2470: A Islândia fez o funeral ao primeiro glaciar assassinado pelas alterações climáticas

Onde antes havia um glaciar, há a partir de agora um memorial. Numa chamada de atenção ao aquecimento global e ao degelo, a Islândia quis assinalar a perda de Okjokull, também conhecido como _Ok_, um glaciar de 700 anos, extinto em 2014.

Okjökull, que significa “Glaciar Ok” em islandês, tornou-se a primeira grande massa de gelo da Islândia a perder oficialmente seu estatuto de glaciar, em 2014.

Em 1980, o Okjokull cobria 16 km2 de superfície. Em 2012, a extensão coberta tinha passado para apenas 0,7 km2, de acordo com um relatório da Universidade da Islândia, publicado em 2017. Em 2014, as autoridades tomaram finalmente a decisão de desclassificar o Okjokull.

Na placa comemorativa agora descerrada, a menção “415 ppm CO2” é uma referência ao nível recorde de concentração de dióxido de carbono registado na atmosfera, em maio do ano passado, em que valor de CO2 na atmosfera atingiu as 415 partes por milhão.

_Ok_ foi o primeiro a perder o estatuto de glaciar, devido à extensa área de gelo que perdeu. Agora, como monumento, lembra que nos próximos 200 anos, o mesmo acontecerá a outros — um fenómeno que pode ser dramático para o mundo e em particular para a Islândia, cujo território é composto por cerca de 12 mil km2 de glaciares.

O desaparecimento de Okjökull está a ser tratado pelas autoridades islandesas e por activistas do clima como um alerta para os efeitos do aquecimento global.

“O Ok é o primeiro glaciar da Islândia a perder seu estatuto. Nos próximos 200 anos todos os nossos principais glaciares deverão seguir o mesmo caminho“, lê-se na placa.

“Este monumento é para confirmar que sabemos o que está a acontecer e o que é preciso fazer. Só vocês sabem nós o fizemos“, diz a mensagem gravada na placa de bronze, destinada às próximas gerações.

@RiceUNews

Memorial honoring lost glacier to be installed in Iceland Aug. 18. Media invited to attend, more details here: http://news.rice.edu/2019/08/05/memorial-honoring-lost-glacier-to-be-installed-in-iceland-aug-18/#.XUhfDtSzcSc.twitter 

A dedicatória, intitulada “Uma carta para o futuro“, é da autoria do escritor islandês Andri Snaer Magnason. O projecto foi lançado por investigadores locais e da Universidade Rice, nos Estados Unidos.

Os convidados da cerimónia deste domingo incluíram a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir e a irlandesa Mary Robinson, ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

“Este será o primeiro monumento em homenagem a um glaciar perdido para as alterações climáticas em todo o mundo”, afirmou em Julho Cymene Howe, professora da Universidade Rice, na altura da apresentação da iniciativa.

“Assinalando a morte do Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a extinção dos glaciares da Terra”, salientou a investigadora. “Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

@NASAEarth

On August 18, 2019, scientists will be among those who gather for a memorial atop Ok volcano in west-central #Iceland. The deceased being remembered is Okjökull—a once-iconic #glacier that was declared dead in 2014. https://earthobservatory.nasa.gov/images/145439/okjokull-remembered  #NASA #Landsat

Segundo os investigadores envolvidos no projecto, o debate sobre o aquecimento global “pode ser bastante abstracto, com muitas estatísticas terríveis e modelos científicos sofisticados que podem parecer incompreensíveis” — e um monumento a um glaciar desaparecido pode ser a melhor forma de percebermos o que está a acontecer ao planeta.

ZAP // Deutsche Welle / Euronews

Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

1891: O gelo mais antigo da Terra pode estar escondido sob a Antárctida (e desvendar um mistério climático)

Jason Ardell / Flickr

Uma equipa de cientistas europeus que “caça” os mais antigos gelos do planeta instalou-se num local específico da Antárctida, onde vai levar a cabo uma série de perfurações a mais de 2,7 quilómetros abaixo da superfície gelada – os especialistas podem estar a um passo do mais velho gelo da Terra. 

O que é que aconteceu há 900.000 e 1,2 milhões de anos, quando a Terra sofreu uma transição no sistema climático que fez com que os períodos glaciais se tornassem mais longos e frios? Esta é a grande questão a que os especialista querem dar resposta.

Durante os próximos cinco anos, a missão Beyond EPICA-Oldest Ice trabalhará num lugar remoto da Antárctica conhecido como “Little Dome C”, anunciou no início de Abril a equipa no âmbito de uma reunião da União Europeia de Geociências, realizada em Viena.

“Os núcleos de gelo são únicos para as geociências, porque são um arquivo do paleo-atmosfera”, afirmou o coordenador da missão, Olaf Eisen, do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, em declarações ao portal Live Science.

Os cientistas vão analisar bolhas de gás, moléculas e partícula presas em camadas finas de gelo antigo. A partir destes dados, poderão reconstruir os níveis de dióxido de carbono, os dados da temperatura e outros indicadores climáticos ao longo de um vasto período do tempo.

O principal objectivo do projecto passa por entender por que motivo o ciclo das eras glaciais na Terra mudou no passado distante. Actualmente, acredita-se que há mais de 1,2 milhões de anos as eras glaciais alternavam-se em ciclos mais rápidos, cerca de 40.000 anos.

Os cientistas querem agora saber a causa desta alteração e esperam encontrar algumas destas respostas no “Little Dome C. Além disso, explicou a equipa, esta investigação pode ajudar a criar previsões climáticas para o futuro.

British Antarctic Survey (BAS)
Mapa da Antárctida com a área de exploração da missão europeia

Uma missão para décadas

A área em torno do “Little Dome C” é muito seca e quase não ocorre precipitação – o que é óptimo para a missão. “Quanto mais baixa a taxa de acumulação de neve a cada ano, mais anos [de dados] terá o local a cada metro”, explicou Catherine Ritz, cientista do projecto e membro do Instituto de Geociências e Pesquisa Ambiental da França (IGE).

A temperatura média no local da perfuração é de -54,5 graus Celsius, ou seja, a equipa apenas conseguirá trabalhar durante dois meses do verão antárctico.

Por este mesmo motivo, é provável que os cientistas demorem anos a alcançar as camadas mais profundas e mais antigas do gelo, tendo em conta que a missão pretende remover cilindros de gelo com quatro metros de comprimento e 10 centímetros de diâmetro. Desta forma, estima-se se que os resultados mais importantes não sejam alcançados até, pelo menos, o ano de 2015.

ZAP //

Por ZAP
26 Abril, 2019

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1693: Misteriosos terramotos estão a fazer a Antárctida tremer (e já se sabe porquê)

ravas51 / Wikimedia

Durante parte do verão em partes da Antárctida, o gelo derrete num ensopado pantanoso conforme as temperaturas sobem e descem. Ao derreter, gera centenas de milhares de pequenos terramotos.

Agora, os cientistas capturaram o padrão diário destes pequenos sismos usando o mesmo tipo de sismógrafo usado para detectar terremotos. Os investigadores acham que os “icequakes” – terramotos de gelo – são causados pelo repentino estalo de partes de gelo que cobrem poças de lama.

“Nestas lagoas, muitas vezes, há uma camada de gelo em cima da água derretida, como se vê com um lago congelado”, disse Douglas MacAyeal, glaciologista da Universidade de Chicago, em comunicado. “À medida que a temperatura arrefece à noite, o gelo no topo contrai e a água abaixo expande-se à medida que passa pelo congelamento. Isso distorce a tampa superior até que finalmente parte com um estalo.”

MacAyeal e a sua equipa estavam interessados ​​nos ritmos diários do gelo porque pouco se sabe sobre a mecânica do rompimento de uma grande camada de gelo. Tais rupturas ocorreram na Antárctida várias vezes ao longo das últimas décadas.

A plataforma de gelo Larsen C criou um enorme icebergue no Mar de Weddell em 2017. A plataforma Larsen B, localizada nas proximidades, desabou inesperadamente em 2002. Quando as placas de gelo flutuantes colapsam, não contribuem directamente para o aumento do nível do mar, porque já estavam em ambiente marinho. Mas permitem que as geleiras terrestres por trás dos lençóis de gelo fluam mais rápido, despejando água derretida no mar.

Os investigadores também estavam interessados ​​em testar sismómetros como forma de monitorizar o derretimento do gelo. Implantaram dois perto da Estação McMurdo, na borda da McMurdo Ice Shelf. Uma estação de sismógrafo foi posicionada num local seco, onde a superfície foi coberta com neve firme. O outro foi colocado num local húmido e pantanoso onde o gelo estava parcialmente derretido. Os instrumentos registaram tremores nestas duas estações entre Novembro de 2016 e Janeiro de 2017.

Os padrões não poderiam ter sido mais diferentes. A estação seca estava sismicamente pacífica. Os únicos tremores detectados estavam ligados ao tráfego de veículos ou navios em redor da Estação McMurdo.

Na estação húmida, no entanto, os sismógrafos recolheram centenas de milhares de pequenos terremotos, às vezes, milhares numa noite. Esses terremotos foram geralmente abaixo da magnitude 2,5 – em que os tremores se tornam perceptíveis para os seres humanos, embora as pessoas na Antárctida, por vezes, ouvissem o gelo a partir, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. Os terremotos seguiram um padrão diário e aumentavam de frequência por algumas horas todas as noites.

Os investigadores pensaram que os picos diários do terremoto podiam ter a ver com as marés, mas uma discrepância descartou essa opção. Em 30 de Novembro de 2016, o pico não aconteceu. Quando os investigadores acompanharam a temperatura diária durante o período do estudo, descobriram que os picos do terremoto correspondiam a períodos de queda do mercúrio. Em 30 de Novembro, aconteceu que a temperatura aumentou, em vez de arrefecer, no decorrer da noite.

Segundo MacAyeal, o que provavelmente está a acontecer é que, à medida que o ar fica mais frio, os lagos lamacentos sob a fina camada de gelo superficial começam a congelar. Enquanto congelam, expandem-se, colocando pressão sobre o gelo da superfície. Finalmente, o gelo da superfície encaixa-se, enviando tremores indetectáveis.

ZAP // Live Science

Por ZAP
10 Março, 2019

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1677: Gronelândia: Em vez de nevar, está a chover e isso é um problema

Patrick Robert/ Getty Images

Os dias de chuva são cada vez mais comuns em partes da Gronelândia normalmente cobertas por gelo, provocando situações de fusão rápida, fragilizando a superfície e potenciando um degelo futuro generalizado, indica um estudo divulgado hoje

O estudo, divulgado na revista científica europeia The Cryosphere, mostrou que algumas partes da camada de gelo estão a receber chuva no inverno em vez de neve, um fenómeno que se vai espalhar à medida que o clima continuar a aquecer.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até três graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

A investigação analisou dados recolhidos entre 1979 e 2012, combinando imagens de satélite e observações meteorológicas, para perceber o que estava a provocar a fusão em locais específicos.

Segundo a principal autora do estudo, Marilena Oltamnns, do Centro Geomar para Pesquisas Oceânicas, da Alemanha, durante o período em análise o degelo associado à chuva duplicou no verão e triplicou no inverno.

A fusão dos mantos de gelo pode ser causada por uma complexidade de factores, mas a introdução de água líquida é uma das mais poderosas, disse Marco Tedesco, da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e outro dos autores do estudo. As temperaturas mais altas, disse, tornam mais provável que as condições atmosféricas passem o limiar em que precipitação toma a forma de chuva, que carrega grande quantidade de calor, e não de neve.

Segundo os investigadores, essas condições produzem uma fusão que se alimenta a si própria e que continua mesmo depois da chuva.

E a água que não se esvai e que congela transforma-se num tipo de gelo mais escuro e denso, que absorve mais radiação quando há sol e que derrete mais facilmente, dizem os autores do estudo.

A Gronelândia não é o único lugar do norte do planeta afectado pelo aumento da chuva no inverno, em vez de neve. Chuvas anormais no norte do Canadá deixaram um manto de água que congelou, aprisionando as plantas que caribus e bois almiscarados comiam buscando através da neve solta. Manadas inteiras foram dizimadas por isso.

Visão
com Lusa
07.03.2019 às 17h44

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1672: O mistério dos icebergues verdes da Antárctida pode ter sido finalmente resolvido

Uma nova hipótese pode explicar porque é que os icebergues da Antárctida têm cor verde esmeralda em vez do azul normal, o que resolve um mistério científico com décadas.

O gelo dos glaciares, que se origina na neve, flui do manto de gelo da Antárctida para flutuar no oceano como gelo. Em frente à plataforma de gelo, os icebergues partem-se. Os icebergues costumam ser de uma cor branca azulada, intermediárias entre o azul do gelo puro e o branco da neve.

O gelo puro é azul porque o gelo absorve mais luz vermelha do que a luz azul. No entanto, desde o início do século XX, exploradores, navegadores e cientistas relataram ter visto icebergues verdes peculiares em torno de certas partes da Antárctida.

Os icebergues verdes têm sido uma curiosidade para a Ciência durante décadas, mas agora os glaciologistas relatam, num novo estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Oceans, que suspeitam que os óxidos de ferro em pó de rocha da parte continental da Antárctica estão a tornar verdes alguns icebergues.

Os investigadores formularam a nova teoria depois de cientistas australianos terem descoberto grandes quantidades de ferro na plataforma de gelo Amery na Antárctica Oriental. O ferro é um nutriente essencial para o fitoplâncton, as plantas microscópicas que formam a base da cadeia alimentar marinha. No entanto, o ferro é escasso em muitas áreas do oceano.

Se as experiências confirmarem a teoria, isto significaria que os icebergues verdes estão a transportar ferro precioso do continente da Antárctida para o mar aberto quando quebram, fornecendo este nutriente essencial aos organismos que suportam quase toda a vida marinha.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Março, 2019

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1566: O clima está cada vez mais selvagem (e vai piorar)

Christine Zenino / wikimedia

O clima tornou-se selvagem e irá piorar ao longo do próximo século, com o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida a causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, segundo um novo estudo.

O trabalho, publicado esta quinta-feira na revista científica Nature, é o primeiro a simular os efeitos, na situação actual, que o gelo derretido nas duas regiões polares terá nas temperaturas dos mares e nos padrões de circulação das massas de água.

“Com as actuais políticas governamentais globais estamos a caminhar para três a quatro graus de aquecimento acima dos níveis pré-industriais, fazendo com que uma quantidade significativa de gelo derretido da Gronelândia e dos campos de gelo antárcticos entre nos oceanos”, disse Nick Golledge, do Centro de Pesquisa Antárctica da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

O investigador acrescentou que, de acordo com os modelos usados no estudo, “o gelo derretido vai causar alterações significativas nas correntes oceânicas e mudar os níveis de aquecimento em todo o mundo”. Nick Golledge liderou uma equipa internacional de investigadores composta por cientistas da Nova Zelândia, mas também do Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

A equipa combinou simulações dos efeitos do degelo no clima, com observações por satélite das mudanças recentes nas camadas de gelo e criaram previsões mais precisas e confiáveis do que pode acontecer com as actuais políticas em relação ao clima.

As simulações feitas sugerem que vai haver uma subida mais rápida do nível do mar entre 2065 e 2075, e que a água resultante do degelo vai afectar as temperaturas e os padrões de circulação das águas nos oceanos, o que também vai afectar a temperatura do ar.

Os cientistas dizem que a água do mar não vai subir da mesma forma em todo o lado, mas advertem que os efeitos do degelo serão muito mais generalizados.

À medida que a água do degelo entra nos oceanos, por exemplo no Atlântico Norte, as principais correntes oceânicas, como a corrente do Golfo, serão significativamente enfraquecidas. Dizem os cientistas que isso levará a temperaturas do ar mais altas no Árctico, no leste do Canadá e na América Central e a temperaturas mais baixas no noroeste da Europa.

“O aumento do nível das águas do mar devido ao derretimento das camadas de gelo já está a acontecer e tem acelerado nos últimos anos. As nossas novas experiências mostram que ele continuará até certo ponto, mesmo que o clima da Terra estabilize. Mas elas também mostram que se reduzirmos drasticamente as emissões (de gases com efeito de estufa) podemos limitar esses futuros impactos”, disse Nick Golledge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Fevereiro, 2019

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1491: Encontrada vida nas profundezas do manto de gelo da Antárctida

Vista do buraco a cerca de 1.070 metros abaixo do gelo, acima da superfície do lago subglacial na Antártida

As águas escuras de um lago nas profundezas do manto de gelo da Antárctida e a algumas centenas de quilómetros do Polo Sul estão cheias de vida bacteriana.

A descoberta tem implicações para a busca de vida noutros planetas – em particular no planeta Marte, onde os sinais de um lago enterrado de água salgada líquida foram vistos em dados reportados no ano passado pela agência espacial europeia que orbitava a nave Mars Express.

O líder da expedição John Priscu, professor de ecologia polar na Universidade de Montana, disse que os primeiros estudos de amostras de água retiradas do Lago Mercer – que está enterrado sob o gelo – mostraram que continham aproximadamente dez mil células bacterianas por mililitro.

Isto é apenas cerca de 1% de um milhão de células microbianas por mililitro normalmente encontradas no oceano aberto, mas um nível muito alto para um corpo de água sem sol enterrado nas profundezas da Antárctida.

Priscu disse que os altos níveis de vida bacteriana no lago escuro e profundamente enterrado eram sinais de que poderia suportar formas de vida mais elevadas, como animais microscópicos.

“Vimos muitas bactérias – e o sistema do lago tem matéria orgânica suficiente para suportar formas de vida maiores”, disse, “Nós realmente vamos procurar organismos maiores, como animais. Mas isto não será feito por mais alguns meses.”

A abundância de vida bacteriana no Lago Mercer complementa a descoberta de altos níveis de vida bacteriana no lago Whillans da Antárctida em 2013 – uma expedição que também foi liderada por Priscu.

Os cientistas teorizam que as bactérias no Lago Whillans – e possivelmente no Lago Mercer – estão a sobreviver de depósitos de carbono depositados por organismos fotos-sintetizantes entre cinco mil e dez mil anos atrás, quando os lagos enterrados podem ter estado ligados ao mar aberto.

O lago enterrado cobre uma área de cerca de 139 quilómetros quadrados sob a camada de gelo. A equipa de expedição usou brocas e água quente para abrir um poço do seu acampamento na superfície congelada até ao lago de água líquida.

Priscu disse que a equipa perfurou cerca de 1.068 metros de gelo, e a água tinha 30ºC de temperatura para que os investigadores pudessem recolher amostras de água e sedimentos do lago. O furo no gelo foi mantido aberto por cerca de dez dias.

(dr) Billy Collins/ SALSA
Operações de perfuração na Antárctida

A expedição retornou à Estação McMurdo na semana passada com mais de 60 litros de água do lago enterrado e um núcleo de sedimentos que media mais de cinco metros de comprimento – o núcleo de sedimentos mais profundo já capturado sob o gelo da Antárctida Ocidental.

Priscu espera que os estudos laboratoriais dos núcleos de sedimentos ajudem os cientistas a aprender mais sobre a actividade da camada de gelo da Antárctida Ocidental nas últimas dezenas de milhares de anos.

A equipa também enviou um veículo submarino operado remotamente e especializado para as águas escuras do lago subterrâneo, além de várias câmaras.

Priscu acredita que os mais de 400 lagos de água líquida enterrados em todo o continente congelado da Antárctida formam um ecossistema único de água líquida sob a espessa camada de gelo e as rochas congeladas da crosta continental antárctica.

“Aqui existe 70% da água doce do mundo – não faz sentido que não exista vida“, disse Priscu. O investigador também acha que qualquer vida abaixo da superfície congelada do planeta Marte pode seguir os padrões vistos nos lagos sub-glaciais da Antárctida.

Futuras expedições aos lagos de água líquida enterrados da Antárctida provavelmente concentrar-se-ão nos maiores corpos de água líquida enterrada – como o Lago Vostok, no leste da Antárctica.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
18 Janeiro, 2019

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1309: Gelo escondia cratera de 31 quilómetros causada por asteróide

Cientistas localizaram evidências de acontecimento cataclísmico a cerca de um quilómetro de profundidade num glaciar. Impacto terá acontecido durante a Idade do Gelo.

A Gronelândia tem sido mais monitorizada pelos cientistas devido às alterações climáticas
© REUTERS/Lucas Jackson

Escondidas debaixo de 950 metros de gelo e terra, no glaciar de Hiawatha, no nordeste da Gronelândia, estão as marcas do impacto de um asteróide cuja dimensão – cerca de um quilómetro de comprimento -, o elevam imediatamente à categoria dos 30 maiores acontecimentos do género de que há registo. É também, de acordo com um estudo publicado na revista científica Science Advances , a primeira cratera a ser localizada debaixo do gelo.

O local do impacto, uma depressão de forma circular com 31 quilómetros de diâmetro, foi confirmado através da combinação de dados recolhidos entre 1997 e 2014 pela NASA, no âmbito do programa IceBridge, da Agência Espacial Norte-Americana, destinado a monitorizar os efeitos das alterações climáticas no Árctico, com dados de radar recolhidos por via aérea numa extensão de 600 quilómetros. Os dados foram compilados por especialistas do Centro de Geogenética do Museu de História natural da Dinamarca.

Já a data do impacto, que terá ocorrido durante a última idade do gelo, no Pleistoceno (que começou há 2,6 milhões de anos e terminou há 11 700), ainda está em fase de confirmação. Outra frente de investigação serão os possíveis impactos causados por este acontecimento no clima da época em que ocorreu, tanto na região como no planeta.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
17 Novembro 2018 — 13:46

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1065: Aquecimento global no Pleistoceno elevou nível do mar até 13 metros

leungchitak / Flickr

O aquecimento global no final do período do Pleistoceno, com temperaturas similares às previstas para este século, reduziu a camada de gelo da Antárctida oriental e elevou o nível do mar até 13 metros acima do actual.

A conclusão é de um estudo internacional, liderado por cientistas do Instituto de Ciências da Terra do “Imperial College London”, publicado esta quinta-feira na revista Nature.

O gelo polar é uma componente essencial do sistema climatérico e afecta o nível global da água do mar e a circulação e transporte de calor nos oceanos.

Até agora a comunidade científica tinha-se centrado na camada de gelo da Antárctida ocidental, aquela que actualmente está mais vulnerável ao degelo. Ao mesmo tempo também se pensava que a região leste da Antárctida, com uma superfície equivalente a 115 vezes Portugal, e que contém cerca de metade da água doce da Terra, era menos sensível ao aquecimento global.

No entanto, o estudo agora publicado sugere que um aquecimento de dois graus na região, se se mantiver um par de milénios, vai derreter uma importante área da Antárctida oriental, com implicações no nível global da água do mar.

“Estudar o comportamento da camada de gelo no passado geológico permite-nos informar-nos sobre mudanças futuras”, disse Carlota Escutia, investigadora do Instituto Andaluz de Ciências da Terra, da Universidade de Granada, Espanha.

“Ao formarmos uma imagem de como cresceu e diminuiu o manto de gelo em cenários passados podemos entender melhor a resposta que terá a massa de gelo da Antárctida oriental no aquecimento global”, sustentou a cientista.

Para o estudo os cientistas investigaram amostras de sedimentos do fundo oceânico provenientes da bacia sub-glacial de Wilkes. As amostras foram recolhidas nas profundezas do oceano austral durante uma expedição em 2010.

As pegadas químicas deixadas nos sedimentos permitiram revelar os padrões de erosão continental à medida que a camada de gelo avançava e retrocedia.

“Detectamos que as alterações mais extremas se deram durante dois períodos entre glaciações, entre há 125.000 e 400.000 anos, quando o nível global do mar estava entre seis a 13 metros acima do nível actual”, disse Francisco Jiménez, também investigador do Instituto Andaluz de Ciências da Terra.

O Pleistoceno abrange um período que vai entre aproximadamente 1,8 milhões de anos e 11.500 anos atrás.

ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Setembro, 2018

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1024: NASA lançou satélite que vai medir ao detalhe alterações no gelo polar

ravas51 / Wikimedia

A agência espacial norte-americana lançou, este sábado, um satélite que irá medir as alterações no gelo polar da Terra com um detalhe sem precedentes, permitindo conhecer melhor os efeitos do aquecimento global.

O lançamento do ICESat-2 realizou-se na base militar de Vandenberg, na Califórnia, nos Estados Unidos, às 08h46 locais (13h46 em Lisboa).

O novo satélite, que vai dar continuidade às observações iniciadas pelo seu antecessor, o ICESat-1, cuja missão terminou em 2009, está equipado com o instrumento ‘laser’ mais avançado para este tipo de observações, possibilitando medições com um “detalhe sem precedentes”, de acordo com a NASA.

O ICESat-2 vai registar a alteração média anual da altura de gelo que cobre a Gronelândia e a Antárctida, com uma margem de até quatro milímetros (largura de um lápis), obtendo 60 mil medições por segundo.

Segundo a NASA, o degelo na Gronelândia e na Antárctida está a elevar em média o nível dos oceanos em mais de um milímetro por ano.

O satélite vai medir também as alterações na espessura e no volume do gelo do Oceano Árctico, cuja área diminuiu em 40% desde 1980.

Ao atravessar a Terra, de pólo a pólo, o engenho vai monitorizar a cota de gelo nas regiões polares quatro vezes por ano, fornecendo dados sobre as mudanças ocorridas sazonalmente.

O instrumento ‘laser’ com o qual o ICESat-2 está munido – o Sistema Avançado de Altímetro a Laser Topográfico (ATLAS, na sigla em inglês) – mede a altura cronometrando o tempo que fotões de luz demoram a viajar do satélite até à superfície da Terra e a voltar para trás.

Para a agência espacial norte-americana, os dados do ICESat-2 poderão contribuir para o avanço do conhecimento sobre o impacto do degelo na subida do nível do mar e no aumento da temperatura, efeitos das alterações climáticas.

O satélite está ainda preparado para medir a altura da superfície oceânica e terrestre, incluindo os topos das árvores das florestas (que, em conjunto com a informação existente sobre a área florestal global, possibilitam aos cientistas estimarem a quantidade de dióxido de carbono armazenada nas florestas).

ZAP // Lusa

Por Lusa
15 Setembro, 2018

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985: O icebergue que se soltou na Antárctida está a caminho de águas mais quentes

CIÊNCIA

John Sonntag / NASA
Foto aérea da NASA revela uma enorme fenda na plataforma de gelo Larsen C, na Antárctida

Passou mais de um ano desde o desprendimento de um imenso icebergue da plataforma Larsen C. Agora, os cientistas sabem que o extremo Sul do A-68 está a começar a mover-se para norte e para águas mais quentes.

Em Julho do ano passado, deu-se o desprendimento de um imenso icebergue da plataforma Larsen C, na Antárctida Ocidental. Durante um ano o bloco de gelo andou a vaguear, andando para trás e para a frente quase sempre no mesmo lugar.

Agora, o extremo Sul do A-68 rodou cerca de 90 graus, tendo sido apanhado nas correntes das águas geladas. Cerca de 13 meses depois, o icebergue deverá começar a mover-se para norte e para águas mais quentes.

“Até há pouco tempo, o icebergue era cercado por um denso mar de gelo a leste e águas rasas a norte. Agora, um forte vento soprando para leste da plataforma de gelo empurrou, no início de Setembro, a extremidade sul do icebergue para o giro de Weddell, no oceano Antárctico”, adianta Adrian Luckman.

“Este movimento persistente das águas oceânicas e gelo, flutuando para o Norte passando pela plataforma de gelo Larsen, fez com que o A-68 se deslocasse para o mar de Weddell”, disse à BBC o cientista da Universidade de Swansea, confirmando assim o facto de o icebergue estar agora mais livre para se movimentar em direcção a águas mais quentes.

Segundo os cientistas, o facto de o A-68 não ter saído do lugar não é invulgar e a viragem é um comportamento comum dos grandes icebergues. Daqui para a frente, ao que tudo indica, vai deixar um rasto com marcas no sedimento do leito do mar.

“Esses vales devem ser evidentes nas observações com sondas que serão conduzidas por equipas internacionais no final deste ano”, adianta o investigador.

Apesar de ter perdido algumas arestas, o Público adianta que o A-68 permanece praticamente do mesmo tamanho, com 150 quilómetros de comprimento e 55 quilómetros de largura – o equivalente a um Algarve de gelo.

O Centro Nacional de Gelo dos EUA colocou este icebergue em sexto lugar na lista dos maiores icebergues, mas a verdade é que o seu futuro não é animador. O mais provável é que o A-68 se desfaça em fragmentos ao longo do caminho.

ZAP //

Por ZAP
9 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

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957: Cientistas descobriram uma “bomba relógio” debaixo do oceano Árctico

usgeologicalsurvey / Flickr

O Árctico não está apenas ameaçado pelo derretimento do gelo na sua superfície. Um novo estudo mostra que há também um reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do oceano.

Segundo o Science Alert, uma nova pesquisa descobriu evidências de um vasto reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do Oceano Árctico e a penetrar de forma profunda no coração da região polar, ameaçando derreter o gelo que se encontra no topo.

“Documentámos um aquecimento oceânico impressionante numa das principais bacias do interior do Oceano Árctico, a Bacia do Canadá”, explica a oceanógrafa da Universidade de Yale Mary-Louise Timmermans.

A investigadora e o resto da equipa analisaram as temperaturas registadas nessa bacia nos últimos 30 anos e descobriram que a quantidade de calor na parte mais quente da água efectivamente duplicou no período entre 1987 e 2017.

Esta bacia, situada a norte do Alasca, nos Estados Unidos, é composta por camadas mistas de água oceânica, com água fria na superfície e água mais quente e salgada por baixo.

São as condições de aquecimento rápido do reservatório mais quente que deixam os cientistas a reflectir. “Actualmente, este calor está preso abaixo da camada superficial“, explica Timmermans. “Devia misturar-se até à superfície, existe calor suficiente para derreter por completo o gelo que cobre esta região durante a maior parte do ano”.

De acordo com os investigadores, cujo estudo foi publicado esta semana na revista científica Science Advances, as águas submersas mais quentes têm “arquivado” o calor devido ao “aquecimento solar anómalo” das águas superficiais no norte do Mar de Tchuktchi, que alimenta a Bacia do Canadá.

Basicamente, à medida que o gelo do mar derrete sazonalmente e cada vez mais no Mar de Tchuktchi, a água aberta é exposta ao calor da luz solar, aquece e é levada para o norte pelos ventos do Árctico – um fenómeno actual chamado de Beaufort Gyre.

(dr) Yale University

Enquanto esta água aquecida viaja para o Árctico, as águas mais quentes descem abaixo da camada mais fria da Bacia do Canadá – mas a quantidade que aqueceu nas últimas três décadas pode representar “uma bomba-relógio“, alertam os cientistas.

“Este calor não vai desaparecer”, disse à CBC John Toole, um dos investigadores desta equipa e oceanógrafo do Instituto Oceanográfico Woods Hole. “Eventualmente… vai ter que subir à superfície e vai embater contra o gelo”.

Os cientistas pensam que esta ainda não é uma ameaça imediata, no entanto, ventos fortes misturados com camadas de água mais frias e mais quentes – ou um aumento da salinidade, movendo a água mais quente para cima – podem afectar severamente o gelo do Árctico.

E mesmo que esses resultados não aconteçam, a trajectória de temperatura já vista poderia estar a afectar a cobertura de gelo de forma mais subtil, embora ainda ninguém saiba as ramificações exactas.

“Resta ver como as perdas contínuas de gelo irão mudar fundamentalmente a estrutura e a dinâmica da coluna de água”, explicam os autores no estudo, embora notem que nos próximos anos o excesso de calor “vai dar origem a fluxos de calor ascendentes, criando efeitos compostos no sistema ao diminuir o crescimento do gelo marinho no inverno”.

É preciso mais pesquisa para calcular quão séria é esta situação, porém, não há forma de negar que estes mecanismos fazem todos parte de um problema muito maior – e um que não vai desaparecer.

“Estamos a ver cada vez mais águas abertas quando o gelo marinho recua no verão”, diz Timmermans à Canadian Press. “O Sol está a aquecer o oceano directamente, porque este não está mais coberto pelo gelo do mar”.

ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2018

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909: NASA vai lançar satélite para medir ao detalhe alterações no gelo polar

(CC0/PD) pxhere

A agência espacial norte-americana anunciou que vai lançar a 15 de Setembro um satélite que irá medir as alterações no gelo polar da Terra com um “detalhe sem precedentes”.

O ICESat-2 vai dar continuidade às observações iniciadas pelo seu antecessor, o ICESat-1, cuja missão terminou em 2009.

O novo satélite, que será lançado da base militar de Vandenberg, na Califórnia, nos EUA, está equipado com o instrumento laser mais avançado para este tipo de observações, de acordo com um comunicado da NASA publicado no seu portal.

Segundo a agência espacial norte-americana, o ICESat-2 vai medir a alteração média anual da altura de gelo que cobre a Gronelândia e a Antárctida, com uma margem de até quatro milímetros (largura de um lápis), obtendo 60 mil medições por segundo.

A NASA lembra que o degelo na Gronelândia e na Antárctida está a elevar em média o nível dos oceanos em mais de um milímetro por ano. O satélite vai também registar as alterações na espessura e no volume do gelo do Oceano Árctico, cuja área diminuiu em 40% desde 1980.

Ao atravessar a Terra, de pólo a pólo, o satélite vai monitorizar a cota de gelo nas regiões polares quatro vezes por ano, fornecendo dados sobre as mudanças ocorridas sazonalmente.

O instrumento ‘laser’ com o qual o ICESat-2 está equipado, o Sistema Avançado de Altímetro a Laser Topográfico (ATLAS, na sigla em inglês) mede a altura cronometrando o tempo que fotões de luz demoram a viajar do satélite à superfície da Terra e a voltar para trás.

Para a NASA, os dados do ICESat-2 poderão contribuir para o avanço do conhecimento do impacto do degelo na subida do nível do mar e no aumento da temperatura, efeitos das alterações climáticas.

O satélite também vai medir a altura da superfície oceânica e terrestre, incluindo os topos das árvores das florestas (que, em conjunto com a informação existente sobre a área florestal global, possibilitará aos cientistas estimarem a quantidade de dióxido de carbono armazenada nas florestas).

ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Agosto, 2018

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