1628: Astrónomos detectam 300 mil novas galáxias “invisíveis”

LOFAR

A descoberta foi possível graças a um dos maiores radiotelescópios do mundo – o LOFAR (Low Frequency Array), que encontrou “milhares” de novas galáxias que os cientistas nunca tinham visto antes.

Os primeiros resultados da elaboração do novo mapa do céu foram publicados pela revista científica Astronomy & Astrophysics por uma equipa de 200 astrónomos.

“Se pegarmos num radiotelescópio e olharmos para o céu, veremos principalmente a radiação que ocorre na proximidade de buracos negros super-maciços. O LOFAR ajudará a entender como estes objectos misteriosos apareceram. Além disso, estas novas galáxias podem esconder buracos que surgiram nos primeiros dias do Universo“, diz Huub Rottgering, da Universidade de Leiden, na Holanda.

O radiotelescópio europeu começou a ser construído no início dos anos 90, quando o Instituto Holandês de Radioastronomia (ASTRON) propôs criar um poderoso interferómetro para estudar as galáxias mais distantes e o Universo primordial. A sua construção terminou em Junho de 2010, tendo as observações começado em 2012.

O LOFAR tem 300 mil metros quadrados e quase 100 mil antenas localizadas em vários países europeus, que são conectadas com a ajuda de uma rede de alta velocidade e do COBALT, um dos supercomputadores mais potentes da Europa.

O recém-publicado mapa detalhado de ondas de rádio do Universo ao nosso redor é baseado nos primeiros cinco anos de observações do LOFAR.

Esse mapa contém mais de trezentos mil fontes de rádio, incluindo núcleos activos de galáxias e quasares, cerca de um terço dos quais eram anteriormente desconhecidos pelos cientistas.

Segundo os astrónomos, o estudo desta vasta colecção de buracos negros que surgiram em diferentes momentos da vida do Universo ajudará a entender quando estes objectos apareceram e o que os ajudaram a crescer a uma velocidade tão alta.

Devido à alta sensibilidade e resolução do radiotelescópio europeu, foi possível rastrear pela primeira vez as nuvens de gás quente numa galáxia distante usando ondas de rádio de baixa frequência. Além disso, provou-se que há campos magnéticos poderosos no espaço intergaláctico, cujo efeito se estende por milhões de anos-luz.

Como observado pelos investigadores, o mapa actual inclui apenas 2% da área total de céu nocturno do Hemisfério Norte. num futuro próximo, planeiam aumentar a sua cobertura em dez vezes, e nos anos subsequentes alcançar os 100%.

Os cientistas ainda esperam que estas observações ajudem a descobrir as galáxias primárias do Universo, que surgiram logo após o Big Bang.

ZAP // Sputnik News

Por SN
23 Fevereiro, 2019

 

993: Astrofísicos desconfiam que há uma galáxia invisível na Via Láctea

D. Minniti / VVV Survey / ESO

Os cientistas acreditam que no coração de quase todas galáxias, incluindo na Via Láctea, exista um buraco negro super-massivo com grande gravidade. Este buracos negro pode “alojar” outros menores, formando uma estrutura à sua volta, aponta uma nova investigação.

Estes buracos negros, conhecidos como SMBHs, estão rodeados por aglomerados densos de milhões de estrelas e, de acordo com descobertas recentes, existem provavelmente milhares do buracos negros menores, do tamanho de estrelas, que orbitam a poucos anos-luz do centro galáctico.

Astrofísicos da Universidade Eotvos Loránd, na Hungria, detalharam num novo estudo, publicado na semana passada na Physical Review Letters, que os objectos mais massivos formam uma estrutura à volta do buraco negro super-massivo central, onde se ocultariam milhares de outros buracos negros.

Até então, os cientistas acreditavam que as órbitas dos objectos estelares ligeiros e massivos se distribuíam de forma uniforme em todas as direcções à volta dos buracos negros supermassivos, explicou Akos Szolgyen, um dos autores do estudo acrescentado que agora os investigadores “sabem que as as estrelas massivas e os buracos negros separam-se tipicamente num disco“.

Segundo a investigação, os investigadores simularam a interacção das órbitas estelares em “agrupamentos de estrelas nucleares” – grupos de estrelas com alta densidade e luminosidade -, que se encontram perto do centro de massa da maioria das galáxias.

Szolgyen acredita que os aglomerados das estrelas nucleares se podem formar de duas formas distintas: a primeira sugere que o gás voou para o centro da galáxia e formou estrelas à volta do agrupamento do buraco negro super-massivo; a sua forma aponta que os aglomerados globulares antigos se deslocaram em espiral até o centro galáctico, onde acabaram por ser destruídos pelas forças gravitacionais do buraco negro.

Com o tempo, as estrelas mais massivas formaram discos à volta do buraco negro super-massivo central, e os objectos estrelares mais rápidos à volta deste acabaram repartidos esfericamente em torno do núcleo galáctico.

Posto isto, os astrofísicos concluíram que os milhares de buracos negros já previstos à volta do centro galáctico escondem-se dentro da estrutura do disco já demonstrado – incluindo mesmo a Via Láctea.

“Se milhares de buracos negros residem num disco à volta de um buraco negro super-massivo central, estes podem deformar e perfurar colectivamente as nuvens de gás ambiente em núcleos galácticos activos, dos quais fluxos de saída altamente energéticos são observados”, explicou Bence Kocsis, um dos participantes do estudo.

“Estas saídas podem afectar fundamentalmente a estrutura em grande escala da galáxia hospedeira, mesmo a milhares de anos-luz de distância”, concluiu.

Esta previsão pode ter importantes implicações para a nossa compreensão da dinâmica estelar, dos núcleos galácticos, da evolução das galáxias e da origem das ondas gravitacionais – ou ondulações no tecido do espaço-tempo.

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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