4905: Astrónomos observam maior filamento cósmico de sempre. Mede 50 milhões de anos-luz

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Reiprich et al. / Astronomy & Astrophysics

Uma equipa de astrofísicos observou, pela primeira vez, um filamento de gás com um comprimento de, pelo menos, 50 milhões de anos-luz.

Astrofísicos anunciaram a observação do filamento cósmico mais longo alguma vez encontrado: estende-se por uns impressionantes 50 milhões de anos-luz e pode ser ainda maior. A equipa detectou a teia de gás ao estudar um sistema de três aglomerados de galáxias a 700 milhões de anos-luz da Terra, chamado Abell 3391/95.

De acordo com o Europa Press, os cientistas observaram o aglomerado, e cada uma das galáxias que o compõe, através de imagens tiradas com o eROSITA, um instrumento de raios-X a bordo do telescópio espacial russo-alemão Spektr-RG. A interligar as galáxias estava o filamento cósmico gigante.

Os investigadores compararam a teia observada com simulações feitas anteriormente por computador e ficaram muito surpreendidos pelo facto de as imagens do eROSITA serem tão parecidas com as previsões teóricas.

As semelhanças “sugerem que o modelo padrão sobre a evolução do Universo está correto”, disse Thomas Reiprich, em comunicado.

No entanto, o mais importante é que estes resultados provam que a matéria em falta está escondida nos filamentos. As teias cósmicas, feitas de longos filamentos de hidrogénio que sobraram do Big Bang, podem conter a maioria (mais de 60%) do gás do Universo e alimentar directamente todas as regiões produtoras de estrelas no Espaço.

Contudo, observar estes filamentos não é uma tarefa fácil, uma vez que estas estruturas são das mais fracas do Universo e acabam por ser ofuscadas pelo brilho das galáxias ao seu redor.

“O eROSITA tem detectores muito sensíveis para o tipo de radiação de raios-X que emana do gás nos filamentos”, explicou Reiprich. O instrumento tem também um grande campo de visão – como uma lente grande angular, captura uma parte relativamente grande do céu numa única medição e numa resolução muito alta.”

O artigo científico foi recentemente publicado na Astronomy & Astrophysics.

Por Liliana Malainho
4 Janeiro, 2021