2038: Encontrados os fungos mais antigos do mundo. Têm mil milhões de anos

CIÊNCIA

Corentin Loron / Universidade de Liège
Ourasphaira giraldae, o fungo encontrado no Canadá e tido como o mais antigo do mundo.

Fungos descobertos no Canadá, com mil milhões de anos, são os mais antigo de sempre. Anteriormente, pensava-se que os fungos apenas teriam aparecido na Terra há 500 milhões de anos.

A descoberta deste fungos no Canadá vem mudar completamente a forma como olhamos para o desenvolvimento da vida na Terra. O estudo publicado, esta quarta-feira, na revista Nature, relata que os cientistas desenterraram os fungos fossilizados mais antigos de sempre.

Segundo o The Guardian, os organismos foram descobertos em xistos de águas rasas, no sul da ilha Victoria. Os cientistas identificaram o organismo como Ourasphaira giraldae.

Através do microscópio, os cientistas conseguiram descobrir diferenças claras nestes fungos, nomeadamente os seus esporos esféricos, os filamentos ramificados que os ligam e as paredes celulares de duas camadas.

Com mil milhões de anos, estes fungos apareceram no nosso planeta há pelo menos o dobro do tempo que pensávamos. Os cientistas conseguiram datar os fungos após examinarem a idade da rocha em que foram encontrados através da proporção de elementos radioactivos.

A preservação é tão boa que ainda temos os compostos orgânicos“, disse a líder do estudo, Corentin Loron. Estes micro-organismos estão em condições intactas devido a terem ficado presos em lama solidificada, que impedia a entrada de oxigénio e a sua consequente decomposição.

A descoberta é de grande importância, uma vez que fungos fazem parte do mesmo grupo de organismos que as plantas e os animais. Ou seja, isto significa que se os fungos estavam presentas há mil milhões de anos atrás, também os animais devem ter estado.

“Não estamos a falar de nada grande como dinossauros. Seria algo muito simples. Talvez uma espécie de esponja“, disse a cientista.

Isto remodela a nossa visão do mundo, porque esses grupos ainda estão hoje presentes. Portanto, esse passado distante, embora muito diferente de hoje, pode ter sido muito mais ‘moderno’ do que aquilo que pensávamos”, explicou Loron, citada pelo Phys.

ZAP //

Por ZAP
24 Maio, 2019

2003: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



 

1963: Descoberto dinossauro do Jurássico que voava com asas de morcego

CIÊNCIA

Uma nova investigação, levado a cabo por paleontólogos da Academia Chinesa de Ciências, descobriu uma espécie de dinossauro nunca antes documentada, que tem penas e asas semelhantes às de um morcego, utilizadas para planar. 

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature, o fóssil analisado foi encontrado em 2017 na província de Liaoning, na China. Ambopteryx longibrachium pertence à ordem dos Scansoriopterygidae e terá habitado a Terra há cerca de 163 milhões de anos, durante o Jurássico.

A espécie, de pequenas dimensões (32 centímetros de comprimento e 306 gramas de peso) – da mesma envergadura de uma pega -, tinha uma membrana larga, lisa e macia, que se estendia do corpo aos antebraços.

Em 2007, outro aparente dinossauro desta espécie tinha sido encontrado na província de Henbei. Na época, foi baptizado de “Yi qi” (que significa “asa estranha”). Os especialistas sugeriram que se tratava de um dos primeiros animais planadores, já que tinham asas semelhantes às de um morcego, contudo a sustentação não foi aceite pela comunidade científica até a descoberta deste novo espécime.

Apesar de pertencer à mesma família, o Ambopteryx apresenta diferenças notáveis comparativamente com o seu primo descoberto em 2007: o osso das extremidades superiores é mais largo, possui uma cauda curta que termina em vértebras fundidas e tem ainda membros posteriores mais alongados.

“As descobertas de Ambopteryx e Yi mudam completamente a nossa visão sobre a origem do voo das aves”, afirmou Min Wang, paleontólogo do Instituto de Paleontologia e Paleontologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências e líder da equipa de investigadores.

O novo estudo fornece novas informações sobre a evolução dos dinossauros para se adaptarem ao voo. “Durante muito tempo, pensamos que as asas com penas eram o único dispositivo de voo” na evolução das aves, apontou Wang.

“No entanto, as novas descobertas mostram claramente que as asas membranosas também evoluíram em alguns dinossauros intimamente relacionados com as aves. Em conjunto, a amplitude e a riqueza da experimentação relacionada com o voo são maiores do que se pensava até então durante a transição dinossauro-pássaro. Estamos só a ver a ponta do icebergue”, completou o cientista.

Ambopteryx era certamente capaz de planar, assegurou o cientista, o mais difícil é saber é se conseguia “voar” a partir de uma posição estática (por impulso). Provavelmente omnívoros, estes espécimes viveram um estilo de vida arbóreo, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2019


 

1948: Nova espécie de mil-pés descoberta fossilizada em âmbar. Tem 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Pavel Stoev

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova e minúscula espécie de mil-pés na Birmânia. O pequeno animal ficou fossilizado em âmbar há 99 milhões de anos.

Numa recente publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista ZooKeys, os cientistas mencionam a espécie como “anões sob as pernas de dinossauros”.

O insecto em causa (Burmanopetalum inexpectatum) mede pouco menos de um centímetro (8,2 milímetros) e é o primeiro fóssil de mil-pés da ordem Callipodida já descoberto, tal como observa o portal da Newsweek.

O investigador principal, Pavel Stoev, do Museu Nacional de História Natural da Bulgária, destacou a morfologia incomum da espécie. O animal revelou ter características tão incomuns que os cientistas tiveram que introduzir uma nova subordem.

“Imagine um pequeno mil-pés, menos de um centímetro: com os seus parentes modernos, que medem até 10 centímetros de comprimento, seria considerado um anão“, explicou o autor do estudo. “Ainda mais impressionante, é o facto deste animal ter vivido numa época em que terríveis dinossauros e enormes artrópodes vagueavam pela Terra”.

O especialista observou que muito provavelmente este mil-pés habitava o solo de “florestas de clima quente e árvores densas, como pinheiros e sequóias”.

Burmese Amber @Burmese_Amber

Figure 1. Burmanopetalum inexpectatum gen. nov. et sp. nov., female holotype (ZFMK-MYR07366) A
habitus B head, anterior-most body rings and vulvae, anterior view C antennae, lateral view D pleurotergal crests ornamentation, lateral view E telson, lateral view F legs, dorsola…

A espécie que acabamos de descrever difere do seus “parentes modernos” por ter “o último segmento [do seu corpo] especialmente projectado, que teria desempenhado um papel na sua biologia”. Faltavam-lhe também “excrescências características de cabelo nas costas, que estão presentes em todos os membros da ordem Callipodida“, acrescentou.

Pavel Stoev acrescentou ainda que o animal tinha “olhos muito simples”, enquanto que “a maioria dos seus colegas modernos tem uma visão complexa”, apontou.

A descoberta de Burmanopetalum inexpectatum ajuda a melhor compreender a história evolucionária da sua ordem. O autor do estudo ressalvou que os cientistas têm agora “fortes evidências de que esta linhagem surgiu há 99 milhões de anos”.

ZAP //

Por ZAP
9 Maio, 2019

 

1839: Descoberta nova espécie de humanos nas Filipinas

CIÊNCIA

Projecto Arqueológico da Gruta de Callao

Sete dentes e cinco ossos revelaram a existência de uma espécie de humanos antigos até então desconhecidos. Uma equipa de cientistas encontrou fósseis com características distintivas da espécie, que foi baptizada de Homo luzonensis, numa caverna na ilha filipina de Luzon.

“É uma espécie completamente nova de hominídeos. Não acontece muitas vezes”, disse o arqueólogo e bioquímico Rainer Grün, da Universidade de Griffith, que conduziu os testes nos ossos, em declarações ao portal Science Alert.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta quarta-feira publicados na revista científica Nature, a espécie habitou esta área entre 50.000 e 67.000 anos.

Durante as escavações, realizadas em 2007, 2011 e 2015 na caverna de Callao, a equipa encontrou sete dentes, dois ossos dos dedos das mãos, dois ossos dos dedos dos pés e um osso da parte superior da perna.

Os restos fósseis encontrados oferecem as primeiras evidências directas da presença humana nas Filipinas. Segundo revelaram os cientistas, os restos encontrados pertenciam a, pelo menos, três indivíduos destas espécie recém-descoberta.

A análise a um dos ossos do pé, descoberto em 2007, sugere que o indivíduo pertencia ao género Homo, não sendo claro na altura a que espécie em concreto.

Os autores do estudo detalharam que outros espécimes encontrados “exibem uma combinação de características morfológicas primitivas e derivadas diferentes da combinação de características encontradas em outras espécies do género Homo”, como o Homo floresiensis e o Homo sapiens. Este mesmo motivo “garante a sua atribuição a uma nova espécie“, escreveram os cientistas.

Os ossos dos dedos das mãos e dos pés dos antigos habitantes de Luzon são curvos, indicando uma capacidade de escalar árvores semelhante às do hominídeos de há dois ou mais milhões de anos.

Nature News & Views

@NatureNV

A previously unknown human species called Homo luzonensis lived in Asia. Find out more about this amazing discovery in a terrific N&V by Matt Tocheri @mylakehead @HumanOrigins https://go.nature.com/2uWF8iW 

Espécie é contemporânea do Homo floresiensis

De acordo com a mesma publicação científica, o recém-descoberto Homo luzonensis viveu ao mesmo tempo que o Homo floresiensis, espécie de hominídeos de tamanho médio que habitavam a ilha indonésia de Flores.

O Homo floresiensis foi a primeira das espécies humanas que habitou a ilha há aproximadamente 100.000 a 60.000 anos. Ossos de indivíduos desta espécie – apelidados de hobbits devido à sua altura de apenas um metro – foram encontrados em 2003 na caverna de Liang Bua, na Indonésia.

O Homo luzonensis era não só contemporâneo dos hobbits, mas também da nossa espécie, o Homo sapiens, que surgiu na África há aproximadamente 300 mil anos. Os cientistas afirmaram que não é possível descartar a possibilidade de que a chegada da nossa espécie à região tenha contribuído para o desaparecimento do Homo luzonensis.

Os habitantes da ilha de Flores também desapareceram há cerca de 50 mil anos, ao mesmo tempo que o Homo sapiens se espalhava pela região. Quanto à estatura do Homo luzonensis, e tendo em conta o tamanho dos seus dentes, a equipa acredita que este tenha tido uma estatura muito menor do que o Homo sapiens.

Ambas as descobertas, quer na ilha de Luzon como na ilha de Flores, provam que a história da evolução humana é bem mais complicada do que se acreditava até então.

“Durante anos – e até há menos de 20 anos – a evolução humana na Ásia era vista como muito simples: o Homo erectus saiu de África, fixou-se no este e sudeste asiático e nada mais aconteceu até à chegada do Homo sapiens, há cerca de 40 ou 50 mil anos”, avançando para a conquista de todas as regiões da Terra, explicou paleoantropologista Florent Détroit, do Muséum National d’Histoire Naturelle, citado pela agência Reuters.

Com estas descobertas, “sabemos agora que a história evolucionária é muito mais complexa, com várias espécies distintas e contemporâneas do Homo sapiens, reprodução cruzada entre as espécies e até extinções”, revelou o paleoantropologista dando conta que, com toda a certeza, o Homo sapiens “não estava sozinho na Terra”.

Em declarações à TSF, Octávio Mateus, professor de Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa, rotula a descoberta como “formidável” e “extraordinária”. “Cada vez que descobrimos um humano é absolutamente espectacular”.

ZAP // Science Alert / Russia Today

Por ZAP
11 Abril, 2019

 

1792: Como era a Terra há 66 milhões de anos? Esta descoberta ajuda-nos a contar a história

Um grande conjunto de fósseis em excelente estado de conservação, encontrado no Dakota do Norte, nos Estados Unidos, pode permitir identificar espécies entretanto extintas

© ROBERT DEPALMA O grupo de cientistas da Universidade do Kansas, em trabalho de campo no depósito de Tanis

Há 66 milhões de anos, um asteróide de grandes dimensões (estima-se que tivesse entre 11 e 81 quilómetros de diâmetro) caiu no sudeste do México, perto da cidade de Chicxulub, alterando para sempre a vida na Terra. A teoria de que terá sido este evento a provocar a extinção dos dinossauros e de 75% das espécies animais e vegetais do planeta é hoje dominante. Ondas gigantescas – cuja dimensão é estimada em 1600 metros, o equivalente a cerca de 11 Torres Vasco da Gama, em Lisboa – terão tido consequências catastróficas.

O que tem este acontecimento a ver com o conjunto de fósseis “extremamente bem preservados” de animais e peixes encontrado por grupo de paleontologistas no estado-norte americano do Dakota do Norte, que fica a cerca de 3000 quilómetros de Chicxulub? Aparentemente, tudo. Num estudo publicado esta segunda-feira, os cientistas da Universidade do Kansas defendem que estes fósseis fazem parte de uma imensidão de seres vivos que morreu poucos minutos depois do impacto do asteróide. Toda a fauna marinha e terrestre do período Cretáceo terá sido soterrada por uma camada de sedimentos.

Os fósseis foram encontrados num depósito que dá pelo nome de Tanis, na formação de Hell Creek, um dos sítios mais famosos e intensamente estudados de fósseis de dinossauro. Foram encontrados vestígios de “peixes de água doce, vertebrados terrestres, árvores, ramos, troncos, amonóides [um grupo extinto de moluscos cefalópodes] e outras criaturas marinhas”, refere Robert DePalma, autor principal do estudo, ao jornal britânico “The Guardian”.

O óptimo estado de conservação dos fósseis poderá permitir identificar novas espécies de peixes e estudar melhor outras já classificadas. “A sedimentação aconteceu tão depressa que está tudo preservado em três dimensões – eles não estão esmagados”, assinala David Burnham, co-autor do estudo. Nas guelras dos peixes em melhor estado encontraram-se mesmo vestígios de esferas milimétricas de vidro (tectitos), possivelmente provenientes de uma chuva de rocha derretida.

“Estamos a analisar registos, passo a passo, de um dos momentos mais importantes da história da Terra. Em mais nenhum lugar há um registo deste tipo. Nada voltou a ser como dantes depois deste impacto. A Terra tornou-se um planeta de mamíferos em vez de um planeta de dinossauros”, resumiu Robert DePalma, que iniciou as escavações em Tanis em 2013.

msn notícias
João Pedro Barros
01/04/2019

 

1654: Eis Moros, o tiranossauro “anão” que revela que o T-rex nem sempre foi Rei

(dr) Jorge Gonzalez

O Tyrannosaurus rex é celebrizado como o “rei” dos dinossauros devido ao seu enorme porte que pode atingir os 12 metros de comprimento, contudo um novo estudo, esta semana publicado, pode pôr em causa o prestígio da sua “coroa”. 

Uma equipa de paleontólogos norte-americanos, liderados pela especialista Lindsay Zanno, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu um fóssil de um tiranossauro com cerca de 77 quilogramas e menos de 1,5 metros de altura.

O pequeno fóssil, apelidado de Moros intrepidus, é o menor dinossauro do seu tipo. De acordo com as estimativas dos especialistas, viveu durante o período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, no território que hoje conhecemos como o Utah. Até então, este mini-tiranossauro é a espécie mais antiga já descoberta na América do Norte.

De acordo com a nova investigação, esta semana publicada na revista especializa Communicacions Biology, a descoberta desta espécie permitiu fechar uma lacuna que somava já 70 milhões de anos no registo fóssil.

Os paleontólogos precisavam de uma evidência esquelética dos tiranossauro norte-americanos de há 150 milhões de anos (período Jurássico ao qual pertencem os remanescentes dos tiranossauros e alossauros primitivos de tamanho médio) até há 81 milhões de anos (no Cretáceo, quando surgiram os maiores tiranossauros e os alossauros, por sua vez, tornaram-se extintos).

Na verdade, os tiranossauros nem sempre foram os enormes predadores que imaginamos hoje em dia. No início da sua evolução, explicaram os cientistas, estes animais eram carnívoros muito pequenos e caçavam juntamente com os alossauros, também carnívoros, mas de porte muito maior.

Os cientistas não sabem ainda como é que os tiranossauros atingiram o seu tamanho colossal, instalando-se depois no topo da cadeia alimentar – esse continua a ser o mistério. Contudo, os paleontólogos sabem agora que esta evolução não levou mais de 16 milhões de anos e que aconteceu apenas no final da era dos dinossauros.

“O que o Moros intrepidus faz por nós é ajudar-nos a entender quem, o quê, porquê, onde e quando os tiranossauros alcançaram o papel principal entre os predadores no subcontinente norte-americano”, rematou a principal autora da investigação, Lindsay Zanno, citado pela National Geographic.

ZAP //

Por ZAP
1 Março, 2019

 

Cientistas descobrem “Rei da Antárctida”, fóssil de parente precoce dos dinossauros

Tinha o tamanho de uma iguana, provavelmente era carnívoro, e viveu na Antártida há 250 milhões de anos

O “Antarctanax Shackletoni”
© Adrienne Stroup, Field Museum

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antárctida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology (Boletim de Paleontologia de Vertebrados).

Nessa altura o que é hoje a Antárctida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antárctida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antárctida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antárctida.

Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insectos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antárctida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antárctida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antárctida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antárctida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31/01/2019

 

1404: Réptil mais misterioso do Jurássico pode ter tido sangue quente

CIÊNCIA

(dr) Dean R. Lomax
Ilustração de um Ichthyosaurus

Com mais de 180 milhões de anos de idade, um fóssil do réptil marinho possui a primeira evidência química directa de sangue quente.

Um grupo internacional de cientistas estudou o fóssil extremamente bem preservado de um réptil antigo, primo dos actuais golfinhos, que viveu no oceano que se situava no território actual da Alemanha há cerca de 180 milhões de anos.

Os resultados da investigação, conduzida por investigadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, e da Universidade de Lund, na Suécia, foram publicados pela revista Nature a 5 de Dezembro.

De acordo com o estudo, as análises molecular e micro-estrutural do fóssil mostraram que o réptil marinho antigo, classificado como Stenopterygius ichthyosaur, era semelhante a um golfinho moderno e não só em aparência – provavelmente tinha sangue quente, gordura isolante e usava a coloração como camuflagem contra predadores.

“Os ictiossauros são interessantes, porque têm muitas características em comum com os golfinhos, mas não estão relacionados em tudo com estes mamíferos que vivem no mar”, disse a co-autora da pesquisa, Mary Schweitzer, paleontóloga e bióloga da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

“Não estamos seguros da sua biologia. Têm muitas características em comum com os répteis marinhos vivos, como as tartarugas, mas sabemos, graças ao registo do fóssil, que eles eram vivíparos, que está associado com o sangue quente”, acrescentou.

Primeira evidência directa de sangue quente

Johan Lindgren, professor da Universidade de Lund e principal autor do estudo, ressalta que “tanto o contorno do corpo como os restos dos órgãos internos são visíveis”. “É surpreendente que o fóssil esteja tão bem preservado ao ponto de ser possível observar camadas celulares individuais dentro da pele”, sublinhou o cientista.

Também foi observado o material quimicamente compatível com gordura de vertebrados, que só é encontrada em animais capazes de manter a temperatura corporal independente das condições ambientais. Ao aplicar uma série de técnicas especiais de alta resolução, os investigações encontraram evidências químicas de gordura subcutânea no fóssil.

“Esta é a primeira evidência química directa de sangue quente num ictiossauro, porque a gordura é uma característica de animais de sangue quente“, disse Schweitzer.

O estado de conservação permitiu ainda que fossem identificadas micro-estruturas do tipo celular que continham pequenos órgãos de pigmentos dentro da pele, assim como vestígios de um órgão interno que poderia ter sido o fígado do dinossauro.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
10 Dezembro, 2018

 

1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

 

1285: Fóssil com 75 milhões de anos adensa mistério sobre a extinção das aves

CIÊNCIA

Brian Engh / dontmesswithdinosaurs.com
Exemplares de Mirarce eatoni, ilustração de Brian Engh

Há mais de 65 milhões de anos, aves de centenas de espécies diferentes voavam sobre as florestas. Mas, depois do cataclismo que destruiu a maioria dos dinossauros, apenas um grupo de aves sobreviveu.

O mistério é exactamente esse: porque é que apenas uma família sobreviveu? A descoberta de um fóssil de um dos grupos extintos, “primos” das aves de hoje, aprofunda o enigma.

O fóssil com 75 milhões de anos, de um pássaro do tamanho de um peru, é o esqueleto mais completo descoberto na América do Norte dos chamados “enantiornitinos”, ou “oposto de aves” – assim chamados porque os ossos das suas patas são formados de maneira diferente nas aves modernas.

Descoberto em 1992 na área de Grand Staircase-Escalante, no Utah, pelo paleontólogo Howard Hutchison, da Universidade da Califórnia, o fóssil permaneceu relativamente intacto no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, até que a estudante de doutoramento Jessie Atterholt o começou a estudar em 2009.

Os dois investigadores colaboraram com Jingmai O’Conner, especialista em enantiornitina, para analisar o fóssil. Com base no seu estudo, publicado a 13 de Novembro na revista PeerJ, os enantiornitinos do final do período Cretáceo eram extremamente semelhantes aos ancestrais das aves de hoje, capazes de voar com agilidade.

“Sabemos que as aves no início do Cretáceo, há cerca de 115 a 130 milhões de anos, eram capazes de voar, mas não eram tão bem adaptadas como as aves modernas“, disse Atterholt. “O que este novo fóssil mostra é que os enantiornitinos desenvolveram algumas das mesmas adaptações para estilos de voo avançados altamente sofisticados”.

O osso do peito do fóssil, onde os músculos do voo se ligam, é mais profundamente desgastado do que outros enantiornitinos, o que implica um músculo maior e um voo mais forte, mais semelhante aos pássaros modernos. Em forma de V, o osso é mais semelhante ao dos pássaros modernos, ao contrário do osso com a forma de U dos pássaros anteriores.

Scott Hartman
Esqueleto de Mirarce eatoni

“Esta ave em particular tem cerca de 75 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos antes do cataclismo”, referiu a investigadora. “Uma das coisas misteriosas sobre os enantiornitinos é que os encontramos em todo o Cretáceo, durante cerca 100 milhões de anos de existência, e foram muito bem sucedidos“.

Fósseis de enantiornitinos são encontrados em todos os continentes. Em muitas áreas, são mais comuns que o grupo que levou às aves modernas”, afirmou Atterholt. “No entanto, as aves modernas sobreviveram e os enantiornitinos foram extintos”.

Uma hipótese recentemente proposta argumenta que os enantiornitinos viviam na floresta, por isso, quando a área florestal ficou envolta em fumo depois da queda do asteróide que sinalizou o fim do Cretáceo e dos dinossauros não-aviários, estas aves também desapareceram. Muitos enantiornitinos têm fortes garras curvadas, ideais para se empoleirarem e escalar.

“Acho que é uma hipótese realmente interessante e a melhor explicação que ouvi até agora”, disse Atterholt. “Mas precisamos de fazer estudos rigorosos sobre a ecologia dos enantiornitinos, porque, de momento, esta parte do quebra-cabeças não é explícita“.

ZAP // Phys

Por ZAP
14 Novembro, 2018