2905: Terramotos na Califórnia despertam falha geológica inactiva há 500 anos

CIÊNCIA

Os recentes terramotos na Califórnia, nos Estados Unidos, despertaram uma falha geológica que estava inactiva nos últimos 500 anos, adiantaram geofísicos do Instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech) e do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA.

A falha de Garlock, que atravessa o deserto de Mojave, no sul da Califórnia, está a mover-se pela primeira vez, desde que há registo. Actualmente, a falha geológica está a mover-se a um ritmo muito lento, mas é capaz de produzir um terramoto de magnitude 8, segundo os especialistas.

O motivo desta mudança repentina é, segundo os cientistas, a desestabilização causada pelos terramotos de Ridgecrest, em Julho deste ano. “Acabou por ser uma das sequências de terramotos melhor documentada da história”, adiantou Zachary Ross, professor assistente de geofísica e autor principal do artigo cientifico, publicado na revista Science.

As rupturas provocadas pelos abalos de Ridgecrest terminaram a poucos quilómetros da falha de Garlock, uma falha muito importante que se estende por mais de 300 quilómetros a partir da falha de San Andreas até ao Vale da Morte.

A falha tem permanecido relativamente inactiva durante os últimos 500 anos, mas a tensão exercida pela actividade sísmica fez com que se começasse a mover lentamente e a deslizar dois centímetros desde o mês de Julho, adianta a Sputnik News.

Esta investigação também fornece provas de que os grandes terramotos podem ocorrer de uma forma muito mais complexa do que se pensava até agora. Os cientistas consideram que os maiores terramotos são causados pela ruptura de uma grande falha geológica, e que a magnitude máxima está relacionada com o comprimento da falha.

No entanto, a sequência de sismos de Ridgecrest envolveu cerca de 20 pequenas falhas anteriormente desconhecidas, que se cruzaram numa zona geometricamente complexa e geologicamente jovem. “Não podemos assumir que as falhas maiores são as que ditam a ameaça sísmica, se muitas falhas mais pequenas podem unir-se para criar grandes terramotos”, afirmou Ross.

A investigação mostra que ainda sabemos muito pouco sobre terramotos e sobre o prognóstico do risco sísmico.

ZAP //

Por ZAP
24 Outubro, 2019

 

1732: A Terra primitiva era um inferno mergulhado num oceano de magma

Robin Canup / Southwest Research Institute

Como era a Terra no início do seu desenvolvimento, quando não havia ainda qualquer tipo de vida no nosso planeta? Uma recente investigação revela novos detalhes sobre este período, sugerindo que a Terra primitiva tinha condições extremamente drásticas à época.

Nos seus primórdios, a Terra um “lugar infernal”, onde ferviam fragmentos incandescentes de corpos celestes, segundo revelaram geofísicos da Universidade alemã de Munster.

“A Terra primitiva era um lugar infernal: quente, agitada, a girar rapidamente e  a ser bombardeada por detritos espaciais, incluindo um corpo do tamanho de Marte cujo impacto criou a lua”, escreve o portal Science Alert sobre este período.

De acordo com a equipa de cientistas, liderada pelo cientista Christian Meuse, o nosso planeta estava coberto por um oceano de magma fundido. Este oceano, explicam os cientistas, formou-se há cerca de 4,5 mil milhões de anos após a colisão da Terra recém-formada com um corpo espacial desconhecido com o tamanho de Marte. Acredita-se que desta resultado tenha resultado o nosso satélite natural, a Lua.

Segundo o novo estudo, cujos resultados serão publicados no próximo mês de Maio na revista especializada Earth and Planetary Science Letters, a profundidade do oceano era de vários milhares de quilómetros. Mas o que aconteceu com o oceano de seguida? Para melhor compreender estes processos geológicos, os cientistas modelaram o processo de cristalização do silicato, o mineral mais comum na crosta terrestre.

Os cientistas descobriram que os minerais cristalizaram-se devido à rápida rotação da Terra, que acabou por arrefecer o oceano de magma. Este processo levou diferentes períodos de tempo consoante a parte do planeta, levando desde um milhar até um milhão de anos, tal como observaram os especialistas no artigo.

Para a investigação, os cientistas não consideram outros tipos de minerais, nem modelaram a distribuição de silicados além da primeira fase de cristalização do magma. Segundo Christian Maas, geofísico da mesma universidade, este é o próximo passo da investigação: adicionar outros tipos de mineiras ao modelo de estudo.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
18 Março, 2019

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1612: Terramoto na Bolívia revelou uma cadeia montanhosa “escondida” nas profundezas da Terra

Kyle McKernan / Princeton University

Um forte terramoto, que atingiu a Bolívia em 1994, ajudou um grupo de investigadores a estudar uma “fronteira” entre o manto superior e inferior da Terra.

A maioria das crianças na escola aprende que a Terra tem três (ou quatro) camadas: a crosta, o manto e e o núcleo, que, por vezes, é dividido entre núcleo interior e exterior. Isto não está errado, mas exclui outras camadas que os cientistas têm identificado no interior da Terra, incluindo a zona de transição dentro do manto.

Num estudo publicado na revista Science, Jessica Irving e Wenbo Wu, geofísicos da Universidade de Princeton , em colaboração com Sidao Ni, do Instituto de Geodésia e Geofísica da China, usaram dados de um enorme terramoto na Bolívia para encontrar montanhas e outras topografias na base da zona de transição, uma camada de 660 quilómetros que separa o manto superior e inferior.

Para espiar profundamente a Terra, os cientistas usam as ondas mais poderosas do planeta, que são geradas por terramotos massivos.

Os grandes terramotos são mais poderosos que os pequenos – a energia aumenta 30 vezes a cada degrau da escala Richter. A investigadora obtém os melhores dados de terramotos de magnitude 7,0 ou mais, enquanto as ondas de choque que enviam em todas as direcções podem viajar através do núcleo para o outro lado do planeta – e vice versa.

Para este estudo, os principais dados vieram das ondas captadas após um terramoto de magnitude 8,2 – o segundo maior terramoto já registado – que abalou a Bolívia em 1994.

“Terramotos tão grandes não acontecem com frequência”, disse. “Temos sorte agora que temos muito mais sismógrafos do que há 20 anos. A sismologia é um campo diferente do que era há 20 anos entre instrumentos e recursos computacionais ”.

De acordo com um comunicado publicado pela Universidade de Princeton, sismólogos e cientistas de dados usam computadores poderosos para simular o complicado comportamento das ondas de dispersão na Terra profunda.

A tecnologia depende de uma propriedade fundamental das ondas: a capacidade de dobrar e saltar. Assim como as ondas de luz podem reflectir num espelho ou refractar ao passar por um prisma, ondas de terramotos viajam directamente através de rochas homogéneas, mas refletem ou refractam quando encontram qualquer limite ou rugosidade.

“Sabemos que quase todos os objectos têm aspereza da superfície e, portanto, dispersam a luz”, disse Wu. “É por isso que podemos ver estes objectos – as ondas espalhadas carregam as informações sobre a aspereza da superfície. Neste estudo, investigamos ondas sísmicas dispersas que viajavam dentro da Terra para restringir a aspereza do limite de 660 quilómetros da Terra.”

Os investigadores ficaram surpresos com o quão difícil este limite é – mais áspero do que a camada superficial em que todos vivemos. “A topografia mais forte do que as Montanhas Rochosas ou os Apalaches está presente no limite de 660 quilómetros”, disse Wu.

O modelo estatístico não permitia determinações precisas de altura, mas há probabilidades de estas montanhas serem maiores do que qualquer coisa na superfície da Terra. A aspereza não foi igualmente distribuída.

Assim como a superfície da crosta tem chão oceânico suave e montanhas enormes, o limite de 660 quilómetros tem áreas irregulares e áreas lisas. Os cientistas também examinaram uma camada de 410 quilómetros abaixo, no topo da “zona de transição” do manto e não encontraram rugosidade semelhante.

“As camadas profundas da Terra são tão complicadas como o que observamos na superfície”, disse a sismóloga Christine Houser, do Instituto de Tecnologia de Tóquio.

“Encontrar mudanças de elevação entre um e três quilómetros num um limite que tenha mais de 660 quilómetros de profundidade com recurso a ondas que viajam por toda a Terra é um feito inspirador. As descobertas sugerem que, à medida que os terramotos ocorrem, continuaremos a detectar novos sinais de pequena escala que revelam novas propriedades das camadas da Terra”.

A presença de rugosidade no limite de 660 quilómetros tem implicações significativas para entender como o planeta se formou e continua a funcionar. A camada divide o manto, que representa cerca de 84% do volume da Terra.

Durante anos, os geo-cientistas debateram o quão importante é este limite. Em particular, investigaram como o calor viaja através do manto – se as rochas quentes são levadas suavemente do limite do manto central até o topo do manto ou se a transferência é interrompida neste camada.

Algumas evidências geoquímicas e mineralógicas sugerem que o manto superior e inferior são quimicamente diferentes, o que suporta a ideia de que as duas secções não se misturam termicamente ou fisicamente.

As áreas mais lisas do limite de 660 quilómetros podem resultar de uma mistura vertical mais completa, enquanto as áreas montanhosas mais ásperas podem-se ter formado onde o manto superior e inferior não se misturam.

Além disso, a rugosidade, que existia em grandes, moderadas e pequenas escalas, poderia, teoricamente, ser causada por anomalias de calor ou por heterogeneidades químicas. Mas, por causa da forma como o calor transportado dentro do manto, qualquer anomalia térmica em pequena escala seria suavizada em poucos milhões de anos. Isto deixa apenas diferenças químicas para explicar a aspereza de pequena escala.

As rochas que costumavam pertencer à crosta agora descansam em silêncio no manto e podem ser responsáveis pelas diferenças químicas. Os cientistas há muito que debatem o destino das lajes do fundo do mar que são empurradas para o manto nas zonas de subducção.

Wu e Irving sugerem que os remanescentes destas placas podem estar logo acima ou logo abaixo do limite de 660 quilómetros”.

ZAP //

Por ZAP
19 Fevereiro, 2019

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975: Cientistas acreditam ter resolvido o mistério do Monte Santa Helena

CIÊNCIA

Lyn Topinka / Wikimedia
Pequena erupção do Monte de Santa Helena em 1982

Geofísicos norte-americanos acreditam ter resolvido o mistério do Monte Santa Helena, o vulcão mais mortífero dos Estados Unidos.

Adam Schultz, geofísico da Universidade de Oregon, os Estados Unidos, acredita ter resolvido, em conjunto com a sua equipa, o mistério do Monte Santa Helena, um vulcão localizado na Cordilheira das Cascatas, no Noroeste dos EUA.

Este vulcão tem uma particularidade: apesar de a Cordilheira das Cascatas ficar numa região geologicamente activa, o Santa Helena fica 50 quilómetros  a oeste do resto dos vulcões.

Os cientistas estão convictos de que o batólito Spirit Lake, uma formação rochosa subterrânea com certa de 32 a 48 quilómetros de diâmetro, desviou o magma e a rocha parcialmente derretida para fora do arco e para oeste, formando assim o vulcão activo. O artigo científico foi publicado recentemente na Nature Geoscience.

Em Maio de 1980, o Monte Santa Helena viveu uma grande erupção, e desde então passou por períodos de construção da cúpula e de dormência. O mistério em torno do vulcão intensificou-se e, em 2006, geocientistas da Universidade da Cantuária da Nova Zelândia forneceram algumas imagens do subsolo do vulcão.

De acordo com o Sci-News, os cientistas conseguiram as imagens através de uma técnica chamada levantamento magnetotelúrico, que mede a condutividade eléctrica da superfície da Terra.

No recente estudo, Schultz e a sua equipa usaram esta mesma técnica para reunir imagens mais recentes e mais nítidas para observar e analisar as mudanças que aconteceram desde o estudo de 2006.

“As novas imagens são claras o suficiente para que, monitorizando continuamente os campos geoelétricos e geomagnéticos, consigamos detectar mudanças no movimento do magma sob o Monte Santa Helena”, disse Schultz.

Para compreender a formação do Monte Santa Helena, é preciso começar pela base: as placas tectónicas.

“Tal como nos dias de hoje, em que a placa de Juan de Fuca está a ser subductada abaixo da América do Norte, no passado, blocos crustais com sedimentos marinhos bateram no continente e acumularam-se“, explicou o cientista. “Este material é mais permeável do que a rocha circundante e permite que o magma se mova através dele.”

O grande batólito desvia o magma que teria entrado em erupção na linha dos outros grandes vulcões da Cascata, caso o Spirit Lake não existisse.

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

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563: Quando para a actividade do vulcão Kilauea? Nem os cientistas sabem

(cv)

Cientistas afirmam desconhecer quando é que a actividade do vulcão Kilauea, no Estado norte-americano do Havai, irá parar, depois de ter entrado em erupção no início do mês.

Não temos forma de saber se isto é mesmo o início ou o caminho do fim desta erupção”, afirmou Tom Shea, especialista em vulcões na Universidade do Havai.

O Kilauea é um dos mais activos vulcões do mundo e até agora foram já retiradas 1.700 pessoas que ainda não foram autorizadas a regressar a casa.

O vulcão entrou em erupção a 3 de maio e desde então já foram registadas mais de 20 fissuras que estão a expelir lava. Até agora, 40 casas ou edifícios foram destruídos pela lava.

Junto à cratera, registaram-se durante vários dias dezenas de sismos, alguns de magnitude superior a 5 na escala de Richter. O vulcão situa-se no sudeste da Grande Ilha do Havai, onde vivem cerca de 185 mil pessoas.

O Kilauea, a 1.200 metros de altitude, é um dos mais activos no mundo e um dos cinco existentes no arquipélago norte-americano.

O turismo, uma das maiores indústrias locais, já registou perdas de cerca de quatro milhões de euros. Uma erupção em 1924 matou uma pessoa e projectou pedaços de rocha, cinza e poeira no ar durante 17 dias.

A cratera do vulcão Kilauea, no estado norte-americano do Havai, entrou novamente em erupção, projectando nuvens de cinza a mais de nove mil metros de altitude – mais alto do que o pico do Monte Everest.

O geofísico da U.S. Geological Survey, Mike Poland, confirmou a explosão, que ocorreu depois de mais de doze fissuras terem aberto a alguns quilómetros a leste da cratera e terem inundado de lava os bairros mais próximos. Todas essas áreas foram imediatamente evacuadas, mas a lava acabou por destruir 26 casas e 10 outras estruturas.

Este é o tipo de explosão que temíamos“, diz Poland, “e não vai ser a única, muito provavelmente vai ser seguida de eventos adicionais”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
19 Maio, 2018

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186: Há uma bomba de magma gigante debaixo dos EUA

Mitch Battros / Earth Changes Media

No subsolo da Nova Inglaterra, nos EUA, foi descoberta uma bolha gigante de rochas fundidas, que está a subir para a superfície – e poderá causar o aparecimento de novos vulcões.

Geofísicos da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, usaram a Earthscope, uma rede de milhares de aparelhos que detestam actividade sísmica, para descobrir o que se esconde no subsolo dos estado de Vermont, Massachusetts e New Hampshire – e o que descobriram é assustador: uma “bomba” de magma.

“É como um balão de ar quente, algo que está a subir através da parte mais profunda do nosso planeta”, explica o geofísico Vadim Levin, principal autor do estudo publicado no final de Novembro na revista GeoScienceWorld.

Os cientistas descobriram uma anomalia térmica de centenas de graus, muito mais quente do que as rochas do manto superior ao redor da região afetada. A bolha tem 400 quilómetros de diâmetro e está localizada a 200 quilómetros abaixo do nível do mar.

Uma vez que esta região não possui vulcões activos, esta enorme acumulação é considerada um fenómeno geologicamente recente. Neste caso, isto significa que a bolha poderá crescer lenta e continuamente durante dezenas de milhões de anos.

Eventualmente, a bolha poderá alcançar a superfície e provocar o aparecimento de vulcões. No entanto, os cientistas afirmam que não há motivos para alarme, já que essa eventualidade está ainda longe de acontecer. “Provavelmente levará milhões de anos”, afirma Levin.

O próximo passo da equipa será entender o fenómeno ao pormenor, o que o provoca e como se desencadeia. Embora ainda haja muito por descobrir sobre esta bolha gigante de magma, os geofísicos garantem que estas descobertas desafiam o que pensavam saber sobre condições geológicas.

“Não esperava encontrar mudanças tão abruptas nas propriedades físicas abaixo desta região”, diz Levin. “A provável explicação aponta para um regime muito mais dinâmico por baixo desta área antiga e geologicamente silenciosa”.

Em suma, não vale a pena para já grandes preocupações com esta bomba de magma subterrânea, quando o super-vulcão de Yellowstone está mesmo ali ao lado – ou quase.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
20 Dezembro, 2017

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