2964: Cientistas dizem ter descoberto um lugar na Terra onde é impossível existir vida

CIÊNCIA

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Dallol, na Depressão de Danakil, na Etiópia

Cientistas estão convencidos que as fontes geotermais de Dallol, na Depressão de Danakil, na Etiópia, não podem abrigar vida face às suas condições extremas.

Onde há água, há vida, costuma dizer-se. Porém, cientistas encontraram evidências que sugerem exactamente o contrário num lugar com um dos ambientes mais extremos e inóspitos da Terra: as fontes geotermais de Dallol, na Depressão de Danakil, na Etiópia.

Segundo o Science Alert, a paisagem de Dallol faz-se de uma paleta de cores vibrante, pontuada por lagos com crateras de água hiperácida e hipersalina. À primeira vista, parece um lugar de uma beleza única, mas a verdade é que não convém chegar muito perto.

É este ambiente extremo que faz com que, desde sempre, esta seja uma área de grande interesse para os cientistas. Em 2016, uma expedição tentou descobrir o que — se é que existe alguma coisa — poderia habitar em ambientes estranhos e hostis.

Os resultados desta investigação, publicada apenas há uns meses, mostram a primeira evidência de vida entre as fontes quentes e ácidas: “microorganismos ultra pequenos” que se medem em nanómetros.

Mas, agora, um novo estudo de outra equipa de investigadores, publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution, contesta a aparente descoberta, ou pelo menos a sua relevância.

Os investigadores usaram uma variedade de métodos analíticos para analisar uma ampla gama de amostras recolhidas em quatro zonas do complexo geotérmico de Dallol em três expedições entre 2016 e 2018.

Embora tenham detectado evidências de vida baseada na arquea, além de sinais do que podem ser sequências de genes bacterianos, a equipa diz que a maioria destas conclusões foram provavelmente um engano.

“A maioria deles estava relacionada ao conhecido kit de biologia molecular e a contaminantes de laboratório, enquanto outros eram bactérias relacionadas com o Homem provavelmente introduzidas durante visitas intensivas e turísticas ao local”, explicam os autores no seu artigo.

“Identificámos duas grandes barreiras físico-químicas que impedem a vida de prosperar na presença de água líquida na Terra e, potencialmente, noutros lugares, apesar da presença de água líquida na superfície de um planeta ser um critério amplamente aceite para a habitabilidade”, explicam.

Uma dessas barreiras são as salmouras dominadas por magnésio, que induzem as células a se decomporem através de um processo conhecido como “chaotropicity“; o outro é um certo nível tóxico de combinação intensa de hiperácido-hipersalina, sugerindo que “adaptações moleculares a pH muito baixo e extremos altos de sal são incompatíveis além desses limites”.

Segundo o Science Alert, é claro que a ausência de evidência não é evidência de ausência, isto é, só porque a extensa amostragem não revelou formas de vida mais complexas do que os micro-fósseis não prova que não estão lá.

Porém, até haver análises mais robustas que possam indicar de forma convincente o contrário, os autores têm a certeza de que os cantos mais inóspitos de Dallol são incapazes de ter vida.

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Por ZAP
5 Novembro, 2019