4151: A última plataforma de gelo intacta do Canadá colapsou. Criou um icebergue maior do que o Porto

CIÊNCIA/AMBIENTE

Copernicus EU / StefLhermitte / Twitter

A plataforma de gelo Milne, no Canadá, fragmentou-se no final do mês de Julho, formando vários icebergues, dois dos quais de grandes dimensões.

Cientistas ouvidos pela agência noticiosa AP referem que esta era uma plataforma especial, uma vez que era a única ainda intacta em território canadiano.

De acordo com os especialistas, o colapso da plataforma Milne, localizada na extremidade noroeste da ilha Ellesmere, deveu-se ao verão quente, bem como ao aumento das temperaturas que se tem registado nas últimas décadas na região.

Imagens de satélite mostram que quase metade (43%) da plataforma colapsou a 30 ou 31 de Julho, detalhou o analista de gelo Adrienne White, do Canadian Ice Service.

Segundo White, a fragmentação da plataforma de gelo criou dois icebergues gigantes e outros tantos menores que já se começaram a afastar da “placa-mãe”.

O maior dos icebergues tem 55 quilómetros quadrados de área – é maior do que a cidade do Porto, que tem 41 quilómetros quadrados – e 11,5 quilómetros de comprimento.

Têm uma espessura entre 70 a 80 metros.

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ECCC Canadian Ice Service
@ECCC_CIS
Satellite animation, from July 30 to August 4, shows the collapse of the last fully intact #iceshelf in #Canada. The Milne Ice Shelf, located on #EllesmereIsland in #Nunavut, has now reduced in area by ~43%. #MilneIceIsland #seaice #Arctic #earthrightnow #glacier

Este é um enorme bloco de gelo (…) Se um destes se mover em direcção a uma plataforma de gelo, não há nada que se possa realmente fazer além de mover a plataforma de petróleo em causa”, continuou White Adrienne.

Luke Copland, professor especialista em glaciares da Universidade de Ottawa, no Canadá, não tem dúvidas que o acontecimento está ligado às alterações climáticas.

O especialista refere que as temperaturas da região entre maio e o início de Agosto tem sido 5 graus Celsius mais elevadas do que a média de 1980 a 2010. “Sem dúvida, é a mudança climática”, disse Copland, observando que a plataforma de gelo está a derreter com o ar mais quente acima e a água mais quente abaixo.

“O Milne foi muito especial”, acrescentou. “É um local incrivelmente bonito“.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2020

 

 

3799: Cientistas encontram dois fragmentos do meteorito de Barcelona

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) UPC

Cientistas espanhóis encontraram dois pequenos fragmentos do chamado meteorito de Barcelona, que caiu, há mais de 300 anos, no dia de Natal.

No dia 25 de Dezembro de 1704, um meteorito rasgou os céus e caiu em Terrassa, uma cidade na Catalunha. O evento foi testemunhado por muitas pessoas que, sem conhecimento, pensaram tratar-se de um sinal divino. Aliás, foi assim retratado por inúmeras fontes históricas que sobrevivem até hoje.

Porém, sempre se pensou que não tinham sido preservados quaisquer fragmentos do chamado meteorito de Barcelona, como ficou conhecido. Até agora.

Segundo o jornal ABC, mais de três séculos depois, cientistas da Universidade Politécnica da Catalunha e do Museu de Ciências Naturais de Barcelona conseguiram identificar dois pequemos fragmentos do meteorito, que até então passaram despercebidos, numa colecção de objectos de uma família de boticários catalães.

“Encontrar um meteorito 300 anos depois é incrível. Não sei se há algum caso como este”, declarou Jordi Llorca, director do Centro de Investigação de Ciência e Engenharia Multiescala da UPC e autor principal do estudo publicado na revista científica Meteoritics and Planetary Science.

De acordo com o jornal espanhol, os dois fragmentos, de 50 e 35 gramas, estavam guardados num frasco de vidro com algumas anotações nas quais ainda se consegue ler “meteorito?” e “pedra que caiu (…) 1704”.

Os investigadores compararam estes achados com fragmentos dos quatro meteoritos que se sabe terem caído ou que foram encontrados na Catalunha entre 1851 e 1905 e concluíram que estes eram diferentes. Não restavam dúvidas: os fragmentos pertenciam ao meteorito que caiu, em 1704, naquele dia de Natal.

“Não se sabe como é que a família conseguiu os fragmentos, mas estes foram recolhidos logo após o impacto“, afirmou Llorca, justificando-se com o facto de as rochas serem muito frescas (ainda têm casca preta).

Compostos, principalmente, por silicatos e pequenas partículas metálicas, os fragmentos provêm de um condrito, um tipo muito comum de meteorito. A equipa acredita que este fazia parte de um dos asteróides primitivos que se agrupam num cinturão entre as órbitas de Marte e de Júpiter.

“Podem ter aproximadamente 4600 milhões de anos, muito mais antigos do que qualquer rocha terrestre, conclui o autor do estudo.

ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2020