2665: Primeiros humanos talhavam elefantes com ferramenta de 5 centímetros

CIÊNCIA

Ran Barkai / Tel Aviv University

Retirar o máximo de carne possível de uma carcaça era algo importante há milhares de anos atrás. Para um melhor aproveitamento, eram usadas lâminas de apenas cinco centímetros, que os arqueólogos ignoraram até agora.

Normalmente, ao pensar em ferramentas de corte usadas por antigos humanos, somos remetidos para grandes ferramentas como machados e cutelos. Contudo, um estudo recentemente publicado na revista Scientific Reports, mostra que os primeiros humanos tinham um kit de talhante sofisticado. As pequenas ferramentas de sílex descobertas era recicladas a partir de instrumentados maiores que eram descartados.

As ferramentas foram encontradas no sítio arqueológico de Revadim, no sul de Israel, e pertencem à cultura acheuliana do paleolítico inferior. Os cientistas estimam que estas tenham entre 300 e 500 mil anos. No passado, já tinham sido encontrados vários machados e restos de elefantes em Revadim.

“A análise incluiu observações microscópicas do desgaste do uso, bem como resíduos orgânicos e inorgânicos. Estávamos à procura de sinais de danos nas bordas, polimentos e resíduos orgânicos presos nas depressões das pequenas lâminas de sílex, tudo para entender para o quê que eram usadas”, disse a arqueóloga responsável pelo estudo, Flavia Venditti, citada pelo Phys.

Ran Barkai, outro dos cientistas envolvidos no estudo, explica ainda que durante décadas os arqueólogos ignoraram estas pequenas lâminas de apenas cinco centímetros. “O ênfase estava nos grandes e elaborados machados e outras ferramentas de pedra”, explicou. “No entanto, agora temos provas sólidas do uso vital destas lâminas”.

A cultura acheuliana era conhecida por as ferramentas grandes mencionadas pelos arqueólogos, que eram usadas principalmente para talhar grandes animais. Contudo, segundo o estudo, estas pequenas lâminas eram usadas em processos que exigiam um corte mais preciso, como separação de tendões, remoção do periósteo para retirar a medula óssea.

“Os humanos antigos dependiam da carne e, especialmente, da gordura dos animais para a sua existência e bem-estar. Portanto, um talhamento de qualidade dos grandes animais e a extracção de todas as calorias possíveis eram de uma crucial importância para eles“, realçou Barkai.

Isto mostra que os primeiros humanos eram mais avançados do que aquilo que se pensava. “As minúsculas lâminas agiam como instrumentos cirúrgicos criados e usados para o corte delicado de partes exactas das carcaças de elefantes e de outros animais”, acrescentou o arqueólogo.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2500: Ferramentas de pedra com 45 mil anos descobertas na Mongólia

CIÊNCIA

Nicolas Zwyns / University of California

Uma colecção de artefactos de pedra descobertos no sítio arqueológico de Tolbor-16, na Mongólia, provam que o Homo sapiens viajou pela Eurásia cerca de dez mil anos antes do que se pensava.

O Homo sapiens moderno viajou pela Eurásia há 45 mil anos, cerca de dez mil antes do que anteriormente os especialistas pensavam. As escavações em Tolbor-16, na Mongólia, trouxeram à tona 826 ferramentas de pedra que dão provas sólidas de ocupação humana nessa zona.

“O sítio arqueológico aponta para um novo local onde os humanos modernos podem ter encontrado pela primeira vez os seus misteriosos primos, os Denisovanos“, disse Nicolas Zwyns, investigador da Universidade da Califórnia e autor do estudo publicado, na semana passada, na revista Scientific Reports.

“Com lâminas longas e regulares, as ferramentas assemelham-se às encontradas em outros locais na Sibéria e no noroeste da China — o que indica uma dispersão em larga escala de seres humanos por toda a região”, explicou Zwyns. Objectos como estes já tinham sido encontrados na Sibéria, mas não com este grau de estandardização.

O arqueólogo belga também se mostrou intrigado com esse aspecto, realçando que as ferramentas foram “produzidas de uma forma complicada, mas sistemática”. O investigador notou ainda uma espécie de assinatura típica dos artefactos que mostram pertencer todos a um mesmo grupo com um conhecimento técnico e cultural em comum.

Nicolas Zwyns / University of California
Algumas das ferramentas encontradas em Tolbor-16.

Segundo o Sci-News, a tecnologia usada nas ferramentas levou os arqueólogos a excluir que tenham sido neandertais ou denisovanos a ocupar o espaço.

“Embora não tenhamos encontrado restos humanos no local, as datas que obtivemos correspondem à idade dos primeiros Homo sapiens encontrados na Sibéria”, disse Zwyns. “Depois de considerar cuidadosamente outras opções, sugerimos que essa mudança na tecnologia ilustra os movimentos do Homo sapiens na região“, acrescentou.

A datação das ferramentas coincide com as previsões do primeiro encontro entre o Homo sapiens e os denisovanos. “Embora ainda não saibamos onde se encontraram, parece que os denisovanos transmitiram genes que mais tarde ajudaram o Homo sapiens a estabelecer-se em altitudes elevadas e a sobreviver à hipóxia no Tibete”, explicou Zwyns.

Evidências do solo da região sugerem também que, durante um período, o clima ficou mais quente e húmido na Mongólia, passando de uma região fria e seca para um clima mais propenso a animais e humanos. Zwyns encontrou também fragmentos de ossos que confirmam a presença de animais de pasto.

ZAP //

Por ZAP
23 Agosto, 2019