilómetros no subsolo.

Uma vez que a maioria do percurso será desprovida de luz, os cientistas baptizaram-no de “rio escuro”. Porém, durante a sua apresentação no encontro da American Geophysical Union (AGU), não esconderam que vão ser necessárias mais pesquisas para confirmar a sua existência.

“Embora ainda haja alguma incerteza”, a equipa disse que “os resultados são consistentes com o actual sistema sub-glacial de rios que, se confirmado com outras observações, pode ter mais de 1600 quilómetros de comprimento“.

“Os resultados levantam questões sobre a necessidade de melhor observar, entender e simular a hidrologia basal complicada das camadas de gelo da Terra”.

Em declarações ao Live Science, Christopher Chambers, um dos autores do estudo, explicou que o rio deverá estar a cerca de 300 a 500 metros abaixo da superfície, uma profundidade que diz ser bastante incomum para algo tão longo “e que poderá ser uma prova de que isso poderia ser” um local com erosão ativa ou deposição de sedimentos, possivelmente por causa do fluxo de um rio.

ZAP //

Por ZAP
21 Dezembro, 2019

 

 

3123: Mais de metade dos piores cenários de há dez anos são já realidade

CIÊNCIA

(h) NASA Earth Observatory

Mais de metade dos piores cenários climáticos identificados há uma década pelos cientistas estão comprovadamente a acontecer, alertou esta quinta-feira uma equipa de investigadores num artigo publicado na revista Nature, em que defendem a declaração de uma “emergência planetária”.

A destruição da floresta amazónica e a perda das grandes massas de gelo na Antárctida e Gronelândia estão entre nove pontos críticos em relação aos quais estão a acontecer mudanças sem precedentes mais cedo do que se esperava, e que, combinados, podem levar a um “efeito dominó” com efeitos catastróficos.

“Há uma década, identificámos uma série de potenciais pontos críticos e vemos agora que mais de metade foram activados“, afirmou o director do Instituto de Sistemas Globais da Universidade britânica de Exeter, Tim Lenton.

A ameaça de “mudanças rápidas e irreversíveis significa que não se pode esperar para ver”, afirmou o co-autor Johan Rockström, do Instituto para a Investigação do Impacto Climático de Potsdam [Alemanha], salientando que “cientificamente, há provas fortes para declarar um estado de emergência planetária, para desencadear uma acção mundial que acelere a transição para um mundo que possa continuar a evoluir num planeta estável”.

O colapso dos gelos na Gronelândia e na Antárctida poderá levar à subida irreversível de dez metros do nível dos oceanos, alertam os cientistas, chamando a atenção para os efeitos combinados desse e de outros fenómenos como a destruição da floresta tropical ou o derretimento dos gelos permanentes, difíceis de prever.

Contudo, não afastam a hipótese de propiciarem “um ponto crítico global”, que pode ser “uma ameaça à existência da civilização”. A redução de emissões de gases com efeito de estufa poderá fazer abrandar a perda do gelo, dando mais tempo para mover as populações em zonas de mais baixa altitude, defendem.

Embora as temperaturas globais tenham sofrido flutuações ao longo de milhões de anos, os autores do artigo afirmam que os humanos estão a “forçar o sistema” com as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera a aumentarem a um ritmo maior do que o que precedeu a última idade do gelo.

“Não há análises de custo económico/benefício que nos possam ajudar. Precisamos de mudar a nossa abordagem ao problema do clima”, afirmou Tim Lenton.

Deixar para trás a economia assente nos combustíveis fósseis antes de 2050 é uma hipótese improvável, mas já hoje, com a temperatura 1,1 graus acima dos níveis pré-industriais, é provável que o aumento atinja 1,5 graus já em 2040, o que consideram que, só por si, já é uma emergência.

Além da Amazónia, da Antárctida e da Gronelândia, as alterações nas massas de gelo do Árctico, os recifes de coral, os gelos permanentes, as correntes marinhas no Atlântico e as florestas do Norte são os pontos críticos sensíveis identificados pelos cientistas.

Os resultados da investigação foram publicados na revista Nature.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Novembro, 2019

 

2404: O gelo das zonas mais altas da Gronelândia está a derreter

(CC0/PD) Barni1 / Pixabay

Todos anos, há gelo que derrete no verão. No entanto, a Gronelândia está a registar um dos maiores eventos de fusão de sempre.

Este ano, o fenómeno começou mais cedo, e a onda de calor que esta semana assolou a ilha está a afectar toda a superfície, incluindo a situada a maiores altitudes, nota o Público.

Há uma onda de calor sempre que as temperaturas ficam cinco graus acima do esperado durante, pelo menos, três dias e, segundo o professor da Universidade Nova de Lisboa Francisco Ferreira, isso não é invulgar. Mas esta “é mais intensa e mais extensa” do que é comum.

Depois de França, Alemanha ou Noruega, há agora estragos na Gronelândia, que faz parte do Reino da Dinamarca e é detentora da segunda maior reserva de gelo do mundo. O investigador sublinha que este é um dos dois grandes eventos de degelo da última década e o que está a acontecer agora pode ser ainda maior do que aconteceu em Julho de 2012, quando 98% da camada de gelo da ilha sofreu um derretimento à superfície.

No entanto, o mais capta a atenção dos cientistas é a extensão do fenómeno: as temperaturas estão acima do esperado desde Abril, antecipando a época anual de degelo.  Entre 11 e 20 de Junho, houve um nível excepcional de fusão. Só nestes dias, o manto de gelo perdeu o equivalente a 80 biliões de toneladas.

Actualmente, a onda está a afectar até os pontos mais altos da ilha. Na Summit Camp, localizada sensivelmente a meio do manto de gelo, 3.216 metros acima do nível do mar, durante oito horas de terça-feira a temperatura atingiu zero graus Celsius.

No espaço de sete anos, aconteceram dois episódios muito significativos que estão a preocupar os cientistas. “Não é o ponto de ruptura, mas estamos perto“, afirmou o cientista ao jornal.

O que acontece na Gronelândia não afecta apenas a região autónoma da Dinamarca, como também o planeta inteiro, sobretudo as regiões costeiras e países insulares como o Kiribati, uma vez que o excesso de água doce escorre para mar.

Em 2012, a água produzida pela fusão de gelo acrescentou mais de um milímetro ao nível do mar. Este ano, já está a taco-a-taco, remata o Público.

ZAP //

Por ZAP
4 Agosto, 2019

 

2379: Calor intenso atinge países nórdicos. Especialistas preocupados com a Gronelândia

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Cidades suecas estão a registar temperaturas elevadas históricas. Especialistas estão preocupados com passagem do calor para a Gronelândia.

Os países nórdicos registam temperaturas muito elevadas, numa altura em que o calor intenso que tem atingido a Europa se desloca para norte, dando origem em algumas zonas a “noites tropicais”, anunciou este sábado o Instituto Meteorológico sueco.

Na Suécia, o calor extremo tem-se feito sentir mesmo no norte do país. A pequena cidade de Markusvinsa (norte) foi atingida por um recorde de 34,8 graus Celsius, a temperatura mais elevada verificada este ano na Suécia.

“Trata-se da temperatura mais alta no norte desde 1945 e a terceira mais elevada que registámos”, declarou à AFP o meteorologista Jon Jorpeland.

No início da semana, houve, em vários locais da Suécia, “noites tropicais”, em que a temperatura nocturna não fica abaixo de 20°C. Segundo Jon Jorpeland, as temperaturas não foram extremas no sul da Suécia, onde durante alguns dias por ano atingem os 30 graus, apesar de agora estarem acima da média.

Mas, as autoridades advertiram para o risco de escassez de água em Agosto em várias regiões.

A vaga de calor também se fez sentir na Noruega, onde os serviços de meteorologia registaram “noites tropicais” em 20 locais diferentes do sul do país. Foram emitidos alertas de calor na Suécia, Noruega e Finlândia.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que os fluxos atmosféricos transportem o calor da Europa para a Gronelândia, “o que terá por efeito um aumento da temperatura e um derretimento acelerado” dos glaciares.

ZAP // Lusa

Por Lusa
28 Julho, 2019

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2258: Há mais de 50 lagos desconhecidos sob a capa de gelo da Gronelândia

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas liderada por Jade Bowling, do Centro Ambiental Lancaster, no Reino Unido, descobriu 56 lagos sub-glaciais desconhecidos até então na Gronelândia.

De acordo com o portal EurekAlert, que avançou com a notícia esta quinta-feira, a descoberta eleva para 60 o número de lagos com estas características na ilha.

Os lagos agora descobertos têm entre 0,2 e 5,9 quilómetros e, de acordo com o cientista Stephen Livingstone, tendem a agrupar-se no leste da Gronelândia, onde a camada de gelo é mais dura.

Apesar de estes lagos serem mais pequenos do que os da Antárctida, a descoberta é importante uma vez que mostra que este tipo de formações é mais comum na Gronelândia do que se pensava até então.

Estes lagos ajudam ainda a perceber melhor onde é que a água é produzida e como é que esta drena sob a camada de gelo – o que influencia a forma como a camada de gelo responderá ao aumento da temperatura.

“Os cientistas têm um bom conhecimento sobre os lagos sub glaciais da Antárctida, (…) No entanto, até agora pouco se sabia sobre a distribuição e o comportamento dos lagos sob a camada de gelo da Gronelândia “, acrescentou Jade Bowling.

Por sua vez, Livingstone frisou que estes lagos “podem fornecer objectivos importantes para a exploração directa, a fim de procurar evidências de vida extrema e para recolher amostras dos sedimentos depositados no lago que preservam um registo de mudanças ambientais”.

// ZAP

Por ZAP
2 Julho, 2019

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2197: Degelo na Gronelândia: Esta foto é a prova de que precisa para acreditar

© Twitter Superfície de gelo é agora água.

Uma imagem captada pelo climatólogo Steffen M. Olsen, no passado dia 13 de Junho, prova o impacto que as alterações climáticas estão a ter no Árctico.

O dinamarquês estava no noroeste da Gronelândia, sendo que uma das suas funções seria recuperar os dispositivos de medição que tinham sido colocados no gelo no âmbito da missão Acção Azul. Preparava-se para fazê-lo, a bordo de um trenó guiado por cães, quando percebeu que os caminhos de gelo percorridos pelos animais estavam, afinal, transformados em água.

“As comunidades na Gronelância contam com o gelo para transporte, caça e pesca. Eventos extremos, neste caso a inundação pelo início abrupto do derretimento da superfície, exige uma capacidade de previsão mais apurada no Árctico”, alertou Steffen M. Olsen, no Twitter.

16:08 – 14 de jun de 2019

A sua publicação está a tornar-se viral e um verdadeiro exemplo, alertando para a rapidez com que o gelo do árctico está a derreter.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até 3 graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

msn meteorologia
Notícias Ao Minuto
18/06/2019

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1770: O glaciar “pai” do icebergue que afundou o Titanic está a crescer outra vez

twiga269 ॐ FEMEN / Flickr

Embora esteja a derreter há 20 anos, o glaciar Jakobshavn, no oeste da Gronelândia – famoso por produzir o icebergue que afundou o Titanic – começou a crescer novamente.

Desde os anos 1980, as águas estão cada vez mais quentes em redor da baía de Baffin, local onde o glaciar se encontra. Mas, dados recentes da NASA revelam que, em 2016, a corrente oceânica ficou mais fria. Como resultado, o gelo do glaciar Jakobshavn tem-se tornado mais espesso, fluindo mais lentamente e crescendo em direcção ao oceano.

As águas ao redor da foz do glaciar – também conhecidas como Sermeq Kujalleq em gronelandês – são agora as mais frias desde a década de 1980. “No começo, não acreditávamos”, disse o glaciologista Ala Khazendar, da NASA. “Presumimos que Jakobshavn continuaria como nos últimos 20 anos.”

Mas nos últimos três anos, a água fria continuou a chegar, de acordo com dados da missão Oceans Melting Greenland (OMG) da NASA e outras fontes. Num novo artigo publicado na revista Nature Geoscience, Khazendar e a sua equipa identificaram a causa – e é apenas temporária.

A equipa traçou a corrente usando observações e um sistema de modelagem oceânica desenvolvido pela NASA para preencher as lacunas nos dados.

O arrefecimento começou no Oceano Atlântico Norte, a 966 quilómetros ao sul do glaciar, desencadeado por um padrão climático chamado Oscilação do Atlântico Norte (NAO): a cada cinco a 20 anos, a pressão atmosférica no nível do mar oscila, resultando em aquecimento ou arrefecimento, que é levado para o norte pelas correntes oceânicas na costa sudoeste da Gronelândia.

Em 2016, a água nesta corrente estava 1,5ºC mais fria, arrefecendo o Atlântico em torno da Gronelândia em cerca de 1ºC. Isto chegou ao Jakobshavn, permitindo que o gelo engrossasse. “Não achávamos que o oceano pudesse ser tão importante”, disse o investigador principal do OMG, Josh Willis, ao National Geographic.

Mas, inevitavelmente, o pêndulo vai balançar de volta e o glaciar vai encolher novamente. Enquanto isso, o resto da camada de gelo da Gronelândia ainda está a recuar. Mesmo que esse leve crescimento continuasse, não poderia compensar as intensas perdas experimentadas até agora.

Alguns dos mais antigos e grossos blocos de gelo do Árctico quebraram no ano passado – a primeira vez que este fenómeno foi registado. Isto aconteceu duas vezes. Mais da metade do gelo permanente do Árctico derreteu e o derretimento do gelo e da neve revelou paisagens árcticas escondidas por 40.000 anos.

De facto, de acordo com um relatório da ONU do ano passado, passámos do ponto sem retorno. O dano já foi feito, o Árctico está a aquecer e não há nada que se possa fazer para parar o processo.

Jakobshavn tem estado a derreter desde o início dos anos 2000, quando perdeu a sua plataforma de gelo. Esta plataforma flutuante de gelo diminui o fluxo de um glaciar. Quando o Jakobshavn partiu, o fluxo aumentou. Desde então, o derretimento está a acelerar e a frente do glaciar a recuar do oceano. Entre 2013 e 2016, perdeu 152 metros de espessura.

“Jakobshavn está a ter uma ruptura temporária com este padrão climático. Mas, no longo prazo, os oceanos estão a aquecer. Ver os oceanos ter um impacto tão grande nos glaciares é uma má notícia para a camada de gelo da Gronelândia”, disse Willis.

Esta investigação demonstra que a recessão glacial não é uma tendência unidireccional, mas não mostra uma reversão da mudança climática.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
27 Março, 2019

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1677: Gronelândia: Em vez de nevar, está a chover e isso é um problema

Patrick Robert/ Getty Images

Os dias de chuva são cada vez mais comuns em partes da Gronelândia normalmente cobertas por gelo, provocando situações de fusão rápida, fragilizando a superfície e potenciando um degelo futuro generalizado, indica um estudo divulgado hoje

O estudo, divulgado na revista científica europeia The Cryosphere, mostrou que algumas partes da camada de gelo estão a receber chuva no inverno em vez de neve, um fenómeno que se vai espalhar à medida que o clima continuar a aquecer.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até três graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

A investigação analisou dados recolhidos entre 1979 e 2012, combinando imagens de satélite e observações meteorológicas, para perceber o que estava a provocar a fusão em locais específicos.

Segundo a principal autora do estudo, Marilena Oltamnns, do Centro Geomar para Pesquisas Oceânicas, da Alemanha, durante o período em análise o degelo associado à chuva duplicou no verão e triplicou no inverno.

A fusão dos mantos de gelo pode ser causada por uma complexidade de factores, mas a introdução de água líquida é uma das mais poderosas, disse Marco Tedesco, da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e outro dos autores do estudo. As temperaturas mais altas, disse, tornam mais provável que as condições atmosféricas passem o limiar em que precipitação toma a forma de chuva, que carrega grande quantidade de calor, e não de neve.

Segundo os investigadores, essas condições produzem uma fusão que se alimenta a si própria e que continua mesmo depois da chuva.

E a água que não se esvai e que congela transforma-se num tipo de gelo mais escuro e denso, que absorve mais radiação quando há sol e que derrete mais facilmente, dizem os autores do estudo.

A Gronelândia não é o único lugar do norte do planeta afectado pelo aumento da chuva no inverno, em vez de neve. Chuvas anormais no norte do Canadá deixaram um manto de água que congelou, aprisionando as plantas que caribus e bois almiscarados comiam buscando através da neve solta. Manadas inteiras foram dizimadas por isso.

Visão
com Lusa
07.03.2019 às 17h44

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1566: O clima está cada vez mais selvagem (e vai piorar)

Christine Zenino / wikimedia

O clima tornou-se selvagem e irá piorar ao longo do próximo século, com o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida a causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, segundo um novo estudo.

O trabalho, publicado esta quinta-feira na revista científica Nature, é o primeiro a simular os efeitos, na situação actual, que o gelo derretido nas duas regiões polares terá nas temperaturas dos mares e nos padrões de circulação das massas de água.

“Com as actuais políticas governamentais globais estamos a caminhar para três a quatro graus de aquecimento acima dos níveis pré-industriais, fazendo com que uma quantidade significativa de gelo derretido da Gronelândia e dos campos de gelo antárcticos entre nos oceanos”, disse Nick Golledge, do Centro de Pesquisa Antárctica da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

O investigador acrescentou que, de acordo com os modelos usados no estudo, “o gelo derretido vai causar alterações significativas nas correntes oceânicas e mudar os níveis de aquecimento em todo o mundo”. Nick Golledge liderou uma equipa internacional de investigadores composta por cientistas da Nova Zelândia, mas também do Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

A equipa combinou simulações dos efeitos do degelo no clima, com observações por satélite das mudanças recentes nas camadas de gelo e criaram previsões mais precisas e confiáveis do que pode acontecer com as actuais políticas em relação ao clima.

As simulações feitas sugerem que vai haver uma subida mais rápida do nível do mar entre 2065 e 2075, e que a água resultante do degelo vai afectar as temperaturas e os padrões de circulação das águas nos oceanos, o que também vai afectar a temperatura do ar.

Os cientistas dizem que a água do mar não vai subir da mesma forma em todo o lado, mas advertem que os efeitos do degelo serão muito mais generalizados.

À medida que a água do degelo entra nos oceanos, por exemplo no Atlântico Norte, as principais correntes oceânicas, como a corrente do Golfo, serão significativamente enfraquecidas. Dizem os cientistas que isso levará a temperaturas do ar mais altas no Árctico, no leste do Canadá e na América Central e a temperaturas mais baixas no noroeste da Europa.

“O aumento do nível das águas do mar devido ao derretimento das camadas de gelo já está a acontecer e tem acelerado nos últimos anos. As nossas novas experiências mostram que ele continuará até certo ponto, mesmo que o clima da Terra estabilize. Mas elas também mostram que se reduzirmos drasticamente as emissões (de gases com efeito de estufa) podemos limitar esses futuros impactos”, disse Nick Golledge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Fevereiro, 2019

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1424: Bola de fogo que explodiu na Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar mundos alienígenas

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Uma misteriosa bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia poderia ajudar-nos a estudar a estrutura de mundos alienígenas distantes e cobertos de gelo.

Apesar de os primeiros dados terem demonstrado que a bola de fogo que explodiu sobre a Gronelândia era uma das mais energéticas de 2018, durante meses os cientistas não sabiam que implicações teria este meteorito.

A bola de fogo iluminou o céu nocturno e fez o chão tremer no dia 25 de Julho, mas a maior parte do mundo teve conhecimento deste evento passado uma semana, quando um cientista da NASA, Ron Baalke, informou no Twitter.

Mais tarde, também através do Twitter, Hans M. Kristensen, investigador de armas nucleares, adiantou que a explosão ocorreu muito perto da base da Força Aérea de Thule, na Gronelândia. No entanto, a Base Aérea manteve-se muito silenciosa em relação ao fenómeno.

Agora, graças a uma feliz coincidência de tempo e espaço, temos novas provas para interpretar o evento da bola de fogo.

Em maio, alguns meses antes da bola de fogo irromper nos céus, os cientistas instalaram um sistema sísmico a apenas 70 quilómetros de Qaanaaq, num projecto chamado “Sismómetro para Investigar Gelo e Estruturas do Oceano” (SIIOS).

O objectivo do projecto é usar sismómetros para medir como podem acontecer terramotos em mundos gelados e luas (como a lua gelada de Júpiter Europa), usando análogos baseados na Terra (como o gelo da Gronelândia).

Os cientistas afirmam que o que podemos aprender sobre as espessas crostas de gelo que cobrem esses ambientes pode ser a chave para encontrar água em futuras missões no Espaço. No entanto, a mesma infra-estrutura pode também dar-nos uma visão única do que realmente aconteceu com a bola de fogo em Qaanaaq.

Num relatório apresentado na reunião anual da União de Geofísica Americana, em Washington, uma equipa liderada por Nicholas C. Schmer, da Universidade de Maryland, relatou que os sensores do sismómetro permitiram aos cientistas isolar um “evento sísmico candidato consistente com a trajectória do ponto de impacto projectado pela bola de fogo”.

Na prática, a actividade sísmica captada por vários sensores correlacionou o caminho do meteoro com o das ondas terrestres. A matriz permitiu também que os cientistas identificassem a localização exacta do impacto.

A investigação ainda não foi revisada por especialistas, mas os dados preliminares sugerem que o epicentro do impacto estava situado “nas proximidades da geleira de Humboldt, no manto de gelo da Gronelândia”.

Ainda há muita coisa por desvendar sobre a bola de fogo de Qaanaaq, mas graças à infra-estrutura do SIIOS temos agora uma pista consistente sobre o misterioso meteorito e, segundo os cientistas, uma novidade mundial no âmbito da pesquisa astronómica.

“Este candidato a evento de impacto sísmico registado por um sistema é o primeiro análogo sísmico de alta fidelidade para eventos de impacto do mundo gelado”, explicaram os autores.

Estas descobertas têm então implicações que se estendem além da Terra. Como este evento foi o primeiro registo de eventos de impacto em mundos cobertos de gelo, estas descobertas podem “informar a Ciência do impacto de objectos em todo o Sistema Solar“.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Dezembro, 2018

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1395: A Gronelândia está a derreter mais depressa do que nunca

CIÊNCIA

Christine Zenino / wikimedia

Foram analisados mais de 350 anos para concluir que o manto de gelo da Gronelândia está a derreter mais rapidamente do que no ano passado. O ano de 2012 foi particularmente danoso.

Luke Trusel, da Universidade Rowan, nos Estados Unidos, coordenou uma equipa de cientistas que desenvolveu um registo, recuando até 1650 e analisando camadas de derretimento em núcleos de gelo do Oeste da Gronelândia.

“Os autores ligaram essas camadas a processos de derretimento mais amplos e actuais na Gronelândia” refere o resumo do estudo, que foi publicado recentemente na Nature. Os resultados levam os cientistas a concluir que o derretimento e o escoamento do manto aceleraram recentemente, fora do intervalo da variabilidade passada.

Além disso, segundo o Público, este trabalho permitiu confirmar que o derretimento da camada de gelo da Gronelândia começou a aumentar logo após o início do aquecimento do Árctico, em meados da década de 1800.

Nos últimos 350 anos, o derretimento da superfície em 2012 foi muito mais extenso. Já na década mais recente contida nos núcleos de gelo (2004-2013) observou-se um degelo mais sustentado e intenso do que qualquer outro período de dez anos registado.

Os autores avisam que “devido a uma resposta não linear do derretimento da superfície ao aumento das temperaturas do ar no Verão, o aquecimento atmosférico continuado levará a aumentos rápidos no escoamento do manto de gelo da Gronelândia e nas contribuições no nível do mar“, dado que o manto de gelo da Gronelândia é um dos principais factores naturais que contribui para a elevação do nível do mar.

O manto de gelo da Gronelândia é um importante marcador da evolução do planeta para os cientistas. Ano após ano, enquanto que o mundo aquece, a Gronelândia derrete.

No ano passado, em Junho, um outro estudo concluía que os glaciares e os cumes de gelo na Gronelândia não vão conseguir recuperar da actual situação, por exemplo.

Além disso, um outro estudo adiantava que o derretimento do gelo na costa da Gronelândia terá como consequência a subida do nível do mar em cerca de 3,8 centímetros até 2100. Um clima mais quente no futuro poderá mesmo trazer consequências graves.

ZAP //

Por ZAP
8 Dezembro, 2018

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1309: Gelo escondia cratera de 31 quilómetros causada por asteróide

Cientistas localizaram evidências de acontecimento cataclísmico a cerca de um quilómetro de profundidade num glaciar. Impacto terá acontecido durante a Idade do Gelo.

A Gronelândia tem sido mais monitorizada pelos cientistas devido às alterações climáticas
© REUTERS/Lucas Jackson

Escondidas debaixo de 950 metros de gelo e terra, no glaciar de Hiawatha, no nordeste da Gronelândia, estão as marcas do impacto de um asteróide cuja dimensão – cerca de um quilómetro de comprimento -, o elevam imediatamente à categoria dos 30 maiores acontecimentos do género de que há registo. É também, de acordo com um estudo publicado na revista científica Science Advances , a primeira cratera a ser localizada debaixo do gelo.

O local do impacto, uma depressão de forma circular com 31 quilómetros de diâmetro, foi confirmado através da combinação de dados recolhidos entre 1997 e 2014 pela NASA, no âmbito do programa IceBridge, da Agência Espacial Norte-Americana, destinado a monitorizar os efeitos das alterações climáticas no Árctico, com dados de radar recolhidos por via aérea numa extensão de 600 quilómetros. Os dados foram compilados por especialistas do Centro de Geogenética do Museu de História natural da Dinamarca.

Já a data do impacto, que terá ocorrido durante a última idade do gelo, no Pleistoceno (que começou há 2,6 milhões de anos e terminou há 11 700), ainda está em fase de confirmação. Outra frente de investigação serão os possíveis impactos causados por este acontecimento no clima da época em que ocorreu, tanto na região como no planeta.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
17 Novembro 2018 — 13:46

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1295: Cratera de meteorito com o tamanho de Lisboa descoberta na Gronelândia

Natural History Museum of Denmark / Cryospheric Sciences Lab / NASA Goddard Space Flight Center
Mapa da topografia rochosa

Uma equipa de cientistas descobriu, sob uma camada de gelo na Gronelândia, uma cratera com mais de 31 quilómetros de diâmetro, criada pelo impacto de um meteorito.

A cratera, descoberta por uma equipa internacional liderada por especialistas do Museu de História Natural da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, é uma das 25 maiores que se conhecem na Terra fruto do impacto de corpos celestes. Com 31km de diâmetro, tem uma área de cerca de 97km – sensivelmente a mesma dimensão de Lisboa.

Segundo a Universidade de Copenhaga, que divulgou a descoberta a 14 de Novembro na revista Science Advances, é a primeira vez que uma cratera é encontrada sob uma das camadas de gelo continentais da Terra.

A cratera foi originalmente descoberta em Julho de 2015 e uma grande equipa passou 3 anos a trabalhar para verificar a descoberta. “Descobertas extraordinárias têm evidências extraordinárias”, disse Kurt H. Kjær, do Museu de História Natural da Dinamarca.

A descoberta inicial partiu da análise de mais de uma década de dados de radar, recolhidos por investigadores entre 1997 e 2014 para o Programa de Avaliação do Clima Regional e Operação IceBridge da NASA.

Esta técnica usa o radar para espreitar através do gelo e construir um mapa topográfico do solo sob uma camada de gelo. Isto permite, por exemplo, a medição da espessura do gelo, o que pode ser útil na estimativa do derretimento do gelo devido ao aquecimento global.

Enquanto observavam os dados, os geólogos notaram algo realmente incomum: uma grande depressão circular sob o Glaciar Hiawatha. “Imediatamente soubemos que isto era algo especial, mas, ao mesmo tempo, sabíamos que seria difícil confirmar a origem da depressão”, disse Kjær.

Na investigação, que durou três anos, incluiu pesquisas com radares e recolha de amostras de sedimentos. A cratera, “excepcionalmente bem preservada”, de acordo com os especialistas, formou-se quando um meteorito de ferro que teria um quilómetro de largura atingiu o actual norte da Gronelândia, na zona do glaciar Hiawatha.

Os peritos sugerem, apesar de ainda não terem conseguido datar a cratera, que esta se terá formado depois de o gelo começar a cobrir a Gronelândia, situando o intervalo de tempo entre os três milhões de anos e os 12 mil anos.

A equipa científica vai agora tentar datar a cratera, um desafio que requer a recuperação de material que derreteu durante o impacto do meteorito. Sabendo a idade da cratera, será possível perceber como a queda do meteorito terá afectado a vida na Terra num determinado período.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
16 Novembro, 2018

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