4371: VLBA faz primeira medição directa da distância até um magnetar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um magnetar – uma estrela de neutrões super-densa com um campo magnético extremamente forte. Nesta imagem, o magnetar está a emitir um surto de radiação.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF

Usando o VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astrónomos fizeram a primeira medição geométrica directa da distância até um magnetar dentro da nossa Galáxia, a Via Láctea – uma medição que pode ajudar a determinar se os magnetares são as fontes das há muito misteriosas FRBs (Fast Radio Bursts, em português “rajadas rápidas de rádio”).

Os magnetares são uma variedade de estrelas de neutrões – os remanescentes super-densos de estrelas massivas que explodiram como super-novas – com campos magnéticos extremamente fortes. Um campo magnético típico de um magnetar é um bilião de vezes mais forte do que o campo magnético da Terra, tornando os magnetares os objectos mais magnéticos do Universo. Podem emitir fortes rajadas de raios-X e raios-gama, e recentemente tornaram-se candidatos principais para as fontes de FRBs.

Um magnetar chamado XTE J1810-197, descoberto em 2003, foi o primeiro de apenas seis destes objectos encontrados a emitir pulsos de rádio. Fê-lo de 2003 a 2008, depois cessou por uma década. Em Dezembro de 2018, retomou a emissão de brilhantes pulsos de rádio.

Uma equipa de astrónomos usou o VLBA para observar regularmente XTE J1810-197 de Janeiro a Novembro de 2019, e novamente durante Março e Abril de 2020. Ao visualizarem o magnetar de lados opostos da órbita da Terra em torno do Sol, foram capazes de detectar uma ligeira mudança na sua posição aparente em relação a objectos de fundo muito mais distantes. Este efeito, chamado de paralaxe, permite que os astrónomos usem a geometria para calcular diretamente a distância ao objecto.

“Esta é a primeira medição de paralaxe para um magnetar, e mostra que está entre os magnetares mais próximos conhecidos – cerca de 8100 anos-luz – tornando-o um alvo principal para estudos futuros,” disse Hao Ding, estudante da Universidade Swinburne de Tecnologia na Austrália.

No dia 28 de Abril, um magnetar diferente, chamado SGR 1935+2154, emitiu um breve surto de rádio que foi o mais forte já registado na Via Láctea. Embora não seja tão forte quanto as FRBs vindas de outras galáxias, esta explosão sugeriu aos astrónomos que os magnetares podiam gerar FRBs.

As rajadas rápidas de rádio foram descobertas pela primeira vez em 2007. São muito energéticas e duram no máximo alguns milissegundos. A maioria veio de fora da Via Láctea. A sua origem permanece desconhecida, mas as suas características indicam que o ambiente extremo de um magnetar pode gerá-las.

“Ter uma distância precisa até este magnetar significa que podemos calcular com precisão a força dos seus pulsos de rádio. Se emitir algo semelhante a uma FRB, saberemos quão forte é esse pulso,” disse Adam Deller, também da Universidade Swinburne. “As FRBs variam na sua força, de modo que gostaríamos de saber se um pulso magnetar chega perto ou se sobrepõe à força das FRBs conhecidas”, acrescentou.

“A chave para responder a esta questão será obter mais medições de distâncias para outros magnetares, para que possamos expandir a nossa amostra e obter mais dados. O VLBA é a ferramenta ideal para fazer isto,” disse Walter Brisken, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory).

Além disso, “sabemos que os pulsares, como o da famosa Nebulosa do Caranguejo, emitem ‘pulsos gigantes’, muito mais fortes do que os normais. A determinação das distâncias destes magnetares vai ajudar-nos a entender este fenómeno, e a aprender se talvez as FRBs sejam o exemplo mais extremo de pulsos gigantes,” disse Ding.

O objectivo final é determinar o mecanismo exacto que produz as rajadas rápidas de rádio, disseram os cientistas.

Ding, Deller, Brisken e colegas relataram os seus resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

spacenews

 

4244: A misteriosa onda de rádio que ocorre a cada 157 dias acordou outra vez (tal como previsto)

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

CSIRO / Facebook

Nos últimos cinco anos, os astrónomos têm seguido de perto um estranho tipo de sinal de rádio proveniente do Espaço profundo.

Em Junho, os astrónomos encontraram uma rajada rápida de rádio (FRB) com um padrão regular. Os académicos ainda não sabem ao certo por que existem ou o que são, mas a origem desta estranha rajada é conhecida por ser uma galáxia anã a mais de três mil milhões de anos-luz de distância.

Num padrão cíclico, as ondas de rádio da FRB 121102 são emitidas durante uma janela de 90 dias, seguida por um período de silêncio de 67 dias. Este padrão repete-se a cada 157 dias. Na altura, a equipa previu que, em Julho ou Agosto, outro padrão se repetiria – o que acabou mesmo por acontecer, avança o Futurity.

Mais um padrão. Misteriosa onda de rádio ocorre a cada 157 dias

Uma equipa de astrónomos descobriu um ciclo de actividade numa explosão rápida de rádio e uma pista valiosa sobre estes…

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Um novo artigo científico, disponível no arXiv e que ainda carece de revisão por pares, confirmam a periodicidade semelhante de 161 dias. Os novos dados confirmam as teorias anteriores de que a FRB 121102 está a enviar uma rajada de rádio repetida.

“Acho que vamos encontrar uma explicação natural para estes eventos, mas gosto de manter a mente aberta e seguir o caminho para o qual as novas evidências me levam”, admitiu Adam Deller, astrofísico da Swinburne University of Technology.

Kaustubh Rajwade, investigador da Universidade de Manchester que liderou o primeiro estudo para identificar a FRB repetitiva, acha que podemos estar perante uma estrela de neutrões.

“Com base nas curtas durações e altas luminosidades das próprias explosões, um bom palpite seria uma estrela de neutrões com um campo magnético muito alto a orbitar um objecto companheiro”, explicou.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2020

 

spacenews

 

4084: Estrela morta emite mistura de radiação nunca antes vista

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de SGR 1935+2154, um remanescente altamente magnetizado, também conhecido como magnetar.
Descoberto em 2014 na direcção da constelação de Vulpecula, após uma rajada substancial de raios-X, o magnetar tornou-se activo novamente em Abril de 2020. O observatório de alta energia Integral da ESA detectou um surto altamente energético de raios-X no dia 28 de Abril, alertando automaticamente observatórios de todo o mundo sobre a descoberta em apenas alguns segundos. Pouco depois, os astrónomos espiaram algo espectacular: este magnetar não emitia apenas os normais raios-X, mas também ondas de rádio.
Esta mistura única de radiação, nunca antes vista neste tipo de remanescente estelar, pode resolver um mistério cósmico de longa data sobre a natureza das FRBs – eventos poderosos que brilham no rádio apenas alguns milissegundos antes de desaparecer e raramente são vistos novamente.
Crédito: ESA

Uma colaboração global de telescópios, incluindo o observatório espacial de alta energia Integral da ESA, detectou uma mistura única de radiação a sair de uma estrela morta na nossa Galáxia – algo que nunca foi visto antes neste tipo de estrela e que pode resolver um mistério cósmico de longa data.

A descoberta envolve dois tipos de fenómenos cósmicos interessantes: magnetares e FRBs (Fast Radio Bursts, em português Explosões Rápidas de Rádio). Os magnetares são remanescentes estelares com alguns dos campos magnéticos mais intensos do Universo. Quando se tornam “activos”, podem produzir rajadas curtas de radiação altamente energética que normalmente não duram nem um segundo, mas são milhares de milhões de vezes mais luminosas que o Sol.

As FRBs são um dos principais mistérios não resolvidos da astronomia. Descobertos pela primeira vez em 2007, estes eventos pulsam intensamente em ondas de rádio durante apenas alguns milissegundos antes de desaparecer e raramente são vistos novamente. A sua verdadeira natureza permanece desconhecida, e nunca houve tal explosão dentro da Via Láctea, com uma origem conhecida, ou a emissão de qualquer outro tipo de radiação além do domínio das ondas de rádio – até agora.

No final de Abril, SGR 1935+2154, um magnetar descoberto há seis anos na constelação de Vulpecula, após uma explosão substancial de raios-X, tornou-se activo novamente. Logo depois, os astrónomos viram algo surpreendente: esse magnetar não apenas irradiava os seus habituais raios-X, mas também ondas de rádio.

“Detectámos a explosão de raios-X de alta energia ou ‘rígida’ do magnetar usando o Integral no dia 28 de abril,” diz Sandro Mereghetti, do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF-IASF) em Milão, Itália, principal autor de um novo estudo desta fonte com base nos dados do Integral.

“O IBAS (INTEGRAL Burst Alert System) alertou automaticamente os observatórios de todo o mundo sobre a descoberta em apenas alguns segundos. Isto levou horas antes que quaisquer outros alertas fossem emitidos, permitindo à comunidade científica agir rapidamente e explorar essa fonte em mais detalhe.”

Astrónomos no solo avistaram uma curta e extremamente brilhante explosão de ondas de rádio na direcção de SGR 1935+2154 através do radiotelescópio CHIME no Canadá no mesmo dia, no mesmo período da emissão de raios-X. Isto foi confirmado de forma independente algumas horas depois pelo STARE2 (Survey for Transient Astronomical Radio Emission 2) nos EUA.

“Nunca antes observámos uma explosão de ondas de rádio, semelhante a uma Explosão Rápida de Rádio, a partir de um magnetar,” acrescenta Sandro.

Fundamentalmente, o gerador de imagens IBIS no Integral permitiu-nos identificar com precisão a origem da explosão, marcando a sua associação com o magnetar,” diz o co-autor Volodymyr Savchenko, do Centro de Dados Científicos do Integral da Universidade de Genebra, Suíça. “A maioria dos outros satélites envolvidos no estudo colaborativo deste evento não conseguiu medir a sua posição no céu – e isso foi crucial para identificar que a emissão realmente veio de SGR1935+2154.”

“Esta é a primeira ligação observacional entre magnetares e Explosões Rápidas de Rádio,” explica Sandro. “É realmente uma grande descoberta e ajuda a focar a origem destes misteriosos fenómenos.”

Esta ligação apoia fortemente a ideia de que as FRBs emanam dos magnetares e demonstra que as explosões destes objectos altamente magnetizados também podem ser detectadas nos comprimentos de onda de rádio. Os magnetares são cada vez mais populares entre os astrónomos, pois desempenham um papel fundamental na condução de vários eventos transitórios diferentes no Universo, desde explosões de super-novas super-luminosas, até explosões distantes e energéticas de raios-gama.

Lançado em 2002, o Integral possui um conjunto de quatro instrumentos capazes de observar e capturar, simultaneamente, imagens de objectos cósmicos em raios-gama, raios-X e luz visível.

No momento da explosão, o magnetar estava no campo de visão de 30 por 30 graus do instrumento IBIS, levando a uma detecção automática pelo pacote de software IBAS do satélite, que é operado pelo Centro de Dados Científicos do Integral em Genebra, alertando imediatamente os observatórios em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o SPI (Spectrometer on Integral) também detectou a explosão de raios-X, juntamente com outra missão espacial, o HXMT (Hard X-ray Modulation Telescope, ou Insight) da China.

“Este tipo de abordagem colaborativa, com vários comprimentos de onda e a descoberta resultante, realçam a importância de uma coordenação oportuna e em larga escala dos esforços de investigação científica,” acrescenta Erik Kuulkers, cientista do projecto Integral da ESA.

“Ao reunir observações da parte de alta energia do espectro até às ondas de rádio, de todo o mundo e do espaço, os cientistas foram capazes de elucidar um mistério de longa data na astronomia. Estamos entusiasmados que o Integral tenha desempenhado um papel fundamental nisto.”

Astronomia On-line
31 de Julho de 2020

 

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3836: Mais um padrão. Misteriosa onda de rádio ocorre a cada 157 dias

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

ICRAR

Uma equipa de astrónomos descobriu um ciclo de actividade numa explosão rápida de rádio e uma pista valiosa sobre estes fenómenos misteriosos do Espaço profundo.

No início do ano, uma equipa de astrónomos descobriu que a rajada rápida de rádio 180916.J0158 + 65 ocorria a cada 16,35 dias. Ao longo de quatro dias, o sinal libertava uma onda, ou duas, a cada hora. Depois, permanecia em silêncio durante mais 12 dias.

Esta foi a primeira vez que os cientistas detectaram periodicidade neste tipo de sinais, conhecidos como FRBs (Fast Radio Bursts).

Agora, os astrónomos detectaram mais um padrão numa segunda rajada rápida de rádio, conhecida como FRB 121102. Neste padrão cíclico, as ondas de rádio são emitidas durante uma janela de 90 dias, seguida por um período de silêncio de 67 dias. Segundo o Space, este padrão repete-se a cada 157 dias.

Kaustubh Rajwade, principal autor do estudo e cientista na Universidade de Manchester, no Reino Unido, explicou que, “até agora, sabia-se que apenas uma outra onda rápida de rádio de repetição mostrava este padrão”.

“Encontrar este padrão revela pistas importantes sobre o que poderia ser o progenitor dos FRBs. A periodicidade diz-nos que o objecto que está a produzir os FRBs provavelmente está numa órbita com outro corpo astrofísico“, adiantou o investigador. O artigo científico foi publicado recentemente na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Algumas teorias já sugeriam que as rajadas rápidas de rádio podiam estar relacionadas com o eixo rotacional de um magnetar (estrela de neutrões altamente magnetizada), ou ter relação com os movimentos orbitais de uma estrela de neutrões num sistema binário.

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2020

 

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3817: Mysterious deep-space flashes repeat every 157 days

The find could be a big clue about the nature of fast radio bursts.

An artist’s impression of a fast radio burst (FRB) reaching Earth, with colors signifying different wavelengths.
(Image: © Jingchuan Yu, Beijing Planetarium)

Astronomers have discovered an activity cycle in another fast radio burst, potentially unearthing a significant clue about these mysterious deep-space phenomena.

Fast radio bursts, or FRBs, are extragalactic flashes of light that pack a serious wallop, unleashing in a few milliseconds as much energy as Earth’s sun does in a century. Scientists first spotted an FRB in 2007, and the cause of these eruptions remains elusive nearly a decade and a half later; potential explanations range from merging superdense neutron stars to advanced alien civilizations.

More than 100 FRBs have been discovered to date, and most of them are one-offs, flaring up just a single time (as far as we know). In January of this year, astronomers reported that one member of the “repeater” class, called FRB 180916.J0158+65, appears to exhibit a 16-day activity cycle: It fires off bursts for a four-day stretch, goes quiet for 12 days and then starts all over again.

The FRB 180916 was the first known to erupt in such a periodic way. And now scientists have spotted another.

Researchers monitored the known repeater FRB 121102 with the Lovell Telescope, a 250-foot-wide (76 meters) radio dish at Jodrell Bank Observatory in England, over the course of five years. They found strong indications of a 157-day activity cycle; 121102 seems to flare up for 90 days and then go silent for 67, the team reported in a new study.

It’s unclear what’s behind such cyclic activity, though scientists do have a few ideas. For example, periodic flare-ups could be caused by a wobble in the rotational axis of a highly magnetized neutron star known as a magnetar. Or they could be linked to the orbital motions of a neutron star in a binary system.

The wobble effects are expected to manifest over the span of a few weeks, study team members said. So they seem compatible with FRB 180916’s 16-day cycle but not with that of FRB 121102, which is 10 times longer. But who knows? And there’s also no guarantee that the same phenomenon is driving the periodicity of both repeating FRBs.

“This exciting discovery highlights how little we know about the origin of FRBs,” study co-author Duncan Lorimer, the associate dean for research at West Virginia University, said in a statement. “Further observations of a larger number of FRBs will be needed in order to obtain a clearer picture about these periodic sources and elucidate their origin.”

The new study, which was led by Kaustubh Rajwade of the University of Manchester in England, was published online this evening (June 7; June 8 United Kingdom time) in the journal Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. You can read a preprint of it for free at arXiv.org.

Mike Wall is the author of “Out There” (Grand Central Publishing, 2018; illustrated by Karl Tate), a book about the search for alien life. Follow him on Twitter @michaeldwall. Follow us on Twitter @Spacedotcom or Facebook.

Live Science
By Mike Wall – Space.com Senior Writer

09/06/2020

 

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3666: Detectada uma poderosa emissão de rádio no interior da Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Sergey Koposov

Foi detectada uma forte explosão de milissegundos de ondas de rádio provenientes de um magnetar (um tipo de estrelas de neutrões com um intenso campo magnético) no interior da Via Láctea.

A detecção foi registada no passado dia 28 de Abril e pode representar a primeira Rajadas Rápidas de Rádio (FRB (Fast Radio Bursts), na sigla em inglês) já registada na nossa galáxia, nota o jornal espanhol ABC. A confirmar-se, frisa a Europa Press, este fenómeno pode ajudar a estudar e a melhor compreender estes misteriosos sinais cósmicos.

Descobertos há mais de uma década, estes misteriosos sinais são flashes curtos e brilhantes de emissão de rádio, cuja origem é ainda desconhecida. Desde 2001 foram detectados vários, a maioria não repetitivos, mas a sua origem é ainda um mistério.

Os magnetares são apontados pelos cientistas como uma das potenciais fontes das FRB.

De acordo com os cientistas, este tipo de estrelas de neutrões pode gerar estes sinais quando o equilíbrio entre o campo magnético e a atracção gravitacional leva a tremores super-fortes, seguidos depois por enormes flashes magnetares.

As FRBs até agora detectadas provêm de uma fonte tão distante que torna impossível saber se foram realmente geradas por magnetares. No entanto, a nova e poderosa explosão agora registada na Via Láctea veio de um magnetar identificável (SGR 1935 + 2154), estando perto o suficiente para que os cientistas conseguissem medir a contraparte de raios-X envolvidos na explosão, algo até agora impossível com FRBs.

De acordo com o The Astronomer’s Telegram, os relatórios iniciais oriundos do radiotelescópio canadianos CHIME sugerem que a intensidade da explosão de rádio foi suficientemente forte para ser uma FRB. As emanações de raios-X não foram particularmente fortes, mas a sua existência aponta que podem existir mais informação para estudar noutras rajadas rápidas identificadas anteriormente.

Os cientistas frisam que não é ainda possível concluir que esta explosão detectada no fim de Abril na Via Láctea configura realmente uma FRB. Mais investigações terão de ser levadas a cabo para validar esta “candidata”.

Não há explosões suficientes no Espaço que expliquem os estranhos sinais de rádio

Muitos dos mais brilhantes e estranhos fenómenos no espaço vêm de eventos cataclísmicos, como explosões ou colisões. As rajadas rápidas…

ZAP //

Por ZAP
11 Maio, 2020

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3434: Descobertos sinais de rádio emitidos a partir do espaço que se repetem a cada 16 dias

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os sinais em questão são resultado de uma explosão rápida de rádio, cuja origem remonta a uma galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra.

Uma outra galáxia a 21 milhões de anos-luz da Terra NASA

Uma equipa de astrónomos canadianos descobriu, pela primeira vez, um padrão de repetição em sinais de rádio emitidos a partir do espaço. As frequências proveem de uma única fonte, localizada a 500 milhões de anos-luz da Terra, e repetem-se de 16 em 16 dias.

Os cientistas acreditam tratar-se de uma explosão rápida de rádio (Fast Radio Bursts, ou FRBs, na expressão em inglês) que, como o nome indica, são explosões de ondas de rádio produzidas por fontes de energia no espaço, com uma duração de milésimos de segundo e que têm uma origem astronómica distante. Estas explosões podem ser pontuais (o que significa que só acontecem uma vez) ou repetir-se múltiplas vezes.

Até agora, os cientistas acreditavam que os sinais destas explosões seriam aleatórios. Porém, uma equipa de astrónomos canadianos do Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment Fast Radio Burst Project (CHIME/FRB), um projecto que estuda este fenómeno, detectou, entre 16 de Setembro de 2018 e 30 de Outubro de 2019, com a ajuda do radiotelescópio CHIME (que está localizado na Colúmbia Britânica), uma periodicidade nos sinais de uma explosão rápida de rádio — conhecida como FRB 180916.J0158+65 —, que se repetem a cada 16,35 dias. Além disso, os investigadores localizaram a origem desta explosão rápida de rádio numa galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra.

As descobertas foram divulgadas, numa primeira fase, num estudo disponibilizado pela plataforma online arXiv, sendo que o artigo científico ainda não foi totalmente revisto pelos pares.

“A descoberta de uma periodicidade de 16,35 dias numa fonte de FRB repetidas é uma pista importante sobre a natureza deste objecto”, sublinham os autores do estudo, citados pela CNN. No artigo, os investigadores dissertam ainda sobre as várias causas possíveis para este fenómeno — algumas delas apontam para que esta FRB esteja em órbita de uma estrela, de um buraco negro ou de um objecto nos arredores da galáxia. Os ventos podem também ser uma explicação para o facto de tal fenómeno se repetir periodicamente, impulsionando ou bloqueando os sinais de rádio.

O estudo destas explosões rápidas de rádio (e da sua origem) pode ajudar os astrónomos a aprender mais sobre o próprio Universo e a compreender de que forma a matéria se distribui no espaço.

Público
filipa.mendes@publico.pt
11 de Fevereiro de 2020, 22:58

 

spacenews

 

3425: A 500 milhões de anos luz há algo que emite sinais de rádio regulares

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A descoberta foi feita por uma equipa canadiana de astrónomos. Vão-se dando passos significativos no estudo dos “Fast Radio Bursts”.

© M. KORNMESSER/European Southern Observatory/AFP

Uma fonte de rádio misteriosa localizada numa galáxia a 500 milhões de anos-luz da Terra está a pulsar com um ciclo de 16 dias, como um relógio, de acordo com um novo estudo revelado pela Vice. Isto marca a primeira vez que os cientistas detectam periodicidade nesses sinais, conhecidos como FRBs (Fast Radio Bursts, algo que pode ser traduzido livremente por Explosões Rápidas de Rádio), e é um passo importante para perceber as suas origens.

Os FRBs são um dos quebra-cabeças mais tentadores que o universo lançou aos cientistas nos últimos anos. Detectados pela primeira vez em 2007, essas poderosas explosões de rádio são produzidas por fontes energéticas – embora ninguém saiba ao certo quais podem ser. Os FRBs também são intrigantes porque tanto podem ser pontuais como repetitivos, o que significa que algumas explosões aparecem apenas uma vez numa determinada parte do céu enquanto outras emitem vários flashes para a Terra.

Até agora, os sinais dessas repetidas explosões pareciam um tanto aleatórios e discordantes no tempo. Mas isso mudou no ano passado, quando um grupo canadiano que se tem dedicado a observar e estudar FRB descobriu que um repetidor chamado FRB 180916.J0158 + 65 tinha uma cadência regular.

A equipa CHIME/FRB (sigla de Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment Fast Radio Burst Project) acompanhou a repetição entre Setembro de 2018 e Outubro de 2019 usando o radiotelescópio CHIME, localizado na Colúmbia Britânica. Durante esse período, as explosões foram agrupadas num período de quatro dias e pareciam desligar-se pelos doze dias seguintes, por um ciclo total de cerca de 16 dias.

Alguns ciclos não produziram explosões visíveis, mas todos os que foram sincronizados foram-no nos mesmos intervalos de 16 dias. “Concluímos que esta é a primeira periodicidade detectada de qualquer tipo numa fonte FRB”, disse a equipa, num artigo publicado no final de janeiro. “A descoberta de uma periodicidade de 16,35 dias numa FRB repetida é uma pista importante para a natureza desse objecto.”

Recentemente, os cientistas rastrearam esse FRB especifico numa galáxia chamada SDSS J015800.28 + 654253.0, que fica a 500 milhões de anos-luz da Terra. Pode parecer uma grande distância mas o FRB 180916.J0158 + 65 é realmente o FRB mais próximo já detectado. Só que, sabendo-se onde este FRB está, não se sabe exactamente o que é e como é gerado.

A equipa da CHIME/FRB espera encontrar padrões semelhantes no punhado de explosões repetidas já conhecidas para ver se esses ciclos são comuns. Os pesquisadores também planeiam manter um olhar atento ao FRB 180916.J0158 + 6 enquanto estiver activo, a fim de detectar outros detalhes que possam apontar para a sua identidade.

Os FRBs confundem os cientistas há mais de uma década. Contudo, novos projectos como o CHIME/FRB vão revelando todos os anos novos detalhes sobre o fenómeno. Embora ainda não se saiba o que emite esses sinais bizarros, a descoberta de um FRB com um ritmo claro fornece uma vantagem significativa para os cientistas seguirem.

Diário de Notícias

DN
08 Fevereiro 2020 — 22:36

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3345: Enigmático sinal de rádio vindo do Espaço desapareceu misteriosamente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Raimond Spekking / Wikimedia
Westerbork Synthesis Radio Telescope (WSRT)

Um sinal de rádio intermitente vindo do Espaço desapareceu misteriosamente. Os cientistas ainda não compreendem bem o fenómeno e estão a tentar perceber o que terá acontecido.

Os estranhos sinais de rádio vindos do Espaço, conhecidos como Rajadas Rápidas de Rádio (FRB) continuam a intrigar a comunidade científica. Apesar de muito poderosos, apenas duram alguns milissegundos e por vezes são vistos de forma repetida do mesmo ponto do Espaço. No entanto, os cientistas continuam sem saber explicar a sua origem.

O primeiro exemplo de Rajadas Rápidas de Rádio repetitivas, R1, surgiram em 2012 e veio-se a descobrir que pertenciam a uma galáxia anã a três mil milhões de anos-luz de distância. O segundo exemplo de FRB, que ficou conhecido como R2, apenas foi detectado em 2018.

Recentemente, uma equipa de investigadores observou R1 e R2 durante 130 e 300 horas, respectivamente. Embora tenham detectado 30 rajadas de R1, não conseguiram qualquer sinal de R2.

Segundo o New Scientist, a explicação mais plausível é que R2 não é detectável nos comprimentos de onda observados pelo telescópio usado, o Westerbork Synthesis Radio Telescope (WSRT).

Outra explicação possível é que R2 tenha parado de enviar sinais de rádio. Ainda assim, a equipa de investigadores acredita que não seja este o caso e que simplesmente R2 não é detectável pelo WSRT ou que então não tenham sido emitidos sinais enquanto os cientistas observavam.

“Só porque você não vê nada neste momento com este telescópio não significa que não há nada para ver”, disse Jason Hessels, do Instituto Holandês de Radioastronomia.

Mas nem tudo são más notícias. Isto pode significar que R1 e R2 são muito diferentes um do outro. “Se os dois fossem parecidos, deveríamos ter visto facilmente o segundo repetidor, e não o vimos. Eles podem ser muito diferentes em quão brilhantes são, com que frequência se repetem e basicamente em outros parâmetros também”, explicou Leon Oostrum, também ele do Instituto Holandês de Radioastronomia.

Novas evidências de um estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature mostram que isto pode significar também que os dois sinais vêm de galáxias diferentes.

“O principal objectivo no final é descobrir o que são estas coisas, mas, por enquanto, quanto mais informação tivermos, mais perguntas teremos”, realçou Oostrum.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

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2619: Colossal radiotelescópio da China acabou de ouvir um sinal bizarro no espaço

CIÊNCIA

Chama-se FAST e é um colossal radiotelescópio que foi criado pela China. Custou quase 200 milhões de euros e demorou mais de cinco anos para entrar em funcionamento. Este telescópio esférico tem um prato fixo de 500 metros de abertura. Situa-se na cadeia de montanhas na província Guizhou do sudoeste Chinês e é apelidado com uma verdadeira maravilha da tecnologia.

Segundo informações, o maior radiotelescópio completo da Terra detectou um sinal de rádio notoriamente estranho que irradia pelo espaço.

China ajuda a detectar intrigantes Rajadas Rápidas de Rádio

De vez em quando, os radiotelescópios na Terra detectam sinais poderosos de fontes desconhecidas. Estas Rajadas Rápidas de Rádio (em inglês FRB), são frequentemente flashes singulares, mas alguns deles têm sido observados a aparecer repetidamente em intervalos aparentemente aleatórios.

Um sinal em particular, conhecido como FRB 121102, é conhecido por aparecer várias vezes. Agora, o novo colossal radiotelescópio da China ouviu-o alto e claro.

Sinais estranhos e que se desconhece a origem

Ninguém sabe realmente o que cria os FRBs, e isso faz parte do que os torna tão excitantes para os cientistas. Pelo facto de que a maioria deles são explosões únicas, mas que outros como o FRB 121102 continuam a repetir torna o processo que os impulsiona ainda os torna mais misteriosos.

O equipamento da China está pronto para uma revisão final do projecto concluído no final deste mês. Dessa forma, os cientistas dizem que já usaram o telescópio para detectar um sinal de rádio notoriamente estranho que viaja pelo espaço.

Uma vez aprovada a revisão ao radiotelescópio, o FAST torna-se num telescópio aceite para explorar o Universo. O Fast tem sido aberto aos astrónomos chineses desde Abril de 2019. Posteriormente, após a Aceitação Nacional de Construção, ele será aberto a astrónomos de todo o mundo.

Referiu, em comunicado, Jiang Peng, engenheiro responsável do FAST.

FRB 121102 é um fenómeno detectado há pouco tempo

Pese o facto desta rajada, FRB 121102, ter sido identificada pela primeira vez em 2012 pelo Observatório Arecibo em Porto Rico, só voltou a ser detectada recentemente pelo FAST. Mais concretamente foi no dia 30 de Agosto. Posteriormente, deu-se uma repetição a 3 de Setembro, quando mais de 20 pulsos foram registados. Isso caracteriza este sinal como particularmente persistente.

Este evento particular foi especialmente significativo. Isto porque nenhum outro telescópio na Terra alguma vez detectou tantas repetições do sinal num período de tempo tão curto, Desa forma, este feito do novo telescópio da China poderá ajudar a desvendar os segredos do sinal.

Portanto, olhando para o futuro, o FAST terá as suas mãos cheias, com investigadores à espera de o poder usar na contínua procura por pulsares distantes, elementos como o hidrogénio e, é claro, Rajadas Rápidas de Rádio adicionais.

2490: Descobertas oito novas fontes de Explosões Rápidas de Rádio vindas do Espaço

CIÊNCIA

CHIME
O radiotelescópio CHIME permitiu descobrir 8 novas fontes de FRBs

As Explosões Rápidas de Rádio (Fast Radio Bursts, FRBs) são dos enigmas mais intrigantes da astronomia moderna. Estes sinais de rádio, por norma, duram milésimos até desaparecer, mas alguns repetem-se de forma irregular.

Desde a descoberta das primeiras explosões rápidas de rádio em 2007, dezenas de sinais foram detectados. A maioria destes FRBs são de eventos pontuais, mas em 2015 a origem de uma explosão foi identificada no local de outra explosão, detectada em 2012.

Desde então, esta fonte, conhecida como FRB 121102, emitiu mais de cem sinais desconcertantes, que se repetem em ciclos irregulares. Durante anos o FRB 121102 era a única fonte conhecida destes sinais, mas em Janeiro uma segunda fonte foi descoberta — seguida por uma terceira em Junho.

Mas agora, uma equipa de astrónomos da McGill University, no Canadá, descobriu nada menos que oito novas fontes de FRBs. A descoberta foi apresentada num artigo publicado em Maio na revista Astrophysical Journal Letters.

Através do radiotelescópio CHIME (Experiência Canadiana de Mapeamento de Intensidade de Hidrogénio), os investigadores conseguiram observar duas explosões de seis fontes, enquanto outras emitiram três explosões.

De acordo com a New Atlas, a fonte que mais chamou a atenção dos cientistas, foi a que lançou 10 explosões no período de quatro meses de observação.

Um dos maiores enigmas dos FRBs é perceber quão próximos os sinais de repetição e os de não repetição são, e se estes vêm do mesmo tipo de objetos ou ambientes.

Ao comparar os novos sinais com os já conhecidos, a equipa de investigadores reparou que as medidas de dispersão — que explicam como é que o sinal fica “esticado” enquanto viaja pelo cosmos — parecem estar ao mesmo alcance para os dois tipos de fonte FRBs.

Com isto, os sinais de repetição tendem a durar mais do que os sinais de não repetição. E ainda, depois do fenómeno das 10 explosões, alguns dos novos sinais também foram encontrados a emitir sub-explosões mais fracas.

Os investigadores concluíram que os fenómenos podem ser oriundos de fontes diferentes ou, pelo menos, de fontes semelhantes em condições diferentes.

Os sinais do FRB 121102 foram encontrados completamente distorcidos, o que significa que a sua origem pode estar muito próxima de um buraco negro, de uma nebulosa ou de uma remanescente de super-nova. Nem todas as repetições podem viver nestas condições extremas, o que pode mudar os seus sinais.

DR, ZAP //

Por DR
22 Agosto, 2019

 

2429: Inteligência Artificial para decifrar os enigmáticos sinais de rádio do Espaço

OzGrav, Swinburne University of Technology

A Inteligência Artificial (IA) pode ajudar a decifrar os enigmáticos sinais de rádio oriundos do Espaço que há anos intrigam a comunidade científica. 

Em causa estão as rajadas rápidas de rádio (Fast Radio Bursts, FRB), poderosas ondas de rádio que os especialistas acreditam que se originem a mil milhões de anos-luz da Terra. As FRB duram apenas um milésimo de segundo, sendo a sua origem um dos maiores mistérios da Astronomia desde que foram detectados pela primeira vez, em 2007.

Agora, este enigma pode estar mais perto de ser desvendado: um cientista criou um sistema automatizado que utiliza IA para revolucionar a capacidade de detectar e capturar estes sinais cósmicos em tempo real.

Wael Farah, estudante do doutoramento do Swinburne Technological Institute, na Austrália, é o responsável pela criação, sendo a primeira pessoa a descobrir as estranhas FRB em tempo real como um sistema de machine learning totalmente automatizado.

O líder do projecto, o professor Matthew Bailes, adiantou que o novo sistema “permite explorar completamente a alta resolução de tempo e frequência, bem como investigar as propriedades das FRB que antes eram impossíveis de obter”.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o sistema de Farah já identificou cinco explosões, incluindo uma das mais fortes já detectadas, bem como a mais ampla.

Farah treinou a “máquina” no Observatório de Rádio Molonglo, perto de Camberra, para reconhecer os sinais e assinaturas dos FRBs e disparar uma captura imediata dos detalhes mais precisos observados até o momento.

As explosões foram detectadas pouco depois, produzindo dados de alta qualidade que permitiram aos cientistas de Swinburne estudar a sua estrutura com maior precisão e obter pistas sobre a sua origem, precisa a Europa Press.

Farah disse que o seu interesse por estas ondas cósmicas está relacionado com o facto de estas puderem, potencialmente, ser usadas para estudar a matéria que envolve as galáxias e que, de outra forma, seria possível de ver.

“É fascinante descobrir que um sinal que viajou por metade do Universo, alcançando O nosso telescópio depois de uma viagem de alguns mil milhões de anos, exibe uma estrutura complexa, tendo picos separados por menos de um milissegundo”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
10 Agosto, 2019

 

2265: Encontrada a “casa” de uma única explosão rápida de rádio (mas ainda não se sabe o que a causou)

CIÊNCIA

(dr) CSIRO
Radiotelescópio australiano SKA Pathfinder (ASKAP) da CSIRO

Há 3,5 mil milhões de anos, um misterioso objecto na borda uma galáxia distante emitiu uma explosão de energia de rádio intensamente brilhante e breve que atravessou o Universo.

Esse pulso de energia passou por uma vastidão de gás, poeira e espaço vazio na sua jornada de milhares de milhões de anos, esticando lentamente e mudando de cor enquanto se movia. Por menos de um milissegundo em 2018, a explosão passou por um telescópio especial no interior australiano da Terra, dando aos cientistas uma rara oportunidade de ver uma das formas mais misteriosas de energia do universo.

É a primeira vez que os astrónomos conseguem rastrear uma fast radio burst (FRB) única até às suas origens no espaço e no tempo, de acordo com os autores de um estudo publicado na revista Science.

Entender de onde vêm os FRBs permite aos cientistas sondar os vastos trechos de matéria entre as suas galáxias hospedeiras e a Terra e talvez até localizar bolsões não descobertos de protões e neutrões que se acredita estarem escondidos entre as galáxias.

“Estas explosões são alteradas pela questão que encontram no espaço”, disse o co-autor Jean-Pierre Macquart, investigador do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR), de acordo com o Live Science. “Agora podemos identificar de onde vêm, podemos usá-los para medir a quantidade de matéria no espaço intergaláctico”.

Desde que o fenómeno foi descoberto em 2007, os astrónomos observaram cerca de 85 FRBs e identificaram as origens de apenas um – um lampejo repetitivo que pulsou nove vezes a partir de uma minúscula galáxia em formação durante cerca de seis meses em 2016. Identificando a fonte de um FRB, que pode durar uma fracção de milissegundo, mostrou-se extremamente difícil.

No novo estudo, os investigadores detectaram o FRB solitário usando um conjunto de 36 satélites chamado telescópio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP). Quando um FRB passa, cada satélite capta o sinal a uma fracção de milissegundo de distância. Usando essas subtis diferenças de tempo, os investigadores conseguiram descobrir de que direcção a explosão vinha e aproximadamente a distância percorrida.

As observações do ASKAP apontavam para uma galáxia do tamanho da Via Láctea a cerca de 3,6 mil milhões de anos-luz da Terra. Com a ajuda de vários outros grandes telescópios ao redor do mundo, os cientistas ampliaram essa galáxia para descobrir que era relativamente antiga e não formava muitas novas estrelas.

Segundo Adam Deller, astrofísico da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, e co-autor do novo estudo, as propriedades da galáxia distante contrastam com a galáxia que criou um rápido estouro de rádio que foi detectado em 2016.

“A explosão que localizamos e a sua galáxia não se parecem em nada com o repetidor e o seu hospedeiro”, disse Deller. “Vem de uma enorme galáxia que está a formar relativamente poucas estrelas. Isso sugere que rajadas de rádio rápidas podem ser produzidas numa variedade de ambientes.”

Embora a repetida FRB detectada há alguns anos tenha sido provavelmente criada por uma explosão de estrelas de neutrões ou super-novas, esta explosão individual poderia ter sido causada por algo totalmente diferente.

ZAP //

Por ZAP
3 Julho, 2019

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1131: A Terra está a ser bombardeada com misteriosos sinais de rádio extraterrestres

pelosbriseno / Flickr
Radiotelescópios do Observatório Very Large Array (VLA) no Novo México, EUA.

No deserto australiano, há um novo observatório a fazer História. Em pouco mais de um ano, o Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP) detectou 20 sinais cósmicos misteriosos conhecidos como rajadas rápidas de rádio (FRB) – o fenómeno continua a intrigar os cientistas. 

Segundo o Science Alert, estes sinais não pertencerem à famosa fonte de rádio-frequência FRB 121102, são rastos completamente novos, oriundos de novas fontes.

Com os 20 novos sinais agora detectados, o número número de rajadas rápidas (fast radio bursts ou FRB) registadas em todo o mundo quase duplicou em apenas um ano – a Terra está a ser bombardeada com luz invisível e os cientistas não sabem porquê.

Os novos sinais de rádio identificados, notam os cientistas no artigo publicado nesta semana na revista científica Nature, incluem ainda as explosões de rádio mais rápidas e mais próximas até agora detectadas.

As rajadas rápidas de rádio são um dos fenómenos mais intrigantes de todo o Universo. Estes sinais cósmicos são extremamente poderosos, podendo mesmo gerar tanta energia como centenas de milhões de sóis. Apesar da sua energia, estas emissões são breves e pontuais, sendo, por isso, difícil de as detectar e estudar directamente.

Ou seja, os cientistas não conseguem “prever” a observação destes fenómenos. A menos que um radiotelescópio – com um campo de visão relativamente estreito – esteja direccionado exactamente na área exacta do céu em que essa explosão é dispara, o sinal cósmico é perdido.

A primeira vez que os astrónomos começaram a falar sobre estas misteriosas manifestações de rádio foi em meados de 2007, quando os cientistas observaram acidentalmente pulsos de rádio através do radiotelescópio Parkes, na Austrália. Agora, com a nova investigação, o número de sinais disparou.

“Encontramos 20 rajadas rápidas de rádio num ano, quase duplicando o número de todas as emissões já detectadas em todo o mundo desde que foram descobertas em 2007″, explicou o Ryan Shannon, da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália.

Até então, só tinham sido detetadas 22 rajadas rápidas de rádio. Em apenas um ano, este observatório australiano registou quase tantos sinais como o resto do mundo em 10 anos – o ASKAP está literalmente a fazer História.

“Através da nova tecnologia do ASKAP, também provamos que as rajadas rápidas estão a chegar do outro lado do Universo, e não da nossa vizinhança galáctica”, adiantou ainda o astrofísico em comunicado.

A ASKAP está localizado no Murchison Radioastronomy Observatory (MRO) da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth da Austrália, na Austrália Ocidental, e é um precursor do futuro telescópio Square Kilometer Array (SKA). O SKA será capaz de observar um grande número de explosões de rádio rápidas, permitindo aos astrónomos estudar o Universo primitivo em detalhe.

A amostra destas ondas de rádio cósmicas disparou e, a partir daí, os cientistas podem ficar mais perto de descobrir a sua misteriosa origem – até lá, terão de ficar atentos.

Por ZAP
12 Outubro, 2018

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855: Astrónomos detectaram um misterioso sinal de rádio vindo do espaço

 

Astrónomos detectaram outra explosão de rádio rápida, misteriosa e poderosa, atingindo a Terra de uma fonte desconhecida no espaço.

Se isso não for estranho o suficiente, este rápido estouro de rádio é incrivelmente baixo, na faixa de frequência de 580 megahertz – quase 200 MHz mais baixa do que qualquer outra explosão de rádio rápida que tenhamos captado antes. Quem estará a bombardear a Terra com estas explosões rádio?

O tema não é novo, já no passado abordámos outros sinais de rádio que atingiram o planeta. Provavelmente já sabem o que são as Fast Radio Bursts (FRB) ou, em português, Rajadas Rápidas de Rádio, e que estas rajadas são alguns dos eventos mais explosivos e misteriosos do Universo.

Em meros milissegundos, estas explosões podem gerar tanta energia quanto 500 milhões de sóis. A incógnita é o factor que está a provocar a existências destas FRBs.

Astrónomos intrigados novamente com a origem das FRB

Um dos sinais detectados pela equipa de astrónomos repetiu-se várias vezes e enviou as rajadas da mesma localização. Desta forma, foi possível aos especialistas identificar a fonte da explosão no universo.

De acordo com um relatório do The Astronomer’s Telegram, na manhã de 25 de Julho, uma série de radiotelescópios na British Columbia, no Canadá, detectou uma FRB fora do comum. A explosão foi denominada FRB 180725A, depois do ano, mês e dia em que foi detectado. O mais interessante é que o intenso sinal foi transmitido a uma frequência de rádio inferior a 580 MHz.

O The Astronomer’s Telegram é um mural de observações publicadas por investigadores credenciados. Embora sejam detecções genuínas, é importante esclarecer que não foram revistas por equipas independentes que não verificaram se os sinais são efectivamente emitidos do espaço.

Isso porque, em 1998, um grupo de investigadores pensou ter descoberto um novo sinal de rádio vindo do espaço. Contudo, 17 anos depois perceberam que se tratava de uma onda emitida por um micro-ondas:

A investigação mais recente sobre FRB sugere que a fonte é uma estrela de neutrões. Contudo, existem outras hipóteses que incluem buracos negros, ou um tipo de estrela chamada blitzar, por exemplo.

É também provável que haja mais do que uma explicação para os fenómenos. Segundo um físico de Harvard, não é impossível que os FRB sejam motores disparados em naves alienígenas gigantes.

A conclusão a que se chegou recentemente sugere que a origem da explosão em questão é algo extremamente energético, uma vez que as frequências parecem vir de muito longe.

Independentemente da sua fonte, se for possível detectá-los melhor, vai conseguir-se compreender a sua origem. Dessa forma, poderá ser desvendada a origem do universo.

Via
07 Ago 2018

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