3676: Robô autónomo russo mergulhou mais de 10.000 metros na Fossa das Marianas

CIÊNCIA/OCEANO

FPI

O Vitiaz, um veículo submarino não tripulado e autónomo russo, desceu pela primeira vez às profundezas da Fossa das Marianas, o abismo mais profundo do planeta Terra, localizado no Oceano Pacífico.

A informação é avançada pela Fundação para a Pesquisa Avançada (FPI), que precisa que o robô autónomo mergulhou mais de 10.000 metros.

“A 8 de Maio de 2020, às 22h34, horário de Moscovo, o veículo subaquático autónomo russo Vitiaz chegou ao fundo da Fossa das Marianas. Os sensores de Vitiaz registaram uma profundidade de 10.028 metros”, adiantou a FPI, citada pela Europa Press.

A Fossa das Marianas tem uma profundidade estimada de 10.984 metros.

“Ao contrário dos dispositivos Kaiko (Japão) e Nereus (Estados Unidos) que operavam anteriormente nesta área, o dispositivo Vitiaz funciona de forma totalmente autónoma. Graças ao uso de elementos de inteligência artificial no sistema de controlo do veículo, esse pode contornar a obstáculos de forma independente e encontrar uma saída de um espaço limitado e resolver outros problemas”, realça a fundação, citada pelo portal Sputnik News.

De acordo com o mesmo órgão de comunicação russo, o Vitiaz fez o mapeamento, captou fotografias e gravou vídeos do ponto mais profundo dos cinco oceanos, tendo também aproveitado a missão para estudar o ambiente marinho.

“A missão durou mais de três horas, sem contar o mergulho e o retorno à superfície”.

O director da fundação, Andrei Grigoriev, detalhou ainda que esta expedição, de 8 de maio, foi a primeira fase de uma série de procedimentos que o Vitiaz vai levar a cabo.

“Este é o primeiro dos procedimentos programados no âmbito do projecto Vitiaz. Foi realizado em conjunto com especialistas russos e equipas científicas da Academia Russa de Ciências, com o apoio da frota do Pacífico”, acrescentou.

Já pode visitar o ponto mais profundo dos 5 oceanos (mas há um preço)

Graças a um explorador rico, em maio, alguns sortudos poderão escapar da pandemia de covid-19 durante um curto período de…

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2020

 

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1927: Os restos das bombas atómicas chegaram às entranhas das criaturas no lugar mais remoto da Terra

PH2 Norr, U.S. Navy / Wikimedia

A Guerra Fria já terminou, mas o seu legado ainda continua vivo, mesmo nos corpos de criaturas que vivem na mais profunda trincheira subaquática do mundo.

No fundo do Pacífico Oeste, nas suas profundezas mais escuras – o ponto mais profundo da Terra, a Fossa das Marianas – uma equipa de cientistas descobriram a presença de isótopos de carbono instáveis nos corpos de animais parecidos com camarões.

Ao identificar a “impressão digital” distintiva dos isótopos, os investigadores conseguiram rastreá-lo até às sobras de ogivas nucleares da Guerra Fria.

Segundo o artigo publicado na revista Geophysical Research Letters, cientistas liderados pela Academia Chinesa de Ciências documentaram como as explosões de atmosfera de ogivas nucleares acima do Pacífico acabaram nas entranhas de pequenos crustáceos a profundidades de até 11 mil metros.

A equipe de cientistas começou a recolher pequenos crustáceos, conhecidos como anfípodes, na primavera de 2017. Análises do conteúdo do tecido muscular e dos intestinos encontraram níveis estranhamente elevados do carbono do isótopo instável do carbono-14 (14C), um sinal de denotações termo-nucleares.

O pequeno grupo de nações com energia nuclear do mundo – principalmente os EUA e a ex-URSS – realizou mais de duas mil explosões em testes nucleares desde 1945, quase 400 delas denotadas na atmosfera entre 1945 e 1963. Como resultado dessa actividade atómica, a quantidade de 14C na atmosfera duplicou durante os anos 1950 e 1960.

Aparentemente, esse 14C “desceu” até às águas superficiais do oceano. Aqui, foi comido por criaturas que habitam a superfície, onde penetrou profundamente na cadeia alimentar da vida marinha do Pacífico. Como necrófagos, os anfípodes também comem carne apodrecida de criaturas marinhas que flutuaram até o fundo do mar depois de morrerem.

Os níveis de 14C também sugeriram que esses habitantes do mar profundo têm uma vida útil relativamente longa de mais de dez anos, muito maior do que os seus primos de águas rasas. “Esta bomba 14C misturou-se rapidamente nos reservatórios de carbono oceânicos e terrestres de superfície, permitindo que o 14C seja rastreado dentro do ciclo de carbono numa escala de tempo curta, de anos a décadas”, escrevem os autores do estudo.

A radioactividade não é a única relíquia da actividade humana que pode ser encontrada nestas trincheiras. Cientistas encontraram sacos de plástico na Fossa das Marianas.

Ainda mais preocupante, um estudo recente publicado no início deste ano descobriu a presença de micro-plásticos em animais que vivem na Fossa das Marianas. De facto, quase 75% do camarão testado neste estudo continha pelo menos uma micro-partícula de plástico, mostrando que a influência humana se espalhou até nos lugares mais remotos da Terra.

ZAP // IFL Science
Por ZAP
6 Maio, 2019

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1245: A mais profunda erupção vulcânica criou um incrível jardim de vidro

CIÊNCIA

No mais profundo local dos oceanos, sob a Fossa das Marianas, no Pacífico, uma equipa de cientistas descobriu um incrível e vasto “jardim” de vidro vulcânico. 

Esta vasta e extraordinária área é fruto da erupção vulcânica mais profunda até agora conhecida na Terra. O fenómeno geológico ocorreu em 2015, a cerca de 4 a 4,5 quilómetros abaixo do nível médio do mar, relata a revista Frontiers in Earth Science.

Localizada quase na extremidade da Fossa das Marianas, este lugar estende-se por mais de sete quilómetros sobre a região de Mariana Trough, uma bacia em arco no oeste do Pacífico. De acordo com os investigadores, o vidro formou-se como resultado da imediata solidificação do magma ao encontrar fluxos de água fria.

Após a erupção, o calor inicial da lava começa a desaparecer e as correntes trazem várias espécies marinhas para habitar a zona, potenciando a criação de novas espécies, explicou a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA)

“Os vulcões submarinos podem ajudar-nos a perceber como funcionam os vulcões terrestres e como influem na composição química dos oceanos, o que pode afectar significativamente os ecossistemas locais”, revelou o geólogo Bill Chadwick, da NOAA.

Por tudo isto, esta é uma oportunidade rara de estudar erupções vulcânicas submarinas, uma vez que, por norma, estas só são descobertas muito depois da erupção ter ocorrido. Até ao momento, apenas 40 fluxos de lava foram detectados.

“É uma especial oportunidade de aprendizagem e nós fomos capazes de encontrá-la”, disse outro dos investigadores, o geólogo Bill Chadwick.

A primeira visita tripulada à Fossa das Marianas, localizada a 11.034 metros de profundidade na fronteira convergente entre as placas tectónicas do Pacífico e das Filipinas, foi realizada pelo norte-americano Don Walsh e pelo suíço Jacques Piccard, em 1960.

Em 2012, o director de cinema James Cameron repetiu a façanha, tornando-se a primeira pessoa a chegar até à zona sozinha.

ZAP // SputnikNews / ScienceAlert

Por ZAP
5 Novembro, 2018

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