3244: Cientistas podem ter descoberto um “rio escuro” sob a Gronelândia

CIÊNCIA

maggiedavid / Flickr

O manto de gelo da Gronelândia pode esconder um rio com cerca de 1600 quilómetros de comprimento, sugeriram os cientistas.

De acordo com o Independent, cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão, e da Universidade de Oslo, na Noruega, podem ter encontrado um rio sob o gelo da Gronelândia, que transporta água desde o coração desta ilha e para o Oceano Atlântico através do Petermann Fjord.

Os investigadores analisaram a altura das superfícies rochosas debaixo do gelo para criar uma simulação de como será a superfície da terra. E tudo leva a crer que existe um rio de 1600 quilómetros no subsolo.

Uma vez que a maioria do percurso será desprovida de luz, os cientistas baptizaram-no de “rio escuro”. Porém, durante a sua apresentação no encontro da American Geophysical Union (AGU), não esconderam que vão ser necessárias mais pesquisas para confirmar a sua existência.

“Embora ainda haja alguma incerteza”, a equipa disse que “os resultados são consistentes com o actual sistema sub-glacial de rios que, se confirmado com outras observações, pode ter mais de 1600 quilómetros de comprimento“.

“Os resultados levantam questões sobre a necessidade de melhor observar, entender e simular a hidrologia basal complicada das camadas de gelo da Terra”.

Em declarações ao Live Science, Christopher Chambers, um dos autores do estudo, explicou que o rio deverá estar a cerca de 300 a 500 metros abaixo da superfície, uma profundidade que diz ser bastante incomum para algo tão longo “e que poderá ser uma prova de que isso poderia ser” um local com erosão ativa ou deposição de sedimentos, possivelmente por causa do fluxo de um rio.

ZAP //

Por ZAP
21 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3199: Descobriram o ponto continental mais profundo da Terra. Fica na Antárctida Oriental

CIÊNCIA

É o equivalente ao Grand Canyon só que fica 3,5 km abaixo do nível do mar. A descoberta científica, sob o glaciar Denman, só foi possível ao utilizar várias técnicas de mapeamento de última geração.

Nova tecnologia permitiu traçar um mapa mais pormenorizado
© Direitos reservados

Cientistas da Universidade da Califórnia estavam a mapear a área do glaciar Denman, na Antárctida Oriental, quando descobriram que o vale por debaixo deste glaciar era muito mais profundo do que imaginavam.

A imagem que descrevem é a de uma topografia idêntica ao Grand Canyon, no estado norte-americano do Arizona, e que permitiu elaborar um novo mapa da Antárctida Oriental. Fica 3,5 km abaixo do nível do mar, mas não tem água do oceano, o que se vê é uma manta de gelo, que flui do interior em direcção à costa.

Tem uma extensão de cerca de 100 km de comprimento e 20 km de largura, de acordo com este novo estudo, apresentado num encontro da União de Geofísica Americana, em São Francisco, posteriormente explicado num resumo do estudo.

Refira-se que a área continental menos exposta do planeta Terra, na costa do Mar Morto, fica a apenas 413 metros (1.355 pés) abaixo do nível do mar.

Mathieu Morlighem, professor associado do departamento de Ciências do Sistema Terrestre da Universidade da Califórnia em Irvine, líder do projecto, ilustrou sem esconder o entusiasmo, segundo a CNN: “É maior que os EUA e o México juntos”.

Morlighem e sua equipa usaram uma nova tecnologia chamada BedMachine e foi o facto de não estavam a obter o resultado esperado que os levou à descoberta. A técnica consiste no desenvolvimento de um modelo de manta de gelo de nova geração e que permite mapear as áreas dos glaciares.

“Após meses de investigação, percebemos que não estávamos a conseguir mapear a área porque a topografia do leito sob o gelo estava a perder características importantes, como vales, cordilheiras, etc.”, explicou o cientista.

E porquê? Porque a área que tentavam mapear era tão grande que se tornava impossível. Tiveram então de combinar vários procedimentos, como medições de radar, dados sobre o movimento de superfície de alta precisão de satélites e da acumulação de neve, bem como modelos climáticos regionais, para obter uma estimativa da dimensão do que tinham encontrado.

“Aplicámos essa técnica de mapeamento em toda a camada de gelo e descobrimos um vale muito profundo escondido por debaixo da camada de gelo”, disse Mathieu Morlighem. Acrescentou que o principal desafio foi reunir toda a informação disponível, por exemplo, as pesquisas de radar realizadas por diferentes instituições e em diferentes países.

Efeitos das alterações climáticas

Mas cientistas não descobriram, apenas, as cordilheiras nas montanhas trans-antárcticas, a geleira Denman, mas também outras gelerias que alimentam a plataforma de gelo Ronne e que, segundo Morlighem, “parecem ser mais vulneráveis ​​do que pensávamos”, o que significa que as mudanças climáticas podem afectar a região.

“Temos de monitorar essa geleira com cuidado. Se a sua linha de aferramento – onde o gelo começa a flutuar – começa a recuar neste profundo canyon, pode recuar rapidamente e o leito subir novamente, levando a um aumento significativo do nível do mar. O que significa que este poderá ser um dos sectores mais vulneráveis ​ da Antárctica Oriental, que detém significativamente mais gelo que a Antárctica ocidental “, ilustrou.

As boas notícias são que as principais geleiras que fluem através das montanhas trans-antárcticas e através da Terra Victoria são protegidas por cristas topográficas amplas, estabilizadoras e próximas às suas linhas de aferramento, que refletem o relevo topográfico circundante

“Essas cordilheiras eram desconhecidas e tornam esse sector da camada de gelo extremamente resistente ao aumento do derretimento induzido pelo oceano”. Em outras palavras, disse Morlighem, “se a plataforma de gelo Ross [a maior plataforma de gelo da Antárctida, a segunda a de Ronne] se desestabilizar, isso não deve levar ao colapso da Antárctida Oriental”.

Diário de Notícias
DN
14 Dezembro 2019 — 22:08

 

spacenews

 

3165: Incêndios na Amazónia estão a intensificar o derretimento de gelo nos Andes

CIÊNCIA/CLIMA

Mato Grosso Firefighters / EPA

Os incêndios na Amazónia estão a fazer com que os glaciares nos Andes derretam mais rapidamente do que nunca. Isto afecta muitas populações que precisam dos glaciares como fonte de abastecimento de água.

Se ligou a televisão ou leu as notícias nos últimos meses provavelmente já ouviu falar dos incêndios que assolaram a floresta amazónica este ano. Os incêndios acontecem todos os anos, mas nos últimos 11 meses o número de incêndios aumentou mais de 70% em comparação com 2018, indicando uma grande aceleração na limpeza de terras pelas indústrias madeireiras e agrícolas do país.

O fumo dos incêndios subia alto na atmosfera e podia ser visto do espaço. Algumas regiões do Brasil ficaram cobertas de fumo espesso que fechava aeroportos e escurecia o céu da cidade.

À medida que a floresta arde, ela liberta enormes quantidades de dióxido de carbono, monóxido de carbono e partículas maiores do chamado “carbono preto”. O termo “enormes quantidades” dificilmente faz justiça aos números — num determinado ano, a queima de florestas e pastagens na América do Sul emite 800 mil toneladas de carbono preto na atmosfera.

Esta quantidade surpreendente é quase o dobro do carbono preto produzido por todo o uso combinado de energia na Europa num ano inteiro. Esta quantidade absurda de fumo não apenas causa problemas de saúde e contribui para o aquecimento global, mas, como mostra um número crescente de estudos científicos, também contribui directamente para o derretimento dos glaciares.

Num novo artigo publicado há uma semana na revista Scientific Reports, uma equipa de investigadores descreveu como o fumo dos incêndios na Amazónia em 2010 fez os glaciares dos Andes derreterem mais rapidamente.

Quando os incêndios na Amazónia emitem carbono preto durante a estação alta de incêndios (de Agosto a Outubro), os ventos transportam essas nuvens de fumaça para os glaciares andinos, que podem ficar a mais de 5 mil metros acima do nível do mar.

Apesar de invisíveis a olho nu, as partículas de carbono preto afectam a capacidade da neve de reflectir a luz do sol, um fenómeno conhecido como “albedo”. Semelhante à forma como um carro de uma cor escura aquece mais rapidamente sob a luz directa do sol, os glaciares cobertos por partículas de carbono preto absorvem mais calor e, portanto, derretem-se mais rapidamente.

Os cientistas descobriram que os incêndios na Amazónia, em 2010, causaram um aumento de 4,5% no escoamento de água do Glaciar Zongo na Bolívia.

Fundamentalmente, os autores também descobriram que o efeito do carbono preto depende da quantidade de poeira que cobre um glaciar. A limpeza de terras é uma das razões pelas quais os níveis de poeira na América do Sul duplicaram durante o século XX.

Os glaciares são um dos recursos naturais mais importantes do planeta. Os glaciares dos Himalaias fornecem água potável para 240 milhões de pessoas, e 1,9 mil milhões dependem deles para alimentação. Na América do Sul, são cruciais para o abastecimento de água — em algumas cidades, como Huaraz, no Peru, mais de 85% da água potável vem dos glaciares durante os períodos de seca.

No entanto, estas fontes verdadeiramente vitais de água estão cada vez mais ameaçadas, à medida que o planeta sente os efeitos do aquecimento global. Os glaciares nos Andes têm decrescido rapidamente nos últimos 50 anos.

Com as comunidades que dependem de glaciares para obter água, e esses mesmos glaciares provavelmente derretem mais rapidamente à medida que o clima aquece, o trabalho de examinar forças complexas como as alterações de carbono preto e albedo é necessário mais agora do que nunca.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
9 Dezembro, 2019

spacenews

 

3143: Os glaciares da Nova Zelândia estão a mudar de cor

CIÊNCIA

(dr) Liz Carlson / Young Adventuress

À medida que o Hemisfério Sul entra no verão, acontece uma temporada catastrófica de incêndios florestais na costa leste da Austrália. Há casas destruídas, coalas a morrer e um fumo espesso que cobre o estado de Nova Gales do Sul.

Há mesmo quem ache que os efeitos dos extensos incêndios australianos possam estar a atravessar o oceano, alcançando os glaciares da Nova Zelândia, alterando-lhes a sua coloração.

A escritora e fotógrafa de viagens Liz Carlson tirou fotografias durante um passeio de helicóptero no Parque Nacional Mount Aspiring, na Ilha Sul da Nova Zelândia, mostrando as mudanças que estão a ocorrer naquela região.

“É bastante notável ver o impacto dos incêndios de tão longe”, escreveu Liz Carlson no seu blog Young Adventuress. “Os nossos glaciares não precisam de mais batalhas, pois já estão realmente em perigo. Isto coloca o impacto das mudanças climáticas numa realidade ainda mais severa que não podemos ignorar“.

Actualmente, não se sabe exactamente o que está a causar a coloração vermelha. Em declarações ao site de notícias local Stuff, o principal cientista e meteorologista da NIWA, Chris Brandolino, especula que poderia ser fuligem ou um material de carbono da madeira queimada.

Por outro lado, também pode ser pó vermelho vindo da Austrália, um fenómeno que, segundo o ScienceAlert, já foi observado no passado. A camada superficial do solo australiano é rica em óxidos de ferro, o que lhe confere um tom característico de vermelho.

Entre os incêndios florestais, a Austrália também já sofreu algumas tempestades de pó no mês passado, em Mildura, Victoria. A tempestade deixou o céu com um tom dramático, enquanto a temperatura subia para 40ºC.

Seja qual for a razão, Brandolino explicou que é necessário ter a combinação perfeita de factores para atravessar o Mar da Tasmânia. “É preciso ter fumo ou pó no ar, para começar, e a direcção certa do vento”, disse.

As fotografias de Carlson mostram quão conectados estão os ecossistemas do planeta. A poluição pode atingir as áreas mais remotas e os eventos climáticos naturais podem chegar a extremos, à medida que o clima da Terra muda rapidamente em escala global.

ZAP //

Por ZAP
5 Dezembro, 2019

spacenews

 

2842: Glaciares suíços perderam 10% do volume nos últimos cinco anos

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Os cerca de 4.000 glaciares alpinos, que fornecem água a milhões de pessoas, além de serem atracções turísticas, podem perder 90% do seu volume até ao fim do século se não se reduzirem as emissões de gases com efeito de estufa.

© REUTERS

Os glaciares suíços perderam 10% do volume nos últimos cinco anos, a maior redução em cem anos, alertou esta terça-feira a Academia Suíça das Ciências.

A Academia baseia-se nas medições feitas pelos peritos do painel inter-governamental para as alterações climáticas, que estudou a criosfera – gelos permanentes – em vinte glaciares.

Várias vagas de calor registadas durante o verão deste ano fizeram descer o gelo para “níveis recorde”, apesar de o inverno anterior ter sido marcado por um mês de Janeiro muito frio e chuvoso, sobretudo na vertente norte dos Alpes.

Em Abril e Maio, havia mais 20% a 40% de neve nos glaciares em relação aos valores médios, mas bastaram duas semanas no fim de Junho e fim de Julho para derreter o equivalente a todo o consumo anual de água potável na Suíça.

Segundo um estudo recente da Escola Politécnica Federal de Zurique, os cerca de 4.000 glaciares alpinos, que fornecem água a milhões de pessoas, além de serem atracções turísticas, podem perder 90% do seu volume até ao fim do século se não se reduzirem as emissões de gases de efeito de estufa responsáveis pelo aquecimento global.

Desde 1900 já desapareceram mais 500 glaciares na Suíça.

Diário de Notícias
Lusa
15 Outubro 2019 — 14:10

 

2764: VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

CIÊNCIA

© TVI24 VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

Uma águia-rabalva equipada com uma câmara vai mostrar ao mundo o impacto do aquecimento global nos Alpes.

Através dos olhos de Victor, de nove anos, um exemplar da maior águia da Europa, vai ser possível observar o estado em que se encontram os glaciares que atravessam os Alpes, alguns em risco de colapso devido às alterações climáticas, como o Monte Branco, em Itália.

O primeiro voo oficial acontece nesta quinta-feira, desde o topo da montanha suíça de Piz Corvatsch. Victor, que voará com uma câmara de 360º e um GPS, segue depois para os Alpes alemães, austríacos e italianos, terminando a viagem sobre os Alpes franceses no próximo dia 7.

Está previsto que percorra três a cinco quilómetros numa altitude de 3000 metros até 1500, num total de cinco voos.

O objectivo é derrotar a apatia no que respeita ao combate às alterações climáticas e também no sentido de proteger as próprias aves.

A Humanidade tem dois sonhos: nadar com golfinhos e voar com as águias. Esta é a primeira vez que todos voamos nas costas de uma águia numa distância destas e com esta vista, e podemos ver como é um voo real de uma águia. Como podemos convencer as pessoas a proteger as aves e o seu ambiente se nunca mostramos o que elas veem?”, afirmou o falcoeiro francês e fundador da Freedom Conservation, Jacques-Olivier Travers, em declarações à Associated Press (AP).

No vídeo abaixo poderá ver um ensaio das viagens que Victor realizará, onde é possível ver montanhistas e snowboarders.

msn notícias
Redacção TVI24
03/10/2019

 

2707: Glaciar no Monte Branco está em risco de colapsar

CIÊNCIA

TRAILSOURCE.COM / Flickr
Monte Branco, Chamonix

O degelo deixou de ser um problema apenas da Gronelândia, Antárctida ou Árctico. O risco de colapso de um bloco de gelo de 250 mil metros cúbicos atingiu agora o Monte Branco, a mais alta montanha dos Alpes e da União Europeia.

Parte do glaciar Planpincieux, situado no lado italiano do Monte Branco, está em risco de colapso como consequência do aquecimento global. O alerta foi feito pelas autoridades locais que mandou encerrar a estrada municipal Val Ferret devido ao perigo de avalanche.

O alerta foi feito pelas autoridades locais que mandou encerrar a estrada municipal Val Ferret devido ao perigo de avalanche. De acordo com os especialistas, são cerca 250 mil metros cúbicos do glaciar que estão em risco de colapso, estando a derreter entre 50 e 60 centímetros dessa massa de gelo por dia.

O autarca da vila de Courmayeur, Stefano Miserocchi, explicou que alguns edifícios na região de Rochefort foram evacuados por precaução e garantiu que o risco de avalanche não abrange uma zona residencial ou turística, não havendo motivos para alarme.

“Este fenómeno só mostra, mais uma vez, como a montanha está a atravessar um período de maiores mudanças devido às alterações climáticas e portanto está particularmente vulnerável”, afirmou Stefano Miserocchi, citado pelos media italianos.

Os peritos da Fundação Montanha Segura sublinham que não é possível prever antecipadamente quando poderá ocorrer a avalanche, razão pela qual apelam às autoridades para se manterem vigilantes.

O Monte Branco é a cordilheira mais alta da Europa Ocidental. Possui 11 picos acima de 4.000 metros em França e Itália e atrai centenas de milhares de turistas todos os anos. O glaciar Planpincieux é monitorizado de perto desde 2013, na tentativa de estabelecer a frequência com que o gelo está a derreter. Mas as autoridades alertam que não existe um “sistema de alerta” em vigor.

Em Agosto de 2018, recorda a BBC, um casal de idosos morreu perto de Planpincieux, em Courmayeur, quando o seu carro foi arrastado de uma estrada para um vale durante um deslizamento de terra. Centenas de pessoas foram evacuadas, algumas delas de helicóptero.

No início deste mês, dezenas de pessoas participaram de uma “marcha fúnebre” para marcar o desaparecimento do glaciar Pizol no nordeste da Suíça. O glaciar, nos Alpes Glarus, encolheu para uma fracção minúscula do seu tamanho original. Os cientistas dizem que perdeu pelo menos 80% do seu volume apenas desde 2006, uma tendência acelerada pelo aumento das temperaturas globais.

Esse foi o segundo “funeral” a um glaciar, tendo o primeiro sido na Islândia. Esse evento comemorou a vida do glaciar Ok, que foi declarado morto há cinco anos.

Turistas na Islândia também observaram, no início deste ano, uma secção de um outro glaciar – chamado Breiðamerkurjökull – a quebrar e a formar uma grande onda.

ZAP //

Por ZAP
25 Setembro, 2019

 

2694: Adeus, Pizol. Suíços fizeram funeral a glaciar que (quase) desapareceu

AMBIENTE

Gian Ehrenzeller / EPA

Mais de duas centenas de pessoas reuniram-se neste Domingo para realizar um funeral simbólico pelo desaparecimento de um dos glaciares mais estudados do mundo – Pizol.

Cerca de 250 pessoas reuniram-se após um trilho de duas horas pelo terreno onde antes se encontrava o antigo glaciar, localizado na montanha Pizol, que lhe dá o nome, perto de Liechtenstein e da Áustria, a 2.700 metros de altitude.

O glaciar ainda não desapareceu completamente mas, segundo os cientistas, perdeu 80% do seu volume desde 2006 devido às alterações climáticas. Restam agora 26.000 metros quadrados de gelo, menos do que quatro campos de futebol, refere o Observador.

O Pizol perdeu tanto volume que, “numa perspectiva científica, já nem sequer é um glaciar”, disse à agência AFP a activista Alessandra Degiacomi. Um estudo de investigadores suíços concluiu que, até 2050, pelo menos metade dos glaciares da Suíça vão desaparecer.

O funeral simbólico ao Pizol contou ainda com a presença de um padre e vários cientistas. A cerimónia foi organizada pela Associação Suíça pela Protecção do Clima, que pede a redução para zero das emissões de dióxido de carbono no país até 2050. Uma coroa de flores foi colocada na montanha, em memória do glaciar.

Viemos aqui para dizer ‘adeus’” ao Pizol, disse Matthias Huss, especialista em glaciares. Já o pároco de Mels, localidade onde o glaciar se localiza, pediu “ajuda de Deus para superar o enorme desafio das mudanças climáticas”.

Matthias Huss disse à AFP que, independentemente do que possamos vir a fazer, os Alpes vão perder, pelo menos, metade da massa de gelo até 2100.

O Pizol não é o primeiro glaciar a desaparecer dos Alpes Suíços. “Desde 1850, estimamos que mais de 500 glaciares suíços tenham desaparecido completamente”. Ainda assim, o Pizol é o “primeiro glaciar densamente estudado a desaparecer”. De acordo com o matutino, estava a ser acompanhado pelos especialistas desde 1893.

Depois do Pizol, os especialistas estimam que o maior glaciar dos Alpes, o Aletsch, possa vir a desaparecer completamente nas próximas oito décadas.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2648: A Terra tem um terceiro pólo (e está a derreter)

CIÊNCIA

Situado na plataforma tibetana a 6740 metros de acima do nível do mar, os glaciares no sopé da cadeia montanhosa Meili já perderam um quarto do gelo desde 1970 – e o pior está para vir.

Concentrando a maior quantidade de neve e de gelo depois do Árctico e do Antárctico, dois terços dos seus glaciares podem desaparecer nos próximos 80 anos, revela um relatório agora publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Os cientistas avisam que no final do século esta camada de gelo em torno do Kawa Kapo, uma montanha sagrada para os budistas, terá derretido severamente e já nada pode ser feito. Mesmo que se cumpram as metas do acordo internacional para limitar o aquecimento global em 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, o degelo é irreversível.

Khawa Karpo está no “terceiro pólo” do mundo. É assim que os glaciologistas se referem a esta zona, lar da vasta camada de gelo Hindu Kush-Himalaia, porque contém a maior quantidade de neve e gelo depois do Árctico e Antárctico – cerca de 15% do total global. No entanto, um quarto de seu gelo foi perdido desde 1970.

De acordo com a reportagem do jornal britânico The Guardian, esta “torre de água gelada” da Ásia alimenta dez dos maiores rios do mundo, entre eles o Ganges e o Mekong, e dos quais dependem directamente – através da água que bebem, que usam na agricultura ou para produzir energia – 1,6 mil milhões de pessoas.

Esta região do planeta não tem tido a atenção que o degelo nos pólos Norte e Sul têm tido. Uma previsão errada veiculada pelo próprio IPCC, em 2007, antecipando o fim de todos os glaciares dos Himalaias até 2035, terá contribuído para uma desvalorização da situação.

As condições de acesso também não têm facilitado a situação. Situando-se num local sagrado para os locais, o acesso ao glaciar de Mingyong, no sopé da montanha Kawa Kapo, está vedado aos cientistas e tem de ser estudado apenas com recursos a fotografias tiradas sucessivamente ao longo do tempo para medir a retracção do gelo.

Tal como está a acontecer nos pólos, o aumento da temperatura média global do planeta ajuda a explicar o desaparecimento dos glaciares. Porém, no caso da plataforma tibetana, os efeitos fazem-se sentir mais rapidamente pela altitude a que se encontra.

Mesmo que o aumento da temperatura no planeta fique abaixo de 1,5ºC, a subida na região rondará os dois graus. Os efeitos já se fazem sentir na diminuição da queda de neve. Comparando com há quatro décadas, registam-se agora menos quatro noites frias por ano e sete mais noites quentes.

“Esta é a crise climática de que não se fala”, alerta um cientista-chefe de uma organização internacional baseada em Katmandu.

ZAP //

Por ZAP
16 Setembro, 2019

 

“Temos sorte de estar vivos”. Glaciar colapsa em frente a canonistas no Alasca

© SIC Notícias

Vídeo capta o exacto momento em que o glaciar colapsa.

Andrew Hooper e Josh Bastyr testemunharam na primeira fila o momento em que o glaciar caiu na água. Ambos tinham as câmaras apontadas para um colapso que estava anunciado.

No vídeo publicado pelo canonista ouve-se o gelo a quebrar e, uns minutos mais tarde, vê-se o glaciar a cair com violência na água. Nesse momento é projectada uma massa de água na direcção dos dois homens.

Um dos protagonistas da história com um final feliz grita “temos sorte de estar vivos”.

msn notícias
SIC Notícias
19/08/2019

 

2470: A Islândia fez o funeral ao primeiro glaciar assassinado pelas alterações climáticas

Onde antes havia um glaciar, há a partir de agora um memorial. Numa chamada de atenção ao aquecimento global e ao degelo, a Islândia quis assinalar a perda de Okjokull, também conhecido como _Ok_, um glaciar de 700 anos, extinto em 2014.

Okjökull, que significa “Glaciar Ok” em islandês, tornou-se a primeira grande massa de gelo da Islândia a perder oficialmente seu estatuto de glaciar, em 2014.

Em 1980, o Okjokull cobria 16 km2 de superfície. Em 2012, a extensão coberta tinha passado para apenas 0,7 km2, de acordo com um relatório da Universidade da Islândia, publicado em 2017. Em 2014, as autoridades tomaram finalmente a decisão de desclassificar o Okjokull.

Na placa comemorativa agora descerrada, a menção “415 ppm CO2” é uma referência ao nível recorde de concentração de dióxido de carbono registado na atmosfera, em maio do ano passado, em que valor de CO2 na atmosfera atingiu as 415 partes por milhão.

_Ok_ foi o primeiro a perder o estatuto de glaciar, devido à extensa área de gelo que perdeu. Agora, como monumento, lembra que nos próximos 200 anos, o mesmo acontecerá a outros — um fenómeno que pode ser dramático para o mundo e em particular para a Islândia, cujo território é composto por cerca de 12 mil km2 de glaciares.

O desaparecimento de Okjökull está a ser tratado pelas autoridades islandesas e por activistas do clima como um alerta para os efeitos do aquecimento global.

“O Ok é o primeiro glaciar da Islândia a perder seu estatuto. Nos próximos 200 anos todos os nossos principais glaciares deverão seguir o mesmo caminho“, lê-se na placa.

“Este monumento é para confirmar que sabemos o que está a acontecer e o que é preciso fazer. Só vocês sabem nós o fizemos“, diz a mensagem gravada na placa de bronze, destinada às próximas gerações.

@RiceUNews

Memorial honoring lost glacier to be installed in Iceland Aug. 18. Media invited to attend, more details here: http://news.rice.edu/2019/08/05/memorial-honoring-lost-glacier-to-be-installed-in-iceland-aug-18/#.XUhfDtSzcSc.twitter 

A dedicatória, intitulada “Uma carta para o futuro“, é da autoria do escritor islandês Andri Snaer Magnason. O projecto foi lançado por investigadores locais e da Universidade Rice, nos Estados Unidos.

Os convidados da cerimónia deste domingo incluíram a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir e a irlandesa Mary Robinson, ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

“Este será o primeiro monumento em homenagem a um glaciar perdido para as alterações climáticas em todo o mundo”, afirmou em Julho Cymene Howe, professora da Universidade Rice, na altura da apresentação da iniciativa.

“Assinalando a morte do Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a extinção dos glaciares da Terra”, salientou a investigadora. “Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

@NASAEarth

On August 18, 2019, scientists will be among those who gather for a memorial atop Ok volcano in west-central #Iceland. The deceased being remembered is Okjökull—a once-iconic #glacier that was declared dead in 2014. https://earthobservatory.nasa.gov/images/145439/okjokull-remembered  #NASA #Landsat

Segundo os investigadores envolvidos no projecto, o debate sobre o aquecimento global “pode ser bastante abstracto, com muitas estatísticas terríveis e modelos científicos sofisticados que podem parecer incompreensíveis” — e um monumento a um glaciar desaparecido pode ser a melhor forma de percebermos o que está a acontecer ao planeta.

ZAP // Deutsche Welle / Euronews

Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

2367: Primeiro glaciar “assassinado” pelas alterações climáticas ganhou um memorial na Islândia

Rice University

Okjökull é um dos 400 antigos glaciares que coroam as montanhas da Islândia – pelo menos até o aquecimento global o ter encolhido tanto que perdeu oficialmente o status de glaciar em 2014.

Ok – como é chamado – foi a primeira vítima da mudança climática na Islândia, mas provavelmente não será a última. As geleiras da Islândia estão a perder cerca de dez mil milhões de toneladas de gelo por ano e todas as 400 seguirão os passos de Ok até 2200.

Agora, para lembrar a perda de Ok e as centenas de outras geleiras islandesas que podem partilhar o mesmo destino, investigadores locais e dos EUA criaram uma placa comemorativa para marcar para sempre o local onde Ok se ergueu sobre a paisagem.

A placa, que será oficialmente dedicada numa cerimónia em 18 de Agosto no local do antigo glaciar, é endereçada simplesmente ao “futuro” e envia uma mensagem assustadoramente simples, escreve o Live Science.

Rice University

“Ok é o primeiro glaciar islandês a perder o seu status de glaciar”, diz a placa. “Nos próximos 200 anos, todos os nossos glaciares deverão seguir o mesmo caminho. Este monumento reconhece que sabemos o que está a acontecer e o que precisa de ser feito”.

O texto conclui com “415ppm C02“, a proporção actual de gases de efeito estufa na atmosfera da Terra – e provavelmente a maior quantidade que o nosso planeta já viu desde antes dos humanos evoluírem.

“Este será o primeiro monumento a um glaciar perdido devido à mudança climática em qualquer parte do mundo”, disse Cymene Howe, antropólogo da Universidade Rice, em Houston, e co-criador de um documentário de 2018 sobre Ok, em comunicado. “Marcando a morte de Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a expiração dos glaciares da Terra. Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

“Um dos nossos colegas islandeses disse muito sabiamente: ‘Memoriais não são para os mortos, são para os vivos ”, disse Howe. “Com este memorial, queremos ressaltar que nos cabe a nós, os vivos, responder colectivamente à rápida perda de glaciares e aos impactos contínuos das mudanças climáticas. Para Ok, já é tarde demais, é agora o que os cientistas chamam de “gelo morto”.

Howe e os seus colegas investigadores instalarão a placa como parte de uma “tour não glacial”, que partirá de Reykjavik e levará os participantes a uma caminhada gratuita para o antigo local de Ok.

ZAP //

Por ZAP
24 Julho, 2019

[vasaioqrcode]

2109: Turistas já fazem reservas para assistir ao degelo dos glaciares do Alasca

DESTAQUE

Smial / Wikimedia

O rápido degelo dos glaciares devido às alterações climáticas criou um novo mercado para os operadores turísticos do Alasca, nos Estados Unidos.

O jornal Anchorage Daily News noticiou que as operadoras de várias empresas de turismo estão a registar um aumento em reservas de viagens de grupos que querem assistir ao recuo do único estado árctico do país.

“As pessoas querem ver os glaciares enquanto há acesso“, disse Paul Roderick, director de operações da “Talkeetna Air Taxi”, que faz viagens aéreas no Alasca. “As pessoas sabem mais sobre glaciares do que antes. Perguntam quão depressa estão a recuar, quando antes mal sabiam o que era um glaciar”, acrescentou, em declarações à mesma publicação.

As operadoras turísticas dizem que os turistas são, maioritariamente, oriundos da Austrália e de mercados emergentes como China e Índia. “Há mais interesse”, disse Peter Schadee, da “Anchorage Helicopter Tours”, que faz voos de helicóptero naquela região. “Temos assistido ao interesse em glaciares de pessoas de todo o Mundo”, acrescentou.

“As pessoas querem muito ver os glaciares, mas estão a derreter muito depressa“, contou Matt Szunday, dono da Ascending Path, uma empresa que faz passeios turísticos a glaciares do Alasca.

O recuo destas gigantes e antigas massas de gelo criou um nicho de mercado, com turistas a fazer marcações para ver os glaciares “antes que seja tarde de mais”.

Uma nova revisão dos dados de pesquisas publicada no Jornal da Glaciologia prevê que os 25 mil glaciares do Alasca perderão entre 30% e 50% de sua massa até ao final deste século. A nível global, os glaciares devem perder entre 18 e 365 da massa, o que poderá resultar numa subida de 25 centímetros no nível da água do mar.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Junho, 2019



[vasaioqrcode]

1998: O glaciar Vavilov movia-se 20 metros por ano. Agora, move-se 20 por dia

CIÊNCIA

A dramática morte de um glaciar no norte da Rússia pode estar prestes a acontecer. Entre 1958 e 2013, as imagens de satélite do Landsat mostraram que a calota de gelo Vavilov estava a flutuar muito lentamente num ritmo aparentemente estável.

Depois, em 2013, os cientistas começaram a notar que o glaciar estava a escorrer dezenas de vezes mais rápido do que o normal. De acordo com o blog do Observatório da Terra da NASA, a calota de gelo está a deslizar tanto como o tamanho de um vagão de um comboio.

Esta perda de gelo é especialmente incomum porque a calota de gelo Vavilov é um glaciar de base fria num “deserto” polar com muito pouca precipitação. Isso significa que deve ser relativamente imune às pressões que sobrecarregam outras calotas, como o derretimento da parte inferior pelo aquecimento da água do mar, pois a base por baixo do glaciar está congelada.

Mudar de tamanho e forma é normal. No entanto, o que os investigadores estão a ver é sem precedentes. Se a camada de gelo estiver a mudar nesse ritmo, os cientistas suspeitam que a água tenha subido sob a parte terrestre da calota, fazendo com que se torne mais susceptível ao aquecimento global das temperaturas.

“O facto de que uma calota de gelo aparentemente estável no frio ter passado de 20 metros por ano para 20 metros por dia é extremamente incomum, talvez sem precedentes”, disse Michael Willis, um glaciologista da Universidade do Colorado em Boulder ao Observatório da Terra da NASA. “Os números aqui são simplesmente malucos. Antes disso, até onde sabia, glaciares gelados não faziam isso, não podiam fazer isso.”

A calota de gelo Vavilov foi o tema de um estudo realizado por Willis e uma equipa de investigadores do Colorado Boulder no ano passado, que destacou ainda mais a escala do fim da calota.

Nas três décadas anteriores a 2013, a calota de gelo Vavilov derreteu um total de poucos metros. Entre 2015 e 2016, a calota polar afinou cerca de 100 metros, cerca de 0,3 metros por dia, criando um volume suficiente para cobrir Manhattan com cerca de 75 metros de água.

A situação do Vavilov realça que as calotes frias noutras regiões polares, especialmente aquelas ao longo da Antárctida e da Gronelândia, poderiam ser mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas do que os modelos climáticos previam anteriormente.

“Este evento obriga a repensar o funcionamento das geleiras a frio”, acrescentou Willis. “Pode ser que possam responder mais rapidamente ao aquecimento do clima ou às mudanças nas suas bases do que pensávamos.”

ZAP // IFL Science

Por ZAP
17 Maio, 2019



[vasaioqrcode]

 

1853: Cientistas encontram resíduos radioactivos presos nos glaciares

CIÊNCIA

Christine Zenino / wikimedia

O gelo está a desaparecer e, à medida que derrete, tem deixado para trás alguns presentes de despedida: cadáveres congelados, artefactos antigos, vírus mortos e o mais recente – precipitação nuclear.

Recentemente, uma equipa internacional de cientistas descobriu níveis elevados de radionuclídeos radioactivos – átomos radioactivos que resultam de acidentes nucleares e testes de armas – em todos os glaciares estudados pelos especialistas.

“Queremos provar que esta é uma questão global e não apenas localizada perto de fontes de contaminação nuclear”, adiantou Caroline Clason, professora e investigadora da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

Mas, no meio desta descoberta, há uma boa notícia: os cientistas acreditam que estes resíduos nucleares não representam uma ameaça imediata para o ambiente. Ainda assim, os resíduos foram encontrados, na maioria dos locais, em níveis significativamente mais altos do que o considerado seguro para a ingestão humana.

Segundo Clason, que apresentou as descobertas no dia 10 de Abril na conferência da European Geosciences Union (EGU), estes resíduos podem entrar na cadeia alimentar, à medida que os glaciares continuam a derreter devido às alterações climáticas.

A equipa de cientistas procuraram por resíduos nucleares em crioconite, uma camada de sedimentos escuros encontrados na superfície de muitos glaciares ao redor do mundo. Ao contrário de outros sedimentos comuns, a crioconite é composta por material inorgânico e material orgânico.

As partes orgânicas podem incluir carbono negro ou as sobras da combustão incompleta de combustíveis fósseis, fungos, micróbios e matéria vegetal – fazendo da crioconite uma espécie de “esponja” muito eficiente para o resíduos transportados pelo ar que caem nos glaciares com a chuva ou a neve.

À medida que o clima aquece a água suja do derretimento atravessa os glaciares moribundos, aumenta a quantidade de resíduos acumulados em crioconite.

Os cientistas recolheram amostras de crioconite de 17 glaciares desde a Antárctida até aos Alpes e da Colúmbia Britânica até à região árctica da Suécia. Estas amostras tinham quantidades elevadíssimas de contaminação, adiantou Clason.

Enquanto alguns dos radionuclídeos detectados – como o chumbo-210 – ocorrem naturalmente no ambiente, dois isótopos, em particular, podem ser associados a actividades nucleares humanas.

O amerício-241, um isótopo radioactivo produzido em decomposição de plutónio, foi encontrado em muitos locais estudados e em quantidades que poderiam ser perigosas para a saúde humana. Também o césio-137, um isótopo produzido durante explosões nucleares, foi encontrado em todos os locais estudados em quantidades de dezenas a centenas de vezes superiores aos níveis esperados.

Estes subprodutos nucleares foram, provavelmente, depositados pela explosão da central nuclear de Chernobyl em 1986, adiantou o Live Science. “As pessoas sabiam que o césio-137 permanecia no ambiente, mas não sabem que os glaciares ainda estão a libertar esse resíduo nuclear, 30 anos depois”, disse a cientista durante a apresentação dos resultados da investigação.

Ainda assim, estes resíduos não representam qualquer ameaça conhecida para os seres humanos ou para o ambiente. No entanto, os cientistas temem que possam representar uma ameaça caso se espalhem através da água derretida para rios e lagos, onde os animais comem e bebem com bastante frequência.

“Quando os elementos radioactivos caem sob a forma de chuva, como aconteceu após o acidente de Chernobyl, são evacuados, é um fenómeno pontual. Mas, sob a forma de neve, eles ficam aprisionados no gelo durante décadas, e com o derretimento dos glaciares, terminam nos rios”, explicou Clason.

Com o aquecimento e o consequente derretimento dos glaciares, a cientista teme que estes resíduos entrem cadeia alimentar de alguns animais, acabando nos nossos pratos.

ZAP //

Por ZAP
17 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1828: Alpes europeus podem ficar sem gelo até ao fim do século

© TVI24 (DR)

Os glaciares dos Alpes europeus vão perder metade do gelo até 2050, mesmo com redução de emissões de gases com efeito de estufa, e no final do século podem mesmo acabar, segundo um estudo divulgado esta terça-feira.

O estudo foi publicado na revista A Criosfera, da União Europeia das Geociências (EGU na sigla original), e apresentado hoje na Assembleia Geral da EGU, que decorre em Viena, Áustria, até sexta-feira.

Segundo a investigação, num cenário de aquecimento limitado os glaciares podem perder dois terços do gelo que têm hoje mas com um maior aquecimento o gelo pode desaparecer dos Alpes até 2100.

O estudo foi feito por uma equipa de investigadores da Suíça e dá as estimativas mais actualizadas e detalhadas sobre o futuro de todos os cerca de 4.000 glaciares dos Alpes.

Após 2050 “a evolução futura dos glaciares dependerá fortemente da evolução do clima”, disse o principal autor do estudo, Harry Zekollari, investigador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. “No caso de um aquecimento mais limitado uma parte muito mais substancial dos glaciares poderá ser salva”, referiu.

Os responsáveis pelo estudo notam que o recuo dos glaciares terá um grande impacto nos Alpes, já que eles são importantes para o ecossistema, para a paisagem e para a economia da região, pelo turismo, mas também pelo fornecimento de água doce.

Usando modelos matemáticos e dados observacionais os investigadores traçaram várias estimativas. Matthias Huss, outro dos autores do trabalho, precisou que num cenário de emissões elevadas de gases com efeito de estufa no final do século restarão manchas de gelo isoladas, não mais de 5% do volume de gelo que há hoje. Em todos os cenários, com ou sem emissões, os Alpes perdem metade do gelo até 2050.

Daniel Farinotti, outro dos autores do estudo disse que “os glaciares dos Alpes europeus e a sua evolução recente são alguns dos indicadores mais claros das mudanças em curso no clima”.

A perda de gelo está a acontecer em todo o mundo. Um estudo divulgado na segunda-feira indica que os glaciares em todo o planeta perderam mais de nove triliões de toneladas de gelo (um trilião é a unidade seguida de 18 zeros) desde 1961, fazendo aumentar o nível do mar em 27 milímetros.

A equipa que fez o estudo, liderado pela Universidade de Zurique, combinou observações nos locais com informações de satélites sobre as 19 regiões glaciares do mundo.

Segundo o estudo, publicado na revista Nature, as maiores perdas de gelo aconteceram no Alasca, seguindo-se a região da Gronelândia e os glaciares dos Alpes.

A única área a ganhar gelo nos últimos 55 anos foi uma região no sudoeste da Ásia, tanto gelo quanto outra região da Ásia perdeu no mesmo período.

Investigadores identificam glaciar nos Alpes contaminado com micro-plásticos

Uma equipa de investigadores identificou pela primeira vez contaminação de micro-plásticos num glaciar dos Alpes, a 3.000 metros de altitude num parque nacional do norte de Itália.

A investigação foi dirigida por especialistas de universidades de Milão e demonstrou “pela primeira vez a contaminação de micro-plásticos num glaciar alpino”, disseram hoje os investigadores num comunicado com o título “Um glaciar de plástico”.

A contaminação foi quantificada em 75 partículas de plásticos – entre poliéster, poliamida, polietileno e polipropileno – por cada quilo de sedimento, um valor comparável aos níveis observados nos sedimentos marinhos e costeiros da Europa.

Com base nestes dados os investigadores estimam que a língua (projecção de gelo na parte frontal) do glaciar Forni, um dos mais importantes de Itália, “poderá conter entre 131 e 162 milhões de partículas de plástico”.

Sobre a origem desse plástico dizem que pode dever-se aos restos de material usado pelos alpinistas e pessoas que visitam o local, e também a partículas arrastadas pelo vento.

Os especialistas dizem que ainda não se tinha estudado a contaminação por plásticos de áreas de alta montanha, ainda que se saiba que o problema da contaminação existe em muitas regiões do planeta e que chegou mesmo às profundezas da Fossa das Marianas (no Oceano Pacífico, o local mais profundo dos mares).

msn meteorologia
Redacção TVI24
10/04/2019

[vasaioqrcode]

 

1770: O glaciar “pai” do icebergue que afundou o Titanic está a crescer outra vez

twiga269 ॐ FEMEN / Flickr

Embora esteja a derreter há 20 anos, o glaciar Jakobshavn, no oeste da Gronelândia – famoso por produzir o icebergue que afundou o Titanic – começou a crescer novamente.

Desde os anos 1980, as águas estão cada vez mais quentes em redor da baía de Baffin, local onde o glaciar se encontra. Mas, dados recentes da NASA revelam que, em 2016, a corrente oceânica ficou mais fria. Como resultado, o gelo do glaciar Jakobshavn tem-se tornado mais espesso, fluindo mais lentamente e crescendo em direcção ao oceano.

As águas ao redor da foz do glaciar – também conhecidas como Sermeq Kujalleq em gronelandês – são agora as mais frias desde a década de 1980. “No começo, não acreditávamos”, disse o glaciologista Ala Khazendar, da NASA. “Presumimos que Jakobshavn continuaria como nos últimos 20 anos.”

Mas nos últimos três anos, a água fria continuou a chegar, de acordo com dados da missão Oceans Melting Greenland (OMG) da NASA e outras fontes. Num novo artigo publicado na revista Nature Geoscience, Khazendar e a sua equipa identificaram a causa – e é apenas temporária.

A equipa traçou a corrente usando observações e um sistema de modelagem oceânica desenvolvido pela NASA para preencher as lacunas nos dados.

O arrefecimento começou no Oceano Atlântico Norte, a 966 quilómetros ao sul do glaciar, desencadeado por um padrão climático chamado Oscilação do Atlântico Norte (NAO): a cada cinco a 20 anos, a pressão atmosférica no nível do mar oscila, resultando em aquecimento ou arrefecimento, que é levado para o norte pelas correntes oceânicas na costa sudoeste da Gronelândia.

Em 2016, a água nesta corrente estava 1,5ºC mais fria, arrefecendo o Atlântico em torno da Gronelândia em cerca de 1ºC. Isto chegou ao Jakobshavn, permitindo que o gelo engrossasse. “Não achávamos que o oceano pudesse ser tão importante”, disse o investigador principal do OMG, Josh Willis, ao National Geographic.

Mas, inevitavelmente, o pêndulo vai balançar de volta e o glaciar vai encolher novamente. Enquanto isso, o resto da camada de gelo da Gronelândia ainda está a recuar. Mesmo que esse leve crescimento continuasse, não poderia compensar as intensas perdas experimentadas até agora.

Alguns dos mais antigos e grossos blocos de gelo do Árctico quebraram no ano passado – a primeira vez que este fenómeno foi registado. Isto aconteceu duas vezes. Mais da metade do gelo permanente do Árctico derreteu e o derretimento do gelo e da neve revelou paisagens árcticas escondidas por 40.000 anos.

De facto, de acordo com um relatório da ONU do ano passado, passámos do ponto sem retorno. O dano já foi feito, o Árctico está a aquecer e não há nada que se possa fazer para parar o processo.

Jakobshavn tem estado a derreter desde o início dos anos 2000, quando perdeu a sua plataforma de gelo. Esta plataforma flutuante de gelo diminui o fluxo de um glaciar. Quando o Jakobshavn partiu, o fluxo aumentou. Desde então, o derretimento está a acelerar e a frente do glaciar a recuar do oceano. Entre 2013 e 2016, perdeu 152 metros de espessura.

“Jakobshavn está a ter uma ruptura temporária com este padrão climático. Mas, no longo prazo, os oceanos estão a aquecer. Ver os oceanos ter um impacto tão grande nos glaciares é uma má notícia para a camada de gelo da Gronelândia”, disse Willis.

Esta investigação demonstra que a recessão glacial não é uma tendência unidireccional, mas não mostra uma reversão da mudança climática.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
27 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1672: O mistério dos icebergues verdes da Antárctida pode ter sido finalmente resolvido

Uma nova hipótese pode explicar porque é que os icebergues da Antárctida têm cor verde esmeralda em vez do azul normal, o que resolve um mistério científico com décadas.

O gelo dos glaciares, que se origina na neve, flui do manto de gelo da Antárctida para flutuar no oceano como gelo. Em frente à plataforma de gelo, os icebergues partem-se. Os icebergues costumam ser de uma cor branca azulada, intermediárias entre o azul do gelo puro e o branco da neve.

O gelo puro é azul porque o gelo absorve mais luz vermelha do que a luz azul. No entanto, desde o início do século XX, exploradores, navegadores e cientistas relataram ter visto icebergues verdes peculiares em torno de certas partes da Antárctida.

Os icebergues verdes têm sido uma curiosidade para a Ciência durante décadas, mas agora os glaciologistas relatam, num novo estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Oceans, que suspeitam que os óxidos de ferro em pó de rocha da parte continental da Antárctica estão a tornar verdes alguns icebergues.

Os investigadores formularam a nova teoria depois de cientistas australianos terem descoberto grandes quantidades de ferro na plataforma de gelo Amery na Antárctica Oriental. O ferro é um nutriente essencial para o fitoplâncton, as plantas microscópicas que formam a base da cadeia alimentar marinha. No entanto, o ferro é escasso em muitas áreas do oceano.

Se as experiências confirmarem a teoria, isto significaria que os icebergues verdes estão a transportar ferro precioso do continente da Antárctida para o mar aberto quando quebram, fornecendo este nutriente essencial aos organismos que suportam quase toda a vida marinha.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1559: Dois terços dos glaciares dos Himalaias podem derreter até 2100

Wolfgang Beyer / Wikimedia

Dois terços dos glaciares das montanhas do Hindu-Kush-Himalaias poderão derreter até ao fim do século se o planeta continuar a aquecer por causa dos gases de efeito de estufa, segundo um estudo científico.

O chamado “terceiro pólo”, por causa da quantidade de gelo ali concentrada, estende-se por 3.500 quilómetros, entre o Afeganistão e a Birmânia, e a continuação do aquecimento global ameaça desestabilizar os grandes rios da Ásia, concluíram os investigadores do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, uma organização sediada em Katmandu, no Nepal.

O estudo envolveu 350 cientistas e durou cinco anos, que olharam para os rios alimentados pelo gelo das cordilheiras, que incluem o Ganges, o Mekong e o Rio Amarelo, ao longo dos quais vivem 1,65 mil milhões de pessoas.

“É a crise climática de que ainda não se falou”, afirmou o investigador Philippus Wester.

Mesmo que se limitasse o aumento da temperatura global a 1,5 graus até 2100, cumprindo a meta do acordo de Paris de 2015, a região do Hindu-Kush-Himalaias perderia um terço do gelo, afectando também os 250 milhões de pessoas que vivem nas zonas montanhosas.

“O aquecimento global pode transformar os picos montanhosos gelados que atravessam oito países em montanhas de rocha nua em menos de um século. As consequências para as populações da região, que já é uma das zonas montanhosas mais frágeis e em risco, irão da poluição atmosférica ao aumento dos fenómenos climáticos extremos”, alertou.

Ao influenciar o volume e as alturas dos degelos, o aquecimento global põe em risco a produção agrícola que depende da água que corre da montanha, prejudicando a segurança alimentar e assoberbando os sistemas de distribuição de água urbanos.

O estudo, esta semana publicado na Springer Link, dá ainda conta que as consequências do derretimento dos glaciares dos Himalaias podem afectar quase 2 mil milhões de pessoas com secas mais frequentes, chuvas mais violentas e inundações súbitas.

ZAP // Lusa

Por ZAP
5 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

1484: Há uma parte da Antárctida que está a encolher (mas não era suposto)

(CC0/PD) pxhere

Quando os cientistas falam sobre o derretimento da Antárctida, geralmente estão a referir-se à Antárctida Ocidental, onde gigantescos glaciares costeiros estão a derramar grandes quantidades de água.

Mas, do outro lado das montanhas transantárticas a leste, há um manto de gelo muito maior que, normalmente, aparenta estar a manter o frio. Um novo estudo, no entanto, afirma que a Antárctida Oriental também está a perder peso a uma velocidade preocupante.

Um estudo publicado a 14 de Janeiro na revista Proceedings of the National Academies of Sciences aponta para um declínio constante na quantidade de gelo que cobre a Antárctida Oriental desde que os registos de satélite começaram em 1979.

A investigação constata que a perda de massa da Antárctida Oriental ainda está atrasada em relação ao Ocidente – o primeiro perdeu recentemente cerca de 50 mil milhões de toneladas de gelo por ano para os 160 mil milhões deste último.

No total, o estudo estima que o leste da Antárctida adicionou 4,4 milímetros ao nível global do mar da Terra desde 1979, comparado com 6,9 milímetros do Ocidente. De forma preocupante, a Antárctica Oriental detém 52 dos 57 metros potenciais de elevação do nível do mar trancados no gelo da Antárctida.

Observadores o que está a acontecer com o continente congelado saberão que estas são conclusões glaciológicas radicais. De facto, uma análise publicada em Junho passado concluiu que, no geral, a Antárctida Oriental não perdeu gelo.

O novo estudo concentrou-se num único método: o método componente. Essencialmente, os investigadores subtraíram os dados sobre a quantidade de gelo que flui no oceano a cada ano a partir de dados sobre a quantidade de neve que cai no continente.

Assim, os autores conseguiram desvendar uma tendência de queda para a Antárctida Oriental, particularmente dentro do sector da Wilkes Land, que está a perder massa há 40 anos.

Isto sugere que está longe do fim da história para esta parte do mundo. Novos conjuntos de dados devem vir de missões via satélite como o GRACE-Follow On, que usa dados gravitacionais para rastrear a perda de peso da Antárctida, e o ICESat-2, que mede a altura de superfícies geladas, deve ajudar os investigadores a refinar ainda mais os resultados.

Mas uma coisa é certa: se a Antárctida Oriental está a perder peso, e se essa tendência acelerar, o futuro dos litorais da Terra pode começar a parecer muito mais obscuro.

ZAP // Gizmodo

Por ZAP
17 Janeiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

984: Descoberta a causa misteriosa de um dos maiores tsunamis já registados

CIÊNCIA

takatoshiokura / Flickr

O tsunami em Taan Fiord, que aconteceu em Outubro de 2015, mostra como a mudança climática está a alterar as nossas paisagens. Mas o problema é ainda mais preocupante: estamos a aumentar o potencial de gerar cada vez mais eventos como este, avisam os cientistas.

Um raro e extremo tsunami atingiu um fiorde no Alasca há três anos, depois de 163 milhões de toneladas de rochas montanhosas caírem na água e provocarem uma onda devastadora que limpou a costa, alcançando altitudes superiores a 182 metros.

O evento catastrófico que aconteceu em Outubro de 2015, em Taan Fiord, no sudeste do Alasca, foi um dos maiores tsunamis já registados e as origens (relacionadas com o recuo de um glaciar) sugerem que é um tipo de evento que acontece devido ao aquecimento global. Aliás, o novo estudo, publicado na Nature Scientific Reports, alerta para o “perigo causado pelas mudanças climáticas“.

Como os blocos de gelo das montanhas vão continuar a encolher, irá haver cada mais deslizamentos de terra, adiantam os autores do estudo, liderado pelo geólogo Bretwood Higman da Ground Truth Trekking.

“Há 40 anos, Taan Fiord não existia. Estava cheio de gelo”, acrescentou Dan Shugar, geocientista da Universidade de Washington e outro dos 32 autores do estudo, oriundos de instituições dos Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

Contudo, o glaciar Tyndall recuou cerca de 16 quilómetros entre 1961 e 1991, enquanto desbastava mais de 300 metros, antes de estabilizar na sua localização actual. Isto não causou apenas a abertura do fiorde como removeu uma grande massa de gelo que apoiava e suportava as paredes montanhosas.

Quando o deslizamento de pedras ocorreu em frente ao glaciar, a forma confinada do fiorde originou a onda gigantesca que viajou muito rápido: a cerca de 96 quilómetros por hora. “Se eu atirar uma bola gigante para a banheira, a água vai para todos os lados. Mas, assim que bate na lateral da banheira, não tem para onde fugir. Aí, a única forma de fugir é ir para cima”, explica Shugar.

Os cientistas detectaram a assinatura sísmica inicial do deslizamento de terra cerca de oito meses depois do tsunami. Para documentar este evento, a equipa estudou os destroços, de modo a detectar as linhas de costa.

Certo é que este não é o único evento do género e, segundo os cientistas, podemos esperar mais deste tipo de fenómenos extremos quando os grandes blocos de gelo recuarem e as montanhas ao seu redor cederem.

“À medida que as encostas das montanhas se ajustam às novas condições, elas podem libertar rochas isoladas, avalanches de rochas ou falhar completamente“, disse Martin Lüthi, geógrafo da Universidade de Zurique que recentemente documentou um pequeno tsunami num fiorde da Gronelândia.

Ainda assim, tsunamis e avalanches não são os únicos perigos causados pelo recuo dos glaciares. O derretimento destes blocos de gelo podem também originar grandes lagos a grandes altitudes, que podem drenar de repente e descer em declives.

Por ZAP
9 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

[vasaioqrcode]

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

Cientistas pensavam que seria a “última área de gelo” do Árctico. Quebrou este ano

Cientistas mostram-se assustados e surpreendidos com a situação, num local que não se esperava. Situação pode transformar bastante o clima, não só do Árctico, como em todo o planeta

© Reuters

Pela primeira vez desde que há registo através de satélite, o que começou a acontecer nos anos 70 do século passado, o gelo mais velho e mais espesso do Árctico está a quebrar-se e estão a surgir novas passagens em sítios que estariam normalmente congelados, até no verão. O fenómeno está a acontecer a norte da costa da Gronelândia e é já a segunda vez que acontece este ano.

Mesmo com a temperatura a subir em todo o planeta, esperava-se que a referida zona não quebrasse tão depressa, algo desmentido por imagens de satélite. “Esta área era vista como um último bastião e onde as alterações aconteceriam em último lugar, mas elas chegaram”, disse à CNN Walt Meier, investigador do National Snow and Ice Data Center.

O gelo encontrado a norte da Gronelândia é particularmente compacto devido a um fenómeno meteorológico que o traz da Sibéria e que faz com que se acumule na costa da referida região.

“O gelo não tem para onde ir e acumula-se. Em média, tem quatro metros de espessura e pode chegar a montanhas de 20 metros. Este gelo, compactado e grosso, não é fácil de ser movido”, diz também Meier, que acrescenta que o fenómeno indica uma transformação “dramática” do gelo do mar do Árctico e do seu clima. Admite, também, que a zona é “mais frágil do que previamente se pensava”.

Ao The Guardian, Ruth Mottram, do Instituto Dinamarquês de Meteorologia, refere que não é normal existirem “águas abertas na costa norte da Gronelândia” e que a área é apelidada várias vezes de “a última área de gelo”. Assim, refere também Mottram, o fenómeno que acontece agora pode sugerir que essa área estará mais a oeste.

“Assustador” foi o adjectivo utilizado por Thomas Lavergne, cientista no Instituto Norueguês de Meteorologia, que frisa: “Não consigo dizer quanto tempo este caminho de água ficará aberto, mas mesmo que feche em dias, o mal estará feito. O grosso e velho gelo já foi empurrado para longe da costa, para uma área onde derreterá mais facilmente”.

Outro especialista, Keld Qvistgaard, de uma autoridade da Gronelândia, diz que está na área “há 26 anos” e não se lembra de uma “quebra tão grande”.

A perda de gelo no mar tem consequências graves no clima do planeta, até porque, quando derrete, ao invés de reflectir a luz solar, esta é absorvida pelo mar, aquecendo a água e o ar envolvente, gerando um ciclo.​​​

Diário de Notícias
Rui Salvador
27 Agosto 2018 — 11:15

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

[vasaioqrcode]

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico