5369: Afinal, o famoso “rapaz da Gran Dolina” era uma rapariga

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Tom Björklund / CENIEH
Afinal, o famoso “rapaz da Gran Dolina” era uma rapariga

Uma análise aos dentes do famoso fóssil de Atapuerca, em Espanha, revelou que este rapaz era, na verdade, uma rapariga.

O “rapaz da Gran Dolina”, como é conhecido, é um dos fósseis mais emblemáticos da Serra de Atapuerca, no norte de Espanha. Pertence à espécie Homo antecessor e os seus restos mortais foram descobertos durante uma escavação em 1994. Mas agora, conta o jornal espanhol ABC, uma análise aos seus dentes revelou que se tratava, na verdade, de uma rapariga.

Segundo o diário, esta não é a primeira vez que se fica a saber o sexo de um Homo antecessor. No ano passado, uma análise das proteínas presentes no esmalte de um pequeno fragmento de um dente revelou que pertencia a um indivíduo do sexo masculino.

No entanto, desconhecia-se este dado nos dois fósseis mais famosos destes hominídeos: o chamado indivíduo H1, a partir do qual se definiu a própria espécie, e o indivíduo H3, conhecido até agora como o “rapaz da Gran Dolina”.

Como fazer a análise das proteínas implicaria destruir os fósseis, Cecilia García Campos, a líder desta nova pesquisa e investigadora do grupo de Antropologia Dentária do Centro Nacional de Investigação sobre a Evolução Humana (CENIEH), decidiu abordar a questão de outra forma.

(dr) Cecilia García Campos
Os dentes do indivíduo H1

Em primeiro lugar, fez uma análise dos tecidos dentários de uma amostra da população actual e conseguiu atribuir, com uma taxa de sucesso de 92,3%, o sexo de cada indivíduo. Por sua vez, os fósseis H1 e H3 foram analisados ​​de forma segura com recurso à micro-tomografia computorizada (microCT), o que permitiu fazer uma reconstrução 3D dos dentes e observar a dentina, o volume das raízes, o esmalte e outros detalhes.

De acordo com o ABC, os resultados mostraram diferenças comparáveis ​​às observadas entre os homens e as mulheres dos dias de hoje, o que permitiu à equipa afirmar com segurança duas coisas: o H1 era do sexo masculino (algo que já se suspeitava devido ao seu tamanho e outras características) e o H3 era do sexo feminino.

Os investigadores estimam que esta jovem teria entre nove e 11 anos quando morreu e certo é que foi vítima de canibalismo, uma prática que seria comum naquela altura.

É o caso de canibalismo mais antigo e mais bem documentado até agora”, afirmou ao jornal o paleoantropólogo José María Bermúdez de Castro, que é também vice-presidente da Fundação Atapuerca.

O novo estudo foi publicado, a 16 de Março, na revista científica Journal of Anthropological Sciences.

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Por ZAP
22 Março, 2021


‘Winged’ eagle shark soared through oceans 93 million years ago

SCIENCE/BIOLOGY/EAGLE SHARK

It looked like a cross between a shark and a manta ray.

An illustration of the newly described eagle shark, which lived in an ancient seaway 93 million years ago. (Image credit: Oscar Sanisidro)

A bizarre shark with wing-like fins and a wide, gaping mouth soared through the seas of what is now Mexico about 93 million years ago, when dinosaurs still roamed the Earth, a new study finds.

This odd shark — dubbed Aquilolamna milarcae, or eagle shark of the Milarca Museum, where its fossil will go on display — looks remarkably like manta and devil rays, which also sport finned “wings.” (Rays are closely related to, but are not, sharks.) This shark lived more than 30 million years before either of those creatures existed, the researchers said.

That’s not the only similarity: This ancient shark was likely a filter feeder that gulped down tiny plankton-like critters when it was hungry, just like manta and devil rays do today. So, it’s likely that the eagle shark lived in the same type of marine real estate that modern manta and devil rays do now, said study lead researcher Romain Vullo, a vertebrate paleontologist with the National Center for Scientific Research (CNRS) at Geosciences Rennes, in France.

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A quarryman discovered the eagle shark specimen — a slab of limestone that preserved most of the shark’s fossilized skeleton and imprints of its soft tissues — in Nuevo León, a state in northeastern Mexico, in 2012. When this shark was alive, that part of Mexico was covered by the Western Interior Seaway, a body of water that stretched from the Gulf of Mexico to the Arctic Ocean.

This winged shark is unlike any shark alive today. “One of the most striking features of Aquilolamna is that it has very long, slender pectoral [side] fins,” Vullo told Live Science in an email. “This makes the shark wider than long,” with a “wingspan” of about 6.2 feet (1.9 meters) and a total body length of about 5.4 feet (1.65 meters).

“Another interesting feature is that the head is short, with an indistinct snout and a wide mouth,” Vullo added. “The other parts of the Aquilolamna, such as its tail and caudal [tail] fin, are like [those] in many modern sharks. This gives to Aquilolamna a unique chimeric appearance.”

The eagle shark’s well-preserved fossil, along with the fossils of an ammonite (Pseudaspidoceras pseudonodosoides), and bony fishes, including the needle fish (Rhynchodercetis regio). (Image credit: Wolfgang Stinnesbeck)

Sharks, manta rays and other fish with skeletons made of cartilage are part of a group called elasmobranchs, which emerged about 380 million years ago. Modern plankton-eating elasmobranchs have two distinct body shapes — those with “traditional” shark bodies, such as the whale shark (the largest living fish in the world), and those with flattened bodies, including the manta and devil rays.

This newly analyzed shark has features from both of these body types. However, it’s not a precursor species to rays, but rather an example of convergent evolution, where different groups independently evolved the same features. The newfound species’ unusual remains reveal “an unexpected evolutionary experimentation with underwater flight among sharks,” the researchers wrote in the study, published online Thursday (March 18) in the journal Science.

Fast or slow?

The eagle shark was not a fast and fierce predator like today’s great white shark (Carcharodon carcharias).

Aquilolamna was probably a relatively slow swimmer, comparable to other suspension-feeding elasmobranchs” that slowly swim through the water, guzzling down plankton, the researchers wrote in the study. It’s likely that the eagle shark’s long and slender pectoral fins acted as stabilizers, but they may have also helped propel the shark forward with slow flapping motions. The beast likely depended on its torpedo-shaped body and strong tail fin, waving side to side, to thrust it forward through the water.

The eagle shark’s fossil doesn’t have pelvic fins (located on sharks’ undersides, near the tail) or a dorsal fin — the signature triangular fin that pokes ominously out of the water in most Hollywood shark movies. But it’s not clear whether the shark didn’t have these fins when it was alive, or whether they simply didn’t fossilize.

What’s more, none of the shark’s teeth were preserved, which makes it difficult to know what kind of shark it is, said Kenshu Shimada, a professor of paleobiology at DePaul University in Chicago and a research associate at the Sternberg Museum in Kansas, who wasn’t involved with the study.

“Identification of fossil sharks generally relies on tooth characteristics,” Shimada told Live Science in an email. “So, the authors of the new study tentatively placed the new fossil shark in a group called the Lamniformes based on the characteristics seen in its vertebrae and tail skeleton, which are less taxonomically diagnostic.” Modern lamniform sharks include iconic animals, such as the goblin, megamouth, basking, mako and great white sharks, Shimada added.

“This is indeed a remarkable discovery,” but only the discovery of additional, well-preserved specimens, especially those with teeth, may shed light on the shark’s true anatomy, as well as whether it really was a filter feeder, Shimada said.

It’s unclear why A. milarcae went extinct, but this type of filter-feeding shark was probably dealt a grave blow by the 6-mile-wide (10 kilometers) asteroid that collided with Earth at the end of the Cretaceous period, about 65.5 million years ago. That mass extinction event, which killed the non-avian dinosaurs, also calcified “planktonic organisms resulting from an extreme acidification of surface oceans,” which decimated ancient filter feeders’ once-bountiful food buffet, the researchers wrote in the study.

Originally published on Live Science.
By Laura Geggel – Editor
18/03/2021


5348: “Pompeia de plantas pré-históricas” revela segredo evolucionário

CIÊNCIA/BOTÂNICA/PALEOBOTÂNICA

(dr) Hermann Pfefferkorn
As cinzas de uma erupção vulcânica de 300 milhões de anos ajudaram a preservar uma floresta antiga, incluindo folhagens de plantas Noeggerathialean

Uma análise de fósseis encontrados na “Pompeia de plantas pré-históricas”, em Wuda, na Mongólia Interior, revelou que as Noeggerathiales são membros altamente evoluídos da linhagem das plantas com sementes.

As Noeggerathiales foram importantes plantas formadoras de turfa que viveram por volta de 325 a 251 milhões de anos atrás. Segundo o SciTechDaily, os fósseis da “Pompeia de plantas pré-históricas” permitiram aos cientistas determinar que estas plantas estão mais relacionadas com as plantas com sementes do que com outros grupos de samambaias.

Agora, as Noeggerathiales são reconhecidas como samambaias arbóreas avançadas que desenvolveram estruturas semelhantes a cones complexos a partir de folhas modificadas. O artigo científico com a descoberta foi recentemente publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Apesar da sua sofisticação, esta planta foi vítima das profundas mudanças ambientais e climáticas que ocorreram há 251 milhões de anos e que destruíram ecossistemas de pântano em todo o mundo.

“Graças a esta fatia de vida preservada em cinzas vulcânicas, fomos capazes de reconstruir uma nova espécie de Noeggerathiales que resolve finalmente a afinidade do grupo e importância evolutiva”, comentou o co-autor do artigo científico, Jason Hilton, da Universidade de Birmingham.

As cinzas ajudaram a preservar os fósseis e impediram que apodrecessem.

A equipa também deduziu que a linhagem ancestral da qual as plantas com sementes evoluíram se diversificou ao lado da radiação das primeiras sementes de plantas durante os períodos Devoniano, Carbonífero e Permiano, e não morreu rapidamente como se pensava.

Por Liliana Malainho
18 Março, 2021


5344: Cientistas encontraram pólen no estômago de uma mosca com 47 milhões de anos

CIÊNCIA/BIOLOGIA/PALEOBIOLOGIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Senckenberg
O fóssil da mosca Hirmoneura messelense encontrado em Messel, na Alemanha

Cientistas encontraram o fóssil de uma mosca, com 47 milhões de anos, com o estômago cheio de vestígios de pólen.

“O pólen que descobrimos no seu estômago sugere que as moscas já se alimentavam e transportavam pólen há 47 milhões de anos e mostra que desempenharam um papel importante na dispersão de pólen de várias plantas”, disse o botânico Fridgeir Grímsson, da Universidade de Viena, na Áustria, citado pelo site Science Alert.

O novo fóssil foi encontrado no sítio fossilífero de Messel, na Alemanha, e representa uma nova espécie de mosca – Hirmoneura messelense –, que tinha uma probóscide muito curta (órgão nasal dos insectos dípteros).

A análise feita por esta equipa mostra que o seu intestino e o seu estômago têm traços de pólen de pelo menos quatro famílias de plantas, sendo que algumas provavelmente cresceram em torno das margens da floresta de um antigo lago.

Os investigadores também encontraram longos cabelos, conhecidos como cerdas, no seu tórax ou abdómen. Embora aqui não tenha sido encontrado nenhum pólen, o facto de estas cerdas existirem sugere que também poderiam ter transportado pólen quando a mosca saltou de flor em flor.

Ao contrário de outras moscas com probóscides longas, que geralmente pairam sobre as plantas para se alimentarem, esta em particular provavelmente pousou no topo das flores, “antes de engolfar o pólen das anteras”, escreveram os autores do estudo publicado, a 10 de Março, na revista científica Current Biology.

De facto, a probóscide da mosca é tão curta que nem chega a ser visível. Os investigadores pensam que poderá estar escondida dentro da cabeça da mosca. Além disso, as flores de que se parece ter alimentado geralmente estão muito juntas, o que lhe teria permitido andar facilmente entre elas, comendo uma refeição após a outra.

“É provável que a mosca evitasse voos de longa distância entre as fontes de alimentos e procurasse pólen de plantas intimamente associadas”, explicou ainda Grímsson, um dos autores do estudo.

Segundo o mesmo site, esta descoberta apoia uma antiga teoria que defende que, em alguns ambientes tropicais dos dias de hoje, as moscas que visitam flores podem ser tão importantes como algumas abelhas polinizadoras (talvez até mais).

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Por ZAP
17 Março, 2021


5334: Encontrado primeiro fóssil de um dinossauro sentado em cima do seu ninho

CIÊNCIA/FÓSSEIS/PALEONTOLOGIA

(dr) Bi et al., Science Bulletin, 2020

Uma equipa de cientistas descobriu, na China, um fóssil de um oviraptorossauro com o seu ninho também fossilizado, que preservava pelo menos sete embriões.

De acordo com o site EurekAlert!, o fóssil em questão pertence a um oviraptorossauro, um dinossauro terópode, parecido com um pássaro, característico do período Cretáceo (entre há 145 milhões e 66 milhões de anos).

O fóssil consiste no esqueleto incompleto deste dinossauro, agachado sobre um ninho com pelo menos 24 ovos. Destes, pelo menos sete preservam ossos ou esqueletos parciais dos embriões.

O novo espécime foi recuperado a partir de rochas, com cerca de 70 milhões de anos, localizadas na cidade de Ganzhou, no sul da China.

“Dinossauros preservados nos seus ninhos são raros, assim como fósseis de embriões. Esta é a primeira vez que um dinossauro não-aviário foi encontrado assim sentado num ninho”, explica Shundong Bi, investigador da Universidade de Yunnan, na China, e um dos autores do estudo publicado, em Dezembro de 2020, na revista científica Science Bulletin.

A análise dos isótopos de oxigénio levada a cabo pelos cientistas indicou que os ovos foram incubados em altas temperaturas, dando mais força à hipótese de que o dinossauro morreu no momento em que estava a chocar os ovos.

Além disso, embora todos os embriões estivessem bem desenvolvidos, alguns parecem ser mais crescidos do que outros, o que sugere, por sua vez, que os ovos podem ter chocado em momentos ligeiramente diferentes.

Um outro aspecto interessante deste espécime é que possui vários seixos na região abdominal. Segundo o mesmo site, é quase certo que sejam gastrólitos, ou seja, pedras de vários tamanhos que ficam retidas no sistema digestivo de alguns animais para os ajudar a digerir a comida, o que pode fornecer novos dados sobre a sua dieta.

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Por ZAP
16 Março, 2021


5293: Neandertais desapareceram da Europa muito antes do que se pensava

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA

Pascal Rey Photographies / Flickr

Um novo estudo mostra que os fósseis neandertais de uma caverna na Bélgica, que supostamente pertencem aos últimos sobreviventes da sua espécie na Europa, são milhares de anos mais antigos do que se pensava.

A última datação por radio-carbono destes fósseis, descobertos na caverna de Spy, na Bélgica, revelou que tinham cerca de 24 mil anos. Porém, segundo a agência France-Presse (AFP), citada pelo site Science Alert, a nova análise estimou que tenham, afinal, entre 44.200 e 40.600 anos.

Em declarações à agência francesa, Thibaut Deviese, um dos co-autores do estudo e investigador da Universidade de Oxford e da Universidade Aix-Marseille, em França, explicou que a equipa desenvolveu um método mais robusto para preparar amostras, que é mais eficaz a excluir contaminantes.

Ou seja, este novo método ainda depende da datação por radio-carbono, considerada há muito o padrão-ouro da datação arqueológica, mas refina a forma como os espécimes são recolhidos.

Segundo a AFP, os investigadores também dataram espécimes Neandertais de outros dois lugares na Bélgica – Fonds-de-Foret e Engis –, tendo encontrado idades comparáveis.

“Datar todos estes espécimes foi muito emocionante, uma vez que tiveram um papel crucial na compreensão e na definição dos Neandertais”, disse ainda Gregory Abrams, outro dos autores do estudo, do Centro Arqueológico da Caverna Scladina.

“Quase dois séculos depois da descoberta do filho Neandertal de Engis, fomos capazes de dar uma idade confiável”, acrescentou.

O sequenciamento genético foi, entretanto, capaz de mostrar que um osso do ombro de um Neandertal, datado de há 28 mil anos, estava fortemente contaminado com ADN bovino, sugerindo que o osso tinha sido preservado com uma cola feita de ossos de gado.

“Definir datas é crucial na arqueologia. Sem uma cronologia confiável não podemos mesmo confiar que compreendemos a relação entre os Neandertais e o Homo Sapiens”, disse também Tom Higham, investigador da Universidade de Oxford e co-autor do estudo.

O uso de algumas ferramentas de pedra foi atribuído aos Neandertais e interpretado como um sinal da sua evolução cognitiva, afirmou Deviese. Contudo, se a linha do tempo da sua existência está a ser empurrada para trás, acrescentou, então as indústrias paleolíticas deveriam ser reexaminadas para determinar se realmente foram obra destas espécies extintas de hominídeos.

O estudo foi publicado, este mês, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

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Por ZAP
9 Março, 2021


5287: Ancient hippo-size reptile was a quick and ferocious killing machine

SCIENCE/PALEONTOLOGY

The pre-dinosaur reptile Anteosaurus was hefty, swift and deadly

A reconstruction of Anteosaurus attacking an herbivorous Moschognathus. (Image credit: Alex Bernardini (@SimplexPaleo))

A hippopotamus-size predator that lived 265 million years ago was unexpectedly speedy for such a bulky beast.

Scientists previously viewed the dinosaur-like reptile Anteosaurus as slow and plodding because of its massive, heavy head and bones. However, a new analysis of the animal’s skull proved otherwise, revealing adaptations that would have made Anteosaurus a fast-moving juggernaut.

With this deadly combination of speed and power — along with a mouthful of bone-crushing teeth — Anteosaurus would have been one of the most fearsome apex predators on the African continent during the middle part of the Permian period (299 million to 251 million years ago), according to a new study.

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Anteosaurus belonged to a reptile family that predated dinosaurs, known as dinocephalians, and they all died out about 30 million years before the first dinosaurs appeared. Dinocephalians were also part of a larger group of animals called therapsids, which includes the ancestors of mammals.

“Dinocephalians were among the first herbivorous and carnivorous species that dominated terrestrial ecosystems,” said lead study author Julien Benoit, a senior researcher at the Evolutionary Studies Institute at the University of the Witwatersrand (Wits University) in Johannesburg, South Africa.

What’s more, dinocephalians were some of the earliest amniotes — animals that hatch from eggs laid on land or retained inside the mother’s body — to evolve very large body size, according to the study. Many dinocephalians also had sturdy skulls with reinforced horns, buffers and bumps, suggesting that the animals may have used their heavy heads as battering rams.

The transparent skulls of Anteosaurus (left) and Moschognathus (right) show the differences in brain cavities (green) and inner ear (purple). (Image credit: Wits University)

Heavy … and amphibious?

Because Anteosaurus‘ skeleton was so massive, researchers previously hypothesized that it was a slow-moving animal that likely ambushed its prey, Benoit told Live Science in an email.

“Some authors even suggested that it might have been amphibious because it was just too heavy to support its weight on land — similar to what used to be imagined about dinosaurs,” Benoit said. “Our study suggests it is quite the opposite.”

Anteosaurus had a weighty, knobby skull with a prominent crest on the snout, and Benoit and his co-authors questioned if Anteosaurus was a head-butter, like some of its dinocephalian relatives. To find out, they scanned the skull of a juvenile Anteosaurus magnificus from the Karoo desert region in South Africa.

They used X-ray microtomography (micro-CT) to create high-resolution images that revealed the interior of the skull in exceptional detail and then used those images to reconstruct the skull and its long-gone internal structures as digital 3D models.

Their scans provided the first-ever glimpse of an Anteosaurus’ inner ear — and it was definitely not the inner ear of a head-butting animal, Benoit said.

“When the skull is adapted to head butting, the inner ear is tilted backward because of a reorientation of the braincase to absorb head-to-head combat stress,” Benoit said. But A. magnificus lacked that adaptation, so it probably didn’t use its head for ramming.

“Instead, it would have used its massive canines for fighting,” Benoit said.

The skull of Anteosaurus dwarfs that of a modern human. (Image credit: Wits University)

An agile killer

The scientists also found surprising clues about Anteosaurus‘ abilities by reconstructing and measuring the dimensions of its inner ear canal, which is a feature associated with balance, and lobes in its cerebellum called the flocculi, which assist with agility and help predators lock their eyes on their prey. The shapes of these structures resembled those found in predators such as cats and velociraptors, hinting that Anteosaurus had a nervous system adapted to catching fast-moving prey, Benoit said.

“When you contemplate the bones of this animal, they look so heavy and massive that this really came up as a surprise,” he said. “I guess this comes in part from the misconception that fossilized bones are so heavy, it is hard to imagine that they were once light and pulled by muscles powerful enough to make them move.”

Superior swiftness and agility would have enabled Anteosaurus to prey on another group of big-skulled and formidable Permian reptiles known as therocephalians, or “beast-heads,” placing it at the top of the food chain, according to the study. And this is just the beginning of what researchers are yet to discover about the strange reptiles that came before the dinosaurs, Benoit said.

“Soon we will be capable of comparing the brain and inner ear of Anteosaurus to many of its close relatives,” he said. “This will shed new light on the interactions between animals of an entirely extinct ecosystem.”

The findings were published online Feb. 18 in the journal Acta Palaeontologica Polonica.

Originally published on Live Science.
By Mindy Weisberger – Senior Writer
08/03/2021


This ‘Ninja Giant’ is the oldest titanosaur on record

SCIENCE/PALEONTOLOGY

N. zapati would have grown to about 66 feet (20 meters) long and sported the column-like legs and long neck and tail of a typical titanosaur. (Image credit: Jorge A González)

A new long-neck dinosaur discovered in Argentina might be the oldest titanosaur ever discovered.

The dinosaur, dubbed Ninjatitan zapati, lived 140 million years ago, which is 20 million years before the appearance of the next known titanosaur species. The discovery suggests that this group of hefty sauropods first emerged on the supercontinent Gondwana, which was made up of what is now South America, Antarctica, Africa, Australia, New Zealand, the Indian subcontinent and Saudi Arabia.

N. zapati was discovered in 2014 by Jonatan Aroca, a technician of El Chocón Museum in Neuquén, Argentina. Aroca was prospecting at a dig site in southwest Neuquén, located in Patagonia. This site was known for sauropod discoveries, and Aroca was searching for new finds outside of previous excavations when he discovered a titanosaur scapula.

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Further excavations turned up some vertebrae, a femur and a fibula (a lower-leg bone). The remains established that the fossils came from a brand-new titanosaur.

Paleontologists carefully excavated the remains of N. zapati. (Image credit: Jorge A González)

Some titanosaurs could grow up to 131 feet (40 meters) in length, but N. zapati was a relative pipsqueak at 66 feet (20 m) long. It still had the column-like legs and long neck and tail of a typical titanosaur, study author Pablo Ariel Gallina, a paleontologist at the National Scientific and Technical Research Council of Argentina, told Live Science.

The researchers named the dinosaur after vertebrate paleontologist Sebastián “Ninja” Apesteguía, who led the first excavations from 2010 to 2014 of the Bajada Colorado Formation where the dinosaur was discovered. Zapati was chosen to honor Rogelio “Mupi” Zapata, a technician of the Museo Municipal Ernesto Bachman, who also made important discoveries at the site.

The discovery puts titanosaurs in the early Cretaceous period in Gondwana, showing that they were already established by this time, Gallina said. Older long-neck dinosaurs have been discovered before, including members of the broader group that titanosaurs are part of, titanosauriforms, which seems to have arisen in the late Jurassic and also includes the brachiosaurids. But N. zapati is the oldest known member of the titanosaur branch of that family tree.

The find confirms what paleontologists had suspected about the group based on their worldwide distribution: that they arose early in Gondwana and then spread. One 2016 study suggested that titanosaurs originated in what is now South America, rapidly spread around Gondwana and later reached Europe via North Africa. By the middle to late Cretaceous, titanosaurs reached North America from South America and Asia via Europe. The new discovery bolsters that hypothesis, Gallina said.

“The Bajada Colorada dinosaur fauna represents one of the most diverse and unique associations not previously documented from the lowermost Cretaceous deposits worldwide, a moment in dinosaur evolution little explored,” he wrote in an email to Live Science.

Neuquén province has turned up many intriguing titanosaurs, including one yet-unnamed specimen discovered in January that might be the heaviest titanosaur on record. Paleontologists aren’t done excavating the new specimen, but its competition, Patagotitan mayorum, probably weighed 69 tons (62 metric tons), meaning it was more than 10 times heavier than an African elephant.

Originally published on Live Science.
By Stephanie Pappas – Live Science Contributor
08/03/2021


5274: Descoberto dinossauro carnívoro que viveu nos Pirenéus há 66 milhões de anos

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Óscar Sanisidro / Albert G. Sellés / Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont / Museu Conca
O dinossauro carnívoro Tamarro insperatus

Cientistas identificaram uma nova espécie de dinossauro carnívoro, que viveu nos Pirenéus há cerca de 66 milhões de anos.

De acordo com o canal estatal russo RT, a partir de alguns fósseis encontrados em Conca Dellà, em Espanha, em 2003, mais concretamente um osso do pé, os investigadores puderam determinar que este dinossauro pertencia à família dos Troodontidae. Este grupo de pequenos dinossauros emplumados era muito comum na América do Norte e na Ásia, mas até agora era desconhecido naquilo que hoje é a Europa.

Os paleontólogos baptizaram esta nova espécie de Tamarro insperatus (“tamarro inesperado”, em latim), numa alusão à criatura fantástica da região catalã de Pallars Jussà, chamada tamarro, que é popularmente conhecida por ser muito esquiva e difícil de encontrar.

Além disso, o nome também se deve à escassez de fósseis de dinossauros carnívoros encontrados nos Pirenéus. Na verdade, esta espécie acabou de se tornar uma das poucas espécies de dinossauros que se alimentavam de carne conhecidas até agora no sudoeste europeu.

Albert G. Sellés, investigador do Instituto Catalão de Paleontologia (ICP) que conduziu a investigação, indicou que, depois de uma análise microscópica, foi possível determinar que o animal “ainda não era adulto quando morreu”, detalhando que o T. insperatus crescia muito depressa, tal como acontece com outras aves dos dias de hoje (por exemplo, a avestruz ou o emu).

Nesse sentido, explicou o paleontólogo, cujo estudo foi publicado esta segunda-feira na revista científica Scientific Reports, em apenas dois anos esta espécie podia alcançar o seu tamanho adulto, que rondaria 1,5 a dois metros de comprimento e cerca de 20 quilos.

Os investigadores acreditam que o Tamarro insperatus, como era comum na maioria dos Troodontidae, era um animal necrófago ou predador de pequenos répteis, mamíferos e até insectos.

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Por ZAP
7 Março, 2021


5255: O titanossauro mais antigo do mundo foi descoberto na Patagónia

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

(dr) Andrew McAfee / Carnegie Museum of Natural History

Ninjatitan zapatai viveu há aproximadamente 140 milhões de anos, no início do Cretáceo, na actual Patagónia, na Argentina. Segundo os cientistas, o novo espécime fóssil de tiranossauro pode ser o mais antigo do mundo.

Com cerca de 20 metros de comprimento, o Ninjatitan zapatai pertence ao Titanosauria, um grupo diversificado de dinossauros saurópodes que inclui espécies que vão desde os maiores vertebrados terrestres até aos “anões” do tamanho de elefantes.

“Durante a história evolutiva, os saurópodes tiveram diferentes momentos, diferentes pulsos de gigantismo”, explicou Pablo Ariel Gallina, paleontólogo da Fundación Azara da Universidade Maimonides e do CONICET, ambos na Argentina, citado pelo Sci-News.

“Havia animais de grande porte no final do período jurássico, como o Apatossauro e o Braquiossauro. Já na linha dos titanossauros, o pulso com os maiores gigantes ocorre em meados do período Cretáceo, com espécies como Patagotitan, Argentinosaurus ou Notocolossus”, acrescentou.

O Ninjatitan zapatai, de pescoço e cauda longos, é uma nova espécie de titanossauro e o registo mais antigo desse grupo. “Esta descoberta é muito importante para o conhecimento da história evolutiva dos saurópodes”, comentou Gallina.

Segundo o portal, os restos fósseis pós-cranianos foram descobertos na Formação Bajada Colorada, na província de Neuquén, na Patagónia.

“A presença de um saurópode titanossauro basal no cretáceo inferior da Patagónia apoia a hipótese de que o grupo foi estabelecido no hemisfério sul e reforça a ideia de uma origem gondwana para os titanossauros”, afirmaram os autores do artigo científico, publicado no dia 28 de Fevereiro na revista científica Ameghiniana.

O hemisfério sul era ocupado pelo super-continente Gondwana, que deu origem à América do Sul, África, Austrália, Antárctida, Índia e Península Arábica.

Por Liliana Malainho
5 Março, 2021


5252: Revelados novos detalhes sobre o Little Foot

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

(dr) Universidade de Witwatersrand
Crânio do Little Foot

O Little Foot passou por momentos difíceis no início da sua vida. Uma nova investigação revelou que o fóssil tem sinais nos dentes que sugerem que foi privado de comida ou que esteve gravemente doente durante a sua infância. 

Catalogado oficialmente como Stw 573, o Little Foot tem sido objecto de estudo por parte de cientistas de todo o mundo, que se têm vindo a debruçar no fóssil ao longo dos anos.

Recentemente, escreve o Europa Press, uma equipa de cientistas concluiu que micro-estruturas observadas no esmalte dentário do fóssil indicam que o Little Foot sofreu dois períodos distintos de stress alimentar ou doença durante a sua infância.

A equipa, liderada por Amélie Beaudet, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge e investigadora da Universidade de Witwatersrand, também conseguiu observar e descrever os canais vasculares do osso da mandíbula.

Estas estruturas podem revelar importantes detalhes sobre a biomecânica da alimentação do indivíduo e da sua espécie. O padrão de ramificação dos canais indica que, no caso do Little Foot, terá ocorrido alguma remodelação, provavelmente em resposta a mudanças na dieta.

O artigo científico, publicado recentemente na eLife, também adianta que os cientistas observaram minúsculos canais (com menos de 1 mm) na caixa craniana, que poderão ter estado envolvidos na termo-regulação do cérebro.

Este detalhe interessa particularmente aos cientistas. O tamanho do cérebro aumentou dramaticamente ao longo da evolução humana e, como é muito sensível a mudanças de temperatura, é de interesse primário entender como evolui a regulação da temperatura.

A líder do estudo, Amélie Beaudet, disse que foi uma “grande surpresa” o fóssil ter sido tão bem preservado, ao ponto de ser possível apurar tais detalhes.

O antebraço curvo do Little Foot pode não ser fruto de uma lesão juvenil

A curvatura do antebraço do Little Foot, o esqueleto mais completo já encontrado de um ancestral humano, pode ter uma…

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Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP //

Por Liliana Malainho
4 Março, 2021


5226: Vermes predadores gigantes viviam no fundo do mar há 5,3 milhões de anos

CIÊNCIA/BIOLOGIA/PALEONTOLOGIA

Universidade de Granada
Eunice aphroditois.

Uma equipa de investigadores encontrou um novo registo fóssil de vermes predadores gigantes em sedimentos do Mioceno, entre 23 e 5,3 milhões de anos atrás.

Estas misteriosas criaturas, possíveis predecessoras da espécie Eunice aphroditois, tinham aproximadamente 2 metros de comprimento e 3 centímetros de diâmetro, e viviam em tocas.

Com base na reconstrução de tocas gigantes observadas em sedimentos marinhos do Mioceno do nordeste de Taiwan, os investigadores concluíram que estes vestígios de fósseis podem ter colonizado o fundo do mar do continente eurasiano há cerca de 20 milhões de anos, lê-se no comunicado de imprensa citado pelo EurekAlert.

Os resultados do estudo foram publicados recentemente na conceituada revista Scientific Reports.

Os cientistas reconstruiram o novo registo fóssil, a que chamaram de Pennichnus formosae. Consiste numa toca em forma de ‘L’, com aproximadamente dois metros de comprimento e três centímetros de diâmetro, que sugerem o tamanho e a forma do organismo que fez a estrutura.

A espécie Eunice aphroditois esconde-se em tocas longas e estreitas no fundo do mar e impulsionam-se para cima para agarrar a presa com as suas mandíbulas fortes.

Os autores sugerem que o movimento envolvido na captura das presas e na retirada para a sua toca para digeri-las causou várias alterações na estrutura das tocas. Essas alterações são conservadas no Pennichnus formosae e são indicativas da deformação do sedimento em torno da parte superior da toca.

Embora invertebrados marinhos tenham existido desde o início do Paleozoico, os seus corpos são compostos principalmente de tecidos moles e, portanto, raramente são preservados. Acredita-se que o registo fóssil descoberto neste estudo seja o primeiro espécime conhecido de um predador de emboscada sub-superficial.

O líder da equipa de investigadores, Olmo Míguez Salas, da Universidade de Granada, em Espanha, observa que esta descoberta “fornece uma visão rara do comportamento destas criaturas sob o fundo do mar e também destaca o valor do estudo de registos fósseis para compreender o comportamento de organismos do passado”.

Por Daniel Costa
1 Março, 2021


Vampire squid fossil ‘lost’ during the Hungarian Revolution rediscovered

SCIENCE/PALEONTOLOGY

A new fossil reveals that vampire squid have been trawling the deep for a long time.

To feed, modern vampire squid drift horizontally in the deep sea with one of their filaments extended. (Image credit: MBARI)

Vampire squid have been lurking in the dark corners of the ocean for 30 million years, a new analysis of a long-lost fossil finds.

Modern-day vampire squid (Vampyroteuthis infernalis) can thrive in deep, oxygen-poor ocean water, unlike many other squid species that require shallower habitat along continental shelves. Few fossil ancestors of today’s vampire squid survive, though, so scientists aren’t sure when these elusive cephalopods evolved the ability to live with little oxygen.

The new fossil analysis helps to fill a 120-million-year gap in vampire squid evolution, revealing that the ancestors of modern-day vampire squid already lived in the deep oceans during the Oligocene, 23 million to 34 million years ago. These squid probably evolved adaptations to low-oxygen water during the Jurassic, said study co-author Martin Košťák, a paleontologist at Charles University in Prague.

Related: Photos of the vampire squid from hell

“Life in stable low-oxygen levels brings evolutionary advantages — low predation pressure and less competition,” Košťák wrote in an email to Live Science.

A 30 million-year-old fossil squid discovered outside Budapest. (Image credit: Košťák, M., Schlögl, J., Fuchs, D. et al., Communications Biology. http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/.)

A rediscovered fossil

Košťák and his colleagues found the long-lost fossil in the collections of the Hungarian Natural History Museum in 2019 while looking for fossils of cuttlefish ancestors. The fossil was originally discovered in 1942 by Hungarian paleontologist Miklós Kretzoi, who identified it as a squid dating back around 30 million years and named it Necroteuthis hungarica. Later researchers, though, argued that it was a cuttlefish ancestor. In 1956, during the Hungarian Revolution, the museum was burned, and the fossil was thought to be destroyed. The rediscovery was a happy surprise.

“It was a great moment,” Košťák said of the rediscovery, “to see something previously suggested to be definitely lost.”

Košťák and his colleagues studied the fossil with scanning electron microscopy and conducted a geochemical analysis. They first found that Kretzoi’s initial identification was right: The fossil is from a squid, not a cuttlefish ancestor. The animal’s internal shell, or gladius, which forms the backbone of its body, was about 6 inches (15 centimeters) long, suggesting the squid grew to about 13.7 inches (35 cm) long with arms included. That’s just a bit bigger than modern vampire squid, which reach about 11 inches (28 cm) in total body length.

The sediments surrounding the fossil showed no traces of microfossils often found on the seafloor, suggesting that the squid was not living in shallow waters. The researchers also analyzed levels of variations in carbon in the sediment and found that the sediment likely came from an anoxic, or low-oxygen, environment.

Those conditions are characteristic of the deep ocean floor. By looking at rock layers above where the fossil was deposited outside of what is today Budapest, the researchers were also able to show that the squid probably couldn’t have survived in the shallower seas of the time. The shallow-sea deposits showed very high levels of a particular plankton that blooms in low-salt, high-nutrient environments — conditions that modern-day vampire squid can’t tolerate.

(Researchers from the Monterey Bay Research Institute discovered that while lurking in the deep sea, these squid don’t behave like the nightmare predators their name suggests; rather, they wait in their dark habitats for crumbs of organic matter to flutter down. Then, they capture those bits with mucus-covered suckers, MBARI found.)

Adapting to the deep

The new research, published Thursday (Feb. 18) in the journal Communications Biology, hints at how vampire squid ancestors learned to live where other squids couldn’t. Looking deeper in the fossil record, the oldest fossils from this group of squid are found in the Jurassic period, between 201 million and 174 million years ago, Košťák said, and they are typically found in anoxic sediments.

“The major differences is that these oxygen-depleted conditions were established in the shelf, [a] shallow water environment,” he said. “This means that the ancestors were inhabitants of shallow-water environs, but they were already adapted to low-oxygen conditions.”

There’s a gap in the fossil record in the Lower Cretaceous, starting about 145 million years ago. The squid may have already shifted to the deeper ocean by this point, Košťák said, primed by their experiences with anoxic conditions in the Jurassic. This deep-water lifestyle might explain why the squid survived the crisis that killed the nonavian dinosaurs at the end of the Cretaceous period, he added.

The deep-living squid from 30 million years ago helps link recent history with the deep past, Košťák said. He and his colleagues are now attempting to make similar connections for cuttlefish, a group of cute, color-changing cephalopods whose origins are similarly murky.

Originally published on Live Science.
By Stephanie Pappas – Live Science Contributor
21/02/2021


5113: Fóssil de dinossauro com crista e “bico de pato” revela como respiravam estes animais

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Lisa Andres / Wikimedia
Esqueleto do Parasaurolophus cyrtocristatus

O crânio de Parasaurolophus cyrtocristatus, encontrado em 2017 no Novo México, Estados Unidos, preservou durante mais de 70 milhões de anos as estruturas dos canais respiratórios do dinossauro.

Em 2017, cientistas do Denver Museum of Nature & Science encontraram um crânio parcial de dinossauro com uma característica fora do comum: uma crista em forma de tubo. A descoberta, feita no Novo México, nos Estados Unidos, impulsionou um novo estudo cujo artigo científico revela agora a evolução do animal.

Segundo o IFL Science, o espécime de Parasaurolophus cyrtocristatus foi o primeiro a ser descoberto em 97 anos. A partir do seu bom estado de conservação, os cientistas conseguiram realizar um estudo aprofundado sobre a evolução das cristas do dinossauro.

Os dinossauros com crista tubular e “bico de pato” viveram entre 77 e 73,5 milhões de anos atrás e, após várias décadas de discussão, a descoberta revelou a estrutura da crista do animal. O artigo científico foi publicado na PeerJ no dia 25 de Janeiro.

“Imagine o seu nariz a crescer no seu rosto, cerca de 90 centímetros atrás da sua cabeça, e virar-se depois para se fixar acima dos olhos”, começou por explicar Terry Gates, paleontólogo da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, em comunicado.

“O Parasaurolophus respirava por quase 2,5 metros de canal antes de o oxigénio chegar à cabeça”, acrescentou.

David Evans, vice-presidente do Natural History at the Royal Ontario Museum, no Canadá, sugere que as cristas “funcionavam principalmente como ressonadores de som e exibições visuais” usadas para os animais comunicarem dentro da sua própria espécie.

Entre os dinossauros mais conhecidos, os Parasaurolophus exibiam uma crista alongada em forma de tubo que continha uma rede interna de vias aéreas. Actualmente, são reconhecidas três espécies do animal, sendo que o fóssil mais recente pertence ao Parasaurolophus cyrtocristatus.

O fóssil encontrado há quatro anos exibe uma crista mais curta e curva, quando comparada às outras espécies de Parasaurolophus – uma característica que, segundo os cientistas, pode indicar a imaturidade do animal no momento do seu falecimento.

Por Liliana Malainho
12 Fevereiro, 2021


5058: Micro-fóssil com 635 milhões de anos pode ter ajudado a descongelar a “Terra bola de neve”

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Andrew Czaja
Imagem do micro-fóssil encontrado na Formação Doushantuo, no sul da China

Uma equipa internacional de cientistas descobriu acidentalmente, no sul da China, o fóssil terrestre mais antigo já alguma vez encontrado, sendo cerca de três vezes mais velho do que o mais antigo fóssil de dinossauro.

De acordo com o site Science Alert, a investigação ainda se encontra em curso e as suas observações terão ainda de ser verificadas, mas os investigadores argumentam que os “dedos” longos e finos deste organismo se parecem muito com fungos.

Seja o que for, este eucariota parece ter-se fossilizado há cerca de 635 milhões de anos, exactamente quando o nosso planeta estava a recuperar de uma era glacial global. Nesta época, a Terra parecia uma grande bola de neve e, então, numa espécie de “flash” geológico, o mundo começou a descongelar de forma inexplicável, permitindo que a vida prosperasse na terra pela primeira vez.

Os fungos podem ter sido uma das primeiras formas de vida a colonizar este espaço. E a data deste novo micro-fóssil apoia a ideia emergente de que alguns organismos semelhantes trocaram os oceanos por uma vida na terra mesmo antes das plantas. Na verdade, essa transição pode até ter sido o que ajudou o nosso planeta a recuperar-se desta idade do gelo catastrófica.

“Se a nossa interpretação estiver correta, será útil para compreender as mudanças paleo-climáticas e a evolução da vida inicial”, disse a geo-bióloga Tian Gan, da Faculdade de Ciências da Virginia Tech, nos Estados Unidos, e uma das autoras do estudo publicado, a 28 de Janeiro, na revista científica Nature Communications.

A evolução inicial dos fungos continua a ser um grande mistério, em grande parte porque, sem ossos ou conchas, estes organismos não se fossilizam facilmente. O genoma dos fungos modernos sugere que o seu ancestral comum viveu há mais de mil milhões de anos, mas, infelizmente, pode haver um intervalo de 600 milhões de anos antes de o primeiro fóssil aparecer nos nossos registos.

Nos últimos anos, uma série de descobertas intrigantes ajudaram a preencher essa lacuna, mas a controvérsia sobre se esses organismos antigos eram ou não fungos ainda existe. E este novo micro-fóssil irá de certeza gerar um debate semelhante.

“Gostaríamos de deixar as coisas em aberto para outras possibilidades, como parte da nossa investigação científica. A melhor forma de o dizer é que talvez não desaprovemos que sejam fungos, mas são a melhor interpretação que temos neste momento”, declarou Shuhai Xiao, professor de Geobiologia da mesma universidade norte-americana e outro dos autores do estudo.

“A pergunta costumava ser: ‘Havia fungos no reino terrestre antes do surgimento das plantas terrestres?’. O nosso estudo sugere que sim“, acrescentou Xiao. Então, a pergunta que agora se coloca é: Como é que este fungo sobreviveu?

O micro-fóssil foi encontrado escondido dentro de pequenas cavidades de rochas calcárias e dolomitas, localizadas na Formação Doushantuo, no sul da China. A rocha em questão parece ter sido depositada depois de a “Terra versão bola de neve” ter derretido.

Uma vez aberta a todos os elementos, os investigadores suspeitam que o cimento carbonático começou a preencher as cavidades entre as camadas de calcário, possivelmente sepultando os micro-organismos que viviam dentro dessas bolhas.

Segundo o mesmo site, essas formas de vida semelhantes a fungos podem até mesmo ter-se aliado a outros micro-organismos terrestres, que também eram comuns naquela época, como ciano-bactérias ou algas verdes.

Em terra, podem até ter ajudado a desenterrar minerais de argila para sequestro de carbono no solo do nosso planeta, tornando o ambiente fértil para plantas e animais e possivelmente mudando a própria atmosfera.

“Assim, estes micro-organismos semelhantes a fungos de Doushantuo, por mais enigmáticos que fossem, podem ter desempenhado um papel na catalisação da oxigenação atmosférica e da evolução biosférica no rescaldo da glaciação global do Criogeniano”, concluem os autores.

ZAP ZAP //

Por ZAP
3 Fevereiro, 2021


5031: A descoberta de embriões ajudou a decifrar o mistério do tiranossauro bebé

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Jorge Gonzalez

Uma equipa de cientistas descobriu, recentemente, que alguns tiranossauros bebé tinham cerca de 90 centímetros de comprimento quando eclodiram do ovo.

Investigadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, analisaram restos fossilizados de embriões de tiranossauros encontrados no Canadá e nos Estados Unidos e concluíram que os ovos, que ainda não foram encontrados, tinham cerca de 43 centímetros.

A descoberta de um pequeno osso da mandíbula e das garras vai ajudar os cientistas a estudar e compreender os hábitos de nidificação dos tiranossauros. Os resultados do estudo foram publicados no dia 25 de Janeiro no Canadian Journal of Earth Sciences.

O Science Daily escreve que a equipa produziu imagens em 3D dos fragmentos que acabaram por revelar que os ossos pertenciam a tiranossauros bebé que, com base no tamanho dos fósseis, tinham cerca de 90 centímetros de comprimento quando eclodiram.

“Os ossos são a primeira janela para os primeiros anos de vida dos tiranossauros e ensinam-nos muito sobre o tamanho e a aparência dos tiranossauros bebé. Agora sabemos que eles […] terão sido as maiores crias a emergir de ovos e que se assemelhavam muito com os seus pais”, disse, em comunicado, Gregory Funston, autor principal do estudo.

O osso da mandíbula, com três centímetros de comprimento, possui características distintas de tiranossauro – como um queixo pronunciado. Esta descoberta indica que tais características físicas estavam presentes antes de os ovos eclodirem.

Apesar de serem uma das famílias de dinossauros mais estudadas, os cientistas sabem ainda muito pouco sobre os tiranossauros, que viveram há mais de 70 milhões de anos. Além disso, a maioria dos fósseis estudados são de animais adultos.

Por Liliana Malainho
31 Janeiro, 2021


5024: Descoberto réptil pré-histórico que tinha dentes afiados como um tubarão

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Nick Longrich
A mandíbula e os dentes do Xenodens calminechari encontrado em Marrocos

Um novo estudo descobriu que, há cerca de 66 milhões de anos, um réptil marinho com dentes tão afiados como uma serra nadou nas águas do que hoje chamamos Marrocos.

De acordo com o site Live Science, os fósseis deste animal, um réptil marinho chamado mosassauro, foram descobertos por mineiros na mina de fosfato de Sidi Chennane, na província marroquina de Khouribga.

Depois de uma equipa de investigadores ter examinado os restos desta criatura, que viveu no final do período Cretáceo, foi impossível não notar os seus dentes únicos, que tinham características nunca antes vistas em qualquer outro réptil (vivo ou já extinto).

Em homenagem à sua estranha dentição, os cientistas decidiram baptizar a espécie de Xenodens calminechari: “Xenodens” significa “dente estranho” em Grego e em Latim e “calminechari” pode traduzir-se em “como uma serra” em Árabe.

Segundo o mesmo site, os seus dentes afiados presentearam-no com uma mordida cortante de tubarão, o que poderá ter sido a chave da sua sobrevivência. Afinal, este mosassauro não era muito grande (teria sido mais pequeno do que um golfinho).

Durante o final do Cretáceo, Marrocos ficava sob um mar tropical, logo, essas águas quentes estavam repletas de animais marinhos predadores. “Uma enorme diversidade de mosassauros viveu aqui”, declarou, em comunicado, Nick Longrich, professor do Milner Centre for Evolution, da Universidade de Bath, no Reino Unido.

“Alguns eram predadores gigantes de mergulho profundo, tal como o cachalote; outros tinham dentes enormes, podiam ter até 10 metros de comprimento e eram predadores de topo, como as orcas; outros ainda comiam moluscos, como as lontras marinhas. E depois havia estes pequenos e estranhos Xenodens“, acrescentou o líder do estudo publicado, a 16 de Janeiro, na revista científica Cretaceous Research.

A descoberta desta espécie também dá mais evidências de que o ecossistema de répteis marinhos desta zona, bem como a sua diversidade, estava a prosperar no final do Cretáceo. Tudo acabou graças ao asteróide que colidiu com a Terra e que, infelizmente, causou a extinção destas criaturas e dos dinossauros.

ZAP //

PorZAP
30 Janeiro, 2021


4994: Fóssil de dinossauro dá novas pistas sobre como estes animais acasalavam

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Robert Nicholls

É verdade que já sabemos muitas coisas sobre dinossauros – como eram, o que comiam e a causa da sua extinção. Mas nenhum fóssil nos permitiu ainda perceber coisas tão simples como, por exemplo, em que moldes faziam xixi, cocó ou até como acasalavam.

Mas agora, conta a CNN, um fóssil de um psitacossauro encontrado na China, já há alguns anos, do tamanho de um cão da raça labrador, parece estar tão bem preservado que a abertura por onde o dinossauro expelia as suas secreções está a permitir a uma equipa de paleontólogos estudá-lo pela primeira vez.

Embora não ofereça nenhuma resposta concreta sobre como os dinossauros podem ter procriado, esta cloaca (câmara comum para os sistema digestivo, excretor e reprodutor de muitos pássaros e répteis) já nos dá algumas dicas.

“É algo único. A maioria das cloacas forma uma espécie de fenda e existem variados formatos. Esta apresenta uma estrutura em forma de V com um par de lábios alargados. Não há grupos vivos de animais com esta morfologia. É de alguma forma semelhante aos crocodilos, mas ainda assim única”, afirma Jakob Vinther, paleontólogo e professor sénior da Escola de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

O estudo, publicado esta terça-feira na revista científica Current Biology, sugere ainda que os grandes lóbulos pigmentados de cada lado da abertura poderiam abrigar glândulas odoríferas, tal como acontece com os crocodilos.

Além disso, as margens externas da cloaca são altamente pigmentadas com melanina, o que teria contrastado com o pálido baixo-ventre do dinossauro. A distinta pigmentação pode significar que esta abertura foi usada para o dinossauro se exibir, característica semelhante à de alguns babuínos e salamandras reprodutoras.

(dr) Jakob Vinther, University of Bristol / Bob Nicholls, Paleocreations.com 2020

Segundo o canal televisivo, tendo em conta que em animais com cloacas os órgãos genitais ficam dentro do corpo, e como neste caso não foram preservados, os cientistas não sabem dizer se este dinossauro em particular era macho ou fêmea.

A grande maioria dos pássaros, considerados os únicos parentes vivos dos dinossauros, acasala por “beijo cloacal”, ou seja, pressionando as suas aberturas. E, por isso, alguns paleontólogos pensam que os dinossauros também podem ter acasalado assim.

Vinther, porém, acredita que este dinossauro teria pénis, pois a cloaca fossilizada é mais parecida com a de um crocodilo, que efectivamente tem esse órgão reprodutor, e porque existem alguns pássaros, tal como avestruzes e patos, que também o têm.

“Pelo que podemos ver, esta cloaca não seria adequada para beijos cloacais. Mas antes sexo com penetração”, concluiu o cientista.

“Como paleoartista, foi absolutamente incrível ter a oportunidade de reconstruir uma das últimas características remanescentes sobre as quais não conhecíamos nada nos dinossauros”, afirma Robert Nicholls, outro dos autores do estudo e o responsável pela ilustração que faz o destaque deste artigo, em comunicado.

“Saber que pelo menos alguns dinossauros se sinalizavam uns aos outros dá aos paleoartistas uma liberdade emocionante para especular sobre toda uma variedade de internações agora plausíveis durante o cortejo dos dinossauros. É uma mudança no jogo!”

Por Filipa Mesquita
23 Janeiro, 2021


4859: Descoberto na Alemanha o fóssil da pitão mais antiga do mundo já encontrada

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Senckenberg

Uma equipa internacional de cientistas identificou na Alemanha a mais antiga pitão do mundo já encontrada, através de um fóssil com 47 milhões de anos.

Em comunicado, o Instituto Alemão de Senckenberg, responsável pela descoberta, detalha que o fóssil foi encontrado perto de um antigo lago no sítio geológico de Messel Pit, perto da cidade de Darmstadt, a cerca de 35 quilómetros de Frankfurt.

“De acordo com as nossas descobertas, estas cobras já existiam na Europa na época do Eoceno, há mais de 47 milhões de anos. As nossas análises traçam a sua história evolutiva até à Europa”, disse Hussam Zaher, cientista da Universidade de São Paulo, no Brasil, e co-autor do novo estudo, cujos resultados foram publicados na Biology Letters.

Os vestígios mortais pertencem a um espécime que tinha pouco mais de um metro de comprimento e encontram-se “completamente preservados”.

A cobra foi “baptizada” de Messelopython freyi, sendo a sua denominação científica fruto da combinação da localidade onde foi encontrada com a família do animal.

Na mesma nota, os cientistas recordam que a presença de pitões e outras grandes cobras constritoras na Europa foi interrompida durante milhões de anos.

De acordo com Krister Smith, especialista do instituto alemão e co-autora do novo estudo, os fósseis desta família de cobras não voltaram a ser encontrados até ao período geológico do Miocénico, entre 23 e 5 milhões de anos atrás.

“À medida que o clima global começou a arrefecer novamente após o Miocénico, as cobras voltaram, uma vez mais, a desaparecer da Europa“, explicou.

O estudo permitiu ainda descobrir que estas pitões primitivas coexistiram, no mesmo ecossistema e durante o Eoceno, com um “parente” muito semelhante, as jiboias, cobras que actualmente estão amplamente separadas do ponto de vista geográfico.

“Em Messel, quer [as pitões] Messelopython freyi como as jibóias primitivas Eoconstrictor fischeri viveram juntas no mesmo ecossistema. Portanto, temos que rever a tese que sustenta que estes dois grupos de cobras competiam entre si, tornando impossível para estas espécies compartilhar o mesmo habitat“, concluiu Smith.

Por Sara Silva Alves
23 Dezembro, 2020


4673: Fóssil com cinco olhos pode mudar a história da evolução dos artrópodes

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

(dr) Huang Diying
Reconstrução fotográfica do Kylinxia zhangia

Um novo fóssil, com cerca de 520 milhões de anos e muito semelhante a um camarão com cinco olhos, deu aos cientistas novas informações sobre a história evolutiva dos artrópodes.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, da Academia Chinesa de Ciências (NIGPAS), descobriu um fóssil de um animal do género Kylinxia com cinco olhos e muito parecido com um camarão.

O fóssil foi descoberto em Chengjiang, na província de Yunnan, na China, e tem cerca de 520 milhões de anos. Zhao Fangchen, co-autor do artigo científico, publicado no dia 4 de Novembro na Nature, realça que esta descoberta é, além de rara, muito importante para pesquisas futuras.

“Devido a condições tafonómicas muito especiais, os fósseis de Kylinxia exibem estruturas anatómicas requintadas. O tecido nervoso, os olhos e o sistema digestivo são partes moles do corpo que, normalmente, não conseguimos ver em fósseis convencionais”, explicou o cientista, citado pelo Europa Press.

Kylinxia mostra características distintas de verdadeiros artrópodes, como uma cutícula endurecida, um tronco segmentado e pernas articuladas. No entanto, também integra as características morfológicas presentes em formas muito ancestrais, incluindo os bizarros cinco olhos de Opabinia, bem como os apêndices raptoriais de Anomalocaris, um predador gigante do vértice do oceano Cambriano.

“Os nossos resultados indicam que o posicionamento evolutivo de Kylinxia está entre o Anomalocaris e os verdadeiros artrópodes. Isto significa que a nossa descoberta atingiu a raiz dos verdadeiros artrópodes“, resumiu Zhu Maoyan, co-autor do estudo.

Os cientistas referem que Kylinxia representa um fóssil de transição crucial previsto pela teoria evolucionária de Darwin.

Preenche a lacuna evolutiva do Anomalocaris aos verdadeiros artrópodes e forma um ‘elo perdido’ na origem dos artrópodes, contribuindo com fortes evidências fósseis para a teoria evolutiva da vida”, disse Zeng Han, primeiro autor do estudo.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2020


4652: Fóssil de dinossauro bico de pato encontrado no continente “errado”

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

drtel / Flickr

Restos fossilizados de um dinossauro herbívoro, comum a uma das duas grandes massas de terra, foram inesperadamente desenterrados em rochas pertencentes à outra, levando os paleontólogos a se perguntarem como o animal conseguiu dar esse salto.

Estava completamente fora do lugar, seria como encontrar um canguru na Escócia”, disse o paleontólogo Nicholas Longrich da Universidade de Bath, que conduziu o estudo sobre a recente descoberta publicado na Science Direct este mês.

O animal fora do lugar era, na verdade, um dinossauro bico de pato, conhecido como hadrossaurídeo. Há cerca de 66 milhões de anos, quando o período Cretáceo se aproximava do fim, os hadrossauros estavam entre os dinossauros herbívoros mais comuns.

Estavam muito presentes no super continente Laurásia – uma massa que mais tarde se dividiu para e se transformou nos actuais continentes da América do Norte, Europa e grande parte da Ásia.

Do outro lado do oceano, uma massa de terra separada conhecida como Gondwana era dominada por uma diversidade de saurópodes de pescoço longo e pesado. Os restos desses gigantes são comummente encontrados em lugares como África, Índia, Austrália e América do Sul.

Misturar os dois grupos de dinossauros parece bastante improvável devido às grandes extensões de água entre os continentes. Contudo, o mais novo membro da família hadrossaurídeo pode ser uma excepção.

Com base num pouco mais do que alguns pedaços de mandíbula e um punhado de dentes arrancados de uma mina de fosfato em Marrocos, a descoberta é uma evidência de que pelo menos um desses animais conseguiu ir mais longe do que se achava ser possível.

“Esses dinossauros evoluíram muito depois da deriva continental dividir os continentes, e não temos evidências de pontes terrestres. A geologia diz-nos que o actual continente africano estava isolada por oceanos. Nesse caso, a única maneira de chegar até lá seria através da água”.

A ideia não é tão rebuscada quanto pode parecer à primeira vista. Os hadrossauros sentiam-se em casa perto de ambientes aquáticos. Alguns mediam até 15 metros de comprimento, e tinham caudas grandes e pernas fortes, capazes de torná-los nadadores bastante competentes.

Porém, com um comprimento inferior a 3 metros, este hadrossauro pode ter tido um pouco mais de dificuldade em fazer uma maratona que poderia incluir nadar centenas de quilómetros, diz o LiveScience.

“Travessias oceânicas explicam como lémures e hipopótamos chegaram a Madagascar, ou como macacos e roedores atravessaram de África para a América do Sul”, diz Longrich, por isso este pequeno dinossauro também pode ser um desses exemplos.

Os cientistas apelidaram o hadrossauro de Ajnabia odysseus.

ZAP //

Por ZAP
14 Novembro, 2020


4636: Este ancestral evoluiu para lidar com uma alteração climática (mas não resistiu)

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/PALEONTOLOGIA

(dr) Jesse Martin e David Strait
O crânio do Paranthropus robustus identificado como DNH 155

A descoberta de um crânio com dois milhões de anos numa caverna sul-africana está a mudar o que os cientistas pensavam saber sobre um dos ancestrais primitivos da Humanidade.

O Paranthropus robustus, assim baptizado por causa da sua aparência robusta, surgiu há cerca de dois milhões de anos, na África do Sul. Mas, pelos vistos, nem todos os indivíduos deste nosso ancestral eram igualmente robustos.

De acordo com o site Science Alert, uma equipa de cientistas chegou a esta conclusão depois de ter analisado o espécime DNH 155, descoberto, em 2018, no sistema de cavernas Drimolen, a noroeste de Joanesburgo.

Este espécime, macho, é significativamente mais pequeno do que outros P. robustus do mesmo género, que foram recuperados de um local próximo chamado Swartkrans. Na verdade, a estatura do DNH 155 assemelha-se mais à de um espécime feminino, conhecido como DNH 7, também encontrado em Drimolen.

“Drimolen antecede Swartkrans em cerca de 200 mil anos, portanto, acreditamos que o P. robustus evoluiu ao longo do tempo, com o primeiro local a representar uma população inicial e o segundo uma posterior, uma população mais derivada anatomicamente”, explica Jesse Martin, candidato ao doutoramento em Paleociência da Universidade La Trobe, na Austrália, e co-autor deste estudo.

No artigo publicado, a 9 de Novembro, na revista científica Nature Ecology & Evolution, Martin e a restante equipa afirmam que o DNH 155 e o DNH 7 fornecem um vislumbre de um estado primitivo deste ancestral antes das mudanças micro-evolucionárias, ao longo dos 200 milénios seguintes, que encorajaram as adaptações vistas nos espécimes de Swartkrans.

Segundo os investigadores, um dos principais factores que poderia ter ocasionado tal evento foi uma alteração climática que afectou a paisagem sul-africana, há cerca de dois milhões de anos, na qual o ambiente se tornou mais aberto, seco e frio.

Essas mudanças teriam deixado a sua marca em muitas coisas, nomeadamente nos tipos de alimentos disponíveis, que obrigavam a uma mordida e a uma mastigação mais resistente – e que não teriam sido tão fáceis para o DNH 155 e o DNH 7.

No entanto, apesar das adaptações que mudaram lentamente o corpo do P. robustus, isso não foi suficiente. A espécie acabou por ser extinta e, mais ou menos na mesma altura, surgia o nosso ancestral directo, o Homo erectus.

“O P. robustus tinha dentes grandes e um cérebro pequeno, enquanto o H. erectus tinha um cérebro grande e dentes pequenos”, afirma Angeline Leece, arqueóloga da mesma universidade australiana e a outra co-autora do estudo.

Segundo a BBC, os cientistas consideram que o ambiente mais húmido causado pela mudança climática também pode ter reduzido a quantidade de alimento disponível. Por isso, o Homo erectus, com os seus dentes mais pequenos, tinha mais facilidade em comer tanto plantas como carne.

“Embora sejamos a linhagem que venceu no final, há dois milhões de anos, o registo fóssil sugere que o Paranthropus robustus era muito mais comum do que o Homo erectus”, conclui Leece.

ZAP //

Por ZAP
12 Novembro, 2020


4616: A maior ave voadora de sempre tinha “dentes”, seis metros de asa e viveu na Antárctida

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Brian Choo

Uma equipa de investigadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia, analisou dois fósseis descobertos na Antárctida que terão pertencido a uma espécie de pelagornitídeos. 

Uma equipa de investigadores descobriu um conjunto de fósseis na ilha de Seymor, ao largo da Península da Antárctida, na década de 1980. Agora, uma equipa de investigadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia, analisou dois fósseis que terão pertencido a uma espécie de pelagornitídeos.

Segundo o Sci-News, a análise dos fósseis – um osso da pata e um da mandíbula – permitiu aos investigadores identificar aquela que terá sido a maior espécie de aves voadoras alguma vez descoberta.

O artigo científico, publicado recentemente na Scientific Reports, adianta que o fóssil da mandíbula terá pertencido a um dos maiores pássaros voadores de sempre. Os Pelagornithidae habitaram a Terra durante, pelo menos, 60 milhões de anos.

O fóssil mostra que os maiores pelagornitídeos terão surgido logo depois da extinção dos dinossauros, há mais de 50 milhões de anos.

“A nossa descoberta de fósseis, com a estimativa de cinco a seis metros de envergadura mostra que os pássaros evoluíram para uma tamanho realmente gigantesco relativamente rápido depois da extinção dos dinossauros e dominaram os oceanos durante milhões de anos”, explicou Peter Kloess, estudante na universidade norte-americana.

“Estes fósseis da Antárctida representam, provavelmente, não apenas as maiores aves voadoras do Eocénico, mas também os maiores pássaros volantes que alguma vez viveram”, lê-se no estudo, que acrescenta que estes pássaros terão tido uma presença semelhante à que é actualmente ocupada pelos albatrozes.

Ainda assim, há algumas diferenças que separam as espécies: “estes gigantes pelagornitídeos extintos, com as suas muito longas e pontiagudas asas, terão voado livremente sobre os oceanos, que ainda não eram dominados por baleias e focas, em busca de lulas, peixe e petiscos do mar para apanhar com o seus bicos alinhados com pseudo-dentes”, disse Thomas Stidham, investigador na Academia Chinesa de Ciências.

Os pelagornitídeos são conhecidos por terem uma estrutura óssea no bico, semelhante aos dentes dos mamíferos. As protuberâncias pontiagudas são revestidas por queratina e têm como objectivo facilitar a captura de lulas e peixes em movimento.

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Por ZAP
8 Novembro, 2020


4561: Primeiros répteis no ar foram voadores desajeitados até terem asas maiores

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Através da análise de fósseis de pterossauros, investigadores concluíram que estes animais que dominaram os céus durante 150 milhões de anos evoluíram muito ao longo do tempo. No início só voavam de árvore para árvore.

Há cerca de 245 milhões de anos, os pterossauros eram dos maiores animais que voavam, mas não eram brilhantes no voo. Estes répteis, em que se inclui o pterodáctilo, dominaram os céus por mais de 150 milhões de anos, mas eram voadores desajeitados, capazes apenas de viajar curtas distâncias, indica um estudo recentemente publicado cujas conclusões podem lançar uma nova luz sobre a evolução do voo em geral.

Os pterossauros morreram no final do período Cretáceo tal com muitos dos seus primos dinossauros. Com longas asas com membranas que se estendiam dos tornozelos até ao quarto dedo alongado, os pterossauros são considerados os primeiros vertebrados a desenvolver um voo. Para saber como eram esses voos foi realizada uma investigação.

Chris Venditti, professor de Biologia Evolutiva na Universidade de Reading, Inglaterra, e os seus colegas estimaram o tamanho da asa e a massa corporal de vários pterossauros a partir de restos fossilizados e combinaram isso com informações sobre as taxas metabólicas das aves para calcular a quantidade de energia que os pterossauros precisavam para voar e que distâncias podiam planar antes de cair no chão.

Os trabalhos revelaram que, embora estivessem no ar, os primeiros pterossauros provavelmente foram voadores desajeitados. “Podem ter subido a árvores e voado de um tronco para outro, mas não voavam distâncias muito longas e não eram muito ágeis no voo”, disse Venditti, cuja investigação foi publicada na Nature .

A segunda geração de pterossauros era maior, mas as suas asas gradualmente tornaram-se mais longas em relação ao seu tamanho, aumentando a eficiência: “Terão sido grandes voadores, talvez até migrando centenas de quilómetros”, disse Chris Venditti, citado pelo jornal The Guardian.

O estudo também abre novo conhecimento sobre a evolução do voo de vertebrados em geral. Criaturas como pássaros e morcegos chegaram depois de os pterossauros morrerem e pouco se sabe sobre como subiram aos céus.

“As pessoas presumem que voar surge por magia, mas há uma grande massa energética a ser superada para voar”, explicou Chris Venditti. “Agora vimos como foi superado e esses animais continuaram a melhorar. Será interessante ver se isso é um fenómeno geral ou não.”

No entanto, nem todos os pterossauros evoluíram na arte do voo. Os investigadores descobriram que um grupo de gigantescos pterossauros do Cretáceo, os azhdarchidae, permaneceram voadores desajeitados com asas relativamente curtas para o seu tamanho, possivelmente porque a eficiência de voo era menos importante para eles do que para outros pterossauros.

Isso inclui o enorme pterossauro norte-americano quetzalcoatlus, que era tão alto como uma girafa e tão largo quanto um avião ligeiro. “Não há dúvida de que podiam voar, mas provavelmente só o fizeram quando necessário”, disse Venditti.

Diário de Notícias
DN
28 Outubro 2020 — 19:06