1832: Luzes “alienígenas” nos céus da Noruega eram afinal um teste da NASA

NASA

Vários noruegueses ficaram perplexos no passado sábado com um fenómeno nos céus. Luzes brilhantes e misteriosas surgiram no ar, levando a especulações sobre uma possível actividade alienígena.

De acordo com os relatos, surgiram no céu vários pontos coloridos, seguidos depois de grandes nuvens igualmente brilhantes com luzes roxas e verdes.

Apesar da especulação, o espectáculo de luzes fazia parte de uma experiência da agência espacial norte-americana, a AZURE, que testa o lançamento de foguetes.

Financiada pela NASA, a missão visa melhor compreender o fluxo de partículas na ionosfera – camada da atmosfera terrestre ionizada por radiação solar e cósmica – e descobrir mais sobre a contribuição de uma aurora para a quantidade de energia que entra e sai no sistema geo-espacial da Terra.

Foram lançados dois foguetes, que mediram a temperatura e a densidade atmosférica e implantaram também marcadores que ionizam quando expostos à luz solar.

“Parecia um ataque alienígena”, disse Michael Theusner, um habitante que gravou o fenómeno em vídeo.

“Essas misturas criam nuvens coloridas que permitem aos cientistas rastrear o fluxo de partículas neutras e carregadas, respectivamente”, explicou a NASA, acrescentando que os seus marcadores “não representam perigo para os moradores da região”.

As nuvens foram depois rastreadas para medir os ventos e o fluxo de partículas à medida que os pontos brilhantes se dispersavam.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
11 Abril, 2019

 

1682: O maior e mais antigo fenómeno no Sistema Solar vai estar mais brilhante do que nunca

Luis Argerich / Flickr

Após um pôr-do-sol de primavera, aqueles que vivem e observam estrelas em lugares muito escuros frequentemente veem um cone de fraca luz branca a brilhar no céu nocturno ocidental.

Não é a Via Láctea nem poluição luminosa. É chamada de luz zodiacal e vem de uma grande parte do sistema solar. Conhecido como um “crepúsculo falso” na primavera, este brilho semelhante a uma pirâmide também é visível antes do amanhecer no leste, quando é chamado de “falsa aurora”.

Para astro-fotógrafos, esta é uma visão preciosa e fugaz, e esta será uma das melhores semanas do ano para a ver e fotografar no hemisfério norte.

A luz zodiacal é poeira interplanetária antiga. Acredita-se que seja a luz solar reflectindo partículas de poeira e gelo no sistema solar e orbita o sol no mesmo plano que todos os planetas.

Para ver o “falso crepúsculo”, em Março, deve olhar-se para oeste depois de o sol se tiver posto das latitudes do norte. É mais fácil se não houver luar brilhante no céu. “Há uma boa probabilidade de vê-lo do final de Fevereiro até o final de Março – realisticamente tudo que precisa é que não haja nuvens no horizonte”, disse Ollie Taylor, um astro-fotógrafo que leva grupos para fotografar a luz zodiacal e a Via Láctea na primavera no hemisfério norte.

“Ele pode durar cerca de 90 minutos, mas vai e vem rapidamente”, refere Taylor, que recentemente fotografou o fenómeno na Escócia. É mais facilmente perto do Equador e é preciso esperar até que esteja escuro. A luz zodiacal tende a ser visível ao longo da eclíptica, o caminho que o Sol percorre no céu.

É chamado “zodiacal” porque é visível sobre as constelações do zodíaco. Se estiver perto do Equador, a eclíptica dirige-se mais ou menos directamente para o horizonte, o que significa um Sol que se põe rapidamente e um distinto triângulo luminoso zodiacal em forma de cone que se parece com um “V” invertido. Quanto mais longe estiver do Equador, mais baixo e mais angulado será o horizonte.

Qualquer local a cerca de 64 quilómetros de distância de uma cidade com céus escuros é uma boa opção. Isso faz das ilhas e oceanos entre os melhores lugares. As Ilhas Canárias no Atlântico são um dos destinos favoritos nesta época do ano para os astro-fotógrafos, uma vez que as ilhas vulcânicas de La Palma e Tenerife permitem um fácil acesso aos topos das montanhas acima das nuvens.

No hemisfério sul, a luz zodiacal também é visível e é frequentemente fotografada no deserto mais seco do mundo – o Deserto do Atacama, no Chile. A regra de visualização é a mesma, mas os meses mudam: a luz zodiacal é observável no hemisfério sul no leste antes do pôr do sol na primavera (Setembro) e no oeste pós-poente na primavera (Março).

A “falsa aurora” de outono é vista com menos frequência. “É visível antes do nascer do sol no leste, mas a maioria das pessoas não o vê nesta época do ano por causa dos padrões de sono”, remata Taylor.

ZAP // Forbes

Por ZAP
8 Março, 2019

 

1505: Choveu metano a norte de Titã, a maior lua de Saturno

NASA / JPL-Caltech
As imagens foram capturadas na última missão da sonda Cassini

Uma equipa de cientistas descobriu evidências de chuva de metano no pólo norte de Titã, a maior lua de Saturno. Identificado graças às imagens da última missão espacial da sonda Cassini, o fenómeno meteorológico aponta para o início do verão no hemisfério norte do satélite natural.   

Quando Cassini chegou à orbita de Saturno, em meados de 2004, era verão no hemisfério sul de Titã. Anos depois, em 2011, as mudanças atmosféricas foram interpretadas pelos cientistas como o início do inverno no sul do satélite. Contudo, as chuvas esperadas no norte não chegaram a ser detectadas.

“Toda a comunidade [que estuda] Titã estava à espera para ver as nuvens e as chuvas no pólo norte do satélite, o que indicaria o início do verão setentrional. Contudo, e apesar das previsões dos modelos climáticos, nem sequer vimos nuvens”, disse o físico Rajani Dhingra, da Universidade norte-americana de Idaho em Moscovo. O cientista precisou que o fenómeno acabou por ser baptizado como o “curioso caso das nuvens perdidas”.

Depois de todo o tempo de espera, foram finalmente encontradas evidências de chuva a norte de Titã. A equipa de investigação encontrou uma região estranha e brilhante que ocupa cerca de 120 quilómetros da superfície da lua. A área, que não tinha sido até então detectada em imagens anteriores, foi obtida através do espectrómetro de mapeamento visual e infravermelho (VIMS) da sonda Cassini a 7 de Julho de 2016.

“Com base no brilho geral, nas características espectrais e no contexto geológico, atribuímos a nova característica encontrada às espectaculares reflexões de uma superfície sólida molhada pela chuva – como uma calçada molhada reflectida pelo Sol”, exemplificaram os autores no artigo científico, esta semana publicado na revista especializada Geophysical Research Letters.

Segundo escrevem na publicação, o brilho visível é resultado da chuva de metano numa superfície semelhante a uma pedra, seguida, provavelmente, de um período de evaporação. Esta é a primeira evidência de chuva de verão no hemisfério norte de Titã.

Não obstante ao facto deste satélite natural ser bastante diferente da Terra, o seu clima é bastante semelhante ao nosso planetas em vários aspectos: uma estação em Titã dura, em média, 7,5 anos terrestre, embora a sua duração varie, uma vez que a órbita de Saturno é irregular.

ZAP //

Por ZAP
21 Janeiro, 2019

 

1457: A Lua está virada ao contrário do outro lado do planeta

Marshall Space Flight Center / NASA

Quando viajamos pelo mundo para o hemisfério oposto, as estações do ano são todas ao contrário. E parece que a Lua Cheia não escapa a este fenómeno.

Não só é incrivelmente estranho, como também esta peculiaridade curiosa do nosso planeta redondo tem implicações surpreendentes para os cientistas que estão a tentar investigar o céu nocturno.

“Do nosso ponto de vista, a Lua e o céu nocturno estão realmente virados 180 graus em comparação com os nossos amigos do hemisfério norte”, explicou Jake Clark, astrónomo da Universidade de Southern Queensland, na Austrália. “No sul, vemos o mar escuro da Lua ‘Oceanus Procellarum’ no canto sudeste comparado com o canto noroeste de um observador do norte.”

Este fenómeno acontece porque, fisicamente, estamos de “cabeça para baixo” em comparação com alguém que está no hemisfério oposto.

Isto também se estende à lua crescente – dependendo de onde se está no mundo, ter-se-á rotações diferentes do crescente. “Da próxima vez que estiver a planear uma viagem de férias para um país perto do Equador durante uma lua crescente, parecerá uma cara sorridente”, explica Clark.

E não é apenas a Lua que está propensa a mudar de orientação. Todas as estrelas estarão ao contrário. “Depende de onde estiver está localizado na Terra, mas geralmente as constelações que vemos no hemisfério sul são viradas novamente em 180 graus em comparação com o hemisfério norte”, diz Clark.

Mas isto não é perfeito. A constelação Cruzeiro do Sul, por exemplo, é visível praticamente o ano todo no Hemisfério Sul, mas no Hemisfério Norte tem sorte se tiver uma breve observação do conjunto de estrelas.

O que significa tudo isto para os astrónomos? Para Clark e Horner, não muito – eles procuram exoplanetas medindo minúsculas mudanças na cor ou intensidade da luz das estrelas. Mas se as estrelas que se quer estudar não podem ser vistas no seu lado do mundo, pode ser um pouco complicado.

“Isso dificulta a astronomia se for um astrónomo norte-hemisférico a querer trabalhar numa estrela do sul que nunca verá em casa”, explica Clark.

Há uma boa razão pela qual existem tantos telescópios em todo o mundo – e até alguns no espaço. “Nós, astrónomos, temos telescópios de classe mundial espalhados por todo o globo – do Monte Mauna Kea, no Hawai, ao Monte Kent, em Queensland, a tentar desvendar os maiores mistérios do Universo, não importando em que hemisfério se esteja.”

ZAP // Science Alert

Por ZAP
8 Janeiro, 2019

 

1366: Um estranho zumbido viajou pelo mundo inteiro (mas ninguém o ouviu)

CIÊNCIA

(CC0/PD) anymal2 / Pixabay
A Ilha de Mayotte pode estar na origem do bizarro fenómeno sísmico

Houve um estranho “zumbido” que correu o mundo sem que quase ninguém o que conseguisse ouvir. Instrumentos científicos detectaram ondas sísmicas que percorreram o planeta na manhã de 11 de Novembro, ressoando durante mais de 20 minutos sem que ninguém as conseguisse sentir. 

De acordo com a National Geographico fenómeno começou a cerca de 24 quilómetros da ilha francesa de Mayotte, localizada na costa sudeste da África, tendo depois atravessado o continente africano e os oceanos, chegando ao Chile, Nova Zelândia, Canadá e Hawai. 

Nenhum ser humano sentiu o movimento telúrico, e, apenas um entusiasta, que se revelou através do Twitter, notou um sinal estranho nos sismogramas divulgados em tempo real pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). “Este é um sinal sísmico estranho e incomum”, escreveu na rede social.

Na sua conta na rede social é possível ver os vários sismogramas que dão conta que as ondas se foram propagando um pouco por todo o mundo, indo da Zâmbia e Etiópia até à Espanha e à Nova Zelândia. Apesar de atravessar vários territórios, este “zumbido” propagou-se de forma bastante silenciosa.

Três semanas depois do fenómeno, nenhum especialista é ainda capaz de justificar o que causou estas estranhas ondas sísmicas. O sismólogo Goran Ekstrom, da Universidade da Columbia, nos Estados Unidos, disse que “não viu nada igual”.

O especialista observa, contudo, que o facto de o fenómeno ser incomum não significa que a sua “causa seja tão exótica”, sublinhando ainda as suas características pouco usuais, como a sua baixa frequência e propagação global – que pode justificar o “silêncio”.

No momento, os cientistas sugerem que as ondas podem estar relacionadas com um enxame sísmico que tem vindo a afectar Mayotte desde o passado mês de maio. No entanto, esta justificação levanta dúvidas, uma vez que a frequência do enxame diminuiu nos últimos meses e não houve nenhum terramoto “tradicional” na ilha quando começou o enigmático fenómeno de 11 de Novembro.

Por seu turno, o departamento de pesquisa geológica francesa indica que a costa de Mayotte pode estar a desenvolver um novo centro de actividade vulcânica e que as ondas de 11 de Novembro podem indicar um movimento de magma para o mar.

No entanto, o bizarro fenómeno sísmico está longe de estar totalmente explicado. Os cientistas continuam a analisar os dados de forma a dar resposta a este enigma geológico.

ZAP // RT / Live Science

Por ZAP
3 Dezembro, 2018

 

1331: Combinação rara de arco-íris lunar e aurora polar captada na Suécia

DESTAQUES

Lights Over Lapland / Facebook

Fotógrafos que correm o mundo em busca de auroras polares ficaram estupefactos ao encontrar muito mais do que estava à procura: uma combinação rara de arco-íris lunar e aurora polar na Suécia.

O céu de Abisko, na Suécia, surpreendeu alguns fotógrafos ao conseguir unir dois fenómenos extraordinários numa só imagem. “Eu fotógrafo auroras polares há dez anos e esta foi uma experiência única para mim”, confessou ao portal Lonely Planet o fotógrafo Chad Blakeley.

O arco-íris lunar é um fenómeno raro e quase desconhecido, que surge na fase próxima ao plenilúnio. Para isso acontecer, o único satélite natural da Terra deve estar a uma altura relativamente pequena e é preciso que haja uma grande quantidade de humidade.

Lights Over Lapland é uma empresa sueca especializada em ajudar os turistas a encontrar e a fotografar fenómenos especiais e bizarros como estes no céu do país. Blakeley é o fundador da empresa que, à medida que as noites polares se tornam longas e as luzes do norte mais visíveis, ruma ao horizonte para captar estes momentos incríveis.

A empresa faz também a transmissão ao vivo do fenómeno. Foi quando reviu as imagens que Blakeley se apercebeu de que o arco-íris nocturno foi produzido pelo luar em vez de ter sido produzido pela luz do Sol. Além disso, este arco-íris formava-se em frente a uma aurora boreal.

Os fenómenos, autênticos Picassos do céu, proporcionaram um momento único e alegraram os olhos de todos que assistiram de perto a este fenómeno.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
24 Novembro, 2018

 

1326: Há algo quente escondido sob a Antárctida Oriental

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Existe algo quente debaixo da parte leste da Antárctica. Apesar de ainda não haver certezas do que é, já há alguns bons palpites.

A Antárctica Oriental é um cráton, um grande pedaço de terra da crosta terrestre. É sólido e grosso e não é suposto que deixe que o calor saia de dentro da Terra. Esta é a diferença em relação à Antárctida Ocidental, que tem uma crosta mais fina, onde o magma está, em alguns locais, muito perto da superfície.

Isso significa que a Antárctica Oriental não deveria ter muita água derretida no fundo da camada de gelo. Mesmo assim, como os investigadores revelaram num artigo publicado a 14 de Novembro na revista Scientific Reports, há uma quantidade anormalmente alta de água líquida.

Este fenómeno não está relacionado com a mudança climática, que tem provocado intensa fusão nas bordas do continente. É um local antigo, separado, quente e isolado. Os investigadores conseguiram detectá-lo com recurso a um radar especializado de penetração de gelo.

Ainda não é certo o que poderá estar a causar o aquecimento debaixo da zona este da Antárctida, uma vez que o cráton deveria proteger o gelo do calor interno da Terra. Porém, a equipa de investigadores tem um palpite: energia hidrotérmica.

Uma falha na parte de baixo da crosta pode estar cheia de água, que palpita entre as profundidades quentes da Terra e a parte de baixo do gelo antárctico. O fenómeno pode estar a fornecer um canal para o calor escapar e desencadear o derretimento.

Esta fonte oculta de calor é interessante, mas os investigadores consideram especialmente importante o facto de o fenómeno poder influenciar os dados usados para entender o passado profundo do planeta.

“Esta é uma área de interesse particular”, sustenta a equipa de cientistas. “Segundo sugerem os nossos modelos, a Antárctida Oriental pode conter o mais antigo gelo do planeta, preservando registos de importantes transições climáticas“.

Os cientistas recolhem amostras do gelo antigo e usam-nas para entender como a atmosfera do planeta mudou com o tempo. Cada camada de gelo é um registo do ar do planeta no período em que se formou. E entender as circunstâncias sob as quais o gelo permaneceu durante milénios desde então pode ajudar os investigadores a melhorar a compreensão destes dados.

ZAP // Live Science

Por ZAP
23 Novembro, 2018

 

1261: Raro fenómeno envolveu a Terra numa incrível luz laranja

CIÊNCIA

NASA

No passado dia 7 de Outubro, um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) captou esta incrível fotografia enquanto orbitava a uma altitude de mais de 400 quilómetros acima da Austrália.

Este misterioso espectáculo de luzes laranjas podia muito bem representar um planeta alienígena. Mas não, esta fotografia retrata a Terra, envolta numa incrível luz alaranjada.

Tal como explicou a NASA, o tom laranja que envolveu o nosso planeta é um fenómeno conhecido como airglow – uma luminescência hipnotizante causada por reacções químicas que chegam até ao topo da atmosfera terrestre.

Por norma, este brilho quase fantasmagórico ocorre quando a radiação ultravioleta da luz solar energiza moléculas de nitrogénio, oxigénio, sódio e ozono na atmosfera. Por sua vez, estás moléculas carregas com energia colidem entre si, perdendo consequentemente brilho que resulta num brilho fraco – mas visivelmente espectacular.

Segundo a agência espacial norte-americana, e tendo em conta que este brilho é mil milhões de vezes mais fraco do que a luz solar, a melhor forma para ver o airglow é durante a noite. Neste caso em particular, a imagem foi capturada a 400 quilómetros acima do território da Austrália.

O brilho que envolve a Terra, também conhecido como quimilunescência, é comparável às reacções químicas mais brilhantes que ocorrem em solo terrestre, incluindo alguns brinquedos como bastões e espadas luminosas, indica a NASA a título de exemplo.

Porém, o airglow é bem mais do que apenas um incrível jogo de luz. A luminescência nocturna, tal como nota a agência Europa Press, revela fenómenos importantes sobre o alcance da atmosfera da Terra, podendo ajudar os cientistas a compreender melhor o comportamentos das partículas que “moram” perto da interface entre a Terra e o Espaço, incluindo as ligações entre o clima terrestre e espacial.

Os cientistas já estão a utilizar satélitesIONospheric Connection Explorer (ICON) da NASA, programado para ser lançado a 8 de Novembro – para estudar esta zona dinâmica.

Importa ainda salientar que este fenómeno nem sempre ocorre em tons de laranja. Em 2016, o fotógrafo Miguel Claro capturou um airglow bem mais colorido na montanha do Pico, no arquipélago dos Açores – uma espécie de arco-íris, recorda a Space.com.

(dr) Miguel Claro

ZAP // LiveScience

Por ZAP
9 Novembro, 2018

 

866: Finalmente explicado o fenómeno bizarro que intrigou Leonardo da Vinci

(dr) James Niland

Um fenómeno quotidiano intrigou os cientistas durante séculos. Porque é que, quando abrimos a torneira, a água se estende quando toca no lavabo antes de fluir pelo ralo? A ciência tem agora uma explicação.

No século XVI, Leonardo da Vinci documentou um fenómeno curioso que podemos observar todos os dias na nossa vida quotidiana. Quando abrimos a torneira para lavar os dentes, por exemplo, vemos que a água se estende quando toca na superfície do lavabo antes sequer de cair pelo ralo.

O que surpreendeu o artista italiano intrigou, desde então, inúmeros cientistas, Meio milénio depois, estamos ainda a franzir o sobrolho ao salto hidráulico, nome pelo qual este fenómeno é conhecido. Agora, físicos da Universidade de Cambridge propuseram-se finalmente a resolver este mistério.

À semelhança do que acontece quando abrimos uma torneira, o salto hidráulico pode também ser observado em praticamente todos os lugares onde existe um encontro de correntes. A beleza deste bizarro fenómeno captou a atenção de várias mentes filosóficas ao longo dos anos, mas é nas anotações de da Vinci sobre a natureza da água que encontramos as primeiras considerações sobre como os líquidos se comportam sob diferentes tipos de fluxos.

Para da Vinci, sempre foi a natureza rara da água que fazia com que ela se comportasse desta determinada maneira. No entanto, nos séculos seguintes, a explicação primária de da Vinci foi aprimorada.

O físico italiano Giovanni Battista Guglielmini, do século XVIII, e o matemático  italiano do século XIX, George Bidone, acrescentaram alguns detalhes matemáticos ao fenómeno, mas, ainda assim, nunca o conseguiram explicar.

Finalmente, em 1914, o físico John William ‘Just Call Me Lord Rayleigh’ Strutt, o terceiro Barão Rayleigh, aventurou-se numa sugestão que constava num documento sobre furos e ondas de choque líquido.

A explicação levou em conta factores como a viscosidade, a energia cinética e a energia potencial. Todavia, investigadores que se seguiram ao Lord Rayleigh descartaram a tensão superficial, dado que o papel que esta desempenha “pode ser minimizado aumentando-se o fluxo e, correspondentemente, a profundidade da água sobre a placa”.

Assim, modelos que descreviam a ligação entre o raio do líquido de fluxo mais rápido e a altura do salto hidráulico – como uma combinação entre viscosidade, inércia e gravidade – foram favorecidos.

À medida que a água flui ao longo de uma superfície, o atrito supera a inércia e desacelera o fluido. Se a mudança na velocidade for abrupta o suficiente, desenvolve-se uma onda de choque, na qual o líquido se acumula a uma pequena distância.

Ao longo dos anos, foram muitos os cientistas que questionaram se, de facto, a gravidade desempenhava um papel importante na determinação da altura do salto hidráulico, questionando, consequentemente, a causa desse estranho fenómeno que intrigou Leonardo da Vinci durante anos.

Agora, num novo estudo, publicado no Journal of Fluid Mechanics, o investigador de engenharia química Rajesh Bhagat acredita que os cientistas podem ter sido rápidos demais em descartar a influência da tensão superficial.

“Neste estudo, provámos que a tensão superficial e as forças viscosas equilibram o momentum aquando do salto hidráulico, e que a gravidade não desempenha qualquer papel significativo”, afirmou.

O líquido tem um momentum, isto é, uma certa força que empurra o líquido para a frente. No entanto, a tensão superficial empurra-o na direcção oposta porque quer contraí-lo e isso faz com que, a um certo ponto, ambas as forças estejam equilibradas, e é aqui que acontece o salto hidráulico.

Compreender este processo tem grandes implicações e “pode reduzir drasticamente o uso industrial da água”, sublinha Bhagat. “Esta teoria pode ser usada para encontrar novas formas de limpar carros e, até, equipamentos de fábrica“, conclui.

Lorde Rayleigh ficaria impressionado com as mais recentes conclusões, mas Leonardo da Vinci ficaria certamente feliz em saber, finalmente, a natureza da água e do seu fluxo hipnotizante.

Por ZAP
11 Agosto, 2018

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383: Steve: o misterioso fenómeno que os cientistas estão a tentar desvendar

Steve, o misterioso fenómeno celeste que pinta os céus com tons de roxo e verde, foi estudado por cientistas da NASA, que revelam que se trata de uma nova forma de aurora boreal.

Cientistas da NASA estão a estudar as propriedades do misterioso fenómeno chamado “Steve“, nome dado pelos observadores deste evento que é, também, uma abreviação de “Strong Thermal Emission Velocity Enhancement”.

Steve é semelhante a uma aurora boreal e tem sido documentado nos céus do Canadá, descrito geralmente como um fio vertical de luz roxa e tons esverdeados.

Segundo Elizabeth MacDonald, cientista da NASA, o fenómeno pode ocorrer em latitudes mais baixas do que as auroras comuns, oferecendo aos cientistas um vislumbre das interacções do campo magnético e da atmosfera superior da Terra. As descobertas da equipa foram publicadas esta semana na Science Advances.

Os cientistas tomaram conhecimento deste fenómeno quando membros de um grupo do Facebook, chamado “Alberta Aurora Chasers” – que reúne pessoas da província de Alberta, no oeste do Canadá, que gostam de observar auroras – começaram a publicar fotografias de observações incomuns do (agora conhecido) fenómeno Steve.

Os céus surgem “pintados” com fios roxos esverdeados, orientados quase verticalmente. Uma vez que aparece em áreas mais populosas, no sul do país, esta é uma espécie de aurora boreal que está ao alcance de mais pessoas.

Cientificamente, “diz-nos que os processos que criam auroras boreais estão a penetrar todo o caminho até à magnetosfera interna“, explica MacDonald.

Os cientistas compararam estas observações amadoras com dados dos satélites Swarm, da Agência Espacial Europeia (ESA), que medem precisamente a variação no campo magnético da Terra, de modo a descobrir quais as condições que propiciaram este fenómeno.

As auroras mais comuns formam-se quando as partículas carregadas impulsionadas pelo Sol são conduzidas em direcção à atmosfera superior dos pólos do nosso planeta pelo campo magnético da Terra. Estas partículas solares atingem partículas neutras na atmosfera superior, e produzem luz e calor, visíveis a olho nu no céu nocturno.

Pelo contrário, as Steves formam-se de maneira diferente. Nas regiões onde aparecem, há um campo eléctrico que aponta para o pólo e um campo magnético que aponta para baixo. Os dois juntos criam esta emissão orientada para oeste.

Assim, o fluxo na ionosfera terrestre atrai as partículas solares carregadas para oeste, onde atingem e aquecem partículas neutras durante o caminho, produzindo as tais luzes ascendentes. Este fenómeno configura o primeiro indicador visível da “movimentação” de partículas carregadas, que os investigadores têm vindo a estudar via satélite há cerca de 40 anos.

Dada a dificuldade em obter uma visão geral das auroras com os satélites actuais (porque não são capazes de ver um hemisfério inteiro ao mesmo tempo ou observar cada ponto com frequência), as pessoas desempenharam um papel determinante na compreensão do fenómeno Steve.

“Em conjunto, todas as observações nos ajudaram a construir novos modelos de auroras”, diz MacDonald, acrescentando que a melhoria tecnológica de câmaras significaria que os registos amadores seriam ainda mais valiosos para os cientistas.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
17 Março, 2018

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220: Janeiro vai ter noite com Superlua, Lua Azul e Lua de Sangue: tudo ao mesmo tempo

giumaiolini / Flickr

O mês de Janeiro terá uma noite especial e muito rara. O mundo todo poderá observar a Superlua, a Lua Azul e a Lua de Sangue juntas no dia 31. É a primeira vez que esse fenómeno ocorre em 150 anos.

A Lua Azul não é um evento astronómico: representa apenas um ciclo lunar especial onde a lua cheia aparece duas vezes no mesmo mês.

Isso ocorre devido à diferença entre o calendário do ciclo, que tem 29,5 dias de média, e o gregoriano, usado na nossa sociedade, que tem entre 30 e 31 dias. De tempos em tempos, essa desigualdade causa o efeito da Lua Azul.

A Lua de Sangue é o nome dado para o satélite natural durante o eclipse lunar total. Nesse caso, a lua perde a sua cor brilhante e branca, ganhando um tom mais avermelhado.

O fenómeno poderá ser visto em qualquer lugar do mundo, desde que o céu esteja aberto o suficiente para não obstruir a visão.

É importante lembrar que, quanto mais escuro o ambiente, mais detalhes do céu ficam visíveis a olho nu.

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