655: DADOS DO GAIA REVELAM FUSÕES NA VIA LÁCTEA

Painel da esquerda: diferentes correntes estelares (pontos coloridos), o disco da Via Láctea (azul) e em preto o resto das estrelas do halo, onde a bolha horizontal em forma de charuto é visível. Painel da direita: mesmos dados, agora vistos a partir de um ângulo de 90º.
Crédito: Koppelman et al.

Astrónomos da Universidade de Groninga (Países Baixos) descobriram relíquias de eventos de fusão no halo da Via Láctea. Cinco pequenos grupos de estrelas parecem representar fusões com galáxias mais pequenas, enquanto uma grande “bolha” composta por centenas de estrelas parece ser o remanescente de um grande evento de fusão. Estes resultados foram publicados na edição de 12 de Junho da revista científica The Astrophysical Journal Letters.

O estudo é baseado na recente segunda divulgação do catálogo Gaia. A segunda versão forneceu à comunidade científica informações precisas sobre a posição e sobre o movimento de milhões de estrelas, principalmente na Via Láctea. O estudante de doutoramento Helmer Koppelman faz parte do grupo de investigação de Amina Helmi, professora de Dinâmica, Estrutura e Formação da Via Láctea, que esteve envolvida na missão Gaia quase desde o seu início. Ele começou por analisar os dados logo após a divulgação e publicou uma pré-impressão do artigo apenas oito dias depois. Foi agora oficialmente publicado.

Halo

“O nosso objectivo é estudar a evolução da Via Láctea,” afirma Koppelman. A ideia é que galáxias mais pequenas se fundem para formar galáxias maiores. “Uma das questões é saber se muitas galáxias pequenas se fundiram ou se foram apenas algumas maiores.” Tendo em conta que se pensa que a maioria das estrelas no halo da Via Láctea – a nuvem esférica de estrelas que rodeia o disco principal e o bojo da nossa Galáxia – sejam remanescentes de eventos de fusão, Koppelman e colegas focaram-se nas estrelas do halo nos dados do Gaia.

“Recolhemos informações sobre estrelas até 3000 anos-luz do Sol, pois a precisão da posição e do movimento é maior para as estrelas que estão perto de nós,” explica Koppelman. O primeiro passo foi filtrar as estrelas do disco da Via Láctea. “Estas estrelas movem-se em redor do centro do disco, por isso são facilmente identificadas.” Restaram aproximadamente 6000 estrelas no halo.

Bolha

Ao calcular a sua trajectória, Koppelman foi capaz de identificar estrelas com uma origem partilhada. “Nós descobrimos cinco pequenos enxames que pensamos serem remanescentes de cinco eventos de fusão”. No entanto, muitas das estrelas restantes também pareciam ter uma história partilhada. “Estas estrelas formam uma grande ‘bolha’ com um movimento retrógrado em comparação ao do disco. Isto sugere que são o resultado de uma fusão com uma galáxia grande. Na verdade, pensamos que este evento de fusão deve ter remodelado o disco da nossa Via Láctea”. Está em andamento um estudo mais detalhado da natureza desta fusão. “Neste momento, podemos dizer que a nossa Via Láctea foi moldada por um grande evento de fusão e algumas fusões mais pequenas.”

Koppelman também procurou estrelas pertencentes à “corrente Helmi”, que tem o nome do seu supervisor de doutoramento, que a identificou em 1999 como remanescente de um evento de fusão. “Até agora, foram identificadas menos de vinte estrelas pertencentes à corrente Helmi. Os dados do Gaia acrescentaram mais de 100 novas estrelas. “Uma análise mais detalhada deve esclarecer a natureza da galáxia que produziu esta corrente. “Também vamos olhar para estrelas a mais de 3000 anos-luz a fim de descobrir membros adicionais das diferentes correntes que identificámos. Juntamente com as simulações da evolução galáctica, deve dar-nos novas informações interessantes sobre a evolução da Via Láctea”.

Astronomia On-line
15 de Junho de 2018

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552: Descoberto o buraco negro mais esfomeado do Universo

M. Kornmesser / ESO

Um grupo de astrónomos da Austrália descobriu o buraco negro que cresce mais rápido no Universo (pelo menos, dos que são conhecidos até agora). O buraco negro absorve uma massa equivalente ao Sol a cada dois dias.

O buraco negro chamado QSO SMSS J215728.21-360215.1 foi detectado a 12 mil milhões de anos-luz de distância por cientistas da Universidade Nacional Australiana, ANU. O seu tamanho é o equivalente a 20 mil milhões de sóis e tem uma taxa de crescimento de cerca de 1% a cada um milhão de anos, indicou a ANU em comunicado.

“Este buraco negro cresce tão rápido que brilha milhares de vezes mais que uma galáxia inteira devido aos gases que devora diariamente, causando muito atrito e calor”, disse Christian Wolf, da Escola de Astronomia e Astrofísica da ANU.

O buraco negro existia quando o Universo, que tem aproximadamente 13,8 mil milhões de anos, tinha apenas 1,2 biliões de anos. “Não sabemos como cresceu tanto e tão rápido na primeira fase do Universo”, afirmou o cientista.

Wolf indicou que a energia emitida pelo buraco negro, também conhecida como quasar, é composta de luz ultravioleta e raios-X. “Se este monstro estivesse no centro da Via Láctea, provavelmente faria com que a vida na Terra fosse impossível devido à grande quantidade de raios-X que emana”, afirmou o astrónomo.

“Os buracos negros gigantescos e de crescimento rápido também ajudam a limpar a névoa à sua volta através da ionização dos gases, o que torna o Universo mais transparente”, acrescentou Wolf.

O buraco negro foi detectado pelo telescópio SkyMapper do Observatório de Siding Spring da ANU, situado cerca de 480 quilómetros a noroeste de Sidney, com ajuda do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia, ESA.

Os autores da descoberta consideram que os buracos negros brilham e podem se transformar em modelos para observar e estudar a formação de elementos nas primeiras galáxias do Universo.

A descoberta vai ser publicada no Publications of the Astronomical Society of Australia. Uma versão de consulta prévia foi publicada na sexta-feira no arXiv.

ZAP // Ciberia // EFE / Gizmodo

Por ZAP
17 Maio, 2018

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486: AS ESTRELAS NASCEM EM AGRUPAMENTOS SOLTOS

Impressão de artista do satélite Gaia, com a Via Láctea no plano de fundo.
Crédito: ESA/ATG medialab; imagem de fundo: ESO/S. Burner

Com base em dados previamente publicados da missão Gaia, investigadores da Universidade de Heidelberg derivaram as condições sob as quais as estrelas se formam. O satélite Gaia está a medir as posições tridimensionais e os movimentos das estrelas na Via Láctea com uma precisão sem precedentes. Usando esses dados, o Dr. Jacob Ward e o Dr. Diederik Kruijssen determinaram as posições, distâncias e velocidades de um grande número de jovens estrelas massivas em 18 agrupamentos estelares próximos. Os investigadores conseguiram demonstrar que não há evidência alguma de que essas associações estejam a se expandir. Portanto, não podem ter sido formados como um enxame denso e, de seguida, crescido para o seu tamanho actual.

O modelo de longa data da formação estelar sustenta que a maioria, se não todas as estrelas, se formam em aglomerados estelares relativamente densos. Os especialistas referem-se a este como o modelo “monolítico” da formação das estrelas. Com base nesse modelo, cada agrupamento de jovens estrelas observáveis actualmente deve ter origem num ou mais enxames densos. Depois da formação das estrelas, estes enxames expeliram o gás molecular restante e foram capazes de se expandir devido à perda da massa gravitacionalmente ligada. Os aglomerados menos densos de hoje teriam se formado dessa forma e, portanto, milhões de anos depois, evidenciariam sinais claros de forte expansão.

Para os Drs. Ward e Kruijssen, os resultados da sua investigação indicam claramente que o modelo “monolítico” de formação estelar simplesmente não é viável. Ambos os cientistas preferem outra explicação, a saber, que apenas uma pequena fracção das estrelas nascem dentro de aglomerados densos. Ao invés, as estrelas formam-se em gigantescas nuvens de gás molecular numa ampla faixa de densidades. Este modelo “hierárquico” de formação estelar explica os enxames estelares de hoje e as associações com uma variedade de densidades que não mostram sinais de expansão adicional.

A próxima divulgação de dados da missão Gaia está marcada para o dia 25 de Abril. Até lá, terão sido recolhidos dados sobre mais de mil milhões de estrelas – pelo menos 500 vezes mais do que os dois milhões de estrelas incluídas neste estudo inicial. Jacob Ward e Diederik Kruijssen esperam que estes novos dados os permitam expandir o seu estudo a, potencialmente, centenas de grupos estelares soltos, conhecidos como Associações OB, e aprofundar ainda mais a questão de como as estrelas nascem.

Astronomia On-line
24 de Abril de 2018

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452: O QUE ESPERAR DO SEGUNDO CONJUNTO DE DADOS DO GAIA

À espera do segundo catálogo de dados do Gaia.
Crédito: ESA

À medida que astrónomos de todo o mundo se preparam para explorar o segundo lançamento de dados do satélite Gaia da ESA, o Consórcio de Processamento e Análise de Dados anunciou quantas fontes serão incluídas no novo catálogo, que será divulgado ao público no dia 25 de Abril.

Lançado em Dezembro de 2013, o satélite Gaia está a catalogar mais de mil milhões de estrelas na nossa Via Láctea e em galáxias vizinhas, medindo as suas posições, paralaxes e movimentos próprios com um nível de precisão nunca antes atingido, muito abaixo de um milésimo de segundo de arco.

A paralaxe é um pequeno movimento na posição aparente de uma estrela provocada pela revolução anual da Terra em torno do Sol e depende da distância da estrela: com medições das posições e paralaxes estelares, os astrónomos podem posicionar as estrelas no espaço tridimensional. O movimento próprio é provocado pelo movimento real das estrelas através da Galáxia.

O Gaia está a compilar o maior catálogo astrométrico já criado, permitindo investigações sobre a origem e evolução da Via Láctea. E mais: o satélite está também a medir brilhos e cores estelares e tem vindo a captar espectros das mais brilhantes estrelas do seu levantamento.

A muito aguardada segunda versão dos dados do Gaia vai conter a posição e brilho no céu de 1.692.919.135 estrelas, bem como medições da paralaxe e movimento próprio de 1.331.909.727 estrelas.

Derivada de 22 meses de observações, entre 25 de Julho de 2014 e 23 de maio de 2016, representa um grande avanço em relação ao primeiro lançamento de dados da missão. A primeira versão teve por base pouco mais de um ano de dados e listou posições de mais de mil milhões de estrelas, mas “apenas” dois milhões de paralaxes e movimentos próprios.

O segundo lançamento de dados do Gaia vai também incluir uma ampla gama de informações adicionais: as cores de 1,38 mil milhões de estrelas (1.381.964.755 estrelas medidas em comprimentos de onda azuis – 330-680 nm – e 1.383.551.713 estrelas medidas em comprimentos de onda vermelhos – 640-1050 nm); as velocidades radiais de 7.224.631 estrelas; informações sobre 550.737 fontes variáveis; uma estimativa da temperatura da superfície de 161.497.595 estrelas, a extinção – uma medida da quantidade de poeira ao longo da linha de visão – para 87.733.672 estrelas e o raio e luminosidade de 76.956.778 estrelas.

Mais perto de casa, o novo conjunto de dados vai conter a posição de 14.099 objectos conhecidos do Sistema Solar – principalmente asteróides – com base em mais de milhão e meio de observações.

Astronomia On-line
10 de Abril de 2018

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278: A estrela mais brilhante no céu esconde um ninho de estrelas

Harald Kaiser / ESA
A imagem obscurecida de Sirius permite revelar o cluster de estrelas Gaia 1

Se tem observado o céu nocturno nas últimas semanas, é possível que tenha “tropeçado” numa estrela muito brilhante perto da constelação de Orion. Recentemente, um astrónomo amador fotografou-a com um filtro que a obscureceu – revelando o cluster de estrelas Gaia 1.

A estrela em causa é Sirius, um sistema estelar binário, um dos mais próximos do Sol – apenas a 8 anos-luz de distância – e a estrela mais brilhante de todo o céu nocturno, visível de quase todos os lugares da Terra, excepto das regiões mais setentrionais.

Conhecida desde a Antiguidade, esta estrela desempenhou um papel fundamental na manutenção do tempo e da agricultura no antigo Egipto, uma vez que o seu retorno ao céu estava ligado à inundação anual do Nilo. Na mitologia da Grécia Antiga, representava o olho da constelação de Cão Maior, o cão que segue diligentemente Orionte, o Caçador.

As estrelas deslumbrantes, como Sirius, são uma bênção e uma maldição para os astrónomos. A sua aparência brilhante fornece muita luz para estudar as suas propriedades, mas também ofusca outras fontes celestiais que se encontram no mesmo ponto do céu.

Na imagem acima, obtida pelo astrónomo amador Harald Kaiser, no dia 10 de Janeiro, em Karlsruhe, uma cidade no sudoeste da Alemanha, Sirius foi encoberta com um filtro.

Assim que o brilho de Sirius é removido, um objecto interessante torna-se visível à sua esquerda: o enxame estelar Gaia 1, observado pela primeira vez o ano passado, utilizando dados do satélite Gaia da ESA.

Gaia 1 é um enxame aberto – uma família de estrelas nascidas ao mesmo tempo e mantidas unidas pela gravidade – e está localizado a cerca de 15.000 anos-luz de distância.

O seu alinhamento, por acaso, ao lado de Sirius, manteve-o escondido de gerações de astrónomos, que têm varrido o céu com os seus telescópios nos últimos quatro séculos. Mas não para o olho inquisitivo do observatório Gaia, que traçou mais de mil milhões de estrelas na nossa galáxia Via Láctea.

Harald Kaiser soube da descoberta deste aglomerado durante uma conferência sobre a missão do Gaia e esperou zelosamente por um céu claro para tentar observá-lo, usando o seu telescópio de 30 cm de diâmetro.

Depois de cobrir Sirius no sensor do telescópio – criando o círculo escuro na imagem – conseguiu registar algumas das estrelas mais brilhantes do aglomerado Gaia 1.

Gaia 1 é um dos dois grupos de estrelas, anteriormente desconhecidos, que foram descobertos ao contar estrelas a partir do primeiro conjunto de dados de Gaia, que foi lançado em Setembro de 2016.

Os astrónomos estão ansiosos pelo segundo lançamento de dados do Gaia, planeado para 25 de Abril, os quais oferecerão vastas possibilidades para novas e emocionantes descobertas.

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
5 Fevereiro, 2018

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