2400: Cientistas encontraram a “Millennium Falcon dos mares”

CIÊNCIA

 

 

A criatura marinha com 500 milhões de anos, encontrada no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, tem semelhanças com a famosa nave da Guerra das Estrelas.

Trata-se de uma criatura marinha carnívora, que usava as suas garras como um ancinho para apanhar as suas presas e que estava protegida por uma enorme concha com pontas afiadas.

“O corpo é um bocadinho ridículo. Tem uma cabeça gigantesca, com uma concha gigantesca e minúsculas barbatanas por baixo. Portanto, há alguma coisa que parece disfuncional na sua capacidade de nadar de forma eficiente”, afirma o co-investigador do estudo Jean-Bernard Caron, curador de paleontologia de invertebrados no Royal Ontario Museum, no Canadá, citado pelo Live Science.

Os investigadores baptizaram esta criatura com 506 milhões de anos de Cambroraster falcatus. O nome que identifica o género – Cambroraster – faz referência ao período Cambriano e à palavra em latim “rastrum”, que significa “ancinho”. O nome da espécie – falcatus – é uma homenagem à Millennium Falcon, mítica nave da Guerra das Estrelas.

Caron e a restante equipa encontraram os fósseis do C. falcatus pela primeira vez em 2012, durante uma escavação no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, um local famoso pelos tesouros de fósseis cambrianos.

Jean-Bernard Caron / Royal Ontario Museum
Cambroraster falcatus

Porém, foi apenas em 2018 que encontraram um local com muitos destes “animais nave”, assim apelidados pelos paleontólogos. O grande grupo indicou que “não eram predadores isolados”, mas sim que “viviam em grandes grupos”, explica Caron.

O agora extinto C. falcatus era um tipo de artrópode primitivo conhecido como radiodonte, um parente distante das aranhas, crustáceos e insectos modernos. Dos 140 espécimes descobertos pelos paleontólogos, a maioria em idade adulta era do tamanho da mão de uma pessoa, embora o maior tenha medido cerca de 30 centímetros de comprimento.

“Este tamanho devia ser ainda mais impressionante na altura em que foi vivo, uma vez que a maioria dos animais durante o período Cambriano eram mais pequenos do que o nosso mindinho”, declara Joe Moysiuk, estudante de doutoramento em ecologia e biologia evolutiva na Universidade de Toronto, que tem a sua sede no Royal Ontario Museum.

De acordo com Caron e Moysiuk, este animal usou provavelmente as suas garras em forma de ancinho para para peneirar os sedimentos do fundo do mar. Também é possível que tenha usado a carapaça para atravessar a lama e descobrir alimento.

O estudo foi publicado, esta quarta-feira, na revista Proceedings of the Royal Society B.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2019

 

2384: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

ZAP //

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28 Julho, 2019

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2242: Fóssil de ave três vezes maior que avestruz descoberto na Crimeia. Pesava meia tonelada

CIÊNCIA

Andrey Atuchin

Um fóssil de uma ave três vezes maior do que uma avestruz foi descoberto numa gruta da Crimeia, sugerindo que os primeiros europeus conviveram com uma das maiores aves conhecidas.

A descoberta é esta quinta-feira relatada na revista científica “Journal of Vertebrate Paleontology”, na qual se diz que até agora se pensava que aves tão grandes só tinham existido nas ilhas de Madagáscar e da Nova Zelândia.

A espécie descoberta numa caverna de Táurida, na costa do Mar Negro, remete para uma ave tão grande como o pássaro-elefante de Madagáscar ou o moa da Nova Zelândia.

“Quando senti pela primeira vez o peso da ave cujo osso da coxa eu segurava na mão pensei que devia ser um fóssil de um pássaro-elefante malgaxe, porque nenhuma ave desse tamanho tinha sido alguma vez encontrada na Europa. No entanto, a estrutura do osso contou uma história diferente”, disse o autor principal da descoberta agora relatada, Nikita Zelenkov, da Academia Russa de Ciências.

Ressalvando que ainda não há dados suficientes para dizer se a ave se relaciona com as avestruzes ou não, o investigador estimou que pesaria cerca de 450 quilos, quase o dobro da maior moa, três vezes maior que a maior ave viva, a avestruz, e quase tão grande como um urso polar adulto.

Esta é a primeira vez que uma ave assim tão grande, atribuída à espécie “Pachystruthio dmanisensis”, é relatada em qualquer lugar do hemisfério norte. Teria pelo menos 3,5 metros de altura e não voava. Tal como frisa o jornal espanhol ABC, esta ave é uma das maiores de todos os tempos até agora descoberta.

Os investigadores notam ainda que devia ser uma melhor corredora do que o pássaro-elefante, devido ao fémur relativamente longo e fino. Outros fósseis encontrados ao lado da ave ajudam a avançar que tenha vivido num período entre 1,5 a dois milhões de anos.

A rede de cavernas de Táurida só foi descoberta no verão passado, quando estava a ser construída uma nova autoestrada. No ano passado foram desenterrados restos de mamutes e pode haver muitas mais informações no local sobre o passado distante da Europa, disse Zelenkov.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Junho, 2019

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2037: Encontrados os fungos mais antigos do mundo. Têm mil milhões de anos

CIÊNCIA

Corentin Loron / Universidade de Liège
Ourasphaira giraldae, o fungo encontrado no Canadá e tido como o mais antigo do mundo.

Fungos descobertos no Canadá, com mil milhões de anos, são os mais antigo de sempre. Anteriormente, pensava-se que os fungos apenas teriam aparecido na Terra há 500 milhões de anos.

A descoberta deste fungos no Canadá vem mudar completamente a forma como olhamos para o desenvolvimento da vida na Terra. O estudo publicado, esta quarta-feira, na revista Nature, relata que os cientistas desenterraram os fungos fossilizados mais antigos de sempre.

Segundo o The Guardian, os organismos foram descobertos em xistos de águas rasas, no sul da ilha Victoria. Os cientistas identificaram o organismo como Ourasphaira giraldae.

Através do microscópio, os cientistas conseguiram descobrir diferenças claras nestes fungos, nomeadamente os seus esporos esféricos, os filamentos ramificados que os ligam e as paredes celulares de duas camadas.

Com mil milhões de anos, estes fungos apareceram no nosso planeta há pelo menos o dobro do tempo que pensávamos. Os cientistas conseguiram datar os fungos após examinarem a idade da rocha em que foram encontrados através da proporção de elementos radioactivos.

A preservação é tão boa que ainda temos os compostos orgânicos“, disse a líder do estudo, Corentin Loron. Estes micro-organismos estão em condições intactas devido a terem ficado presos em lama solidificada, que impedia a entrada de oxigénio e a sua consequente decomposição.

A descoberta é de grande importância, uma vez que fungos fazem parte do mesmo grupo de organismos que as plantas e os animais. Ou seja, isto significa que se os fungos estavam presentas há mil milhões de anos atrás, também os animais devem ter estado.

“Não estamos a falar de nada grande como dinossauros. Seria algo muito simples. Talvez uma espécie de esponja“, disse a cientista.

Isto remodela a nossa visão do mundo, porque esses grupos ainda estão hoje presentes. Portanto, esse passado distante, embora muito diferente de hoje, pode ter sido muito mais ‘moderno’ do que aquilo que pensávamos”, explicou Loron, citada pelo Phys.

ZAP //

Por ZAP
24 Maio, 2019

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2002: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



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1962: Descoberto dinossauro do Jurássico que voava com asas de morcego

CIÊNCIA

Uma nova investigação, levado a cabo por paleontólogos da Academia Chinesa de Ciências, descobriu uma espécie de dinossauro nunca antes documentada, que tem penas e asas semelhantes às de um morcego, utilizadas para planar. 

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature, o fóssil analisado foi encontrado em 2017 na província de Liaoning, na China. Ambopteryx longibrachium pertence à ordem dos Scansoriopterygidae e terá habitado a Terra há cerca de 163 milhões de anos, durante o Jurássico.

A espécie, de pequenas dimensões (32 centímetros de comprimento e 306 gramas de peso) – da mesma envergadura de uma pega -, tinha uma membrana larga, lisa e macia, que se estendia do corpo aos antebraços.

Em 2007, outro aparente dinossauro desta espécie tinha sido encontrado na província de Henbei. Na época, foi baptizado de “Yi qi” (que significa “asa estranha”). Os especialistas sugeriram que se tratava de um dos primeiros animais planadores, já que tinham asas semelhantes às de um morcego, contudo a sustentação não foi aceite pela comunidade científica até a descoberta deste novo espécime.

Apesar de pertencer à mesma família, o Ambopteryx apresenta diferenças notáveis comparativamente com o seu primo descoberto em 2007: o osso das extremidades superiores é mais largo, possui uma cauda curta que termina em vértebras fundidas e tem ainda membros posteriores mais alongados.

“As descobertas de Ambopteryx e Yi mudam completamente a nossa visão sobre a origem do voo das aves”, afirmou Min Wang, paleontólogo do Instituto de Paleontologia e Paleontologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências e líder da equipa de investigadores.

O novo estudo fornece novas informações sobre a evolução dos dinossauros para se adaptarem ao voo. “Durante muito tempo, pensamos que as asas com penas eram o único dispositivo de voo” na evolução das aves, apontou Wang.

“No entanto, as novas descobertas mostram claramente que as asas membranosas também evoluíram em alguns dinossauros intimamente relacionados com as aves. Em conjunto, a amplitude e a riqueza da experimentação relacionada com o voo são maiores do que se pensava até então durante a transição dinossauro-pássaro. Estamos só a ver a ponta do icebergue”, completou o cientista.

Ambopteryx era certamente capaz de planar, assegurou o cientista, o mais difícil é saber é se conseguia “voar” a partir de uma posição estática (por impulso). Provavelmente omnívoros, estes espécimes viveram um estilo de vida arbóreo, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2019


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1947: Nova espécie de mil-pés descoberta fossilizada em âmbar. Tem 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Pavel Stoev

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova e minúscula espécie de mil-pés na Birmânia. O pequeno animal ficou fossilizado em âmbar há 99 milhões de anos.

Numa recente publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista ZooKeys, os cientistas mencionam a espécie como “anões sob as pernas de dinossauros”.

O insecto em causa (Burmanopetalum inexpectatum) mede pouco menos de um centímetro (8,2 milímetros) e é o primeiro fóssil de mil-pés da ordem Callipodida já descoberto, tal como observa o portal da Newsweek.

O investigador principal, Pavel Stoev, do Museu Nacional de História Natural da Bulgária, destacou a morfologia incomum da espécie. O animal revelou ter características tão incomuns que os cientistas tiveram que introduzir uma nova subordem.

“Imagine um pequeno mil-pés, menos de um centímetro: com os seus parentes modernos, que medem até 10 centímetros de comprimento, seria considerado um anão“, explicou o autor do estudo. “Ainda mais impressionante, é o facto deste animal ter vivido numa época em que terríveis dinossauros e enormes artrópodes vagueavam pela Terra”.

O especialista observou que muito provavelmente este mil-pés habitava o solo de “florestas de clima quente e árvores densas, como pinheiros e sequóias”.

Burmese Amber @Burmese_Amber

Figure 1. Burmanopetalum inexpectatum gen. nov. et sp. nov., female holotype (ZFMK-MYR07366) A
habitus B head, anterior-most body rings and vulvae, anterior view C antennae, lateral view D pleurotergal crests ornamentation, lateral view E telson, lateral view F legs, dorsola…

A espécie que acabamos de descrever difere do seus “parentes modernos” por ter “o último segmento [do seu corpo] especialmente projectado, que teria desempenhado um papel na sua biologia”. Faltavam-lhe também “excrescências características de cabelo nas costas, que estão presentes em todos os membros da ordem Callipodida“, acrescentou.

Pavel Stoev acrescentou ainda que o animal tinha “olhos muito simples”, enquanto que “a maioria dos seus colegas modernos tem uma visão complexa”, apontou.

A descoberta de Burmanopetalum inexpectatum ajuda a melhor compreender a história evolucionária da sua ordem. O autor do estudo ressalvou que os cientistas têm agora “fortes evidências de que esta linhagem surgiu há 99 milhões de anos”.

ZAP //

Por ZAP
9 Maio, 2019

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1838: Descoberta nova espécie de humanos nas Filipinas

CIÊNCIA

Projecto Arqueológico da Gruta de Callao

Sete dentes e cinco ossos revelaram a existência de uma espécie de humanos antigos até então desconhecidos. Uma equipa de cientistas encontrou fósseis com características distintivas da espécie, que foi baptizada de Homo luzonensis, numa caverna na ilha filipina de Luzon.

“É uma espécie completamente nova de hominídeos. Não acontece muitas vezes”, disse o arqueólogo e bioquímico Rainer Grün, da Universidade de Griffith, que conduziu os testes nos ossos, em declarações ao portal Science Alert.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta quarta-feira publicados na revista científica Nature, a espécie habitou esta área entre 50.000 e 67.000 anos.

Durante as escavações, realizadas em 2007, 2011 e 2015 na caverna de Callao, a equipa encontrou sete dentes, dois ossos dos dedos das mãos, dois ossos dos dedos dos pés e um osso da parte superior da perna.

Os restos fósseis encontrados oferecem as primeiras evidências directas da presença humana nas Filipinas. Segundo revelaram os cientistas, os restos encontrados pertenciam a, pelo menos, três indivíduos destas espécie recém-descoberta.

A análise a um dos ossos do pé, descoberto em 2007, sugere que o indivíduo pertencia ao género Homo, não sendo claro na altura a que espécie em concreto.

Os autores do estudo detalharam que outros espécimes encontrados “exibem uma combinação de características morfológicas primitivas e derivadas diferentes da combinação de características encontradas em outras espécies do género Homo”, como o Homo floresiensis e o Homo sapiens. Este mesmo motivo “garante a sua atribuição a uma nova espécie“, escreveram os cientistas.

Os ossos dos dedos das mãos e dos pés dos antigos habitantes de Luzon são curvos, indicando uma capacidade de escalar árvores semelhante às do hominídeos de há dois ou mais milhões de anos.

Nature News & Views

@NatureNV

A previously unknown human species called Homo luzonensis lived in Asia. Find out more about this amazing discovery in a terrific N&V by Matt Tocheri @mylakehead @HumanOrigins https://go.nature.com/2uWF8iW 

Espécie é contemporânea do Homo floresiensis

De acordo com a mesma publicação científica, o recém-descoberto Homo luzonensis viveu ao mesmo tempo que o Homo floresiensis, espécie de hominídeos de tamanho médio que habitavam a ilha indonésia de Flores.

O Homo floresiensis foi a primeira das espécies humanas que habitou a ilha há aproximadamente 100.000 a 60.000 anos. Ossos de indivíduos desta espécie – apelidados de hobbits devido à sua altura de apenas um metro – foram encontrados em 2003 na caverna de Liang Bua, na Indonésia.

O Homo luzonensis era não só contemporâneo dos hobbits, mas também da nossa espécie, o Homo sapiens, que surgiu na África há aproximadamente 300 mil anos. Os cientistas afirmaram que não é possível descartar a possibilidade de que a chegada da nossa espécie à região tenha contribuído para o desaparecimento do Homo luzonensis.

Os habitantes da ilha de Flores também desapareceram há cerca de 50 mil anos, ao mesmo tempo que o Homo sapiens se espalhava pela região. Quanto à estatura do Homo luzonensis, e tendo em conta o tamanho dos seus dentes, a equipa acredita que este tenha tido uma estatura muito menor do que o Homo sapiens.

Ambas as descobertas, quer na ilha de Luzon como na ilha de Flores, provam que a história da evolução humana é bem mais complicada do que se acreditava até então.

“Durante anos – e até há menos de 20 anos – a evolução humana na Ásia era vista como muito simples: o Homo erectus saiu de África, fixou-se no este e sudeste asiático e nada mais aconteceu até à chegada do Homo sapiens, há cerca de 40 ou 50 mil anos”, avançando para a conquista de todas as regiões da Terra, explicou paleoantropologista Florent Détroit, do Muséum National d’Histoire Naturelle, citado pela agência Reuters.

Com estas descobertas, “sabemos agora que a história evolucionária é muito mais complexa, com várias espécies distintas e contemporâneas do Homo sapiens, reprodução cruzada entre as espécies e até extinções”, revelou o paleoantropologista dando conta que, com toda a certeza, o Homo sapiens “não estava sozinho na Terra”.

Em declarações à TSF, Octávio Mateus, professor de Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa, rotula a descoberta como “formidável” e “extraordinária”. “Cada vez que descobrimos um humano é absolutamente espectacular”.

ZAP // Science Alert / Russia Today

Por ZAP
11 Abril, 2019

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1791: Como era a Terra há 66 milhões de anos? Esta descoberta ajuda-nos a contar a história

Um grande conjunto de fósseis em excelente estado de conservação, encontrado no Dakota do Norte, nos Estados Unidos, pode permitir identificar espécies entretanto extintas

© ROBERT DEPALMA O grupo de cientistas da Universidade do Kansas, em trabalho de campo no depósito de Tanis

Há 66 milhões de anos, um asteróide de grandes dimensões (estima-se que tivesse entre 11 e 81 quilómetros de diâmetro) caiu no sudeste do México, perto da cidade de Chicxulub, alterando para sempre a vida na Terra. A teoria de que terá sido este evento a provocar a extinção dos dinossauros e de 75% das espécies animais e vegetais do planeta é hoje dominante. Ondas gigantescas – cuja dimensão é estimada em 1600 metros, o equivalente a cerca de 11 Torres Vasco da Gama, em Lisboa – terão tido consequências catastróficas.

O que tem este acontecimento a ver com o conjunto de fósseis “extremamente bem preservados” de animais e peixes encontrado por grupo de paleontologistas no estado-norte americano do Dakota do Norte, que fica a cerca de 3000 quilómetros de Chicxulub? Aparentemente, tudo. Num estudo publicado esta segunda-feira, os cientistas da Universidade do Kansas defendem que estes fósseis fazem parte de uma imensidão de seres vivos que morreu poucos minutos depois do impacto do asteróide. Toda a fauna marinha e terrestre do período Cretáceo terá sido soterrada por uma camada de sedimentos.

Os fósseis foram encontrados num depósito que dá pelo nome de Tanis, na formação de Hell Creek, um dos sítios mais famosos e intensamente estudados de fósseis de dinossauro. Foram encontrados vestígios de “peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, ramos, troncos, amonóides [um grupo extinto de moluscos cefalópodes] e outras criaturas marinhas”, refere Robert DePalma, autor principal do estudo, ao jornal britânico “The Guardian”.

O óptimo estado de conservação dos fósseis poderá permitir identificar novas espécies de peixes e estudar melhor outras já classificadas. “A sedimentação aconteceu tão depressa que está tudo preservado em três dimensões – eles não estão esmagados”, assinala David Burnham, co-autor do estudo. Nas guelras dos peixes em melhor estado encontraram-se mesmo vestígios de esferas milimétricas de vidro (tectitos), possivelmente provenientes de uma chuva de rocha derretida.

“Estamos a analisar registos, passo a passo, de um dos momentos mais importantes da história da Terra. Em mais nenhum lugar há um registo deste tipo. Nada voltou a ser como dantes depois deste impacto. A Terra tornou-se um planeta de mamíferos em vez de um planeta de dinossauros”, resumiu Robert DePalma, que iniciou as escavações em Tanis em 2013.

msn notícias
João Pedro Barros
01/04/2019

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1654: Eis Moros, o tiranossauro “anão” que revela que o T-rex nem sempre foi Rei

(dr) Jorge Gonzalez

O Tyrannosaurus rex é celebrizado como o “rei” dos dinossauros devido ao seu enorme porte que pode atingir os 12 metros de comprimento, contudo um novo estudo, esta semana publicado, pode pôr em causa o prestígio da sua “coroa”. 

Uma equipa de paleontólogos norte-americanos, liderados pela especialista Lindsay Zanno, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu um fóssil de um tiranossauro com cerca de 77 quilogramas e menos de 1,5 metros de altura.

O pequeno fóssil, apelidado de Moros intrepidus, é o menor dinossauro do seu tipo. De acordo com as estimativas dos especialistas, viveu durante o período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, no território que hoje conhecemos como o Utah. Até então, este mini-tiranossauro é a espécie mais antiga já descoberta na América do Norte.

De acordo com a nova investigação, esta semana publicada na revista especializa Communicacions Biology, a descoberta desta espécie permitiu fechar uma lacuna que somava já 70 milhões de anos no registo fóssil.

Os paleontólogos precisavam de uma evidência esquelética dos tiranossauro norte-americanos de há 150 milhões de anos (período Jurássico ao qual pertencem os remanescentes dos tiranossauros e alossauros primitivos de tamanho médio) até há 81 milhões de anos (no Cretáceo, quando surgiram os maiores tiranossauros e os alossauros, por sua vez, tornaram-se extintos).

Na verdade, os tiranossauros nem sempre foram os enormes predadores que imaginamos hoje em dia. No início da sua evolução, explicaram os cientistas, estes animais eram carnívoros muito pequenos e caçavam juntamente com os alossauros, também carnívoros, mas de porte muito maior.

Os cientistas não sabem ainda como é que os tiranossauros atingiram o seu tamanho colossal, instalando-se depois no topo da cadeia alimentar – esse continua a ser o mistério. Contudo, os paleontólogos sabem agora que esta evolução não levou mais de 16 milhões de anos e que aconteceu apenas no final da era dos dinossauros.

“O que o Moros intrepidus faz por nós é ajudar-nos a entender quem, o quê, porquê, onde e quando os tiranossauros alcançaram o papel principal entre os predadores no subcontinente norte-americano”, rematou a principal autora da investigação, Lindsay Zanno, citado pela National Geographic.

ZAP //

Por ZAP
1 Março, 2019

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Cientistas descobrem “Rei da Antárctida”, fóssil de parente precoce dos dinossauros

Tinha o tamanho de uma iguana, provavelmente era carnívoro, e viveu na Antártida há 250 milhões de anos

O “Antarctanax Shackletoni”
© Adrienne Stroup, Field Museum

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antárctida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology (Boletim de Paleontologia de Vertebrados).

Nessa altura o que é hoje a Antárctida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antárctida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antárctida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antárctida.

Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insectos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antárctida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antárctida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antárctida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antárctida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31/01/2019

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1404: Réptil mais misterioso do Jurássico pode ter tido sangue quente

CIÊNCIA

(dr) Dean R. Lomax
Ilustração de um Ichthyosaurus

Com mais de 180 milhões de anos de idade, um fóssil do réptil marinho possui a primeira evidência química directa de sangue quente.

Um grupo internacional de cientistas estudou o fóssil extremamente bem preservado de um réptil antigo, primo dos actuais golfinhos, que viveu no oceano que se situava no território actual da Alemanha há cerca de 180 milhões de anos.

Os resultados da investigação, conduzida por investigadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, e da Universidade de Lund, na Suécia, foram publicados pela revista Nature a 5 de Dezembro.

De acordo com o estudo, as análises molecular e micro-estrutural do fóssil mostraram que o réptil marinho antigo, classificado como Stenopterygius ichthyosaur, era semelhante a um golfinho moderno e não só em aparência – provavelmente tinha sangue quente, gordura isolante e usava a coloração como camuflagem contra predadores.

“Os ictiossauros são interessantes, porque têm muitas características em comum com os golfinhos, mas não estão relacionados em tudo com estes mamíferos que vivem no mar”, disse a co-autora da pesquisa, Mary Schweitzer, paleontóloga e bióloga da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

“Não estamos seguros da sua biologia. Têm muitas características em comum com os répteis marinhos vivos, como as tartarugas, mas sabemos, graças ao registo do fóssil, que eles eram vivíparos, que está associado com o sangue quente”, acrescentou.

Primeira evidência directa de sangue quente

Johan Lindgren, professor da Universidade de Lund e principal autor do estudo, ressalta que “tanto o contorno do corpo como os restos dos órgãos internos são visíveis”. “É surpreendente que o fóssil esteja tão bem preservado ao ponto de ser possível observar camadas celulares individuais dentro da pele”, sublinhou o cientista.

Também foi observado o material quimicamente compatível com gordura de vertebrados, que só é encontrada em animais capazes de manter a temperatura corporal independente das condições ambientais. Ao aplicar uma série de técnicas especiais de alta resolução, os investigações encontraram evidências químicas de gordura subcutânea no fóssil.

“Esta é a primeira evidência química directa de sangue quente num ictiossauro, porque a gordura é uma característica de animais de sangue quente“, disse Schweitzer.

O estado de conservação permitiu ainda que fossem identificadas micro-estruturas do tipo celular que continham pequenos órgãos de pigmentos dentro da pele, assim como vestígios de um órgão interno que poderia ter sido o fígado do dinossauro.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
10 Dezembro, 2018

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1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

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1285: Fóssil com 75 milhões de anos adensa mistério sobre a extinção das aves

CIÊNCIA

Brian Engh / dontmesswithdinosaurs.com
Exemplares de Mirarce eatoni, ilustração de Brian Engh

Há mais de 65 milhões de anos, aves de centenas de espécies diferentes voavam sobre as florestas. Mas, depois do cataclismo que destruiu a maioria dos dinossauros, apenas um grupo de aves sobreviveu.

O mistério é exactamente esse: porque é que apenas uma família sobreviveu? A descoberta de um fóssil de um dos grupos extintos, “primos” das aves de hoje, aprofunda o enigma.

O fóssil com 75 milhões de anos, de um pássaro do tamanho de um peru, é o esqueleto mais completo descoberto na América do Norte dos chamados “enantiornitinos”, ou “oposto de aves” – assim chamados porque os ossos das suas patas são formados de maneira diferente nas aves modernas.

Descoberto em 1992 na área de Grand Staircase-Escalante, no Utah, pelo paleontólogo Howard Hutchison, da Universidade da Califórnia, o fóssil permaneceu relativamente intacto no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, até que a estudante de doutoramento Jessie Atterholt o começou a estudar em 2009.

Os dois investigadores colaboraram com Jingmai O’Conner, especialista em enantiornitina, para analisar o fóssil. Com base no seu estudo, publicado a 13 de Novembro na revista PeerJ, os enantiornitinos do final do período Cretáceo eram extremamente semelhantes aos ancestrais das aves de hoje, capazes de voar com agilidade.

“Sabemos que as aves no início do Cretáceo, há cerca de 115 a 130 milhões de anos, eram capazes de voar, mas não eram tão bem adaptadas como as aves modernas“, disse Atterholt. “O que este novo fóssil mostra é que os enantiornitinos desenvolveram algumas das mesmas adaptações para estilos de voo avançados altamente sofisticados”.

O osso do peito do fóssil, onde os músculos do voo se ligam, é mais profundamente desgastado do que outros enantiornitinos, o que implica um músculo maior e um voo mais forte, mais semelhante aos pássaros modernos. Em forma de V, o osso é mais semelhante ao dos pássaros modernos, ao contrário do osso com a forma de U dos pássaros anteriores.

Scott Hartman
Esqueleto de Mirarce eatoni

“Esta ave em particular tem cerca de 75 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos antes do cataclismo”, referiu a investigadora. “Uma das coisas misteriosas sobre os enantiornitinos é que os encontramos em todo o Cretáceo, durante cerca 100 milhões de anos de existência, e foram muito bem sucedidos“.

Fósseis de enantiornitinos são encontrados em todos os continentes. Em muitas áreas, são mais comuns que o grupo que levou às aves modernas”, afirmou Atterholt. “No entanto, as aves modernas sobreviveram e os enantiornitinos foram extintos”.

Uma hipótese recentemente proposta argumenta que os enantiornitinos viviam na floresta, por isso, quando a área florestal ficou envolta em fumo depois da queda do asteróide que sinalizou o fim do Cretáceo e dos dinossauros não-aviários, estas aves também desapareceram. Muitos enantiornitinos têm fortes garras curvadas, ideais para se empoleirarem e escalar.

“Acho que é uma hipótese realmente interessante e a melhor explicação que ouvi até agora”, disse Atterholt. “Mas precisamos de fazer estudos rigorosos sobre a ecologia dos enantiornitinos, porque, de momento, esta parte do quebra-cabeças não é explícita“.

ZAP // Phys

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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1270: Antigos monstros marinhos encontrados em Angola contam história do Atlântico

CIÊNCIA

5telios / Flickr
Crânio de um mosassauro

Nos primeiros tempos de vida do Oceano Atlântico Sul, eram os monstros marinhos que assumiam o comando. Alguns dos seus ossos apareceram ao longo da costa da África Ocidental e estão agora em exposição no Smithsonian Institution, em Washington, contando uma história sobre o nascimento sangrento do oceano.

Os fósseis de gigantescos répteis nadadores chamados de mosassauros foram encontrados nas falésias rochosas de Angola. Não é um país conhecido por fósseis. Aliás, poucos cientistas deram atenção, mas geologicamente, Angola é especial.

Há cerca de 200 milhões de anos, a África fazia parte do super-continente Gondwana. Há 135 milhões de anos atrás, esse continente começou a “partir-se” ao meio e entre os remanescentes  estavam a África e a América do Sul, que lentamente se afastaram.

O Oceano Atlântico Sul preenchia a lacuna entre eles. Como conta o NPR, esta foi uma época de grande turbulência oceânica, na qual ocorreram grandes mudanças no nível médio da água do mar e na temperatura. Criava-se assim um novo habitat, e as criaturas do mar lutavam para possuí-lo.

Dessa luta, saíram vitoriosos os mosassauros que se mantiveram durante mais de 30 milhões de anos. O paleontólogo Louis Jacobs, da Universidade Metodista do Sul, em Dallas,refere que os fósseis encontrados no litoral do país contam a história dos primeiros dias do oceano e de algumas das primeiras criaturas que viveram lá.

O cientista, juntamente com os seus colegas, está a reconstruir uma esqueleto de um mosassauro. Michael Polcyn começou esta tarefa na sua sala de jantar, mas o esqueleto ficou tão grande que agora está pendurado no porão do departamento da universidade. A cauda e pescoço sinuosos, a caixa torácica e um braço de aparência fraca estão pendurados por hastes e fios.

Os mosassauros eram um monstro marinho que parecia ser metade lagarto e metade orca e eram tão grandes que chegavam a medir cerca de 15 metros de comprimento. Muito provavelmente, dizem os cientistas, estes animais tinham escamas e uma poderosa barbatana caudal semelhante à de um tubarão.

Jacobs adianta que os mosassauros, estas criaturas de um passado longínquo, movimentavam-se como os lagartos. “Os seus corpos flexionavam-se de um lado para o outro.” Polcyn acrescentou que estes animais eram verdadeiros nadadores e predadores de perseguição.

Mas no Atlântico antigo, os mosassauros não estavam sozinhos: havia também tartarugas, tubarões e outros grandes répteis na época. Ainda assim, os mosassauros eram o equivalente marinho dos tiranossauros em terra.

Para Polcyn, Angola foi um verdadeiro jackpot de mosassauros. “A primeira vez que pisamos este país, foi incrível”, diz ele. “Não podíamos dar um passo sem encontrar um novo fóssil. O solo estava repleto deles.”

Os investigadores encontraram seis espécies no país africano. Jacobs diz que esta descoberta adianta mais do que a simples (mas enorme) dimensão destes animais: esta descoberta conta a história de como um novo oceano surgiu e que tipo de condições foram criadas para que isso acontecesse.

Conta como o novo Oceano Atlântico se elevou e aqueceu; como os ventos agitaram as águas profundas cheias de nutrientes, como é que os nutrientes atraíram peixes e grandes tartarugas e como é que esses animais, por sua vez, atraíram grandes tubarões e, finalmente, uma explosão de répteis gigantes.

Esta era uma história que poderia ter continuado se um asteróide não tivesse atingido a Terra e acabado com os répteis gigantes e com os dinossauros, dando lugar a mamíferos peludos como nós.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2018

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1268: Já se conhece o novo rosto do povo de Luzia, o mais antigo fóssil humano brasileiro

CIÊNCIA

(dr) Caroline Wilkinson
Reconstrução facial de um homem pertencente ao povo de Luzia

Um homem que viveu há dez mil anos em território agora brasileiro acaba de ter o seu rosto recriado, incorporando novos dados genéticos sobre a sua população.

O fóssil de Luzia, um dos esqueletos humanos mais antigos das Américas, descoberto no Brasil em 1975, ficou conhecido após o incêndio que destruiu o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro em Setembro. Mas, apesar desta tragédia, foram recuperados cerca de 80% dos seus ossos.

Agora, e pela primeira vez, conseguiu-se extrair ADN de fósseis do povo de Luzia, em conjunto com uma análise genética em larga escala de esqueletos de pessoas que viveram há vários milénios pelas Américas, e, assim, reconstituiu-se uma parte da história complexa das migrações humanas deste continente muito antes da chegada dos europeus.

Através destas informações genéticas, fez-se uma nova reconstituição facial do povo de Luzia. E eis o resultado final: o novo rosto deste povo.

O fóssil foi descoberto na região de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais, numa missão franco-brasileira liderada pela arqueóloga Annette Laming-Emperaire, e pertence a uma mulher, que teria à volta de 20 anos na altura da morte.

Mas entre a sua descoberta e a sua valorização científica, passaram-se 20 anos em que não houve qualquer tipo de investigação. Em 1995, o antropólogo e arqueólogo Walter Alves Neves estudou a morfologia do crânio de Luzia e baptizou-a com este nome numa alusão a Lucy, o fóssil famoso de uma fêmea com 3,5 milhões de anos de Australopithecus afarensis, descoberto na Etiópia em 1974.

A partir do estudo da forma dos crânios de Lagoa Santa, incluindo o de Luzia, Walter Alves Neves  propôs que os grupos de humanos que habitavam há dez mil anos essa região tinham uma ligação recente a populações de África, da Melanésia e Austrália.

Assim, o povo de Luzia não seria nativo americano, mas sim não-ameríndio, representando uma população que teria chegado à América antes dos antepassados dos ameríndios actuais. Isto porque, segundo esta hipótese denominada “paleoamericana”, a forma do seu crânio era diferente da dos ameríndios de hoje.

O especialista britânico Richard Neave fez uma reconstituição facial de Luzia baseando-se nesta hipótese de Walter Neves ainda na década de 1990, tendo sido apresentada como tendo uma fisionomia marcadamente africana.

Agora, estes novos resultados baseiam-se em análises de ADN extraído pela primeira vez de dez esqueletos de Lagoa Santa e vêm indicar que Luzia e os seus conterrâneos não tinham uma ligação recente a grupos humanos da Melanésia ou da Austrália. Afinal, Luzia e o seu povo já eram de origem ameríndia, avança o Público.

“A forma do crânio não é um marcador confiável de ancestralidade ou de origem geográfica. A genética, por seu lado, é a técnica que se presta por excelência a esse tipo de inferência”, acrescenta o comunicado sobre esta investigação, publicada esta quinta-feira na Cell.

Desta forma, a nova fisionomia apresenta um indivíduo masculino, pertence ao povo de Luzia. Desta vez, a recriação forense ficou a cargo da antropóloga Caroline Wilkinson, da Universidade John Moores, em Liverpool.

A especialista britânica utilizou um modelo digital retro-deformado do crânio antigo de um homem da região de Lagoa Santa. “É comum que os fósseis sejam deformados com a passagem do tempo. Esse método remove essa deformação usando algoritmos matemáticos em ambiente virtual 3D”, explica-nos André Strauss, um dos autores do artigo.

“Por mais acostumados que estejamos com a tradicional reconstrução facial de Luzia, com traços fortemente africanos, a nova reconstrução reflete de forma muito mais precisa a fisionomia dos primeiros habitantes do Brasil, apresentando traços generalizados e indistintos a partir dos quais, ao longo de milhares de anos, a grande diversidade ameríndia se estabeleceu”, adianta o comunicado.

Mas, se não veio de uma onda migratória recente da Melanésia ou da Austrália, então de onde veio o povo de Luzia?

Há mais de 20 mil anos não havia pessoas nas Américas. Mas, nessa altura, havia já uma população vinda da Ásia instalada na região onde hoje é o estreito de Bering. Na altura, em vez do estreito de Bering, havia uma ponte terrestre, a Beríngia, que os beringianos antigos começaram a utilizar para avançar pelo continente americano adentro.

Foi desta forma que há 20 mil anos, segundo os dados arqueológicos e genéticos, começou a chegar ao Novo Mundo uma única população numa onda migratória.

Cultura Clóvis

Os autores desta artigo, conforme explica o jornal, estabeleceram uma relação até agora totalmente desconhecida entre os humanos da cultura Clóvis e o povo de Luzia, configurando assim uma das maiores descobertas deste estudo.

Apesar de nunca terem sido encontrados artefactos da cultura Clóvis na América do Sul, o que sugeria que este povo não tinha migrado para sul, a genética trouxe relevações que suporta que havia pontos em comum quanto à ancestralidade destes dois povos.

Isto significava que o povo Clóvis não se tinha limitado a ficar na América do Norte e prosseguiu até à América do Sul, misturando-se com populações que não fabricavam as ferramentas típicas desta cultura, deixando descendentes em várias regiões

“A nossa descoberta principal é que um indivíduo da América do Norte associado à cultura Clóvis, com cerca de 12.800 anos, partilha uma ancestralidade distintiva com os indivíduos mais antigos do Chile, Brasil e Belize”, resume Cosimo Posth, num comunicado da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.

No fundo, podemos resumir que a expansão de pessoas que disseminaram a cultura Clóvis na América do Norte alcançou também a América Central e do Sul.

“Surpreendentemente, o povo de Luzia, que se imaginava ter uma ancestralidade não-ameríndia, revelou-se como uma dessas populações descendentes de Clóvis”, conclui a nota da Universidade de São Paulo.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2018

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1227: Besouro minúsculo com 99 milhões de anos revela como os continentes mudaram

CIÊNCIA

Field Museum, Shuhei Yamamoto
O Propiestus archaicus, um besouro com apenas 3 milímetros, foi descoberto em âmbar com 99 milhões de anos.

Um minúsculo besouro, com apenas 3 milímetros, encontrado sepultado em âmbar há 99 milhões de anos está a dar pistas fundamentais para perceber como é que os continentes mudaram, assumindo a estrutura que têm hoje.

Este besouro que viveu no período Cretáceo foi descoberto pelo investigador Shuhei Yamamoto, do Museu de Campo de Chicago, nos EUA, em 2016. A rara descoberta foi feita num pequeno pedaço de âmbar com 99 milhões de anos do Vale Hukawng, no norte de Mianmar, perto da fronteira com a China.

O pequeno besouro de três milímetros é um dos milhões de insectos que morreram na seiva de árvores, endurecendo em âmbar e fossilizando, permanecendo congelados no tempo durante milhões de anos. Esse âmbar endurecido não tem nada a ver com o que é transformado em jóias, assemelhando-se antes a rochas, coberto pelo solo, com folhas e outros materiais orgânicos.

Depois de cortar e polir delicadamente o pedaço de seiva endurecida do período Cretáceo, Shuhei Yamamoto concluiu que se trata de uma nova espécie de besouro, baptizada Propiestus archaicus, parente dos insectos que vivem, actualmente, sob a casca de árvore – há mais de 60 mil espécies deles em todo o mundo.

Este besouro do Cretáceo pertence à sub-família Piestus que existe, hoje em dia, apenas no Hemisfério Sul, com excepção de uma espécie que se encontra no sul do Arizona, nos EUA, como explicam os investigadores no artigo científico publicado no Journal of Systematic Palaeontology.

O local onde o besouro foi encontrado, Mianmar, está situado do outro lado do globo, mas há milhões de anos, estaria “fundido” com a América do Sul, fazendo “parte do mega-continente Gondwana que se formou quando o mega-continente anterior, Pangea, se separou”, apontam os autores da pesquisa em comunicado.

Gondwana, que começou a dividir-se durante o Período Cretáceo, era formado pela massa continental que hoje constitui os continentes do Hemisfério Sul. Detectar os ancestrais das espécies de animais que existem na actualidade pode ajudar a perceber como é que essa divisão ocorreu.

“Como os coalas e os cangurus actuais, certos animais que pensamos terem vivido em Gondwana só se encontram numa parte do mundo”, explica Shuhei Yamamoto. O investigador acrescenta que “embora o Propiestus tenha sido extinto há muito, a descoberta mostra conexões surpreendentes entre o Hemisfério Sul e Mianmar“.

O surpreendente achado encaixa na teoria de que “Mianmar já esteve localizada no Hemisfério Sul”, salienta ainda Shuhei Yamamoto.

Mais ou menos do tamanho da ponta de uma esferográfica, o besouro do tempo dos dinossauros é preto, tem pernas curtas e antenas difusas segmentadas que são quase tão grandes como o seu corpo achatado.

“As antenas tinham, provavelmente, capacidades altamente sensíveis como um órgão sensorial”, refere Yamamoto. “Pequenas estruturas semelhantes a cabelo, anexadas perpendicularmente às antenas, aumentavam a sua capacidade de sentir o ambiente em volta”, acrescenta o investigador. Um detalhe que era essencial para quem vivia no reduzido espaço do interior de cascas de árvore.

SV, ZAP //

Por SV
1 Novembro, 2018

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1146: Encontrado raro caracol fossilizado em âmbar com 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Lida Xing, China University of Geosciences

Uma equipa internacional de paleontólogos descobriu em Mianmar um caracol incrivelmente fossilizado em âmbar datado de há cerca de 100 milhões de anos – sendo, por isso, contemporâneo dos dinossauros. 

Ao contrário da maioria dos fósseis de caracol já encontrados, que costumam apenas preservar a concha, o fóssil recém-descoberto está perfeitamente intacto, desde a sua concha até aos seus tecidos moles e tentáculos.

De acordo com o cientista e professor Xing Lida, que liderou a pesquisa, este é o exemplar de caracol com tecidos moles mais antigo até agora encontrado. “O par de tentáculos e os olhos do caracol foram preservados intactos no âmbar”, disse.

O fóssil foi encontrado no Vale de Hukawng, no norte de Mianmar, uma região rica em descobertas fósseis em âmbar, pertencendo assim ao período do Cretáceo, no qual viveram alguns dos dinossauros mais amados do mundo, como o T-Rex ou o Velociraptor.

De acordo com o artigo publicado esta semana na revista Cretaceous Research, a morfologia sugere que o fóssil encontrado é ancestral dos Cyclophoridae, uma família de caracóis terrestres. Desta forma, este exemplar não é só o mais antigo já encontrado em âmbar, como pode também ser do mais antigo já descoberto na Ásia.

Os caracóis são extremamente frágeis, tal como nota o Science Alert. Os seus corpos são macios e gelatinosos, e os seus exoesqueletos – também conhecidos como as suas conchas – são sensíveis. Apesar de haver registo de alguns exemplares, é muito raro encontrar caracóis preservados em âmbar.

Este fóssil, comprado a um coleccionador de fósseis privado em 2016, é 70 milhões de anos mais velho do que qualquer outro fóssil de caracol com tecido mole até agora encontrado – é um fóssil excepcional de um caracol ainda jovem.

“A antiga resina das árvores tinha um excepcional potencial de preservação, capturando até os detalhes mais ínfimos dos organismos fósseis há milhões de anos num espaço 3D perfeito – os animais parecem ter ficado presos em resina ontem”, explicou o paleontólogo Jeffrey Stilwell em declarações à National Geographic.

Há ainda outro detalhe interessante sobre o fóssil. De acordo com os especialistas, o animal estava provavelmente vivo quando foi “apanhado” pela resina. “As partes moles do caracol estão muito esticadas e isso pode significar que estava a tentar uma fuga final que não tem sucesso”, lê-se no artigo.

Esta é uma descoberta com detalhes sem precedentes neste tipo de fossilização, que agora se junta às demais descobertas feitas em Mianmar nos últimos anos. O fóssil encontra-se agora na colecção do Instituto de Paleontologia de Dexu em Chaozhou, na China.

Por ZAP
15 Outubro, 2018

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1049: Encontrado o animal mais antigo: tem 558 milhões de anos

O animal foi baptizado de “Dickinsonia” e tinha cerca de 140 centímetros. Com forma oval, o fóssil foi encontrado perfeitamente preservado numa área remota do noroeste da Rússia

© LLYA BOBROVSKIY / AUSTRALIAN NATIONAL UNIVERSITY / LUSA

Vestígios moleculares de colesterol descobertos num fóssil revelaram a cientistas australianos o animal mais antigo já descoberto, que terá vivido há 558 milhões de anos, resolvendo um enigma de décadas.

Baptizado “Dickinsonia”, tinha cerca de 140 centímetros de comprimento e forma oval, com segmentos semelhantes a costelas ao longo do corpo, segundo o estudo publicado hoje na revista Science.

O fóssil perfeitamente preservado numa área remota no noroeste da Rússia continha moléculas de colesterol, uma forma de gordura característica do reino animal.

“As moléculas de gordura fóssil que encontrámos provam que os “Dickinsonia” eram grandes e abundantes há 558 milhões de anos, milhões de anos antes do que se pensava”, afirmou Jochen Brocks, da Universidade Nacional Australiana.

Há mais de 75 anos que os cientistas debatiam o que seria o “Dickinsonia” e outros fósseis que ainda não tinham conseguido identificar no período anterior ao Câmbrico, que, há 540 milhões de anos, representou uma explosão da diversidade de formas de vida, com o aparecimento das formas modernas de vida prevalecentes nos fósseis: moluscos, vermes, artrópodes e esponjas.

O problema dos investigadores tinha sido encontrar fósseis de “Dickinsonia” com restos de matéria orgânica, uma vez que a maior parte das rochas onde foram descobertos tinham sofrido milhões de anos de desgaste.

A matéria orgânica acabou por ser encontrada em amostras de rochas na Rússia, em áreas que só são acessíveis de helicóptero.

“Estes fósseis estavam no meio de falésias no Mar Branco, a 60 e 100 metros de altura. Tive que me pendurar numa corda e escavar pedaços enormes de rocha, lavá-los e repetir até encontrar fósseis como os que procurava”, afirmou o investigador Ilya Bobrovskiy.

Além dos australianos, também colaboraram na investigação cientistas da Academia das Ciências Russa e do Instituto Max Planck para a Biogeoquímica e da universidade alemã de Bremen.

Diário de Notícias
DN/Lusa
20 Setembro 2018 — 19:42

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1026: Descoberta nova espécie de réptil que viveu no Brasil há 237 milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) Renata Cunha
Ilustração da espécie recém-descoberta

Um fóssil doado anonimamente para o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, na região do Rio Grande do Sul, está a fomentar o conhecimento sobre o Período Triássico no território que hoje conhecemos como o Brasil.

Cientistas das universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Vale do São Francisco (Univasf) descobriram que os restos fossilizados pertenciam a uma espécie de réptil até então desconhecida, que viveu há 237 milhões de anos.

A nova espécie foi descrita recentemente num artigo publicado na revista científica Zoological Journal of the Linnean Society.

O Triássico é o primeiro período da Era Mesozoica – que teve ainda o Jurássico (entre 195 a 136 milhões de anos) e o Cretáceo (entre 136 a 65 milhões de anos). Este é um momento especialmente importante na história da vida dos animais terrestres, uma vez que é o intervalo de tempo no qual surgiram os primeiros dinossauros, além dos ancestrais dos lagartos, crocodilos e mamíferos actuais.

Compostos por um crânio, uma mandíbula, algumas vértebras do pescoço e placas ósseas do dorso do animal, os vestígios fossilizados foram analisados com recurso a técnicas de tomografia computorizada. A partir desta análise, os cientistas obtiveram muita informação sobre a anatomia dos ossos do animal sem danificá-los.

(dr) Marcel Lacerda
O fóssil doado ao museu brasileiro

Quando descreveram a nova espécie, os investigadores não sabiam exactamente onde é que fóssil tinha sido encontrado e, por isso, baptizaram-na de Pagosvenator candelariensis, em homenagem à cidade de Candelária – município onde se localiza o museu, conhecido pela sua riqueza em locais paleontológicos de grande valor científico.

O “caçador dos pagos”

O nome atribuído à espécie significa “caçador da região de Candelária”. Na gíria brasileira, “pago” ou “pagos” é um jargão utilizado para se referir à cidade natal ou à origem de alguém. O termo, que deriva do latim pagus, significa aldeia, região ou província. Venator, também do latim, quer dizer caçador.

De acordo com o líder da investigação, Marcel Lacerda, da UFRGS, o Pasgosvenator era um animal de porte médio, com até 3 metros de comprimento e há fortes evidências – tendo em conta espécies semelhantes – de que seria um quadrúpede.

“Devido aos dentes longos, recurvados e com serrilhas que o animal possuía, podemos inferir também que provavelmente era carnívoro“, revelou, acrescentando que o animal alimentava-se provavelmente de animais pequenos e ou médios.

Marco França, professor de Paleontologia da Univasf e co-autor do estudo, foi responsável pela análise mais detalhada da linhagem evolutiva e dos parentescos da nova espécie.

De acordo com França, o Pagosvenator pertence ao grande grupo dos arcossauros, que, por sua vez, se divide em dois subgrupos: um formado por dinossauros, pterossauros e aves, e outro pelos ancestrais dos crocodilos modernos.

“O animal não tem relação com as aves nem com os dinossauros, mas está na linhagem que deu origem aos crocodilos, embora seja ainda muito distante deles”, explica. Especificamente, o grupo a que pertence o Pagosvenator é chamado de Erpetosuchidae.

“Apesar de ser conhecido e estudado há muito tempo – desde o século XIX -, não há muitas informações sobre a anatomia e as relações de parentesco entre os elementos deste grupo”, explica Marco França.

(dr) Renata Cunha

A pesquisa revela-se especialmente importante porque dá continuidade a outros estudos que visam compreender a região onde o réptil viveu há 230 milhões de anos. “Graças a estas pesquisas, hoje sabemos que os predadores desta época eram bem diversos”. “Vários destes animais, como o próprio Pagosvenator candelariensis, eram maiores do que os dinossauros do mesmo período”.

Dessa forma, a descoberta amplia o conhecimento das espécies fósseis do Rio Grande do Sul e do Brasil, e aumenta a compreensão dos processos evolutivos que levaram à diversidade de registos fósseis do país.

“Toda a nova informação é útil para conseguirmos entender como eram o ambiente e a fauna da época. São dados que ajudam a contar a história da diversidade da vida daquele período”, concluiu Marcel Lacerda.

ZAP // BBC

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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942: Descobertas três novas espécies de primatas extintas há 40 milhões de anos

CIÊNCIA

Os primatas seriam de pequenas dimensões, não chegando a pesar 1 quilo

Paleontólogos da Universidade do Texas, em Austin, identificaram três novas espécies de primatas que pesavam menos de um quilo e viveram há 42 ou 46 milhões de anos no Eoceno, a segunda época da era Cenozoica.

As três novas espécies descritas – Ekwiiyemakius walshi, Gunnelltarsius randalli e Brontomomys cerutti – pertencem à Omomyinae, uma subfamília dos primatas primitivos, de acordo com o estudo publicado na semana passada no Journal of Human Evolution. 

Os fósseis que levaram à identificação das espécies foram encontrados na Friars Formation, uma formação geológica localizada no sul da Califórnia que, na época, exibia vastos bosques tropicais, revela a Europa Press.

Desde da década de 1930, vários fósseis de primatas foram descobertos em arenitos e pedras argilosas que compõem a formação geológica no Condado de San Diego.

O paleontólogo Stephen Walsh e a equipa do Museu de História Natural de San Diego (SDNHM) construíram uma grande colecção de primatas fósseis da área, mas Walsh foi incapaz de descrever estes espécimes antes da sua morte, em 2007.

Uma década depois, Amy Atwater, estudante da Universidade de Austin, e o professor de antropologia Chris Kirk aceitaram o desafio e concluíram o trabalho iniciado por Walsh, descrevendo e nomeando os três primatas até agora desconhecidos.

Com a descoberta o número de primatas omomyne do Eoceno encontrados na formação de San Diego sobe de 15 para 18.

“Acrescentar estes três primatas fornece uma melhor compreensão sobre a diversidade dos primatas no Médio Eoceno”, explicou Atwater.

“Pesquisas anteriores nas bacias de Rocky Mountains sugeriam que a diversidade de primatas tinha diminuído durante este período contudo, nos defendemos que a diversidade aumentou simultaneamente noutros lugares”, sustentou a investigadora.

Através da análise dos dentes dos fósseis, os investigadores concluíram que estes seriam pequenos primatas, pensando entre 113 a 796 gramas – tamanho semelhante aos lémures.

“Os dentes podem dizer-nos muito sobre a história evolutiva e dão-nos uma noção sobre o tamanho e a dieta alimentar do primata extinto”, explicou Kurt, recordando que o “esmalte é o tecido mais duro do corpo”. E, também por isso, “é mais provável que os dentes se mantenham preservados no registo fóssil”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
31 Agosto, 2018

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925: Potro extinto do Paleolítico encontrado perfeitamente conservado na Sibéria

CIÊNCIA

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times
O animal terá vivido durante o Paleolítico Superior, há 30 ou 40 mil anos

Um grupo de cientistas fez um enorme descoberta na Sibéria: os restos fossilizados de um potro extinto do Paleolítico em condições de preservação quase perfeitas – este é o cavalo-bebé antigo em melhores condições de fossilização já encontrado.

Descoberto no permafrost da cratera Batagaika, na Sibéria – também conhecida como a “Porta do Mundo Inferior” -, o pequeno potro foi encontrado num estado de preservação tão bom, que quase parece estar a dormir. No entanto, o espécime já morreu há muito tempo, entre 30.000 e 40.000 anos, durante o Paleolítico Superior.

Descoberto por moradores locais, o fóssil foi escavado por cientistas do Japão e da Rússia, sendo depois levado para o Museu Mammoth, em Yakutsk, na Rússia.

“Este é o primeiro fóssil do mundo de um cavalo pré-histórico de tão tenra idade e com um nível tão surpreendente de conservação”, disse o director do museu, Semyon Grigoryev.

O potro teria apenas dois a três meses de idade quando morreu e cerca de 98 centímetros de largura. Foi encontrado a 100 metros de profundidade, com os seus cascos, pêlos e cauda quase totalmente intactos. Até os seus órgãos internos foram preservados pelo permafrost – uma camada de solo que está permanentemente abaixo da temperatura de congelamento.

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times
O pequeno potro era um Equus lenensis, espécie agora extinta

De acordo com os especialistas, a espécie do fóssil é distinta daquelas que agora habitam a região de Yakutia. O pequeno potro era um Equus lenensis (também conhecido como o cavalo Lena), que viveu na região no final do Pleistoceno, espécie agora extinta e conhecida a partir de restos mumificados encontrados no solo gelado.

Os investigadores recolheram amostras de pêlo, líquidos, fluídos biológicos e amostras de solo na área onde o potro foi encontrado, de forma a realizar testes mais completos, incluindo uma autópsia para determinar como morreu. Curiosamente, o potro não tinha feridas visíveis no seu corpo.

“Especialistas que participaram na expedição sugeriram que o potro pode ter-se afogado, depois de encontrar algum tipo de armadilha natural”, explicou Semyon Grigoryev.

Além de determinar a causa da morte com precisão, a autópsia vai revelar como é que o potro viveu. Os cientistas planeiam para isso analisar o conteúdo do seu estômago.

O permafrost é um recurso incrível para aprender mais sobre a vida na Idade do Gelo. No início deste ano, cientistas da Sibéria descobriram bebé de leão pré-histórico em excelentes condições de conservação – ainda nem sequer tinha os dentes formados.

Além do potro, a expedição encontrou um esqueleto raro de um mamute, completo e com tecidos moles ainda em bom estado. Até agora, não se discutiu a questão de clonar o mamute nem o potro – ao contrário do que aconteceu com o leão pré-histórico – no entanto, ambos serão objecto de estudo científico no futuro.

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times
Este é o fóssil de potro melhor conservado até agora encontrado

ZAP // ScienceAlert / LiveScience

Por ZAP
28 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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