2811: Encontrado fóssil de tubarão parecido com uma enguia de há 350 milhões de anos

CIÊNCIA

© Citron / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia
O tubarão Phoebodus podia ser parecido com o tubarão-cobra dos dias de hoje (apresentado nesta imagem)

Um membro de um grupo indígena encontrou na Anti-Atlas, cordilheira montanhosa de Marrocos, um esqueleto quase completo e muito bem preservado do tubarão Phoebodus.

De acordo com o Live Science, os paleontólogos tiveram recentemente uma visão rara de um animal que existiu há 350 milhões de anos, através do primeiro esqueleto quase completo de um tubarão que pertencia ao género Phoebodus.

Os tubarões Phoebodus, que tinham cerca de 1,2 metros de comprimento, viveram muito antes dos dinossauros e do tubarão gigante Megalodon. Porém, antes deste estudo, agora publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, os cientistas não sabiam muito sobre como era esta espécie. Aliás, a única prova de que estes tubarões existiram mesmo tinham sido dentes com três cúspides encontrados anteriormente.

Entretanto, um membro dos Berberes, um grupo indígena do norte da África, encontrou pela primeira vez um fóssil quase completo desta espécie na Anti-Atlas, uma cordilheira montanhosa no sudoeste de Marrocos, tendo-o feito chegar a Christian Klug, paleobiólogo da Universidade de Zurique, na Suíça, e um dos autores do estudo.

Klug imediatamente percebeu que o espécime não era de “um peixe normal”, explica a autora principal da pesquisa, Linda Frey, acrescentando que foram descobertos este esqueleto e outros crânios na região sul das montanhas, numa camada de sedimentos de 360 a 370 milhões de anos que já foi uma bacia marinha.

O fóssil do esqueleto quase completo do tubarão Phoebodus

“Os fósseis estão muito bem preservados. Ficámos muito felizes com a descoberta”, declarou Frey ao mesmo site, explicando que todos estavam muito bem preservados porque estavam em condições com baixos níveis de oxigénio, onde os organismos em decomposição não podiam separá-los.

Uma análise aos fósseis mostrou que este tubarão tinha um corpo semelhante ao de uma enguia e um focinho longo, parecendo-se com o tubarão-cobra moderno — Chlamydoselachus anguineus —, embora os dois não estejam relacionados, afirma Frey.

Além disso, a anatomia da mandíbula do Phoebodus e a forma dos dentes com três cúspides sugerem que a criatura tinha uma estratégia de alimentação semelhante ao dos Lepisosteiformes, uma família de peixes de água doce com mandíbulas compridas. Estes animais “basicamente capturam as suas presas num movimento rápido“, e também podia ser assim que os tubarões Phoebodus se alimentavam, explica a investigadora.

As perguntas sobre o Phoebodus continuam a existir e não podem ser respondidas apenas com este esqueleto, uma vez que lhe falta uma barbatana caudal que lhes diria mais sobre como o animal se movia.

ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2019

 

2720: Fóssil de pterossauro gigante encontrado no Reino Unido. Tinha 6 metros e pesava até 300 quilos

CIÊNCIA

Mark Witton and Darren Naish

Uma equipa de cientistas descobriu os restos fósseis de um pterossauro gigante com cerca de 125 milhões de anos na ilha de Wight, no Reino Unido, noticia esta semana a imprensa britânica.

Este fóssil de Hatzegopteryx, cuja envergadura rondava os seis metros, pode oferecer mais dados sobre este animal que é considerado o maior dinossauro voador da sua época, tal como escreve o The Sunday Times e o Mirror.

“Acreditamos que este é um dos primeiros super-pterossauros (…) Pode ter sido a maior criatura voadora que já viveu até então”, disse o autor da descoberta, Robert Coram.

Estes répteis, os primeiros animais vertebrados que desenvolveram a capacidade de voar, pesavam até 300 quilos e caçavam crias de outros dinossauros, bem como espécimes adultos graças às suas mandíbulas alongadas, explicou.

Michael Habib, especialista em pterossauros da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, recordou que estes animais também andavam na terra.

De acordo com o mesmo cientista, o modelo tridimensional dos seus corpos mostras que estes animais partiram de uma posição quadrúpede: impulsionavam-se com as patas traseiras e, posteriormente, começaram a utilizar as dianteiras para descolar.

https://www.thetimes.co.uk/edition/news/isle-of-wight-find-proves-winged-dinosaurs-took-off-by-vaulting-into-the-air-zq0q8thtp

De acordo com os cientistas, que publicaram os resultados da investigação na revista Proceeding of the Geologists Association, a descoberta deste fóssil no Reino Unido, a par de um outro achado na China, mostra que os “pterossauros de grandes dimensões já estavam espalhados no Cretáceo desde há muito tempo”, pode ler-se na publicação.

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27 Setembro, 2019

 

2635: Criatura com “cabeça de canivete suíço” deu origem aos escorpiões e às aranhas

CIÊNCIA

(dr) Joanna Liang, Royal Ontario Museum
Mollisonia plenovenatrix

Encontrada no Canadá, esta nova espécie de fóssil provou ser o quelicerado mais antigo, situando a origem dos escorpiões e das aranhas há 500 milhões de anos.

Com o tamanho de um dedo polegar, olhos em forma de ovo e uma cabeça parecida com um canivete suíço, o Mollisonia plenumnatrix foi um predador feroz. As suas pernas longas e os seus numerosos pares de membros davam-lhe a habilidade de agarrar, esmagar e mastigar de uma só vez.

Esta espécie tinha ainda um par de pinças muito pequenas à frente da boca, chamadas quelíceras. Estes apêndices dão o nome ao grupo de escorpiões e aranhas – quelicerados . que os usam para matar, manter e muitas vezes cortar as suas presas.

“Antes desta descoberta, não era possível identificar as quelíceras noutros fósseis do Cambriano”, disse o principal autor, Cédric Aria, membro das expedições Burgess Schist do Royal Ontario Museu.

Além destas, há outras características neste fóssil que permitiram aos cientistas concluir que Mollisonia plenumnatrix não era uma versão “primitiva” de um quelicerado, uma vez que já era morfologicamente próximo das espécies modernas.

Segundo o LiveScience, uma delas é o facto de a criatura exibir estruturas respiratórias semelhantes a guelras, surpreendentemente semelhantes às dos quelicerados modernos.

Os autores do estudo, publicado dia 11 de Setembro na Nature, acreditam que Mollisonia caçava, de preferência, perto do fundo do mar, graças às suas pernas bem desenvolvidas. Além disso, por parecer tão moderno, os cientistas concluíram que os quelicerados parecem ter prosperado rapidamente, preenchendo um nicho ecológico que outros artrópodes deixaram de atender naquele momento.

Desta forma, os autores da investigação acreditam que a origem dos quelicerados deve ser ainda mais profunda no interior do período Cambriano, quando o coração da “explosão” ocorreu. Mollisonia foi descrito pela primeira vez há mais de um século, mas, até agora, só eram conhecidos exoesqueletos deste animal.

Ainda que o passado seja repleto de surpresas, Mollisonia plenumnatrix é uma importante peça-chave neste quebra-cabeças da biodiversidade.

ZAP //

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14 Setembro, 2019

 

“Dragão congelado” identificado no Canadá

CIÊNCIA

© TVI24 “Dragão congelado” identificado no Canadá

Um dos maiores animais voadores de sempre, com uma envergadura de 10 metros e 250 quilogramas, foi identificado no Canadá a partir de fósseis descobertos há 30 anos na província de Alberta, esta terça-feira.

O pterossauro, baptizado Cryodrakon (“Dragão congelado”) boreas, viveu há cerca de 77 milhões de anos e só rivaliza em tamanho com um outro pterossauro conhecido, o Quetzalcoatl, com uma envergadura de 10,5 metros, que foi descoberto no estado norte-americano do Texas.

“É uma bela descoberta. Sabíamos que este animal existia aqui mas agora podemos provar que é diferente dos outros e dar-lhe um nome”, afirmou o paleontólogo David Hone, destacando a “diversidade dos pterossauros na América do Norte e a sua evolução”.

Como outros répteis voadores do período Cretáceo, o Cryodrakon boreas era carnívoro, alimentando-se provavelmente de lagartos, pequenos mamíferos ou até crias de outros dinossauros.

@Dave_Hone

And already there’s a skeletal for the holotype juvenile of Cryodrakon! 😀 https://twitter.com/LikesPterosaurs/status/1171469158850031620 

Sassy PaleoNerd @LikesPterosaurs
Respondendo a @LikesPterosaurs e 2 outros

Here is just the holotype

Ver imagem no Twitter

Redacção TVI24
11/09/2019

 

2602: Fóssil com 550 milhões de anos dá novas luzes sobre a mobilidade dos animais

CIÊNCIA

(dr) Virginia Tech College of Science
O fóssil do Yilingia spiciformis, encontrado no sul da China

O fóssil de uma nova espécie (Yilingia spiciformis) pode representar a mais antiga evidência conhecida de um animal a mover-se na superfície da Terra.

Um dia, há 550 milhões de anos, um pequeno diplópode decidiu dar um passeio pelo fundo lamacento do oceano. De acordo com o Live Science, graças ao fóssil encontrado numa rocha no sul da China, este pode representar a mais antiga evidência de um animal a andar na superfície da Terra, provando por acaso que os animais são móveis desde pelo menos o período Ediacarano (há 635 a 539 milhões de anos).

Os autores do estudo, publicado esta quinta-feira na revista Nature, apelidaram esta nova espécie de Yilingia spiciformis. A criatura tinha um corpo longo e fino, medindo até dez centímetros de comprimento e três centímetros de largura, composto por cerca de 50 segmentos simétricos.

A Y. spiciformis habitava o fundo do oceano, onde arrastava o seu corpo pegajoso, deixando trilhas com 58 centímetros de comprimento. Os investigadores suspeitam que esteja relacionado com os artrópodes (invertebrados minúsculos que incluem crustáceos e diplópodes) ou anelídeos (vermes segmentados).

Significativamente, o animal mostra uma simetria bilateral, o que significa que os lados esquerdo e direito do corpo são idênticos, assim como os seres humanos e a maioria dos outros animais.

De acordo com os cientistas, esta pode ser uma característica inerente a todos os animais que evoluíram para se deslocarem pela superfície da Terra, o que poderia tornar os “pequenos passos” deste verme num grande salto para os animais.

“A mobilidade deu aos animais a possibilidade de deixarem uma pegada inconfundível na Terra, literal e metaforicamente”, disse o co-autor do estudo Shuhai Xiao, professor de geociências da Virginia Tech College of Science. “Os animais [bilaterais] e, em particular, os seres humanos são motores e agitadores da Terra. A sua capacidade de moldar a face do planeta está finalmente ligada à origem da motilidade animal”.

ZAP //

Por ZAP
9 Setembro, 2019

 

2586: Kamuysaurus japonicus é a nova espécie de dinossauro descoberta no Japão. Tinha um “bico de pato”

CIÊNCIA

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
Reconstrução do Kamuysaurus japonicus, a flutuar no mar, com dois mosassauros, duas tartarugas marinhas e quatro amonóides.

‘Kamuysaurus japonicus’ é a nova espécie de hadrossáurio encontrada no Japão. A reconstituição do esqueleto quase completo revela que este tinha um “bico de pato”.

Uma nova pesquisa publicada ontem no Scientific Reports descreve o ‘Kamuysaurus japonicus’ — uma espécie de hadrossáurio ou dinossauro de bico de pato —, retirado da Formação Hakobuchi no Japão.

O fóssil quase completo foi encontrado em depósitos marinhos de 72 milhões de anos, sugerindo que a criatura viveu ao longo da costa. O dinossauro foi baptizado como “Kamuysaurus japonicus”, que significa “deus dragão japonês”.

Os ossos do ‘Kamuysaurus japonicus‘ foram encontrados ao lado dos restos fossilizados de tartarugas marinhas e mosassauros (um réptil aquático extinto que se parecia com uma baleia moderna), reforçando ainda mais a ideia que este dinossauro habitou perto do mar.

Os hadrossáurios eram um grupo de dinossauros que viveu durante o período cretáceo tardio — 100 a 66 milhões de anos atrás. Estes herbívoros podiam andar com quatro ou duas pernas, permitindo que pastassem ao longo do solo ou atingissem galhos altos.

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
O esqueleto quase completo do ‘Kamuysaurus japonicus’.

Em 2013, a cauda parcial deste espécime foi descoberta na Formação Hakobuchi, levando a escavações mais extensas no local. Os cientistas conseguiram descobrir um esqueleto quase completo, cujos ossos foram analisados pelo paleontólogo Yoshitsugu Kobayashi, do Museu da Universidade Hokkaido e pela sua equipa.

É o “maior esqueleto de dinossauro já encontrado no Japão“, pode-se ler num comunicado de imprensa da Universidade de Hokkaido.

A análise da amostra incluiu cerca de 350 ossos individuais. A criatura era um hadrossáurio de tamanho médio e adulto e tinha cerca de 9 anos quando morreu. Ainda vivo, o herbívoro media cerca de 8 metros e pesava 5,3 toneladas.

Os investigadores especulam que a sua carcaça flutuou para o mar e eventualmente afundou, o que permitiu que esta fosse preservada em sedimentos, revela a Gizmodo. 

Kobayashi e os seus colegas explicaram que o ‘Kamuysaurus japonicus’ era semelhante ao Laiyangosaurus da China e ao Kerberosaurus da Rússia, e que pertence ao clado (grupo de organismos com um antepassado comum) de dinossauros Edmontosaurini.

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
Representação artística do ‘Kamuysaurus japonicus’.

Consequentemente, a investigação está a fornecer novas ideias sobre a origem deste clado e como estes animais se espalharam pelo planeta. O ‘Kamuysaurus japonicus’ e seus parentes próximos provavelmente viajaram pelo Alasca, que ligou a Ásia à América do Norte durante o final do Cretáceo.

Esta espécie de hadrossáurio exibia três características físicas que a distinguiam de outros membros do clado Edmontosaurini, garantindo assim a criação de um género e espécie de dinossauro novo. Estas características incluíam uma crista no crânio, uma fileira de espinhos inclinados para a frente nas costas e uma placa óssea mais curta do que o normal no osso da mandíbula.

“O facto de ter sido encontrado um novo dinossauro no Japão significa que existiu um mundo independente de dinossauros no país ou no leste da Ásia, com um processo evolutivo diferente“, salientou Yoshitsugu Kobayashi, citado pela Sapo.

O ‘Kamuysaurus japonicus’ terá habitado em regiões costeiras, habitat raro para os dinossauros da época que terá “desempenhado um papel importante na diversificação” dos dinossauros no início da sua evolução.

DR, ZAP //

Por DR
7 Setembro, 2019

 

2545: Descoberto fóssil de crânio do “avô” da Humanidade. Tem 3,8 milhões de anos e é mais antigo do que a Lucy

CIÊNCIA

Cleveland Museum of Natural History

Investigadores descobriram na Etiópia um fóssil de um crânio de um antepassado do Homem com 3,8 milhões de anos, mais antigo do que o popular fóssil “Lucy”, encontrado na década de 1970 no mesmo local, foi esta quarta-feira divulgado.

O crânio completo fossilizado dá novas informações sobre a morfologia crânio-encefálica do Australopithecus anamensis, a espécie de hominídeo do género dos australopitecos mais antiga, que vinha sendo datada entre 4,2 e 3,9 milhões de anos.

A equipa de especialistas que analisou o fóssil, descoberto em Fevereiro de 2016 na região de Afar, na Etiópia, admite que o Australopithecus anamensis terá coexistido durante cerca de 100 mil anos com uma outra espécie de australopiteco, que a sucedeu, a Australopithecus afarensis, da qual foi encontrado em 1974, na mesma região, o fóssil “Lucy”, com 3,2 milhões de anos.

Ambos os fósseis foram descobertos por peritos do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, que divulga em comunicado os resultados do estudo do fóssil do crânio, também publicados na revista científica Nature.

Segundo o comunicado do museu, o crânio fossilizado, o primeiro da espécie Australopithecus anamensis descoberto, está datado no intervalo de tempo entre 4,1 e 3,6 milhões de anos, em que os fósseis dos antepassados humanos são “extremamente raros”, especialmente fora da jazida paleontológica de Woranso-Mille, na região etíope de Afar.

A idade do fóssil do crânio do Australopithecus anamensis – 3,8 milhões de anos – foi calculada por uma equipa da universidade norte-americana Case Western Reserve, em Cleveland, que datou os minerais das camadas rochosas vulcânicas nas proximidades do local onde o fóssil foi encontrado.

O crânio fossilizado partilha características com a espécie Australopithecus afarensis, mas também com outras mais antigas, como as dos géneros de hominídeos Sahelanthropus e Ardipithecus.

John Gurche / Matt Crow / Cleveland Museum of Natural History

O fóssil tem traços distintos em relação a um fragmento de um crânio fossilizado que foi descoberto em 1981 no sítio paleontológico de Belohdelie, igualmente da região etíope de Afar, e que os especialistas datam de 3,9 milhões de anos e como pertencendo à mesma espécie de “Lucy”. Tal significa, segundo os autores do estudo, que o Australopithecus anamensis terá coexistido cerca de 100 mil anos com o Australopithecus afarensis.

De acordo com uma das co-autoras da investigação, Naomi Levi, da Universidade de Michigan, também nos Estados Unidos, o antepassado de “Lucy” terá vivido perto de um grande lago que estava a maioria das vezes seco.

“Estamos ávidos por realizar mais pesquisas sobre estes depósitos para compreender as condições ambientais do espécime de Australopithecus anamensis, a relação com as alterações climáticas e de que forma ou não afectaram a evolução humana”, afirmou, citada no mesmo comunicado.

ZAP // Lusa

Por Lusa
29 Agosto, 2019

 

2400: Cientistas encontraram a “Millennium Falcon dos mares”

CIÊNCIA

 

 

A criatura marinha com 500 milhões de anos, encontrada no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, tem semelhanças com a famosa nave da Guerra das Estrelas.

Trata-se de uma criatura marinha carnívora, que usava as suas garras como um ancinho para apanhar as suas presas e que estava protegida por uma enorme concha com pontas afiadas.

“O corpo é um bocadinho ridículo. Tem uma cabeça gigantesca, com uma concha gigantesca e minúsculas barbatanas por baixo. Portanto, há alguma coisa que parece disfuncional na sua capacidade de nadar de forma eficiente”, afirma o co-investigador do estudo Jean-Bernard Caron, curador de paleontologia de invertebrados no Royal Ontario Museum, no Canadá, citado pelo Live Science.

Os investigadores baptizaram esta criatura com 506 milhões de anos de Cambroraster falcatus. O nome que identifica o género – Cambroraster – faz referência ao período Cambriano e à palavra em latim “rastrum”, que significa “ancinho”. O nome da espécie – falcatus – é uma homenagem à Millennium Falcon, mítica nave da Guerra das Estrelas.

Caron e a restante equipa encontraram os fósseis do C. falcatus pela primeira vez em 2012, durante uma escavação no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, um local famoso pelos tesouros de fósseis cambrianos.

Jean-Bernard Caron / Royal Ontario Museum
Cambroraster falcatus

Porém, foi apenas em 2018 que encontraram um local com muitos destes “animais nave”, assim apelidados pelos paleontólogos. O grande grupo indicou que “não eram predadores isolados”, mas sim que “viviam em grandes grupos”, explica Caron.

O agora extinto C. falcatus era um tipo de artrópode primitivo conhecido como radiodonte, um parente distante das aranhas, crustáceos e insectos modernos. Dos 140 espécimes descobertos pelos paleontólogos, a maioria em idade adulta era do tamanho da mão de uma pessoa, embora o maior tenha medido cerca de 30 centímetros de comprimento.

“Este tamanho devia ser ainda mais impressionante na altura em que foi vivo, uma vez que a maioria dos animais durante o período Cambriano eram mais pequenos do que o nosso mindinho”, declara Joe Moysiuk, estudante de doutoramento em ecologia e biologia evolutiva na Universidade de Toronto, que tem a sua sede no Royal Ontario Museum.

De acordo com Caron e Moysiuk, este animal usou provavelmente as suas garras em forma de ancinho para para peneirar os sedimentos do fundo do mar. Também é possível que tenha usado a carapaça para atravessar a lama e descobrir alimento.

O estudo foi publicado, esta quarta-feira, na revista Proceedings of the Royal Society B.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2019

 

2384: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
28 Julho, 2019

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2242: Fóssil de ave três vezes maior que avestruz descoberto na Crimeia. Pesava meia tonelada

CIÊNCIA

Andrey Atuchin

Um fóssil de uma ave três vezes maior do que uma avestruz foi descoberto numa gruta da Crimeia, sugerindo que os primeiros europeus conviveram com uma das maiores aves conhecidas.

A descoberta é esta quinta-feira relatada na revista científica “Journal of Vertebrate Paleontology”, na qual se diz que até agora se pensava que aves tão grandes só tinham existido nas ilhas de Madagáscar e da Nova Zelândia.

A espécie descoberta numa caverna de Táurida, na costa do Mar Negro, remete para uma ave tão grande como o pássaro-elefante de Madagáscar ou o moa da Nova Zelândia.

“Quando senti pela primeira vez o peso da ave cujo osso da coxa eu segurava na mão pensei que devia ser um fóssil de um pássaro-elefante malgaxe, porque nenhuma ave desse tamanho tinha sido alguma vez encontrada na Europa. No entanto, a estrutura do osso contou uma história diferente”, disse o autor principal da descoberta agora relatada, Nikita Zelenkov, da Academia Russa de Ciências.

Ressalvando que ainda não há dados suficientes para dizer se a ave se relaciona com as avestruzes ou não, o investigador estimou que pesaria cerca de 450 quilos, quase o dobro da maior moa, três vezes maior que a maior ave viva, a avestruz, e quase tão grande como um urso polar adulto.

Esta é a primeira vez que uma ave assim tão grande, atribuída à espécie “Pachystruthio dmanisensis”, é relatada em qualquer lugar do hemisfério norte. Teria pelo menos 3,5 metros de altura e não voava. Tal como frisa o jornal espanhol ABC, esta ave é uma das maiores de todos os tempos até agora descoberta.

Os investigadores notam ainda que devia ser uma melhor corredora do que o pássaro-elefante, devido ao fémur relativamente longo e fino. Outros fósseis encontrados ao lado da ave ajudam a avançar que tenha vivido num período entre 1,5 a dois milhões de anos.

A rede de cavernas de Táurida só foi descoberta no verão passado, quando estava a ser construída uma nova autoestrada. No ano passado foram desenterrados restos de mamutes e pode haver muitas mais informações no local sobre o passado distante da Europa, disse Zelenkov.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Junho, 2019

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2037: Encontrados os fungos mais antigos do mundo. Têm mil milhões de anos

CIÊNCIA

Corentin Loron / Universidade de Liège
Ourasphaira giraldae, o fungo encontrado no Canadá e tido como o mais antigo do mundo.

Fungos descobertos no Canadá, com mil milhões de anos, são os mais antigo de sempre. Anteriormente, pensava-se que os fungos apenas teriam aparecido na Terra há 500 milhões de anos.

A descoberta deste fungos no Canadá vem mudar completamente a forma como olhamos para o desenvolvimento da vida na Terra. O estudo publicado, esta quarta-feira, na revista Nature, relata que os cientistas desenterraram os fungos fossilizados mais antigos de sempre.

Segundo o The Guardian, os organismos foram descobertos em xistos de águas rasas, no sul da ilha Victoria. Os cientistas identificaram o organismo como Ourasphaira giraldae.

Através do microscópio, os cientistas conseguiram descobrir diferenças claras nestes fungos, nomeadamente os seus esporos esféricos, os filamentos ramificados que os ligam e as paredes celulares de duas camadas.

Com mil milhões de anos, estes fungos apareceram no nosso planeta há pelo menos o dobro do tempo que pensávamos. Os cientistas conseguiram datar os fungos após examinarem a idade da rocha em que foram encontrados através da proporção de elementos radioactivos.

A preservação é tão boa que ainda temos os compostos orgânicos“, disse a líder do estudo, Corentin Loron. Estes micro-organismos estão em condições intactas devido a terem ficado presos em lama solidificada, que impedia a entrada de oxigénio e a sua consequente decomposição.

A descoberta é de grande importância, uma vez que fungos fazem parte do mesmo grupo de organismos que as plantas e os animais. Ou seja, isto significa que se os fungos estavam presentas há mil milhões de anos atrás, também os animais devem ter estado.

“Não estamos a falar de nada grande como dinossauros. Seria algo muito simples. Talvez uma espécie de esponja“, disse a cientista.

Isto remodela a nossa visão do mundo, porque esses grupos ainda estão hoje presentes. Portanto, esse passado distante, embora muito diferente de hoje, pode ter sido muito mais ‘moderno’ do que aquilo que pensávamos”, explicou Loron, citada pelo Phys.

ZAP //

Por ZAP
24 Maio, 2019

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2002: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



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1962: Descoberto dinossauro do Jurássico que voava com asas de morcego

CIÊNCIA

Uma nova investigação, levado a cabo por paleontólogos da Academia Chinesa de Ciências, descobriu uma espécie de dinossauro nunca antes documentada, que tem penas e asas semelhantes às de um morcego, utilizadas para planar. 

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature, o fóssil analisado foi encontrado em 2017 na província de Liaoning, na China. Ambopteryx longibrachium pertence à ordem dos Scansoriopterygidae e terá habitado a Terra há cerca de 163 milhões de anos, durante o Jurássico.

A espécie, de pequenas dimensões (32 centímetros de comprimento e 306 gramas de peso) – da mesma envergadura de uma pega -, tinha uma membrana larga, lisa e macia, que se estendia do corpo aos antebraços.

Em 2007, outro aparente dinossauro desta espécie tinha sido encontrado na província de Henbei. Na época, foi baptizado de “Yi qi” (que significa “asa estranha”). Os especialistas sugeriram que se tratava de um dos primeiros animais planadores, já que tinham asas semelhantes às de um morcego, contudo a sustentação não foi aceite pela comunidade científica até a descoberta deste novo espécime.

Apesar de pertencer à mesma família, o Ambopteryx apresenta diferenças notáveis comparativamente com o seu primo descoberto em 2007: o osso das extremidades superiores é mais largo, possui uma cauda curta que termina em vértebras fundidas e tem ainda membros posteriores mais alongados.

“As descobertas de Ambopteryx e Yi mudam completamente a nossa visão sobre a origem do voo das aves”, afirmou Min Wang, paleontólogo do Instituto de Paleontologia e Paleontologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências e líder da equipa de investigadores.

O novo estudo fornece novas informações sobre a evolução dos dinossauros para se adaptarem ao voo. “Durante muito tempo, pensamos que as asas com penas eram o único dispositivo de voo” na evolução das aves, apontou Wang.

“No entanto, as novas descobertas mostram claramente que as asas membranosas também evoluíram em alguns dinossauros intimamente relacionados com as aves. Em conjunto, a amplitude e a riqueza da experimentação relacionada com o voo são maiores do que se pensava até então durante a transição dinossauro-pássaro. Estamos só a ver a ponta do icebergue”, completou o cientista.

Ambopteryx era certamente capaz de planar, assegurou o cientista, o mais difícil é saber é se conseguia “voar” a partir de uma posição estática (por impulso). Provavelmente omnívoros, estes espécimes viveram um estilo de vida arbóreo, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2019


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1947: Nova espécie de mil-pés descoberta fossilizada em âmbar. Tem 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Pavel Stoev

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova e minúscula espécie de mil-pés na Birmânia. O pequeno animal ficou fossilizado em âmbar há 99 milhões de anos.

Numa recente publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista ZooKeys, os cientistas mencionam a espécie como “anões sob as pernas de dinossauros”.

O insecto em causa (Burmanopetalum inexpectatum) mede pouco menos de um centímetro (8,2 milímetros) e é o primeiro fóssil de mil-pés da ordem Callipodida já descoberto, tal como observa o portal da Newsweek.

O investigador principal, Pavel Stoev, do Museu Nacional de História Natural da Bulgária, destacou a morfologia incomum da espécie. O animal revelou ter características tão incomuns que os cientistas tiveram que introduzir uma nova subordem.

“Imagine um pequeno mil-pés, menos de um centímetro: com os seus parentes modernos, que medem até 10 centímetros de comprimento, seria considerado um anão“, explicou o autor do estudo. “Ainda mais impressionante, é o facto deste animal ter vivido numa época em que terríveis dinossauros e enormes artrópodes vagueavam pela Terra”.

O especialista observou que muito provavelmente este mil-pés habitava o solo de “florestas de clima quente e árvores densas, como pinheiros e sequóias”.

Burmese Amber @Burmese_Amber

Figure 1. Burmanopetalum inexpectatum gen. nov. et sp. nov., female holotype (ZFMK-MYR07366) A
habitus B head, anterior-most body rings and vulvae, anterior view C antennae, lateral view D pleurotergal crests ornamentation, lateral view E telson, lateral view F legs, dorsola…

A espécie que acabamos de descrever difere do seus “parentes modernos” por ter “o último segmento [do seu corpo] especialmente projectado, que teria desempenhado um papel na sua biologia”. Faltavam-lhe também “excrescências características de cabelo nas costas, que estão presentes em todos os membros da ordem Callipodida“, acrescentou.

Pavel Stoev acrescentou ainda que o animal tinha “olhos muito simples”, enquanto que “a maioria dos seus colegas modernos tem uma visão complexa”, apontou.

A descoberta de Burmanopetalum inexpectatum ajuda a melhor compreender a história evolucionária da sua ordem. O autor do estudo ressalvou que os cientistas têm agora “fortes evidências de que esta linhagem surgiu há 99 milhões de anos”.

ZAP //

Por ZAP
9 Maio, 2019

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1838: Descoberta nova espécie de humanos nas Filipinas

CIÊNCIA

Projecto Arqueológico da Gruta de Callao

Sete dentes e cinco ossos revelaram a existência de uma espécie de humanos antigos até então desconhecidos. Uma equipa de cientistas encontrou fósseis com características distintivas da espécie, que foi baptizada de Homo luzonensis, numa caverna na ilha filipina de Luzon.

“É uma espécie completamente nova de hominídeos. Não acontece muitas vezes”, disse o arqueólogo e bioquímico Rainer Grün, da Universidade de Griffith, que conduziu os testes nos ossos, em declarações ao portal Science Alert.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta quarta-feira publicados na revista científica Nature, a espécie habitou esta área entre 50.000 e 67.000 anos.

Durante as escavações, realizadas em 2007, 2011 e 2015 na caverna de Callao, a equipa encontrou sete dentes, dois ossos dos dedos das mãos, dois ossos dos dedos dos pés e um osso da parte superior da perna.

Os restos fósseis encontrados oferecem as primeiras evidências directas da presença humana nas Filipinas. Segundo revelaram os cientistas, os restos encontrados pertenciam a, pelo menos, três indivíduos destas espécie recém-descoberta.

A análise a um dos ossos do pé, descoberto em 2007, sugere que o indivíduo pertencia ao género Homo, não sendo claro na altura a que espécie em concreto.

Os autores do estudo detalharam que outros espécimes encontrados “exibem uma combinação de características morfológicas primitivas e derivadas diferentes da combinação de características encontradas em outras espécies do género Homo”, como o Homo floresiensis e o Homo sapiens. Este mesmo motivo “garante a sua atribuição a uma nova espécie“, escreveram os cientistas.

Os ossos dos dedos das mãos e dos pés dos antigos habitantes de Luzon são curvos, indicando uma capacidade de escalar árvores semelhante às do hominídeos de há dois ou mais milhões de anos.

Nature News & Views

@NatureNV

A previously unknown human species called Homo luzonensis lived in Asia. Find out more about this amazing discovery in a terrific N&V by Matt Tocheri @mylakehead @HumanOrigins https://go.nature.com/2uWF8iW 

Espécie é contemporânea do Homo floresiensis

De acordo com a mesma publicação científica, o recém-descoberto Homo luzonensis viveu ao mesmo tempo que o Homo floresiensis, espécie de hominídeos de tamanho médio que habitavam a ilha indonésia de Flores.

O Homo floresiensis foi a primeira das espécies humanas que habitou a ilha há aproximadamente 100.000 a 60.000 anos. Ossos de indivíduos desta espécie – apelidados de hobbits devido à sua altura de apenas um metro – foram encontrados em 2003 na caverna de Liang Bua, na Indonésia.

O Homo luzonensis era não só contemporâneo dos hobbits, mas também da nossa espécie, o Homo sapiens, que surgiu na África há aproximadamente 300 mil anos. Os cientistas afirmaram que não é possível descartar a possibilidade de que a chegada da nossa espécie à região tenha contribuído para o desaparecimento do Homo luzonensis.

Os habitantes da ilha de Flores também desapareceram há cerca de 50 mil anos, ao mesmo tempo que o Homo sapiens se espalhava pela região. Quanto à estatura do Homo luzonensis, e tendo em conta o tamanho dos seus dentes, a equipa acredita que este tenha tido uma estatura muito menor do que o Homo sapiens.

Ambas as descobertas, quer na ilha de Luzon como na ilha de Flores, provam que a história da evolução humana é bem mais complicada do que se acreditava até então.

“Durante anos – e até há menos de 20 anos – a evolução humana na Ásia era vista como muito simples: o Homo erectus saiu de África, fixou-se no este e sudeste asiático e nada mais aconteceu até à chegada do Homo sapiens, há cerca de 40 ou 50 mil anos”, avançando para a conquista de todas as regiões da Terra, explicou paleoantropologista Florent Détroit, do Muséum National d’Histoire Naturelle, citado pela agência Reuters.

Com estas descobertas, “sabemos agora que a história evolucionária é muito mais complexa, com várias espécies distintas e contemporâneas do Homo sapiens, reprodução cruzada entre as espécies e até extinções”, revelou o paleoantropologista dando conta que, com toda a certeza, o Homo sapiens “não estava sozinho na Terra”.

Em declarações à TSF, Octávio Mateus, professor de Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa, rotula a descoberta como “formidável” e “extraordinária”. “Cada vez que descobrimos um humano é absolutamente espectacular”.

ZAP // Science Alert / Russia Today

Por ZAP
11 Abril, 2019

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1791: Como era a Terra há 66 milhões de anos? Esta descoberta ajuda-nos a contar a história

Um grande conjunto de fósseis em excelente estado de conservação, encontrado no Dakota do Norte, nos Estados Unidos, pode permitir identificar espécies entretanto extintas

© ROBERT DEPALMA O grupo de cientistas da Universidade do Kansas, em trabalho de campo no depósito de Tanis

Há 66 milhões de anos, um asteróide de grandes dimensões (estima-se que tivesse entre 11 e 81 quilómetros de diâmetro) caiu no sudeste do México, perto da cidade de Chicxulub, alterando para sempre a vida na Terra. A teoria de que terá sido este evento a provocar a extinção dos dinossauros e de 75% das espécies animais e vegetais do planeta é hoje dominante. Ondas gigantescas – cuja dimensão é estimada em 1600 metros, o equivalente a cerca de 11 Torres Vasco da Gama, em Lisboa – terão tido consequências catastróficas.

O que tem este acontecimento a ver com o conjunto de fósseis “extremamente bem preservados” de animais e peixes encontrado por grupo de paleontologistas no estado-norte americano do Dakota do Norte, que fica a cerca de 3000 quilómetros de Chicxulub? Aparentemente, tudo. Num estudo publicado esta segunda-feira, os cientistas da Universidade do Kansas defendem que estes fósseis fazem parte de uma imensidão de seres vivos que morreu poucos minutos depois do impacto do asteróide. Toda a fauna marinha e terrestre do período Cretáceo terá sido soterrada por uma camada de sedimentos.

Os fósseis foram encontrados num depósito que dá pelo nome de Tanis, na formação de Hell Creek, um dos sítios mais famosos e intensamente estudados de fósseis de dinossauro. Foram encontrados vestígios de “peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, ramos, troncos, amonóides [um grupo extinto de moluscos cefalópodes] e outras criaturas marinhas”, refere Robert DePalma, autor principal do estudo, ao jornal britânico “The Guardian”.

O óptimo estado de conservação dos fósseis poderá permitir identificar novas espécies de peixes e estudar melhor outras já classificadas. “A sedimentação aconteceu tão depressa que está tudo preservado em três dimensões – eles não estão esmagados”, assinala David Burnham, co-autor do estudo. Nas guelras dos peixes em melhor estado encontraram-se mesmo vestígios de esferas milimétricas de vidro (tectitos), possivelmente provenientes de uma chuva de rocha derretida.

“Estamos a analisar registos, passo a passo, de um dos momentos mais importantes da história da Terra. Em mais nenhum lugar há um registo deste tipo. Nada voltou a ser como dantes depois deste impacto. A Terra tornou-se um planeta de mamíferos em vez de um planeta de dinossauros”, resumiu Robert DePalma, que iniciou as escavações em Tanis em 2013.

msn notícias
João Pedro Barros
01/04/2019

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1654: Eis Moros, o tiranossauro “anão” que revela que o T-rex nem sempre foi Rei

(dr) Jorge Gonzalez

O Tyrannosaurus rex é celebrizado como o “rei” dos dinossauros devido ao seu enorme porte que pode atingir os 12 metros de comprimento, contudo um novo estudo, esta semana publicado, pode pôr em causa o prestígio da sua “coroa”. 

Uma equipa de paleontólogos norte-americanos, liderados pela especialista Lindsay Zanno, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu um fóssil de um tiranossauro com cerca de 77 quilogramas e menos de 1,5 metros de altura.

O pequeno fóssil, apelidado de Moros intrepidus, é o menor dinossauro do seu tipo. De acordo com as estimativas dos especialistas, viveu durante o período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, no território que hoje conhecemos como o Utah. Até então, este mini-tiranossauro é a espécie mais antiga já descoberta na América do Norte.

De acordo com a nova investigação, esta semana publicada na revista especializa Communicacions Biology, a descoberta desta espécie permitiu fechar uma lacuna que somava já 70 milhões de anos no registo fóssil.

Os paleontólogos precisavam de uma evidência esquelética dos tiranossauro norte-americanos de há 150 milhões de anos (período Jurássico ao qual pertencem os remanescentes dos tiranossauros e alossauros primitivos de tamanho médio) até há 81 milhões de anos (no Cretáceo, quando surgiram os maiores tiranossauros e os alossauros, por sua vez, tornaram-se extintos).

Na verdade, os tiranossauros nem sempre foram os enormes predadores que imaginamos hoje em dia. No início da sua evolução, explicaram os cientistas, estes animais eram carnívoros muito pequenos e caçavam juntamente com os alossauros, também carnívoros, mas de porte muito maior.

Os cientistas não sabem ainda como é que os tiranossauros atingiram o seu tamanho colossal, instalando-se depois no topo da cadeia alimentar – esse continua a ser o mistério. Contudo, os paleontólogos sabem agora que esta evolução não levou mais de 16 milhões de anos e que aconteceu apenas no final da era dos dinossauros.

“O que o Moros intrepidus faz por nós é ajudar-nos a entender quem, o quê, porquê, onde e quando os tiranossauros alcançaram o papel principal entre os predadores no subcontinente norte-americano”, rematou a principal autora da investigação, Lindsay Zanno, citado pela National Geographic.

ZAP //

Por ZAP
1 Março, 2019

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Cientistas descobrem “Rei da Antárctida”, fóssil de parente precoce dos dinossauros

Tinha o tamanho de uma iguana, provavelmente era carnívoro, e viveu na Antártida há 250 milhões de anos

O “Antarctanax Shackletoni”
© Adrienne Stroup, Field Museum

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antárctida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology (Boletim de Paleontologia de Vertebrados).

Nessa altura o que é hoje a Antárctida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antárctida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antárctida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antárctida.

Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insectos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antárctida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antárctida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antárctida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antárctida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31/01/2019

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1404: Réptil mais misterioso do Jurássico pode ter tido sangue quente

CIÊNCIA

(dr) Dean R. Lomax
Ilustração de um Ichthyosaurus

Com mais de 180 milhões de anos de idade, um fóssil do réptil marinho possui a primeira evidência química directa de sangue quente.

Um grupo internacional de cientistas estudou o fóssil extremamente bem preservado de um réptil antigo, primo dos actuais golfinhos, que viveu no oceano que se situava no território actual da Alemanha há cerca de 180 milhões de anos.

Os resultados da investigação, conduzida por investigadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, e da Universidade de Lund, na Suécia, foram publicados pela revista Nature a 5 de Dezembro.

De acordo com o estudo, as análises molecular e micro-estrutural do fóssil mostraram que o réptil marinho antigo, classificado como Stenopterygius ichthyosaur, era semelhante a um golfinho moderno e não só em aparência – provavelmente tinha sangue quente, gordura isolante e usava a coloração como camuflagem contra predadores.

“Os ictiossauros são interessantes, porque têm muitas características em comum com os golfinhos, mas não estão relacionados em tudo com estes mamíferos que vivem no mar”, disse a co-autora da pesquisa, Mary Schweitzer, paleontóloga e bióloga da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

“Não estamos seguros da sua biologia. Têm muitas características em comum com os répteis marinhos vivos, como as tartarugas, mas sabemos, graças ao registo do fóssil, que eles eram vivíparos, que está associado com o sangue quente”, acrescentou.

Primeira evidência directa de sangue quente

Johan Lindgren, professor da Universidade de Lund e principal autor do estudo, ressalta que “tanto o contorno do corpo como os restos dos órgãos internos são visíveis”. “É surpreendente que o fóssil esteja tão bem preservado ao ponto de ser possível observar camadas celulares individuais dentro da pele”, sublinhou o cientista.

Também foi observado o material quimicamente compatível com gordura de vertebrados, que só é encontrada em animais capazes de manter a temperatura corporal independente das condições ambientais. Ao aplicar uma série de técnicas especiais de alta resolução, os investigações encontraram evidências químicas de gordura subcutânea no fóssil.

“Esta é a primeira evidência química directa de sangue quente num ictiossauro, porque a gordura é uma característica de animais de sangue quente“, disse Schweitzer.

O estado de conservação permitiu ainda que fossem identificadas micro-estruturas do tipo celular que continham pequenos órgãos de pigmentos dentro da pele, assim como vestígios de um órgão interno que poderia ter sido o fígado do dinossauro.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
10 Dezembro, 2018

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1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

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1285: Fóssil com 75 milhões de anos adensa mistério sobre a extinção das aves

CIÊNCIA

Brian Engh / dontmesswithdinosaurs.com
Exemplares de Mirarce eatoni, ilustração de Brian Engh

Há mais de 65 milhões de anos, aves de centenas de espécies diferentes voavam sobre as florestas. Mas, depois do cataclismo que destruiu a maioria dos dinossauros, apenas um grupo de aves sobreviveu.

O mistério é exactamente esse: porque é que apenas uma família sobreviveu? A descoberta de um fóssil de um dos grupos extintos, “primos” das aves de hoje, aprofunda o enigma.

O fóssil com 75 milhões de anos, de um pássaro do tamanho de um peru, é o esqueleto mais completo descoberto na América do Norte dos chamados “enantiornitinos”, ou “oposto de aves” – assim chamados porque os ossos das suas patas são formados de maneira diferente nas aves modernas.

Descoberto em 1992 na área de Grand Staircase-Escalante, no Utah, pelo paleontólogo Howard Hutchison, da Universidade da Califórnia, o fóssil permaneceu relativamente intacto no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, até que a estudante de doutoramento Jessie Atterholt o começou a estudar em 2009.

Os dois investigadores colaboraram com Jingmai O’Conner, especialista em enantiornitina, para analisar o fóssil. Com base no seu estudo, publicado a 13 de Novembro na revista PeerJ, os enantiornitinos do final do período Cretáceo eram extremamente semelhantes aos ancestrais das aves de hoje, capazes de voar com agilidade.

“Sabemos que as aves no início do Cretáceo, há cerca de 115 a 130 milhões de anos, eram capazes de voar, mas não eram tão bem adaptadas como as aves modernas“, disse Atterholt. “O que este novo fóssil mostra é que os enantiornitinos desenvolveram algumas das mesmas adaptações para estilos de voo avançados altamente sofisticados”.

O osso do peito do fóssil, onde os músculos do voo se ligam, é mais profundamente desgastado do que outros enantiornitinos, o que implica um músculo maior e um voo mais forte, mais semelhante aos pássaros modernos. Em forma de V, o osso é mais semelhante ao dos pássaros modernos, ao contrário do osso com a forma de U dos pássaros anteriores.

Scott Hartman
Esqueleto de Mirarce eatoni

“Esta ave em particular tem cerca de 75 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos antes do cataclismo”, referiu a investigadora. “Uma das coisas misteriosas sobre os enantiornitinos é que os encontramos em todo o Cretáceo, durante cerca 100 milhões de anos de existência, e foram muito bem sucedidos“.

Fósseis de enantiornitinos são encontrados em todos os continentes. Em muitas áreas, são mais comuns que o grupo que levou às aves modernas”, afirmou Atterholt. “No entanto, as aves modernas sobreviveram e os enantiornitinos foram extintos”.

Uma hipótese recentemente proposta argumenta que os enantiornitinos viviam na floresta, por isso, quando a área florestal ficou envolta em fumo depois da queda do asteróide que sinalizou o fim do Cretáceo e dos dinossauros não-aviários, estas aves também desapareceram. Muitos enantiornitinos têm fortes garras curvadas, ideais para se empoleirarem e escalar.

“Acho que é uma hipótese realmente interessante e a melhor explicação que ouvi até agora”, disse Atterholt. “Mas precisamos de fazer estudos rigorosos sobre a ecologia dos enantiornitinos, porque, de momento, esta parte do quebra-cabeças não é explícita“.

ZAP // Phys

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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1270: Antigos monstros marinhos encontrados em Angola contam história do Atlântico

CIÊNCIA

5telios / Flickr
Crânio de um mosassauro

Nos primeiros tempos de vida do Oceano Atlântico Sul, eram os monstros marinhos que assumiam o comando. Alguns dos seus ossos apareceram ao longo da costa da África Ocidental e estão agora em exposição no Smithsonian Institution, em Washington, contando uma história sobre o nascimento sangrento do oceano.

Os fósseis de gigantescos répteis nadadores chamados de mosassauros foram encontrados nas falésias rochosas de Angola. Não é um país conhecido por fósseis. Aliás, poucos cientistas deram atenção, mas geologicamente, Angola é especial.

Há cerca de 200 milhões de anos, a África fazia parte do super-continente Gondwana. Há 135 milhões de anos atrás, esse continente começou a “partir-se” ao meio e entre os remanescentes  estavam a África e a América do Sul, que lentamente se afastaram.

O Oceano Atlântico Sul preenchia a lacuna entre eles. Como conta o NPR, esta foi uma época de grande turbulência oceânica, na qual ocorreram grandes mudanças no nível médio da água do mar e na temperatura. Criava-se assim um novo habitat, e as criaturas do mar lutavam para possuí-lo.

Dessa luta, saíram vitoriosos os mosassauros que se mantiveram durante mais de 30 milhões de anos. O paleontólogo Louis Jacobs, da Universidade Metodista do Sul, em Dallas,refere que os fósseis encontrados no litoral do país contam a história dos primeiros dias do oceano e de algumas das primeiras criaturas que viveram lá.

O cientista, juntamente com os seus colegas, está a reconstruir uma esqueleto de um mosassauro. Michael Polcyn começou esta tarefa na sua sala de jantar, mas o esqueleto ficou tão grande que agora está pendurado no porão do departamento da universidade. A cauda e pescoço sinuosos, a caixa torácica e um braço de aparência fraca estão pendurados por hastes e fios.

Os mosassauros eram um monstro marinho que parecia ser metade lagarto e metade orca e eram tão grandes que chegavam a medir cerca de 15 metros de comprimento. Muito provavelmente, dizem os cientistas, estes animais tinham escamas e uma poderosa barbatana caudal semelhante à de um tubarão.

Jacobs adianta que os mosassauros, estas criaturas de um passado longínquo, movimentavam-se como os lagartos. “Os seus corpos flexionavam-se de um lado para o outro.” Polcyn acrescentou que estes animais eram verdadeiros nadadores e predadores de perseguição.

Mas no Atlântico antigo, os mosassauros não estavam sozinhos: havia também tartarugas, tubarões e outros grandes répteis na época. Ainda assim, os mosassauros eram o equivalente marinho dos tiranossauros em terra.

Para Polcyn, Angola foi um verdadeiro jackpot de mosassauros. “A primeira vez que pisamos este país, foi incrível”, diz ele. “Não podíamos dar um passo sem encontrar um novo fóssil. O solo estava repleto deles.”

Os investigadores encontraram seis espécies no país africano. Jacobs diz que esta descoberta adianta mais do que a simples (mas enorme) dimensão destes animais: esta descoberta conta a história de como um novo oceano surgiu e que tipo de condições foram criadas para que isso acontecesse.

Conta como o novo Oceano Atlântico se elevou e aqueceu; como os ventos agitaram as águas profundas cheias de nutrientes, como é que os nutrientes atraíram peixes e grandes tartarugas e como é que esses animais, por sua vez, atraíram grandes tubarões e, finalmente, uma explosão de répteis gigantes.

Esta era uma história que poderia ter continuado se um asteróide não tivesse atingido a Terra e acabado com os répteis gigantes e com os dinossauros, dando lugar a mamíferos peludos como nós.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2018

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