2742: Ursos polares estão a ficar sem comida

CIÊNCIA

Scott Schliebe / U.S. Fish and Wildlife Service

Segundo um especialista da Polar Bears International, a perda de gelo no Árctico está a afectar a alimentação dos ursos polares.

O Árctico está a perder gelo a um ritmo mais acelerado do que o previsto pelos cientistas, e isto é uma má notícias para os ursos polares. De acordo com um relatório do Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas e divulgado esta semana, a alimentação destes animais está a ser prejudicada.

Segundo o relatório, dedicado ao impacto das alterações climáticas nos oceanos e na criosfera, caso não haja uma acção urgente para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, os gelos permanentes vão derreter a um ritmo sem precedentes.

Um especialista entrevistado pelo The Guardian adianta que a situação está a afectar as populações de ursos polares que vivem e caçam na encosta norte do Alasca, bem como aquelas que vivem nos blocos de gelo no mar de Bering, que diz respeito a uma extensão marítima no extremo norte do oceano Pacífico.

“Agora que o gelo se afastou muito da zona costeira sabemos que os ursos não se estão a alimentar, e os que são forçados a ir para terra não encontram muito o que comer”, explica Steven Amstrup, da Polar Bears International, uma organização de conservação de ursos polares sem fins lucrativos.

Segundo o Observador, em 2015, o mesmo grupo adiantou que a população de ursos polares no mar de Beaufort, que faz parte do oceano Árctico, diminuiu em 40% na década anterior.

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Por ZAP
30 Setembro, 2019

 

2413: Renas estão a morrer à fome na Noruega. A culpa é das alterações climáticas

(dr) Elin Vinje Jenssen / Norsk Polarinstitutt

Investigadores descobriram que as mais de 200 renas encontradas mortas no arquipélago Svalbard, na Noruega, morreram à fome por causa das consequências das alterações climáticas.

Todos os anos, ecologistas do Instituto Polar Norueguês (NPI) fazem uma pesquisa sobre a população de renas em Svalbard, um arquipélago na Noruega composto por glaciares e tundra congelada (um bioma no qual a baixa temperatura e estações de crescimento curtas impedem o desenvolvimento de árvores).

Depois de dez semanas de investigação, os cientistas concluíram não só que a população de renas está a diminuir, mas também que os animais estão a perder peso. De acordo com o canal estatal NRK, citado pelo Live Science, as centenas de carcaças encontradas mostram que as renas estão a passar fome. “É assustador encontrar tantos animais mortos”, afirmou Åshild Ønvik Pedersen, um membro do NPI, à televisão.

As alterações climáticas estão a levar as temperaturas mais quentes para Svalbard, o que se traduz em maior precipitação. Segundo os investigadores do NPI, as fortes chuvas, ocorridas em Dezembro do ano passado, foram responsáveis pelo número excepcionalmente alto de mortes.

Depois de ter atingido o solo, a precipitação congelou, criando “cápsulas de gelo” na tundra, uma espessa camada que impedia as renas de alcançar a vegetação nos seus pastos de inverno habituais. Isto forçou os animais a cavarem poços na neve da orla costeira para encontrar algas, que são menos nutritivas do que a sua dieta habitual.

Os cientistas também observaram renas a pastar nas falésias, algo que estes animais raramente fazem durante o inverno, quando a comida é mais abundante. As regiões montanhosas e rochosas de Svalbard não têm muita vida vegetal, sendo esta “estratégia de cabras da montanha” arriscada para as renas, porque as falésias são muito íngremes.

Sem conseguir chegar às pastagens, as renas também se deslocam até mais longe para encontrar comida. E, quando há pouco para comer, os animais mais jovens e mais velhos são geralmente os primeiros a morrer, disse Pedersen à NRK.

Em 2016, um estudo da Sociedade Ecológica Britânica feito na Noruega também concluiu que as renas estão a encolher e o seu peso diminuiu 12% em 16 anos por causa do aumento das temperaturas.

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Por ZAP
7 Agosto, 2019