3051: Cientistas descobriram como é que os dinossauros suportavam o frio extremo

CIÊNCIA

(dr) Jorge A. González

A vida dos dinossauros nas zonas polares do antigo continente Gondwana não era nada fácil, porque tinham de suportar um frio intenso durante as noites de inverno.

Agora, uma equipa internacional de investigadores da Eslováquia, Suécia, Austrália e Estado Unidos analisou um fósseis de uma série de penas de dinossauros e pássaros que viveram dentro do círculo polar sul.

Embora indícios de dinossauros com penas exuberantes tenham aparecido no registo fóssil, a maioria dos exemplos vem do Hemisfério Norte, representando uma variedade de coberturas que poderiam ter ajudado a fauna mesozóica a regular a sua temperatura, esconder-se e ocasionalmente viver em climas relativamente quentes.

“No entanto, até ao momento, não foram descobertos restos tegumentares directamente atribuíveis para mostrar que os dinossauros usavam penas para sobreviver em habitats polares extremos”, disse Benjamin Kear, paleontologista da Universidade de Uppsala, na Suécia, em comunicado.

Porém, um local de escavação no estado australiano de Victoria deu alguns exemplos notáveis ​​ao longo das décadas. Até agora, nunca tinha sido visto de perto. “Penas fósseis são conhecidas em Koonwarra desde o início dos anos 60 e foram reconhecidas como evidência de pássaros antigos, mas receberam pouca atenção científica“, afirmou Thomas Rich, do Museu de Melbourne, na Austrália.

Este estudo, publicado este mês na revista especializada Gondwana Research, é o primeiro a documentar de forma abrangente estes restos. Um total de dez espécimes fósseis foram incluídos no estudo, todos com cerca de 118 milhões de anos, fornecendo evidências sólidas de penas de asas de pássaros antigos e penas corporais parcialmente decompostas.

De acordo com o ScienceAlert, algumas das penas eram relativamente avançadas e semelhantes às penas modernas, que as ajudam a interligar-se durante o voo e protegem os animais dos elementos.

“As penas dos dinossauros eram usadas para isolamento“, explicou Martin Kundrát, da Universidade Pavol Jozef Safarik, na Eslováquia. “A descoberta de penas em Koonwarra sugere, portanto, que coberturas de penas macias podem ter ajudado os pequenos dinossauros a aquecer-se nos antigos habitats polares”.

Na época, as massas de terra do sul de hoje – Antárctica, Austrália, América do Sul, África, Índia e Arábia – estavam todas misturadas num só super-continente gigante chamado Gondwana, centralizado no Pólo Sul da Terra. O clima do mundo era muito mais quente,  muito mais temperado, com ecossistemas luxuriantes cheios de plantas e animais.

Embora não estivesse congelado, os pólos experimentavam longos períodos de luz solar no verão e escuridão no inverno. Portanto, os seres que viviam nessas condições extremas precisava de lidar com um crepúsculo prolongado e frio.

Estas evidências concretas de penas potencialmente isolantes ajuda os investigadores a preencher as peças que faltam no mistério de como os dinossauros suportavam o frio.

ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2019

 

2645: Nova tecnologia consegue gerar electricidade através das noites frias

CIÊNCIA

Scopio / Canva

Cientistas da Universidade de Stanford e da Universidade da Califórnia em Los Angeles construíram um dispositivo que consegue gerar electricidade através do frio sentido durante a noite.

Há dois anos, numa noite gelada de Dezembro, num telhado da Califórnia, nos Estados Unidos, uma pequena luz brilhou com uma ajudinha do ar frio. Ainda que tenha sido um brilho fraco, foi o suficiente para demonstrar a possibilidade de gerar energia renovável depois do Sol se pôr.

Segundo o Science Alert, juntamente com os engenheiros da Universidade de Stanford, Wei Li e Shanhui Fan, o cientista de materiais Aaswath Raman, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), construiu um dispositivo que produz uma voltagem ao canalizar o calor residual do dia para o ar frio.

“Acreditamos que esta pode ser a base de uma tecnologia complementar à energia solar. Embora a produção de energia sempre seja substancialmente menor, pode trabalhar em horas em que as células solares não podem”, explica Raman, cujo estudo foi publicado na revista científica Joule.

Este dispositivo faz uso do bom e velho efeito termoeléctrico. Utilizando um material chamado termopar, os engenheiros podem converter uma mudança de temperatura numa diferença de voltagem. Isto exige algo relativamente quente de um lado e um local para a energia térmica escapar do outro.

(dr) Aaswath Raman
O dispositivo construído pelo cientista Aaswath Raman

Para manter os custos baixos, a equipa usou objectos simples e prontos a usar que praticamente qualquer um de nós poderia facilmente ter em mãos.

A equipa montou um gerador termoeléctrico barato e ligaram-no a um disco de alumínio preto para libertar calor no ar nocturno. O gerador foi colocado dentro de uma caixa de poliestireno selada com uma janela transparente à luz infravermelha e ligada a um pequeno LED.

Durante seis horas, a caixa foi deixada a arrefecer num telhado de Stanford, à medida que a temperatura caia um pouco abaixo do ponto de congelamento. À medida que o calor fluía do solo para o céu, o pequeno gerador produzia corrente suficiente para dar vida à luz. No seu melhor, o dispositivo gerou cerca de 0,8 miliwatts de energia, correspondendo a 25 miliwatts de energia por metro quadrado.

Embora não seja, para já, uma enorme quantidade de energia, é um excelente ponto de partida. A equipa sugere que, com os ajustes e as condições certas, não está fora de questão chegar aos 500 miliwatts por metro quadrado.

(dr) Aaswath Raman

ZAP //

Por ZAP
15 Setembro, 2019