3376: Escorpião com 437 milhões de anos terá sido o primeiro a respirar em terra

CIÊNCIA

Fósseis do escorpião pré-histórico foram agora analisados e cientistas acreditam que são o exemplo mais antigo de um animal que respirou ar, tendo “saltado” da água do mar para terra.

Um escorpião com 437 milhões de anos terá sido a primeira criatura a aventurar-se do mar para a vida na terra, de acordo com um novo estudo, que lança uma nova luz sobre um dos primeiros capítulos da evolução da história do planeta.

Os cientistas acreditam que os restos fossilizados do escorpião pré-histórico são o exemplo mais antigo conhecido de um animal que respira ar terrestre, embora Andrew Wendruff, da Universidade Otterbein, em Westerville, Ohio, tenha dito que não se sabe como a criatura terá dividido o seu tempo entre terra e mar.

“Temos a preservação da estrutura interna. Eram como escorpiões modernos, pois faziam as mesmas coisas. Era mais do que provável respirarem ar em terra“, disse Wendruff, autor do estudo que publicou quinta-feira na revista Scientific Reports.

Embora não exista “prova inequívoca” de que este escorpião pré-histórico, oficialmente conhecido como Parioscorpio venator, fosse terrestre, Andrew Wendruff acredita que “tinha a capacidade de respirar em terra e certamente chegou a terra”.

Nenhum pulmão ou guelra pode ser visto nos fósseis, mas a semelhança com os caranguejos-ferradura, que podem respirar em terra, sugere que, apesar de os escorpiões mais antigos poderem não ter sido totalmente terrestres, devem ter permanecido em terra por longos períodos de tempo, aponta o estudo.

Imagens, incluídas no estudo, dos fósseis analisados

Todos os outros fósseis descobertos antes deste período são de animais que viveram e respiraram debaixo de água. Um milípede pré-histórico tinha sido dado anteriormente como o primeiro a mudar para terra, mas era 16 a 17 milhões de anos mais jovem, realça Wendruff, citado pela CNN. “Isto é literalmente quando as únicas coisas em terra eram plantas e proto-plantas. É muito antes dos peixes que se lançaram para terra e antes dos dinossauros”, disse.

Com o ferrão no final da cauda, o escorpião pré-histórico é praticamente indistinguível dos actuais, mas o investigador principal deste estudo explica que é impossível saber se usaria veneno. Os fósseis estavam entre os muitos desenterrados de uma pedreira em Wisconsin, na década de 1980 e tinham sido armazenados num museu na Universidade de Wisconsin antes de Wendruff os reexaminar como parte do seu doutoramento. Este cientista ficou surpreendido ao descobrir os dois fósseis de escorpião bem preservados que mostravam elementos do sistema circulatório, respiratório e digestivo do animal.

As criaturas antigas teriam cerca de dois centímetros de comprimento. Fósseis já analisados mostraram que algumas criaturas pré-históricas semelhantes a escorpiões tinham um metro e meio de comprimento, embora nunca saíssem do mar, foram extintas e não têm ligação com os escorpiões modernos.

Diário de Notícias

DN

spacenews

 

3353: Família encontra fósseis de animal gigante numa praia da Argentina

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

AnitaAD / Wikimedia
Praia de Monte Hermoso, Buenos Aires

Uma família de turistas encontrou restos fósseis pertencentes a um animal da mega-fauna, com idade compreendida entre 10 e 25 mil anos, na região de Monte Hermoso, em Buenos Aires.

Na passada terça-feira, uma família de turistas argentinos encontrou, numa praia em Buenos Aires, restos fósseis pertencentes a um animal da mega-fauna, com idade compreendida entre 10 e 25 mil anos. De acordo com o Russia Today, trata-se de uma espécie não identificada que habitava as costas de Monte Hermoso, uma cidade localizada no sul do distrito de Buenos Aires.

A mãe e o filho encontraram os restos fósseis enterrados na areia e avisaram o Museu de Ciências Naturais Vicente Dimartino. A equipa do museu concedeu uma distinção à família por ter agido correctamente.

Vicente Museo Dimartino

Hoy por la mañana se realizó la extracción de restos fósiles pertenecientes a una especie que aún no se ha determinado a cúal pertenecía de la Megafauna extinta que habitó nuestras costas. Podría tener una antigüedad de 10 mil a 25 mil años aproximadamente. .

Agradecemos a Virginia Schamberger a su marido e hijo Ciro Ruiz Dias los turistas que lo encontraron y actuaron correctamente, no intentaron extraerlo y avisaron al área responsable. También un agradecimiento a Leandro Lecanda y Tomas Perretti de córdoba por ayudar a la extracción del fósil !!! Muchas gracias!!

A família “entrou no museu para avisar sobre a descoberta e, aproveitando a maré baixa, uma equipa foi remover os restos fósseis”. Segundo Natalia Sánchez, directora do Museu, a equipa continuará os trabalho de limpeza e preparação.

Quando “as peças estiverem prontas, serão classificadas, já que, para já, estão muito profundas no sedimento”. A directora disse ainda que os fósseis são, principalmente, “mandíbulas, mas que ainda não é possível ver a parte mastigável, o que nos daria uma pista para identificar a que espécie pertence”.

De acordo com a autoridade do museu Vicente Dimartino, os animais cujos fósseis foram encontrados “são megamamiferadores, porque são muito grandes – como os que aparecem no filme A Era do Gelo“.

ZAP //

Por ZAP
12 Janeiro, 2020

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3325: Cientistas apresentam o primeiro peixe que conquistou a terra firme

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Flick Ford
Tiktaalik roseae

Uma investigação sobre peixes fossilizados do final do período devoniano, há cerca de 375 milhões de anos, detalham a evolução das barbatanas quando começaram a fazer a transição para membros aptos a caminhar em terra.

O novo estudo, realizado por paleontólogos da Universidade de Chicago e publicado no mês passado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, usou a tomografia computorizada para examinar a forma e a estrutura dos raios das barbatanas enquanto ainda estão envoltos em rochas circundantes.

As ferramentas de imagem permitiram que os investigadores construíssem modelos 3D digitais das barbatanas do Tiktaalik roseae e dos seus parentes no registo fóssil pela primeira vez. Com esses modelos, os cientistas conseguiram inferir a forma como as barbatanas funcionavam e mudavam à medida que evoluíam para membros.

Grande parte dos estudos sobre barbatanas durante este estágio transitório é focada nos ossos e pedaços de cartilagem grandes e distintos que correspondem aos do braço, antebraço, punho e dedos. Conhecidos como o “endosqueleto”, os investigadores traçam a forma como os ossos mudaram para se tornarem braços, pernas e dedos reconhecíveis em tetrápodes ou criaturas de quatro patas.

Os delicados raios e espinhos das barbatanas de um peixe formam um segundo esqueleto “dérmico”, que também estava a passar por mudanças evolutivas nesse período. Estas peças são negligenciadas porque podem ser destruídas quando os animais são fossilizados ou porque são removidas intencionalmente por preparadores fósseis para revelar os ossos maiores do endosqueleto.

Os raios dérmicos formam a maior parte da superfície de muitas barbatanas de peixes, mas foram completamente perdidos nas primeiras criaturas com membros.

Segundo explicam em comunicado, Stewart e os seus colegas trabalharam com três peixes devonianos tardios com características primitivas de tetrápodes: Sauripterus taylori, Eusthenopteron foordi e Tiktaalik roseae, que foram descobertos em 2006.

Os modelos mostraram que os raios das barbatanas destes animais eram simplificados e o tamanho geral da rede de barbatanas era mais pequeno do que a dos seus antecessores. Também viram que as partes superior e inferior das barbatanas estavam a tornar-se assimétricas.

Matt Wood

Os raios das barbatanas são, na verdade formados por pares de ossos. No Eusthenopteron, por exemplo, o raio da barbatana dorsal ou superior era ligeiramente maior e mais longo do que o ventral ou inferior. Os raios dorsais do Tiktaalik eram maiores do que os raios ventrais, sugerindo que possuía músculos que se estendiam na parte inferior das suas barbatanas, como a base carnosa da palma da mão, para ajudar a suportar o seu peso.

Acreditava-se que Sauripterus e Eusthenopteron eram totalmente aquáticos e usavam as suas barbatanas peitorais para nadar, embora possam ter sido capazes de se sustentar no fundo de lagos e riachos. Tiktaalik pode ter sido capaz de suportar a maior parte do seu peso com as suas barbatanas – e talvez até as tenha usado para se aventurar fora de água para viagens curtas em águas rasas.

“Isto dá-nos mais confiança para dizer que estes padrões são reais, generalizados e importantes para os peixes, não apenas no registo fóssil em relação à transição da barbatana para o membro, mas para a função de barbatanas em geral”, concluiu Stewart.

ZAP //

Por ZAP
7 Janeiro, 2020

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3285: Afinal, o fóssil de “aranha” pré-histórica era um lagostim de pernas pintadas

CIÊNCIA

Cheng et al, Acta Geologica Sinica, 2019

No início deste ano, uma equipa de cientistas descobriram anunciaram ter descoberto um novo espécie do Cretáceo Inferior na Formação Yixian, na China, que acreditavam ser uma enorme aranha antiga.

O fóssil acabou por ser vendido ao Museu de História Natural de Dalian, na China, e os seus membros acreditavam que se tratava de um espécime de Mongolarachnidae chaoyangensis, tal como publicaram os especialistas, à época, na revista científica especializada Geological Acta da Sociedade Geológica da China.

Contudo, a “aranha” pré-histórica não passa de uma fraude: trata-se, na verdade, de um lagostim “muito mal preservado” com “algumas pernas pintadas”, conforme adiantou o paleontólogo Paul Selden da Universidade do Kansas, nos EUA, ao portal Science Alert.

O artigo publicado “tinha muito poucos detalhes”, contou o especialista em invertebrados, dando conta que, quando os seus colegas de Pequim lhe emprestaram o espécime para análise, percebeu de imediato que alguma coisa estava errada.

Faltavam várias partes (…) havia segmentos demais nas seis pernas e olhos enormes”, disse Selden, que levou a cabo uma análise de microscopia de fluorescência do fóssil para confirmar as suas suspeitas iniciais.

Por sua vez, o paleobiólogo Chungkun Shih, da Universidade de Pequim, também notou que esta “aranha” foi encontrada numa zona onde foram também descobertos muitos lagostins do Cretáceo (120-130 milhões de anos).

Brendan M. Lynch @BrendanMLynch

Ancient spider fossil, in reality, appears to be ‘badly preserved crayfish’ with legs painted on. http://bit.ly/34CkdBe  via @KUNews @EurekAlert

A ‘Jackalope’ of an ancient spider fossil deemed a hoax, unmasked as a crayfish

A team from the University of Kansas used fluorescence microscopy to analyze the supposed spider and differentiate what parts of the specimen were fossilized organism, and which parts were potentia…

eurekalert.org

O especialista disse ainda que esta é uma falsificação bastante credível. Estes achados “são, normalmente, desenterrados por agricultores locais. E eles sabem quanto dinheiro podem fazer com estes achados”, explicou.

As pessoas que descreveram este achado como uma aranha pré-histórica “são bos paleontologistas”, só “não são especialistas em aranhas”, concluiu Paul Selden.

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29 Dezembro, 2019

 

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3284: Fóssil revela a primeira demonstração de amor familiar no reino animal

CIÊNCIA

(dr) Henry Sharpe

Um fóssil do período Carbonífero recentemente descoberto em Nova Escócia, no Canadá, mostra uma criatura sinapsídeo varanidae (da família Varanopidae) a cuidar dos seus filhos.

O cuidado parental é uma “estratégia comportamental segundo a qual os pais fazem investimentos ou desviam recursos de si mesmos para aumentar a sobrevivência dos seus filhos”, explicou Hillary Maddin, paleontóloga da Carleton University.

Apesar de haver uma grande variedade de estratégias de atendimento parental, o atendimento pós-natal prolongado está “entre os mais caros para os pais”, indica a cientista.

Esta forma de cuidado dos pais é particularmente comum em mamíferos, uma vez que todas as crias exigem nutrição por parte das suas mães. “No entanto, ainda há pouco entendimento sobre a história evolutiva deste comportamento.”

(dr) Maddin et al
Dendromaia unamakiensis

A equipa de Maddin encontrou os restos fossilizados de uma criatura adulta e de um juvenil dentro de um tronco de uma árvore litificada na ilha Cape Breton, Nova Escócia. O espécime encontrado não só representa uma nova espécie, como também pertence a um género inteiramente novo de sinapsídeo varanopídeo.

Os cientistas, que publicaram o artigo científico na Nature Ecology & Evolution, batizaram o animal de Dendromaia unamakiensis.

“Esta é a evidência mais antiga de cuidados pós-natais prolongados num vertebrado”, apontou a investigadora. “O animal adulto parece estar a esconder e a proteger um jovem num covil. Actualmente, este comportamento é muito comum em mamíferos.”

O Dendromaia unamakiensis tinha a cauda larga, corpo estreito e patas delgadas. Os cientistas pensam que, com estas características, o animal era muito ágil.

Esta é a prova de cuidado parental mais antiga registada no reino animal. Antes desta descoberta, o testemunho mais antigo de conduta parental pertencia a uma espécie de lagarto, denominado Heleosaurus scholtzi, que viveu há aproximadamente 270 milhões de anos.

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29 Dezembro, 2019

 

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3092: As cobras evoluíram com patas durante 70 milhões de anos

CIÊNCIA

Render of Najash by Raúl O. Gómez, Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina

As cobras evoluíram com patas durante 70 milhões de anos, concluiu uma nova investigação conduzida por cientistas da Austrália que analisaram novos restos fósseis de uma antiga cobra com extremidades.

Najash, a espécie que deu mote à investigação, não só esclarece como é que evoluíram as “patas” destes animais ao longo do tempo, como também traz detalhes sobre como evoluiu o crânio flexível das cobras evoluiu a partir dos seus ancestrais lagartos.

Tal como escreve a agência Europa Press, a evolução do corpo das cobras sempre cativou os cientistas, representando um dos casos mais consistentes da capacidade do corpo vertebrado se adaptar ao longo do tempo. Contudo, o registo fóssil limitado obscureceu o momento inicial da evolução destes animais.

Para a investigação, a equipa de cientistas fez um scanner de alta resolução e microscopia de luz aos crânios preservados de Najash para tentar encontrar novos dados evolutivos sobre a evolução inicial das cobras.

“O que realmente distingue as cobras é o seu crânio altamente móvel, que lhes permite engolir grandes presas. Há muito tempo que não temos informações detalhadas sobre a transição do crânio relativamente rígido do lagarto para o crânio super flexível da cobra”, disse Alessandro Palci, da Universidade de Flinders, que participou na investigação.

“Najash tem o crânio mais completo e tridimensionalmente mais preservado do que qualquer outra cobra antiga e isso fornece uma quantidade surpreendente de novas informações sobre como a cabeça das cobras evoluiu”.

Este espécie de cobra antiga “tem algumas, mas nem todas as articulações flexíveis agora encontradas no crânio das cobras modernas. O seu ouvido médio é intermediário entre o dos lagartos e das cobras actuais. Ao contrário da cobras vivas, esta tem uma maçã do rosto bem desenvolvida, o que lembra normalmente os lagartos“.

“Najash mostra como é que as cobras evoluíram a partir dos lagartos em etapas evolutivas incrementais, tal como Darwin previu”, disse, por sua vez, Mike Lee, professor na universidade australiana e cientista do Museu da Austrália do Sul.

A nova árvore genealógica das cobras revela também que as cobras possuíam patas traseiras pequenas, mas perfeitamente formadas, durante os primeiros 70 milhões de anos do seu processo de evolução, nota ainda a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Science Advances.

“Estas cobras primitivas com pernas pequenas não eram apenas um estágio evolutivo e temporário no caminho para algo melhor. Em vez disso, tinham um plano corporal muito bem-sucedido que persistiu por muitos milhões de anos e se diversificou numa variedade de espécies terrestres e aquáticas”, concluiu Lee.

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26 Novembro, 2019

 

3085: Criada tecnologia que determina o sexo e a espécie de fósseis com mais de um milhão de anos

CIÊNCIA

Universidade do Norte do Texas (UNT)

Uma equipa de especialistas da Universidade do Norte do Texas (UNT) criou uma tecnologia capaz de determinar o sexo e a espécie de vestígios fossilizados com mais de um milhão de anos.

A nova técnica, explicam os especialistas da universidade norte-americana em comunicado, chama-se paleoproteómica e baseia-se no estudo de proteínas presentes em vários tecidos do corpo. Estas proteínas são conservados durante muito mais tempo do que o ADN, que acaba por se degradar em cerca de 200.000 anos.

A tecnologia foi recentemente testada na análise de um dente de um rinoceronte com 1,7 milhões de anos. O fóssil foi encontrado sob seis metros de sedimentos numa caverna em Dmanisi, na Geórgia, conta a Russia Today.

Apesar da idade do fóssil, os cientistas conseguiram extrair proteínas do seu esmalte e determinar que pertencia ao género já extinto Stephanorhinus. Com estes dados, a equipa do Texas conseguiu depois colocá-lo na árvore evolutiva da família.

A paleoproteómica poderia fornecer informações ainda mais interessantes quando aplicada a restos mortais de ancestrais humanos, considera Reid Ferring, professor da UNT que participou na criação da nova técnica.

“Temos milhares de fósseis hominídeos em colecções e museus de todo o mundo, de todos os períodos. Temos cinco crânios completos do local de Dmanisi, na Geórgia, o país que tem quase 2 milhões de anos. Há muitas amostras que agora podem ser rotuladas e diferenciadas entre espécies da mesma linha”, apontou.

“Estamos prestes a aprender muito mais sobre os nossos ancestrais e sobre nós mesmos do que em qualquer outro momento da história”, rematou Ferring.

No passado Setembro foi publicado um estudo na revista científica Nature que detalha os métodos e as técnicas utilizadas para determinar as características do rinoceronte.

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25 Novembro, 2019

 

3052: Os símios de hoje são mais inteligentes do que a nossa ancestral Lucy

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Uma nova investigação que analisou crânios fósseis e modernos sugere que os grandes símios vivos são mais inteligentes do que o nosso ancestral pré-humano Australopithecus, grupo no qual se insere a famosa “Lucy”.

Segundo noticia a agência Europa Press, a nova investigação, conduzida por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, em colaboração com o Instituto de Estudos Evolucionários da Universidade de Witwatersrand, desafia a antiga tese que sustenta que, devido ao facto de o cérebro dos Australopithecus ser maior do que o de muitos macacos modernos, estes eram mais inteligentes.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica Proceedings of Royal Society B, mediu a taxa de fluxo sanguíneo para a parte cognitiva do cérebro, com base no tamanho dos buracos no crânio que passavam pelas artérias supridas.

A técnica em causa foi calibrada em humanos e outros mamíferos e aplicada a 96 crânios de grandes símios e 11 crânios fósseis de Australopithecus.

Roger Seymour, cientista que participou no estudo, explicou, citado em comunicado, que o estudo evidenciou uma maior taxa de fluxo sanguíneo na parte cognitiva do cérebro dos grandes símios em comparação com os Australopithecus.

“Os resultados foram inesperados para os antropólogos, porque geralmente a inteligência está directamente relacionada ao tamanho do cérebro”.

“No começo, o tamanho do cérebro parece razoável porque é uma medida da quantidade de células cerebrais, os chamados neurónios. No entanto, ao pensar sobre isso, a cognição se baseia baseia-se não só no número de neurónios, mas também no número de conexões entre os neurónios, as sinapses. Estas conexões governam o fluxo de informações no cérebro. Uma actividade sináptica maior resulta numa maior capacidade de processamento de informações”, sustentou, citado na mesma nota.

Seymour recordou disse que os grandes símios são conhecidos por serem muito inteligentes, dando como exemplo o gorila Koko, que foi ensinado a comunicar-se com mais de 1.000 sinais, e do chimpanzé Washoe, que aprendeu cerca de 350 sinais.

“De acordo com os resultados, estima-se que o fluxo sanguíneo para os hemisférios cerebrais do Koko seja aproximadamente o dobro do fluxo da Lucy. Uma vez que a taxa de fluxo sanguíneo poderá ser uma melhor medida da capacidade de informações do que o tamanho do cérebro, Koko pode ter sido mais inteligente”, rematou.

Com apenas um metro de altura e 27 quilos, Lucy viveu na África Oriental há mais de três milhões de anos. O seu fóssil foi descoberto a 24 de Novembro de 1974 pelo famoso paleoantropólogo norte-americano Donald Johnson e cerca de 40% do esqueleto sobreviveu até aos dias de hoje.

Antropólogos resolvem finalmente o mistério da morte de Lucy

Uma equipa de investigadores americanos afirma que Lucy, o australopiteco que viveu há três milhões de anos, morreu depois de…

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19 Novembro, 2019

 

3051: Cientistas descobriram como é que os dinossauros suportavam o frio extremo

CIÊNCIA

(dr) Jorge A. González

A vida dos dinossauros nas zonas polares do antigo continente Gondwana não era nada fácil, porque tinham de suportar um frio intenso durante as noites de inverno.

Agora, uma equipa internacional de investigadores da Eslováquia, Suécia, Austrália e Estado Unidos analisou um fósseis de uma série de penas de dinossauros e pássaros que viveram dentro do círculo polar sul.

Embora indícios de dinossauros com penas exuberantes tenham aparecido no registo fóssil, a maioria dos exemplos vem do Hemisfério Norte, representando uma variedade de coberturas que poderiam ter ajudado a fauna mesozóica a regular a sua temperatura, esconder-se e ocasionalmente viver em climas relativamente quentes.

“No entanto, até ao momento, não foram descobertos restos tegumentares directamente atribuíveis para mostrar que os dinossauros usavam penas para sobreviver em habitats polares extremos”, disse Benjamin Kear, paleontologista da Universidade de Uppsala, na Suécia, em comunicado.

Porém, um local de escavação no estado australiano de Victoria deu alguns exemplos notáveis ​​ao longo das décadas. Até agora, nunca tinha sido visto de perto. “Penas fósseis são conhecidas em Koonwarra desde o início dos anos 60 e foram reconhecidas como evidência de pássaros antigos, mas receberam pouca atenção científica“, afirmou Thomas Rich, do Museu de Melbourne, na Austrália.

Este estudo, publicado este mês na revista especializada Gondwana Research, é o primeiro a documentar de forma abrangente estes restos. Um total de dez espécimes fósseis foram incluídos no estudo, todos com cerca de 118 milhões de anos, fornecendo evidências sólidas de penas de asas de pássaros antigos e penas corporais parcialmente decompostas.

De acordo com o ScienceAlert, algumas das penas eram relativamente avançadas e semelhantes às penas modernas, que as ajudam a interligar-se durante o voo e protegem os animais dos elementos.

“As penas dos dinossauros eram usadas para isolamento“, explicou Martin Kundrát, da Universidade Pavol Jozef Safarik, na Eslováquia. “A descoberta de penas em Koonwarra sugere, portanto, que coberturas de penas macias podem ter ajudado os pequenos dinossauros a aquecer-se nos antigos habitats polares”.

Na época, as massas de terra do sul de hoje – Antárctica, Austrália, América do Sul, África, Índia e Arábia – estavam todas misturadas num só super-continente gigante chamado Gondwana, centralizado no Pólo Sul da Terra. O clima do mundo era muito mais quente,  muito mais temperado, com ecossistemas luxuriantes cheios de plantas e animais.

Embora não estivesse congelado, os pólos experimentavam longos períodos de luz solar no verão e escuridão no inverno. Portanto, os seres que viviam nessas condições extremas precisava de lidar com um crepúsculo prolongado e frio.

Estas evidências concretas de penas potencialmente isolantes ajuda os investigadores a preencher as peças que faltam no mistério de como os dinossauros suportavam o frio.

ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2019

 

3042: Descoberto no Japão fóssil de pássaro com 120 milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) Masanori Yoshida
Reconstituição da ave Fukuipteryx prima

O fóssil de um pássaro do Cretáceo recentemente descoberto no Japão pode levar os cientistas a repensarem alguns detalhes sobre a evolução do voo.

Há cerca de 120 milhões de anos, um pássaro com o tamanho de um pombo voou sobre as florestas do Cretáceo, naquilo que agora é o Japão. O fóssil recentemente descoberto, preservado em três dimensões, é o primeiro pássaro desta era encontrado fora da China.

Segundo o Live Science, este pássaro antigo, agora chamado Fukuipteryx prima, possui uma característica encontrada em pássaros modernos que não se vê noutros fósseis de aves deste período: uma placa óssea perto da cauda.

Conhecida como pigóstilo, esta estrutura triangular suporta penas da cauda e tem sido associada à evolução de caudas mais curtas para voar. Mas os investigadores suspeitam agora que, embora essa placa tenha surgido à medida que as caudas se tornaram menores, não é necessariamente uma adaptação ao voo.

De acordo com Takuya Imai, autor principal do estudo, publicado na revista científica Communications Biology, e professor assistente do Instituto de Pesquisa de Dinossauros da Universidade da Província de Fukui, os F. prima têm membros anteriores mais longos do que os membros posteriores, ossos do ombro não fundidos e uma cauda encurtada com um pigóstilo.

Embora alguns dinossauros não-aviários possam ter tido alguma dessas características, apenas os pássaros têm todos, disse o investigador em declarações ao mesmo site.

Tal como o Archaeopteryx — o pássaro mais antigo já conhecido —, o Fukuipteryx tinha uma pélvis não fundida e uma fúrcula (também conhecida por “osso da sorte”) em forma de U: marcas de pássaros primitivos.

Outros ossos intactos do fóssil incluem costelas, vértebras e ossos de membros, bem como o pigóstilo, que era “longo, robusto, em forma de bastão” e que terminava com “uma estrutura parecida com uma pá”, dizem os investigadores, acrescentando que, em alguns aspectos, o formato do pigóstilo deste pássaro lembra o de uma galinha doméstica.

Anteriormente, pensava-se que as caudas dos pássaros diminuíam à medida que os animais se adaptavam ao voo. Mas o Fukuipteryx prima é um pássaro mais primitivo do que o último dos aviadores de cauda longa: uma espécie chamada Jeholornis, que viveu na China entre 122 e 120 milhões de anos.

Isto sugere que a perda das caudas longas e a aparência do pigóstilo podem não estar ligadas ao voo. “Precisamos de mais evidências para clarificar esta situação”, diz Imai.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2019

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3026: Descoberta a primeira vespa polinizadora da época dos dinossauros

CIÊNCIA

(dr) Instituto Geológico y Minero de España.

Uma equipa de cientistas encontrou a primeira vespa polinizadora (prosphex anthophilos), que conviveu com dinossauros há cerca de 100 milhões de anos.

O animal foi encontrado num fragmento de resina fossilizada em Mianmar, na Birmânia, segundo detalha a agência de notícias espanhola EFE.

“Foi a primeira vez que um insecto polinizador coberto com grãos de angiospermas da era dos dinossauros foi descoberto e justamente quando essas plantas começaram a ser muito importantes nos ecossistemas terrestres”, explicou Eduardo Barrón, cientista do Instituto Geológico e Mineiro de Espanha e especialista em pólen fóssil.

A investigação teve início no Museu Americano de História Natural, quando foi descoberta uma vespa com o ferrão coberto de grãos de pólen numa amostra de resina.

As plantas com flores das quais a vespa se alimentava, poderiam ser encontradas na vegetação rasteira e em áreas costeiras de correntes de água e lagoas.

A descoberta, que contou com a participação de investigadores norte-americanos e espanhóis, foi publicada na Communications Biology, da revista Nature, informou o Instituto Geológico e Mineiro de Espanha.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Novembro, 2019

 

3023: O misterioso monstro Tully acabou de ficar ainda mais misterioso

CIÊNCIA

Sean McMahon / Yale University
Ilustração do pré-histórico Monstro Tully, criatura marinha que terá vivido há 300 milhões de anos.

Uma nova investigação desmente um anterior estudo que argumentava que Tully era um vertebrado. A verdadeira natureza desde “monstro” continua um mistério para a comunidade científica.

De vez em quando, os cientistas descobrem fósseis que são tão bizarros que desafiam a classificação, já que diferem de qualquer outro animal ou planta viva. Tullimonstrum (também conhecido como monstro Tully), um fóssil de 300 milhões de anos descoberto no Illinois, nos EUA, é uma dessas criaturas.

À primeira vista, Tully parece superficialmente parecido com uma lesma. Mas onde se esperaria que estivesse a boca, a criatura tem um apêndice longo e fino que parece um par de garras. Depois, há os olhos, que se projectam para fora do corpo.

Tully é tão estranho que os cientistas nem conseguiram concordar se é um vertebrado ou um invertebrado. Em 2016, um grupo de cientistas disse ter resolvido o mistério de Tully, fornecendo as evidências mais fortes de que era um vertebrado. No entanto, uma nova equipa de cientistas protagonizou um novo estudo que questiona essa conclusão, o que significa que este monstro está mais misterioso do que nunca.

O monstro Tully foi originalmente descoberto nos anos 50 por um coleccionador de fósseis chamado Francis Tully. Desde a sua descoberta, os cientistas questionaram-se a que grupo de animais modernos Tully pertence.

Houve muitas tentativas de classificar o monstro Tully. A maioria desses estudos concentrou-se na aparência de algumas das suas características mais importantes. O corpo do monstro Tully é tão incomum que expandirá bastante a diversidade de qualquer grupo ao qual ele finalmente pertença, mudando a maneira como pensamos sobre esse grupo de animais.

A investigação de 2016 argumentou que o animal deveria ser agrupado com vertebrados porque os olhos contêm pigmentos chamados melanossomas, que são organizados por forma e tamanho da mesma maneira que os olhos de vertebrados. Contudo, este novo estudo mostra que os olhos de alguns invertebrados, como polvos e lulas, também contêm melanossomas divididos por forma e tamanho de maneira semelhante aos olhos de Tully, e que esses também podem ser preservados em fósseis.

Investigação de acelerador de partículas

Para fazer isto, os cientistas usaram um tipo de acelerador de partículas, que permitiu explorar a composição química de amostras de fósseis e de animais.

Primeiro, descobriram que os melanossomas dos olhos dos vertebrados modernos têm uma proporção maior de zinco e cobre do que os invertebrados modernos estudados. A equipa ficou surpreendida ao descobrir o mesmo padrão em vertebrados fossilizados e invertebrados encontrados no Illinois.

Em seguida, analisaram a química dos olhos de Tully e a proporção de zinco e cobre era mais semelhante à dos invertebrados do que dos vertebrados. Isto sugere que o animal pode não ter sido um vertebrado, contradizendo os esforços anteriores para classificá-lo.

Também descobriram que os olhos de Tully contêm tipos diferentes de cobre aos encontrados nos olhos dos vertebrados — mas o cobre também não era idêntico ao dos invertebrados estudados. Portanto, embora o novo estudo acrescente peso à ideia de que Tully não era um vertebrado, também não o identifica claramente como um invertebrado.

Qual é agora o caminho a seguir? Uma análise mais ampla da química dos melanossomas e outros pigmentos nos olhos de uma ampla gama de invertebrados seria um bom próximo passo. Isto pode ajudar a diminuir ainda mais o grupo de animais aos quais Tully pertence.

O enigma de que tipo de criatura é o monstro Tully continua. Ainda assim, esta nova investigação demonstra como o estudo de fósseis nos níveis químico e molecular pode desempenhar um papel importante na descoberta da identidade desta e de outras criaturas enigmáticas.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
13 Novembro, 2019

 

2811: Encontrado fóssil de tubarão parecido com uma enguia de há 350 milhões de anos

CIÊNCIA

© Citron / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia
O tubarão Phoebodus podia ser parecido com o tubarão-cobra dos dias de hoje (apresentado nesta imagem)

Um membro de um grupo indígena encontrou na Anti-Atlas, cordilheira montanhosa de Marrocos, um esqueleto quase completo e muito bem preservado do tubarão Phoebodus.

De acordo com o Live Science, os paleontólogos tiveram recentemente uma visão rara de um animal que existiu há 350 milhões de anos, através do primeiro esqueleto quase completo de um tubarão que pertencia ao género Phoebodus.

Os tubarões Phoebodus, que tinham cerca de 1,2 metros de comprimento, viveram muito antes dos dinossauros e do tubarão gigante Megalodon. Porém, antes deste estudo, agora publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, os cientistas não sabiam muito sobre como era esta espécie. Aliás, a única prova de que estes tubarões existiram mesmo tinham sido dentes com três cúspides encontrados anteriormente.

Entretanto, um membro dos Berberes, um grupo indígena do norte da África, encontrou pela primeira vez um fóssil quase completo desta espécie na Anti-Atlas, uma cordilheira montanhosa no sudoeste de Marrocos, tendo-o feito chegar a Christian Klug, paleobiólogo da Universidade de Zurique, na Suíça, e um dos autores do estudo.

Klug imediatamente percebeu que o espécime não era de “um peixe normal”, explica a autora principal da pesquisa, Linda Frey, acrescentando que foram descobertos este esqueleto e outros crânios na região sul das montanhas, numa camada de sedimentos de 360 a 370 milhões de anos que já foi uma bacia marinha.

O fóssil do esqueleto quase completo do tubarão Phoebodus

“Os fósseis estão muito bem preservados. Ficámos muito felizes com a descoberta”, declarou Frey ao mesmo site, explicando que todos estavam muito bem preservados porque estavam em condições com baixos níveis de oxigénio, onde os organismos em decomposição não podiam separá-los.

Uma análise aos fósseis mostrou que este tubarão tinha um corpo semelhante ao de uma enguia e um focinho longo, parecendo-se com o tubarão-cobra moderno — Chlamydoselachus anguineus —, embora os dois não estejam relacionados, afirma Frey.

Além disso, a anatomia da mandíbula do Phoebodus e a forma dos dentes com três cúspides sugerem que a criatura tinha uma estratégia de alimentação semelhante ao dos Lepisosteiformes, uma família de peixes de água doce com mandíbulas compridas. Estes animais “basicamente capturam as suas presas num movimento rápido“, e também podia ser assim que os tubarões Phoebodus se alimentavam, explica a investigadora.

As perguntas sobre o Phoebodus continuam a existir e não podem ser respondidas apenas com este esqueleto, uma vez que lhe falta uma barbatana caudal que lhes diria mais sobre como o animal se movia.

ZAP //

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10 Outubro, 2019

 

2720: Fóssil de pterossauro gigante encontrado no Reino Unido. Tinha 6 metros e pesava até 300 quilos

CIÊNCIA

Mark Witton and Darren Naish

Uma equipa de cientistas descobriu os restos fósseis de um pterossauro gigante com cerca de 125 milhões de anos na ilha de Wight, no Reino Unido, noticia esta semana a imprensa britânica.

Este fóssil de Hatzegopteryx, cuja envergadura rondava os seis metros, pode oferecer mais dados sobre este animal que é considerado o maior dinossauro voador da sua época, tal como escreve o The Sunday Times e o Mirror.

“Acreditamos que este é um dos primeiros super-pterossauros (…) Pode ter sido a maior criatura voadora que já viveu até então”, disse o autor da descoberta, Robert Coram.

Estes répteis, os primeiros animais vertebrados que desenvolveram a capacidade de voar, pesavam até 300 quilos e caçavam crias de outros dinossauros, bem como espécimes adultos graças às suas mandíbulas alongadas, explicou.

Michael Habib, especialista em pterossauros da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, recordou que estes animais também andavam na terra.

De acordo com o mesmo cientista, o modelo tridimensional dos seus corpos mostras que estes animais partiram de uma posição quadrúpede: impulsionavam-se com as patas traseiras e, posteriormente, começaram a utilizar as dianteiras para descolar.

https://www.thetimes.co.uk/edition/news/isle-of-wight-find-proves-winged-dinosaurs-took-off-by-vaulting-into-the-air-zq0q8thtp

De acordo com os cientistas, que publicaram os resultados da investigação na revista Proceeding of the Geologists Association, a descoberta deste fóssil no Reino Unido, a par de um outro achado na China, mostra que os “pterossauros de grandes dimensões já estavam espalhados no Cretáceo desde há muito tempo”, pode ler-se na publicação.

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27 Setembro, 2019

 

2635: Criatura com “cabeça de canivete suíço” deu origem aos escorpiões e às aranhas

CIÊNCIA

(dr) Joanna Liang, Royal Ontario Museum
Mollisonia plenovenatrix

Encontrada no Canadá, esta nova espécie de fóssil provou ser o quelicerado mais antigo, situando a origem dos escorpiões e das aranhas há 500 milhões de anos.

Com o tamanho de um dedo polegar, olhos em forma de ovo e uma cabeça parecida com um canivete suíço, o Mollisonia plenumnatrix foi um predador feroz. As suas pernas longas e os seus numerosos pares de membros davam-lhe a habilidade de agarrar, esmagar e mastigar de uma só vez.

Esta espécie tinha ainda um par de pinças muito pequenas à frente da boca, chamadas quelíceras. Estes apêndices dão o nome ao grupo de escorpiões e aranhas – quelicerados . que os usam para matar, manter e muitas vezes cortar as suas presas.

“Antes desta descoberta, não era possível identificar as quelíceras noutros fósseis do Cambriano”, disse o principal autor, Cédric Aria, membro das expedições Burgess Schist do Royal Ontario Museu.

Além destas, há outras características neste fóssil que permitiram aos cientistas concluir que Mollisonia plenumnatrix não era uma versão “primitiva” de um quelicerado, uma vez que já era morfologicamente próximo das espécies modernas.

Segundo o LiveScience, uma delas é o facto de a criatura exibir estruturas respiratórias semelhantes a guelras, surpreendentemente semelhantes às dos quelicerados modernos.

Os autores do estudo, publicado dia 11 de Setembro na Nature, acreditam que Mollisonia caçava, de preferência, perto do fundo do mar, graças às suas pernas bem desenvolvidas. Além disso, por parecer tão moderno, os cientistas concluíram que os quelicerados parecem ter prosperado rapidamente, preenchendo um nicho ecológico que outros artrópodes deixaram de atender naquele momento.

Desta forma, os autores da investigação acreditam que a origem dos quelicerados deve ser ainda mais profunda no interior do período Cambriano, quando o coração da “explosão” ocorreu. Mollisonia foi descrito pela primeira vez há mais de um século, mas, até agora, só eram conhecidos exoesqueletos deste animal.

Ainda que o passado seja repleto de surpresas, Mollisonia plenumnatrix é uma importante peça-chave neste quebra-cabeças da biodiversidade.

ZAP //

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14 Setembro, 2019

 

“Dragão congelado” identificado no Canadá

CIÊNCIA

© TVI24 “Dragão congelado” identificado no Canadá

Um dos maiores animais voadores de sempre, com uma envergadura de 10 metros e 250 quilogramas, foi identificado no Canadá a partir de fósseis descobertos há 30 anos na província de Alberta, esta terça-feira.

O pterossauro, baptizado Cryodrakon (“Dragão congelado”) boreas, viveu há cerca de 77 milhões de anos e só rivaliza em tamanho com um outro pterossauro conhecido, o Quetzalcoatl, com uma envergadura de 10,5 metros, que foi descoberto no estado norte-americano do Texas.

“É uma bela descoberta. Sabíamos que este animal existia aqui mas agora podemos provar que é diferente dos outros e dar-lhe um nome”, afirmou o paleontólogo David Hone, destacando a “diversidade dos pterossauros na América do Norte e a sua evolução”.

Como outros répteis voadores do período Cretáceo, o Cryodrakon boreas era carnívoro, alimentando-se provavelmente de lagartos, pequenos mamíferos ou até crias de outros dinossauros.

@Dave_Hone

And already there’s a skeletal for the holotype juvenile of Cryodrakon! 😀 https://twitter.com/LikesPterosaurs/status/1171469158850031620 

Sassy PaleoNerd @LikesPterosaurs
Respondendo a @LikesPterosaurs e 2 outros

Here is just the holotype

Ver imagem no Twitter

Redacção TVI24
11/09/2019

 

2602: Fóssil com 550 milhões de anos dá novas luzes sobre a mobilidade dos animais

CIÊNCIA

(dr) Virginia Tech College of Science
O fóssil do Yilingia spiciformis, encontrado no sul da China

O fóssil de uma nova espécie (Yilingia spiciformis) pode representar a mais antiga evidência conhecida de um animal a mover-se na superfície da Terra.

Um dia, há 550 milhões de anos, um pequeno diplópode decidiu dar um passeio pelo fundo lamacento do oceano. De acordo com o Live Science, graças ao fóssil encontrado numa rocha no sul da China, este pode representar a mais antiga evidência de um animal a andar na superfície da Terra, provando por acaso que os animais são móveis desde pelo menos o período Ediacarano (há 635 a 539 milhões de anos).

Os autores do estudo, publicado esta quinta-feira na revista Nature, apelidaram esta nova espécie de Yilingia spiciformis. A criatura tinha um corpo longo e fino, medindo até dez centímetros de comprimento e três centímetros de largura, composto por cerca de 50 segmentos simétricos.

A Y. spiciformis habitava o fundo do oceano, onde arrastava o seu corpo pegajoso, deixando trilhas com 58 centímetros de comprimento. Os investigadores suspeitam que esteja relacionado com os artrópodes (invertebrados minúsculos que incluem crustáceos e diplópodes) ou anelídeos (vermes segmentados).

Significativamente, o animal mostra uma simetria bilateral, o que significa que os lados esquerdo e direito do corpo são idênticos, assim como os seres humanos e a maioria dos outros animais.

De acordo com os cientistas, esta pode ser uma característica inerente a todos os animais que evoluíram para se deslocarem pela superfície da Terra, o que poderia tornar os “pequenos passos” deste verme num grande salto para os animais.

“A mobilidade deu aos animais a possibilidade de deixarem uma pegada inconfundível na Terra, literal e metaforicamente”, disse o co-autor do estudo Shuhai Xiao, professor de geociências da Virginia Tech College of Science. “Os animais [bilaterais] e, em particular, os seres humanos são motores e agitadores da Terra. A sua capacidade de moldar a face do planeta está finalmente ligada à origem da motilidade animal”.

ZAP //

Por ZAP
9 Setembro, 2019

 

2586: Kamuysaurus japonicus é a nova espécie de dinossauro descoberta no Japão. Tinha um “bico de pato”

CIÊNCIA

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
Reconstrução do Kamuysaurus japonicus, a flutuar no mar, com dois mosassauros, duas tartarugas marinhas e quatro amonóides.

‘Kamuysaurus japonicus’ é a nova espécie de hadrossáurio encontrada no Japão. A reconstituição do esqueleto quase completo revela que este tinha um “bico de pato”.

Uma nova pesquisa publicada ontem no Scientific Reports descreve o ‘Kamuysaurus japonicus’ — uma espécie de hadrossáurio ou dinossauro de bico de pato —, retirado da Formação Hakobuchi no Japão.

O fóssil quase completo foi encontrado em depósitos marinhos de 72 milhões de anos, sugerindo que a criatura viveu ao longo da costa. O dinossauro foi baptizado como “Kamuysaurus japonicus”, que significa “deus dragão japonês”.

Os ossos do ‘Kamuysaurus japonicus‘ foram encontrados ao lado dos restos fossilizados de tartarugas marinhas e mosassauros (um réptil aquático extinto que se parecia com uma baleia moderna), reforçando ainda mais a ideia que este dinossauro habitou perto do mar.

Os hadrossáurios eram um grupo de dinossauros que viveu durante o período cretáceo tardio — 100 a 66 milhões de anos atrás. Estes herbívoros podiam andar com quatro ou duas pernas, permitindo que pastassem ao longo do solo ou atingissem galhos altos.

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
O esqueleto quase completo do ‘Kamuysaurus japonicus’.

Em 2013, a cauda parcial deste espécime foi descoberta na Formação Hakobuchi, levando a escavações mais extensas no local. Os cientistas conseguiram descobrir um esqueleto quase completo, cujos ossos foram analisados pelo paleontólogo Yoshitsugu Kobayashi, do Museu da Universidade Hokkaido e pela sua equipa.

É o “maior esqueleto de dinossauro já encontrado no Japão“, pode-se ler num comunicado de imprensa da Universidade de Hokkaido.

A análise da amostra incluiu cerca de 350 ossos individuais. A criatura era um hadrossáurio de tamanho médio e adulto e tinha cerca de 9 anos quando morreu. Ainda vivo, o herbívoro media cerca de 8 metros e pesava 5,3 toneladas.

Os investigadores especulam que a sua carcaça flutuou para o mar e eventualmente afundou, o que permitiu que esta fosse preservada em sedimentos, revela a Gizmodo. 

Kobayashi e os seus colegas explicaram que o ‘Kamuysaurus japonicus’ era semelhante ao Laiyangosaurus da China e ao Kerberosaurus da Rússia, e que pertence ao clado (grupo de organismos com um antepassado comum) de dinossauros Edmontosaurini.

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
Representação artística do ‘Kamuysaurus japonicus’.

Consequentemente, a investigação está a fornecer novas ideias sobre a origem deste clado e como estes animais se espalharam pelo planeta. O ‘Kamuysaurus japonicus’ e seus parentes próximos provavelmente viajaram pelo Alasca, que ligou a Ásia à América do Norte durante o final do Cretáceo.

Esta espécie de hadrossáurio exibia três características físicas que a distinguiam de outros membros do clado Edmontosaurini, garantindo assim a criação de um género e espécie de dinossauro novo. Estas características incluíam uma crista no crânio, uma fileira de espinhos inclinados para a frente nas costas e uma placa óssea mais curta do que o normal no osso da mandíbula.

“O facto de ter sido encontrado um novo dinossauro no Japão significa que existiu um mundo independente de dinossauros no país ou no leste da Ásia, com um processo evolutivo diferente“, salientou Yoshitsugu Kobayashi, citado pela Sapo.

O ‘Kamuysaurus japonicus’ terá habitado em regiões costeiras, habitat raro para os dinossauros da época que terá “desempenhado um papel importante na diversificação” dos dinossauros no início da sua evolução.

DR, ZAP //

Por DR
7 Setembro, 2019

 

2545: Descoberto fóssil de crânio do “avô” da Humanidade. Tem 3,8 milhões de anos e é mais antigo do que a Lucy

CIÊNCIA

Cleveland Museum of Natural History

Investigadores descobriram na Etiópia um fóssil de um crânio de um antepassado do Homem com 3,8 milhões de anos, mais antigo do que o popular fóssil “Lucy”, encontrado na década de 1970 no mesmo local, foi esta quarta-feira divulgado.

O crânio completo fossilizado dá novas informações sobre a morfologia crânio-encefálica do Australopithecus anamensis, a espécie de hominídeo do género dos australopitecos mais antiga, que vinha sendo datada entre 4,2 e 3,9 milhões de anos.

A equipa de especialistas que analisou o fóssil, descoberto em Fevereiro de 2016 na região de Afar, na Etiópia, admite que o Australopithecus anamensis terá coexistido durante cerca de 100 mil anos com uma outra espécie de australopiteco, que a sucedeu, a Australopithecus afarensis, da qual foi encontrado em 1974, na mesma região, o fóssil “Lucy”, com 3,2 milhões de anos.

Ambos os fósseis foram descobertos por peritos do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, que divulga em comunicado os resultados do estudo do fóssil do crânio, também publicados na revista científica Nature.

Segundo o comunicado do museu, o crânio fossilizado, o primeiro da espécie Australopithecus anamensis descoberto, está datado no intervalo de tempo entre 4,1 e 3,6 milhões de anos, em que os fósseis dos antepassados humanos são “extremamente raros”, especialmente fora da jazida paleontológica de Woranso-Mille, na região etíope de Afar.

A idade do fóssil do crânio do Australopithecus anamensis – 3,8 milhões de anos – foi calculada por uma equipa da universidade norte-americana Case Western Reserve, em Cleveland, que datou os minerais das camadas rochosas vulcânicas nas proximidades do local onde o fóssil foi encontrado.

O crânio fossilizado partilha características com a espécie Australopithecus afarensis, mas também com outras mais antigas, como as dos géneros de hominídeos Sahelanthropus e Ardipithecus.

John Gurche / Matt Crow / Cleveland Museum of Natural History

O fóssil tem traços distintos em relação a um fragmento de um crânio fossilizado que foi descoberto em 1981 no sítio paleontológico de Belohdelie, igualmente da região etíope de Afar, e que os especialistas datam de 3,9 milhões de anos e como pertencendo à mesma espécie de “Lucy”. Tal significa, segundo os autores do estudo, que o Australopithecus anamensis terá coexistido cerca de 100 mil anos com o Australopithecus afarensis.

De acordo com uma das co-autoras da investigação, Naomi Levi, da Universidade de Michigan, também nos Estados Unidos, o antepassado de “Lucy” terá vivido perto de um grande lago que estava a maioria das vezes seco.

“Estamos ávidos por realizar mais pesquisas sobre estes depósitos para compreender as condições ambientais do espécime de Australopithecus anamensis, a relação com as alterações climáticas e de que forma ou não afectaram a evolução humana”, afirmou, citada no mesmo comunicado.

ZAP // Lusa

Por Lusa
29 Agosto, 2019

 

2400: Cientistas encontraram a “Millennium Falcon dos mares”

CIÊNCIA

 

 

A criatura marinha com 500 milhões de anos, encontrada no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, tem semelhanças com a famosa nave da Guerra das Estrelas.

Trata-se de uma criatura marinha carnívora, que usava as suas garras como um ancinho para apanhar as suas presas e que estava protegida por uma enorme concha com pontas afiadas.

“O corpo é um bocadinho ridículo. Tem uma cabeça gigantesca, com uma concha gigantesca e minúsculas barbatanas por baixo. Portanto, há alguma coisa que parece disfuncional na sua capacidade de nadar de forma eficiente”, afirma o co-investigador do estudo Jean-Bernard Caron, curador de paleontologia de invertebrados no Royal Ontario Museum, no Canadá, citado pelo Live Science.

Os investigadores baptizaram esta criatura com 506 milhões de anos de Cambroraster falcatus. O nome que identifica o género – Cambroraster – faz referência ao período Cambriano e à palavra em latim “rastrum”, que significa “ancinho”. O nome da espécie – falcatus – é uma homenagem à Millennium Falcon, mítica nave da Guerra das Estrelas.

Caron e a restante equipa encontraram os fósseis do C. falcatus pela primeira vez em 2012, durante uma escavação no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, um local famoso pelos tesouros de fósseis cambrianos.

Jean-Bernard Caron / Royal Ontario Museum
Cambroraster falcatus

Porém, foi apenas em 2018 que encontraram um local com muitos destes “animais nave”, assim apelidados pelos paleontólogos. O grande grupo indicou que “não eram predadores isolados”, mas sim que “viviam em grandes grupos”, explica Caron.

O agora extinto C. falcatus era um tipo de artrópode primitivo conhecido como radiodonte, um parente distante das aranhas, crustáceos e insectos modernos. Dos 140 espécimes descobertos pelos paleontólogos, a maioria em idade adulta era do tamanho da mão de uma pessoa, embora o maior tenha medido cerca de 30 centímetros de comprimento.

“Este tamanho devia ser ainda mais impressionante na altura em que foi vivo, uma vez que a maioria dos animais durante o período Cambriano eram mais pequenos do que o nosso mindinho”, declara Joe Moysiuk, estudante de doutoramento em ecologia e biologia evolutiva na Universidade de Toronto, que tem a sua sede no Royal Ontario Museum.

De acordo com Caron e Moysiuk, este animal usou provavelmente as suas garras em forma de ancinho para para peneirar os sedimentos do fundo do mar. Também é possível que tenha usado a carapaça para atravessar a lama e descobrir alimento.

O estudo foi publicado, esta quarta-feira, na revista Proceedings of the Royal Society B.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2019

 

2384: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

ZAP //

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28 Julho, 2019

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2242: Fóssil de ave três vezes maior que avestruz descoberto na Crimeia. Pesava meia tonelada

CIÊNCIA

Andrey Atuchin

Um fóssil de uma ave três vezes maior do que uma avestruz foi descoberto numa gruta da Crimeia, sugerindo que os primeiros europeus conviveram com uma das maiores aves conhecidas.

A descoberta é esta quinta-feira relatada na revista científica “Journal of Vertebrate Paleontology”, na qual se diz que até agora se pensava que aves tão grandes só tinham existido nas ilhas de Madagáscar e da Nova Zelândia.

A espécie descoberta numa caverna de Táurida, na costa do Mar Negro, remete para uma ave tão grande como o pássaro-elefante de Madagáscar ou o moa da Nova Zelândia.

“Quando senti pela primeira vez o peso da ave cujo osso da coxa eu segurava na mão pensei que devia ser um fóssil de um pássaro-elefante malgaxe, porque nenhuma ave desse tamanho tinha sido alguma vez encontrada na Europa. No entanto, a estrutura do osso contou uma história diferente”, disse o autor principal da descoberta agora relatada, Nikita Zelenkov, da Academia Russa de Ciências.

Ressalvando que ainda não há dados suficientes para dizer se a ave se relaciona com as avestruzes ou não, o investigador estimou que pesaria cerca de 450 quilos, quase o dobro da maior moa, três vezes maior que a maior ave viva, a avestruz, e quase tão grande como um urso polar adulto.

Esta é a primeira vez que uma ave assim tão grande, atribuída à espécie “Pachystruthio dmanisensis”, é relatada em qualquer lugar do hemisfério norte. Teria pelo menos 3,5 metros de altura e não voava. Tal como frisa o jornal espanhol ABC, esta ave é uma das maiores de todos os tempos até agora descoberta.

Os investigadores notam ainda que devia ser uma melhor corredora do que o pássaro-elefante, devido ao fémur relativamente longo e fino. Outros fósseis encontrados ao lado da ave ajudam a avançar que tenha vivido num período entre 1,5 a dois milhões de anos.

A rede de cavernas de Táurida só foi descoberta no verão passado, quando estava a ser construída uma nova autoestrada. No ano passado foram desenterrados restos de mamutes e pode haver muitas mais informações no local sobre o passado distante da Europa, disse Zelenkov.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Junho, 2019

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