5149: Uma nova química. Detectado em Marte gás nunca antes visto no planeta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/marte

Kevin Gill / Flickr

A tempestade de areia marciana de 2018 deu um gás nunca antes visto à atmosfera do planeta. A ExoMars detectou vestígios de cloreto de hidrogénio em Marte.

O cloreto de hidrogénio é composto por um átomo de hidrogénio e um de cloro e dá agora aos cientistas um novo mistério para resolver: como é que este gás chegou a Marte?

“Descobrimos cloreto de hidrogénio pela primeira vez em Marte”, disse o físico Kevin Olsen, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, citado pelo Science Alert. “Esta é a primeira detecção de um gás halogeno na atmosfera de Marte e representa um novo ciclo químico a ser entendido.”

Como o gás foi “farejado” pela sonda nos hemisférios norte e sul do Planeta Vermelho durante a tempestade de poeira, longe de outros gases vulcânicos, os cientistas sugerem que o cloreto de hidrogénio estava a ser produzido por outro processo que não a actividade vulcânica.

Para o cloreto de hidrogénio se originar, é necessária a presença de cloreto de sódio (o sal comum), que sobra dos processos evaporativos. Há muito em Marte, que se acredita ser o remanescente dos antigos lagos salgados. Quando uma tempestade de poeira agita a superfície, o cloreto de sódio é lançado na atmosfera.

Outra hipótese é suportada pelas calotas polares marcianas que, quando aquecidas durante o verão, sublimam. Quando o vapor de água resultante se mistura com o sal, a reacção liberta cloro, que reage posteriormente para formar cloreto de hidrogénio.

“É necessário vapor de água para libertar o cloro e subprodutos da água – o hidrogénio – para formar o cloreto de hidrogénio. A água é crítica nesta química”, disse Olsen. “Também observamos uma correlação com a poeira: vemos mais cloreto de hidrogénio quando a actividade da poeira aumenta, um processo ligado ao aquecimento sazonal do hemisfério sul.”

Este último modelo é apoiado por uma detecção de cloreto de hidrogénio durante a temporada de poeira de 2019, que a equipa ainda está a analisar.

A confirmação ainda está pendente, pelo que observações futuras e contínuas vão ajudar os cientistas a formar uma imagem mais abrangente dos ciclos do processo e a desvendar este mistério. O artigo científico com as descobertas foi publicado no dia 10 de Fevereiro na Science Advances.

Por Liliana Malainho
17 Fevereiro, 2021