Ciclone Idai “já se inscreve na tendência global das alterações climáticas”

Moçambique é o terceiro país de África mais vulnerável a fenómenos extremos. O investigador Pedro Garrett diz que os ciclones mais intensos “são o resultado da emissão desproporcional de emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera”.

© EPA/JOSH ESTEY

É o pior ciclone tropical da última década, pelo menos, na região do sudoeste do Índico. O Idai, que deixou um rasto de mortes e destruição, cujo saldo final ainda não é conhecido, numa vasta região de Moçambique, do Malawi e do Zimbabwe, “já se inscreve na tendência global das alterações climáticas, em que se observa um aumento da frequência e da intensidade deste tipo de fenómenos”, afirma ao DN Pedro Garrett, investigador do Programa Doutoral em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável, coordenado na Universidade de Lisboa pelo especialista Filipe Duarte Santos.

“Não se pode atribuir nenhum eventos em específico às alterações climáticas, mas a análise dos dados históricos já indica que existe um aumento da frequência e da intensidade destes fenómenos [furacões e ciclones tropicais], que é consequência das alterações climáticas e, portanto, esta situação insere-se nesse quadro de alterações climáticas”, explica o investigador.

“Estes ciclones mais intensos são o resultado da emissão desproporcional de gases de efeito estufa e das suas consequências na dinâmica energética do nosso planeta,”, nota Pedro Garrett, sublinhando que “Moçambique, na linha da trajectória da maior parte dos ciclones que ocorrem naquela região do globo, já está a sofrer o seu impacto directo”. E esta tendência, adianta, “vai aumentar nas próximas décadas”, de acordo com os modelos climáticos.

Os ciclones que ocorrem nesta região do globo, onde se localiza Moçambique, e os mecanismos que estão na sua origem são bem conhecidos. Estão ligados à oscilação das águas quentes superficiais entre a região oeste da América do Sul e a costa sudeste de África, associada aos fenómenos El Niño e La Niña. Neste último caso, como está agora a acontecer, as águas quentes são arrastadas para a região sudoeste do Índico, junto a Madagáscar e à costa africana.

“Neste tipo de fenómenos [os ciclones] existe uma enorme descarga de energia dos oceanos para a atmosfera, que é libertada também sob a forma de vapor de água, que por sua vez alimenta estas tempestades”, explica o investigador da Universidade de Lisboa, sublinhando que “a maior parte da energia do chamado efeito de estufa está a ser recebida e acumulada nos oceanos”. É isso que depois alimenta as tempestades mais intensas com fenómenos extremos de precipitação e ventos mais fortes, e que “já se vê a acontecer”.

“É expectável que as temporadas de ciclones nesta região se tornem mais intensas e mais frequentes nas próximas décadas”, confirma Pedro Garrett.

A juntar a esta tendência, que torna Moçambique o terceiro país africano mais vulnerável a desastres relacionados com fenómenos meteorológicos extremos, de acordo o Global Facility for Disaster Reduction and Recovery (GFDRR), um grupo de trabalho ligado ao Banco Mundial e às Nações Unidas, as condições no terreno, com grandes índices de pobreza e desordenamento territorial, acabam por agravar ainda mais os impactos destes fenómenos climáticos extremos, como agora se viu.

Moçambique é um dos países africanos mais expostos a episódios meteorológicos extremos, potencialmente causadores de vítimas humanas e danos materiais avultados, incluindo os dois extremos que são as secas e inundações.

“Secas e inundações até podem ocorrer ao mesmo tempo em diferentes zonas do país, o que decorre também de um problema de gestão das bacias hidrográficas e da ocupação do solo”, diz Pedro Garrett, notando que “a situação é ainda mais difícil no contexto do clima em mudança”.

A região central de Moçambique foi atingida em cheio pelo ciclone Idai.
© EPA/NASA WORLDVIEW

Furacões mais lentos e perigosos

Um estudo publicado no ano passado na Nature já tinha confirmado, justamente, que os furacões, os ciclones e as tempestades tropicais se tornaram nas últimas décadas mais intensos e perigosos.

A equipa de James Kossin, do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, passou em revista os dados dos últimos 68 anos das tempestades tropicais ocorridas no mundo, entre 1949 e 2016, e identificou um padrão que tinha estado oculto: o de que elas estão, em média, 10% mais lentas. Depois de se formarem sobre os oceanos, a progressão destas tempestades através da atmosfera, e frequentemente sobre regiões densamente habitadas nos vários continentes, está actualmente a acontecer de forma mais vagarosa, o que significa que a quantidade de chuva que desaba sobre uma determinada zona tem estado a crescer, aumentando significativamente o risco de desastres naturais, como inundações ou deslizamentos de terras.

“Este abrandamento global em 10% [da velocidade a que furacões e tufões se deslocam] ocorreu ao longo de um período em que o planeta sofreu um aumento de temperatura de 0,5 graus Celsius”, explicou na altura o autor do estudo.

Apesar de a média global do abrandamento ser de 10%, este varia conforme as regiões. Na do Índico, onde se localiza Moçambique, este abrandamento na passagem dos ciclones tropicais é da ordem dos 4%.

Filomena Naves
19 Março 2019 — 16:48

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1577: Telescópio Hubble revela furacão misterioso na atmosfera de Neptuno

NASA / ESA / A. Simon

O observatório orbital Hubble recebeu novas fotografias de Neptuno e Úrano, onde se podem observar novas manchas misteriosas na atmosfera do segundo maior gigante gasoso e um furacão enorme no pólo norte do sétimo planeta.

O “traço marcante” de Júpiter é uma grande mancha vermelha – um furacão com um diâmetro de várias centenas de quilómetros e cuja velocidade alcança os cerca de 430 quilómetros por hora. Durante muito tempo, este foi considerado um traço único do maior gigante gasoso do Sistema Solar.

No entanto, desde os anos 1980, os cientistas começaram a duvidar desse facto. Em 1994, as imagens do telescópio Hubble mostraram que furacões parecidos com o de Júpiter podem, afinal, surgir também em Neptuno.

Há dois anos, o Hubble captou fotografias ainda mais detalhadas de Neptuno que confirmaram a existência, na sua atmosfera, de turbilhões com uma duração relativamente curta, de apenas alguns meses, em comparação com as estruturas seculares de Júpiter.

As novas imagens do Hubble, obtidas em Setembro no âmbito do programa OPAL, indicaram o surgimento de mais uma grande mancha em Neptuno, localizada nas latitudes polares do hemisfério norte do planeta e cercada pelas características nuvens brancas, o que prova as mudanças bruscas de temperatura nos seus arredores e os fluxos rápidos de ar.

Segundo os astrónomos da NASA, a Terra poderia caber dentro dessa mancha, uma vez que o diâmetro do furacão se aproxima dos 11 mil quilómetros. No entanto, como surgem estas estruturas e como se extinguem permanece um autêntico mistério para os cientistas.

Além disso, foi detectado mais um furacão no pólo norte de Úrano, com um tamanho ainda maior. Os cientistas supõem que o furacão se formou porque o sétimo planeta do Sistema Solar gira “de lado”.

Esta característica faz com que os seus pólos ora estejam voltados directamente para o Sol, ora fiquem completamente escondidos, causando mudanças bruscas de temperatura, assim como tempestades e nuvens.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
10 Fevereiro, 2019

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1284: “Furacão” de matéria escura vai colidir com a Terra

NASA / JPL-Caltech
Terra cercada por filamentos de matéria escura

Se os cálculos de uma equipa de astrónomos estiverem correctos, o Sistema Solar estará, em breve, no meio de um evento turbulento: um “furacão” de matéria escura, a soprar a uma velocidade de 500 quilómetros por segundo.

Apesar de não conseguirmos ver nem sentir, está para muito breve uma detecção directa de matéria escura, avança uma equipa de astrónomos que desconfia que um “furacão” de matéria escura colidirá com a Terra.

A matéria escura continua a ser um dos grandes enigmas do Universo. Não sabemos o que é, mas sabemos que existe. E como é que temos a certeza disso? Os astrónomos sabem-no com base nos movimentos das estrelas e galáxias, que são rápidas demais para a quantidade de massa observável.

Há, então, uma outra massa a criar gravidade e a influenciar esses movimentos cósmicos. Aliás, com base nesses movimentos, os astrónomos conseguem calcular essa massa invisível – ou “matéria escura”, como lhe chamam os entendidos.

Os cientistas trabalham diariamente para conseguir novas e inovadoras formas de detectar esse tipo de matéria, mas ainda não chegaram lá. No entanto, isso não impediu um conjunto de físicos de afirmar que estamos o meio de uma tremenda tempestade de matéria escura. Mas como sabem isso?

Com o lançamento dos dados do satélite Gaia, no ano passado, os astrónomos descobriram uma corrente estelar, deixada para trás por uma grande galáxia anã esferoidal que foi “engolida” pela Via Láctea há muitos anos. Apesar de ter havido várias detecções de fluxos parecidos na Via Láctea, o S1 (como agora é conhecido) é incomum.

Segundo os astrónomos, a corrente estelar associada à matéria escura move-se como se fosse um riacho. Ciaran O’Hare, físico da Universidade de Zaragoza, em Espanha, liderou uma equipa de investigadores para descobrir o efeito de S1 na matéria escura no nosso cantinho da Via Láctea. O estudo foi publicado recentemente na Physical Review D.

Assim, através da análise de modelos diferentes para a densidade e distribuição da matéria escura que flui no fluxo de S1, os cientistas previram assinaturas de matéria escura para cada um desses modelos, passíveis de serem detectadas na Terra.

Uma dessas assinaturas é produzida pelas partículas massivas de interacção fraca hipotética, conhecidas como WIMPs. Se essas partículas existirem, devemos ser capazes de detectá-las através das suas colisões com electrões ou núcleos atómicos. Isso faria com que as partículas carregadas na Terra recuassem, produzindo uma luz que poderia ser captada por xénon líquido ou detectores de cristal.

Através de vários cálculos, a equipa determinou que é muito improvável que estes detectores de WIMP captem qualquer efeito de S1, apesar de ser possível no futuro, conforme a tecnologia progride.

Detectores de axiões – como o Axion Dark Matter Experiment – têm uma maior probabilidade de detectar, mas, para já, são apenas hipotéticos. Os axiões, se existirem, são incrivelmente leves – cerca de 500 milhões de vezes mais leves do que um electrão. Além disso, é possível que os axiões sejam um dos componentes principais da matéria escura.

Segundo os cálculos dos físicos, estas partículas ultra-leves (que não conseguimos observar) poderiam ser convertidas em fotões, passíveis de serem detectados.

Na verdade, não passam de partículas hipotéticas. No entanto, como o fluxo de S1 viaja directamente através do Sistema Solar, o furacão de matéria escura provavelmente cruzará o caminho de vários detectores espalhados pelo mundo.

O estudo admite que os detectores WIMP provavelmente não verão matéria escura do fluxo S1. No entanto, estes são voltados para detectar “matéria escura axiónica“, baseada no axião.

Como a matéria escura é teorizada para representar cerca de 85% da matéria no Universo, a detecção da partícula ou das partículas que a compõem mudaria fundamentalmente a maneira como olhamos para o Universo. Na verdade, não há motivo para temermos o “furacão de matéria escura” – na verdade, é uma coisa boa.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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1197: lha havaiana desapareceu do mapa (e a culpa foi do furacão Walaka)

Imagens de satélite, divulgadas esta semana, revelam que a East Island foi aniquilada por fortes tempestades na sequência do furacão Walaka, um dos furacões mais intensos do Pacífico, que atingiu a região no início do mês.

Imagens de satélite, divulgadas esta semana pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, mostram a faixa de areia branca quase inteiramente desaparecida após a passagem do furacão Walaka, que passou pelas ilhas do noroeste do Havai como uma enorme tempestade de categoria 3, no início deste mês.

East Island, juntamente com a vizinha Tern Island, também danificada pelo furacão, eram um importante local de reprodução de foca-monge-do-havai, uma espécie em grave perigo de extinção, e a casa da tartaruga verde, também ameaçada, além de outras espécies de aves marinhas. East Island era a segunda maior ilha do atol French Frigate Shoals e um autêntico abrigo de biodiversidade.

Este habitat vital, que agora existe apenas debaixo das ondas do mar, não poderá voltar a ser um território seguro e seco para estes animais. Apesar de os investigadores ainda não terem avaliado a escala da ameaça à vida selvagem local, sugerem que a escala é grave.

“As espécies são resilientes até certo ponto”, disse o biólogo Charles Littnan, da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). “Mas essa resiliência pode terminar.”

(dr) East Island after Hurricane Walaka
East Island, antes e depois do furacão

Ao Huffington Post, Charles Littnan, director da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, disse que, muito provavelmente, vai demorar vários anos até se conseguir perceber o que a perda da ilha representa para estas espécies. Além disso, o biólogo destacou ainda que a probabilidade de ocorrências como esta aumenta com as alterações climáticas.

Por sua vez, o superintendente da reserva marinha de Papahanaumokuakea, Athline Clark, descreve as imagens de satélite como “impressionantes” e afirma que, apesar de as implicações a longo prazo não serem claras, o desaparecimento da ilha vai ter efeitos significativos nos ciclos de reprodução futuros.

Os cientistas não têm a certeza se o desaparecimento desta ilha é um incidente isolado. “Vamos assistir a muitas histórias semelhantes nos próximos anos“, escreveu o ambientalista Bill McKibben, citado pelo ScienceAlert.

ZAP //
Por ZAP
25 Outubro, 2018

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1140: Leslie fez 27 feridos ligeiros, 61 desalojados e quase 1.900 ocorrências

Carlos Barroso / Lusa
Apesar dos alertas do IPMA, algumas pessoas foram aos passadiços da Foz do Arelho, observar o mar e tirar fotografias.

A tempestade Leslie provocou 27 feridos ligeiros, 61 desalojados e quase 1.900 ocorrências comunicadas à Protecção Civil, de acordo com o balanço mais actualizado desta autoridade.

De acordo com o comandante Rui Laranjeira, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), todos os feridos apresentavam ferimentos ligeiros, ainda que tenham sido transportados a uma unidade de saúde parar receberem tratamento. A ANPC registou ainda três pessoas assistidas no local, que não necessitaram de ser levadas a unidades de saúde.

A tempestade Leslie fez ainda 61 desalojados, 57 dos quais no distrito de Coimbra, um em Leiria e três em Viseu.

Das 1.890 ocorrências registadas pela ANPC, 1.218 diziam respeito a quedas de árvores e 441 a quedas de estruturas, tendo o vento sido o fenómeno que causou maior número de ocorrências, segundo Rui Laranjeira.

De acordo com o comandante, o distrito de Coimbra foi o mais afectado, seguindo-se os de Aveiro, Leiria e Viseu. No terreno estiveram 6.373 operacionais e 2.002 meios terrestres.

A maioria das estradas cortadas devido ao mau tempo já foi reaberta, indicou Rui Laranjeiro, destacando-se o IC2, o IP3 e a A1, na região de Coimbra.

Centenas de milhares de habitações sem electricidade, pessoas desalojadas, estradas cortadas, voos cancelados, danos na via pública e árvores caídas, são o resultado da passagem da passagem da tempestade Leslie pelo continente.

Centenas de milhares de clientes a Norte do Tejo estão sem energia eléctrica desde a noite de sábado devido aos danos causados pela tempestade tropical Leslie, disse à Lusa a EDP Distribuição, classificando a situação de “muito grave”.

Face às previsões existentes, o INEM activou no sábado a sua Sala de Situação Nacional para acompanhar e articular com as restantes entidades de Protecção Civil os efeitos da passagem da tempestade.

Na Madeira, onde estavam inicialmente os maiores receios das autoridades, a tempestade passou ao início da tarde de sábado sem provocar grandes sobressaltos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
14 Outubro, 2018

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1138: O Furacão Leslie está a caminho. Protecção Civil lança alerta

NASA Goddard / MODIS Rapid Response Team

O Furacão Leslie está a aproximar-se de Portugal Continental. A Protecção Civil já lançou um alerta à população, face a possíveis condições meteorológicas adversas.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil lançou, esta sexta-feira, um aviso à população, no qual comunica a elevada probabilidade de o território continental português ser afectado pelo Furacão Leslie, ainda que não seja possível indicar com precisão as áreas que mais vão sentir o impacto.

O comunicado adianta que a situação meteorológica que irá condicionar o país é ainda muito incerta, não havendo previsões sobre os efeitos em relação a vento, precipitação e agitação marítima que a tempestade causará.

Ainda assim, no domingo será quando a tempestade se pode fazer sentir com mais intensidade, esperando-se que o pico mais crítico seja entre as 00h00 e as 06h00 para o vento, as 01h00 e as 16h00 para a precipitação, as 03h00 e as 12h00 para a agitação marítima“, revela o alerta.

No gráfico disponibilizado pelo National Hurricane Center, verifica-se a aproximação do furacão de Portugal continental, estando de momento a deslocar-se entre a Madeira e os Açores.

Lentamente, o Furacão Leslie está a dirigir-se de este para nordeste e espera-se que passe a norte da Madeira durante o dia de sábado, com vento forte, aumento da agitação marítima, precipitação e trovoada, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A tempestade pode trazer ventos com 100km/h e ondas até 12 metros na Madeira, “sendo que, nas regiões montanhosas, o vento será forte a muito forte, com rajadas até 110 quilómetros por hora”, explicou o instituto.

Num comunicado emitido na quinta-feira, o IPMA indicou que o Leslie se estava a deslocar para junto da Madeira, havendo entre 70% a 90% de possibilidade que as ilhas da Madeira e Porto Santo venham a sofrer os efeitos do furacão, a partir das 09h00 de sábado.

Segundo as projecções da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) o Leslie chegará a Portugal com uma classificação de “depressão tropical”.

A Protecção Civil recomenda que se tenha “especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas” pela possibilidade de haver queda de ramos e árvores, que não se pratiquem actividades relacionadas com o mar, “evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima”, que não se atravessem zonas inundadas e estar-se atento às informações da meteorologia e às indicações da Protecção Civil e Forças de Segurança.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Outubro, 2018

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Em Lisboa, @13:30, o céu estava assim:

© F.Gomes # inforgom.pt

© F.Gomes # inforgom.pt

 

1006: Há três furacões activos no Oceano Atlântico

(h) NASA / EPA
Os furacões Florence (E), Isaac (M) e Helene (D)

Os trópicos foram à loucura: neste momento, existem três furacões activos a girar ao mesmo tempo no Oceano Atlântico.

A imagem acima demonstrada foi capturada na manhã de segunda-feira e mostra a actividade dos três furacões: Florence, Isaac Helene. Neste momento, o furacão Florence é o que representa uma maior ameaça, tendo atingido recentemente a categoria 4 numa escala que vai até ao 5. Todos os furacões se formaram no domingo passado.

São mais de 3.000 quilómetros que separam os três furacões por isso, a única forma de os observar em simultâneo é a partir do espaço.

As imagens foram feitas pelo GOES 16, um satélite de última geração lançado no ano passado com a objectivo claro de melhorar as previsões sobre furacões. Como bónus, também fornece uma “visão do inferno” para o público em geral.

O GOES 16 também tem a capacidade de ampliar as imagens de furacões específicos, oferecendo close-ups belíssimos – e um pouco angustiantes.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA compartilhou recentemente o olho do furacão Florence. O turbilhão de nuvens em volta do centro do furacão é um sinal de que está a ganhar força como era esperado.

Riscos dos fenómenos naturais

Esta é a 11ª vez que três furacões estão activos em simultâneo no Atlântico. A última vez que o fenómeno se deu foi no ano passado, quando Irma, José e Maria atingiram a categoria de furacão ao mesmo tempo. As cicatrizes do Irma e Maria ainda estão visíveis nas Caraíbas e na Florida.

As previsões para Florence e Isaac também não são boas. Felizmente, o furação Helene – que deverá atingir o arquipélago dos Açores no sábado – pode desviar-se para o Atlântico central e não apresentar risco imediato para nenhum território.

Já o Florence é uma ameaça para a costa leste dos Estados Unidos, onde mais de um milhão de pessoas já foram retiradas devido ao risco de inundações. O furacão está a fortalecer-se rapidamente e pode atingir o Sudeste ou o Meio-Atlântico até quinta-feira, com um grande risco de tempestade. Há ainda possibilidade de cheias históricas.

Enquanto isso, Isaac dirige-se em direcção às Caraíbas e às Pequenas Antilhas. Embora seja um furacão de pequenas dimensões, ainda pode trazer chuvas e tempestades a várias ilhas dos Barbados até Antígua. Também Porto Rico está dentro do “cone” da tempestade, embora ainda muita coisa possa acontecer entre o dia de hoje e o fim de semana para alterar a sua trajectória.

NOOA, EUA

Escolha dos nomes dos furacões

Os furacões e os demais ciclones tropicais têm nomes próprios – e a escolha não é feita ao acaso. Utilizar nomes próprios, em vez de números ou termos técnicos, tem como principal objectivo evitar confusões e fazer com que seja mais fácil recordar estes fenómenos durante os alertas que vão sendo divulgados.

No entanto, e ao contrário do que muitas vezes se pensa, a lista dos nomes não está em nada relacionada com políticos ou homenagem às vítimas do desastre do Titanic nem tão pouco possui apenas nomes femininos, nota a BBC.

A lista de nomes para os ciclones tropicais do Atlântico foi criada em 1953 pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) e o seu padrão tem sido usado noutras partes do mundo. Actualmente, estas listas são mantidas e actualizadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU com base em Genebra, na Suíça.

Todos os anos, as listas dos furacões são organizadas em ordem alfabética, alternando entre nomes masculinos e femininos. E os nomes das tempestades são diferentes variam de região em região.

Por exemplo, a de furacões e tempestades de 2017 no Atlântico passou por Arlene, Bret, Cindy, Don, Emily, Franklin, Gert e Harvey até chegar ao Irma, Jose e Katia – duas das tempestades que se tornaram furacões e atingiram a região logo de seguida.

No entanto, se estivéssemos na região do leste do Pacífico, estaríamos mais familiarizado com os nomes Adrian, Beatriz, Calvin, Dora, Eugene, Fernanda, Greg, Hilary, Irwin, Jova e Kenneth – ou seja, os nomes são adaptados às diferentes regiões.

Além disso, as listas são recicladas a cada seis anos, o que significaria que, em 2023, Harvey ou Irma poderão voltar a aparecer.

No entanto, os comités regionais da OMM reúnem anualmente para discutir quais as tempestades que foram especialmente devastadoras no ano anterior e, por isso, devem ter alguns nomes já “aposentados” – como deve ser o caso do Harvey e Irma.

Depois do Katrina ter feito mais de 2 mil mortos em Nova Orleães, nos Estados Unidos, em 2005, o nome deixou de ser utilizado.

De acordo com Koji Kuroiwa, chefe do programa de ciclones tropicais da OMM, o Exército americano foi o primeiro a utilizar nomes próprios em tempestades, ainda durante a Segunda Guerra Mundial.

“Preferiam escolher os nomes das suas namoradas, esposas ou mães. Naquela época, a maioria dos nomes era de mulheres”, explicou.

Por ZAP
13 Setembro, 2018

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594: Afinal, o Furacão Maria causou mais de 4,6 mil mortes em Porto Rico – e não 64

NOAA / EPA
Furacão Maria

A passagem do furacão Maria, no ano passado, em Porto Rico, fez mais de 4.600 mortos, segundo um estudo divulgado esta terça-feira. O número é 72 vezes maior do que o divulgado pelas autoridades.

Uma análise estatística indica que o número de mortos em Porto Rico devido à passagem do furacão Maria pode ser superior a 4.600, numa altura em que o balanço oficial do número de mortos ainda é de 64.

“Os nossos resultados indicam que o número oficial é uma subavaliação substancial da verdadeira mortalidade causada pelo furacão Maria”, diz o estudo realizado pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, em colaboração com as universidades Carlos Albizu e Ponce, em Porto Rico.

O estudo baseou-se numa pesquisa aleatória de 3.299 famílias em Porto Rico, cujos membros foram questionados sobre as mortes e as causas desses falecimentos entre a chegada da tempestade e o fim do ano.

A partir deste trabalho de campo, os investigadores constataram que, nos três meses seguintes ao furacão, a taxa de mortalidade na região aumentou 62% em comparação com os níveis registados no mesmo período de 2016.

Perante estas estatísticas, os investigadores estimam que mais de 4,6 mil mortes são resultados direitos e indirectos do pior desastre natural de Porto Rico dos últimos 90 anos.

Estas mortes ocorreram entre o dia 20 de Setembro, data em que a tempestade começou, e Dezembro de 2017. Um terço das vítimas morreu devido a atrasos ou interrupções em tratamentos médicos.

Com rajadas de ventos de quase 250 km/h e fortes chuvas que causaram inundações catastróficas, a passagem do furacão, que oscilou entre as categorias 4 e 5 (a mais elevada) quando atingiu a ilha, deixou um rasto de destruição e dezenas de milhares de pessoas desabrigadas.

Muitos habitantes ficaram sem acesso a electricidade, água, telefone ou transporte.

“A nossa estimativa é coerente com os artigos publicados na imprensa que avaliaram o número de mortes no primeiro mês após o furacão”, afirmam os investigadores no estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine (NEJM).

As autoridades locais contabilizaram oficialmente 64 mortes relacionadas com o furacão, mas este número foi rapidamente contestado.

Em Dezembro passado, já o The New York Times tinha analisado as certidões de óbito registadas em Porto Rico, tendo constatado que os dados indicavam que mais de 1.000 mortes tinham ocorrido nos 40 dias seguintes à tempestade.

Segundo o jornal, para integrar o balanço oficial do desastre natural, a morte tinha de ser confirmada pelo Instituto de Medicina Legal de Porto Rico, algo que se tornou difícil por causa da destruição das estradas e da escassez de transportes. Assim, as certidões de óbitos registadas nos meses seguintes não mencionavam necessariamente se as mortes estavam relacionadas com o furacão.

Os investigadores afirmaram que “os números servirão como um importante comparativo independente em relação às estatísticas oficiais de mortes registadas, que estão actualmente a ser revistas, e evidenciam a falta de atenção do Governo dos Estados Unidos às infra-estrutura frágeis de Porto Rico”.

Nesse sentido, o estudo destacou que 83% das famílias entrevistadas ficaram sem acesso à energia eléctrica durante os últimos três meses do ano passado.

Se estes dados forem confirmados, Maria teria provocado mais mortes que o Katrina, que arrasou Nova Orleães em 2005 e deixou um saldo de mais de 1.880 mortos.

ZAP // Deutsche Welle / Mashable

Por ZAP
30 Maio, 2018

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