2758: Genes “perdidos” transformaram golfinhos em criaturas marinhas

CIÊNCIA

mprivoro / Flickr

A transição de animais terrestres para animais marinhos foi algo que demorou milhões de anos. Dezenas de genes “perdidos” ajudaram à adaptação destes animais.

Há dezenas de milhões de anos atrás, cetáceos como os golfinhos caminhavam sobre a Terra, mas acabaram por se tornar criaturas marinhas. Esta transição, com intensas mudanças corporais, está escrita no seu ADN, de acordo com um novo estudo publicado esta semana na revista Science Advances.

Quando os ancestrais dos cetáceos modernos se separaram dos ancestrais dos hipopótamos, 85 diferentes genes foram desactivados, dos quais 62 ainda não eram conhecidos entre a comunidade científica. A equipa de investigadores apurou que estes eram os genes cruciais para manter a vida terrestre, como sarar feridas e produzir saliva.

Estes animais deixaram de produzir saliva, já que não precisam dela, uma vez que ingerem grandes quantidades de água com as suas refeições. O gene responsável pela coagulação do sangue também “desapareceu”, evitando coágulos quando os golfinhos mergulham e voltam à superfície.

“Para armazenar e conservar oxigénio com eficiência para um mergulho prolongado, os cetáceos desenvolveram uma variedade de adaptações“, lê-se no estudo liderado por Michael Hiller, do Instituto Max Planck, na Alemanha.

Os golfinhos mostraram-se decididos em tornar-se animais marinhos e, como tal, com o passar dos anos foram fazendo alterações genéticas que facilitaram a sua adaptação: maior armazenamento de oxigénio e costelas flexíveis que permitem aos pulmões colapsar. Segundo a Inverse, esta última modificação permite aos golfinhos mergulhar em grandes profundidades.

“De maneira geral, o nosso estudo destaca mudanças genómicas importantes que ocorreram durante a transição da terra para a água na linhagem de cetáceos e, assim, ajudam a entender as determinantes moleculares das suas notáveis adaptações“, escreveram os investigadores.

Isto mostra que a transição da terra para a água de cetáceos como golfinhos e baleias não aconteceu de um momento para o outro e é resultado de milhões de anos de evolução. São também resultado da sobrevivência, mutação, reprodução sexual e todos os factores ambientais que a influenciam.

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Por ZAP
3 Outubro, 2019

 

2687: Estudo mostra que os golfinhos também já são resistentes aos antibióticos

CIÊNCIA

ST33VO via Foter.com / CC BY

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos mostra que os golfinhos Tursiops truncatus também já mostram resistência aos antibióticos.

Não é segredo que os seres humanos usam demasiados antibióticos, tanto que estamos a desenvolver uma resistência a estes medicamentos. No entanto, de acordo com um novo estudo publicado na revista científica Aquatic Mammals, o mesmo já está a acontecer com os golfinhos.

“Ao contrário dos humanos, os golfinhos selvagens não tomam antibióticos e, por isso, não se espera um aumento da sua resistência”, explica Adam Schaefer ao IFLScience, o autor principal do estudo e epidemiologista do FAU Harbor Branch.

“É preocupante porque significa que as bactérias resistentes a antibióticos e os antibióticos estão a entrar no ambiente marinho. Uma vez nesse ambiente, os genes de resistência estão a ser trocados entre bactérias na água, sendo que algumas dessas bactérias são potenciais patógenos humanos”, acrescenta.

Os cientistas analisaram amostras retiradas da narina, fluido gástrico e fezes de 171 golfinhos Tursiops truncatus entre 2003 e 2015, na Indian River Lagoon, nos Estados Unidos.

A prevalência geral de resistência a pelo menos um antibiótico foi de 88,2%. A eritromicina assumiu a liderança com uma prevalência de 91,6%. O segundo e o terceiro lugares da tabela foram ocupados pela ampicilina (77,3%) e pela cefalotina (61,7%).

“Provavelmente vêm de fontes terrestres. O IRL onde o estudo foi realizado é cercado por uma maior população humana. Os inputs do tratamento de águas residuais, canais e agricultura afectam a saúde da lagoa em geral”, afirma Schaefer.

“O nosso estudo não pôde confirmar se estas bactérias resistentes estão a causar infecções nos golfinhos. Em vez disso, como um predador no topo da cadeia alimentar, os golfinhos podem ser um barómetro para a saúde dos ambientes em que vivem. Estas são as mesmas águas que os seres humanos usam para a pesca e para a recreação. Portanto, estes animais também podem identificar possíveis ameaças à saúde pública”.

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22 Setembro, 2019

 

1899: Golfinhos fluviais comunicam através de 237 sons diferentes

CIÊNCIA

Rio Cicica / Wikimedia

Uma equipa de cientistas descobriu que o boto (golfinho) cor-de-rosa produz uma variedade surpreendente de sons, uma pista importante para a nossa compreensão de como e por que os golfinhos evoluíram a capacidade de comunicação.

Os golfinhos fluviais uruguaios, também conhecidos como botos, foram identificados pela primeira vez em 2014. Estes animais vivem exclusivamente nas bacias dos rios Amazonas, Orinoco e Tocantins, na América do Sul, onde usam seus longos bicos para caçar peixes.

Estes golfinhos são considerados por muitos como relíquias evolutivas, tendo divergido de outros cetáceos mais cedo do que outros golfinhos. Pelo facto de ocuparem uma posição única na árvore genealógica dos cetáceos, os cientistas entusiasmam-se a estudar estes animais para melhor entender os ancestrais dos golfinhos.

Ao contrário dos golfinhos marinhos, estes botos não fazem barulho quando vêm à tona. Segundo o Gizmodo, tendem a ser animais solitários que vivem em pequenos grupos sociais.

Não se sabe muito sobre a sua capacidade de criar sons ou de se comunicar, mas investigações anteriores sugerem que estes animais podem fazer sons como assobios.

Os cientistas acreditavam que os botos da região amazónica tinham um perfil marcadamente solitário, mas um estudo recente mostrou que os animais interagem bastante uns com os outros e têm, inclusivamente, um repertório diverso. Ao todo, foram identificados 237 sons diferentes.

“Foi uma grande surpresa quando descobrimos mais de 200 tipos de som. Os nossos resultados indicam que há mais para descobrir”, afirmou Gabriel Melo-Santos, principal autor do estudo da Universidade de St. Andrews, na Escócia. “Descobrimos que os sons mais comummente produzidos parecem desempenhar um papel importante na comunicação entre mãe e filho“.

Para esta investigação, os cientistas usaram câmaras e microfones subaquáticos. Com mais de 20 horas de gravação e mais de 200 sons identificados, os investigadores acreditam que ainda há muito por descobrir.

“Os sons emitidos pelos botos podem ajudar-nos a entender como se deu a evolução da comunicação sonora nos cetáceos. Além disso, precisamos de saber como acontece o sistema de comunicação dos botos para entender como podem ser afectados por actividades humanas (como o tráfego de embarcações, por exemplo)”, realça Melo-Santos.

A equipa descobriu que os sons emitidos pelos botos são diferentes dos assobios produzido pelos golfinhos. Além disso, os botos fazem assobios mais longos e menos frequentes. Há indícios de que, nesta espécie, os assobios são usados para afastar outros grupos, e não para a comunicação entre eles, como acontece nos golfinhos.

Os sons produzidos pelos botos encaixam-se numa frequência entre os sons de baixa frequência emitidos por baleias e os de alta frequência emitidos por golfinhos. Laura May Collado, bióloga da Universidade de Vermont, acredita que isso acontece por causa do habitat dos botos.

“Há muitos obstáculos, como florestas inundadas e vegetação. Este sinal pode ter evoluído para evitar ecos da vegetação e melhorar o alcance de comunicação entre as mães e os seus filhotes”, explica a investigadora, que também participou neste estudo.

O artigo científico, publicado recentemente na Peer J, indica que os sons usados para a comunicação entre cetáceos podem ter aparecido muito antes do que se pensava e para uma comunicação muito semelhante à dos mamíferos.

“Assim como a de algumas espécies de golfinhos marinhos (orcas, baleias piloto, entre outros), os botos emitem sons com voz dupla, por exemplo. Para orcas, baleias piloto e outras espécies, esses sons podem indicar a identidade de um grupo social. Fenómenos não-lineares, como a bifonação (voz dupla) e a presença de sub-harmónicos, estão presentes em várias espécies de mamíferos terrestres“, sustenta Melo-Santos.

Alguns destes sons estão, aliás, muito presentes no nosso quotidiano, como o choro de um bebé ou o latido de um cão. Em diferentes espécies, os sons podem indicar o estado emocional e a identidade individual.

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Por ZAP
28 Abril, 2019

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