4922: O géiser mais activo do mundo acordou, mas Yellowstone mantém-se na mesma

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

James St. John / Wikimedia
Géiser Steamboat

A reactivação do géiser mais activo do mundo, no Parque Yellowstone, não representa um alerta de erupção nesta área turística, localizada numa grande caldeira vulcânica.

Em 2018, quando o géiser Steamboat, o mais activo do mundo, despertou após três anos e meio de inactividade, alguns cientistas especularam que poderia ser um prenúncio de erupções vulcânicas explosivas na bacia de géiseres do Parque Yellowstone.

No entanto, um novo estudo, que será publicado no dia 12 de Janeiro na Proceedings of the National Academy of Sciences, encontrou poucas evidências de movimento de magma subterrâneo, um pré-requisito para uma erupção, na área do géiser Steamboat.

“As explosões hidrotérmicas (água quente que explode porque entra em contacto com a rocha quente) são um dos maiores perigos em Yellowstone”, disse Michael Manga, professor de ciências terrestres e planetárias da Universidade da Califórnia, em Berkeley, em comunicado.

Estas explosões – que lançam lama, areia e pedras para o ar e libertam vapor quente – são problemáticas porque “são muito difíceis de prever”, completou o investigador.

A equipa que Manga liderou descobriu que, apesar de o solo ter subido e a sismicidade ter aumentado ligeiramente antes de o géiser despertar, nenhum outro géiser dormente na bacia deu sinais de alerta. Além disso, a temperatura do lençol freático que desencadeou as erupções do Steamboat não aumentou.

“Não encontramos nenhuma evidência de que uma grande erupção está iminente. Acho que é uma conclusão importante“, rematou o líder da investigação.

Maior géiser activo de Yellowstone entra em erupção novamente (e ninguém sabe porquê)

  Os cientistas não acreditam que este fenómeno conduza a uma devastadora erupção do temido super-vulcão, mas não descartam essa…

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Liliana Malainho, ZAP //

Por Liliana Malainho
8 Janeiro, 2021


4673: Fóssil com cinco olhos pode mudar a história da evolução dos artrópodes

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

(dr) Huang Diying
Reconstrução fotográfica do Kylinxia zhangia

Um novo fóssil, com cerca de 520 milhões de anos e muito semelhante a um camarão com cinco olhos, deu aos cientistas novas informações sobre a história evolutiva dos artrópodes.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, da Academia Chinesa de Ciências (NIGPAS), descobriu um fóssil de um animal do género Kylinxia com cinco olhos e muito parecido com um camarão.

O fóssil foi descoberto em Chengjiang, na província de Yunnan, na China, e tem cerca de 520 milhões de anos. Zhao Fangchen, co-autor do artigo científico, publicado no dia 4 de Novembro na Nature, realça que esta descoberta é, além de rara, muito importante para pesquisas futuras.

“Devido a condições tafonómicas muito especiais, os fósseis de Kylinxia exibem estruturas anatómicas requintadas. O tecido nervoso, os olhos e o sistema digestivo são partes moles do corpo que, normalmente, não conseguimos ver em fósseis convencionais”, explicou o cientista, citado pelo Europa Press.

Kylinxia mostra características distintas de verdadeiros artrópodes, como uma cutícula endurecida, um tronco segmentado e pernas articuladas. No entanto, também integra as características morfológicas presentes em formas muito ancestrais, incluindo os bizarros cinco olhos de Opabinia, bem como os apêndices raptoriais de Anomalocaris, um predador gigante do vértice do oceano Cambriano.

“Os nossos resultados indicam que o posicionamento evolutivo de Kylinxia está entre o Anomalocaris e os verdadeiros artrópodes. Isto significa que a nossa descoberta atingiu a raiz dos verdadeiros artrópodes“, resumiu Zhu Maoyan, co-autor do estudo.

Os cientistas referem que Kylinxia representa um fóssil de transição crucial previsto pela teoria evolucionária de Darwin.

Preenche a lacuna evolutiva do Anomalocaris aos verdadeiros artrópodes e forma um ‘elo perdido’ na origem dos artrópodes, contribuindo com fortes evidências fósseis para a teoria evolutiva da vida”, disse Zeng Han, primeiro autor do estudo.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2020


4538: Geólogos “ressuscitam” placa tectónica desaparecida

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(dr) Universidade de Houston
Jonny Wu e Spencer Fuston, do Departamento de Ciências Atmosféricas e Terrestres da Universidade de Houston

A existência da placa tectónica Ressurreição nunca foi consensual: alguns geólogos argumentam que nunca foi real e outros alegam que a placa sofreu um processo de subducção no manto da Terra, em algum lugar da Orla do Pacífico, entre 40 e 60 milhões de anos atrás.

Uma equipa de geólogos da Escola de Ciências Naturais e Matemática da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, acredita ter encontrado a placa tectónica desaparecida no oeste do Canadá usando imagens de tomografia do manto da Terra. O artigo que detalha a descoberta foi publicado no dia 19 de Outubro no Geological Society of America Bulletin.

Os investigadores acreditam que este passo pode ajudar os geólogos a prever riscos vulcânicos, depósitos minerais e de hidrocarbonetos.

“Os vulcões formam-se nos limites das placas e, quanto mais placas há, mais vulcões existem”, explicou Jonny Wu, professor de geologia do Departamento de Ciências da Terra e Atmosféricas da universidade norte-americana, em comunicado. “Os vulcões também afectam a mudança climática. Quando tentamos modelar a Terra e entender como o clima mudou, procuramos também saber quantos vulcões existem.”

Segundo o Phys, Wu e Spencer Fuston, um estudante de doutoramento em geologia, aplicaram uma técnica desenvolvida pelo UH Center for Tectonics and Tomography, chamada slab unfolding, para reconstruir como se pareciam as placas tectónicas no Oceano Pacífico durante o início da era Cenozóica.

A rígida camada mais externa da Terra – litosfera – é dividida em placas tectónicas e os geólogos sempre souberam que, naquela época, havia duas placas no Oceano Pacífico, chamadas Kula e Farallon.

No entanto, tem havido várias discussões sobre uma possível terceira placa – Ressurreição – que formou um tipo especial de cinturão vulcânico em todo o Alasca e no estado de Washington, nos Estados Unidos.

“Acreditamos ter evidências directas da existência da placa da Ressurreição“, afirmou Spencer Fuston.

Através da tecnologia de mapeamento 3D, Fuston aplicou a técnica slab unfolding às imagens de tomografia do manto terrestre para extrair as placas subduzidas antes de as desdobrar e esticar às suas formas originais.

Quando reconstruidos, os limites desta antiga placa tectónica coincidem com os antigos cinturões vulcânicos no estado de Washington e no Alasca, o que proporciona um elo muito procurado entre o antigo oceano Pacífico e o registo geológico da América do Norte”, explicou Wu.

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Por ZAP
24 Outubro, 2020

 

4348: Revelados novos petróglifos neolíticos nas cavernas da “Montanha Alienígena”

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/GEOLOGIA

Aravinda Ravibhanu
Reconstrução parcial e montagem de figuras antropomórficas na Danigala Circular Rock

Um astro-biólogo e geólogo do Sri Lanka descobriu “petróglifos neolíticos únicos” muito diferentes dos até agora descobertos no Sri Lanka. Estas verdadeiras obras de arte foram esculpidas nas paredes das cavernas na lendária “Montanha Alienígena”.

Segundo explica o astro-biólogo e geólogo Aravinda Ravibhanu Sumanarathn, autor de um estudo preliminar publicado no início deste mês no Research Gate, “pela primeira vez, no Sri Lanka, encontramos petróglifos associados ao período Neolítico“.

“Esta é a história dos petróglifos neolíticos perdidos da Danigala Circular Rock, a famosa Montanha Alienígena — um nome algo sensacionalista, que brevemente mostrará a sua razão de ser”, diz Sumanarathn, director da Unidade de Pesquisa em Astrobiologia do Sri Lanka e especialista em pesquisa paleontológica sobre vida extraterrestre.

Segundo adianta o Ancient Origins, as evidências científicas sugerem que as populações do Paleolítico chegaram ao Sri Lanka por volta de 300 mil anos A.C. Nos tempos antigos, esta ilha era uma zona rica em caça, e por isso atractiva para os habitantes do Mesolítico.

A Danigala Circular Rock é uma formação geológica única, localizada em Polonnaruwa, no centro do país. De acordo com o Attractions In Sri Lanka, é “ponto de avistamento de OVNIs”, por isso conhecida localmente como Montanha Alienígena. A povoação mais antiga ali encontrada foi datada pelo paleontólogo Paulus Deraniyagala em 125 mil anos AC.

Danigala Circular Rock

A região é “rica em numerosas formações geológicas e geo-morfológicas”, com realce para a abundância de eco-diversidade local que se acumulou desde o Pré-cambriano, e que se estende desde a formação da Terra cerca há 4,6 mil milhões de anos, até ao surgimento do Período Cambriano, há cerca de 541 milhões de anos – quando as primeiras criaturas com exoesqueleto apareceram.

 

 

4247: Redescoberta “criatura fantasma” antárctica que sobreviveu a 30 idades do gelo

CIÊNCIA/BIOLOGIA


vídeo editado através de captura de écran por indisponibilização do URL original

Depois de décadas de procura, uma equipa de cientistas da Universidade Brigham Young (BYU), nos Estados Unidos, redescobriu na Antárctida uma “criatura fantasma”, semelhante a insecto primitivo, que sobreviveu a 30 idades do gelo.

“Isto é aquilo a que chamamos carinhosamente de um colêmbolo fantasma”, disse Byron Adams, professor de Biologia da BYU, que realiza investigações frequentes na Antárctica, citado pela agência noticiosa espanhola Europa Press.

Os colêmbolos são pequenos animais, artrópodes próximos dos insectos. Segundo a Lusa, são dos animais mais antigos e numerosos da Terra e contribuem para o ciclo de vida, ajudando a decompor o material orgânico que serve como nutriente para as plantas.

“Chamamos-lhe colêmbolos fantasma porque é branco, tal como um fantasma, mas não o tínhamos encontrado depois de anos e anos de investigações (…) Questionamos se era real, se realmente existia”, continuou o especialista, citado em comunicado.

Na nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a equipa parte da redescoberta deste animal microscópico para melhor compreender a dinâmica da capa de gelo aos longos dos anos, bem como para perceber como é que estes organismos afectaram ecossistemas históricos.

“A história evolutiva dos organismos biológicos pode corroborar o que inferimos da glaciologia e geologia sobre as mudanças climáticas no passado (…) Fazendo esta verificação, podemos prever melhor como é que a vida na Terra pode responder a esse tipo de mudanças na actualidade”, explicou ainda Byron Adams.

Para chegar a esta redescoberta, os cientistas passaram os últimos vinte anos a recolher amostras de seis espécies diferentes de micro-artrópodes de 91 locais da Antárctida.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2020