1689: O metano na atmosfera está a aumentar (e os cientistas estão preocupados)

WildEarth Guardians / Flickr

Os cientistas gostam de mistério e têm um novo enigma por resolver – e envolve metano, um gás de efeito de estufa potente.

Há vinte anos, o nível de metano na atmosfera parou de aumentar, dando à humanidade uma pequena folga no que se tratava de desacelerar a mudança climática. Mas a concentração começou a subir novamente em 2007 – e está a aumentar o ritmo nos últimos quatro anos, de acordo com um novo estudo.

Os cientistas ainda não descobriram a causa, mas dizem que uma coisa é clara: este aumento poderia colocar em risco o acordo climático de Paris. Isto porque muitos cenários para atingir os objectivos assumiram que o metano estaria a cair agora, ganhando tempo para enfrentar o desafio de longo prazo de reduzir as emissões de dióxido de carbono.

“Eu não quero correr e chorar mas é algo que é muito preocupante”, disse Euan Nisbet, cientista na Royal Holloway, Universidade de Londres.

O metano é produzido quando o material morto se decompõe sem muito oxigénio. Na natureza, escoa de zonas húmidas alagadas, pântanos e sedimentos. Os incêndios florestais também produzem algum metano.

Hoje em dia, no entanto, as actividades humanas produzem cerca de metade de todas as emissões de metano. Derrames de operações com combustíveis fósseis são uma grande fonte, assim como a agricultura – especialmente a criação de gado, que produz metano nas suas entranhas. Até os montes de lixo que apodrecem nos aterros produzem o gás.

A atmosfera contêm muito menos metano do que dióxido de carbono. Mas o metano consegue capturar mais calor e uma tonelada de gás causa 32 vezes mais aquecimento do que uma tonelada de CO2 ao longo de um século. Molécula a molécula, o metano “causa um impacto maior”, disse Debra Wunch, física atmosférica da Universidade de Toronto.

Durante dez mil anos, a concentração de metano na atmosfera ficou abaixo de 750 partes por mil milhões (ppb). Começou a subir no século XIX e continuou a subir até meados dos anos 90. Ao longo do caminho, causou até um terço do aquecimento que o planeta experimentou desde o início da Revolução Industrial.

Os cientistas acreditavam que os níveis de metano podem ter atingido um novo equilíbrio e que os esforços para reduzir as emissões poderão reverter a tendência histórica. “A esperança era de que o metano estivesse a começar a sua trajectória para baixo”, disse Matt Rigby, cientista da Universidade de Bristol, na Inglaterra. “Mas vimos exactamente o oposto: está a crescer constantemente há mais de uma década.”

Os cientistas apresentaram várias explicações. Poderiam estar a crescer as emissões de combustíveis fósseis ou a agricultura? Um aumento na produção de metano em áreas húmidas? Mudanças na taxa em que o metano reage com produtos químicos na atmosfera?

Nisbet e a sua equipa examinaram se alguma destas hipóteses se sincronizava com a mudança na assinatura química do metano na atmosfera. Algumas moléculas de metano pesam mais que outras, porque alguns átomos de carbono e hidrogénio são mais pesados ​​que outros. O peso médio do metano na atmosfera está a ficar mais leve.

Isto parece implicar fontes biológicas, como zonas húmidas e gado, que tendem a produzir metano leve. Daniel Jacob, um químico atmosférico de Harvard, disse que a explicação se enquadra na sua própria investigação. Os resultados sugerem que a maior parte do metano vem dos trópicos, que abrigam vastas áreas húmidas e uma grande proporção do gado.

Estimativas de emissões de minas de carvão e poços de petróleo e gás sugerem que as contribuições de combustíveis fósseis também estão a aumentar, mas essas fontes geralmente libertam moléculas mais pesadas de metano, o que entra em conflito com as observações atmosféricas.

Os incêndios criam uma versão ainda mais pesada do metano e a queima agrícola – particularmente nos países em desenvolvimento – parece ter diminuído. Uma queda nessa fonte de metano ultra-pesado tornaria o metano atmosférico mais leve mascarando um aumento nas emissões de combustíveis fósseis.

Nisbet e os colegas concluíram que não podem descartar nenhuma das explicações. “Podem estar todos a acontecer”, disse.

Os cientistas temiam que o descongelamento de sedimentos e solos árcticos pudesse libertar grandes quantidades de metano, mas até agora não há provas disso. Nisbet disse que teme que o aumento dos níveis de metano possa ser um sinal de um ciclo perigoso: a mudança climática pode fazer com que as zonas húmidas se expandam e permitam que o meio ambiente sustente mais animais, levando a ainda mais emissões de metano. “Parece claramente que o aquecimento está a alimentar o aquecimento”, disse.

Se o metano continuar a aumentar, os investigadores dizem que poderia comprometer seriamente os esforços para manter a temperatura do planeta sob controlo. Reduzir as emissões de CO2 para atingir as metas climáticas é uma tarefa difícil, mesmo sem o metano extra.

ZAP // Phys

Por ZAP
9 Março, 2019

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1605: Há uma ameaça para a Humanidade “adormecida” no fundo do mar

Bob Embley / NOAA Office of Ocean Exploration

As alterações climáticas ameaçam causar uma enorme libertação de carbono que se encontra “adormecido” no fundo do mar, processo que já ocorreu no passado, tendo resultado num aumento da temperatura atmosférica de tal magnitude que acabou com a Era do Gelo, sugere um novo estudo.

O investigação, cujos resultados foram publicados em Janeiro passado na revista especializada Environmental Research Letters, aponta que no final do período Pleistoceno – há aproximadamente 17000 anos – uma grande quantidade de gases de efeito de estufa escapou do leito oceânico para a atmosfera devido à actividade hidrotermal.

Tal como explicam os cientistas, estes reservatórios subaquáticos de dióxido de carbono e metano são produzidos quando a actividade vulcânica liberta gás, que é então congelado até que seja encapsulado como uma massa de hidratos num estado líquido ou sólido.

Estes depósitos estão espalhados pelo leito marinho de todo o planeta e permanecem intactos, a menos que sejam perturbados por factores externos, como o aquecimento dos oceanos. Se o carbono geológico preso no interior destes reservatórios for libertado, o nível de gases de efeito estufa na atmosfera irá sofrer um enorme aumento, agravando, consequentemente, ainda mais as alterações climáticas.

Tendo isto em conta, os cientistas alertam que com a actual taxa de aquecimento global, em grande parte causada pela actividade humana, os oceanos atingirão a temperatura considerada mais crítica até o final deste século.

A título de exemplo, os especialistas mencionam um reservatório de carvão de importantes dimensões localizado na parte ocidental do Oceano Pacífico, ao largo da costa de Taiwan, que precisa apenas de um pequeno aumento, ou seja, alguns graus Celsius para perder sua estabilidade.

National Academy of Sciences
Reservatório em Taiwan

“A última vez que aconteceu, a mudança climática foi tão drástica que causou o fim da Idade do Gelo”, frisou Lowell Stott, investigador da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do trabalho. E concluiu: “Assim que o processo geológico começar, não podemos desactivá-lo”.

ZAP //

Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

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1559: Dois terços dos glaciares dos Himalaias podem derreter até 2100

Wolfgang Beyer / Wikimedia

Dois terços dos glaciares das montanhas do Hindu-Kush-Himalaias poderão derreter até ao fim do século se o planeta continuar a aquecer por causa dos gases de efeito de estufa, segundo um estudo científico.

O chamado “terceiro pólo”, por causa da quantidade de gelo ali concentrada, estende-se por 3.500 quilómetros, entre o Afeganistão e a Birmânia, e a continuação do aquecimento global ameaça desestabilizar os grandes rios da Ásia, concluíram os investigadores do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, uma organização sediada em Katmandu, no Nepal.

O estudo envolveu 350 cientistas e durou cinco anos, que olharam para os rios alimentados pelo gelo das cordilheiras, que incluem o Ganges, o Mekong e o Rio Amarelo, ao longo dos quais vivem 1,65 mil milhões de pessoas.

“É a crise climática de que ainda não se falou”, afirmou o investigador Philippus Wester.

Mesmo que se limitasse o aumento da temperatura global a 1,5 graus até 2100, cumprindo a meta do acordo de Paris de 2015, a região do Hindu-Kush-Himalaias perderia um terço do gelo, afectando também os 250 milhões de pessoas que vivem nas zonas montanhosas.

“O aquecimento global pode transformar os picos montanhosos gelados que atravessam oito países em montanhas de rocha nua em menos de um século. As consequências para as populações da região, que já é uma das zonas montanhosas mais frágeis e em risco, irão da poluição atmosférica ao aumento dos fenómenos climáticos extremos”, alertou.

Ao influenciar o volume e as alturas dos degelos, o aquecimento global põe em risco a produção agrícola que depende da água que corre da montanha, prejudicando a segurança alimentar e assoberbando os sistemas de distribuição de água urbanos.

O estudo, esta semana publicado na Springer Link, dá ainda conta que as consequências do derretimento dos glaciares dos Himalaias podem afectar quase 2 mil milhões de pessoas com secas mais frequentes, chuvas mais violentas e inundações súbitas.

ZAP // Lusa

Por ZAP
5 Fevereiro, 2019

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931: Estamos a viver um momento de crise oceânica global, alerta investigador

CIÊNCIA

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

Mais de 90% do calor resultante do aumento de gases do efeito de estufa foi armazenado nos oceanos, segundo as conclusões que serão debatidas numa cimeira sobre as alterações climáticas em de Katowice, na Polónia.

Carlos García Soto, investigador do Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO) que participou na reunião da ONU para o Relatório Mundial sobre o Estado do Meio Ambiente Marinho realizada em Nova York, nos dias 23 e 24 de Agosto, confirmou que os oceanos são a casa de mais de 90% do calor gerado pelos gases com efeito de estufa.

Entre as consequências já conhecidas, estão os efeitos na distribuição e sobrevivência da biota – nomeadamente os corais – a elevação do nível médio da água do mar com efeito nas populações e o desaparecimento progressivo do gelo do Árctico.

Além disso, esta percentagem elevada de calor afecta a salinidade, resultando numa maior estratificação da coluna de água, e, associada a esta última, a desoxigenação de grandes zonas profundas, assim como uma maior acidez provocada pelo dióxido de carbono (CO2).

Soto sublinha que estamos actualmente a viver um momento “de crise oceânica global em múltiplas frentes cuja solução requer o esforço de todos”.

Por este motivo, segundo o investigador do IEO, foi designada na reunião da ONU uma comissão de especialistas para a elaboração do novo relatório periódico do estado do meio ambiente dos oceanos, que deverá estar pronto em Julho de 2019.

O relatório periódico representa o mecanismo global da ONU para a vigilância do estado dos oceanos, “incluindo aspectos socioeconómicos de uma maneira sistemática”, refere Soto.

“Os oceanos não são uma fonte inesgotável de recursos e serviços, e também não têm uma capacidade de carga ilimitada”, explicou o cientista.

Uma gestão sustentada é a chave para a atingir o Objectivo de Desenvolvimento Sustentado número 14 da ONU, que aborda a conservação e o uso sustentável dos oceanos.

ZAP // EFE

Por ZAP
29 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 7 erros ortográficos ao texto original)

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842: Plásticos também produzem gases com efeito de estufa

Ars Electronica / Flickr

Provavelmente nunca lhe passou pela cabeça, mas o plástico é uma fonte importante de gases com efeito de estufa – especialmente os sacos de plástico, que produzem metano enquanto se degradam.

Essas emissões que, em especial, os sacos de plástico produzem, nomeadamente de metano e etileno, não têm sido tidas em conta nos cálculos dos cientistas sobre a influência nas alterações climáticas da libertação de gás com efeito de estuda na atmosfera, indica o estudo, publicado no dia 1 deste mês na PLOS ONE.

Os investigadores fizeram testes em todos os tipos de produtos, como garrafas de água, sacos, embalagens e produtos industriais, e concluíram que o polietileno, o polímero mais usado, era o emissor “mais prolífico”.

Ainda que não tenham sido determinadas as quantidades de gases libertados, os investigadores advertem que é urgente fazê-lo, tendo em conta as oito mil milhões de toneladas de plástico no planeta, e uma produção que deve duplicar nas próximas décadas.

Citada pela BBC, Sarah-Jeanne Royer, investigadora da Universidade do Havai, explicou que esta descoberta foi completamente acidental. Os cientistas mediam o gás metano proveniente da actividade biológica da água do mar, quando perceberam que as garrafas de plástico que usavam com as amostras produziam mais metano do que os insectos aquáticos.

“Foi uma descoberta totalmente inesperada”, afirmou Royer, explicando que membros da equipa de investigação estavam a usar frascos de polietileno para estudar a produção biológica de metano e estranharam as concentrações muito maiores do que o esperado, descobrindo então que parte das emissões vinha da própria garrafa.

Além disso, a equipa descobriu que o plástico mais usado, o que serve para fazer os tradicionais sacos de supermercado, é o que produz maior quantidade de gases com efeito de estufa, que aumenta com a temperatura. Depois de 212 dias ao sol esse plástico emitia 176 vezes mais metano do que no início da experiência.

Ao actuar na superfície do plástico, a radiação solar vai acelerando a produção de gás, que acontece mesmo no escuro, explicam os investigadores no artigo científico. Até agora, a ligação entre os plásticos e as alterações climáticas centrava-se no uso de combustíveis fósseis para produzir esses plásticos.

Segundo Ashwani Gupta, cientista da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, o polietileno de baixa densidade emite etileno, metano e propano, mesmo a baixas temperaturas, o que contribui para as emissões de gases com efeito de estufa.

Ainda que as quantidades de metano e etileno produzidas a partir do plástico sejam pequenas, Royer fez questão de advertir que à medida que o plástico se rompe mais superfície fica exposta, aumentando a quantidade de gases que chega à atmosfera.

“Se olharmos para todo o plástico produzido desde 1950 ele está quase todo ainda no planeta, apenas se está a decompor e pedaços cada vez mais pequenos”, detalhou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Agosto, 2018

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