2071: Recuperada a cerveja que os faraós do Egipto bebiam há 5.000 anos

CIÊNCIA

(dr) Yaniv Berman / Autoridade de Antiguidades de Israel

Há evidências de que a cerveja já está com os humanos há pelo menos 13 mil anos, quando a cultura natufiana, um grupo de caçadores-colectores que viviam no Mediterrâneo oriental, preparou a bebida para venerar os mortos em celebrações rituais.

Segundo alguns investigadores, é possível até que a cerveja tenha impulsionado a agricultura. Mais tarde, o destino da cerveja correu em paralelo ao dos primeiros assentamentos e civilizações humanas. Na Mesopotâmia, bebiam uma cerveja, que chamaram “kas” em 4.000 a.C. Mesmo antes, em 5.000 a.C, sabe-se que os egípcios faziam o líquido dourado a partir de uma mistura de cevada e água fervida.

No antigo Egipto, a cerveja fazia parte da dieta diária, relacionava-se com a adoração dos deuses e considerava-se que tinha propriedades curativas. Um grupo de investigadores da Universidade Hebraica de Jerusalém conseguiu criar cerveja a partir da levedura recuperada na superfície de embarcações que foram enterradas pelos antigos egípcios há 5.000 anos.

“A coisa mais maravilhosa é que as colónias de levedura sobreviveram dentro dos contentores durante milénios”, disse Ronen Hazan, um dos líderes da investigação, em comunicado, juntamente com Michael Kutstein. “Graças a essas leveduras antigas, criamos uma cerveja que nos permitiu descobrir como a cerveja era saboreada. E não é má”, ressaltou o investigador, cujo estudo foi publicado na revista mBio.

Os especialistas conseguiram extrair as leveduras e cultivá-las para fazer a bebida. Ron Hazan disse à ABC que o trabalho é importante no campo da arqueologia experimental: “A nossa investigação oferece novas ferramentas para estudar métodos antigos”.

Os fungos permaneceram durante milénios dentro de contentores que eram usados ​​para fabricar cerveja e hidromel. Especificamente, os recipientes foram enterrados na época do faraó Narmer (3000 a.C), o rei Aramean Hazael (800 a.C) e o Neemias (400 a.C).

Recuperá-los e aproveitá-los tem sido trabalhoso. Primeiro, os cientistas tiveram que procurar métodos para extrair as leveduras. Para isso, tiveram a colaboração de viticultores da vinícola Kadma, que produz vinho em recipientes de barro. Além disso, recriaram a antiga cerveja egípcia com a ajuda do especialista em cerveja Itai Gutman, até se certificar de criar uma bebida adequada para consumo humano.

Finalmente, sequenciaram o genoma da levedura e descobriram que são similares àqueles tradicionalmente usados ​​em receitas de bebidas africanas, como tej, e variedades mais modernas de leveduras.

“Estamos a falar de uma conquista importante”, disse Yuval Gadot, co-autor do estudo e investigador da Universidade de Tel Aviv. “Esta é a primeira vez que conseguimos produzir álcool antigo a partir de leveduras antigas. Noutras palavras, fizemos isso a partir das substâncias originais”.

ZAP //

Por ZAP
29 Maio, 2019


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1940: A maldição do faraó terá sido libertada quando se abriu o túmulo de Tutankhamun

CIÊNCIA

Al Jazeera / Twitter

A 26 de Novembro de 1922, a expedição do arqueólogo Howard Carter, financiada pelo aristocrata Lord Carnarvon, fez uma descoberta excepcional: o túmulo do faraó Tutankhamun, rei do Egipto entre 1332 e 1323 a.C, num estado de incrível conservação.

Ao lado da múmia, numa câmara pequena para alguém da sua categoria, foram encontrados 5.398 objectos, incluindo um caixão dourado, uma máscara funerária dourada, tronos, arcos, trombetas, baús, jóias, vinho, comida, sandálias, roupa íntima de linho e um punhal. Carter passou uma década a catalogar os objectos com os quais o faraó tinha que viajar para o Além.

O faraó, que reinou dos nove aos 18 anos, é muito famoso – e não porque era um grande rei – mas porque o seu túmulo está entre os mais bem preservados. O escritor Jon Manchip escreveu: “O faraó que em vida foi um dos menos apreciados no Egipto, na morte tornou-o mais famoso”.

A sua fama também contribuiu para o facto de que, após a descoberta do túmulo, alguns dos exploradores começaram a morrer em circunstâncias estranhas. Em pouco tempo, a maldição de Tutankhamon começou a ser falada: foi o faraó vingar-se do Além daqueles homens que ousaram perturbar o seu descanso?

Tal como escreve o microbiólogo Raúl Rivas, citado pela ABC, a explicação pode passar por seres minúsculos, efectivamente “adormecidos” durante milénios: os micróbios.

“Poucos meses após a abertura da câmara real, ocorreu uma série de mortes em circunstâncias inexplicáveis de pessoas ligadas à exumação do túmulo”, escreve Rivas. “Esses eventos alimentaram a imaginação da imprensa, que transmitiu a ideia de que as mortes estranhas foram uma consequência da profanação do túmulo.”

O boato espalhou-se como fogo. Personalidades como Sir Arthur Conan Doyle contribuíram para a propagação da crença de que, de facto, uma terrível maldição da vida após a morte estava a matar os investigadores.

Os jornais ingleses chegaram a atribuir até 30 mortes à maldição do faraó. Entre eles, destaca o próprio Lord Carnarvon, patrono da expedição. O aristocrata morreu de pneumonia no hotel Savoy Continental no Cairo a 5 de Abril de 1923, quatro meses depois de abrir o túmulo.

Depois veio a morte de outras pessoas que “profanaram” o túmulo ou que participaram no movimento dos utensílios ou restos mortais do faraó. Em Setembro de 1923, o irmão de Carnarvon, Aubrey Herbert, morreu e, mais tarde, Sir Archibald Douglas Reid, encarregado de radiografar a múmia.

Pouco depois morreu Arthur Mace, um dos que abriram a câmara real com Howard Carter, em circunstâncias não esclarecidas. Mais tarde, o magnata ferroviário George Jay Gould, também presente na abertura do túmulo, morreu de pneumonia.

Richar Bethell, secretário de Carter, morreu em 1929. O pai e a esposa de Bethell cometeram suicídio. Alby Lythgoe, do Museu Metropolitano de Nova York, morreu de ataque cardíaco e o egiptólogo George Bennedite morreu numa queda no Vale dos Reis. Para fechar o círculo de mortes, os directores do Departamento de Antiguidades do Museu do Cairo, que intervieram nas exposições dos restos mortais do faraó em Paris e Londres, morreram de duas hemorragias cerebrais.

Apesar de tudo, como lembra Raúl Rivas, “Howard Carter sempre rejeitou a teoria da maldição. Para todos que a insinuaram, respondeu: “Todo espírito de compreensão inteligente está ausente dessas ideias estúpidas”.

Estudos posteriores revelaram que das 58 pessoas que estavam presentes durante a abertura do túmulo e do sarcófago, apenas oito morreram dentro de 12 anos.

O que matou o Lord Carnarvon?

Além disso, outros que estavam no túmulo não morreram até muitas décadas depois. O principal arqueólogo, Howard Carter, não morreu até 1939, sofrendo de um linfoma, com 64 anos. Os últimos a morrer foram Lady Evelyn Herbert, filha de Lord Carnarvon, que morreu em 1980, e o arqueólogo J.O. Kinnaman, em 1961.

A história começou com a morte de Lord Carnarvon, semanas após a abertura do túmulo. Segundo Rivas, “a explicação mais aceite é que Carnarvon morreu de uma septicemia bacteriana derivada de uma erisipela”, segundo o autor. “A erisipela é uma doença infecciosa da pele, causada por estreptococos, principalmente Streptococcus pyogenes“. Aparentemente, a infecção originou-se e espalhou-se porque cortou, ao fazer a barba, uma picada de mosquito.

No entanto, outros investigadores estabeleceram outra causa para a morte de Lord Carnarvon: a morte por uma infecção fúngica. Especificamente, tem sido argumentado que alguns patógenos, como Aspergillus niger, Aspergillus terreus ou Aspergillus flavus podem permanecer milénios trancados na câmara de Tutankhamon.

“Esses fungos são capazes de formar esporos de resistência que podem permanecer viáveis por séculos”, escreve Rivas. “Segundo algumas teorias, foram inalados pelo aristocrata, penetrando no seu trato respiratório e causando um tipo invasivo de aspergilose pulmonar”.

Como escreve o microbiólogo, “esta doença é uma infecção grave, que continua a ser uma importante causa de morbidade e mortalidade em pacientes imune-deficientes graves”. No caso desta pessoa, “poderia ter levado à pneumonia, como resultado do enfraquecimento do sistema imunológico que se arrastou desde que sofreu um grave acidente de carro alguns anos antes e que teve repercussões no sofrimento de infecções pulmonares recorrentes”.

O facto de os esporos de Aspergillus permanecerem inactivos por longos períodos de tempo nos pulmões explicaria por que Lord Carnarvon não apresentou sintomas de infecção durante os cinco meses após a entrada na sepultura.

Estas teorias sobre a origem fúngica da maldição de Tutankhamun receberam um impulso com estudos recentes que encontraram, regularmente, diferentes espécies destes fungos de Aspergillus que vivem em várias múmias na Croácia ou no Chile.

A famosa maldição de Tutankhamun reapareceu noutra tumba muito menos famosa. Em 13 de Abril de 1973, a abertura de outro túmulo, o do grão-duque da Lituânia e do rei da Polónia, Casimiro IV, levou à morte dos 12 cientistas presentes na inauguração.

Anos depois, foi demonstrada a presença de fungos do tipo Aspergillus em objectos presentes na sala. Hoje sabe-se que podem ser muito abundantes em espaços fechados, escuros, com uma temperatura moderada e com condições estáveis, exactamente como esperado num túmulo esquecido.

O faraó adolescente

Tutankhamun reinou durante o período do Novo Império, perto da altura do Egito Antigo, e não se sabe por que morreu quando tinha apenas 19 anos ou quem eram os seus parentes.

O mandato foi caracterizado pela reversão de muitas das medidas adoptadas pelo seu pai. Acima de tudo, pôs fim à veneração do deus Aton e restaurou Amon como o deus supremo, recuperando também os privilégios tradicionais dos sacerdotes.

Tutankhamun transferiu a capital para Tebas e deixou a cidade de Akhetaten. O faraó prestou especial atenção à melhoria das relações com os poderes vizinhos, embora acabasse por lutar contra os núbios e asiáticos. Por isso, provavelmente, terá sido enterrado com uma armadura de couro de escamas e com vários arcos, ainda que seja certo que provavelmente não chegou a lutar, devido à sua condição física.

Tutankhamun tinha cerca de 1,67 metros de altura, tinha escoliose, necrose no pé esquerdo e sofria de malária. Múltiplas investigações tentaram esclarecer a sua vida e a sua morte. Foi sugerido que terá morrido devido aos ferimentos do pé, em combinação com a malária, que foi morto ou que foi atropelado.

Outros apresentaram evidências de múltiplas doenças genéticas. É provável que Tutankhamun tenha sofrido defeitos genéticos que o enfraqueceram, uma vez que os pais terão sido primos.

É claro que a morte prematura do faraó foi imprevista, porque foi enterrado numa pequena sepultura para alguém do seu status. Actualmente, a múmia de Tutankhamun repousa no Vale dos Reis, num sarcófago de vidro selado e submetido a um ambiente controlado, sob o olhar atento de centenas de turistas.

MC, ZAP //

Por MC
8 Maio, 2019

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1335: Egipto anuncia a descoberta de um túmulo faraónico em Luxor

CIÊNCIA

Khaled Elfiqi / EPA

O Egipto anunciou, no sábado, a descoberta de um antigo túmulo, sarcófagos e artefactos funerários, encontrados numa necrópole perto da cidade de Luxor.

Numa cerimónia em frente ao templo da rainha Hatshepsut, o ministro das Antiguidades, Khaled al-Anani, anunciou que arqueólogos franceses e egípcios tinham descoberto “um novo túmulo com pinturas muito bonitas” da realeza faraónica.

Localizada entre os túmulos reais no Vale das Rainhas e no Vale dos Reis, a necrópole de Al-Assasif é o local do enterro de nobres e altos funcionários próximos aos faraós.

Entre os achados no túmulo estão sarcófagos, estátuas e cerca de mil figuras funerárias chamadas “Ushabtis” feitas de madeira e argila.

O túmulo data do século XIII a.C, entre as 11ª e 12ª dinastias, e pertencia a “Thaw-Irkhet-If”, supervisor de mumificação do Templo de Mut em Karnak.

Separadamente, arqueólogos do Instituto Francês de Arqueologia Oriental e da Universidade de Estrasburgo descobriram dois sarcófagos que datam da 18ª dinastia. Um deles contém os restos mumificados “bem preservados” de uma mulher chamada Thuya, disse o ministério. Mais tarde, porém, foi dito que os especialistas ainda estão a tentar identificar com certezas o nome da múmia.

As autoridades egípcias anunciam regularmente descobertas arqueológicas, embora o país seja frequentemente acusado de falta de rigor científico e negligência de suas antiguidades. Sítios arqueológicos, particularmente em Luxor, fazem do Egipto uma atracção importante para turistas estrangeiros.

O Egipto tem vindo a publicitar as novas descobertas na esperança de reanimar o sector do turismo, que ainda está a recuperar da turbulência ocorrida após a revolta de 2011 que derrubou o ditador de longa data Hosni Mubarak.

ZAP // Lusa / Phys

Por ZAP
25 Novembro, 2018

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1277: Túmulos de faraós com dezenas de gatos mumificados descobertos no Egipto

CIÊNCIA

Ministry of Antiquities-Arab Republic of Egypt / Twitter

Uma missão arqueológica egípcia acaba de descobrir dezenas de múmias de gatos. As autoridades egípcias encontraram sete túmulos, quatro dos quais datam de mais de 6.000  anos, em Saqqra, a sul do Cairo.

A descoberta ocorreu “em torno de uma área rochosa perto do complexo funerário de Userkaf na necrópole real de Saqqara”, que era a capital do Reino Antigo, adiantou o ministro egípcio das Antiguidades, Khaled El Enany.

Segundo o governante, três desses túmulos “datam do tempo do Novo Império e foram usados como uma necrópole para gatos“, os felinos venerados em parte do Egipto Antigo. Os antigos egípcios acreditavam que os gatos e outros animais ocupavam uma posição especial na vida depois da morte.

Os outros quatro túmulos remontam ao tempo do Antigo Império (4.300 anos a.C.), “dos quais a mais importante é a de Jufu-Imhat, guardião dos edifícios pertencentes ao palácio real, datando do final da Quinta Dinastia e do início do VI”, segundo Khaled El Enany.

Os arqueólogos encontraram ainda 100 estátuas de gatos de madeira douradas e uma de bronze dedicada à deusa do gato, Bastet.

Além disso, o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mostafa Waziri, disse que a missão egípcia, que opera no local desde Abril, também encontrou os primeiros besouros mumificados descobertos na necrópole de Memphis. Dois grandes insectos foram descobertos dentro de um sarcófago rectangular em pedra calcária.

Tal como os gatos, estes insectos tinham também um significado religioso e simbolizavam o deus sol, Ra. “O besouro mumificado é algo realmente único. É algo um pouco raro”, disse Waziri. “Há alguns dias, quando descobrimos estes caixões, eram apenas caixões fechados com desenhos de besouros. Nunca ouvi falar deles antes.”

A missão encontrou ainda uma colecção de estátuas em madeira dourada que representavam um leão, uma vaca e um falcão; cobras de madeira pintadas; sarcófagos de crocodilos; amuletos, jarras, cestos de papiros e ferramentas de escrita.

Saqqara é uma vasta necrópole da região da antiga Memphis, onde vários túmulos e os primeiros faraós foram encontrados. Numa estratégia para reavivar o turismo, o Egipto tem insistido em publicar estas novas descobertas.

ZAP // RFI

Por ZAP
12 Novembro, 2018

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1214: Arqueólogos descobriram o salão de festas do faraó Ramsés II

CIÊNCIA

Egyptian Ministry of Antiquities
Arqueólogos descobriram o Salão de festas de Ramses II

Arqueólogos da Universidade Ain Shams, no Cairo, encontraram nas ruínas do bairro árabe de Matariya o salão de festas do faraó egípcio Ramsés II. Durante o seu reinado, a zona correspondia à cidade de Heliópolis, uma das capitais do antigo país dos faraós.

A equipe de arqueólogos conseguiu identificar um conjunto de portas, paredes e instalações, que inclui um recinto em redor. Obras de perfuração efectuadas em Março deste ano possibilitaram a descoberta, detalhou o comunicado divulgado pelo Conselho Supremo de Antiguidades egípcio na quinta-feira.

Ramsés II foi o terceiro faraó da XIX dinastia egípcia, que reinou entre 1279 a.C. e 1213 a.C. O seu reinado é muitas vezes considerado o mais prestigiado da história egípcia no aspectos económico, cultural e militar.

O investigador responsável pala expedição, professor Mamduh al Damati, afirmou estar  impressionado pela unicidade do salão real, sem igual em qualquer construção do Império Novo egípcio.

Segundo o professor, a câmara cerimonial foi usada para celebrações reais não apenas durante o reinado de Ramsés II, mas também nos tempos dos seus sucessores. Os arqueólogos encontraram no recinto um artefacto do rei Ramsés III, que reinou cerca de três décadas depois de Ramsés II.

Entre os achados mais importantes destaca-se uma grande tigela de cerâmica, encontrada na sua posição original. De acordo com os arqueólogos, após o fim da época de Ramsés, a tigela poderá ter servido para abastecer com trigo um templo de Rá próximo do local.

As imagens distribuídas pelo Conselho Supremo de Antiguidades mostram a parte elevada da sala com um suposto trono real. Estão particularmente bem conservados quatro degraus, que separam a estrutura do chão.

A descoberta arqueológica foi anunciada alguns dias depois de um espectáculo especial, organizado pelas autoridades para delegações internacionais, em comemoração ao 50º aniversário do transporte, peça por peça, do templo de Ramsés II em Abu Simbel.

ZAP // Sputnik News

Por SN
29 Outubro, 2018

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1123: Descoberto no Egipto o túmulo de Kaires, o guardião de segredos do faraó

CIÊNCIA

Czech Institute of Egyptology
Estátua de Kaire, o “amigo único” do faraó

Uma equipa de arqueólogos checos fez uma descoberta notável em Abusir, perto do Cairo, ao descobrir um complexo funerário único, pertencente a um alto dignitário egípcio da V dinastia do Antigo Reino do Egipto. 

Os restos foram encontrados junto de uma pirâmide em Abusir, onde apenas os membros da família real e os maiores dignitários estaduais da época eram sepultados. De acordo com o Live Science, o túmulo pertence ao “amigo único” (sole friend) do faraó.

De acordo com o comunicado divulgado pela equipa de arqueólogos do Instituto Checo de Egiptologia, dentro do túmulo – que foi roubado nos tempos antigos – foram encontrados os restos de uma estátua com inscrições relativas a um padre de nome Kaire.

Este padre, acrescenta a nota divulgada esta semana, era o “amigo único do faraó” e o “guardião de segredos da Casa da Manhã” – local onde o faraó se vestia e tomava o pequeno-almoço. Kaire era um confidente real.

“Nesta descoberta há uma série de factos únicos. O túmulo está localizado no centro do campo da pirâmide de Abusir, que remota a 2.400 a.C. E, além da capela em si, foram encontradas outras salas”, explicaram os especialistas à Radio Cz.

“Outra característica única é que esta capela é o único túmulo real deste período construído com blocos de basalto para a pavimentação, papéis de parede e um altar. Esta é uma evidência do estatuto excepcional do dono deste túmulo”.

Na época, sublinha o Live Science, só os faraós é que estavam autorizados a usar basalto nas construções de túmulos.

Czech Institute of Egyptology
O complexo funerário de Abusir, perto do Cairo

Segredo da V dinastia egípcia

Os arqueólogos não sabem ao certo a que faraó é que as inscrições se referem no entanto, já conseguiram recolher algumas pistas. O complexo funerário foi encontrados perto de uma pirâmide que pertenceu ao faraó Neferirkare (reinado 2446 a 2438 a.C).

Além disso, outras gravuras encontradas na estátua apontam que Kaires era “inspector dos sacerdotes que serviam no complexo junto da pirâmide”, que pertence a Neferirkare e ao seu sucessor Sahure (2487 a 2475 a.C), terceiro e segundo faraó da V dinastia egípcia, respectivamente.

A estátua menciona ainda vários outros títulos importantes detidos por Kaires, entre os quais, “supervisor de todos os trabalhos do faraó” e o “principal da Casa da Vida” – uma espécie de biblioteca que reunia papiros que registavam conhecimentos sobre diversas áreas, explicaram os arqueólogos.

Apesar de o sarcófago de Kaires ter sido encontrado, ainda restam segredos para desvendar, a sua múmia, por exemplo, ainda não foi encontrada. Outro aspecto que os cientistas ainda não conseguiram apurar é se o padre terá servido a um ou dois faraós.

Os arqueólogos checos, liderados pelo investigador Miroslav Bárta, continuam com os trabalhos arqueológicos, em parceria com o Ministério de Antiguidades do Egipto.

ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2018

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