2524: “Jangada” de rochas vulcânicas maior do que o Porto está a flutuar pelo Pacífico

CIÊNCIA

NASA Earth Observatory / Joshua Stevens)

Uma enorme “jangada” flutuante de pedra-pomes está à deriva no Oceano Pacífico, dirigindo-se para a Grande Barreira de Corais, na Austrália.

De acordo com os média locais, esta horda, que no início de Agosto era maior do que a cidade do Porto, carrega uma vasta quantidade de vida marinha que pode ajudar a salvar o maior recife de corais do mundo, reabastecendo-o com milhões de pequenos organismos.

“Teremos milhões de corais individuais e muitos outros organismos, todos juntos com o potencial de encontrar novas casas ao longo da costa”, disse Scott Bryan, professor associado de Geologia da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália.

“Este é um caminho para os corais jovens e saudáveis ​​entrarem rapidamente na Grande Barreira”, acrescentou o cientistas.

A “jangada” de rocha vulcânica foi filmada por dois navegadores que, de um momento para o outro, perderam a visão da água do oceano e encontraram uma massa flutuante de pedras em torno da sua embarcação.

Michael Hoult e Larissa Brill partilharam a sua experiência através do Facebook, onde publicaram fotografias da “mancha de destroços” com fragmentos de vários tamanhos.

Estes escombros naturais, que são resultado de uma erupção vulcânica submarina perto de Tonga, no Pacífico Sul, atingiram já uma área enorme, sendo possível vê-la através de imagens de satélite capturadas pela agência espacial norte-americana.

Segundo noticia o Mashable, a “jangada” atingiu, a 13 de Agosto, uma dimensão semelhante à de Manhattan, nos Estados Unidos (59 quilómetros). Em termos de comparação, este valor é maior do que a cidade do Porto (41 quilómetros).

Números mais significativos avança o jornal local 7 News, dando conta que a massa já atingiu os 150 quilómetros quadrados de superfície – são 8.000 campos de futebol.

“Existem provavelmente milhões a mil milhões de pedaços de pedra-pomes a flutuar todos juntos. Cada peça é uma veículo para alguns organismos marinhos”, explicou ainda o cientistas, dando conta que quando a “ilha flutuante” chegar à Austrália será coberta por uma grande variedade de algas, corais, caranguejos, caracóis e vermes.

Estima-se que a massa chegue à Austrália dentro de 7 a 12 meses.

ZAP //

Por ZAP
27 Agosto, 2019

 

1826: Alterações climáticas estão a impedir a recuperação da Grande Barreira de Coral

CIÊNCIA

Richard Ling / Flickr

Cientistas da Austrália e dos Estados Unidos verificaram uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral. O culpado é o aquecimento global.

A Grande Barreira de Coral, na Austrália, foi atacada pelo fenómeno de branqueamento em massa em 2016 e 2017. O branqueamento não atingiu este ecossistema em 2018, mas continua a influenciar a vida dos seus organismos.

De acordo com um artigo científico, recentemente publicado na Nature, estes branqueamentos consecutivos causaram uma diminuição de 89% no surgimento de novos corais no ano passado.

Em 20 anos, a Grande Barreira enfrentou quatro branqueamentos em massa: em 1998, 2002, 2016 e 2017. Durante fenómeno, a água aquece mais do que seria suposto e os corais ficam esbranquiçados. Isto acontece porque as algas, que vivem em simbiose com os corais e lhes dão cor, deixam de fazer a fotossíntese e passam a produzir substâncias tóxicas.

Os corais ficam sem acesso aos nutrientes dados pelas algas e, como consequência, ficam desnutridos e podem mesmo morrer. As perdas causadas por este fenómeno foram substanciais. Só em 2016, morreram 30% dos corais rasos da Grande Barreira.

Segundo o Público, recentemente, uma equipa de cientistas analisou as relações entre os corais adultos e a produção de larvas antes e depois dos branqueamentos de 2016 e 2017.

A relação é conhecida como “recrutamento de larvas” e, neste processo, os corais reproduzem-se através da produção de largas designadas plânulas. Depois, essas larvas dispersam-se no plâncton até colonizarem o recife e, no final, dão origem a novos corais.

Segundo Andrew Baird, do Centro de Excelência para o Estudo dos Recifes de Coral (ARC) e um dos autores do estudo, este recrutamento é essencial para a recuperação dos recifes. “Sem bebés não pode haver adultos“, disse ao Público.

“Como consequência da mortalidade em massa de corais adultos em 2016 e 2017 devido ao stress térmico, a quantidade de recrutamento de larvas desceu para níveis históricos de 89% em 2018″, lê-se no artigo.Como houve uma perda de corais adultos, houve uma diminuição de 89% na reposição de novos corais na Grande Barreira – “corais mortos não têm bebés”, ressalva Terry Hughes, líder da equipa, num comunicado do ARC.

“As larvas de corais que são produzidas todos os anos são componentes vitais da resiliência da Grande Barreira de Coral”, sublinha Baird, destacando que a diminuição no recrutamento de larvas foi mais grave na secção Norte da Grande Barreira e nos corais do género Acropora.

O aquecimento global comprometeu gravemente a capacidade de os recifes recuperarem dos branqueamentos”, resume o cientista.

Na prática, tudo se resume a um ciclo: as alterações climáticas causam o branqueamento, o branqueamento mata os corais adultos, os corais mortos não produzem larvas e, sem larvas, não se pode recuperar da perda de adultos causada pelas alterações climáticas.

ZAP //

Por ZAP
9 Abril, 2019

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973: Corais nos recifes profundos da Grande Barreira também estão a morrer

CIÊNCIA

Keith Ellenbogen

Um estudo recente mostra que 40% dos corais de recifes a 40 metros de profundidade da Grande Barreira de Coral branquearam em 2016.

Na costa Leste da Austrália, há um ecossistema com cerca de 3000 recifes e 900 ilhas, que se estende por mais de dois mil quilómetros: a Grande Barreira de Coral. Esta é a casa de corais, animais coloniais que surgiram há cerca de 400 milhões de anos e que são formados por pólipos, unidades que segregam o esqueleto de carbonato de cálcio e, ao longo de milhares de anos, formam um recife.

Já se sabia que um terço dos corais rasos da Grande Barreira morreu em 2016. Agora, um estudo recente, liderado pelo português Pedro Frade, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, revela que 40% dos corais a 40 metros de profundidade (nos locais visitados pela equipa) branquearam.

Aliás, o estudo refere ainda que 6% deles morreram devido ao branqueamento de 2016. O artigo científico foi publicado na última edição da Nature Communications.

O branqueamento acontece quando a água aquece mais do que o suposto, explica o jornal Público. Esse aquecimento faz com que as algas, que vivem em simbiose com os corais, comecem a produzir substâncias tóxicas e deixem de fazer fotossíntese. Os corais acabam por expulsar as algas e a cor esbranquiçada do seu esqueleto fica visível.

Mas a ausência de cor não é o mais preocupante: isso deixa-os desnutridos e pode mesmo levá-los à morte, porque ficam sem acesso aos nutrientes fornecidos pelas algas através da fotossíntese. Este fenómeno foi observado pela primeira vez nos anos 80 e ocorreu em massa a nível global em 1998, em 2010, em 2016 e 2017.

Pedro Frade estava na Austrália quando aconteceu um dos branqueamentos mais devastadores, que vitimou cerca de 30% dos corais rasos, mas queria também perceber o que acontecia aos recifes mesofóticos (ou profundos) que se situam entre os 30 e os 100 metros.

“A diferença mais óbvia entre os recifes rasos e profundos é a quantidade de luz que penetra até aos profundos”, explica. Regra geral, os recifes mesofóticos crescem mais lentamente, acumulam menos energia e são mais escuros.

Estas características fizeram os cientistas questionar se o branqueamento dos corais afectava estes recifes profundos. Para responder a esta pergunta, a equipa estudou vários locais da parte Norte da Grande Barreira, monitorizando a temperatura e fazendo o levantamento da saúde das comunidades de corais entre os cinco e os 40 metros de profundidade, em maio de 2016.

Apesar de haver algum alívio de temperaturas elevadas, os corais nos recifes profundos são também afectados pelo branqueamento: nos recifes mesofóticos, contabilizou-se que 40% dos corais branquearam e 6% morreram.

“Podemos descartar a hipótese de que poderemos dormir descansados porque o recife profundo vai salvar o recife raso”, comenta o cientista. “O branqueamento de 2016 deixou uma cicatriz que não irá desaparecer tão rapidamente e vão ser precisos muitos anos até os recifes voltem a ter a aparência e funcionalidade que tinham.”

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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