2455: Uma nova linha temporal do passado cataclísmico da Terra

Impressão de artista da Terra primitiva.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

Bem-vindos ao Sistema Solar primitivo. Logo após a formação dos planetas há mais de 4,5 mil milhões de anos, a nossa vizinhança cósmica era um lugar caótico. Ondas de cometas, asteróides e até proto-planetas seguiram em direcção ao Sistema Solar interior, alguns colidindo com a Terra pelo caminho. Estes impactos foram tão violentos que derreteram as rochas à superfície do planeta.

Agora, uma equipa liderada pelo geólogo Stephen Mojzsis da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, estabeleceu uma nova linha temporal deste período violento da história do nosso planeta.

Num estudo publicado esta semana, os investigadores debruçaram-se sobre um fenómeno chamado “migração dos planetas gigantes”. Este é o nome de um estágio na evolução do Sistema Solar no qual os maiores planetas, por razões que ainda não são claras, começaram a afastar-se do Sol.

Com base em registos de asteróides e outras fontes, o grupo estimou que este evento de alteração do Sistema Solar ocorreu há 4,48 mil milhões de anos – muito mais cedo do que alguns cientistas haviam proposto anteriormente.

As descobertas, disse Mojzsis, podem fornecer aos cientistas pistas valiosas sobre quando a vida pode ter tido origem na Terra.

“Nós sabemos que a migração dos planetas gigantes deverá ter ocorrido para explicar a actual estrutura orbital do Sistema Solar exterior,” disse Mojzsis, professor no Departamento de Ciências Geológicas. “Mas até estudo, ninguém fazia ideia de quando ocorreu.”

Bacia Imbrium

É um debate que, pelo menos em parte, tem as suas origens no programa espacial Apollo.

Quando os astronautas aterraram no lado visível da Lua no final da década de 1960 e início da década de 1970, recolheram muitas rochas. Mas estas amostras geológicas também eram intrigantes: muitas pareciam ter apenas 3,9 mil milhões de anos, centenas de milhões de anos mais jovens do que a própria Lua.

Para explicar as idades aparentemente anacrónicas das rochas, alguns investigadores sugeriram que a nossa Lua – e a Terra – foram atingidas mais ou menos nessa época por um surto de cometas e asteróides. Chamaram a este aumento nos impactos, apropriadamente, de “cataclismo lunar tardio.”

Mas havia um problema com a teoria, acrescentou Mojzsis. Quando os cientistas inspeccionaram os padrões de crateras na Lua, em Marte e em Mercúrio, não conseguiram encontrar nenhuma evidência de tal aumento.

“Acontece que a parte da Lua onde aterrámos é muito invulgar,” explicou Mojzsis. “É fortemente afectada por um grande impacto, a Bacia Imbrium, que tem cerca de 3,9 mil milhões de anos e que afecta quase todas as nossas amostras.”

Para contornar este viés, os investigadores decidiram afastar-se do Sistema Solar interior. Ao invés, compilaram as idades a partir de um banco de dados exaustivo de meteoritos que haviam caído na Terra.

“As superfícies dos planetas interiores foram extensivamente retrabalhadas por impactos e eventos nativos até há cerca de 4 mil milhões de anos,” disse Ram Brasser, co-autor do estudo e do Instituto Científico da Terra e da Vida em Tóquio. “O mesmo não é verdade para os asteróides. O seu registo é muito mais extenso.”

A equipa descobriu que, independentemente de quando investigassem, não conseguiam encontrar um único asteróide ou pedaço de rocha planetária que registasse um evento de bombardeamento cataclísmico com idade inferior a aproximadamente 4,5 mil milhões de anos.

“A idades de 3,9 mil milhões de anos que dominaram as amostras lunares não foram vistas nos meteoritos,” disse Brasser.

Para a equipa, isto forneceu-lhes apenas uma possibilidade: o Sistema Solar deve ter passado por um grande bombardeamento antes desta data limite. Impactos muito grandes, acrescentou Mojzsis, podem derreter rochas e redefinir de forma variável as suas idades radioactivas.

Planetas em movimento

E a razão de toda esta carnificina? Mojzsis e colegas pensam que é por causa de Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

Ele explicou que estes planetas gigantes provavelmente formaram-se muito mais perto do que onde estão hoje. No entanto, usando simulações de computador, o seu grupo demonstrou que estes corpos começaram a afastar-se em direcção aos locais actuais há cerca de 4,48 mil milhões de anos.

No processo, espalharam detritos pelo caminho, enviando alguns deles em direcção à Terra e à sua então jovem Lua.

A história do bombardeamento do Sistema Solar “começou com os cometas que vieram gritando até ao Sistema Solar interior. Ao fazê-lo, redefiniram a idade das crostas da Terra, da Lua e de Marte,” salientou Mojzsis. “A próxima onda foi a dos planetesimais que sobraram da formação dos planetas interiores. O último grupo a chegar foram os asteróides, que continuam a viajar até à nossa vizinhança ainda hoje.”

Os resultados, acrescentou, abrem uma nova janela para quando a vida pode ter aparecido na Terra. Com base nos resultados da equipa, o nosso planeta poderá ter estado calmo o suficiente para suportar organismos vivos há 4,4 mil milhões de anos. Os mais antigos fósseis conhecidos hoje têm apenas 3,5 mil milhões de anos.

“A única maneira de esterilizar completamente a Terra é derreter a crosta de uma só vez,” explicou Mojzsis. “Nós mostrámos que isso não aconteceu desde o início da migração dos planetas gigantes.”

Astronomia On-line
16 de Agosto de 2019

 

2249: Há uma reserva gigante de água doce oculta debaixo do Oceano Atlântico

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

O fundo do Oceano Atlântico esconde um tesouro muito valioso: água doce. Geólogos da Universidade de Colúmbia afirma que na costa nordeste dos EUA há quase três mil quilómetros cúbicos de água doce presa em sedimentos porosos sob a água salgada do mar.

A descoberta, embora surpreendente, era algo do qual já se suspeitava. Especialistas acreditam que este tipos de depósito de água doce são abundantes, mas muito pouco se sabe sobre os seus volumes e a sua distribuição no planeta.

Os cientistas acreditam que este aquífero é o maior já encontrado e avaliam-nos como “gigantesco”. Segundo os seus cálculos, a reserva vai da costa do estado de Massachusetts até Nova Jérsia e abrange cerca de 350 quilómetros da costa do Atlântico nessa região dos EUA. Se a reserva estivesse na superfície, formaria um lago de cerca de 40 mil quilómetros quadrados.

Para detectar a reserva de água, os investigadores usaram ondas electromagnéticas. Uma pista que eles já tinham é que, nos anos 70, algumas companhias petrolíferas que perfuravam a costa não extraíam petróleo, mas sim água doce. Os cientistas, no entanto, não sabiam se eram apenas depósitos isolados ou algo muito maior.

Agora, para conhecer a área em detalhe, lançaram sondas a partir de um barco para medir o campo electromagnético nas profundezas. A água salgada é melhor condutora de ondas electromagnéticas do que a água doce, por isso, pelo tipo de sinais de baixa condutância que receberam, puderam concluir que havia água doce oculta.

De acordo com o estudo publicado na revista Scientific Reports, os geólogos também concluíram que os depósitos são mais ou menos contínuos, estendendo-se da linha da costa até cerca de 130 quilómetros mar adentro. Na sua maioria, estão entre 180 metros e 360 ​​metros abaixo do fundo do oceano.

Os geólogos acreditam que a água doce se possa ter armazenado ali de duas maneiras. Por um lado, acredita-se que no final da Idade do Gelo, grandes quantidades de água doce acabaram presas em sedimentos rochosos, algo que os especialistas chamam de “água fóssil”.

Por outro lado, estudos recentes mostram que os reservatórios provavelmente também se alimentam de chuva e de corpos de água que se infiltram através dos sedimentos na terra e alcançam o mar.

Os investigadores dizem que, de maneira geral, a água do aquífero é mais doce perto da costa e mais salgada à medida que entra no mar. Isso pode significar que, com o passar do tempo, os dois tipos de água se vão misturando.

A água doce terrestre geralmente contém sal em quantidades inferiores a uma parte por mil. Esta é a mesma quantia que encontraram na reserva aquática perto da costa. Nos seus limites externos, o aquífero alcança 15 partes por mil. Em comparação, a água do mar normalmente tem 35 partes por mil.

Segundo explica o geofísico Kerry Key, co-autor do estudo, para usar água das partes mais distantes do aquífero seria preciso dessalinizá-la para a maioria da sua utilização, mas, em todo caso, o custo seria menor do que processar água do mar. O estudo de Key sugere que estas reservas poderiam ser encontradas em muitas outras partes do mundo e poderiam fornecer água potável a lugares áridos que precisam urgentemente dela.

“Provavelmente não temos de fazer isso nesta região”, disse Key em comunicado. “Mas se pudermos demonstrar que existem grandes aquíferos noutras regiões, poderia representar um recurso adicional em lugares como o sul da Califórnia, a Austrália ou a África.”

ZAP //

Por ZAP
29 Junho, 2019

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2150: Meteoritos-chave descobertos no Chile podem revelar a origem do Sistema Solar

CIÊNCIA

Universidade Católica do Chile

Um estudo geológico levado a cabo no deserto do Atacama por cientistas da Universidade Católica do Chile (UCN) encontrou vários condritos carbonáceos, meteoritos-chave para entender a origem do Sistema Solar, bem como as causas que levaram à vida no planeta Terra. 

De acordo com um comunicado da UCN, os objectos, encontrados entre as cidades de Antofagasta e Taltal, fazem parte dos primeiros minerais formados a partir da nebulosa que cercou o Sol há 4,56 mil milhões de anos.

“É o tipo mais primitivo de meteorito já encontrado, é uma das rochas que contém os primeiros materiais sólidos condensados, numa altura em que o Sistema Solar se estava a formar. Estes meteoritos carregam a mais antiga evidência dos primeiros estágios de formação dos planetas”, explicou a cientista que liderou o estudo, Millarca Valenzuela.

“Se conseguirmos medir a composição [destes condritos carbonáceos], poderemos ter informações sobre a composição da nebulosa solar onde o cristal se estava a formar”.

Além das pistas sobre a origem do Sistema Solar, a matriz destes meteoritos sugere a sua possível participação na origem de vida na Terra. Os objectos têm até 5% de carbono, possuindo também “minerais, água e aminoácidos de base pequena e material orgânico abiótico […] que poderiam ser a semente a partir da qual o material orgânico pode ter evoluído para algo mais complexo”, sustentou a especialista.

Valenzuela é geóloga e uma das cientistas responsáveis pela descoberta no Chile. Em 2017, o asteróide 11819, localizado entre Júpiter e Marte, foi baptizado em sua honra.

Uma outra investigação, conduzida por cientistas de França e de Itália detectou matéria orgânica com 3.330 mil milhões de anos preservada em sedimentos vulcânicos nas Montanhas Barberton. É provável que a matéria pertença a um condrito carbonáceo extraterrestre. Os resultados desta investigação foram publicados no fim de maio na revista científica especializada Geochimica et Cosmochimica Acta.

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10 Junho, 2019



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2019: Vulcão das Bermudas formou-se de uma forma nunca antes vista na Terra

jurvetson / Flickr

Um vulcão nas Bermudas formou-se de uma forma nunca antes vista na Terra. O vulcão parece ter surgido a partir de um material que se ergue de uma região nas profundezas – a zona de transição.

A zona de transição é a região entre o manto superior e inferior. Estende-se entre 402 a 400 a 643 quilómetros abaixo da superfície do planeta e é rico em água, cristais e rocha derretida.

Os vulcões, normalmente, formam-se quando as placas tectónicas são empurradas ou separadas, produzindo uma fenda na superfície da Terra por onde o magma pode escapar. Também se podem formar em hotspots, onde plumas do manto se levantam – o Hawai é um exemplo disso.

Agora, investigadores descobriram que vulcões também se podem formar quando o material sobe da zona de transição. A equipa acredita que houve um distúrbio na zona de transição que forçou o material nesta camada a derreter e a mover-se em direcção à superfície. As descobertas foram publicadas na revista Nature.

Os geólogos estavam a analisar um vulcão agora adormecido sob o Oceano Atlântico, responsável pela formação das Bermudas. Olhando para a composição química de uma amostra central de 792 metros, poderiam construir uma imagem da história vulcânica das Bermudas.

“Antes do nosso trabalho, as Bermudas foram interpretadas como o resultado de uma profunda anomalia térmica no manto da Terra, mas não havia dados directos para apoiar essa ideia. Isto é devido ao facto de que o edifício vulcânico é completamente coberto por calcário”, disse Cornell Esteban Gazel, um dos autores do estudo, à Newsweek.

Em comunicado, Gazel disse que estavam à espera para mostrar que o vulcão era uma formação como a do Hawai. Porém, as medições feitas a partir da amostra central eram diferentes de tudo visto antes, sugerindo que a lava veio de uma fonte não identificada.

As amostras continham marcas da zona de transição. Em comparação com amostras retiradas de zonas de subducção, havia mais água aprisionada nos cristais. Sabe-se que a zona de transição contém vastas quantidades de água – um estudo calcula que há três vezes mais água nessa região da Terra do que em todos os oceanos do mundo.

“Suspeitei pela primeira vez que o passado vulcânico das Bermudas era especial enquanto experimentava o núcleo e notei as diversas texturas e mineralogia preservadas nos diferentes fluxos de lava”, disse a principal autora, Sarah Mazza, da Universidade de Münster, na Alemanha. “Rapidamente confirmamos enriquecimentos extremos em composições de elementos-traço. Foi emocionante ver os nossos primeiros resultados. Os mistérios das Bermudas começaram a desvendar-se”.

Modelos numéricos desenvolvidos pela equipa indicam um distúrbio na zona de transição que força o material a subir. Acredita-se que tenha ocorrido há cerca de 30 milhões de anos e forneceu a base em que as Bermudas se encontram hoje. “Encontramos uma nova maneira de fazer vulcões“, rematou Gazel.

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21 Maio, 2019



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1991: O legado “fantasma” de Hiroshima foi finalmente encontrado

CIÊNCIA

Wikimedia

Depois da detonação da bomba de Hiroshima, 90% dos edifícios da cidade japonesa desapareceram numa questão de segundos. A questão é: para onde foi todo o alumínio, mármore, borracha e aço inoxidável que formavam as construções?

Um estudo recente parece ter encontrado partes destes rectos num lugar surpreendente: na areia da praia, em forma de partículas esféricas vítreas milimétricas raras.

Mario Wannie, geólogo e um dos principais autores do estudo publicado na revista Anthropocene, foi quem descobriu estes materiais em 2015. Wannier viajou por todo o mundo para examinar a areia de diferentes lugares, catalogando cuidadosamente a sua composição, separando cada grão e analisando-o em detalhe.

No entanto, na areia da praia da península de Motoujima, a cerca de dez quilómetros da catástrofe, encontrou partículas vítreas muito estranhas. “Vi centenas de amostras de praias no sudeste da Ásia e posso distinguir imediatamente grãos minerais de partículas criadas por animais ou plantas”, disse, citado pela ABC. “Mas havia outra coisa. Partículas aerodinâmicas, vítreas e arredondadas que me lembraram as esferas que vi nas amostras pertencentes ao Cretáceo-Terciário”.

O investigador referia-se às partículas encontradas na área da Península de Yucatán, onde há 66 milhões de anos caiu o meteorito que terá causado a extinção dos dinossauros. De acordo com vários estudos, o impacto fez com que a superfície sólida ficasse “liquidificada”. Desta forma, chegou à atmosfera, onde se formaram gotas de material vítreo, que finalmente caíram no chão.

Mario Wannier / Anthropocene

Contudo, as partículas de Hiroshima não eram totalmente iguais: as esferas de entre 5,5 e 1 milímetros de largura pareciam estar fundidas umas com as outras, algumas tinham uma espécie de “cauda”, o material era parecido com borracha e, além disso, pareciam ter um ou várias camadas de vidro ou sílica.

Assim, as partículas foram levadas para analisar no laboratório da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e Wannier voltou ao Japão para recolher mais amostras de areia. Descobriu que cada quilo continha entre 12 e 23 gramas de partículas raras, o que representa uma percentagem entre 0,6 e 2,5% de toda a areia recolhida – cerca de 36 mil toneladas.

Foi aqui que o geólogo começou a pensar que poderia estar relacionado com a explosão da bomba atómica que devastou Hiroshima na manhã de 6 de Agosto de 1945. Naquele dia, 70 mil pessoas morreram – embora a contagem tenha subido para 145 mil nas semanas seguintes – e 90% dos edifícios foram demolidos ou seriamente danificados.

“De longe, é o pior evento causado pelo homem. Depois da surpresa de encontrar as partículas, a minha grande pergunta foi: existe uma cidade e, no momento, não há nada. Onde está a cidade? Onde está todo o material? É um tesouro ter descoberto isto”, referiu Wannier.

O laboratório de Berckeley observou uma ampla variedade na composição química das amostras, incluindo concentrações de alumínio, silício e cálcio; partículas microscópicas de estruturas cristalinas. Outros eram compostos principalmente carbono e oxigénio.

“Alguns deles parecem-se com o que temos de impactos de meteoritos, mas a composição é bem diferente”, explica Rudy Wenk, professor de mineralogia da Universidade da Califórnia. “Havia formas bastante incomuns: ferro e aço puro. Alguns tinham a composição de materiais de construção “, disse.

Foi determinado que as partículas se formaram sob condições extremas, com temperaturas superiores a 1.800ºC, como demonstrado pela montagem de cristais de anortita e mulita que os investigadores identificaram. Observaram que a micro-estrutura única das partículas estudadas e o grande volume de resíduos de fusão presentes também fornecem fortes evidências de como foram formados. “A hipótese da explosão atómica é a única explicação lógica para a sua origem”.

Public Domain
Hiroshima antes e depois da explosão da bomba atómica

De acordo com a investigação, as partículas ter-se-ão formado acima e em redor da bola de fogo ascendente da explosão. Os materiais borbulharam líquido a alta temperatura e misturado neste ambiente turbulento imediatamente antes de arrefecer e condensar e, em seguida, precipitou-se em forma de chuva.

A teoria é reforçada pelo facto de a composição de partículas de detritos corresponder estreitamente com os materiais que eram comuns em Hiroshima, no momento do bombardeamento, tal como o mármore, aço inoxidável e borracha.

Agora, Wannier vai analisar as amostras de solo e procurar mais restos de detritos nas águas subterrâneas profundas. Este estudo pode ser uma oportunidade para entender o que acontece aos materiais sob condições extremas e ver se combinam com outras amostras recolhidas na área de Nagasaki, onde a segunda bomba caiu.

ZAP //

Por ZAP
16 Maio, 2019


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1906: Impressão de pele de dinossauro encontrada perfeitamente preservada. É única no mundo

CIÊNCIA

philjrenaud / Flickr

Várias pegadas de dinossauro com uma precisão sem precedentes foram identificadas por uma equipa de cientistas numa camada de uma rocha extraída na cidade de Jinju, na Coreia do Sul. 

No total são cinco impressões, quatro das quais foram atribuídas com certeza a um mesmo animal bípede que atravessou a lama húmida daquela região há milhões de anos. A equipa de geólogos internacionais considerou que o autor das pegadas foi um dinossauro nomeado como Minisauripus, que terá sido o menor terópode até então conhecido.

Em comunicado, Martin Lockley, professor da Universidade do Colorado em Denver, nos Estados Unidos, explicou que estas são as primeiras amostras já encontradas “onde as impressões perfeitas da pele cobrem toda a superfície de cada pegada”. As impressões representam a “maior resolução de detalhes já registada para qualquer impressão de pele de dinossauro”, observaram os cientistas.

“As pegadas formaram-se numa camada muito subtil de lama fina“, sustentou o especialista norte-americano, comparando estas impressões a  “uma camada de tinta fresca de apenas um milímetro de espessura. Quando o pequeno dinossauro – com o tamanho de um melro – pisou aquela superfície firme e pegajosa, sem escorregar, a textura da pele da planta do seu pé ficou registada em detalhe, completou.

As impressões foram descobertas durante uma escavação de grande escala liderada pelo cientista coreano Kyung Soo Kim, responsável pela prospecção paleontológica da local. Mias tarde, juntou-se à equipa de investigação. Soo Kim viu a primeira marca numa pedra partida e parou de imediato os trabalhos até recuperar todas as impressões.

Gizmodo @Gizmodo

Intricate skin impressions still visible on ‘exquisitely preserved’ dinosaur footprints http://gizmo.do/hXVrfF1 

1753: No ano passado, toda a Terra tremeu e ninguém reparou. A culpa foi de uma erupção submarina gigante

David Stanley / Flickr

11 de Novembro de 2018. Um estrondo ricocheteou em redor do mundo. Os humanos não sentiram, mas ficou registado nos sismógrafos. Um artigo sugere que terá sido causado pelo maior evento vulcânico no mar alguma vez registado.

Se a hipótese estiver correta e houver um movimento maciço de magma debaixo do fundo do mar, isso terá implicações para as proximidades de Mayotte e as vizinhas ilhas de Comores, na costa de África.

Mayotte já começou a afundar (cerca de 9 milímetros por mês) e a deslocar-se para leste (16 milímetros por mês) – movimentos que seriam contados com uma câmara subterrânea a ser esvaziada à medida que o magma flui.

“Acreditamos que a crise de 2018 está associada a uma erupção, apesar do facto de que não temos observações directas até agora”, escrevem os investigadores por trás do novo estudo, publicado no EarthArXiv. “Pode ser a erupção no mar com o maior volume alguma vez documentado.”

Com base nas leituras sísmicas feitas na área nos seis meses que antecederam o tremor de Novembro que se espalhou pelo mundo, a equipa sugere que mais de um quilómetro cúbico de magma foi deslocado de um ponto de erupção de cerca de 28 quilómetros abaixo da superfície.

Acredita-se que todo este magma pode não ter atingido o fundo do mar, mas sim fluído para os sedimentos circundantes, com o gás vulcânico a permanecer preso dentro do magma. Isto explicaria porque nada foi observado ainda acima da superfície.

“O evento de 2018 em Mayotte parece mostrar um volume substancial de magma a deixar uma região de armazenamento profunda que, se irrompida, tornaria esta uma das maiores erupções submarinas documentadas” disse o geólogo Samuel Mitchell, da Universidade do Hawai ao Gizmodo.

Enquanto os tremores continuam, os cientistas estão a tentar obter mais instrumentos e equipamentos para a área para ter uma ideia melhor do que realmente está a acontecer. Por enquanto, a ideia de um grande evento vulcânico encaixa bem nos dados existentes.

Ainda há muitas questões não respondidas: porque é que o evento está a acontecer no extremo leste da cadeia de ilhas Comores quando é que as novas ilhas vulcânicas da região estão a oeste? E se o magma permanece preso no subsolo, porque é que cardumes de peixes mortos aparecem na água?

Além disso, o que causou os pulsos de alta frequência que ocorreram ao lado do tremor de baixa frequência em Novembro? Ondas de magma a colidir umas com as outras enquanto uma câmara entra em colapso poderia ser uma explicação, mas até que mais dados da área se tornem disponíveis, é apenas especulação.

Especialistas estão igualmente incertos sobre o que está a causar a actividade vulcânica em primeiro lugar. O sismólogo Stephen Hicks, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, disse ao Gizmodo que os movimentos das placas tectónicas, uma região de manto super-aquecido, ou o evento em curso do Leste Africano podem ser responsáveis.

O novo trabalho ainda não foi revisto por pares e os autores por trás dele dizem que outros cenários ainda são possíveis – mas a actividade vulcânica parece encaixar-se no que se sabe até agora.

Ainda é necessária muito mais investigação dos eventos, embora os cientistas pensem que têm uma hipótese promissora. Se mais terremotos estiverem a caminho, as pessoas que vivem em Mayotte – já preocupadas – precisam de estar preparadas.

“Melhorar o conhecimento da distribuição, alinhamento e idades das características vulcânicas offshore, especialmente em torno das ilhas principais, pode levar a uma melhor compreensão do comportamento, evolução e risco relacionado desta área peculiar”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
23 Março, 2019

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1647: Catástrofe vulcânica ameaça a vida de 200 mil pessoas na Califórnia

(CC0/PD) 12019 / pixabay

Especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) acreditam que a Califórnia pode estar sob perigo. O estado norte-americano tem sete vulcões activos.

Os habitantes da região da Califórnia podem ter mais que se preocupar do que um terramoto. O verdadeiro perigo, na realidade, poderá ser uma forte erupção de um dos vulcões circundantes. Isto tendo em conta que, no último milénio, ocorreram pelo menos dez erupções.

No estudo, publicado a 25 de Fevereiro pela USGS, os geólogos envolvidos admitem que “futuras erupções vulcânicas são inevitáveis”. As consequências dos sete vulcões activos incluem ainda “terramotos vulcânicos e emissão de gases tóxicos”.

Os investigadores da USGS criaram um mapa com as zonas mais vulneráveis, nas quais vive ou trabalha um total de 200 mil pessoas. Os vulcões Shasta, Medicine Lake e o centro vulcânico Lassen são considerados os de maior risco.

Só na zona territorial perto do vulcão Shasta vivem mais de 100 mil pessoas, que poderão ter as suas casas em risco, caso se verifique uma forte erupção vulcânica. De acordo com a LiveScience, os geólogos calculam que há uma probabilidade de 16% de, nos próximos 30 anos, uma grande erupção abalar estes territórios.

À parte do perigo da actividade vulcânica na zona da Califórnia, os investigadores determinaram, agora, que há uma probabilidade de 22% de um terramoto na famosa falha de San Andreas. De relembrar, que um estudo realizado pela USGS em 2008, previa uma probabilidade de 99% de haver um terramoto na Califórnia nos próximos 30 anos.

Mas enquanto os habitantes do estado da Califórnia vivem assombrados com a possibilidade de um terramoto ou de uma erupção vulcânica, os turistas continuam a ver a Cali como um paraíso de eleição para férias.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
28 Fevereiro, 2019

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1626: Afinal, um asteróide pode não ter sido o “assassino” dos dinossauros

Ntvtiko / Deviant Art

Há 66 milhões de anos, algo mudou o mundo. Cerca de 75% das espécies de plantas e animais morreram, erradicando os dinossauros. Isto marcou o fim do Cretáceo e foi o início de uma nova Era – o Cenozóico – a era dos mamíferos.

Mas não se sabe exactamente o que causou esta extinção em massa da Terra. Registos fósseis e geológicos mostram tempos turbulentos que abrangem um milhão de anos – um impacto gigante de asteróides e intensa actividade vulcânica que se espalhou pelo mundo. Mas o relacionamento entre os fenómenos e o evento de extinção ainda não é claro.

A maioria dos paleontologistas e geólogos acredita que a última extinção em massa de animais na Terra, que ocorreu há 65,5 milhões de anos, foi causada pela queda de um asteróide que formou a gigante cratera de Chicxulub, com cerca de 300 quilómetros, no fundo do mar ao largo da costa do sul do México. A queda do asteróide é inegável, mas o seu papel na extinção dos dinossauros continua a ser objeto de debate.

Em 1989, o paleontólogo Mark Richards sugeriu que a razão para o seu desaparecimento foi o derrame maciço de magma no local do actual planalto indiano de Decã, que ocorreu mais ou menos na mesma época.

Recentemente, os cientistas encontraram indícios de que as ondas sísmicas que surgiram após a colisão entre o asteróide e a Terra “acordaram” os vulcões. As suas emissões, segundo alguns geólogos, ampliaram as consequências do impacto do asteróide e mataram grande parte da fauna marinha.

Duas equipas de geólogos e geoquímicos tentaram resolver este problema calculando a idade dos depósitos vulcânicos em diferentes pontos do planalto, utilizando dois métodos de datação diferentes que detectam a presença de urânio e outros isótopos instáveis de vários elementos nas rochas. Este método torna possível determinar o tempo de erupções vulcânicas com precisão.

Os cientistas analisaram os minerais expelidos pelos vulcões através de medições e obtiveram resultados que indicaram que as erupções vulcânicas no planalto Deccan começaram aproximadamente ao mesmo tempo da queda do asteróide, de acordo com o estudo publicado na revista Science.

Por outro lado, o seu papel na extinção tornou-se agora ainda mais obscuro devido ao período de tempo em que as suas erupções atingiram o pico, bem como às diferenças nas medições dos cientistas.

Descobriu-se que a maioria dos fluxos de magma ocorreu após a queda do asteróide, representando cerca de 70% do volume total de todas as rochas. Esta descoberta põe em dúvida a teoria de Richards e sugere que os vulcões não foram os principais “assassinos” dos dinossauros, mas estiveram activamente envolvidos na destruição da flora e fauna do período Mesozoico.

As análises de datação também sugerem que os vulcões no planalto de Decã irromperam de forma episódica. Os cientistas contaram quatro grandes “surtos” de vulcanismo, um dos quais ocorreu cerca de algumas dezenas de milhares de anos antes da queda do asteróide.

Naquela época, o nível geral de actividade vulcânica duplicou, o que deveria ter tido um impacto extremamente negativo no clima do planeta, elevando a possibilidade de extinção em massa dos habitantes da Terra. Dessa forma, os vulcões teriam sido tão responsáveis pelo cataclismo como o asteróide.

Futuras escavações na Índia mostrarão qual das teorias está mais próxima da verdade e revelarão quem foi o verdadeiro assassino dos dinossauros, répteis marinhos e outros seres vivos da era mesozoica.

ZAP // Science Alert / Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

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1595: Geólogos descobriram de onde vem a parte mais remota do oceano

GRID Arendal / Flickr

Um navio coreano chegou a uma das partes mais remotas do oceano em 2011 e 2013, uma área próxima à Antárctica e ao sul da Nova Zelândia. Lá, retirou material do fundo do mar que revelou uma região anteriormente desconhecida das profundezas da Terra.

Os cientistas analisaram uma mistura de variantes químicas chamadas isótopos em amostras do fundo do mar de diferentes partes do planeta para descobrir o “domínio do manto” que as produziu.

A maior parte das coisas sólidas na superfície da Terra ou perto dela era, em algum momento, parte do interior quente do planeta. Mas diferentes partes do interior contêm diferentes proporções de vários isótopos e, assim, produzem diferentes composições reveladoras.

Os cientistas que estudam o material desta parte distante do oceano, denominado Cume Antárctico-Australiano, determinaram que tinha uma marca química única. Esta nova marca significa que as amostras devem ter surgido de um domínio que era desconhecido anteriormente.

A região de 1.900 quilómetros de largura foi “a última lacuna” no modelo geológico do fundo do mar, escreveram os investigadores no artigo publicado na Nature Geoscience.

Os cientistas previram que esta região teria uma marca isotópica semelhante ao Pacífico, escreveram, sugerindo que as duas regiões do fundo do mar teriam emergido da mesma parte do manto da Terra – a região quente e rochosa, posteriormente colada entre a crosta e o núcleo.

Em vez disso, parece ter explodido separadamente da sua própria parte do manto, provavelmente como parte de uma grande ruptura geológica que ocorreu há cerca de 90 milhões de anos.

Este foi o fim do período em que as massas de terra da Terra foram unidas no super-continente Gondwana, com a Antárctida actual no seu centro. Quando Gondwana finalmente se separou, um “manto profundo que se eleva”, que apelidaram de Zealandia-Antarctic Swell, parece ter-se espalhado entre os pedaços continentais separadores, formando o fundo do mar relativamente raso desta região.

ZAP // Live Science

Por ZAP
15 Fevereiro, 2019

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1481: Pólo norte magnético está a deslocar-se muito depressa para a Sibéria

Deriva do norte magnético está a acelerar desde a década de 1990 e caminha agora à velocidade de 55 Km por ano. Modelo magnético global, que é utilizado na navegação, e que foi publicado em 2015, já teve de ser actualizado

© Arquivo Global Imagens

O pólo norte magnético, aquele ponto no topo norte do globo terrestre para o qual apontam sempre as bússolas, está em deriva rápida, do Árctico canadiano para a Sibéria, mas os cientistas não conseguem explicar porquê.

Os geólogos sabem que a alteração está relacionada com os movimentos que ocorrem no núcleo de ferro líquido que existe no interior do planeta, no entanto, o que está a acontecer exactamente para que as coisas se passem desta forma é uma incógnita.

Se a questão fosse apenas esta, já seria suficientemente interessante, mas este não é um problema exclusivamente científico. Na prática, esta deriva e a sua determinação exacta têm implicações para toda a navegação, da aviação aos transportes marítimos, ou à simples busca de uma localização com um smartphone, uma vez que para achar uma determinada direcção é preciso fazer a compensação da declinação magnética – aquele movimento simples de ajustar o Norte com a agulha da bússola.

Para garantir que a determinação das direcções mantém uma grande precisão, algo essencial para todas as actividades de navegação, os cientistas desenvolveram modelos globais que permitem determinar a declinação magnética e fazer os cálculos de compensação. Um desses modelos é o World Magnetic Model (ou, Modelo Magnético Mundial), cuja última versão foi publicada em 2015, e que deveria manter-se actualizada até 2020. Isso, no entanto, não aconteceu.

A deslocação do pólo norte magnético tem vindo a acelerar nas últimas décadas: passou de uma velocidade de 15 quilómetros por ano, em meados do século XX, para 55 km anuais actualmente. “O erro está sempre a aumentar”, adiantou à Nature Arnaud Chulliat, especialista em geomagnetismo da Universidade de Colorado Boulder e da NOOA, a Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera, dos Estados Unidos.

Para acompanhar a velocidade da deslocação, o modelo teve por isso de ser actualizado antes do final da década. A publicação do modelo actualizado estava prevista para esta terça-feira, 15 de Janeiro, mas o shut down decretado pela administração Trump, e que parece não ter fim à vista, ditou o seu adiamento para o final do mês.

A deriva do pólo Norte magnético não é um fenómeno de agora. Ele foi observado no século século XIX pelos exploradores polares, mas a velocidade da deslocação era muito reduzida, tendo os cientistas percebido que houve uma aceleração na década de 1990, ao ponto de desactualizar agora os modelos em apenas três anos.

Diário de Notícias
Filomena Naves
15 Janeiro 2019 — 13:42

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1450: Parte da crosta terrestre está desaparecida (e a resposta pode estar no fundo da terra)

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

Parte da crosta terrestre foi sendo perdida durante as eras geológicas. De acordo com especialistas, a parte da crosta que deveria datar de 250 milhões a 1,2 mil milhões de anos está desaparecida.

Os geólogos usam o Grand Canyon, um desfiladeiro íngreme esculpido pelo rio Colorado, no estado do Arizona, nos EUA, cujas camadas guardam a história de todas as eras geológicas da Terra.

Este período “perdido” é o que os investigadores chamam de Grande Inconformidade e deve ter ocorrido antes do período Cambriano, quando houve uma explosão da vida na Terra. Entender este lapso no tempo do planeta pode ajudar também a compreender o que aconteceu antes da vida existir em massa.

Tudo indica que agora um grupo de cientistas conseguiu entender este fenómeno. Uma equipa do Centro de Geocronologia de Berkeley acredita que a responsável seja a “Snowball Earth” – ou Terra Bola-de-neve. Os investigadores acreditam que, durante este período, a Terra ficou congelada e rodeada de uma crosta glacial, com capacidades corrosivas muito maiores que as actuais.

Os sedimentos, à medida em que a Terra foi derretendo, foram depositados num grande mar de lama e desceu para as camadas mais profundas das placas tectónicas, motivo pelo qual não estão entre as outras camadas. Isto é, alguns locais “enterraram” este período considerado a quinta era geológica da Terra.

“Eu acredito que temos extraordinárias evidências para acreditar nesta suposição também extraordinária”, acredita o líder do estudo, C. Brenhin Keller.

Os especialistas já comprovaram que o solo terrestre passa por uma maior corrosão em camadas de gelo. O peso da água congelada cria uma pressão maior nas bases molhadas criando o movimento de sedimentos.

Outra evidência está relacionada com o zircónio. Estes metais são usados para calcular a idade da Terra e outras características das rochas, já que se cristalizam e guardam consigo parte dos resíduos que havia há milhões de anos.

Assim, os geólogos perceberam que a sua teoria se encaixa perfeitamente na “reciclagem” de magma que houve no período. Também neste conjunto de zircónio é evidente que os sedimentos estiveram em baixas temperaturas.

Acredita-se que os resíduos da Grande Inconformidade estão enterrados entre 1,9 quilómetro e quase 5 quilómetros abaixo da Terra.

ZAP // National Geographic

Por ZAP
5 Janeiro, 2019

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1408: Há um imenso mundo de vida oculto nas profundezas da Terra (e tem bactérias “zombies”)

CIÊNCIA

Extreme Life Isyensya, Belgium
Este nemátodo vive a 1,4 quilómetros abaixo da superfície

Uma equipa internacional de cientistas identificou uma imensa “vida profunda” sob o fundo do mar, que inclui micróbios que podem permanecer nas profundezas durante milhares ou até mesmo milhões de anos, revelou uma nova investigação. 

Durante anos, biólogos e geólogos acreditaram que a vida na Terra estava confinada à superfície dos continentes, bem como aos mares, oceanos e leitos marítimos. Contudo, nos últimos anos tornou-se claro que os limites da biosfera são muito mais amplos.

“Há dez anos, pensávamos que a vida existia apenas em pequenos ‘cantos’ seleccionados da Terra. Agora sabemos que [a vida] é encontrada em praticamente todos os lugares. Podemos dizer que acabamos de começar a estudar esta ‘matéria escura’ da biosfera, a sua parte mais profunda”, disse Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, durante um encontro da União Geofísica Americana que decorreu em Washington.

Para esta descoberta, a equipa de cientistas, que trabalhou no âmbito do projecto de pesquisa internacional Deep Carbon Observatory (DCO), perfurou o fundo do mar a profundidades de 2,5 quilómetros, encontrando abundantes formas de vida até agora desconhecidas. Estas novas formas de vida persistem sob as mais severas condições, como temperaturas e pressões extremas.

Outro aspecto curioso nestes micro-organismos, frisaram os especialistas, é que estes permanecem “pouco vivos”, ou seja, estas formas de vida existem num estado de movimento muito lento, semelhante a um zombie.

Os especialistas concluíram que há mais biosfera profunda do que se pensava até então. A investigação descobriu que cerca de 70% das bactérias e arqueas do nosso planeta vivem no subsolo, sendo este ecossistema subterrâneo equivalente a 15.000 a 23.000 milhões de toneladas de carbono.

“A biosfera profunda da Terra é enorme”, considerou Rick Colwell, especialista da universidade norte-americana de Oregon, descrevendo as recentes descobertas como um “ecossistema muito empolgante e extremo”.

O investigador sublinhou a diversidade genética encontrada nas profundezas do mar, dando conta que a descoberta poderá ser importante para mapear outros lugares – dentro ou fora da Terra – que possam alojar vida.

“Existe uma diversidade genética de vida abaixo da superfície que é, pelo menos, igual e até talvez exceda a da superfície e nós não sabemos muito sobre isso”, afirmou Colwell, acrescentando que estudar a vida subterrânea “ajudará a perceber o que deve ser procurado noutros planetas ou noutros sistemas onde a vida pode existir”, rematou.

Para lá da Biologia

Em declarações ao diário britânico The Guardian, Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, disse, por sua vez, que a descoberta agora divulgada “é como encontrar um novo reservatório de vida na Terra“. “Uma parte imensa da vida está dentro da Terra e não em cima dela”, rematou o especialista.

Apesar da enorme descoberta, ficam ainda muitas perguntas por responder. Como é que a vida se coloniza a partir das profundezas? Como é que os micróbios interagem com os processos químicos? E, finalmente: o que é que tudo isto nos conta sobre o processo de co-evolução da vida e da própria Terra?

Segundo os cientistas, as descobertas vão para além da Biologia, entrando em campos da Filosofia e da Astrobiologia – área que estuda a vida extraterrestre -, nota ainda o diário.

“Devemos perguntar-nos: Se a vida na Terra pode ser assim tão diferente daquilo que a experiência nos levou a esperar, então que tipo de estranheza podemos esperar enquanto investigamos formas de vida noutros mundos?”, indagou Robert Hazen, mineralogista da Instituição de Carnegie, nos Estados Unidos para a Ciência.

SA, ZAP // SputnikNews; RT

Por SA
12 Dezembro, 2018

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1272: As mais antigas pegadas de réptil já encontradas estão no Grand Canyon

CIÊNCIA

Stephen Rowland

Milhares de pessoas passam todos os dias no Parque Nacional do Grand Canyon, nos EUA. Até agora, passaram despercebidas 28 pegadas deixadas por uma criatura pequena, semelhante a um réptil, com 310 milhões de anos.

“É o trilho de pegadas mais antigo já descoberto, num intervalo de rochas que ninguém achava que teria caminhos, e estão entre as primeiras pegadas de répteis do planeta“, disse Steve Rowland, professor de geologia da Universidade do Nevada que estuda caminhos fósseis na região.

Rowland, que apresentou as descobertas no recente encontro anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, referiu que as pegadas foram criadas na altura em que o super-continente Pageia ainda se estava a formar.

O investigador foi alertado pela primeira vez para o fóssil na primavera de 2016 por um colega que estava a percorrer o trilho com um grupo de estudantes.

“A minha primeira impressão foi que parecia muito estranho por causa do movimento lateral”, disse Rowland. “Parecia que dois animais estavam a andar lado a lado. Não fazia nenhum sentido”.

Quando chegou em casa, fez desenhos detalhados e começou a formular hipóteses sobre a “peculiar linha” deixada pela criatura. “O animal poderia estar a andar contra um vento muito forte que soprava de lado”, disse ele.

Stephen Rowland
Ilustração do movimento do réptil feito por Stephen Rowland

Outra possibilidade era o declive ser muito íngreme e o animal ter-se esquivado enquanto subia a duna de areia. Mais uma alternativa: o animal poderia estar a lutar com outra criatura ou envolvido num ritual de acasalamento.

Rowland planeia publicar as descobertas com o geólogo Mario Caputo, da Universidade de San Diego, em Janeiro. O investigador também espera que a pedra seja colocada no museu de geologia do Parque Nacional do Grand Canyon para fins científicos e interpretativos.

Enquanto isso, Rowland considera a possibilidade de as pegadas pertencerem a uma espécie de réptil que ainda não foi descoberta.

Os primeiros dinossauros, de acordo com paleontólogos, surgiram no fim do período Triássico, ou seja, há 240 milhões de anos. O concorrente principal dos dinossauros eram os crocodilos. Dinossauros e crocodilos são parentes próximos, cujos antepassados se dividiram em meados do período Triássico.

A criatura, cujas pegadas foram encontradas, terá sido um dos primeiros representantes da sua espécie, deixando pegadas que resistiram 310 milhões de anos, ou seja, 2 milhões de anos após o possível aparecimento dos répteis.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
12 Novembro, 2018

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1179: Cientistas confirmam pela primeira vez que o núcleo da Terra é sólido

CIÊNCIA

Mitch Battros / Earth Changes Media

Pela primeira vez, um grupo de geólogos conseguiu confirmar que o núcleo interno da Terra é efectivamente sólido, revelando que este é também mais macio do que se pensava. A descoberta pode ser especialmente importante para compreender a formação do nosso planeta.

A investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas da Universidade Nacional Australiana (ANU), foi publicada nesta sexta-feira na revista Science Magazine.

Os cientistas recorreram a um novo método que serve para detectar “sussurros” suaves das ondas sísmicas, as chamadas ondas de corte ou ondas “J”. De acordo com os geólogos, estas ondas – que apenas se propagam através de objectos sólidos – foram detectadas no núcleo interno da Terra provando, desta forma, que o seu interior é sólido.

“Descobrimos que o núcleo interno é realmente sólido, mas também acreditamos que é mais macio do que se pensava até então”, disse o professor Hrvoje Tkalcic em comunicado a que a agência Europa Press teve acesso.

Segundo os cientistas, e a confirmarem-se os seus cálculos, o núcleo interno tem algumas propriedades semelhantes às do ouro e da platina. A equipa sublinhou ainda a importância da descoberta: “O núcleo interno é como uma cápsula do tempo. Se o entendermos, entendemos como é que o planeta foi formado e evoluiu”, explicaram.

As chamadas ondas de corte do núcleo são tão pequenas e fracas que não é possível observá-las directamente. Por isso, detectá-las seria considerado o “Santo Graal” da sismologia global desde de que os cientistas previram, há 80 anos e pela primeira vez, que o núcleo interno da Terra é sólido.

Método semelhante já foi usado na Antárctida

Para fazer esta confirmação, os cientistas foram obrigados a desenvolver um método científico mais criativo. Por isso, recorreram ao chamado método de correlação do campo de onda, que analisa as semelhanças entre sinais de dois receptores depois de um grande terramoto, em vez de analisar a chegada da onda de forma directa.

Segundo a publicação, uma técnica semelhante tem sido utilizada pelos mesmos cientistas para medir a profundidade da camada da gelo da Antárctida.

“Estamos a descartas as primeiras três horas do sismograma. O que estamos a analisar são os sinais recolhidos entre três a 10 horas após um grande terremoto, queremos livrar-nos dos ‘grandes’ sinais”, sustentou Tkalcic.

E continuou: “Através de uma rede de estações, recolhemos cada par de receptores e os dados de cada grande terremoto e medimos a similaridade entre os sismogramas. A isto chama-se correlação cruzada, ou medida de similaridade. A partir dessas semelhanças, construímos um correlação global, uma espécie de impressão digital da Terra”.

O estudo mostra que estes mesmos resultados cruzados podem ser utilizados para demonstrar a existência da ondas J no núcleo interno da Terra, permitindo ainda inferir a sua velocidade.

No entanto, e como explica a equipa, fica ainda muita coisa por desvendar: “Ainda não sabemos a temperatura exacta do núcleo interno, qual é a sua idade, ou quão rápido o núcleo se solidifica. No entanto, com estes avanços na área da sismologia global, estamos lentamente a chegar lá”, rematou o investigador.

É de salientar ainda a importância do núcleo interno, que actua directamente no campo magnético da Terra e, por isso, sem este não haveria vida na superfície do planeta.

Por ZAP
22 Outubro, 2018

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941: O Mar Mediterrâneo pode desaparecer

Eric Gaba / Wikimedia
A deriva continental pode causar o desaparecimento do Mar Mediterrâneo

O Mar Mediterrâneo, que tem uma área de 2,5 milhões de quilómetros quadrados e está localizado entre a África e a Europa, pode vir a desaparecer da superfície da Terra dentro de 50 milhões de anos.

De acordo com um artigo publicado nesta segunda-feira no The Economist, a deriva continental – teoria que descreve o movimento gradual dos continentes da Terra -, será a principal responsável pelo eventual desaparecimento do Mar Mediterrâneo. Caso o mar desapareça, o mundo tal como o conhecemos será no futuro muito diferente.

O fenómeno geológico da deriva continental dá-se porque as placas tectónicas que estão sob a superfície da Terra estão em constante movimento, à deriva sobre uma camada de rocha. Este movimento é impulsionado pelas correntes de calor provenientes do manto terrestre.

Neste momento, a África e a Europa movem-se lentamente em direcção um do outro ao longo do Mediterrâneo, num movimento que levará a uma colisão intercontinental que, por consequência, irá dar origem a um mega-continente – a Eurafrica.

A maioria dos geólogos acredita que, quando se der a colisão entre os dois continentes, o Mediterrâneo irá fechar-se, tornando-se montanhoso à medida que os grandes fragmentos dos continentes forem colidindo. No entanto, não há motivo para alarmismos: o fenómeno geológico só acontecerá num futuro longínquo.

É inevitável associar esta teoria à Pangeia, o super-continente rodeado por um só oceano que foi descrito pela primeira vez no século XX pelo alemão Alfred Wegener. A Pangeia ter-se-á fragmentado depois em dois mega-continentes – Gondwana e Laurásia – que deram depois origem aos continentes como hoje os conhecemos.

Os cientistas teorizam que os super-continentes se formaram durante grandes ciclos ao longo da história da Terra. A Pangea terá sido o mais recente a ter-se fragmentando há 200 milhões de anos ainda durante a era Paleozoica.

Alguns cientistas acreditam que estamos a atravessar um outro ciclo e, uma nova Pangeia, que incluirá montanhas no área agora ocupada pelo Mediterrâneo, poderá estar no horizonte.

Llywelyn2000 / Wikimedia
Da Pangea ao presente, passando por Gondwana

ZAP // MentalFloss

Por ZAP
31 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 4 erros ortográficos ao texto original)

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702: Há um super-vulcão a formar-se por baixo dos EUA (com consequências imprevisíveis)

BeeFortyTwo / Flickr

Geólogos norte-americanos foram surpreendidos com a descoberta de uma grande bolha de magma nas entranhas dos EUA. É um novo super-vulcão em formação sob o solo dos Estados de Massachusetts, Vermont e New Hampshire, com consequências imprevisíveis.

Investigadores das Universidades de Yale e Rutgers conseguiram detectar uma enorme massa de rocha derretida que está a subir das entranhas do nordeste dos EUA. É um possível super-vulcão em formação, mas não se prevê que ocorra uma erupção vulcânica nos próximos milhões de anos.

É como um balão de ar quente e inferimos que alguma coisa está a subir através da parte mais profunda do nosso planeta sob a Nova Inglaterra”, explica o geofísico Vadim Levin, num comunicado da Universidade Rutgers sobre a pesquisa.

O professor do Departamento da Terra e das Ciências Planetárias da Universidade Rutgers esteve envolvido neste estudo de larga escala de dados sísmicos que foi publicado na revista científica Geology.

Com base em dados do EarthScope, o programa da Fundação Nacional de Ciência dos EUA que inclui milhares de instrumentos geofísicos espalhados pelo país, os investigadores usaram “uma matriz avançada de sensores sísmicos” para ver o que está na rocha escondida por debaixo dos nossos pés.

Foi assim que descobriram “um padrão irregular com mudanças bastante abruptas” numa região considerada geologicamente estável, sem vulcões activos.

“O nosso estudo desafia a noção estabelecida de como os continentes em que vivemos se comportam. Desafia os conceitos dos livros didácticos que são ensinados nas aulas introdutórias de geologia”, destaca Levin no comunicado da Universidade.

“As pessoas pensam nas montanhas e lagos e na geologia como para sempre – há um senso comum de que a Terra é uma coisa permanente. Bem, não é”, acrescenta o professor já em declarações à revista The National Geographic.

Os investigadores acreditam que estamos perante um evento relativamente recente em termos geológicos, que terá começado há dezenas de milhões de anos. E “provavelmente, levará milhões de anos” para que se forme um vulcão na zona, destaca Levin.

“Talvez ainda não tenha tido tempo, ou talvez seja demasiado pequeno e nunca aconteça”, mas “daqui a 50 milhões de anos, veremos”, conclui o geofísico.

SV, ZAP //

Por SV
28 Junho, 2018

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392: Geólogos descobrem a fonte de magma subterrânea do super-vulcão Yellowstone

Jon Sullivan / Wikimedia

Análise sísmica do núcleo de vulcão de Yellowstone mostra que debaixo deste vulcão se localiza uma poderosa pluma mantélica – um fluxo vertical de magma que sobe rapidamente das profundezas da Terra.

“A história da formação do super-vulcão, localizado dentro da placa tectónica, tem provocado já há muito tempo debates calorosos entre os cientistas. Alguns especialistas acreditam que surgiu por causa da pluma, enquanto que os oponentes acreditam que nasceu em resultado de processos ainda desconhecidos que ocorreram nas camadas altas do manto terrestre”, escrevem os autores da pesquisa publicada na segunda-feira na revista Nature Geoscience.

O super-vulcão do parque nacional de Yellowstone é agora uma caldeira gigantesca tão grande que é observável a partir da órbita terrestre baixa. A sua cratera tem 72 quilómetros de comprimento e 55 de largura e os canais subjacentes contêm várias dezenas de milhares de quilómetros cúbicos de material magmático.

Há certos receios ligados ao fato de o vulcão Yellowstone, actualmente adormecido, poder entrar em erupção depois de 630 mil anos de “sono” e que a erupção poderia atingir centenas de quilómetros nos EUA.

No entanto, até ao momento os especialistas não conseguiram encontrar a fonte de lava ou magma desse super-vulcão. O que, por sua vez, fez os geólogos procurar as possíveis razões para o aparecimento de um vulcão gigantesco nessa parte dos EUA.

Mas os geólogos da Universidade do Texas, nos EUA, Peter L. Nelson e Stephen P. Grand, abriram recentemente um novo capítulo na discussão. Descobriram que por baixo do Yellowstone encontra-se uma “fonte” de magma líquido e extremamente quente que sobe rapidamente para a superfície da Terra desde o núcleo.

Esses fluxos de magma são chamados pelos cientistas de “plumas“. Graças à sua velocidade e temperaturas altas, os fluxos às vezes são capazes de “romper” as camadas rochosas grossas e frias da placa tectónica e sair para a superfície do nosso planeta, causando erupções vulcânicas extremamente fortes.

No decurso da pesquisa, os geólogos criaram um mapa tridimensional da área subterrânea debaixo do super-vulcão usando sismógrafos USArray e entenderam como se movem os fluxos de magma e como sobe para a superfície.

Segundo mostram os resultados, debaixo do Yellowstone está localizado um “tubo” de magma estreito e direito que desce por 2,7 – 3 quilómetros até à profundeza terrestre. Além disso, as estimativas científicas mostram que surgiu em resultado de uma pluma.

Vale a pena ressaltar que, por um lado, a nova descoberta não permite predizer quando ocorrerá a próxima erupção do vulcão e não a torna mais provável, segundo indicam os próprios geólogos. Mas, por outro lado, a observação posterior do comportamento da pluma permitirá saber com antecedência que o super-vulcão começou a despertar.

ZAP // Sputnik News

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205: Geólogos descobrem origem do super vulcão de Yellowstone

Jon Sullivan / Wikimedia
A lagoa de Morning Glory, no Parque Nacional de Yellowstone

Até agora a teoria geralmente aceite era a de que o super vulcão de Yellowstone, nos EUA, é produto das chamadas plumas mantélicas: o magma quente que flui do manto da Terra para a crosta terrestre.

Para esclarecer de onde vinha a lava que “alimenta” o super vulcão, vários especialistas realizaram um estudo para explicar por que razão “o Yellowstone e outros vulcões do oeste dos EUA estão longe da costa, onde se situa a fronteira entre as placas tectónicas“, assegurou Lijun Liu, um dos autores.

O cientista e os seus colegas analisaram a estrutura do subsolo do Yellowstone e dos arredores com um tomógrafo sísmico e obtiveram dezenas de padrões informáticos baseados na hipótese das plumas mantélicas no período desde há 20 milhões de anos, quando, segundo as estimativas dos cientistas, aquele lugar se formou.

A comparação destes padrões com os dados sísmicos reais revelou que a teoria das plumas mantélicas deve ser descartada porque, durante o nascimento do super vulcão, o calor fluiu não do interior do planeta para a superfície, mas ao contrário.

Liu e a sua equipa acreditam que a fonte de calor que deu início ao Yellowstone e a outros centros de actividade vulcânica no oeste dos EUA está nas camadas superiores do manto terrestre localizadas a nordeste do país, um dos fragmentos da placa tectónica Farallon.

Essa placa cobria uma parte do fundo do oceano Pacífico, mas desintegrou.se em várias partes na época dos dinossauros. Hoje em dia, os seus fragmentos continuam em movimento nas entranhas da Terra.

ZAP // Sputnik News

Por SN
27 Dezembro, 2017

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184: Geólogos encontram minerais extraterrestres em ilha escocesa

Uma secção do lugar da colisão do meteorito, na ilha Skye.

Ao analisar uma camada grossa de um antigo fluxo de lava, geólogos britânicos descobriram que nenhum dos minerais estudados pertenciam ao planeta Terra.

Segundo uma investigação publicada na revista Geology, uma equipa de geólogos britânicos descobriu formas minerais nunca antes vistas na Terra, no local onde um meteorito atingiu a ilha Skye, na Escócia, há 60 milhões de anos atrás.

Quando analisavam uma camada grossa de um antigo fluxo de lava na ilha, os geólogos Simon Drake e Andy Beard, investigadores da Universidade de Londres, ficaram surpreendidos ao encontrar uma rocha com uma aparência estranha, que nunca tinham observado antes.

De acordo com a Newsweek, após uma análise posterior com micros-sondas electrónicas, a equipa detectou minerais que levaram os cientistas a acreditar que se tratava de uma rocha de origem extraterrestre.

“A evidência mais convincente é a presença de osbornite, rica em nióbio e vanádio. Antes desta descoberta, nenhum destes minerais tinha sido encontrado na Terra”, disse Drake à revista norte-americana.

Em 2004, a nave espacial Stardust, da NASA, encontrou osbornite rica em vanádio na poeira espacial deixada na trilha do cometa  Wild 2 4,5 mil milhões de anos atrás.

Além destas formas minerais, a equipa explica que a osbornite não se fundiu, o que significa que provavelmente é parte original do meteorito.

A ilha Skye é de particular interesse para os geólogos, porque teve origem durante um período de extrema actividade vulcânica. A ilha foi formada quando o magma emergiu das profundezas da Terra e quebrou a crosta, e os cientistas acreditam que o mesmo evento tenha sido responsável, também, pela actual Islândia.

Mas, de acordo com Simon Drake, é de particular interesse descobrir o que, em primeiro lugar, terá causado este evento. “Embora não possamos dizer que a evolução vulcânica de Skye se tenha iniciado devido a um meteorito, acreditamos que foi definitivamente um motor para esse impacto“, concluiu Drake.

Além de ter contribuído para a actual riqueza mineral do planeta, a queda de meteoritos poderá ter sido, defendem os cientistas, o “gatilho” que desencadeou a vida na Terra.

ZAP //

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