4202: Gás misterioso descoberto perto do centro da Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A Via Láctea com o APEX no plano da frente.
Crédito: ESO/B. Tafreshi/TWAN (twanight.org)

Uma equipa internacional de investigadores descobriu gás frio e denso que foi lançado do centro da Via Láctea “como balas”.

Exactamente como o gás foi ejectado ainda é um mistério, mas a equipa de investigação, que inclui a professora Naomi McClure-Griffiths da Universidade Nacional Australiana, afirma que os achados podem ter implicações importantes para o futuro da nossa Galáxia.

“As galáxias podem ser realmente boas em ‘disparar no próprio pé’,” disse a professora McClure-Griffiths.

“Quando expulsamos muita massa, perdemos parte do material que poderia ser usado para formar estrelas e, se perder massa suficiente, a galáxia não poderá mais formar estrelas.

“Assim sendo, ser capaz de ver indícios de que a Via Láctea está a perder este gás formador de estrelas é um tanto ou quanto excitante – faz-nos perguntar o que vai acontecer a seguir!”

O estudo também levanta novas questões sobre o que está a acontecer agora no nosso Centro Galáctico.

“O vento no centro da Via Láctea tem sido tema de muitos debates desde a descoberta, há uma década, das chamadas Bolhas de Fermi – duas esferas gigantes cheias de gás quente e raios cósmicos,” disse a professora McClure-Griffiths.

“Observamos que não há apenas gás quente vindo do centro da nossa Galáxia, mas também gás frio e muito denso.

“Este gás frio é muito mais massivo, de modo que se move menos facilmente.”

O centro da Via Láctea é o lar de um buraco negro super-massivo, mas não está claro se este buraco negro expeliu o gás ou se foi soprado por milhares de estrelas massivas no centro da nossa Galáxia.

“Não sabemos como o buraco negro ou a formação estelar podem produzir este fenómeno. Ainda estamos à procura de evidências incontornáveis, mas fica mais complicado de cada vez que aprendemos mais sobre ele,” disse o autor principal, Dr. Enrico Di Teodoro, da Universidade Johns Hopkins.

“Esta é a primeira vez que algo deste género foi observado na nossa Galáxia. Vemos este tipo de processos a acontecer noutras galáxias. Mas, com galáxias distantes temos buracos negros muito mais massivos, a formação estelar é maior, o que torna mais fácil a galáxia expelir material.

“E estas outras galáxias estão, obviamente, muito longe, não podemos vê-las com grande detalhe.

“A nossa própria Galáxia é quase como um laboratório em que podemos realmente entrar e tentar entender como as coisas funcionam observando-as de perto.”

O gás foi observado usando o APEX (Atacama Pathfinder EXperiment) operado pelo ESO no Chile.

Astronomia On-line
21 de Agosto de 2020

 

spacenews

 

1220: As luzes estão a apagar-se: galáxia vizinha da Via Láctea está a morrer lentamente

(dr) CSIRO
Radiotelescópio australiano ASKA Pathfinder (ASKAP) da CSIRO

A uma distância de 200.000 anos-luz da Terra, a Pequena Nuvem de Magalhães está a morrer lentamente. A galáxia está a perder a capacidade de formar novas estrelas, transformando-se num gás intergaláctico à medida que o tempo passa.

Os astrónomos conseguiram testemunhar a morte lenta da Pequena Nuvem de Magalhães através do poderoso radiotelescópio australiano Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP). “Conseguimos acompanhar a saída de gás de hidrogénio da Pequena Nuvem de Magalhães”, contou Naomi McClure-Griffiths, da Universidade Nacional da Austrália.

Esta galáxia pode deixar de ser capaz de formar novas estrelas caso perca todo o seu gás. “Geralmente, as galáxias que param gradualmente de formar estrelas, caem no esquecimento. É uma espécie de morte lenta para uma galáxia”, referiu a cientista.

A Pequena Nuvem de Magalhães, a cerca de 200.000 anos-luz da Terra, é absolutamente minúscula, com apenas 7.000 anos-luz de diâmetro – menos de um décimo do tamanho da Via Láctea. Ainda assim, a galáxia é visível a olho nu no hemisfério sul.

Esta é uma das várias galáxias que orbitam a Via Láctea e surge emparelhada com a Grande Nuvem de Magalhães como uma espécie de sistema de galáxias binárias. Na prática, as duas galáxias anãs orbitam-se uma à outra enquanto, em conjunto, orbitam a Via Láctea.

Ao longo do tempo, tem sido teorizado que galáxias anãs como estas desempenham um papel crítico na evolução do Universo. Porquê? Graças ao feedback estelar, ou seja, quando as estrelas massivas conduzem potentes fluxos de gás, energia, massa e metais para o meio intergaláctico através de ventos estelares e explosões de super-novas.

Isto então enriquece o meio intergaláctico e regula a formação de estrelas. Além disso, este processo não é fácil de observar em acção.

Ainda assim, foi possível graças ao campo de visão do radiotelescópio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP). Os cientistas foram, assim, capazes de observar toda a galáxia e as suas saídas de hidrogénio atómico, um ingrediente crítico para a formação de estrelas. Através desta observações, foi possível obter a primeira medição clara da quantidade de massa perdida de uma galáxia anã.

No artigo científico, publicado esta segunda-feira na Nature Astronomy, a equipa demonstrou que as “descargas” de hidrogénio atómico se estenderam por, pelo menos, 6.523 anos-luz da barra de formação de estrelas da galáxia. No fundo, as saídas formaram-se de 25 a 60 milhões de anos atrás.

De acordo com a equipa, o fluxo de massa inferido do gás atómico é, pelo menos, uma ordem de magnitude maior do que a taxa de formação de estrelas. Em suma, a Pequena Nuvem de Magalhães está a explodir hidrogénio atómico mais rápido do que produz novas estrelas.

Esta é uma má notícia para a sobrevivência desta galáxia, mas pode ser uma boa notícia para o espaço ao seu redor, assim como para os astrónomos que procuram novas pistas sobre o feedback estelar das galáxias anãs.

“Em última análise, a Pequena Nuvem de Magalhães provavelmente será engolida pela nossa Via Láctea”, afirmam os cientistas.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
31 Outubro, 2018

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