2619: Colossal radiotelescópio da China acabou de ouvir um sinal bizarro no espaço

CIÊNCIA

Chama-se FAST e é um colossal radiotelescópio que foi criado pela China. Custou quase 200 milhões de euros e demorou mais de cinco anos para entrar em funcionamento. Este telescópio esférico tem um prato fixo de 500 metros de abertura. Situa-se na cadeia de montanhas na província Guizhou do sudoeste Chinês e é apelidado com uma verdadeira maravilha da tecnologia.

Segundo informações, o maior radiotelescópio completo da Terra detectou um sinal de rádio notoriamente estranho que irradia pelo espaço.

China ajuda a detectar intrigantes Rajadas Rápidas de Rádio

De vez em quando, os radiotelescópios na Terra detectam sinais poderosos de fontes desconhecidas. Estas Rajadas Rápidas de Rádio (em inglês FRB), são frequentemente flashes singulares, mas alguns deles têm sido observados a aparecer repetidamente em intervalos aparentemente aleatórios.

Um sinal em particular, conhecido como FRB 121102, é conhecido por aparecer várias vezes. Agora, o novo colossal radiotelescópio da China ouviu-o alto e claro.

Sinais estranhos e que se desconhece a origem

Ninguém sabe realmente o que cria os FRBs, e isso faz parte do que os torna tão excitantes para os cientistas. Pelo facto de que a maioria deles são explosões únicas, mas que outros como o FRB 121102 continuam a repetir torna o processo que os impulsiona ainda os torna mais misteriosos.

O equipamento da China está pronto para uma revisão final do projecto concluído no final deste mês. Dessa forma, os cientistas dizem que já usaram o telescópio para detectar um sinal de rádio notoriamente estranho que viaja pelo espaço.

Uma vez aprovada a revisão ao radiotelescópio, o FAST torna-se num telescópio aceite para explorar o Universo. O Fast tem sido aberto aos astrónomos chineses desde Abril de 2019. Posteriormente, após a Aceitação Nacional de Construção, ele será aberto a astrónomos de todo o mundo.

Referiu, em comunicado, Jiang Peng, engenheiro responsável do FAST.

FRB 121102 é um fenómeno detectado há pouco tempo

Pese o facto desta rajada, FRB 121102, ter sido identificada pela primeira vez em 2012 pelo Observatório Arecibo em Porto Rico, só voltou a ser detectada recentemente pelo FAST. Mais concretamente foi no dia 30 de Agosto. Posteriormente, deu-se uma repetição a 3 de Setembro, quando mais de 20 pulsos foram registados. Isso caracteriza este sinal como particularmente persistente.

Este evento particular foi especialmente significativo. Isto porque nenhum outro telescópio na Terra alguma vez detectou tantas repetições do sinal num período de tempo tão curto, Desa forma, este feito do novo telescópio da China poderá ajudar a desvendar os segredos do sinal.

Portanto, olhando para o futuro, o FAST terá as suas mãos cheias, com investigadores à espera de o poder usar na contínua procura por pulsares distantes, elementos como o hidrogénio e, é claro, Rajadas Rápidas de Rádio adicionais.

2490: Descobertas oito novas fontes de Explosões Rápidas de Rádio vindas do Espaço

CIÊNCIA

CHIME
O radiotelescópio CHIME permitiu descobrir 8 novas fontes de FRBs

As Explosões Rápidas de Rádio (Fast Radio Bursts, FRBs) são dos enigmas mais intrigantes da astronomia moderna. Estes sinais de rádio, por norma, duram milésimos até desaparecer, mas alguns repetem-se de forma irregular.

Desde a descoberta das primeiras explosões rápidas de rádio em 2007, dezenas de sinais foram detectados. A maioria destes FRBs são de eventos pontuais, mas em 2015 a origem de uma explosão foi identificada no local de outra explosão, detectada em 2012.

Desde então, esta fonte, conhecida como FRB 121102, emitiu mais de cem sinais desconcertantes, que se repetem em ciclos irregulares. Durante anos o FRB 121102 era a única fonte conhecida destes sinais, mas em Janeiro uma segunda fonte foi descoberta — seguida por uma terceira em Junho.

Mas agora, uma equipa de astrónomos da McGill University, no Canadá, descobriu nada menos que oito novas fontes de FRBs. A descoberta foi apresentada num artigo publicado em Maio na revista Astrophysical Journal Letters.

Através do radiotelescópio CHIME (Experiência Canadiana de Mapeamento de Intensidade de Hidrogénio), os investigadores conseguiram observar duas explosões de seis fontes, enquanto outras emitiram três explosões.

De acordo com a New Atlas, a fonte que mais chamou a atenção dos cientistas, foi a que lançou 10 explosões no período de quatro meses de observação.

Um dos maiores enigmas dos FRBs é perceber quão próximos os sinais de repetição e os de não repetição são, e se estes vêm do mesmo tipo de objetos ou ambientes.

Ao comparar os novos sinais com os já conhecidos, a equipa de investigadores reparou que as medidas de dispersão — que explicam como é que o sinal fica “esticado” enquanto viaja pelo cosmos — parecem estar ao mesmo alcance para os dois tipos de fonte FRBs.

Com isto, os sinais de repetição tendem a durar mais do que os sinais de não repetição. E ainda, depois do fenómeno das 10 explosões, alguns dos novos sinais também foram encontrados a emitir sub-explosões mais fracas.

Os investigadores concluíram que os fenómenos podem ser oriundos de fontes diferentes ou, pelo menos, de fontes semelhantes em condições diferentes.

Os sinais do FRB 121102 foram encontrados completamente distorcidos, o que significa que a sua origem pode estar muito próxima de um buraco negro, de uma nebulosa ou de uma remanescente de super-nova. Nem todas as repetições podem viver nestas condições extremas, o que pode mudar os seus sinais.

DR, ZAP //

Por DR
22 Agosto, 2019