2214: Gravuras pré-históricas encontradas na cratera de impacto que poderia ter extinguido a Humanidade

CIÊNCIA

(dr) University of the Free State
As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte

Os cientistas são capazes de reconhecer a natureza especial da cratera de impacto de Vredefort, mas esta já havia sido reconhecida por antigos habitantes da região.

Várias gravuras rupestres foram misteriosamente descobertas dentro da Cratera Vredefort, na África do Sul. Esta é a maior cratera de impacto do mundo, com cerca de 186 quilómetros de largura, e foi formada por um asteróide, há cerca de dois mil milhões de anos.

De acordo com o portal sul-africano IOL, que cita a African News Agency, a equipa de cientistas considera que a cratera resultou de um impacto maior do que o do asteróide que extinguiu os dinossauros, e que, “se na altura o Homem existisse”, teria sido extinto.

Uma equipa de cientistas tem trabalhado arduamente para analisar as influências geológicas da cratera na área circundante. Agora, a equipa está convencida de que a cratera não é apenas um local de importante significado geológico e planetário, mas também para entender a primeira população de seres humanos daquela região.

As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte – todos eles animais que poderiam ser encontrados naquela área há cerca de 8.000 anos. Os cientistas estabeleceram assim que aquela arte rupestre era a marca do trabalho manual dos Khoi-San, os primeiros povos sul africanos.

Os cientistas desconfiam que estas gravuras representaram um importante papel nas cerimónias associadas à chuva.

“Como cientistas, reconhecemos a natureza especial da cratera de impacto, mas também foi reconhecida por antigos habitantes da região”, disse Matthew Huber, geógrafo da University of the Free State da África do Sul.

Desde que as marcas se tornaram uma descoberta arqueológica significativa, Huber e os seus colegas pediram ajuda a arqueólogos locais para tentar descobrir o que foi feitos nestes locais e de que forma estas espécies de rituais influenciaram as pessoas que lá viviam.

As gravuras antigas aparecem no exterior das estruturas de pedra dentro da área da cratera conhecida como The Granophyre Dykes, que se estende por seis quilómetros de comprimento e 16 metros de largura. As marcas, com cerca de 8.000 anos, aparecem um pouco desbotadas, mas, ainda assim, perceptíveis.

(dr) University of the Free State
Outra das gravuras encontradas na cratera de impacto de Vredefort

Shiona Moodley e Jens Kriek, dois arqueólogos que trabalhavam no local, adiantaram que a mitologia Khoi-San acreditava num universo de três camadas, segundo o qual o nível superior hospeda o deus e os espíritos dos mortos, o nível intermediário representa o mundo material ou físico, e o nível inferior “segura” os mortos.

Nesta mitologia, acredita-se que as cobras ocupam todos estes três reinos, e que são criaturas “de chuva”. Segundo o All That’s Interesting, as gravuras surgem numa parte da superfície que faz parte de uma espécie de albufeira, que, curiosamente, tinha uma forma muito semelhante à de uma divindade de cobra de chuva, uma figura importante na cultura Khoi-San com poderes para “invocar” a chuva.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

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1097: Marcas pré-históricas indiciam a existência de uma civilização perdida na Índia

CIÊNCIA

Marathi Mayuresh Konnur / BBC
Entre as marcas encontradas, há figuras de tubarões, aves, rinocerontes e hipopótamos

Uma equipa de arqueólogos encontrou gravuras rupestres pré-históricas no estado de Maharashtra, no oeste da Índia. De acordo com os cientistas, estes achados podem evidenciar uma antiga civilização até agora desconhecida.  

De acordo com a BBC, foram descobertas milhares destas gravuras rupestres – conhecidas como petróglifos – na região de Konkan, no estado indiano de Maharashtra.

As marcas pré-históricas, maioritariamente encontradas nas cidades de Ratnagiri e Rajapur, estavam gravadas em colinas rochosas e planas, tendo passado despercebidas durante milhares de anos.

Os cientistas ficaram surpreendidos com a diversidade de gravuras encontradas, que vão desde animais, pássaros, figuras humanas e até desenhos geométricos. Grande parte das figuras estava escondida sob camadas de terra e lama, mas também havia algumas a céu aberto – estas eram consideradas sagradas, sendo pelos habitantes da região.

No entanto, a variedade das esculturas não foi o que mais surpreendeu os arqueólogos. A forma como os petróglifos foram desenhados e a sua semelhança como os demais já encontrados noutras partes do mundo levam os cientistas a acreditar que as marcas foram criadas durante o período pré-histórico e são, possivelmente, dos mais antigos até agora encontrados.

“A nossa primeira dedução após analisar estes petróglifos aponta que estes tenham sido criados por volta de 10.000 a.C”, disse o director do departamento de arqueologia do estado de Maharashtra, Texas Garge, em declarações à BBC.

Com a ajuda dos habitantes e anciãos locais, os arqueólogos encontraram petróglifos em cerca de 52 vilas da região – mas apenas cinco destas sabiam da sua existência.

Evidências de uma sociedade de caçadores-colectores

De acordo com Garge, as imagens evidenciam ter sido desenhadas por uma comunidade de caçadores-colectores que ainda não estava familiarizada com a agricultura. “Nós não encontramos imagens de actividades agrícolas, mas as marcas mostram animais caçados e há uma descrição bastante detalhadas das suas formas”, sustentou.

Shrikant Pradhan, investigador e historiador de arte da Faculdade Deccan de Pune, na Índia, estudou os petróglifos e disse que as figuras eram claramente inspiradas em actividades observadas na época.

“A maioria dos petróglifos mostra animais domésticos, mas há também imagens de tubarões e baleias, bem como anfíbios e tartarugas”, acrescenta Garge.

No entanto, os petróglifos recém-descobertos levantam questões ainda mais intrigantes para os arqueólogos. Os especialistas indagam por que motivo as gravuras retratam animais como hipopótamos e rinocerontes que não se encontram nesta região da Índia. A comunidade que as criou terá migrado da África para a Índia? Ou será que estes animais já habitaram a Índia?

As marcas, que passaram despercebidas durante milénios, continuam a intrigar os cientistas. Para resolver o mistério, o governo da Índia reservou um fundo de 3,2 milhões de euros para continuar a estudar os cerca de 400 petróglifos encontrados.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Outubro, 2018

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