2488: A Amazónia está a arder como nunca

Os incêndios registados na Amazónia (72,843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Bolsonaro ironizou: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”

© AFP

A escuridão no céu de São Paulo tapou a alegria do sol na segunda-feira. Estava preto, sombrio, a alertar o povo de que algo estaria mal. E estava. Aquele fenómeno óptico, como lhe chama este artigo do jornal “O Globo”, é uma das consequências das queimadas na Amazónia, que resulta da combinação da fuligem e de uma frente fria. O dia foi noite. Ricardo Salles, o ministro do Ambiente brasileiro, num jeito de meter as coisas que já sugere tudo menos frescura, revelou que associar aquela escuridão com as tais queimadas trata-se de “fake news”. O climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas no tema Amazónia, confirmou o fenómeno.

Os incêndios registados na Amazónia (72.843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Jair Bolsonaro, o Presidente brasileiro, revelou que se tratam de queimadas e foi irónico: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”.

Os fogos são comuns na época seca em alguns estados brasileiros, mas também há o consenso de que muitos serão responsabilidade de mão criminosa, nomeadamente de agricultores interessados na desflorestação para ganhar espaço para gado e agricultura.

© AFP

Os fogos de 2019 representam um aumento de 83% relativamente ao mesmo período de 2018, anuncia o INPE, que tem registos apenas desde 2013. “O pessoal está pedindo aí para eu colocar o exército para combater. Alguém sabe o tamanho da Amazónia?”, atirou ainda o Presidente, cujas políticas ambientais estão sob escrutínio mais do que nunca.

Na segunda-feira passada, dia 12, o Estado da Amazónia decretou estado de emergência devido ao surto de incêndios naquele território. Os incêndios na Amazónia criaram uma nuvem de fumo quase tão grande como outra provocada pelas chamas descontroladas na Sibéria, com uma dimensão equivalente aos países da União Europeia. Desde quinta-feira, diz o INPE, as imagens de satélite registaram cerca de 9500 novos incêndios no país, sendo que a maioria estão localizados na Amazónia. O INPE diz ainda, de acordo com este artigo do “The Sunday Morning Herald”, que uma grande parte dos fogos não podem ser atribuídos apenas à época seca e a fenómenos naturais. Os homens provocaram uma parte.

Em declarações ao jornal “Estadão”, o pesquisador Alberto Setzer explicou que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não têm origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em actividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer.

© AFP

A expectativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca. O INPE, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

E foi mais longe: despediu o director da agência. “Não acredito que o Presidente Jair Bolsonaro duvide dos dados produzidos pelo INPE, como diz”, disse à BBC Brasil Douglas Morton, director do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da NASA. E acrescentou: “Na verdade, para ele, são inconvenientes. Os dados são inquestionáveis. “O INPE sempre actuou de forma extremamente técnica e cuidadosa. A demissão de Ricardo Galvão é significativamente alarmante”.

Bolsonaro deu troco: “Estou à espera dos próximos números, que não serão inventados. Se eles forem alarmantes, darei conta disso a vocês”, disse o Presidente, que no passado recente havia prometido desenvolver aquela região. Perante a atitude e plano do governante para aquele território, a Noruega e a Alemanha cortaram os fundos que combatiam a desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do INPE apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

msn notícias
Expresso, Lusa
21/08/2019

 

2458: Descoberta na China floresta fóssil com 400 milhões de anos

CIÊNCIA

Zhenzhen Deng / Le Liu / Deming Wang

Uma equipa de cientistas da Universidade de Pequim descobriu uma floresta fóssil com mais de 400 milhões de anos perto de Xinhang, na China. A floresta descoberta é a mais antiga já descoberta no continente asiático.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Current Biology, cobria uma área de mais de mais de 250.000 metros quadrados, equivalente a 35 campos de futebol.

A floresta era composta por plantas em forma de palma que, no passado, podem ter chegado a atingir sete metros de altura, segundo noticia o portal Science Alert.

A mesma publicação aponta que este é o terceiro caso de uma floresta fóssil do período Devoniano, pertencente à Era Paleozoica. Até aos dias de hoje, uma foi descoberta nos Estados Unidos e outra na Noruega.

Chinese scientists discover oldest fossil forest in #Asia https://bit.ly/2ZIRIjD 

Os cientistas descobriram árvores fossilizadas visíveis nas paredes das pedreiras de argila de Jianchuan e Yongchuan, tendo encontrado especificamente estruturas fósseis em forma de pinheiro. “Aproximamos-nos das paredes altas e procuramos por troncos expostos”, explica o especialista Deming Wang, que participou da descoberta.

“A descoberta contínua de novos fósseis de árvores in situ é fantástica”, acrescentou.

A primeira parte do Devoniano, período compreendido entre 419 e 359 milhões de anos atrás, foi caracterizado por uma vida vegetal sem raízes ou folhas, na sua grande maioria. Os cientistas acreditam que durante o Devoniano Médio começaram a surgiram plantas primitivas em forma de arbustos, como as samambaias.

O artigo sublinha que a floresta era composta por árvores de Lycopsida cujos troncos não tinham galhos e tinham copas frondosas, semelhantes às palmeiras actuais. A maioria destas plantas tinha menos de três metros de altura e cresceu num ambiente costeiro propenso a inundações, de acordo com a mesma publicação.

“As primeiras florestas com biomassa significativa podem armazenar muito mais carbono através da fotossíntese“, pode ler-se ainda no estudo, que conclui afirmando que, por esta mesma razão, estas têm um impacto maior na diminuição do dióxido de carbono durante o Devoniano do que se pensava até então.

Por tudo isto, os especialistas acreditam que a descoberta poderá ajudar a entender a “queda rápida” do dióxido de carbono atmosférico na época, o que poderá ter influenciado a quarta era glacial, conhecida como Karoo.

ZAP //

Por ZAP
16 Agosto, 2019

 

711: Perdemos um campo de futebol de floresta por segundo em 2017

(CC0/PD) skeeze / pixabay

Brasil, Colômbia e República Democrática do Congo são alguns dos países que registaram perdas recorde no ano de 2017, segundo o novo relatório da Global Forest Watch.

De acordo com uma pesquisa da Global Forest Watch, o mundo perdeu mais do que o equivalente a um campo de futebol de floresta por cada segundo de 2017, totalizando uma área equivalente à dimensão de um país como Itália.

Os novos dados, obtidos através de satélite, mostram que este foi o segundo pior ano desde que há registo, com uma perda de 29,4 milhões de hectares, cita o jornal britânico The Guardian.

A redução da cobertura florestal duplicou desde 2003, enquanto que o desmatamento de florestas tropicais duplicou desde 2008. O Brasil, que já vinha de uma tendência de queda, voltou a sofrer com este problema no ano passado devido à instabilidade política. Outras nações, como a Colômbia e a República Democrática do Congo, também sofreram perdas recorde.

O território brasileiro foi o país que mais sofreu com as perdas florestais desde que a Global Forest Watch começou a fazer este levantamento em 2001. Enquanto que houve uma diminuição no ano passado em relação ao desmatamento recorde que ocorreu em 2016, os números de 2017 ainda são os segundos mais altos da história.

Mais de um quarto das perdas de árvores no Brasil no ano de 2017 foram causadas por incêndios deliberadamente provocados para limpar terra.

Na Colômbia, um verdadeiro centro global para a biodiversidade, as perdas aumentaram 46% no ano passado. As FARC, a maior organização guerrilheira do país, anteriormente controlavam grande parte do território amazónico colombiano, bloqueando o acesso.

A desmobilização dessas forças armadas rebeldes deixou um vazio de poder e a desflorestação ilegal para gado, extracção de madeira e produção de cocaína dispararam.

Por outro lado, na Indonésia, a desflorestação caiu 60% em 2017, um ano húmido que se traduziu num menor número de incêndios florestais e também por causa de acções levadas a cabo pelo Governo.

A culpa também é nossa

As perdas florestais são um factor decisivo para as emissões de carbono que impulsionam o aquecimento global. O seu efeito é quase o mesmo que o total de emissões dos EUA, o segundo país maior poluidor do mundo.

A desflorestação destrói o habitat da vida selvagem e é uma das principais razões para as populações de animais selvagens terem caído para metade nos últimos 40 anos, iniciando uma sexta extinção em massa.

Enquanto apenas 2% do financiamento para a acção climática vai para a protecção de florestas, estas têm o potencial de fornecer um terço dos cortes de emissões globais necessários até 2030.

“É realmente uma questão urgente que devia estar a receber mais atenção”, explica Frances Seymour, do World Resources Institute, uma das entidades responsáveis pelo Global Forest Watch.

De acordo com as informações recolhidas por este estudo, a destruição humana causa virtualmente todo a desflorestação nos trópicos.

“A principal razão pela qual as florestas tropicais estão a desaparecer não é um mistério – amplas áreas continuam a ser devastadas para cultivo de soja, carne bovina, óleo de palma, madeira e outras comodidades comercializadas globalmente”, explica. “Grande parte é ilegal e está ligada à corrupção“, acrescenta.

Não é só o ambiente que sofre

Os incêndios são dominantes em latitudes mais altas, causando cerca de dois terços das perdas florestais em países como a Rússia e o Canadá, e podem estar a tornar-se mais comuns devido às alterações climáticas.

Novas florestas estão a ser cultivadas na China e na Índia, por exemplo, mas a extensão exacta em que compensam a destruição das florestas já existentes ainda é desconhecida. Por enquanto, claro é que a desflorestação excede significativamente a reflorestação.

Estima-se que apenas cerca de 15% das florestas que provavelmente existiam antes da civilização humana ainda hoje permaneçam intactas. Um quarto foi destruído e o resto fragmentado ou degradado.

A destruição das árvores não prejudica apenas o ambiente. “Juntamente com essa violência contra a Terra, também há uma crescente violência sobre as pessoas que defendem essas florestas”, afirma Victoria Tauli-Corpuz, relatora especial da ONU sobre os direitos dos povos indígenas.

De acordo com Tauli-Corpuz, metade dos 197 defensores ambientais mortos em 2017 pertenciam a grupos indígenas.”Há muito que estes povos administram as florestas que são cruciais para a luta contra as alterações climáticas”, explica.

“Os novos dados mostram que a taxa de perda de cobertura de árvores é menos de metade em terras comunitárias e indígenas, comparativamente com outros lugares”.

ZAP // HypeScience

Por HS
30 Junho, 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=4f60f80f_1530365805896]

– Perguntem aos Trampas que existem espalhados pelo Planeta Terra que eles responderão: “No problem…”