1854: Cientistas encontram resíduos radioactivos presos nos glaciares

CIÊNCIA

Christine Zenino / wikimedia

O gelo está a desaparecer e, à medida que derrete, tem deixado para trás alguns presentes de despedida: cadáveres congelados, artefactos antigos, vírus mortos e o mais recente – precipitação nuclear.

Recentemente, uma equipa internacional de cientistas descobriu níveis elevados de radionuclídeos radioactivos – átomos radioactivos que resultam de acidentes nucleares e testes de armas – em todos os glaciares estudados pelos especialistas.

“Queremos provar que esta é uma questão global e não apenas localizada perto de fontes de contaminação nuclear”, adiantou Caroline Clason, professora e investigadora da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

Mas, no meio desta descoberta, há uma boa notícia: os cientistas acreditam que estes resíduos nucleares não representam uma ameaça imediata para o ambiente. Ainda assim, os resíduos foram encontrados, na maioria dos locais, em níveis significativamente mais altos do que o considerado seguro para a ingestão humana.

Segundo Clason, que apresentou as descobertas no dia 10 de Abril na conferência da European Geosciences Union (EGU), estes resíduos podem entrar na cadeia alimentar, à medida que os glaciares continuam a derreter devido às alterações climáticas.

A equipa de cientistas procuraram por resíduos nucleares em crioconite, uma camada de sedimentos escuros encontrados na superfície de muitos glaciares ao redor do mundo. Ao contrário de outros sedimentos comuns, a crioconite é composta por material inorgânico e material orgânico.

As partes orgânicas podem incluir carbono negro ou as sobras da combustão incompleta de combustíveis fósseis, fungos, micróbios e matéria vegetal – fazendo da crioconite uma espécie de “esponja” muito eficiente para o resíduos transportados pelo ar que caem nos glaciares com a chuva ou a neve.

À medida que o clima aquece a água suja do derretimento atravessa os glaciares moribundos, aumenta a quantidade de resíduos acumulados em crioconite.

Os cientistas recolheram amostras de crioconite de 17 glaciares desde a Antárctida até aos Alpes e da Colúmbia Britânica até à região árctica da Suécia. Estas amostras tinham quantidades elevadíssimas de contaminação, adiantou Clason.

Enquanto alguns dos radionuclídeos detectados – como o chumbo-210 – ocorrem naturalmente no ambiente, dois isótopos, em particular, podem ser associados a actividades nucleares humanas.

O amerício-241, um isótopo radioactivo produzido em decomposição de plutónio, foi encontrado em muitos locais estudados e em quantidades que poderiam ser perigosas para a saúde humana. Também o césio-137, um isótopo produzido durante explosões nucleares, foi encontrado em todos os locais estudados em quantidades de dezenas a centenas de vezes superiores aos níveis esperados.

Estes subprodutos nucleares foram, provavelmente, depositados pela explosão da central nuclear de Chernobyl em 1986, adiantou o Live Science. “As pessoas sabiam que o césio-137 permanecia no ambiente, mas não sabem que os glaciares ainda estão a libertar esse resíduo nuclear, 30 anos depois”, disse a cientista durante a apresentação dos resultados da investigação.

Ainda assim, estes resíduos não representam qualquer ameaça conhecida para os seres humanos ou para o ambiente. No entanto, os cientistas temem que possam representar uma ameaça caso se espalhem através da água derretida para rios e lagos, onde os animais comem e bebem com bastante frequência.

“Quando os elementos radioactivos caem sob a forma de chuva, como aconteceu após o acidente de Chernobyl, são evacuados, é um fenómeno pontual. Mas, sob a forma de neve, eles ficam aprisionados no gelo durante décadas, e com o derretimento dos glaciares, terminam nos rios”, explicou Clason.

Com o aquecimento e o consequente derretimento dos glaciares, a cientista teme que estes resíduos entrem cadeia alimentar de alguns animais, acabando nos nossos pratos.

ZAP //

Por ZAP
17 Abril, 2019

 

1677: Gronelândia: Em vez de nevar, está a chover e isso é um problema

Patrick Robert/ Getty Images

Os dias de chuva são cada vez mais comuns em partes da Gronelândia normalmente cobertas por gelo, provocando situações de fusão rápida, fragilizando a superfície e potenciando um degelo futuro generalizado, indica um estudo divulgado hoje

O estudo, divulgado na revista científica europeia The Cryosphere, mostrou que algumas partes da camada de gelo estão a receber chuva no inverno em vez de neve, um fenómeno que se vai espalhar à medida que o clima continuar a aquecer.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até três graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

A investigação analisou dados recolhidos entre 1979 e 2012, combinando imagens de satélite e observações meteorológicas, para perceber o que estava a provocar a fusão em locais específicos.

Segundo a principal autora do estudo, Marilena Oltamnns, do Centro Geomar para Pesquisas Oceânicas, da Alemanha, durante o período em análise o degelo associado à chuva duplicou no verão e triplicou no inverno.

A fusão dos mantos de gelo pode ser causada por uma complexidade de factores, mas a introdução de água líquida é uma das mais poderosas, disse Marco Tedesco, da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e outro dos autores do estudo. As temperaturas mais altas, disse, tornam mais provável que as condições atmosféricas passem o limiar em que precipitação toma a forma de chuva, que carrega grande quantidade de calor, e não de neve.

Segundo os investigadores, essas condições produzem uma fusão que se alimenta a si própria e que continua mesmo depois da chuva.

E a água que não se esvai e que congela transforma-se num tipo de gelo mais escuro e denso, que absorve mais radiação quando há sol e que derrete mais facilmente, dizem os autores do estudo.

A Gronelândia não é o único lugar do norte do planeta afectado pelo aumento da chuva no inverno, em vez de neve. Chuvas anormais no norte do Canadá deixaram um manto de água que congelou, aprisionando as plantas que caribus e bois almiscarados comiam buscando através da neve solta. Manadas inteiras foram dizimadas por isso.

Visão
com Lusa
07.03.2019 às 17h44

 

1672: O mistério dos icebergues verdes da Antárctida pode ter sido finalmente resolvido

Uma nova hipótese pode explicar porque é que os icebergues da Antárctida têm cor verde esmeralda em vez do azul normal, o que resolve um mistério científico com décadas.

O gelo dos glaciares, que se origina na neve, flui do manto de gelo da Antárctida para flutuar no oceano como gelo. Em frente à plataforma de gelo, os icebergues partem-se. Os icebergues costumam ser de uma cor branca azulada, intermediárias entre o azul do gelo puro e o branco da neve.

O gelo puro é azul porque o gelo absorve mais luz vermelha do que a luz azul. No entanto, desde o início do século XX, exploradores, navegadores e cientistas relataram ter visto icebergues verdes peculiares em torno de certas partes da Antárctida.

Os icebergues verdes têm sido uma curiosidade para a Ciência durante décadas, mas agora os glaciologistas relatam, num novo estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Oceans, que suspeitam que os óxidos de ferro em pó de rocha da parte continental da Antárctica estão a tornar verdes alguns icebergues.

Os investigadores formularam a nova teoria depois de cientistas australianos terem descoberto grandes quantidades de ferro na plataforma de gelo Amery na Antárctica Oriental. O ferro é um nutriente essencial para o fitoplâncton, as plantas microscópicas que formam a base da cadeia alimentar marinha. No entanto, o ferro é escasso em muitas áreas do oceano.

Se as experiências confirmarem a teoria, isto significaria que os icebergues verdes estão a transportar ferro precioso do continente da Antárctida para o mar aberto quando quebram, fornecendo este nutriente essencial aos organismos que suportam quase toda a vida marinha.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Março, 2019

 

1653: Já há data para o primeiro verão sem gelo no Árctico

NASA GODDARD/ KATY MERSMANN

O oceano Árctico pode ficar sem de gelo durante o verão nos próximos 20 anos devido a uma fase de aquecimento natural que se faz sentir já há algum tempo no Pacífico tropical, sendo depois exacerbada pela actividade do Homem.

Modelos computacionais preveem que a mudança climática tornará o Árctico quase livre de gelo marinho durante o verão em meados deste século, a menos que as emissões de gases de efeito de estufam sejam reduzidas em grande medida pelos humanos.

Contudo, uma análise mais detalhada sobre os ciclos de temperatura a longo prazo no Pacífico tropical aponta para um Árctico sem gelo em Setembro, o mês com menos gelo marinho, segundo descreve um novo estudo esta semana publicado na científica Geophysical Research Letters.

“A trajectória aponta para a ausência de gelo no verão, mas não se sabe ao certo quando acontecerá”, explicou James Screen, professor associado de ciência do clima da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e autor principal do estudo em comunicado.

Existem vários modelos climáticos utilizados pelos cientistas para prever quando ocorrerá o primeiro Setembro sem gelo. A maioria dos modelos projecta que haverá menos de 1 milhão de quilómetros quadrados de gelo marinho até meados deste século, as projecção de quando isso acontecerá variam em janelas de tempo de 20 anos devido a flutuações climáticas naturais.

O modelo climático utilizado no novo estudo prevê um verão árctico sem gelo entre 2030 e 2050, se os gases de efeito estufa continuarem a subir ao ritmo actual.

Tendo em conta a fase de aquecimento de longo prazo no Pacífico tropical, uma nova investigação aponta que é mais provável que um Árctico sem gelo ocorra mais perto de 2030 do que em 2050.

ZAP //

Por ZAP
2 Março, 2019

 

1580: O planeta Terra já foi uma “bola de neve” gigante

NASA

Durante vastas eras de gelo há milhões de anos, a Terra esteve coberta em gelo. As condições na “Terra Bola de Neve”, como os cientistas referem, tornaram o planeta num lugar completamente diferente.

Naquela época as condições climáticas eram “tão severas que toda a superfície da Terra, de pólo a pólo, inclusive os oceanos, congelou completamente“, de acordo com Melissa Hage, cientista e ambientalista do Colégio Oxford da Universidade de Emory.

Os cientistas acreditam que há entre 750 milhões e 580 milhões anos, a Terra passou por três ou quatro períodos de glaciação, quando quase toda ou toda a superfície do planeta esteve coberta de gelo, e que cada um deles durou aproximadamente 10 milhões de anos. Os analistas estimam que, durante estes períodos, a temperatura global tenha diminuído em média até -50ºC.

Segundo eles, isto ocorreu, provavelmente, porque todas as massas terrestres do planeta se encontravam no equador ou numa zona próxima, o que desencadeou um processo de meteorização, ou seja, a decomposição de minerais e rochas na superfície da Terra.

Por sua vez, este processo levou à diminuição dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera, de tal forma que, sem gases de efeito estufa, o ciclo da água se deteve. Tudo junto acabou causando um arrefecimento global.

“Uma vez que os oceanos polares começaram a congelar, uma maior quantidade de luz solar reflectiu-se nas superfícies brancas e o arrefecimento intensificou-se”, comentou.

Os especialistas consideram que os vulcões continuaram a emitir dióxido de carbono para a atmosfera durante os períodos de glaciação, aquecendo o planeta durante o tempo suficiente para que se renovasse o ciclo da água. A temperatura global aumentou e o processo de meteorização seguinte ajudou a controlar os níveis de dióxido de carbono na atmosfera.

Quando a Terra aqueceu e saiu da sua fase de congelação intensa, durante um período de tempo bastante “curto” – aproximadamente 40 milhões de anos – ocorreu a explosão de vida, o surgimento súbito e a rápida diversificação de organismos no início do período Cambriano.

De acordo com Hage, é improvável que, no futuro, a Terra volte ao seu estado de “bola de neve”. “Inclusive com Invernos extremos, formar-se-iam placas de gelo continentais, o que deteria a meteorização continental e permitiria que o dióxido de carbono se acumulasse na atmosfera, dando lugar ao aquecimento em vez de uma congelação descontrolada”, rematou a cientista.

ZAP // Sputnik News / Live Science

Por ZAP
11 Fevereiro, 2019

 

1420: 2018 foi o segundo ano mais quente no Árctico desde que há registo

CIÊNCIA

usgeologicalsurvey / Flickr

Este ano, 2018, foi o segundo mais quente no Árctico desde 1900, quando começou a haver registos das temperaturas, aponta um relatório esta semana divulgado.

Em 2018, a temperatura esteve 1,7 graus Celsius mais elevada do que a média dos últimos 30 anos e o aquecimento global foi duas vezes mais rápido do que a média mundial. O recorde absoluto data de 2016.

Os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que coordenou um relatório de referência, escrito por mais de 80 investigadores de 12 países.

Aquele organismo depende directamente da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, que em Novembro rejeitou um relatório sobre os efeitos das alterações climáticas, da responsabilidade de investigadores federais. Apesar disso, a NOAA publicou este ano a 13.ª edição do relatório sobre o Árctico.

“O Árctico enfrenta uma transição repentina, sem precedentes na História da Humanidade”, advertiu Emily Osborne, do programa da NOAA de pesquisa do Árctico, citada pela Agência France Presse.

No Oceano Árctico, o gelo forma-se de Setembro a Março, mas a temporada tem-se encurtado nos últimos anos. O gelo é menos espesso, mais jovem e cobre menos o oceano. O gelo velho, com mais de quatro anos, reduziu-se em 95% em 33 anos.

Segundo o relatório da NOAA, cria-se um círculo vicioso em que o gelo mais jovem é mais frágil e derrete mais cedo na primavera, com menos gelo a significar menos capacidade de reflectir a luz solar, o que tem como resultado que o oceano absorve mais energia e aquece um pouco mais. Os doze anos de cobertura de gelo mais fraca são os últimos doze anos.

O relatório indica que nunca houve tão pouco gelo de inverno no mar de Bering, entre a Rússia e o Alasca, como em 2017-2018. Habitualmente, o inverno mais forte chega em Fevereiro, mas este ano o gelo derreteu naquele mês em proporções sem precedentes.

Donald Perovich, professor na Universidade de Dartmouth, no estado norte-americano de New Hampshire, refere que a perda de gelo atingiu “uma área do tamanho do estado [norte-americano] de Idaho”, cerca de 215.000 quilómetros quadrados em duas semanas de Fevereiro, um terço do território francês.

Por outro lado, de acordo com a NOAA, a aceleração do derretimento da camada de gelo na Gronelândia estabilizou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

 

1395: A Gronelândia está a derreter mais depressa do que nunca

CIÊNCIA

Christine Zenino / wikimedia

Foram analisados mais de 350 anos para concluir que o manto de gelo da Gronelândia está a derreter mais rapidamente do que no ano passado. O ano de 2012 foi particularmente danoso.

Luke Trusel, da Universidade Rowan, nos Estados Unidos, coordenou uma equipa de cientistas que desenvolveu um registo, recuando até 1650 e analisando camadas de derretimento em núcleos de gelo do Oeste da Gronelândia.

“Os autores ligaram essas camadas a processos de derretimento mais amplos e actuais na Gronelândia” refere o resumo do estudo, que foi publicado recentemente na Nature. Os resultados levam os cientistas a concluir que o derretimento e o escoamento do manto aceleraram recentemente, fora do intervalo da variabilidade passada.

Além disso, segundo o Público, este trabalho permitiu confirmar que o derretimento da camada de gelo da Gronelândia começou a aumentar logo após o início do aquecimento do Árctico, em meados da década de 1800.

Nos últimos 350 anos, o derretimento da superfície em 2012 foi muito mais extenso. Já na década mais recente contida nos núcleos de gelo (2004-2013) observou-se um degelo mais sustentado e intenso do que qualquer outro período de dez anos registado.

Os autores avisam que “devido a uma resposta não linear do derretimento da superfície ao aumento das temperaturas do ar no Verão, o aquecimento atmosférico continuado levará a aumentos rápidos no escoamento do manto de gelo da Gronelândia e nas contribuições no nível do mar“, dado que o manto de gelo da Gronelândia é um dos principais factores naturais que contribui para a elevação do nível do mar.

O manto de gelo da Gronelândia é um importante marcador da evolução do planeta para os cientistas. Ano após ano, enquanto que o mundo aquece, a Gronelândia derrete.

No ano passado, em Junho, um outro estudo concluía que os glaciares e os cumes de gelo na Gronelândia não vão conseguir recuperar da actual situação, por exemplo.

Além disso, um outro estudo adiantava que o derretimento do gelo na costa da Gronelândia terá como consequência a subida do nível do mar em cerca de 3,8 centímetros até 2100. Um clima mais quente no futuro poderá mesmo trazer consequências graves.

ZAP //

Por ZAP
8 Dezembro, 2018

 

1342: O gelo no Monte Evereste está mais quente do que devia (e pode derreter)

CIÊNCIA

markhorrell / Flickr

O gelo do Monte Evereste está mais quente do que devia, o que significa que o glaciar será vulnerável aos efeitos futuros das alterações climáticas.

O Khumbu, o maior glaciar do mundo que está localizado nas encostas do Monte Evereste, registou temperaturas vários graus acima do normal, por isso é especialmente susceptível ao aquecimento global e pode afectar o acesso à água potável de cerca de 60 milhões de pessoas que vivem na região.

O estudo, publicado em 14 de Novembro no Scientific Reports, baseou-se em medições térmicas recolhidos no gelo do glaciar ao longo de vários meses em 2017 e 2018 em altitudes de até 5.200 metros acima do nível do mar.

Os especialistas fizeram furos de até 155 metros de profundidade no gelo, onde, posteriormente, colocaram sensores térmicos.

Desta forma, os investigadores determinaram que a temperatura mínima do gelo registada naquela profundidade era de apenas -3,3ºC, ou seja, dois graus acima da temperatura média anual do ar.

“Gelo quente é particularmente vulnerável às mudanças climáticas porque mesmo um pequeno aumento na temperatura pode provocar o derretimento”, disse Duncan Quincey, geógrafo da Universidade de Leeds, no Reino Unido e principal autor do estudo.

A alta temperatura do gelo é atribuída ao calor geotérmico, juntamente com o ar mais quente que vem de alturas mais baixas, e a água que se origina do derretimento. Isto pode gerar um ciclo de feedback positivo perigoso, já que a água absorve melhor o calor do que o gelo, que, quando derretido, é cercado, por sua vez, por uma quantidade maior de água.

“A temperatura interna tem um impacto significativo sobre a dinâmica complexa de um glaciar”, que é “uma parte crucial do abastecimento de água de milhões de pessoas na região de Hindukush e do Himalaia”, referiu Quincey.

De facto, esta é a área com mais gelo – excepto o Árctico e a Antárctida – e, por isso, é apelidada de “terceiro pólo”. Cerca de 60 milhões de pessoas dependem da água das montanhas do Monte Evereste.

A enorme quantidade de gelo é uma reserva valiosa de água potável. Por isso, o aumento da temperatura do gelo pode vir a afectar a população que dela depende, assim que o gelo comece a derreter.

ZAP // RT / Science Alert

Por ZAP
27 Novembro, 2018