5338: Já aconteceu na História. Se o gelo da Gronelândia derreter as cidades costeiras ficam submersas

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Amostras recolhidas durante a Guerra Fria provam que camada de gelo da Gronelândia nem sempre existiu. Se voltar a derreter, o nível do mar poderá subir mais de seis metros.

Gelo na Gronelândia
© Jonathan NACKSTRAND / AFP

A camada de gelo, com mais de um quilómetro de espessura, que cobre a Gronelândia terá derretido por completo e ciclicamente nos períodos quentes da história do planeta Terra. A descoberta recente foi feita por um grupo de cientistas das universidades de Vermont, Columbia e de Copenhaga e põe a nu um facto preocupante: a ser assim, e face ao actual período de temperaturas extremas provocado pela acção humana, praticamente todas as cidades costeiras do mundo estão condenadas.

Os cientistas creem que na camada de gelo da Gronelândia está contido um volume de água equivalente a uma subida do nível do mar de cerca de seis metros. O que faz do aquecimento global um problema a resolver ou mitigar ainda com maior urgência.

A descoberta, publicada da revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA (PNAS, na sigla inglesa), surgiu na sequência da análise de amostras de gelo recolhidas a grande profundidade na Gronelândia em 1966, que haviam ficado perdidas num congelador, de acordo com uma notícia publicada na página da Sky News.

Ao observá-las ao microscópio, o cientista Andrew Christ, da Universidade de Vermont, descobriu que os sedimentos não continham apenas areia e rocha, mas também galhos e folhas de vegetação.

Para Andrew Christ e os colegas da sua equipa internacional de cientistas – liderada por Paul Bierman, da Universidade de Vermont, Joerg Schaefer da Universidade de Columbia e Dorthe Dahl-Jensen da Universidade de Copenhaga – a descoberta sugere que a camada de gelo com mais de 1,5 quilómetros de espessura não existia num passado geológico recente.

Em vez disso, há apenas algumas centenas de milhares de anos haveria naquela região do planeta uma paisagem com vegetação que cobria uma extensão com a dimensão do estado do Alasca.

“Por norma, as camadas de gelo pulverizam e destroem tudo o que se atravessa no seu caminho”, explicou Andrew Christ. “Mas o que nós descobrimos foram plantas com estruturas delicadas, perfeitamente preservadas”, continuou o cientista.

“São fósseis, mas que parecem ter morrido ontem. É uma cápsula do tempo com aquilo que costumava viver na Gronelândia e que não poderíamos encontrar em mais lado nenhum”, concluiu Christ.

As amostras foram recolhidas em 1966 quando, em plena Guerra Fria, cientistas afectos ao exército norte-americano perfuraram a camada de gelo da Gronelândia e encheram um tubo de amostras com mais 4,5 km.

As perfurações procuravam pôr em prática um plano secreto designado por Project Iceworm (Projecto Minhoca do Gelo) que tinha por objectivo instalar 600 mísseis nucleares sob o gelo e bem perto da União Soviética. Não apenas o plano falhou como os cientistas nada puderam aproveitar das amostras recolhidas, porque perderam o tubo algures num congelador, que só agora foi acidentalmente encontrado.

Para os cientistas, compreender de que modo derreteu a camada de gelo da Gronelândia no passado vai ajudar a perceber como esta se comportará face ao aquecimento que virá no futuro.

“O novo estudo proporciona as mais fortes provas jamais obtidas de que a Gronelândia é mais frágil e sensível às alterações climáticas do que antes se entendia – e que corre um risco sério e grave de derreter irreversivelmente”, alertou Paul Bierman, geo-cientista e investigador principal do estudo.

Diário de Notícias
DN
16 Março 2021 — 23:13


5059: Substância encontrada no gelo da Antárctida pode resolver um mistério marciano

CIÊNCIA/MINERALOGIA/MARTE

GRID Arendal / Flickr

Cientistas encontraram um mineral, muito comum em Marte, nas profundezas de um núcleo de gelo na Antárctida. É composto por potássio, sulfato e ferro.

O mineral, chamado jarosita, tem uma cor amarela-acastanhada e requer água e ácido para se formar. Essas condições são muito difíceis de encontrar no Planeta Vermelho, mas o mineral é muito abundante na superfície marciana. Para os cientistas, a sua formação – e em quantidades tão grandes – ainda é um mistério.

Na Terra, a jarosita pode ser encontrada em resíduos de mineração que foram expostos ao ar e à chuva, mas não é comum. Encontrá-la nas profundezas de um núcleo de gelo na Antárctida foi uma grande surpresa para a equipa, diz Giovanni Baccolo, geólogo da Universidade de Milano-Bicocca, em Itália.

À Science, o investigador contou que os vestígios de jarosita foram encontrados quando os cientistas extraíram do solo um núcleo de gelo de 1,6 mil metros de comprimento. Os vestígios, mais pequenos do que grãos de areia, estavam enterrados nas camadas mais profundas do gelo.

A equipa analisou as partículas com um microscópio electrónico e concluiu que a jarosita se formou em sacos lamacentos dentro do gelo.

A descoberta sugere que o mineral se formou da mesma forma em Marte, embora no Planeta Vermelho a jarosita apareça em depósitos de um metro de espessura, e não em grãos espalhados.

Os investigadores adiantaram ainda que as placas grossas de jarosita podem ter-se formado em Marte porque o planeta tem muito mais poeira do que a Antárctida. “Este é apenas o primeiro passo para ligar o gelo profundo da Antárctida ao ambiente marciano”, acrescentou Baccolo.

No futuro, o investigador quer usar núcleos antárcticos para investigar se os antigos depósitos de gelo marciano eram “caldeirões” para a formação de outros minerais.

Por Liliana Malainho
4 Fevereiro, 2021


4999: Bactérias podem estar a provocar um aumento do degelo na Gronelândia

CIÊNCIA/GEOFÍSICA/AQUECIMENTO GLOBAL


Vídeo editado em modo captura de écran devido à não disponibilização do URL de origem

As bactérias podem estar a ter grande impacto no processo de derretimento de gelo na Gronelândia e, possivelmente, estão a contribuir para o aumento do nível do mar, revelam os investigadores.

Segundo os especialistas, esta situação ocorre porque os micróbios fazem com que os sedimentos que absorvem a luz do sol se acumulem nos fluxos de água derretida. Os cientistas afirmam que estas descobertas podem ser incorporadas a novos modelos climáticos, o que pode levar a previsões mais precisas sobre o derretimento.

“Esses lagos podem ser vistos em toda a Gronelândia e têm uma cor azul brilhante, o que leva a um derretimento ainda maior, pois absorvem mais luz do sol do que o gelo circundante”, explica Sasha Leidman, principal autora do estudo.

Leidman afirma que a situação piora “à medida que os sedimentos escuros se acumulam nesses locais, absorvendo ainda mais a luz solar, causando mais derretimento que pode, consequentemente, aumentar o nível do mar”.

Com as mudanças climáticas, o aumento do nível do mar e as tempestades ameaçam ilhas, países e cidades costeiras em todo o mundo, recorda o Futurity.

A maioria dos cientistas ignora os sedimentos em lagos glaciais que se formam no topo da camada de gelo da Gronelândia, mas, neste estudo, os investigadores tinham como objectivo descobrir por que razão esses sedimentos se acumularam.

Em 2017, os cientistas colocaram um drone num lago de aproximadamente 130 metros de profundidade no sudoeste da Gronelândia, onde fizeram medições e recolheram amostras de sedimentos.

A equipa descobriu que os sedimentos cobrem até um quarto do fundo do lago, muito mais do que os 1,2% estimados, que existiriam se a matéria orgânica e as bactérias não fizessem os com que os sedimentos se agruparem. Os investigadores perceberam também que os lagos têm mais sedimentos do que o previsto por modelos hidrológicos.

“Descobrimos que a única maneira de os sedimentos se acumularam nesses lagos era devido ao facto de haverem bactérias a crescer no sedimento”, disse Leidman.

A especialista revela que “se as bactérias não crescessem no sedimento, todo este seria limpo e esses fluxos iriam absorver menos luz solar. Este processo de agregação de sedimentos está a acontecer há mais tempo do que a história humana”.

O estudo indica que os fluxos de energia solar absorvidos provavelmente dependem da longevidade das bactérias, e o aquecimento na Gronelândia pode levar a maiores depósitos de sedimentos nos rios glaciares.

“A diminuição da cobertura de nuvens e o aumento da temperatura na Gronelândia podem estar a fazer com que essas bactérias cresçam mais intensivamente, causando mais derretimento por sedimentos”, alerta Leidman.

Os resultados do estudo foram publicados na Geophysical Research Letters.

Por Ana Moura
24 Janeiro, 2021


4991: Ice covers the Sahara Desert for just 4th time in 50 years

The world’s largest desert rarely sees snow like this.

Ice streaks the sand dunes of the Sahara Desert in northwestern Algeria.
(Image: © Karim Bouchetata)

On Tuesday (Jan. 19), one of the world’s driest places awoke to an otherworldly dusting of frost.

In the Sahara Desert of northwestern Algeria, just outside the town of Ain Sefra, sand dunes were streaked with ice crystals as far as the eye could see. Local photographer Karim Bouchetata captured the unusual weather in pictures and videos that have since made headlines around the world.

Ain Sefra sits about 3,280 feet (1,000 meters) above sea level and is surrounded by the Atlas Mountains, near the Algerian-Moroccan border. While summer temperatures in the region regularly soar above 100 degrees Fahrenheit (38 degrees Celsius), January days average a much milder 57 F (14 C), according to Sky News. Tuesday’s ethereal display of frost followed a rare night of 27-F (minus 3 C) temperatures.

Snow and ice accumulation in the northern Sahara is unusual, but not unprecedented. Tuesday’s dusting marks the fourth time in 42 years that Ain Sefra has seen snow, with previous occurrences in 1979, 2016 and 2018. Those past snowfalls were much heavier than this week’s display; in 2018, some areas of northwestern Algeria saw up to 15 inches (40 centimeters) of snow, while the 2016 blizzard dumped more than 3 feet (1 m) in select regions, Live Science previously reported.

Photographer Karim Bouchetata takes in the surreal, icy landscape around him. (Image credit: Karim Bouchetata)

The Sahara is the largest hot desert in the world, stretching more than 3.3 million square miles (8.6 million square kilometers) across northern Africa between the Atlantic Ocean and the Red Sea. (Antarctica and the Arctic, which each cover more area than the Sahara, are both considered cold deserts).

The Sahara is much more likely to see snowfall at higher altitudes, such as in the Atlas Mountains, NASA said in a statement following the 2018 snow dump, which was visible from space. The Moroccan side of the Atlas Mountains also saw substantial snowfalls in 2005 and 2012, according to NASA.

Originally published on Live Science.
By Brandon Specktor – Senior Writer
22/01/2021


4822: Há um reservatório de gelo de água quase pura em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Kevin Gill / Flickr

Um grande reservatório de gelo a pouca profundidade em Marte desconhecido até agora é constituído por água quase pura e formou-se nos últimos milhões de anos.

“A nossa análise de radar mostra que pelo menos um desses recursos tem cerca de 500 metros de espessura e quase 100% de gelo, com detritos cobrindo no máximo 10 metros de espessura”, disse Daniel C. Berman, cientista principal do Planetário. Instituto de Ciências, em comunicado.

O mapeamento global de características de fluxo viscoso (VFF), um agrupamento geral de características de fluxo rico em gelo no hemisfério sul de Marte, mostra uma concentração densa em Nereidum Montes, ao longo da borda norte da Bacia de Argyre.

Localizado dentro de uma sub-região a noroeste de Nereidum Montes, há um grande número de VFFs bem preservados e depósitos de manto ricos em gelo – potencialmente as maiores concentrações de qualquer região não polar no hemisfério sul.

Os dados processados ​​do instrumento Shallow Radar (SHARAD) a bordo da espaço-nave Mars Reconnaissance Orbiter da NASA foram usados ​​para analisar reflexos basais nos VFFs na região. Num caso particular, essas observações e análises indicam que é composto de gelo de água quase pura.

NASA/JPL/GSFC

As idades do modelo obtidas a partir da contagem de crateras e das suas distribuições de frequência de tamanho (SFD) associadas tanto em depósitos de manto ricos em gelo como em pequenos VFFs lobulados sugerem que os depósitos se estabilizaram há várias dezenas de milhões de anos na Época Amazónica tardia.

Aquele pequeno lóbulo de VFF provavelmente formou-se devido à mobilização de depósitos do manto.

“Os nossos resultados mostram que VFFs têm estados de conservação mais completos e diversos em Nereidum Montes do que características semelhantes noutras regiões de Marte. Esta região contém depósitos de manto excepcionalmente bem conservados associados a VFFs. Esta observação chave sugere que VFFs lobulados são formado pelo fluxo glacial de depósitos do manto nas encostas”, disse Berman.

“Esta região seria um local de pouso interessante devido à grande quantidade de gelo, que poderia ser usado como fonte de água”, disse Berman. “Infelizmente, é um terreno muito montanhoso e provavelmente seria muito difícil pousar lá.”

Este estudo foi será publicado em Fevereiro na revista científica Icarus.

Por Maria Campos
17 Dezembro, 2020


4549: Pela primeira vez, o Árctico ainda não tem gelo em Outubro

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/ÁRCTICO

a Bean fan / Flickr

Pela primeira vez desde que há registos, o principal viveiro de gelo marinho do Árctico, o Mar de Laptev, na Sibéria, ainda não começou a congelar no final de Outubro.

O Mar de Laptev mantém-se em estado líquido a poucos dias de terminar o mês de Outubro. Normalmente, navegar lá nesta altura do ano seria impossível devido ao gelo. O clima mais quente no norte da Rússia e a intrusão de águas do Atlântico fazem com que este mar ainda não tenha congelado nesta altura do ano, escreve o jornal britânico The Guardian.

Os investigadores alertam que isto é resultado da crise climática, que pode produzir efeitos indirectos em toda a região polar.

“É bastante incomum a lentidão com que o gelo está a formar-se neste inverno na região da Eurásia”, disse Julienne Stroeve, investigadora do National Snow and Ice Data Center, no Colorado, em declarações à VICE. “Olhando para as temperaturas da superfície do mar, podemos ver que as temperaturas ainda estão vários graus acima do ponto de congelamento e também significa que as temperaturas do ar próximo à superfície também estão elevadas”.

“A falta de congelamento até esta altura não tem precedentes na zona do Árctico siberiano”, refere, por sua vez, Zachary Labe, investigador na Universidade estatal do Colorado, nos Estados Unidos.

A temperatura das águas na área está cinco graus acima do habitual para esta época, em linha com o inverno passado.

“Os últimos 14 anos, de 2007 a 2020, caracterizaram-se pelas mais baixas extensões de gelo desde o início dos registos por satélite, em 1979”, diz Walt Meier, cientista do National Snow and Ice Data Center.

Como há menos gelo no mar, uma menor quantidade de calor é reflectida para o espaço, fazendo com que o aquecimento de toda a região acelere.

Este ano, o gelo do mar Árctico encolheu para a segunda menor extensão desde que há registos, ou seja desde o final dos anos 70 – anunciaram os cientistas da NASA.

Uma análise de dados do satélite da NASA e do National Snow and Ice Data Center mostra que a extensão mínima de 2020 foi, provavelmente, alcançada a 15 de Setembro, e estimou que esta media 3,74 milhões de quilómetros quadrados.

Nas últimas duas décadas, a extensão de gelo do mar Árctico no verão diminuiu acentuadamente. A menor extensão de gelo que foi registada, aconteceu em 2012, depois de uma tempestade assolar a região, e quebrar o pouco gelo que ainda existia. A extensão do ano passado ficou em segundo lugar, até que a deste ano conseguiu um novo recorde.

Em 2020, o Árctico teve a segunda menor extensão de gelo já registada

A 15 de Setembro de 2020, o gelo do mar Árctico atingiu a sua extensão mínima anual, a segunda menor…

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ZAP //

Por ZAP
26 Outubro, 2020

 

4422: A misteriosa lua de Saturno tem gelo novo num lugar inesperado

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/SATURNO

NASA / JPL-Caltech

Uma equipa de cientistas acaba de descobrir gelo novo no hemisfério norte de Encélado, o sexto maior satélite natural de Saturno.

Recorrendo a imagens captadas pela nave Cassini da NASA, que já terminou as suas operações, a equipa descobriu gelo relativamente recente no hemisfério norte de Encélado, sugerindo que este mundo pode ser geologicamente mais activo do que se pensava.

Tal como escreve o Space.com, o novo gelo surge numa localização inesperada de Encélado, que, para muitos cientistas, integra o leque de quatro corpos – a par de Marte, Europa (lua de Júpiter) e Titã (maior lua de Saturno) – onde é mais provável existir vida.

A sul de Encélado os cientistas sabiam já que existe actividade geológica, uma vez que a Cassini avistou na região mais de 100 géisers a lançar água gelada para o Espaço.

Os cientistas chegaram à nova descoberta depois de olharem para a assinatura de calor de Encélado, recorrendo à luz solar reflectida e posteriormente analisada com o espectrómetro  de mapeamento visível e infravermelho da Cassini (VIMS).

“Graças a estes olhos infravermelhos [da Cassini] podemos voltar no tempo e dizer que uma grande região no hemisfério norte também parece jovem e, provavelmente, estava activa não há muito tempo nas linhas do tempo geológico”, afirmou Gabriel Tobie, um cientista do VIMS da Universidade de Nantes (França), citado em comunicado da NASA.

Acredita-se que o géisers de Encélado tenham causado as “riscas de tigre” neste corpo, avistadas pela primeira vez também pela Cassini. Trata-se de fissuras espaçadas de forma uniforme, com aproximadamente 131 quilómetros de comprimento.

Os cientistas não sabem ainda como é o gelo reapareceu a norte nem quando é que o fenómeno aconteceu, mas deixam algumas possíveis explicações para o ocorrido.

“O ressurgimento [de gelo] a norte pode dever-se a jactos de gelo ou a um movimento mais gradual do gelo através de fracturas na crosta, [que aparecem] a partir do subsolo do oceano [rumo à] superfície” de Encélado.

Os resultados da investigação foram publicados recentemente na revista Icarus.

Apesar de não haver nenhuma missão planeada a Encélado, os cientistas continuarão certamente atentos a este mundo. A sexta maior lua de Encélado é um dos mundos mais promissores para a vida alienígena no Sistema Solar.

Além do oceano subterrâneo e actividade geológica, a lua terá, provavelmente, uma fonte de energia a que os organismos podem aceder – reacções químicas talvez semelhantes às que sustentam a vida perto das fontes hidrotermais profundas da Terra.

Não há nenhuma missão futura planeada ainda para atingir Enceladus, embora os cientistas tenham feito o lance para uma durante uma apresentação coordenada pelas Academias Nacionais de Ciências dos EUA em 31 de Março. Enquanto isso, os pesquisadores devem confiar em dados colectados por missões mais antigas.

Cientistas querem convencer a NASA a rumar a Encélado (para procurar vida alienígena)

A NASA está prestes a avançar com uma missão a Titã, a maior lua de Saturno, mas alguns cientistas tentam…

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2 Outubro, 2020

 

 

4418: Em 2020, o Árctico teve a segunda menor extensão de gelo já registada


Vídeo processado via captura de écran por não estar disponibilizado o endereço original.

A 15 de Setembro de 2020, o gelo do mar Árctico atingiu a sua extensão mínima anual, a segunda menor já registada. A região do Árctico em geral está a aquecer três vezes mais depressa do que o resto do planeta.

Este ano, o gelo do mar Árctico encolheu para a segunda menor extensão desde que há registos, ou seja desde o final dos anos 70 – anunciaram os cientistas da NASA.

Uma análise de dados do satélite da NASA e do National Snow and Ice Data Center mostra que a extensão mínima de 2020 foi, provavelmente, alcançada a 15 de Setembro, e estimou que esta media 3,74 milhões de quilómetros quadrados.

Nas últimas duas décadas, a extensão de gelo do mar Árctico no verão diminuiu acentuadamente. A menor extensão de gelo que foi registada, aconteceu em 2012, depois de uma tempestade assolar a região, e quebrar o pouco gelo que ainda existia. A extensão do ano passado ficou em segundo lugar, até que a deste ano conseguiu um novo recorde.

O gelo do Oceano Árctico sofre padrões sazonais de mudança. No inverno, a água do mar congelada cobre quase todo o Oceano Árctico, bem como os mares vizinhos. Este gelo encolhe durante o final da primavera e do verão, e torna-se mais espesso, expandindo-se durante o outono e inverno.

Mark Serreze, director do National Snow and Ice Data Center, disse à CNN que este novo recorde mostra que “o Oceano Árctico está a percorrer um caminho onde se vai tornar sazonalmente livre de gelo. As 14 extensões de gelo mais baixas ocorreram nos últimos 14 anos. Nunca melhorou e não há indicação de recuperação. É algo que nunca vimos antes”.

Os cientistas da NASA afiram que uma onda de calor na Sibéria, durante a última primavera, fez com que o início do derretimento do gelo no Árctico começasse mais cedo.

Nathan Kurtz, cientista da NASA, disse num comunicado que: “este ano o Árctico estava muito quente, e as estações onde normalmente decorria o degelo, estão a começar cada vez mais cedo. Quanto mais cedo começar o derretimento, mais gelo se perde”.

A perda de gelo marinho ameaça a vida selvagem do Árctico, sobretudo a espécies como os ursos polares, as focas, e as algas. “Os números deixam um alerta vermelho, e aumentam a nossa preocupação para com a estabilidade do ambiente e dos animais”, disse Tom Foreman, especialista em vida selvagem polar.

De acordo com a NASA, quedas na extensão do gelo entre 2007 e 2012 – juntamente com o declínio geral da extensão do verão – levaram a que menos regiões de gelo espesso se acumulassem ao longo de vários Invernos. Para além disso, um estudo recente mostrou que as águas mais quentes do Oceano Atlântico, estão a aproximar-se do fundo do gelo marinho, e estão a começar a aquecê-lo o que leva a um derretimento precoce.

O gelo está a diminuir no verão, mas também está a ficar mais fino. Esta situação preocupa a NASA pois o gelo fino também derrete mais rápido do que os blocos mais espessos.

Este problema é a consequência das ondas de calor provenientes da Sibéria, dos incêndios florestais, e das temperaturas acima da média que têm sobretudo assolado o Árctico Central.

ZAP //

Por ZAP
1 Outubro, 2020

 

 

4359: NASA encontra provas de “gelo fresco” na Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A sonda Cassini, que explorou Saturno durante 13 anos e que despenhou no planeta em 2017, deixou dados captados que ainda são hoje escrutinados. Então, ao escavarem nas imagens infravermelhas detalhadas da lua gelada Enceladus, os cientistas da NASA dizem ter encontrado “fortes indícios” de gelo fresco no hemisfério norte da lua.

Esta pode ser uma boa notícia para as hipóteses de vida na lua gigante, a “bola de neve” de Saturno.

NASA descobre importantes evidências de gelo em Saturno

Os cientistas analisaram os dados deixados pela Cassini sobre a Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno. Segundo eles, o gelo, que se acredita ter origem no interior desta Lua, pode ser uma boa notícia.

Esta Lua, para os astrónomos, é considerada um dos lugares mais promissores para procurar vida no sistema solar.

Conforme é referido pela NASA, o conjunto de dados detalhados através de imagens infravermelhas foi recolhido pelo Visible and Infrared Mapping Spectrometer (VIMS) da Cassini.

A tecnologia da Cassini permitiu a leitura de comprimentos de onda variáveis, incluindo luz visível e infravermelha.

Lua de Saturno atira bolas de neve para o espaço

Em 2005, os cientistas descobriram, pela primeira vez, que Enceladus lança gigantescas plumas de grãos de gelo e vapor de um oceano subterrâneo suspeito, escondido sob uma espessa crosta de gelo.

Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Saturno é um planeta rico em motivos de curiosidade cósmica. Este gigante gasoso tem mais de sessenta satélites naturais na sua órbita. Contudo, a maioria deles são corpos pequenos, sendo que somente nove luas … Continue a ler Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Portanto, os novos sinais infravermelhos combinam perfeitamente com a localização desta actividade, tornada altamente visível na forma de cortes em néon vermelho “faixa de tigre”, no Polo Sul da lua.

Características semelhantes também foram detectadas no hemisfério norte, levando os cientistas a acreditar que o mesmo processo está a acontecer em ambos os hemisférios.

O infravermelho mostra-nos que a superfície do Polo Sul é jovem, o que não é surpresa, porque sabíamos dos jactos que lançam material gelado ali.

Afirmou Gabriel Tobie, cientista do VIMS da Universidade de Nantes, num comunicado da NASA.

Conforme foi referido pelos investigadores, se as condições forem adequadas, poderão existir moléculas provenientes do oceano profundo de Enceladus. Estas moléculas podem estar na mesma via de reacção que vemos aqui na Terra.

Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra. Contudo, encontrar as moléculas que formam aminoácidos é uma peça importante do puzzle.

Pplware
Autor: Vítor M.
19 Set 2020

 

 

4216: Em 30 anos derreteram 28 biliões de toneladas de gelo, indica estudo britânico

CIÊNCIA/POLUIÇÃO/AMBIENTE

maggiedavid / Flickr

Nos últimos 30 anos a Terra perdeu 28 biliões de toneladas de gelo devido ao aquecimento global, potenciado pelo efeito de estufa, concluiu um grupo de cientistas britânicos.

Para chegar a esta conclusão, cientistas das universidades de Leeds e Edimburgo e do Colégio Universitário de Londres estudaram imagens de satélite dos pólos, cordilheiras montanhosas e glaciares, noticiou no domingo o Público, citando o Guardian. Os investigadores analisaram a progressão do degelo na Terra entre 1994 e 2017.

Até ao final do século, o nível da água poderá subir um metro por causa do degelo nos pólos. “Para contextualizar, cada centímetro de subida da água do mar significa que cerca de um milhão de pessoas será deslocada das suas terras em terrenos baixos”, disse ao Guardian Andy Shepherd, director do Centro de Observação e Modelação Polar da Universidade de Leeds.

Com menos gelo nos pólos, a Terra perde capacidade de reflectir luz solar e aquece mais depressa, advertiram os cientistas. Por sua vez, a água gelada que provem de glaciares derretidos ameaça ecossistemas e comunidades em vários pontos do globo.

“Há poucas dúvidas de que a maioria da perda de gelo na Terra é uma consequência directa do aquecimento global”, lê-se num resumo, publicado na Cryosphere Discussions.

Este estudo foi “a primeira vez que alguém olhou para todo o gelo que está a desaparecer do planeta inteiro”. “O que encontrámos atordoou-nos”, disse Andy Shepherd.

“Vinte e oito biliões de toneladas de gelo cobririam toda a superfície do Reino Unido com uma camada de gelo com 100 metros de espessura. É surpreendente”, afirmou Tom Slater, um dos investigadores da Universidade de Leeds.

ZAP //

Por ZAP
24 Agosto, 2020

 

 

4035: Gelo no Árctico continua a desaparecer a ritmo alarmante

CIÊNCIA

Os investigadores registam recordes de temperatura no Árctico, o que está a acelerar o desaparecimento do gelo naquela região

Onde antes se viam mares cheios de gelo, agora registam-se vastos oceanos abertos. A alteração da paisagem deve-se às mudanças climáticas e, naquela região do Árctico, os termómetros estão a marcar o mês de Julho mais quente de sempre. Cientistas como Zachary Labe, da Universidade do Colorado, estimam que o mar de gelo no Árctico esteja 500 mil quilómetros quadrados abaixo do recorde mais baixo de que há registo.

Segundo o Mashable, que ouviu vários especialistas, há diferentes factores que contribuem para estes acontecimentos:

– a Sibéria está a registar temperaturas anormalmente altas, com uma cidade russa a registar mais de 40 graus centígrados, valor recorde para a região e que contribuiu para o degelo;

– vastas regiões de oceano aberto, o que leva a que a temperatura aumente e que esteja demasiado alta para que a água congele ou se mantenha em gelo;

– o gelo marítimo ser mais fino do que a média, o que faz com que derreta mais cedo;

– os ventos que sopram do sul empurram o gelo marítimo para longe da costa onde há mais gelo;

– os valores mínimos que se registam na zona habitualmente verificam-se em Setembro, pelo que ainda é cedo para se saber se vamos bater um recorde negativo, mas tudo aponta para o pior cenário.

Por outro lado, os investigadores deixam ainda alertas para o panorama geral negativo que se tem vindo a verificar em diferentes vertentes, na região do Árctico. O aquecimento naquela região está a subir a um ritmo três vezes superior ao do resto do mundo; o degelo no Árctico vai conduzir a eventos como ondas de calor prolongadas noutras áreas do planeta; nos últimos dois anos, a zona foi assolada por incêndios sem precedentes, que contribuíram também para a libertação de grandes volumes de dióxido de carbono para a atmosfera; por último, o desaparecimento dos mares leva a que os ursos polares fiquem sem território de caça, com os cientistas a avisar que muitas sub-populações possam desaparecer nos próximos tempos.

Os cientistas deixam mais um aviso: “Sem a redução de grande escala das emissões de gases poluentes, este tipo de eventos vai ser mais frequente no século XXI. 2020 é só mais um alarme”, sublinhou Labe.

Exame Informática
22.07.2020 às 10h08

 

 

3624: Avalanches de gelo gigantes podem ter criado as misteriosas espirais no Pólo Norte de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA MGS MOLA Science Team / FU Berlin / DLR / ESA

Avalanches de gelo gigantes podem ter destruído quilómetros de crateras polares de Marte a velocidades de até 80 metros por segundo. Esses fenómenos podem resolver um mistério sobre características estranhas do Planeta Vermelho.

Marte está cheio de características bizarras desde “dunas extraterrestres” a carbonatos de superfície. Há muito tempo que os investigadores observam características lineares estranhas que viajavam pelas laterais de duas crateras de impacto na região polar norte do planeta.

De acordo com um novo estudo que será publicado em Julho na revista científica Planetary and Space Science, essas formações em espiral são o que resta de avalanches de gelo monumentais que ocorreram há cerca de um milhão de anos.

Os cientistas já tinham argumentado anteriormente que essas formas lineares pareciam morenas ou moreias: estruturas lineares montanhosas formadas por glaciares de movimento lento, que empurram sujidade e rochas à frente do seu avanço. Nas regiões polares de Marte, os glaciares são feitas de dióxido de carbono, mas os seus efeitos geológicos são os mesmos.

O novo estudo argumenta que grandes torres de gelo d’água, chamadas maciços, localizadas ao longo da encosta das crateras, desabaram, resultando em avalanches épicas. As cristas parecidas com a morena eram formadas pela acumulação de detritos empurrados para o fundo das crateras pelo colapso de maciços.

Planetary and Space Science / NASA

Sergey Krasilnikov, da Russian Academy of Sciences, e os colegas simularam estes surtos hipotéticos usando dados colhidos pela NASA e realizando cálculos independentes. Juntos, esses métodos apoiaram um cenário em que a “acumulação excessiva de gelo d’água nas encostas” atingiu “uma condição instável crítica”, resultando em avalanches de gelo e na formação das cristas.

Os maciços formam-se através da acumulação constante de geada. Eventualmente, o peso e a pressão ficaram tão intensos que os maciços desabaram, libertando o seu conteúdo para o fundo da cratera.

O maior dos dois colapsos envolveu cerca de 2,42 quilómetros quadrados de gelo, enquanto o menor envolveu 1,1 quilómetros quadrados. O maciço maior tinha cerca de 150 metros de altura e o menor 100 metros de altura.

A queda de gelo e detritos teria viajado a uma estimativa de 80 metros por segundo. Como a gravidade é mais baixa em Marte, os destroços espalham-se por um território amplo, atingindo cerca de 15 quilómetros do ponto de partida no colapso maior e 12 quilómetros no menor. Durante o maior colapso do maciço, a avalanche abrangeu uma área total de 104 quilómetros quadrados.

“É uma boa explicação alternativa”, disse Mike Sori, cientista planetário da Universidade do Arizona que não participou da nova pesquisa, em declarações à EOS, jornal da American Geophysical Union.

Marte pode ter tido dois reservatórios de água (e nenhum oceano de magma)

Meteoritos marcianos analisados por cientistas sugerem que o Planeta Vermelho pode não ter tido um oceano de magma global, ao…

Mais evidências são necessárias para comprovar este estudo. Investigações futuras terão de explicar porque é que foram encontrados apenas dois exemplos de avalanches de gelo em Marte.

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30 Abril, 2020

 

 

2873: Há gelo no pólo sul da Lua e pode ter muitas fontes

CIÊNCIA

NASA’s Goddard Space Flight Center/Scientific Visualization Studio
A sonda LRO encontrou crateras brilhantes na zona do pólo sul da Lua – que correspondem a jazidas de gelo

Um novo estudo sugere que o gelo encontrado na superfície lunar pode ter milhares de milhões de anos, além de ter surgido de diferentes fontes.

O estudo, publicado recentemente na Icarus, sugere que a maioria do gelo lunar pode ser tão antigo quanto a própria Lua, enquanto que outros depósitos de gelo podem ser mais jovens.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos, uma vez que essa informação pode ser fundamental tanto para a ciência básica quanto para futuras explorações lunares, já que o gelo pode ser utilizado como combustível entre outras utilizações importantes.

“A idade dos depósitos pode dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno”, começou por explicar Deutsch.

“Para fins de exploração, precisamos de entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir qual a melhor maneira de conseguir chegar até eles. Essas distribuições evoluem com o tempo, por isso é que é importante ter uma ideia da sua idade”, continuou, citado pelo Science Daily.

Usando dados do Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, que orbita a Lua desde 2009, os cientistas analisaram as idades das grandes crateras nas quais foram encontradas evidências de depósitos de gelo no pólo sul.

De acordo com os cientistas, a maioria dos depósitos de gelo está dentro de crateras formadas há aproximadamente 3,1 milhões de anos, ou mais. Como o gelo não pode ser mais antigo do que a cratera, esta datação estabelece um limite na idade do gelo.

O facto de a cratera ser antiga, não implica que o gelo encontrado dentro dela também seja. No entanto, neste caso, os cientistas dizem haver boas razões para acreditar que o gelo é realmente antigo.

Se os depósitos de gelo forem realmente antigos, isso pode ter implicações significativas em termos de exploração e potencial utilização de recursos, adiantam os investigadores.

Mas enquanto que a maioria do gelo estava em crateras antigas, a verdade é que os cientistas também encontraram evidências de gelo nas crateras mais pequenas e, a julgar pelas características do gelo, parecem mais recentes.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovem”, explicou Deutsch, referindo-se às características afiadas e bem definidas do gelo encontrado no pólo sul da Lua.

Se há, de facto, depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. Gelo mais antigo poderia ter sido originado por cometas e asteróides que afectaram a superfície, ou através de actividades vulcânicas que extraíam água das profundezas da Lua. Já os depósitos de gelo mais recentes podem ter outra explicação, como o bombardeio de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou a implantação pelo vento solar.

Mas a melhor maneira de descobrir é obtendo amostras. Os cientistas querem enviar missões para as recolher, o que ajudaria a descobrir e a responder a todas as questões e incertezas que ainda pairam no ar.

“Quando pensamos em enviar novamente humanos à Lua para exploração a longo prazo, precisamos de saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos” concluiu Jim Head, co-autor do artigo científico.

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21 Outubro, 2019

 

2858: Manto de gelo da Antárctida ainda liberta cloro radioactivo de testes nucleares dos anos 50

CIÊNCIA

Jason Ardell / Flickr

Um novo estudo confirmou que o manto de gelo da Antárctica ainda está a libertar cloro radioactivo, proveniente de testes feitos com armas nucleares na década de 1950.

Quando as bombas nucleares são detonadas — tal como aconteceu nas décadas de 50 e 60, com os testes dos Estados Unidos no Oceano Pacífico —, o cloro-36 é um dos isótopos radioactivos libertados no ar, quando os neutrões reagem com o cloro na água do mar.

Desde então, outros isótopos voltaram aos níveis pré-teste, mas, aparentemente, isso não aconteceu com o cloro-36, como mostra um novo estudo agora citado pelo Science Alert.

Este isótopo também ocorre naturalmente e é usado pelos cientistas para datar os núcleos de gelo, juntamente com o berílio-10. No entanto, no seu estado padrão, o cloro-36 fica permanentemente preso pela neve na Antárctida, portanto, não devemos encontrar nenhuma leitura dele na atmosfera.

“Já não há cloro-36 nuclear na atmosfera global. É por isso que devemos observar os níveis naturais de cloro-36 em todos os lugares”, explica a cientista Mélanie Baroni, do Centro Europeu de Pesquisa e Ensino das Geociências do Meio Ambiente de França (Cerege).

Ao analisar duas áreas específicas da Antárctida — uma com relativamente pouca queda de neve anual e outra com muita —, os cientistas descobriram que altos níveis de cloro-36 ainda estão presentes perto da superfície do gelo à volta do local com pouca queda de neve, a estação de pesquisa russa Vostok.

Em 2008, havia dez vezes os níveis naturais de cloro-36 no gelo à volta da base. A radioactividade resultante é muito pequena para ter um sério impacto na atmosfera da Terra, mas parece que, afinal, este isótopo é mais resistente do que se pensava. Para surpresa dos cientistas, também está a mostrar ser mais ágil, subindo das profundezas da neve desde 1998.

As conclusões deste estudo, publicado em Setembro na revista Journal of Geophysical Research – Atmospheres, podem dar-nos uma nova visão sobre como o clima da Terra evoluiu ao longo de milhões de anos.

Além disso, esta investigação também serve como lembrete para o impacto duradouro que as armas nucleares têm no ambiente, décadas depois de terem sido detonadas.

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19 Outubro, 2019

 

2831: Que idade terá o gelo encontrado na Lua?

CIÊNCIA

No ano passado, a NASA fez uma descoberta que mudou significativamente a forma de pensar no futuro da Lua. O facto de haver água no nosso satélite natural pode ser importante para viagens espaciais futuras, além de outros objectivos no Espaço. A descoberta de depósitos de gelo lunar, abriu novas linhas de investigação. Assim, entre várias questões levantadas, a idade desse gelo pode revelar muita coisa que desconhecemos.

Segundo as investigações, a maioria dos depósitos de gelo na lua têm, provavelmente, milhares de milhões de anos. Contudo, alguns podem ser muito mais recentes.

Há gelo da Lua, será que o podemos usar?

A descoberta de depósitos de gelo em crateras espalhadas pelo Polo Sul da lua ajudou a renovar o interesse em explorar a superfície lunar. Contudo, ninguém sabe exactamente quando ou como chegou lá esse gelo.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos. Essa informação pode ser crucial quer para a ciência básica, quer para as futuras explorações lunares. Isto porque este gelo poderá um dia ser usado como combustível, além de outras utilizações vitais.

As idades desses depósitos podem potencialmente dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno. Para fins de exploração, precisamos entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir a melhor forma de chegar até eles. Estas distribuições evoluem com o tempo, por isso é importante ter uma ideia da idade.

Revelou Deutsch.

Que idade tem o gelo da Lua?

Segundo os dados recolhidos pelo LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento Lunar) da NASA, que está a orbitar a lua desde 2009, os investigadores olharam para as idades das grandes crateras nas quais os cientistas encontraram evidências de depósitos de gelo no Polo Sul. Tendo em conta as crateras existentes hoje, os investigadores contaram quantas crateras menores se acumularam dentro das maiores.

Desta forma, os cientistas conseguem ter uma ideia aproximada do ritmo dos impactos ao longo do tempo. Assim, a contagem das crateras pode ajudar a estabelecer as idades dos terrenos.

Segundo os investigadores, a maioria dos depósitos de gelo relatados estão dentro de grandes crateras formadas há cerca de 3,1 mil milhões de anos ou mais. Como o gelo não pode ser mais velho do que a cratera, isso coloca um limite superior na idade do gelo.

No entanto, pese o facto de a cratera ser velha, isso não significa que o gelo dentro dela também seja tão velho assim. Contudo, neste caso há razões para acreditar que o gelo é realmente velho. Os depósitos têm uma distribuição desigual entre os pisos das crateras, o que sugere que os impactos do micro-meteorito e outros detritos danificaram o gelo ao longo do tempo.

Se estes depósitos de gelo relatados forem de facto antigos, isso poderia ter implicações significativas em termos de exploração e utilização potencial de recursos, dizem os cientistas.

Crateras em crateras

Embora a maioria do gelo estivesse nas crateras antigas, os investigadores também encontraram evidências de gelo em crateras menores. Assim, a julgar pelas suas características afiadas e bem definidas, parece ser gelo bastante fresco. Isso sugere que alguns dos depósitos no Polo Sul chegaram lá “recentemente”.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovens antes.

Explicou Deutsch.

Se há realmente depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. O gelo mais antigo poderia ter sido proveniente de cometas e asteróides portadores de água que chocaram com a superfície, ou através de actividade vulcânica que retirava água das profundezas da Lua.

No entanto, não há muitos impactos com grande porte de água nos últimos tempos. Além disso, acredita-se que o vulcanismo tenha acontecido na Lua há mais de mil milhões de anos. Assim, depósitos de gelo mais recentes exigiriam fontes diferentes – talvez resultantes de bombardeios de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou de impactos do vento solar.

Enviar naves à Lua para recolher gelo

Os especialistas referem que para perceber com certeza do que está em causa, é importante enviar naves para recolher amostras. Nesse sentido, a análise do material ajudaria a descobrir e a responder a todas as dúvidas e incertezas. Aliás, esse tipo de missões está no horizonte.

O programa Artemis da NASA visa colocar humanos na lua até 2024. Antes disso, haverá inúmeras missões precursoras com naves espaciais robóticas. Estes estudos são fundamentais para moldar essas futuras missões.

Quando pensamos em enviar humanos de volta à Lua para exploração a longo prazo, precisamos saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos. Estudos como este ajudam-nos a fazer previsões sobre onde precisamos ir para responder a essas perguntas.

Concluiu Jim Head, co-autor do estudo.

O estudo está publicado na revista Icarus. Gregory Neumann do Goddard Space Flight Center da NASA também contribuiu para o trabalho.

NASA descobre gelo à superfície da Lua

Cientistas descobriram gelo nos pólos norte e sul da Lua. Esta é uma grande descoberta que pode mudar completamente a forma como encaramos as viagens espaciais dado que, existe na Lua uma fonte de … Continue a ler NASA descobre gelo à superfície da Lua

Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

2684: Marte: Imagem incrível mostra o pólo norte marciano cheio de neve

CIÊNCIA

Uma imagem captada no mês de Junho aos pólos de Marte mostra o pólo do hemisfério norte cheio de gelo. Estas fotografias, nunca antes conseguidas, foram captadas pela câmara de alta resolução da sonda Mars Express. Segundo a ESA, esta é uma imagem impressionante que mostra o planeta vermelho com uma resolução raramente vista.

São muito raras as imagens do inverno marciano. No entanto, durante este inverno, “chove” bastante sobre o Polo Norte…

Marte de pólo a pólo com impressionante resolução

O topo desta impressionante vista global de Marte mostra o hemisfério norte com o Polo Norte ainda estendido no inverno. Na imagem de alta resolução é possível ver um véu fino e nublado que se estende sobre os vales baixos adjacentes, parcialmente cobertos de areia escura.

Com um olhar atento ao centro da imagem, verificamos que há uma fronteira terrestre. Segundo os especialistas, esta marca a fronteira entre as terras baixas do norte e as terras altas do sul de Marte. As areias escuras também cobrem áreas das terras altas cobertas de crateras.

Por outro lado, no extremo sul da imagem, podemos ver parte das nuvens brancas que pairam sobre esse pólo. A vista do planeta é ligeiramente “inclinada” para o sul, de modo que uma vista do Polo Norte é possível, mas não do Polo Sul. De pólo a pólo, Marte tem um diâmetro de 6.752 quilómetros e a imagem mostrada cobre cerca de 5.000 quilómetros.

O inverno marciano

Durante o inverno no hemisfério norte, o frio intenso causa a precipitação de quantidades significativas de dióxido de carbono para fora da atmosfera sobre o Polo Norte. Isto forma uma película fina no topo da camada polar permanente, que de outra forma consiste predominantemente em gelo de água.

Como resultado, esta camada de gelo estende-se até cerca de 50 graus norte. O conteúdo de vapor de água na atmosfera marciana, que poderia congelar para formar gelo de água e cair à superfície como neve ou gelo, é extremamente baixo.

Estes dados da imagem foram obtidos no início da primavera, no norte. Nesse sentido, a noite polar no Polo Norte acabou e a camada polar, que tinha crescido durante o inverno, começou a recuar gradualmente.

Este crescimento e contracção podem também ter sido observados na camada polar sul. A fina faixa branca de nuvens (provavelmente composta de cristais de gelo de água) é uma das muitas que aparecem no hemisfério norte nesta época do ano.

Planícies enormes

As planícies avermelhadas da Arábia Terra e Terra Sabaea, no centro da imagem, são notáveis pela presença de muitas crateras de grande impacto. Estas indicam que estão entre as regiões mais antigas de Marte.

Dessa forma, vemos ao longo da fronteira norte há uma escarpa surpreendente, com uma diferença de vários quilómetros de altura. Isto separa as planícies, com as crateras das terras baixas do norte das terras altas do sul. Estas últimas têm muitas mais crateras.

Assim, esta mudança notável no terreno, conhecida como a dicotomia marciana, marca uma divisão topográfica e regional fundamental em Marte.

Isto reflecte-se nas diferentes espessuras da crosta, mas estende-se também às propriedades magnéticas da crosta e ao seu campo gravitacional. Há ainda um debate científico sobre como surgiu essa dicotomia da crosta. Terão sido forças “endógenas” no interior de Marte ou serão “forças externas”, asteróides, as responsáveis pelo estado do solo marciano?

Um planeta congelado no tempo

Os processos geológicos (vulcanismo, tectónica, água e gelo) pararam em Marte. No entanto, actualmente, as mudanças que podem ser observadas na superfície são causadas principalmente pelo deslocamento induzido pelo vento das areias escuras.

Assim, enquanto estas areias, que são de origem vulcânica, formam vastos campos de dunas em depressões como crateras de impacto, elas também são frequentemente depositadas noutras grandes áreas, fazendo com que partes da superfície planetária pareçam escuras.

2444: Supernova poderá ter deixado poeira radioactiva no gelo da Antárctida

Cientistas encontraram evidências de poeira produzida por super-novas vizinhas. De acordo com uma nova investigação, esta matéria está escondida debaixo de mil quilos de neve na Antárctida. Assim, poderão ser estes indícios que ajudarão os astrónomos a perceber que o Sol está realmente no meio de uma “Bolha Local”.

Há muitos mistérios por baixo das toneladas de gelo, alguns sinais poderão mostrar a realidade do nosso sistema solar.

O que é um super-nova?

Super-nova é um evento astronómico que ocorre durante os estágios finais da evolução de algumas estrelas. Este momento é caracterizado por uma explosão muito brilhante. Por um curto espaço de tempo, isto causa um efeito similar ao surgimento de uma estrela nova, antes de desaparecer lentamente ao longo de várias semanas ou meses.

Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em mil milhões de vezes a partir do seu estado original. Com isso, o fenómeno torna a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, a sua temperatura e brilho diminuem lentamente. Assim, a explosão de uma super-nova de tipo II pode expulsar para o espaço até 90% da matéria da estrela progenitora.

Vestígios de poeira radioactiva de uma super-nova na neve antárctica

O nosso sistema solar é mais do que apenas o Sol, planetas, luas e asteróides – este está cheio de poeira, grande parte da qual pode ter origem em fontes inter-estelares. Uma equipa de cientistas na Austrália, Alemanha e Áustria espera encontrar a assinatura elementar dessa poeira aqui na Terra. Eventualmente serão revelados dados que ajudarão a entender melhor o ambiente pelo qual o sistema solar se move.

Estou animado com a possibilidade de aprender algo sobre as explosões estelares extremas e grandes estruturas ao redor do nosso planeta que estão inimaginavelmente distantes e grandes. Isso é possível apenas olhando para o nosso próprio planeta.

Referiu Dominik Koll, o primeiro autor do estudo.

Os investigadores organizaram um transporte de cerca de 500 quilos de neve relativamente fresca (não mais de 20 anos). Este material viajou da Estação Kohnen na Antárctida até Munique, Alemanha. Posteriormente, derreteram-na no laboratório, passaram por um filtro e evaporaram-na para recolher poeira e micro-meteoritos.

A poeira a seguir foi incinerada e depois colocaram-na num espectrómetro de massa acelerador. Este método cria iões carregados a partir da amostra, passa os iões através de um íman e para um acelerador de partículas antes de os enviar para o detector. Isto permite que os investigadores procurem apenas isótopos atómicos específicos.

À descoberta de ferro-60 vindo do espaço

Especificamente, a equipa esperava encontrar ferro-60, um isótopo radioactivo de longa duração libertado por estrelas explosivas, ou super-novas. Contudo, o ferro-60 pode ter vindo de outras fontes, como matéria irradiada por raios cósmicos.

Assim, para garantir que estavam realmente a medir a poeira interestelar, também procuraram na amostra por manganésio 53, outro isótopo produzido por raios cósmicos de alta energia. Posteriormente, os cientistas compararam a sua razão de ferro-60 e manganésio 53 com a razão que esperariam se não houvesse poeira interestelar. No entanto, a equipa mediu muito mais ferro-60 do que esperavam apenas dos raios cósmicos.

Mas como chegou lá esta poeira?

Estes investigadores já mostrou anteriormente que uma super-nova próxima depositou ferro-60 no sistema solar nos últimos 1,5 milhão a 3 milhões de anos. Desta forma, e tendo em conta que esta poeira rica em ferro-60 ainda está a cair na Terra, então poderemos estar a passar por uma nuvem de poeira remanescente desta super-nova.

Estudos como estes podem pintar melhor um quadro do ambiente interestelar através do qual o Sol está a viajar. Astrónomos perceberam que o Sol está no meio de uma “Bolha Local”, uma área onde o meio interestelar é muito menos denso que a média, talvez por causa de uma super-nova relativamente recente. Dentro da bolha está a Nuvem Interstelar Local, uma região que é um pouco mais densa que a Bolha. Os núcleos radioactivos da neve da Antárctida podem ser uma forma importante de sondar as origens da Bolha e da Nuvem.

Os investigadores referem que ainda há muito a fazer. O grupo liderado por Koll espera um dia explorar material mais antigo. A ideia será ver como a deposição dessa poeira mudou com o tempo.

A Antárctida é mais do que apenas um deserto gelado. Na verdade, este ainda desconhecido lugar na Terra, pode estar a esconder uma história secreta de super-novas antigas. Esta informação foi publicada na revista científica Physical Review Letters.

Imagem: Wikip
Fonte: Physics

 

2425: A Lua e Mercúrio podem ter espessos depósitos de água gelada

Ilustração conceptual de crateras rasas e geladas, permanentemente à sombra, perto do pólo sul lunar.
Crédito: UCLA/NASA

De acordo com uma nova análise de dados das sondas LRO e MESSENGER, a Lua e Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, podem conter significativamente mais água gelada do que se pensava anteriormente.

Os potenciais depósitos de gelo encontram-se em crateras próximas dos pólos de ambos os mundos. Na Lua, “descobrimos que as crateras rasas tendem a estar localizadas em áreas onde o gelo à superfície foi previamente detectado perto do pólo sul da Lua, e inferimos que esta menor profundidade é mais provável devido à presença de densos depósitos enterrados de água gelada,” disse o autor principal Lior Rubanenko da Universidade de Califórnia em Los Angeles.

No passado, observações telescópicas e por naves espaciais encontraram depósitos de gelo semelhantes a glaciares em Mercúrio, mas ainda não na Lua. O novo trabalho levanta a possibilidade de que depósitos espessos e ricos em gelo também existem na Lua. A investigação pode não apenas ajudar a resolver a questão sobre a aparente baixa abundância de gelo lunar em relação à de Mercúrio, mas também pode ter aplicações práticas: “Se confirmado, este potencial reservatório de água gelada na Lua pode ser suficientemente massivo para sustentar uma exploração lunar a longo prazo,” comentou Noah Petro, cientista do projecto LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

Os pólos de Mercúrio e da Lua estão entre os lugares mais frios do nosso Sistema Solar. Ao contrário da Terra, os eixos de rotação de Mercúrio e da Lua estão orientados de tal modo que, nas suas regiões polares, o Sol nunca se eleva acima do horizonte. Consequentemente, as depressões topográficas polares, como as crateras de impacto, nunca veem o Sol. Postulou-se, durante décadas, que estas regiões permanentemente à sombra são tão frias que qualquer gelo preso dentro delas pode sobreviver durante milhares de milhões de anos.

Observações prévias dos pólos de Mercúrio com radar terrestre revelaram uma assinatura característica de depósitos espessos de gelo puro. Mais tarde, a MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry and Ranging) fotografou estes depósitos de gelo. “Mostrámos que os depósitos polares de Mercúrio são compostos predominantemente de água gelada e amplamente distribuídos nas regiões polares norte e sul de Mercúrio,” disse Nancy Chabot, cientista do instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) da MESSENGER no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland. “Os depósitos de gelo de Mercúrio parecem ser muito menos remendados do que os da Lua e relativamente frescos, talvez colocados ou revigorados nas últimas dezenas de milhões de anos.”

Estudos anteriores de radar e imagem da Lua, cujos ambientes térmicos polares são muito semelhantes aos de Mercúrio, encontraram apenas depósitos superficiais e irregulares de gelo. Esta diferença notável serviu como motivação para o trabalho dos investigadores da UCLA – uma análise comparativa das crateras polares de Mercúrio e da Lua para aprofundar esta diferença entre os dois mundos. A investigação foi publicada no dia 22 de Julho na revista Nature Geoscience.

As superfícies de Mercúrio e da Lua estão marcadas por muitas crateras de impacto. Estas crateras são formadas quando meteoróides ou cometas colidem com a superfície. A equipa analisou crateras simples formadas por corpos mais pequenos e menos energéticos. Estas depressões são mantidas juntas pela força da camada de poeira superficial, ou rególito, e tendem a ser mais circulares e simétricas do que as grandes crateras. Os cientistas da UCLA exploraram esta simetria inerente para estimar a espessura do gelo preso dentro de crateras simples.

O estudo usou dados de elevação obtidos pela MESSENGER e pela LRO para medir aproximadamente 15.000 crateras simples com diâmetros que variam entre 2,5 e 15 km em Mercúrio e na Lua. Os cientistas descobriram que as crateras se tornam até 10% mais rasas perto do pólo norte de Mercúrio e do pólo sul da Lua, mas não no pólo norte da Lua.

Os autores concluíram que a explicação mais provável para estas crateras mais rasas é a acumulação de depósitos de água gelada em ambos os mundos. Apoiando esta conclusão, os investigadores descobriram que as encostas voltadas para os pólos destas crateras são ligeiramente mais rasas do que as encostas voltadas para o equador, e que esta menor profundidade é mais significativa em regiões que promovem a estabilidade do gelo devido à órbita de Mercúrio em torno do Sol. O sinal topográfico detectado pelos cientistas é relativamente mais proeminente em crateras simples mais pequenas, mas não exclui a possibilidade de que o gelo seja mais difundido em crateras maiores no pólo lunar.

Adicionalmente, ao contrário de Mercúrio, onde o gelo se mostra quase puro, os depósitos detectados na Lua provavelmente estão misturados com o rególito, possivelmente numa formação em camadas. A idade típica das crateras simples examinadas pelos investigadores indica que podem, potencialmente, acumular água gelada posteriormente misturada com o rególito sobreposto durante longas escalas de tempo. Os cientistas descobriram que estes depósitos inferidos de gelo enterrado estão correlacionados com as localizações de gelo superficial já detectadas. Esta descoberta pode implicar que os depósitos expostos de gelo podem ser exumados, ou podem resultar da difusão molecular da profundidade.

Astronomia On-line
9 de Agosto de 2019

 

2404: O gelo das zonas mais altas da Gronelândia está a derreter

(CC0/PD) Barni1 / Pixabay

Todos anos, há gelo que derrete no verão. No entanto, a Gronelândia está a registar um dos maiores eventos de fusão de sempre.

Este ano, o fenómeno começou mais cedo, e a onda de calor que esta semana assolou a ilha está a afectar toda a superfície, incluindo a situada a maiores altitudes, nota o Público.

Há uma onda de calor sempre que as temperaturas ficam cinco graus acima do esperado durante, pelo menos, três dias e, segundo o professor da Universidade Nova de Lisboa Francisco Ferreira, isso não é invulgar. Mas esta “é mais intensa e mais extensa” do que é comum.

Depois de França, Alemanha ou Noruega, há agora estragos na Gronelândia, que faz parte do Reino da Dinamarca e é detentora da segunda maior reserva de gelo do mundo. O investigador sublinha que este é um dos dois grandes eventos de degelo da última década e o que está a acontecer agora pode ser ainda maior do que aconteceu em Julho de 2012, quando 98% da camada de gelo da ilha sofreu um derretimento à superfície.

No entanto, o mais capta a atenção dos cientistas é a extensão do fenómeno: as temperaturas estão acima do esperado desde Abril, antecipando a época anual de degelo.  Entre 11 e 20 de Junho, houve um nível excepcional de fusão. Só nestes dias, o manto de gelo perdeu o equivalente a 80 biliões de toneladas.

Actualmente, a onda está a afectar até os pontos mais altos da ilha. Na Summit Camp, localizada sensivelmente a meio do manto de gelo, 3.216 metros acima do nível do mar, durante oito horas de terça-feira a temperatura atingiu zero graus Celsius.

No espaço de sete anos, aconteceram dois episódios muito significativos que estão a preocupar os cientistas. “Não é o ponto de ruptura, mas estamos perto“, afirmou o cientista ao jornal.

O que acontece na Gronelândia não afecta apenas a região autónoma da Dinamarca, como também o planeta inteiro, sobretudo as regiões costeiras e países insulares como o Kiribati, uma vez que o excesso de água doce escorre para mar.

Em 2012, a água produzida pela fusão de gelo acrescentou mais de um milímetro ao nível do mar. Este ano, já está a taco-a-taco, remata o Público.

ZAP //

Por ZAP
4 Agosto, 2019

 

2387: A superfície da Lua pode ter muito mais gelo do que se pensava

NASA

Três cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), no Estados Unidos, encontraram evidências que sugerem que há muito mais gelo na superfície da Lua do que se pensava até então – serão milhões de toneladas.

Num novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Geoscience, os cientistas Lior Rubanenko, Jaahnavee Venkatraman e David Paige partem do estudo das semelhantes entre o gelo de Mercúrio e as áreas sombreadas da Lua para perceber a quantidade de gelo lunar que poderá existir.

Cientistas anteriores recorreram a dados do Observatório de Arecibo e também da sonda MESSENGER da NASA e descobriram que há áreas de crateras nos pólos de Mercúrio que aparecem sombreadas da Terra. Dados da sonda LRO, que caiu intencionalmente na superfície de Mercúrio, revelaram vapor de água e gelo, considerados evidências de depósitos de gelo de vários metros de espessura em crateras sombrias.

A investigação também mostrou que o gelo era capaz de persistir nas crateras, uma vez que estas se encontram em áreas de sombra e, por isso, evitam que a luz solar as destrua.

Na nova investigação, e partindo dos pressupostos da investigação de Mercúrio, os cientistas investigaram a possibilidade de áreas semelhantes na água, isto é, áreas sombreadas lunares, possam também conter gelo, noticia a Europa Press.

Os cientistas começaram por apontar no estudo recém-divulgado que a Lua e Mercúrio têm ambientes térmicos um pouco semelhantes, notando ainda que ambos têm crateras sombreadas com evidências de pouca profundidade devido à acumulação de material no interior dos divots (pequenos buracos numa área mais extensa).

Em Mercúrio, estudos anteriores mostraram que a acumulação de material foi feita parcialmente com gelo. Para descobrir se o mesmo pode ter acontecido na Lua, os cientistas da UCLA obtiveram dados ao descrever 2.000 crateras na com sombra em Mercúrio e 12.000 crateras com sombra semelhante na Lua.

Para determinar as semelhanças que poderiam indicar que ambos abrigam gelo, os cientistas compararam os seus diâmetros e profundidade e concluíram que as crateras sombreadas em Mercúrio eram muito semelhantes às profundidades rasas observadas nas crateras também sombreadas da Lua.

Partindo deste princípio, a equipa sustenta que o material que está a acumular-se nas crateras rasas da Lua será, provavelmente, gelo. Se os seus resultados se confirmarem, significa que existem milhões de toneladas de gelo na superfície da Lua, muito mais do que a maioria dos cientistas tem apontado até então.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
30 Julho, 2019

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1853: Cientistas encontram resíduos radioactivos presos nos glaciares

CIÊNCIA

Christine Zenino / wikimedia

O gelo está a desaparecer e, à medida que derrete, tem deixado para trás alguns presentes de despedida: cadáveres congelados, artefactos antigos, vírus mortos e o mais recente – precipitação nuclear.

Recentemente, uma equipa internacional de cientistas descobriu níveis elevados de radionuclídeos radioactivos – átomos radioactivos que resultam de acidentes nucleares e testes de armas – em todos os glaciares estudados pelos especialistas.

“Queremos provar que esta é uma questão global e não apenas localizada perto de fontes de contaminação nuclear”, adiantou Caroline Clason, professora e investigadora da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

Mas, no meio desta descoberta, há uma boa notícia: os cientistas acreditam que estes resíduos nucleares não representam uma ameaça imediata para o ambiente. Ainda assim, os resíduos foram encontrados, na maioria dos locais, em níveis significativamente mais altos do que o considerado seguro para a ingestão humana.

Segundo Clason, que apresentou as descobertas no dia 10 de Abril na conferência da European Geosciences Union (EGU), estes resíduos podem entrar na cadeia alimentar, à medida que os glaciares continuam a derreter devido às alterações climáticas.

A equipa de cientistas procuraram por resíduos nucleares em crioconite, uma camada de sedimentos escuros encontrados na superfície de muitos glaciares ao redor do mundo. Ao contrário de outros sedimentos comuns, a crioconite é composta por material inorgânico e material orgânico.

As partes orgânicas podem incluir carbono negro ou as sobras da combustão incompleta de combustíveis fósseis, fungos, micróbios e matéria vegetal – fazendo da crioconite uma espécie de “esponja” muito eficiente para o resíduos transportados pelo ar que caem nos glaciares com a chuva ou a neve.

À medida que o clima aquece a água suja do derretimento atravessa os glaciares moribundos, aumenta a quantidade de resíduos acumulados em crioconite.

Os cientistas recolheram amostras de crioconite de 17 glaciares desde a Antárctida até aos Alpes e da Colúmbia Britânica até à região árctica da Suécia. Estas amostras tinham quantidades elevadíssimas de contaminação, adiantou Clason.

Enquanto alguns dos radionuclídeos detectados – como o chumbo-210 – ocorrem naturalmente no ambiente, dois isótopos, em particular, podem ser associados a actividades nucleares humanas.

O amerício-241, um isótopo radioactivo produzido em decomposição de plutónio, foi encontrado em muitos locais estudados e em quantidades que poderiam ser perigosas para a saúde humana. Também o césio-137, um isótopo produzido durante explosões nucleares, foi encontrado em todos os locais estudados em quantidades de dezenas a centenas de vezes superiores aos níveis esperados.

Estes subprodutos nucleares foram, provavelmente, depositados pela explosão da central nuclear de Chernobyl em 1986, adiantou o Live Science. “As pessoas sabiam que o césio-137 permanecia no ambiente, mas não sabem que os glaciares ainda estão a libertar esse resíduo nuclear, 30 anos depois”, disse a cientista durante a apresentação dos resultados da investigação.

Ainda assim, estes resíduos não representam qualquer ameaça conhecida para os seres humanos ou para o ambiente. No entanto, os cientistas temem que possam representar uma ameaça caso se espalhem através da água derretida para rios e lagos, onde os animais comem e bebem com bastante frequência.

“Quando os elementos radioactivos caem sob a forma de chuva, como aconteceu após o acidente de Chernobyl, são evacuados, é um fenómeno pontual. Mas, sob a forma de neve, eles ficam aprisionados no gelo durante décadas, e com o derretimento dos glaciares, terminam nos rios”, explicou Clason.

Com o aquecimento e o consequente derretimento dos glaciares, a cientista teme que estes resíduos entrem cadeia alimentar de alguns animais, acabando nos nossos pratos.

ZAP //

Por ZAP
17 Abril, 2019

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1677: Gronelândia: Em vez de nevar, está a chover e isso é um problema

Patrick Robert/ Getty Images

Os dias de chuva são cada vez mais comuns em partes da Gronelândia normalmente cobertas por gelo, provocando situações de fusão rápida, fragilizando a superfície e potenciando um degelo futuro generalizado, indica um estudo divulgado hoje

O estudo, divulgado na revista científica europeia The Cryosphere, mostrou que algumas partes da camada de gelo estão a receber chuva no inverno em vez de neve, um fenómeno que se vai espalhar à medida que o clima continuar a aquecer.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até três graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

A investigação analisou dados recolhidos entre 1979 e 2012, combinando imagens de satélite e observações meteorológicas, para perceber o que estava a provocar a fusão em locais específicos.

Segundo a principal autora do estudo, Marilena Oltamnns, do Centro Geomar para Pesquisas Oceânicas, da Alemanha, durante o período em análise o degelo associado à chuva duplicou no verão e triplicou no inverno.

A fusão dos mantos de gelo pode ser causada por uma complexidade de factores, mas a introdução de água líquida é uma das mais poderosas, disse Marco Tedesco, da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e outro dos autores do estudo. As temperaturas mais altas, disse, tornam mais provável que as condições atmosféricas passem o limiar em que precipitação toma a forma de chuva, que carrega grande quantidade de calor, e não de neve.

Segundo os investigadores, essas condições produzem uma fusão que se alimenta a si própria e que continua mesmo depois da chuva.

E a água que não se esvai e que congela transforma-se num tipo de gelo mais escuro e denso, que absorve mais radiação quando há sol e que derrete mais facilmente, dizem os autores do estudo.

A Gronelândia não é o único lugar do norte do planeta afectado pelo aumento da chuva no inverno, em vez de neve. Chuvas anormais no norte do Canadá deixaram um manto de água que congelou, aprisionando as plantas que caribus e bois almiscarados comiam buscando através da neve solta. Manadas inteiras foram dizimadas por isso.

Visão
com Lusa
07.03.2019 às 17h44

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1672: O mistério dos icebergues verdes da Antárctida pode ter sido finalmente resolvido

Uma nova hipótese pode explicar porque é que os icebergues da Antárctida têm cor verde esmeralda em vez do azul normal, o que resolve um mistério científico com décadas.

O gelo dos glaciares, que se origina na neve, flui do manto de gelo da Antárctida para flutuar no oceano como gelo. Em frente à plataforma de gelo, os icebergues partem-se. Os icebergues costumam ser de uma cor branca azulada, intermediárias entre o azul do gelo puro e o branco da neve.

O gelo puro é azul porque o gelo absorve mais luz vermelha do que a luz azul. No entanto, desde o início do século XX, exploradores, navegadores e cientistas relataram ter visto icebergues verdes peculiares em torno de certas partes da Antárctida.

Os icebergues verdes têm sido uma curiosidade para a Ciência durante décadas, mas agora os glaciologistas relatam, num novo estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Oceans, que suspeitam que os óxidos de ferro em pó de rocha da parte continental da Antárctica estão a tornar verdes alguns icebergues.

Os investigadores formularam a nova teoria depois de cientistas australianos terem descoberto grandes quantidades de ferro na plataforma de gelo Amery na Antárctica Oriental. O ferro é um nutriente essencial para o fitoplâncton, as plantas microscópicas que formam a base da cadeia alimentar marinha. No entanto, o ferro é escasso em muitas áreas do oceano.

Se as experiências confirmarem a teoria, isto significaria que os icebergues verdes estão a transportar ferro precioso do continente da Antárctida para o mar aberto quando quebram, fornecendo este nutriente essencial aos organismos que suportam quase toda a vida marinha.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Março, 2019

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1653: Já há data para o primeiro verão sem gelo no Árctico

NASA GODDARD/ KATY MERSMANN

O oceano Árctico pode ficar sem de gelo durante o verão nos próximos 20 anos devido a uma fase de aquecimento natural que se faz sentir já há algum tempo no Pacífico tropical, sendo depois exacerbada pela actividade do Homem.

Modelos computacionais preveem que a mudança climática tornará o Árctico quase livre de gelo marinho durante o verão em meados deste século, a menos que as emissões de gases de efeito de estufam sejam reduzidas em grande medida pelos humanos.

Contudo, uma análise mais detalhada sobre os ciclos de temperatura a longo prazo no Pacífico tropical aponta para um Árctico sem gelo em Setembro, o mês com menos gelo marinho, segundo descreve um novo estudo esta semana publicado na científica Geophysical Research Letters.

“A trajectória aponta para a ausência de gelo no verão, mas não se sabe ao certo quando acontecerá”, explicou James Screen, professor associado de ciência do clima da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e autor principal do estudo em comunicado.

Existem vários modelos climáticos utilizados pelos cientistas para prever quando ocorrerá o primeiro Setembro sem gelo. A maioria dos modelos projecta que haverá menos de 1 milhão de quilómetros quadrados de gelo marinho até meados deste século, as projecção de quando isso acontecerá variam em janelas de tempo de 20 anos devido a flutuações climáticas naturais.

O modelo climático utilizado no novo estudo prevê um verão árctico sem gelo entre 2030 e 2050, se os gases de efeito estufa continuarem a subir ao ritmo actual.

Tendo em conta a fase de aquecimento de longo prazo no Pacífico tropical, uma nova investigação aponta que é mais provável que um Árctico sem gelo ocorra mais perto de 2030 do que em 2050.

ZAP //

Por ZAP
2 Março, 2019

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