3846: Uma das placas tectónicas africanas está a girar em sentido contrário

CIÊNCIA/GEOLOGIA

United States Geological Survey / Wikimedia

Uma pequena placa tectónica em formação sob África está a girar em sentido contrário ao de todas as outras porções de litosfera do continente, revelou uma investigação recentemente publicada.

Em causa está a micro-placa Victoria, uma das várias secções do Sistema de Fendas de África Oriental (Rift Valey), um limite tectónico recém-desenvolvido onde a placa africana está no processo de divisão em duas partes, explica a revista Newsweek.

A placa Victoria está a mover-se no sentido contrário aos ponteiros do relógio, ao contrários das outras micro-placas – Rovuma e Lwandle – localizadas mais a sul.

“O rifte africano oriental é conhecido há muito tempo como um lugar de ruptura continental”, explicou Anne Glerum, especialista em modelação geodinâmica do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ). “A paisagem em si é uma boa evidência deste processo, com os seus profundos vales e fendas facilmente visíveis do espaço”.

Rifte é a designação dada a determinadas zonas do globo onde a crosta terrestre e a litosfera estão a sofrer fractura ou falhas – é uma espécie de “fossa” nas placas.

Os sistemas de posicionamento por satélites demonstraram que Victoria está a mover-se na direcção oposta das outras placas já há dois anos, escrevam os cientistas no novo estudo, cujos resultados foram publicados na revista Nature Communications.

Glerum e a sua equipa estudaram um rifte africano oriental por este ser um bom exemplo de fractura continental. “Ao observar os mapas geológicos do sistema, notamos a peculiar geometria das fendas curvas a sobreporem-se”, explicou.

Os cientistas acreditam que o movimento peculiar da placa Victoria está relacionado com a litosfera (a camada sólida exterior da Terra) e não com o manto.

Há certas regiões da litosfera que são mais frágeis ou mais fortes e estas diferenças serão a força central por detrás da rotação de Victoria. As variações na força da litosfera provocam falhas curvas, que giram devido ao movimento de placas tectónicas maiores.

As placas tectónicas são bem mais antigas do que pensávamos

As placas tectónicas são bem mais antigas do que pensávamos, sugere uma nova investigação levada a cabo por cientistas norte-americanos….

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15 Junho, 2020

 

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3824: Alterações climáticas pré-históricas levaram a uma extinção em massa

CIÊNCIA/GEOLOGIA/PALEONTOLOGIA

Um novo estudo sugere que alterações climáticas registadas há milhões de anos podem ter danificado a camada de ozono e levado a uma extinção em massa.

As extinções em massa são muito importantes para a evolução da vida na Terra. Por exemplo, quando um asteróide atingiu a Terra há 66 milhões de anos, a extinção resultante dos dinossauros levou os mamíferos a tomar o seu lugar.

Uma equipa de cientistas publicou recentemente na revista científica Science Advances um novo estudo sobre a extinção em massa que ocorreu há 359 milhões de anos. Houve muitas especulações anteriores sobre a causa deste evento, incluindo erupções vulcânicas, impactos de asteróides, alterações climáticas, mudanças no nível do mar, incêndios florestais e o surgimento das primeiras florestas.

Mas os investigadores mostraram que as extinções neste momento podem ter sido causadas por uma redução catastrófica da camada de ozono, que permite a entrada de níveis prejudiciais de radiação ultravioleta. Algo semelhante contribuiu para as extinções em massa no final dos períodos Permiano e Triássico, mas estes eventos foram causados por erupções vulcânicas.

Este novo estudo sugere que a Terra possui um processo interno natural desencadeado por um clima quente que pode destruir a camada de ozono, um sério aviso para o nosso próprio período de alterações climáticas.

A extinção do Devoniano desempenhou um papel significativo no desenvolvimento da vida dos vertebrados. Incluiu a perda do grupo dominante de peixes de água doce. Os sobreviventes eram os tubarões e o grupo menor de peixes ósseos que posteriormente se espalharam para dominar os oceanos mais jovens.

O evento também moldou a nossa própria evolução, porque levou à extinção dos primeiros “tetrápodes” de quatro patas. Estes eram “peixes” cujas barbatanas tinham evoluído para se tornar membros com entre seis a oito dedos das mãos e dos pés. Os primeiros tetrápodes terrestres com cinco dedos das mãos e dos pés – os nossos ancestrais – não aparecem no registo fóssil até depois dessa extinção.

Para descobrir exactamente o que causou esta extinção, os cientistas procuraram evidências do que aconteceu na atmosfera que foi capturada por plantas fossilizadas antes e depois do evento. Em particular, examinaram as paredes resistentes dos restos microscópicos de pólen e esporos, retirados de fósseis encontrados no leste da Gronelândia.

As paredes resistentes de esporos e pólen estão lá para proteger o conteúdo da célula da radiação ultravioleta. Mas há um breve intervalo entre a criação de uma nova célula e a formação da sua parede protectora quando esta é vulnerável.

Os tipos de esporos examinados são cobertos por pequenos espinhos, normalmente de comprimento idêntico e com pontas perfeitamente pontiagudas. Mas a maioria dos espinhos das amostras analisadas apresentava malformações em diversas formas, sugerindo que o ADN das suas células foi danificado pela radiação ultravioleta. Isto sugere que o escudo protector de ozono da Terra caiu quando os esporos foram formados.

Outros esporos e pólen tinham paredes pigmentadas que agiam como um bronzeado protector, permitindo que estas plantas sobrevivessem. Mas vários grupos importantes de plantas foram rapidamente extintos e o ecossistema florestal entrou em colapso. Os grupos que sobreviveram ainda foram interrompidos e levou vários milhões de anos para serem reconstruidos, criando um ecossistema completamente diferente no processo.

Mecanismo de extinção

Outros cientistas mostraram que as altas temperaturas do verão nas áreas continentais podem aumentar o transporte de vapor de água para a atmosfera. Esse vapor de água leva consigo compostos orgânicos de carbono que incluem cloro, que são produzidos naturalmente por uma grande variedade de plantas, algas e fungos. Quando estes compostos estão próximos da camada de ozono, eles libertam cloro e isso decompõe as moléculas de ozono.

Isto produz um ciclo de feedback positivo, porque um ecossistema terrestre em colapso liberta uma descarga de nutrientes nos oceanos, o que pode causar um rápido aumento de algas. Portanto, quanto mais a camada de ozono é danificada, mais plantas morrem e mais compostos nocivos à camada de ozono são libertados. Mais tarde, a camada de ozono recuperará naturalmente à medida que o clima arrefece e as algas ajudam a remover o dióxido de carbono da atmosfera.

A descoberta deste potencial novo mecanismo de extinção indica que um clima quente, como o que temos agora, tem o potencial de erodir a camada de ozono para permitir a radiação ultravioleta prejudicial. Isto tem consequências para toda a vida na Terra.

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10 Junho, 2020

 

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3807: As placas tectónicas são bem mais antigas do que pensávamos

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Ali McLure / Flickr

As placas tectónicas são bem mais antigas do que pensávamos, sugere uma nova investigação levada a cabo por cientistas norte-americanos.

A rede de placas tectónicas que existe na crosta e no manto terrestre superior está firmemente instalada há mais de 4 mil milhões de anos, pelo menos mil milhões de anos antes do que os cientistas pensavam, concluiu o novo estudo da Universidade de Yale.

Estes porções da litosfera são grandes placas de rochas, cuja interacção moldam todas as massas terrestres modernas e influencia as principais características da Geologia da Terra, incluindo terramotos, vulcões e o aparecimento de continentes.

“Entender quando é que a tectónica de placas começou na Terra é um problema fundamentalmente difícil”, disse Jun Korenaga, professor de ciências da terra e do planeta na Universidade de Yale e autor sénior do estudo, citado pelo portal Futurity.

“À medida que vamos mais fundo no tempo, temos menos registos geológicos“.

Na nova investigação, cujos resultados foram publicados na Science Advances, os cientistas encontraram evidências de crescimento continental desde há 4,4 mil milhões de anos.

Para chegar a esta conclusão, explica o mesmo portal de Ciência, a equipa de cientistas de Yale criou uma simulação geoquímica do início da Terra com base no elemento árgon (Ar), um gás inerte que as massas terrestres emitem para a atmosfera.

O árgon é muito pesado para escapar da gravidade da Terra e, por isso, permanece na atmosfera como um livro geoquímico.

“Devido às características peculiares do árgon, podemos deduzir o que aconteceu com a Terra sólida ao estudar este elemento atmosférico (…) É um excelente contador de eventos antigos”, concluiu o professor Korenaga.

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7 Junho, 2020

 

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3738: As primeiras pegadas de Marte podem pertencer a Jessica Watkins

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

nasahqphoto / Flickr
Jessica Watkins

A norte-americana Jessica Watkins pode ser a primeira pessoa a pisar o Planeta Vermelho. A geóloga, de 32 anos, é uma das principais candidatas da NASA para participar nas missões do programa Artemis.

A geóloga planetária Jessica Watkins, de 32 anos, é uma das principais candidatas da NASA para participar nas missões do programa Artemis, que pretende enviar astronautas à Lua até ao final de 2024, com o objectivo de construir instalações sustentáveis no satélite terrestre, e, a longo prazo, pavimentar o caminho para a exploração humana em Marte.

De acordo com a Nature, Watkins já possui uma certa familiaridade com o Planeta Vermelho, dado que concluiu o seu doutoramento na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, com um estudo sobre deslizamentos de terra no solo marciano.

A estudante da NASA diz que o Planeta Vermelho desperta a sua curiosidade pelas semelhanças que tem com o nosso próprio planeta. Aliás, Watkins refere mesmo, na entrevista à Nature, que é intrigante como “podemos usar a Terra para fazer analogias e entender mais sobre Marte e a história do planeta”.

Além disso, a geóloga conta que os métodos a que são submetidos os alunos seguem as mesmas directrizes dos treinos adoptados pelos participantes da missão Apollo.

“Fomos a muitos ambientes com actividades vulcânicas com o propósito de entender melhor que tipos de rochas podemos encontrar e como as podemos observar e documentar. Estamos a aprender as habilidades necessárias para permitir que os cientistas aqui na Terra façam as suas próprias investigações com os dados obtidos pela tripulação”, afirma.

Questionada sobre como seria a sua experiência no solo lunar enquanto geóloga planetária, Watkins respondeu que as primeiras missões do programa Artemis devem ser voltadas aos testes das capacidades tecnológicas das operações.

Só depois, em etapas posteriores, é que as expedições devem procurar possíveis depósitos de gelo no pólo sul da Lua, em regiões que são permanentemente escuras.

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23 Maio, 2020

 

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3564: Núcleo da Terra pode ter uma “fuga” de ferro pesado (e chegar até à superfície)

CIÊNCIA

Simone Marchi

Uma equipa de geólogos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, concluiu, depois de analisar as camadas internas da Terra, que o núcleo líquido do nosso planeta pode estar a libertar isótopos de ferro pesado.

Os cientistas sugerem que uma queda significativa da temperatura do núcleo de ferro líquido da Terra para o manto de rocha exterior empurra os isótopos de ferro mais pesados para a superfície do planeta, enquanto que os mais leves permanecem no interior do núcleo terrestre, explica o portal Science Daily.

A “fronteira” entre o núcleo de ferro líquido e o manto rochoso terrestre fica a cerca de 2.900 quilómetros abaixo da superfície da Terra, explicam os cientistas no novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista especializada Nature Geoscience, dando conta que é nesta transição que a temperatura cai mais de 1.000 graus do núcleo mais quente para o manto mais frio.

“Os resultados sugerem que o ferro do núcleo tem estado a infiltrar-se no manto há mil milhões de anos”, disse o autor principal do estudo, Charles Lesher.

Os procedimentos, levados a cabo a altas temperaturas e pressões, poderiam também explicar porque é que existem mais isótopos pesados de ferro nas rochas do do mando do que nos meteoritos de condritos, o principal material do início do Sistema Solar.

Simulações computorizadas realizadas pelo geólogos mostram ainda que o ferro do núcleo pode mesmo chegar à superfície, afirmando os cientistas que este fenómeno poderia explicar os altos níveis de depósitos de ferro encontrados em erupções vulcânicas nas costas de Samoa e do Havai.

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18 Abril, 2020

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3303: Descoberta no Laos a cratera de um meteorito gigante que caiu na Terra há 790 mil anos

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Alexander Ozerov / Canva

Um novo estudo, liderado pelo geólogo norte-americano Kerry Sieh, revelou que existe uma cratera de impacto de um grande meteorito que caiu na Terra há 790 mil anos no Laos.

Segundo os investigadores, a cratera encontra-se “debaixo da lava jovem do campo vulcânico de Bolaven”. Num estudo publicado esta semana na revista científica Proceedings of The National Academy of Sciences, os cientistas apresentaram “evidências estratigráficas, geoquímicas, geofísicas e geocronológicas de que a cratera, com cerca de 15 quilómetros de diâmetro, está enterrada sob um grande campo vulcânico jovem no sul” do Laos.

Especialistas apontam que “a cratera e os efeitos proximais do grande impacto de um meteorito conseguiram não ser descobertos durante há quase um século”. No entanto, durante muito tempo, estimou-se que “estavam localizados em algum lugar da Indochina“.

No fim dos anos 1930, geólogos descobriram depósitos das chamadas tectitas – pedras na forma de “gotas de vidro preto” nas costas da Austrália e no sudeste da Ásia “espalhadas em aproximadamente 20% do hemisfério oriental da Terra”. Nessa época, acreditava-se que foram geradas como resultado da queda de um grande corpo celeste.

O interior e a superfície da Terra mudam constantemente, o que dificulta o trabalho dos investigadores para encontrar vestígios de queda de asteróides e meteoritos.

Agora, os cientistas concentraram-se em distorções no campo gravitacional da Terra que podem aparecer perto da cratera. Foi essa busca que indicou a existência da cratera no Laos, no território do planalto de Bolaven, cheio de lava e detritos de rochas sedimentares.

Estudos de seu conteúdo mostraram que a cratera é composta pelos mesmos minerais que as tectitas e, nas proximidades da cratera, os cientistas descobriram traços de rochas deformadas como resultado de um forte impacto.

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3 Janeiro, 2020

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2777: Encontradas evidências de vida microscópica com 3,5 mil milhões de anos

CIÊNCIA

University of New South Wales

Cientistas encontraram restos orgânicos de vida microscópica com 3,5 mil milhões de anos. Foram encontrados preservados em estromatólitos na Austrália.

Estromatólitos são rochas fósseis formadas por actividades de microrganismos e foi aqui que vida microscópica se pode ter desenvolvido há 3,5 mil milhões de anos. Acredita-se que estes possam ser alguns dos primeiros organismos a realizar fotossíntese, sendo responsáveis pelo oxigénio que surgiu no planeta.

Geólogos encontraram na Austrália as primeiras evidências directas de uma das formas mais antigas de vida. De acordo com o New Atlas, há décadas que cientistas procuravam por estas provas, encontradas agora por cientistas da Universidade de Nova Gales do Sul e publicadas na revista na semana passada na revista Geology.

Para as conseguirem, os investigadores tiveram de perfurar os estromatólitos para recolher amostras do centro das rochas. Aí havia uma maior probabilidade de encontrarem indícios de vida antiga. Com recurso a técnicas avançadas, os cientistas concluíram que estas rochas feitas maioritariamente de pirita continham sinais claros de matéria orgânica preservada.

Esta é uma descoberta emocionante — pela primeira vez, somos capazes de mostrar ao mundo que esses estromatólitos são evidências definitivas da primeira vida na Terra”, disse Raphael Baumgartner, investigador responsável pelo estudo.

“A matéria orgânica que encontramos preservada dentro da pirita dos estromatólitos é empolgante. Estamos a analisar filamentos coerentes e cordões excepcionalmente preservados que normalmente são restos de biofilmes microbianos“, acrescentou.

Apesar da descoberta ser claramente empolgante, estas não são as formas de vida mais antigas conhecidas pelos cientistas. Na Gronelândia foram encontrados estromatólitos com 3,7 mil milhões de anos e, no Canadá, acredita-se que tenham sido encontradas formas de vida com 4,3 mil milhões de anos.

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5 Outubro, 2019

 

2724: Desvendado o enigma da localização inóspita de Machu Picchu

CIÊNCIA

Pedro Szekely / Flickr

Investigadores desvendaram o enigma da localização inacessível de Machu Picchu. As falhas geológicas presentes por debaixo da cidade do Império Inca.

O antigo santuário Inca de Machu Picchu é um dos maiores feitos arquitectónicos da humanidade. Construído no topo de uma remota montanha nos Andes, o Machu Picchu atrai milhões de visitantes todos os anos pela sua grandiosidade.

Depois de anos intrigados por que razão os Incas construíram o seu aldeamento num local tão inóspito, os cientistas conseguiram descobrir a razão pela qual o fizeram. Uma nova investigação sugere que a cidade foi propositadamente construída entre as falhas geológicas por debaixo da montanha.

Segundo o Phys, o geólogo brasileiro Rualdo Menegat apresentou os resultados detalhados desta investigação esta segunda-feira no encontro anual da Geological Society of America. “A localização de Machu Picchu não é uma coincidência“, disse Menegat. “Seria impossível construir um local assim nas montanhas altas se o substrato não fosse fracturado”.

O especialista combinou dados e medições de imagens de satélite para compilar uma densa rede de fracturas e falhas que atravessam a área do Machu Picchu. O Russia Today explica que estas variam em escala: algumas são visíveis em pequenas pedras, enquanto outras têm centenas de quilómetros e controlam a orientação de alguns dos vales.

A análise do geólogo brasileiro permitiu concluir que tanto os edifícios e escadas como os campos agrícolas circundantes são orientados de acordo com as tendências dessas grandes falhas.

“Outras cidades antigas dos Incas, incluindo Ollantaytambo, Pisac e Cusco também estão localizadas na intersecção de falhas“, explicou Menegat. “Cada um é precisamente a expressão das principais direcções das falhas geológicas do local”.

“A intensa fractura predispôs as rochas a partirem da mesma forma, o que reduziu bastante a energia necessária para esculpi-las”, disse ainda o geólogo. Além disso, as falhas tectónicas nesta zona permitiam um abastecimento de água único ao local, já que a água da chuva era canalizada pelas falhas até à cidade.

“Cerca de dois terços do esforço para construir o santuário envolveu a construção de drenagens subterrâneas”, explicou Menegat. No entanto, em sentido contrário, as falhas também permitiam drenar a cidade em caso de cheias — algo que é bastante comum na região.

“As fracturas pré-existentes apoiaram este processo e ajudam a explicar a sua preservação notável. O Machu Picchu mostra-nos claramente que a civilização Inca era um império de rochas fracturadas”, concluiu Menegat, citado pela Europa Press.

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27 Setembro, 2019

 

2626: Encontrados os restos de um continente perdido. Estavam enterrados debaixo do sul da Europa

CIÊNCIA

Ali McLure / Flickr

Até agora ninguém havia notado, mas sob os pés dos habitantes do sul da Europa, que inclui a Península Ibérica, jazem os restos de um antigo continente.

O continente afundou há muito tempo nas profundezas da Terra e a sua história, 250 milhões de anos depois, foi reconstruida passo a passo por uma equipa de geólogos das universidades de Utrecht, Oslo e do Instituto de Geofísica ETH em Zurique.

Os únicos restos visíveis desse continente perdido, conhecido como Grand Adria, são as rochas calcárias que podem ser encontradas nas cadeias de montanhas do sul da Europa. Os investigadores, que publicaram o seu trabalho na revista especializada Gondwana Research este mês, acredita que as rochas começaram a sua existência como sedimentos marinhos para mais tarde serem “raspados” a partir da superfície da Terra e elevados às suas posições actuais graças às colisões das placas tectónicas.

Por esse motivo, tanto o tamanho original como a forma e a história dessa massa terrestre desaparecida foram muito difíceis de reconstruir. No seu artigo, os geólogos explicam que grande parte dele constituiu, durante milhões de anos, o fundo de antigos mares tropicais rasos.

De acordo com Douwe van Hinsbergen, da Universidade de Utrecht, Grand Adria tinha uma história “violenta e complicada”. De facto, separou-se do sul do super-continente Gondwana, que entendia o que é hoje a África, América do Sul, Austrália, Antárctica, subcontinente indiano e Península Arábica, há 240 milhões de anos. A partir desse momento, começou a mover-se para o norte.

Os investigadores acreditam que, há cerca de 140 milhões de anos, Grand Adria era uma massa terrestre do tamanho da Gronelândia, coberta em grande parte por um mar tropical leve, onde os sedimentos se acumulavam lentamente para se transformarem em rochas. Mais tarde, entre 100 e 120 milhões de anos atrás, colidiu com o que é hoje a Europa, quebrando e sendo empurrado para o continente.

Apenas uma pequena parte das rochas de Gran Adria, arrancadas da crosta terrestre durante a colisão, conseguiu permanecer na superfície da Terra.

O estudo também teve de lidar com uma complicação adicional: as rochas de Grand Adria estão espalhadas por mais de 30 países, variando de uma faixa da Península Ibérica ao Irão. Da mesma forma que as rochas, também os dados da sua história se dispersaram.

Finalmente, até há menos de uma década, os geólogos não possuíam o software sofisticado necessário para realizar reconstruções tão complexas como esta. “A região do Mediterrâneo é simplesmente um desastre geológico. Tudo está dobrado, quebrado e empilhado.”

Para realizar o estudo, a equipa passou dez anos a recolher informações sobre as idades das amostras de rochas de Grand Adria, bem como a direcção dos campos magnéticos presos nelas. Com isso, conseguiram identificar não apenas quando, mas onde essas rochas se formaram.

Dessa maneira, os cientistas perceberam que, enquanto se deslocavam para o norte, Grand Adria girava no sentido anti-horário, empurrando e raspando outras placas tectónicas no seu caminho. No final, chegou à colisão com a Europa.

Embora isso tenha ocorrido a velocidades não superiores a 3 ou 4 centímetros por ano, o acidente destruiu completamente a crosta de Gran Adria, com cerca de 100 quilómetros de espessura, enviando a maior parte para as profundezas do manto da terra e logo abaixo do sul do continente europeu. Algumas partes deste continente perdido têm mais de 1.500 quilómetros de profundidade.

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13 Setembro, 2019

 

2582: Metais lunares: nova investigação considera o que está por baixo da superfície da Lua

CIÊNCIA

Esta paisagem da superfície da Lua foi fotografada pelos astronautas da Apolo 10 em Maio de 1969.
Crédito: NASA

Um novo estudo realizado por geólogos no Canadá e nos Estados Unidos sugere que um repositório de metais preciosos pode estar trancado bem abaixo da superfície da Lua.

James Brenan, professor do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade Dalhousie, Canadá, e autor principal do estudo publicado na revista Nature Geoscience, diz que ele e outros investigadores foram capazes de traçar paralelos entre os depósitos minerais encontrados na Terra e na Lua.

“Conseguimos ligar o conteúdo de enxofre das rochas vulcânicas lunares com a presença de sulfeto de ferro nas profundezas da Lua,” disse o Dr. Brenan, que colaborou com geólogos da Universidade Carleton e do Laboratório Geofísico em Washington, D.C. para o artigo publicado no dia 19 de Agosto.

“A análise de depósitos minerais na Terra sugere que o sulfeto de ferro é um óptimo local para armazenar metais preciosos, como platina e paládio.”

Sob a superfície da Lua

Os geólogos há muito que especulam que a Lua foi formada pelo impacto de um objecto massivo do tamanho de um planeta com a Terra há 4,5 mil milhões de anos. Por causa desta história comum, pensa-se que os dois corpos tenham uma composição semelhante. Medições anteriores das concentrações de metais preciosos nas rochas vulcânicas lunares realizadas em 2006, no entanto, mostraram níveis invulgarmente baixos, levantando uma questão que deixou os cientistas perplexos durante mais uma década sobre a razão destes valores tão baixos.

O Dr. Brenan diz que se pensava que estes baixos níveis reflectiam uma depleção geral dos metais preciosos na Lua como um todo.

Esta nova investigação fornece uma explicação dos níveis surpreendentemente baixos e acrescenta informações valiosas sobre a composição da Lua.

“Os nossos resultados mostram que o enxofre nas rochas vulcânicas lunares é uma impressão digital da presença de sulfeto de ferro no interior rochoso da Lua, onde pensamos que os metais preciosos foram deixados para trás quando as lavas foram criadas,” explicou.

Uma recriação científica

Brenan, juntamente com os colegas Jim Mungall da Universidade Carleton e Neil Bennett, anteriormente do Laboratório Geofísico dos EUA, fizeram experiências para recriar a pressão e a temperatura extremas do interior da Lua a fim de determinar quanto sulfeto de ferro se formaria.

Eles mediram a composição da rocha e do sulfeto de ferro resultantes e confirmaram que os metais preciosos seriam ligados pelo sulfeto de ferro, tornando-os indisponíveis para os magmas que fluíram para a superfície lunar. Brenan esclareceu que provavelmente não havia suficiente para formar um depósito de minério, mas “certamente o suficiente para explicar os baixos níveis nas lavas lunares.”

O Dr. Brenan disse que precisarão de amostras da parte rochosa e profunda da Lua, onde as lavas lunares tiveram origem, para confirmar as suas descobertas.

Território não forjado

Os geólogos têm acesso a amostras científicas de centenas de quilómetros de profundidade do interior da Terra, mas material a essas profundezas ainda não foi recuperado da Lua.

“Estudamos a superfície da Terra há já muito tempo, pelo que temos uma boa ideia da sua composição, mas com a Lua já não é o caso,” disse.

“Temos um total de 400 kg de amostras trazidas pelas missões Apolo e por outras missões lunares… é uma quantidade muito pequena de material. Assim sendo, para descobrir algo sobre o interior da Lua, precisamos de ‘começar do fim’ e inverter o nosso estudo da composição das lavas que chegaram até à superfície.”

Estudos remotos por satélites sugerem a existência de afloramentos das partes mais profundas da Lua, reveladas após impactos massivos terem formado as crateras Schrödinger e Zeeman na bacia Aitken do pólo sul.

“É muito emocionante pensar que vamos voltar à Lua,” disse Brenan. “E, a ser verdade, o pólo sul parece ser um bom local para recolha de amostras.”

Astronomia On-line
6 de Setembro de 2019

 

2534: Já se sabe qual foi o potente vulcão que arrefeceu a Terra e ameaçou o mundo antigo

CIÊNCIA

(h) BNPB /EPA

Nos últimos dois mil anos, o planeta atravessou duas importantes mudanças climáticas: a Anomalia Climática Medieval e a Pequena Idade do Gelo. Nenhuma foi tão profundo como a que estamos a passar actualmente: o aquecimento global dos últimos 150 anos.

No entanto, no passado, houve mais momentos em que o planeta esteve em risco. Uma dessas situações aconteceu no século VI. As temperaturas caíram no hemisfério norte cerca de 15ºC, perderam-se muitas colheitas e chegaram a fome e a peste bubónica. O gatilho para essa situação foi um par de erupções vulcânicas que poluíram a atmosfera.

Sabe-se que ocorreu na Islândia ou no Alasca, por volta do ano 536 (considerado por alguns como o pior ano da história), e que o outro ocorreu por volta do ano 540. Mas não se sabe onde.

Agora, um grupo de investigadores sugeriu onde o segundo poderia ter ocorrido. Num estudo publicado a 16 de Setembro na revista especializada Quaternary Science Reviews, associaram essa situação à erupção do vulcão Ilopango, em El Salvador, que gerou uma explosão vulcânica de até 50 quilómetros de altura.

Sobre a erupção em El Salvador, que criou a formação rochosa conhecida como Tierra Blanca Joven, o geólogo da Universidade Luterana da Califórnia (EUA), Robert Dull, que liderou o estudo, diz que foi a “maior da América Central que os humanos testemunharam”.

Pela primeira vez, os cientistas definiram uma data para tal erupção e isso provou ser compatível com a queda dramática das temperaturas no hemisfério norte.

Os investigadores estudaram três troncos enterrados nas cinzas, a uma distância de 25 a 30 quilómetros do lago que cobre a caldeira do Ilopango hoje. Essas árvores terão após serem envolvidas pelos ventos quentes e furacões gerados pela erupção, carregados com gases, cinzas e pedra-pomes.

Em laboratório, estimaram a idade dos diferentes cortes desses troncos, através do estudo de anéis de crescimento e datação por carbono 14.

As análises mostraram que as árvores morreram entre 500 e 545. Além disso, com base em modelos atmosféricos, os investigadores estimaram que a erupção de Ilopango ocorreu no outono de 539. Isso explicaria o arrefecimento global, a fome e uma redução temporária na construção de monumentos maias detectados por arqueólogos.

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28 Agosto, 2019

 

2454: Uma nova linha temporal do passado cataclísmico da Terra

Impressão de artista da Terra primitiva.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

Bem-vindos ao Sistema Solar primitivo. Logo após a formação dos planetas há mais de 4,5 mil milhões de anos, a nossa vizinhança cósmica era um lugar caótico. Ondas de cometas, asteróides e até proto-planetas seguiram em direcção ao Sistema Solar interior, alguns colidindo com a Terra pelo caminho. Estes impactos foram tão violentos que derreteram as rochas à superfície do planeta.

Agora, uma equipa liderada pelo geólogo Stephen Mojzsis da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, estabeleceu uma nova linha temporal deste período violento da história do nosso planeta.

Num estudo publicado esta semana, os investigadores debruçaram-se sobre um fenómeno chamado “migração dos planetas gigantes”. Este é o nome de um estágio na evolução do Sistema Solar no qual os maiores planetas, por razões que ainda não são claras, começaram a afastar-se do Sol.

Com base em registos de asteróides e outras fontes, o grupo estimou que este evento de alteração do Sistema Solar ocorreu há 4,48 mil milhões de anos – muito mais cedo do que alguns cientistas haviam proposto anteriormente.

As descobertas, disse Mojzsis, podem fornecer aos cientistas pistas valiosas sobre quando a vida pode ter tido origem na Terra.

“Nós sabemos que a migração dos planetas gigantes deverá ter ocorrido para explicar a actual estrutura orbital do Sistema Solar exterior,” disse Mojzsis, professor no Departamento de Ciências Geológicas. “Mas até estudo, ninguém fazia ideia de quando ocorreu.”

Bacia Imbrium

É um debate que, pelo menos em parte, tem as suas origens no programa espacial Apollo.

Quando os astronautas aterraram no lado visível da Lua no final da década de 1960 e início da década de 1970, recolheram muitas rochas. Mas estas amostras geológicas também eram intrigantes: muitas pareciam ter apenas 3,9 mil milhões de anos, centenas de milhões de anos mais jovens do que a própria Lua.

Para explicar as idades aparentemente anacrónicas das rochas, alguns investigadores sugeriram que a nossa Lua – e a Terra – foram atingidas mais ou menos nessa época por um surto de cometas e asteróides. Chamaram a este aumento nos impactos, apropriadamente, de “cataclismo lunar tardio.”

Mas havia um problema com a teoria, acrescentou Mojzsis. Quando os cientistas inspeccionaram os padrões de crateras na Lua, em Marte e em Mercúrio, não conseguiram encontrar nenhuma evidência de tal aumento.

“Acontece que a parte da Lua onde aterrámos é muito invulgar,” explicou Mojzsis. “É fortemente afectada por um grande impacto, a Bacia Imbrium, que tem cerca de 3,9 mil milhões de anos e que afecta quase todas as nossas amostras.”

Para contornar este viés, os investigadores decidiram afastar-se do Sistema Solar interior. Ao invés, compilaram as idades a partir de um banco de dados exaustivo de meteoritos que haviam caído na Terra.

“As superfícies dos planetas interiores foram extensivamente retrabalhadas por impactos e eventos nativos até há cerca de 4 mil milhões de anos,” disse Ram Brasser, co-autor do estudo e do Instituto Científico da Terra e da Vida em Tóquio. “O mesmo não é verdade para os asteróides. O seu registo é muito mais extenso.”

A equipa descobriu que, independentemente de quando investigassem, não conseguiam encontrar um único asteróide ou pedaço de rocha planetária que registasse um evento de bombardeamento cataclísmico com idade inferior a aproximadamente 4,5 mil milhões de anos.

“A idades de 3,9 mil milhões de anos que dominaram as amostras lunares não foram vistas nos meteoritos,” disse Brasser.

Para a equipa, isto forneceu-lhes apenas uma possibilidade: o Sistema Solar deve ter passado por um grande bombardeamento antes desta data limite. Impactos muito grandes, acrescentou Mojzsis, podem derreter rochas e redefinir de forma variável as suas idades radioactivas.

Planetas em movimento

E a razão de toda esta carnificina? Mojzsis e colegas pensam que é por causa de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

Ele explicou que estes planetas gigantes provavelmente formaram-se muito mais perto do que onde estão hoje. No entanto, usando simulações de computador, o seu grupo demonstrou que estes corpos começaram a afastar-se em direcção aos locais actuais há cerca de 4,48 mil milhões de anos.

No processo, espalharam detritos pelo caminho, enviando alguns deles em direcção à Terra e à sua então jovem Lua.

A história do bombardeamento do Sistema Solar “começou com os cometas que vieram gritando até ao Sistema Solar interior. Ao fazê-lo, redefiniram a idade das crostas da Terra, da Lua e de Marte,” salientou Mojzsis. “A próxima onda foi a dos planetesimais que sobraram da formação dos planetas interiores. O último grupo a chegar foram os asteróides, que continuam a viajar até à nossa vizinhança ainda hoje.”

Os resultados, acrescentou, abrem uma nova janela para quando a vida pode ter aparecido na Terra. Com base nos resultados da equipa, o nosso planeta poderá ter estado calmo o suficiente para suportar organismos vivos há 4,4 mil milhões de anos. Os mais antigos fósseis conhecidos hoje têm apenas 3,5 mil milhões de anos.

“A única maneira de esterilizar completamente a Terra é derreter a crosta de uma só vez,” explicou Mojzsis. “Nós mostrámos que isso não aconteceu desde o início da migração dos planetas gigantes.”

Astronomia On-line
16 de Agosto de 2019

 

2248: Há uma reserva gigante de água doce oculta debaixo do Oceano Atlântico

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

O fundo do Oceano Atlântico esconde um tesouro muito valioso: água doce. Geólogos da Universidade de Colúmbia afirma que na costa nordeste dos EUA há quase três mil quilómetros cúbicos de água doce presa em sedimentos porosos sob a água salgada do mar.

A descoberta, embora surpreendente, era algo do qual já se suspeitava. Especialistas acreditam que este tipos de depósito de água doce são abundantes, mas muito pouco se sabe sobre os seus volumes e a sua distribuição no planeta.

Os cientistas acreditam que este aquífero é o maior já encontrado e avaliam-nos como “gigantesco”. Segundo os seus cálculos, a reserva vai da costa do estado de Massachusetts até Nova Jérsia e abrange cerca de 350 quilómetros da costa do Atlântico nessa região dos EUA. Se a reserva estivesse na superfície, formaria um lago de cerca de 40 mil quilómetros quadrados.

Para detectar a reserva de água, os investigadores usaram ondas electromagnéticas. Uma pista que eles já tinham é que, nos anos 70, algumas companhias petrolíferas que perfuravam a costa não extraíam petróleo, mas sim água doce. Os cientistas, no entanto, não sabiam se eram apenas depósitos isolados ou algo muito maior.

Agora, para conhecer a área em detalhe, lançaram sondas a partir de um barco para medir o campo electromagnético nas profundezas. A água salgada é melhor condutora de ondas electromagnéticas do que a água doce, por isso, pelo tipo de sinais de baixa condutância que receberam, puderam concluir que havia água doce oculta.

De acordo com o estudo publicado na revista Scientific Reports, os geólogos também concluíram que os depósitos são mais ou menos contínuos, estendendo-se da linha da costa até cerca de 130 quilómetros mar adentro. Na sua maioria, estão entre 180 metros e 360 ​​metros abaixo do fundo do oceano.

Os geólogos acreditam que a água doce se possa ter armazenado ali de duas maneiras. Por um lado, acredita-se que no final da Idade do Gelo, grandes quantidades de água doce acabaram presas em sedimentos rochosos, algo que os especialistas chamam de “água fóssil”.

Por outro lado, estudos recentes mostram que os reservatórios provavelmente também se alimentam de chuva e de corpos de água que se infiltram através dos sedimentos na terra e alcançam o mar.

Os investigadores dizem que, de maneira geral, a água do aquífero é mais doce perto da costa e mais salgada à medida que entra no mar. Isso pode significar que, com o passar do tempo, os dois tipos de água se vão misturando.

A água doce terrestre geralmente contém sal em quantidades inferiores a uma parte por mil. Esta é a mesma quantia que encontraram na reserva aquática perto da costa. Nos seus limites externos, o aquífero alcança 15 partes por mil. Em comparação, a água do mar normalmente tem 35 partes por mil.

Segundo explica o geofísico Kerry Key, co-autor do estudo, para usar água das partes mais distantes do aquífero seria preciso dessalinizá-la para a maioria da sua utilização, mas, em todo caso, o custo seria menor do que processar água do mar. O estudo de Key sugere que estas reservas poderiam ser encontradas em muitas outras partes do mundo e poderiam fornecer água potável a lugares áridos que precisam urgentemente dela.

“Provavelmente não temos de fazer isso nesta região”, disse Key em comunicado. “Mas se pudermos demonstrar que existem grandes aquíferos noutras regiões, poderia representar um recurso adicional em lugares como o sul da Califórnia, a Austrália ou a África.”

ZAP //

Por ZAP
29 Junho, 2019

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2149: Meteoritos-chave descobertos no Chile podem revelar a origem do Sistema Solar

CIÊNCIA

Universidade Católica do Chile

Um estudo geológico levado a cabo no deserto do Atacama por cientistas da Universidade Católica do Chile (UCN) encontrou vários condritos carbonáceos, meteoritos-chave para entender a origem do Sistema Solar, bem como as causas que levaram à vida no planeta Terra. 

De acordo com um comunicado da UCN, os objectos, encontrados entre as cidades de Antofagasta e Taltal, fazem parte dos primeiros minerais formados a partir da nebulosa que cercou o Sol há 4,56 mil milhões de anos.

“É o tipo mais primitivo de meteorito já encontrado, é uma das rochas que contém os primeiros materiais sólidos condensados, numa altura em que o Sistema Solar se estava a formar. Estes meteoritos carregam a mais antiga evidência dos primeiros estágios de formação dos planetas”, explicou a cientista que liderou o estudo, Millarca Valenzuela.

“Se conseguirmos medir a composição [destes condritos carbonáceos], poderemos ter informações sobre a composição da nebulosa solar onde o cristal se estava a formar”.

Além das pistas sobre a origem do Sistema Solar, a matriz destes meteoritos sugere a sua possível participação na origem de vida na Terra. Os objectos têm até 5% de carbono, possuindo também “minerais, água e aminoácidos de base pequena e material orgânico abiótico […] que poderiam ser a semente a partir da qual o material orgânico pode ter evoluído para algo mais complexo”, sustentou a especialista.

Valenzuela é geóloga e uma das cientistas responsáveis pela descoberta no Chile. Em 2017, o asteróide 11819, localizado entre Júpiter e Marte, foi baptizado em sua honra.

Uma outra investigação, conduzida por cientistas de França e de Itália detectou matéria orgânica com 3.330 mil milhões de anos preservada em sedimentos vulcânicos nas Montanhas Barberton. É provável que a matéria pertença a um condrito carbonáceo extraterrestre. Os resultados desta investigação foram publicados no fim de maio na revista científica especializada Geochimica et Cosmochimica Acta.

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10 Junho, 2019



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2018: Vulcão das Bermudas formou-se de uma forma nunca antes vista na Terra

jurvetson / Flickr

Um vulcão nas Bermudas formou-se de uma forma nunca antes vista na Terra. O vulcão parece ter surgido a partir de um material que se ergue de uma região nas profundezas – a zona de transição.

A zona de transição é a região entre o manto superior e inferior. Estende-se entre 402 a 400 a 643 quilómetros abaixo da superfície do planeta e é rico em água, cristais e rocha derretida.

Os vulcões, normalmente, formam-se quando as placas tectónicas são empurradas ou separadas, produzindo uma fenda na superfície da Terra por onde o magma pode escapar. Também se podem formar em hotspots, onde plumas do manto se levantam – o Hawai é um exemplo disso.

Agora, investigadores descobriram que vulcões também se podem formar quando o material sobe da zona de transição. A equipa acredita que houve um distúrbio na zona de transição que forçou o material nesta camada a derreter e a mover-se em direcção à superfície. As descobertas foram publicadas na revista Nature.

Os geólogos estavam a analisar um vulcão agora adormecido sob o Oceano Atlântico, responsável pela formação das Bermudas. Olhando para a composição química de uma amostra central de 792 metros, poderiam construir uma imagem da história vulcânica das Bermudas.

“Antes do nosso trabalho, as Bermudas foram interpretadas como o resultado de uma profunda anomalia térmica no manto da Terra, mas não havia dados directos para apoiar essa ideia. Isto é devido ao facto de que o edifício vulcânico é completamente coberto por calcário”, disse Cornell Esteban Gazel, um dos autores do estudo, à Newsweek.

Em comunicado, Gazel disse que estavam à espera para mostrar que o vulcão era uma formação como a do Hawai. Porém, as medições feitas a partir da amostra central eram diferentes de tudo visto antes, sugerindo que a lava veio de uma fonte não identificada.

As amostras continham marcas da zona de transição. Em comparação com amostras retiradas de zonas de subducção, havia mais água aprisionada nos cristais. Sabe-se que a zona de transição contém vastas quantidades de água – um estudo calcula que há três vezes mais água nessa região da Terra do que em todos os oceanos do mundo.

“Suspeitei pela primeira vez que o passado vulcânico das Bermudas era especial enquanto experimentava o núcleo e notei as diversas texturas e mineralogia preservadas nos diferentes fluxos de lava”, disse a principal autora, Sarah Mazza, da Universidade de Münster, na Alemanha. “Rapidamente confirmamos enriquecimentos extremos em composições de elementos-traço. Foi emocionante ver os nossos primeiros resultados. Os mistérios das Bermudas começaram a desvendar-se”.

Modelos numéricos desenvolvidos pela equipa indicam um distúrbio na zona de transição que força o material a subir. Acredita-se que tenha ocorrido há cerca de 30 milhões de anos e forneceu a base em que as Bermudas se encontram hoje. “Encontramos uma nova maneira de fazer vulcões“, rematou Gazel.

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21 Maio, 2019



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1990: O legado “fantasma” de Hiroshima foi finalmente encontrado

CIÊNCIA

Wikimedia

Depois da detonação da bomba de Hiroshima, 90% dos edifícios da cidade japonesa desapareceram numa questão de segundos. A questão é: para onde foi todo o alumínio, mármore, borracha e aço inoxidável que formavam as construções?

Um estudo recente parece ter encontrado partes destes rectos num lugar surpreendente: na areia da praia, em forma de partículas esféricas vítreas milimétricas raras.

Mario Wannie, geólogo e um dos principais autores do estudo publicado na revista Anthropocene, foi quem descobriu estes materiais em 2015. Wannier viajou por todo o mundo para examinar a areia de diferentes lugares, catalogando cuidadosamente a sua composição, separando cada grão e analisando-o em detalhe.

No entanto, na areia da praia da península de Motoujima, a cerca de dez quilómetros da catástrofe, encontrou partículas vítreas muito estranhas. “Vi centenas de amostras de praias no sudeste da Ásia e posso distinguir imediatamente grãos minerais de partículas criadas por animais ou plantas”, disse, citado pela ABC. “Mas havia outra coisa. Partículas aerodinâmicas, vítreas e arredondadas que me lembraram as esferas que vi nas amostras pertencentes ao Cretáceo-Terciário”.

O investigador referia-se às partículas encontradas na área da Península de Yucatán, onde há 66 milhões de anos caiu o meteorito que terá causado a extinção dos dinossauros. De acordo com vários estudos, o impacto fez com que a superfície sólida ficasse “liquidificada”. Desta forma, chegou à atmosfera, onde se formaram gotas de material vítreo, que finalmente caíram no chão.

Mario Wannier / Anthropocene

Contudo, as partículas de Hiroshima não eram totalmente iguais: as esferas de entre 5,5 e 1 milímetros de largura pareciam estar fundidas umas com as outras, algumas tinham uma espécie de “cauda”, o material era parecido com borracha e, além disso, pareciam ter um ou várias camadas de vidro ou sílica.

Assim, as partículas foram levadas para analisar no laboratório da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e Wannier voltou ao Japão para recolher mais amostras de areia. Descobriu que cada quilo continha entre 12 e 23 gramas de partículas raras, o que representa uma percentagem entre 0,6 e 2,5% de toda a areia recolhida – cerca de 36 mil toneladas.

Foi aqui que o geólogo começou a pensar que poderia estar relacionado com a explosão da bomba atómica que devastou Hiroshima na manhã de 6 de Agosto de 1945. Naquele dia, 70 mil pessoas morreram – embora a contagem tenha subido para 145 mil nas semanas seguintes – e 90% dos edifícios foram demolidos ou seriamente danificados.

“De longe, é o pior evento causado pelo homem. Depois da surpresa de encontrar as partículas, a minha grande pergunta foi: existe uma cidade e, no momento, não há nada. Onde está a cidade? Onde está todo o material? É um tesouro ter descoberto isto”, referiu Wannier.

O laboratório de Berckeley observou uma ampla variedade na composição química das amostras, incluindo concentrações de alumínio, silício e cálcio; partículas microscópicas de estruturas cristalinas. Outros eram compostos principalmente carbono e oxigénio.

“Alguns deles parecem-se com o que temos de impactos de meteoritos, mas a composição é bem diferente”, explica Rudy Wenk, professor de mineralogia da Universidade da Califórnia. “Havia formas bastante incomuns: ferro e aço puro. Alguns tinham a composição de materiais de construção “, disse.

Foi determinado que as partículas se formaram sob condições extremas, com temperaturas superiores a 1.800ºC, como demonstrado pela montagem de cristais de anortita e mulita que os investigadores identificaram. Observaram que a micro-estrutura única das partículas estudadas e o grande volume de resíduos de fusão presentes também fornecem fortes evidências de como foram formados. “A hipótese da explosão atómica é a única explicação lógica para a sua origem”.

Public Domain
Hiroshima antes e depois da explosão da bomba atómica

De acordo com a investigação, as partículas ter-se-ão formado acima e em redor da bola de fogo ascendente da explosão. Os materiais borbulharam líquido a alta temperatura e misturado neste ambiente turbulento imediatamente antes de arrefecer e condensar e, em seguida, precipitou-se em forma de chuva.

A teoria é reforçada pelo facto de a composição de partículas de detritos corresponder estreitamente com os materiais que eram comuns em Hiroshima, no momento do bombardeamento, tal como o mármore, aço inoxidável e borracha.

Agora, Wannier vai analisar as amostras de solo e procurar mais restos de detritos nas águas subterrâneas profundas. Este estudo pode ser uma oportunidade para entender o que acontece aos materiais sob condições extremas e ver se combinam com outras amostras recolhidas na área de Nagasaki, onde a segunda bomba caiu.

ZAP //

Por ZAP
16 Maio, 2019


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1905: Impressão de pele de dinossauro encontrada perfeitamente preservada. É única no mundo

CIÊNCIA

philjrenaud / Flickr

Várias pegadas de dinossauro com uma precisão sem precedentes foram identificadas por uma equipa de cientistas numa camada de uma rocha extraída na cidade de Jinju, na Coreia do Sul. 

No total são cinco impressões, quatro das quais foram atribuídas com certeza a um mesmo animal bípede que atravessou a lama húmida daquela região há milhões de anos. A equipa de geólogos internacionais considerou que o autor das pegadas foi um dinossauro nomeado como Minisauripus, que terá sido o menor terópode até então conhecido.

Em comunicado, Martin Lockley, professor da Universidade do Colorado em Denver, nos Estados Unidos, explicou que estas são as primeiras amostras já encontradas “onde as impressões perfeitas da pele cobrem toda a superfície de cada pegada”. As impressões representam a “maior resolução de detalhes já registada para qualquer impressão de pele de dinossauro”, observaram os cientistas.

“As pegadas formaram-se numa camada muito subtil de lama fina“, sustentou o especialista norte-americano, comparando estas impressões a  “uma camada de tinta fresca de apenas um milímetro de espessura. Quando o pequeno dinossauro – com o tamanho de um melro – pisou aquela superfície firme e pegajosa, sem escorregar, a textura da pele da planta do seu pé ficou registada em detalhe, completou.

As impressões foram descobertas durante uma escavação de grande escala liderada pelo cientista coreano Kyung Soo Kim, responsável pela prospecção paleontológica da local. Mias tarde, juntou-se à equipa de investigação. Soo Kim viu a primeira marca numa pedra partida e parou de imediato os trabalhos até recuperar todas as impressões.

Gizmodo @Gizmodo

Intricate skin impressions still visible on ‘exquisitely preserved’ dinosaur footprints http://gizmo.do/hXVrfF1 

1753: No ano passado, toda a Terra tremeu e ninguém reparou. A culpa foi de uma erupção submarina gigante

David Stanley / Flickr

11 de Novembro de 2018. Um estrondo ricocheteou em redor do mundo. Os humanos não sentiram, mas ficou registado nos sismógrafos. Um artigo sugere que terá sido causado pelo maior evento vulcânico no mar alguma vez registado.

Se a hipótese estiver correta e houver um movimento maciço de magma debaixo do fundo do mar, isso terá implicações para as proximidades de Mayotte e as vizinhas ilhas de Comores, na costa de África.

Mayotte já começou a afundar (cerca de 9 milímetros por mês) e a deslocar-se para leste (16 milímetros por mês) – movimentos que seriam contados com uma câmara subterrânea a ser esvaziada à medida que o magma flui.

“Acreditamos que a crise de 2018 está associada a uma erupção, apesar do facto de que não temos observações directas até agora”, escrevem os investigadores por trás do novo estudo, publicado no EarthArXiv. “Pode ser a erupção no mar com o maior volume alguma vez documentado.”

Com base nas leituras sísmicas feitas na área nos seis meses que antecederam o tremor de Novembro que se espalhou pelo mundo, a equipa sugere que mais de um quilómetro cúbico de magma foi deslocado de um ponto de erupção de cerca de 28 quilómetros abaixo da superfície.

Acredita-se que todo este magma pode não ter atingido o fundo do mar, mas sim fluído para os sedimentos circundantes, com o gás vulcânico a permanecer preso dentro do magma. Isto explicaria porque nada foi observado ainda acima da superfície.

“O evento de 2018 em Mayotte parece mostrar um volume substancial de magma a deixar uma região de armazenamento profunda que, se irrompida, tornaria esta uma das maiores erupções submarinas documentadas” disse o geólogo Samuel Mitchell, da Universidade do Hawai ao Gizmodo.

Enquanto os tremores continuam, os cientistas estão a tentar obter mais instrumentos e equipamentos para a área para ter uma ideia melhor do que realmente está a acontecer. Por enquanto, a ideia de um grande evento vulcânico encaixa bem nos dados existentes.

Ainda há muitas questões não respondidas: porque é que o evento está a acontecer no extremo leste da cadeia de ilhas Comores quando é que as novas ilhas vulcânicas da região estão a oeste? E se o magma permanece preso no subsolo, porque é que cardumes de peixes mortos aparecem na água?

Além disso, o que causou os pulsos de alta frequência que ocorreram ao lado do tremor de baixa frequência em Novembro? Ondas de magma a colidir umas com as outras enquanto uma câmara entra em colapso poderia ser uma explicação, mas até que mais dados da área se tornem disponíveis, é apenas especulação.

Especialistas estão igualmente incertos sobre o que está a causar a actividade vulcânica em primeiro lugar. O sismólogo Stephen Hicks, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, disse ao Gizmodo que os movimentos das placas tectónicas, uma região de manto super-aquecido, ou o evento em curso do Leste Africano podem ser responsáveis.

O novo trabalho ainda não foi revisto por pares e os autores por trás dele dizem que outros cenários ainda são possíveis – mas a actividade vulcânica parece encaixar-se no que se sabe até agora.

Ainda é necessária muito mais investigação dos eventos, embora os cientistas pensem que têm uma hipótese promissora. Se mais terremotos estiverem a caminho, as pessoas que vivem em Mayotte – já preocupadas – precisam de estar preparadas.

“Melhorar o conhecimento da distribuição, alinhamento e idades das características vulcânicas offshore, especialmente em torno das ilhas principais, pode levar a uma melhor compreensão do comportamento, evolução e risco relacionado desta área peculiar”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
23 Março, 2019

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1647: Catástrofe vulcânica ameaça a vida de 200 mil pessoas na Califórnia

(CC0/PD) 12019 / pixabay

Especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) acreditam que a Califórnia pode estar sob perigo. O estado norte-americano tem sete vulcões activos.

Os habitantes da região da Califórnia podem ter mais que se preocupar do que um terramoto. O verdadeiro perigo, na realidade, poderá ser uma forte erupção de um dos vulcões circundantes. Isto tendo em conta que, no último milénio, ocorreram pelo menos dez erupções.

No estudo, publicado a 25 de Fevereiro pela USGS, os geólogos envolvidos admitem que “futuras erupções vulcânicas são inevitáveis”. As consequências dos sete vulcões activos incluem ainda “terramotos vulcânicos e emissão de gases tóxicos”.

Os investigadores da USGS criaram um mapa com as zonas mais vulneráveis, nas quais vive ou trabalha um total de 200 mil pessoas. Os vulcões Shasta, Medicine Lake e o centro vulcânico Lassen são considerados os de maior risco.

Só na zona territorial perto do vulcão Shasta vivem mais de 100 mil pessoas, que poderão ter as suas casas em risco, caso se verifique uma forte erupção vulcânica. De acordo com a LiveScience, os geólogos calculam que há uma probabilidade de 16% de, nos próximos 30 anos, uma grande erupção abalar estes territórios.

À parte do perigo da actividade vulcânica na zona da Califórnia, os investigadores determinaram, agora, que há uma probabilidade de 22% de um terramoto na famosa falha de San Andreas. De relembrar, que um estudo realizado pela USGS em 2008, previa uma probabilidade de 99% de haver um terramoto na Califórnia nos próximos 30 anos.

Mas enquanto os habitantes do estado da Califórnia vivem assombrados com a possibilidade de um terramoto ou de uma erupção vulcânica, os turistas continuam a ver a Cali como um paraíso de eleição para férias.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
28 Fevereiro, 2019

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1626: Afinal, um asteróide pode não ter sido o “assassino” dos dinossauros

Ntvtiko / Deviant Art

Há 66 milhões de anos, algo mudou o mundo. Cerca de 75% das espécies de plantas e animais morreram, erradicando os dinossauros. Isto marcou o fim do Cretáceo e foi o início de uma nova Era – o Cenozóico – a era dos mamíferos.

Mas não se sabe exactamente o que causou esta extinção em massa da Terra. Registos fósseis e geológicos mostram tempos turbulentos que abrangem um milhão de anos – um impacto gigante de asteróides e intensa actividade vulcânica que se espalhou pelo mundo. Mas o relacionamento entre os fenómenos e o evento de extinção ainda não é claro.

A maioria dos paleontologistas e geólogos acredita que a última extinção em massa de animais na Terra, que ocorreu há 65,5 milhões de anos, foi causada pela queda de um asteróide que formou a gigante cratera de Chicxulub, com cerca de 300 quilómetros, no fundo do mar ao largo da costa do sul do México. A queda do asteróide é inegável, mas o seu papel na extinção dos dinossauros continua a ser objeto de debate.

Em 1989, o paleontólogo Mark Richards sugeriu que a razão para o seu desaparecimento foi o derrame maciço de magma no local do actual planalto indiano de Decã, que ocorreu mais ou menos na mesma época.

Recentemente, os cientistas encontraram indícios de que as ondas sísmicas que surgiram após a colisão entre o asteróide e a Terra “acordaram” os vulcões. As suas emissões, segundo alguns geólogos, ampliaram as consequências do impacto do asteróide e mataram grande parte da fauna marinha.

Duas equipas de geólogos e geoquímicos tentaram resolver este problema calculando a idade dos depósitos vulcânicos em diferentes pontos do planalto, utilizando dois métodos de datação diferentes que detectam a presença de urânio e outros isótopos instáveis de vários elementos nas rochas. Este método torna possível determinar o tempo de erupções vulcânicas com precisão.

Os cientistas analisaram os minerais expelidos pelos vulcões através de medições e obtiveram resultados que indicaram que as erupções vulcânicas no planalto Deccan começaram aproximadamente ao mesmo tempo da queda do asteróide, de acordo com o estudo publicado na revista Science.

Por outro lado, o seu papel na extinção tornou-se agora ainda mais obscuro devido ao período de tempo em que as suas erupções atingiram o pico, bem como às diferenças nas medições dos cientistas.

Descobriu-se que a maioria dos fluxos de magma ocorreu após a queda do asteróide, representando cerca de 70% do volume total de todas as rochas. Esta descoberta põe em dúvida a teoria de Richards e sugere que os vulcões não foram os principais “assassinos” dos dinossauros, mas estiveram activamente envolvidos na destruição da flora e fauna do período Mesozoico.

As análises de datação também sugerem que os vulcões no planalto de Decã irromperam de forma episódica. Os cientistas contaram quatro grandes “surtos” de vulcanismo, um dos quais ocorreu cerca de algumas dezenas de milhares de anos antes da queda do asteróide.

Naquela época, o nível geral de actividade vulcânica duplicou, o que deveria ter tido um impacto extremamente negativo no clima do planeta, elevando a possibilidade de extinção em massa dos habitantes da Terra. Dessa forma, os vulcões teriam sido tão responsáveis pelo cataclismo como o asteróide.

Futuras escavações na Índia mostrarão qual das teorias está mais próxima da verdade e revelarão quem foi o verdadeiro assassino dos dinossauros, répteis marinhos e outros seres vivos da era mesozoica.

ZAP // Science Alert / Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

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1595: Geólogos descobriram de onde vem a parte mais remota do oceano

GRID Arendal / Flickr

Um navio coreano chegou a uma das partes mais remotas do oceano em 2011 e 2013, uma área próxima à Antárctica e ao sul da Nova Zelândia. Lá, retirou material do fundo do mar que revelou uma região anteriormente desconhecida das profundezas da Terra.

Os cientistas analisaram uma mistura de variantes químicas chamadas isótopos em amostras do fundo do mar de diferentes partes do planeta para descobrir o “domínio do manto” que as produziu.

A maior parte das coisas sólidas na superfície da Terra ou perto dela era, em algum momento, parte do interior quente do planeta. Mas diferentes partes do interior contêm diferentes proporções de vários isótopos e, assim, produzem diferentes composições reveladoras.

Os cientistas que estudam o material desta parte distante do oceano, denominado Cume Antárctico-Australiano, determinaram que tinha uma marca química única. Esta nova marca significa que as amostras devem ter surgido de um domínio que era desconhecido anteriormente.

A região de 1.900 quilómetros de largura foi “a última lacuna” no modelo geológico do fundo do mar, escreveram os investigadores no artigo publicado na Nature Geoscience.

Os cientistas previram que esta região teria uma marca isotópica semelhante ao Pacífico, escreveram, sugerindo que as duas regiões do fundo do mar teriam emergido da mesma parte do manto da Terra – a região quente e rochosa, posteriormente colada entre a crosta e o núcleo.

Em vez disso, parece ter explodido separadamente da sua própria parte do manto, provavelmente como parte de uma grande ruptura geológica que ocorreu há cerca de 90 milhões de anos.

Este foi o fim do período em que as massas de terra da Terra foram unidas no super-continente Gondwana, com a Antárctida actual no seu centro. Quando Gondwana finalmente se separou, um “manto profundo que se eleva”, que apelidaram de Zealandia-Antarctic Swell, parece ter-se espalhado entre os pedaços continentais separadores, formando o fundo do mar relativamente raso desta região.

ZAP // Live Science

Por ZAP
15 Fevereiro, 2019

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1481: Pólo norte magnético está a deslocar-se muito depressa para a Sibéria

Deriva do norte magnético está a acelerar desde a década de 1990 e caminha agora à velocidade de 55 Km por ano. Modelo magnético global, que é utilizado na navegação, e que foi publicado em 2015, já teve de ser actualizado

© Arquivo Global Imagens

O pólo norte magnético, aquele ponto no topo norte do globo terrestre para o qual apontam sempre as bússolas, está em deriva rápida, do Árctico canadiano para a Sibéria, mas os cientistas não conseguem explicar porquê.

Os geólogos sabem que a alteração está relacionada com os movimentos que ocorrem no núcleo de ferro líquido que existe no interior do planeta, no entanto, o que está a acontecer exactamente para que as coisas se passem desta forma é uma incógnita.

Se a questão fosse apenas esta, já seria suficientemente interessante, mas este não é um problema exclusivamente científico. Na prática, esta deriva e a sua determinação exacta têm implicações para toda a navegação, da aviação aos transportes marítimos, ou à simples busca de uma localização com um smartphone, uma vez que para achar uma determinada direcção é preciso fazer a compensação da declinação magnética – aquele movimento simples de ajustar o Norte com a agulha da bússola.

Para garantir que a determinação das direcções mantém uma grande precisão, algo essencial para todas as actividades de navegação, os cientistas desenvolveram modelos globais que permitem determinar a declinação magnética e fazer os cálculos de compensação. Um desses modelos é o World Magnetic Model (ou, Modelo Magnético Mundial), cuja última versão foi publicada em 2015, e que deveria manter-se actualizada até 2020. Isso, no entanto, não aconteceu.

A deslocação do pólo norte magnético tem vindo a acelerar nas últimas décadas: passou de uma velocidade de 15 quilómetros por ano, em meados do século XX, para 55 km anuais actualmente. “O erro está sempre a aumentar”, adiantou à Nature Arnaud Chulliat, especialista em geomagnetismo da Universidade de Colorado Boulder e da NOOA, a Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera, dos Estados Unidos.

Para acompanhar a velocidade da deslocação, o modelo teve por isso de ser actualizado antes do final da década. A publicação do modelo actualizado estava prevista para esta terça-feira, 15 de Janeiro, mas o shut down decretado pela administração Trump, e que parece não ter fim à vista, ditou o seu adiamento para o final do mês.

A deriva do pólo Norte magnético não é um fenómeno de agora. Ele foi observado no século século XIX pelos exploradores polares, mas a velocidade da deslocação era muito reduzida, tendo os cientistas percebido que houve uma aceleração na década de 1990, ao ponto de desactualizar agora os modelos em apenas três anos.

Diário de Notícias
Filomena Naves
15 Janeiro 2019 — 13:42

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