718: Reencarnação de Telescópio Famoso Mantém o Céu Debaixo de Olho

Fritz Zwicky é uma das mais importantes e controversas figuras da astronomia do século XX. Entre as suas contribuições contam-se, por exemplo, o estudo da dinâmica dos enxames de galáxias, que revelou pela primeira vez a existência de matéria negra, e o estudo de transientes extra-galácticos, que o levou (em colaboração com Walter Baade) a sugerir que se tratariam de super-novas, enormes explosões de estrelas semelhantes às observadas nos dois últimos milénios na Via Láctea. A ligação ao California Institute of Technology (Caltech), a sua personalidade peculiar (é célebre o seu insulto “spherical bastard: a bastard any way you look at it!”) e, acima de tudo, as suas contribuições fundamentais para o estudo de fenómenos astronómicos transientes, em especial na observação e classificação de super-novas, levaram à escolha do seu nome para o novo grande projecto dos astrónomos da instituição, o Zwicky Transient Facility.


O telescópio Samuel Oschin, do Observatório de Monte Palomar, gerido pelo Caltech, é talvez um dos mais famosos do mundo. Esta “Câmara de Schmidt” (um telescópio usado exclusivamente para trabalho fotográfico de grandes campos) foi usada por astrónomos famosos como Edwin Hubble, Milton Humason, George Abell e o próprio Fritz Zwicky. Com 1.2 metros de diâmetro e um enorme campo de visão, é um instrumento extraordinário para programas de observação que necessitem de monitorizar continuamente grandes fatias do céu nocturno. Por exemplo, os primeiros dois censos completos do céu boreal — o “National Geographic Society/Palomar Observatory Sky Survey” (POSS I, entre 1949 e 1958) e o “Second Palomar Observatory Sky Survey” (POSS II, entre 1985 e 2000) — foram realizados com este instrumento, para além de vários outros projectos relacionados com o estudo de super-novas, asteróides, quasares e enxames de galáxias.

A primeira luz do ZTF mostrando a Nebulosa de Orionte, a Nebulosa da Cabeça de Cavalo, a Nebulosa da Chama, Messier 78 e parte do “Arco de Barnard”. Crédito: Caltech Optical Observatories.

O telescópio, que originalmente registava imagens do céu em placas fotográficas, foi alvo de sucessivas remodelações nas últimas décadas tendo nele sido instaladas sucessivamente 4 câmaras CCD. Na sua mais recente encarnação, o telescópio Oschin é o instrumento fulcral da Zwicky Transient Facility (ZTF), um projecto que pretende monitorizar continuamente o céu com o intuito de detectar grande número de transientes astronómicos — e.g., asteróides, cometas, super-novas, remanescentes de erupções de raios gama, erupções de galáxias activas — e iniciar a sua observação precoce. Para o efeito, no foco do telescópio foi instalada uma câmara CCD de última geração com uma resolução de 24 mil por 24 mil pixeis (!) correspondendo a um campo de visão equivalente a 247 luas cheias. Em pleno funcionamento, o telescópio é capaz de varrer mais de 3750 graus quadrados, cerca de 9% da esfera celeste, por hora e detectar transientes até magnitude 20.5!

A câmara CCD do ZTF, composta por 16 sensores individuais, instalada no foco do telescópio Oschin. Crédito: Caltech Optical Observatories.

Créditos:
Luís Lopes
o Universo em 2 minutos

Editor of O Universo em 5 Minutos and Actividades (G)Astronómicas

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