2118: Físicos começam a suspeitar que a realidade não passa de uma ilusão

CIÊNCIA

Hersson Piratob / Flickr

A nova teoria pressupõe que a realidade física que conhecemos é, na verdade, uma mera ilusão. O cientista e filósofo Bernardo Kastrup, autor do artigo, afirma que a única coisa real é a informação.

Num artigo de opinião publicado em Março na Scientific American pelo cientista e filósofo Bernardo Kastrup explica que a realidade física não passa de uma ilusão. O holandês alega que a matéria não é real e que apenas o aparato dado para dar sentido às relações matemáticas dos objectos é que dissimula a realidade.

“Para alguns físicos, aquilo que chamamos ‘matéria’, com a sua solidez e concretude, é uma ilusão. Apenas o aparato matemático que eles criam nas suas teorias é verdadeiramente real, e não o mundo percebido que o aparato foi criado para descrever”, escreveu Kastrup.

O cientista refere que essa noção abstracta, chamada realismo da informação, tem um carácter filosófico, mas que sempre foi associado à física. Como tal, é dado o exemplo da divisão de átomos, que antigamente se julgava ser impossível acontecer, mas que agora sabe-se que é possível dividir átomos continuamente até que não reste forma nem solidez.

Assim, “atingem um ponto que os rotulamos de “energia”, que não passa de um termo conceptual abstracto para descrever a natureza e que carece de uma essência real e concreta.

Kastrup teoriza que a matéria surge do processamento da informação e não o contrário. “Até mesmo a mente é supostamente um fenómeno derivado da manipulação de informações puramente abstractas”, explicou.

Mas o que é a informação? Nem o cientista parece conseguir responder. “A informação é notoriamente um fenómeno polimórfico e polis-semântico, que pode ser associado a várias explicações, dependendo do nível de abstracção adoptado e do conjunto de requisitos que orientam uma teoria. A informação permanece um conceito indescritível“, diz no artigo, citando Luciano Floridi.

ZAP //

Por ZAP
5 Junho, 2019



982: Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Física quântica responde

CIÊNCIA

(CC0/PD) 1627417 / Pixabay

Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Através do fenómeno de ordem causal indefinida, a física quântica conseguiu responder à questão.

O paradoxo do ovo e da galinha foi proposto pela primeira vez por filósofos da Grécia Antiga para descrever o problema da determinação de causa e efeito. Agora, uma equipa de físicos da Universidade de Queensland e do Instituto NÉEL demonstrou que, no que diz respeito à física quântica, tanto o ovo quanto a galinha foram os primeiros.

Jacqui Romero, do Centro de Excelência ARC para Sistemas de Engenharia Quântica, explica que, na física quântica, a causa e o efeito nem sempre são tão simples, isto é, nem sempre um evento causa o outro. “A raridade da mecânica quântica significa que os eventos podem acontecer sem uma ordem estabelecida“, disse o investigador.

Para explicar, o cientista toma como exemplo o nosso trajecto diário de casa para o trabalho e vice versa. “Se para o trabalho necessita de andar de autocarro e de comboio, primeiro apanha um autocarro e só depois o comboio, dado que não consegue viajar nos dois meios de transporte ao mesmo tempo”.

“Na nossa experiência, os dois eventos podem ocorrer em primeiro lugar”, afirmou o cientista, adiantando que a este fenómeno dá-se o nome de ordem causal indefinida. “É um fenómeno que não conseguimos observar no nosso quotidiano.”

Para conseguirem observar a ordem causal indefinida em laboratório, os cientistas usaram uma configuração chamada interruptor quântico fotónico. Fábio Costa, da Universidade de Queensland, disse que com este dispositivo a ordem dos eventos (transformações na forma da luz) fica dependente da polarização.

“Através da medição da polarização dos fotões à saída do interruptor quântico, conseguimos mostrar que a ordem das transformações que ocorrem na luz não estava estabelecida”, explicou o investigador, citado pelo Europa Press. O artigo científico foi publicado no final de Agosto na Physical Reviews Letters.

“Esta é apenas uma primeira prova do fenómeno, a uma escala maior” continuou, acrescentando que a ordem causal indefinida pode ter aplicações reais, como tornar os computadores mais eficientes ou melhorar a comunicação.

ZAP //

Por ZAP
8 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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