3044: Antes de morrer, os glóbulos brancos fazem uma dança da morte

CIÊNCIA

Cientistas da Universidade La Trobe, na Austrália, revelaram, pela primeira vez, de que forma os glóbulos brancos controlam os momentos finais da sua própria morte.

A equipa de investigadores da universidade australiana identificou uma proteína nas células moribundas, chamada Plexin B2, que é responsável pela coordenação de um estágio chave da apoptose (morte celular).

O artigo científico, publicado dia 12 de Novembro na Cell Reports, é um avanço significativo no entendimento do que pode desencadear vários estados de doenças, como a inflamação ou a auto-imunidade.

A líder da investigação, Georgia Atkin-Smith, adiantou que a função principal da Plexin B2 foi descoberta quando a equipa de cientistas usou a tecnologia de edição genética CRISPR para eliminar a proteína dos glóbulos brancos.

“Normalmente, os glóbulos brancos sofrem morte dinâmica e disparam estruturas longas, frisadas e em forma de colar, fragmentando-se em pequenos pedaços”, disse Atkin-Smith. “No entanto, nunca entendemos como ou por que motivo acontece esta dança da morte.”

Esta nova investigação identificou a proteína Plexin B2 como a primeira molécula que controla este evento, destaca o Phys.org.

Atkin-Smith disse que a exclusão genética desta proteína impede que as células moribundas formem estruturas com “contas”. “Surpreendentemente, esse defeito no processo da morte celular comprometeu significativamente a sua remoção pelos ‘camiões de lixo’ do corpo, conhecidos como fagócitos.”

As células moribundas costumam enviar sinais para os fagócitos – “come-me” – mas a eliminação da Plexin B2 pode limitar o número de fragmentos que estão prontos para ‘se comer’.

Esta investigação é o seguimento de uma outra pesquisa, publicada em Junho na Cell Death and Differentiation, que também demonstrou a importância da fragmentação da célula moribunda, por meio de um processo chamado blebbing, explica a Cosmos.

Para Atkin-Smith, entender de que forma as células moribundas são removidas pelos fagócitos é fundamental. “Defeitos neste processo desencadeiam uma grande variedade de distúrbios inflamatórios, como a auto-imunidade“, acrescentou a investigadora.

“Agora, e pela primeira vez, temos uma nova visão do que pode ser a causa subjacente destas doenças”. O próximo passo é analisar as principais descobertas de biologia e aplicá-las em modelos pré-clínicos de auto-imunidade.

ZAP //

Por ZAP
18 Novembro, 2019

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