2487: A Amazónia está a arder como nunca

Os incêndios registados na Amazónia (72,843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Bolsonaro ironizou: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”

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A escuridão no céu de São Paulo tapou a alegria do sol na segunda-feira. Estava preto, sombrio, a alertar o povo de que algo estaria mal. E estava. Aquele fenómeno óptico, como lhe chama este artigo do jornal “O Globo”, é uma das consequências das queimadas na Amazónia, que resulta da combinação da fuligem e de uma frente fria. O dia foi noite. Ricardo Salles, o ministro do Ambiente brasileiro, num jeito de meter as coisas que já sugere tudo menos frescura, revelou que associar aquela escuridão com as tais queimadas trata-se de “fake news”. O climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas no tema Amazónia, confirmou o fenómeno.

Os incêndios registados na Amazónia (72.843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Jair Bolsonaro, o Presidente brasileiro, revelou que se tratam de queimadas e foi irónico: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”.

Os fogos são comuns na época seca em alguns estados brasileiros, mas também há o consenso de que muitos serão responsabilidade de mão criminosa, nomeadamente de agricultores interessados na desflorestação para ganhar espaço para gado e agricultura.

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Os fogos de 2019 representam um aumento de 83% relativamente ao mesmo período de 2018, anuncia o INPE, que tem registos apenas desde 2013. “O pessoal está pedindo aí para eu colocar o exército para combater. Alguém sabe o tamanho da Amazónia?”, atirou ainda o Presidente, cujas políticas ambientais estão sob escrutínio mais do que nunca.

Na segunda-feira passada, dia 12, o Estado da Amazónia decretou estado de emergência devido ao surto de incêndios naquele território. Os incêndios na Amazónia criaram uma nuvem de fumo quase tão grande como outra provocada pelas chamas descontroladas na Sibéria, com uma dimensão equivalente aos países da União Europeia. Desde quinta-feira, diz o INPE, as imagens de satélite registaram cerca de 9500 novos incêndios no país, sendo que a maioria estão localizados na Amazónia. O INPE diz ainda, de acordo com este artigo do “The Sunday Morning Herald”, que uma grande parte dos fogos não podem ser atribuídos apenas à época seca e a fenómenos naturais. Os homens provocaram uma parte.

Em declarações ao jornal “Estadão”, o pesquisador Alberto Setzer explicou que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não têm origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em actividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer.

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A expectativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca. O INPE, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

E foi mais longe: despediu o director da agência. “Não acredito que o Presidente Jair Bolsonaro duvide dos dados produzidos pelo INPE, como diz”, disse à BBC Brasil Douglas Morton, director do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da NASA. E acrescentou: “Na verdade, para ele, são inconvenientes. Os dados são inquestionáveis. “O INPE sempre actuou de forma extremamente técnica e cuidadosa. A demissão de Ricardo Galvão é significativamente alarmante”.

Bolsonaro deu troco: “Estou à espera dos próximos números, que não serão inventados. Se eles forem alarmantes, darei conta disso a vocês”, disse o Presidente, que no passado recente havia prometido desenvolver aquela região. Perante a atitude e plano do governante para aquele território, a Noruega e a Alemanha cortaram os fundos que combatiam a desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do INPE apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

msn notícias
Expresso, Lusa
21/08/2019

 

2486: Amazónia está a arder. Imagens do espaço mostram dimensão dos incêndios

DESASTRES ECOLÓGICOS

Fogos na Amazónia estão a atingir um número recorde.

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De acordo com a Agência Espacial Brasileira foram detectados 72 mil focos de incêndio, o dobro face ao mesmo período de 2018.

Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, declarou, esta terça-feira, que passou de “capitão motos-serra” a Nero, o imperador responsável pelo incêndio que devastou a cidade de Roma. “Agora estou a ser acusado de incendiar a Amazónia. Nero! É o Nero a por fogo a Amazónia.” O Presidente brasileiro garante que “estamos apenas na época das queimadas”.

Certo é que, os incêndios na Amazónia estão a atingir um número recorde e o estado do Amazonas já decretou emergência no Sul e na capital Manaus devido ao “impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas” escreve a imprensa brasileira.

Depois de o Amazonas decretar a situação de emergência, o governo do Acre declarou, na sexta-feira passada, estado de alerta ambiental, também devido aos incêndios em matas.

O número de focos de incêndio no país já é o maior dos últimos sete anos.

Esta segunda-feira o céu de São Paulo escureceu de repente, por volta das 15h com a chegada de uma nuvem de fumo. A população queixa-se do ar irrespirável e das cinzas que caem do céu.

Segundo um especialista citado pelo Vice, Mark Parrington, os incêndios na Amazónia libertam em média de 500 a 600 toneladas de dióxido de carbono durante um ano típico. Em 2019 até agora, eles já foram libertados 200 toneladas.

2019 com 70% mais incêndios do que o ano anterior

O número de incêndios no Brasil cresceu 70% este ano, em comparação com período homólogo de 2018, tendo o país registado 66,9 mil focos até ao passado domingo, com a Amazónia a ser o bioma mais afectado.

De acordo com a imprensa brasileira, que cita dados do “Programa de Queimadas” do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afectado é o da Amazónia, com 51,9% dos casos, seguindo-se o cerrado – ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil – com 30,7% dos focos registados no ano.

O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, ficando atrás em extensão apenas da floresta amazónica, com dois milhões de quilómetros quadrados.

Segundo o portal de notícias UOL, em números absolutos, Mato Grosso é o estado com mais focos de incêndio registados no Brasil, com 13.109, sendo seguido pelo Pará, com 7.975.

O Inpe, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do Inpe apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado.

No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

Com Lusa

msn notícias
SIC Notícias

21/08/2019

 

2409: Humanos podem ter começado a fazer churrasco há 1,5 milhões de anos

CIÊNCIA

PublicDomainPictures / Pixabay

Fazer churrascos é hoje uma prática muito comum, mas pode não ser um fenómeno recente. Novas evidências sugerem que os humanos já assavam carne em fogo há 1,5 milhões de anos.

Até agora, acreditava-se que a primeira vez que os humanos usaram fogo para cozinhar carne tinha sido há 400 mil anos. No entanto, novas evidências descobertas por arqueólogos no Quénia sugerem que o uso de fogo na culinária remonta há cerca de 1,5 milhões de anos.

“Esta é a área mais antiga onde já se encontrou sinais do uso de fogo dos nossos ancestrais”, disse Sarah Hlubik, investigadora da Universidade de Rutgers, de Nova Jérsia, nos Estados Unidos, citado pelo New Scientist.

Há muitos anos que os arqueólogos investigavam a região de Koobi Fora, no norte do Quénia, onde já tinham sido encontradas manchas vermelhas no chão, que podem ser sinais de calor elevado causado pelas fogueiras. Agora, pedras carbonizadas e fragmentos de ossos são evidências sólidas do uso do fogo para cozinhar. Estes foram encontradas nas mesmas zonas das manchas vermelhas.

Os resultados da investigação arqueológica foram publicados no mês passado na revista Journal of Archaeological Science e serão publicados no próximo mês na revista Journal of Human Evolution.

O uso do fogo também foi provado pelas ferramentas de pedra encontradas, que tinham curvaturas que só seriam possíveis fazer com recurso a uma fogueira. No entanto, os arqueólogos norte-americanos estão a tentar ser cuidadosos com as conclusões que retiram das suas descobertas. Isto porque poderiam sugerir que os humanos usaram fogo cem mil antes do que se pensava.

Todavia, os cientistas procuram agora perceber o quão extensivamente era usado o fogo para cozinhar. Este aspecto poderá ter sido importantíssimo na nossa evolução, já que alimentos cozinhados diminuem o uso do intestino, libertando mais energia para, por exemplo, o crescimento do cérebro.

Os arqueólogos procuram agora mais provas, noutros sítios, para puderem afirmar com toda a certeza que os primeiros hominídeos usavam, de facto, fogo para cozinhar os seus alimentos.

ZAP //

Por ZAP
6 Agosto, 2019

 

2222: No Azerbaijão, há chamas que ardem há quatro mil anos

CIÊNCIA

Interfase / Wikimedia

Chamas altas dançam sem descanso num trecho de 10 metros de encosta. É o Yanar Dag – que significa “montanha em chamas” – na Península Absheron, no Azerbaijão.

“Este fogo queimou 4.000 anos e nunca parou”, disse Aliyeva Rahila, guia turística local. “Mesmo com a chuva, neve, vento – nunca pára de queimar”.

Um efeito colateral das abundantes reservas de gás natural do país, que às vezes vazam para a superfície, Yanar Dag é um dos vários incêndios espontâneos que fascinaram e assustaram os viajantes do Azerbaijão ao longo dos milénios.

O explorador veneziano Marco Polo escreveu sobre os fenómenos misteriosos quando passou pelo país no século XIII. Outros comerciantes da Rota da Seda trouxeram notícias sobre as chamas enquanto viajavam para outras terras. É por isso que o país ganhou o apelido de “terra do fogo”.

Estes incêndios já foram abundantes no Azerbaijão, mas como levaram a uma redução da pressão do gás no subsolo, interferindo na extracção de gás comercial, a maioria foi extinguida.

Yanar Dag é um dos poucos exemplos remanescentes e talvez o mais impressionante. Houve uma época em que desempenharam um papel fundamental na antiga religião zoroastriana, que foi fundada no Irão e floresceu no Azerbaijão no primeiro milénio a.C.

Para os zoroastrianos, o fogo é um elo entre os humanos e o mundo sobrenatural, e um meio pelo qual podem ser obtidas percepção e a sabedoria espirituais. É purificante, sustentador da vida e uma parte vital da adoração.

Hoje, a maioria dos visitantes que chegam ao centro de visitantes Yanar Dag é o espectáculo e não a realização religiosa. A experiência é mais impressionante à noite ou no inverno. Quando a neve cai, os flocos dissolvem-se no ar sem nunca tocar no chão, de acordo com a CNN.

Apesar da alegada antiguidade das chamas de Yanar Dag – alguns argumentam que o incêndio em particular só pode ter sido aceso na década de 1950 – é uma longa viagem de carro de 30 minutos ao norte do centro de Baku para vê-lo. O centro tem apenas um pequeno café e não há muito mais na área.

Para uma visão mais profunda da história de adoração ao fogo do Azerbaijão, os visitantes devem seguir para leste de Baku até o Templo de Fogo de Ateshgah. “Desde os tempos antigos, acham que o deus está aqui”, segundo a guia.

Os rituais de fogo neste local datam do século X ou anterior. O nome Ateshgah vem do persa para “lar do fogo” e a peça central do complexo é um altar com uma cúpula, construído sobre um respiradouro de gás natural.

Uma chama natural e eterna queimou no altar central até 1969, mas actualmente o fogo é alimentado pelo principal suprimento de gás de Baku e só é aceso para os visitantes. O templo é associado ao zoroastrismo, mas é como lugar de adoração hindu que a sua história é melhor documentada.

Construído como uma estalagem de viajantes, o complexo tem um pátio murado rodeado por 24 quartos. Foram usados pelos peregrinos, comerciantes e ascetas residentes.

O templo deixou de ser usado como um local de culto no final do século XIX, numa época em que o desenvolvimento dos campos de petróleo circundantes significava que a veneração de Mammon estava a ganhar uma influência mais forte. O complexo tornou-se um museu em 1975, foi nomeado como Património Mundial da UNESCO em 1998 e hoje recebe cerca de 15 mil visitantes por ano.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019

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